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Nunca é cedo demais pra rir de si mesmo

Postado em 23 fevereiro 2009 Escrito por Izzy Nobre 140 Comentários

…e é por isso que menos de 24h após escrever aquele post de ontem, eu já percebo que me desesperei sem motivos. E já consigo até, pasmem, ver a potencial benção que a perda do meu emprego representa.

Sim, eu perdi meu emprego. Cometi um vacilo que, apesar de não ter consequências tão sérias, deixaria a empresa em maus lençóis se me mantessem no payroll. Foi aquele tipo de pisada de bola que EXIGE um bode expiatório pra que os chefões não sejam pegos com as calças nas mãos, pra que não sejam vistos como molengas, e nada mais justo que eu levasse o cartão vermelho.

Como vocês devem saber lendo o HBD, o meu ex-emprego era algo que eu realmente não tinha do que reclamar. O trabalho era fácil e não exigia muito de mim (eu trabalhava sentado o dia inteiro, jogando videogame e postando no twitter), o salário era o mais alto que eu já recebi na vida, e havia um certo orgulho pessoal no fato de que eu ia pro trabalho de terno e gravata. Dava uma sensação de realização.

Dois dias após estudar a minha situação atual, após conversar com amigos e familiares, após estudar as outras oportunidades que meu empreguinho confortável não me permitia avaliar, eu noto que talvez aquele emprego não fosse tudo aquilo que eu pensava que era. E que, por melhor que ele parecia no momento, ele estava stealthmente causando mais danos do que benefícios na minha vida.

Este era eu uma semana antes de conseguir o emprego que eu acabei de perder.


Tire o olho, ela tem dono.

Este sou eu semana passada.

Além da diferença óbvia da cor do cabelo da minha mulé, é difícil não notar que eu estou consideravelmente RECHONCHUDO na segunda foto. É isso que o estilo de vida de passar 8 horas sentado jogando videogame no trabalho e depois 8 horas sentado jogando videogame em casa faz com você – ganhei nada menos que VINTE QUILOS nos 18 meses que passei lá no tribunal.

Outra coisa que eu percebi é o quanto aquele emprego havia me deixado acomodado. Hoje passeando pelos sites de empregos da minha região, eu notei que existem uma cacetada de empregos que não apenas pagam uma quantia similar, mas também permitem muito mais avanço que operar sistemas de segurança de um tribunal. Como eu estava me sentindo muito acomodado naquela posição, eu havia fechado os olhos pra todas as outras melhores oportunidades que pipocam aqui e ali e que alguém que estava originalmente numa posição menos lucrativa que eu deve ter pego há meses atrás.

Outro problema de ser tão novo e ganhando tanto é que, apesar de alimentar fantasias de voltar à faculdade, eu não estava realmente considerando a opção se ela significaria que eu teria que largar o emprego ou diminuir minhas horas. Na maior parte do tempo (e isso é algo que eu não queria admitir nem pra mim mesmo), eu estava perfeitamente satisfeito em ficar lá no tribunal por outros 5 ou até 10 anos. “Se meus colegas de trabalho conseguem sustentar famílias com esse salário”, eu pensava…

Tudo isso estava bem na frente dos meus olhos por muitos meses, mas precisou eu realmente ser sacodido da segurança e comodidade do trabalhinho fácil pra notar que ele estava sendo na verdade tóxico pra minha vida, pra minha saúde e pra minha ambição para o futuro. E foi aí que eu notei que o que aconteceu não foi nenhuma desgraça, mas sim uma oportunidade pra repensar meus objetivos e o que eu espero da minha vida.

E ainda há o âmbito pessoal. Todos os trabalhos que tive antes lá do tribunal envolviam gente da minha idade ou mais nova, gente com quem eu me identificava mais, gente com quem eu saía pra festas e pro bar após o expediente. A turma que está mais antenada na minha vida pessoal deve ter notado que nos últimos meses, eu só mencionava UM amigo – o Trevor. Isso acontece porque ele é o ÚNICO funcionário no tribunal com a minha idade; todo o resto tem entre 30 e 40 anos, com filhos pra criar e hipotecas pra pagar. Eu tinha UM amigo no trabalho; enquanto até HOJE quando visito o Wendy’s (me demiti lá em agosto de 2007) sou saudado de forma energética por todos os meus velhos colegas.

E principalmente, não havia o menor motivo pra desespero. Eu estive juntando nos últimos meses uma “reserva de emergência”, justamente pra um caso como esses. Tenho na minha poupança o suficiente pra cubrir todo o meu custo de vida por três meses sem que seja necessária nenhuma mudança na maneira em que eu vivo. “Em agradecimento aos meus serviços exemplares”, como disse o gerente regional quando visitei-o em seu escritório hoje de manhã, a compania me pagará o mês de março integralmente, como se eu tivesse trabalhado o mês inteiro. Minha viagem ao Brasil foi paga à vista, e estou levando uma quantia que me permitiria viver no brasil pelo dobro do tempo que passarei aí. Além disso, a minha família (ou seja, a namorada e meu irmão que moram comigo) estão me apoiando completamente e disseram que estão dispostos a arcar com minhas despesas pelo tempo que for necessário.

Só depois de passar um dia inteiro na agonia, analisando cuidadosamente o cenário, que noto que meu desespero inicial foi completamente infundado. Como falei antes, uma rápida passada por alguns sites de empregos da minha região mostraram mais de VINTE, isso mesmo, VINTE vagas pra empregos igualmente bem remunerados, porém com mais benefícios E oportunidade pra crescimento. E isso porque eu filtrei os resultados pra exibir ofertas apenas na região da cidade em que eu moro. Desespero pra quê?

Não pense que isso é um caso típico de “ahhh, mas eu nem queria mesmo…“. Eu estaria mentindo se dissesse que o trabalho era RUIM, ponto final. Trabalhar no tribunal me permitiu viver 18 meses de luxos que meus pais não podiam nem sonhar em ter quando tinham minha idade. A segurança financeira que o trabalho me deu por aquele tempo me permitiu ajudar ambos meus pais, quando eles se encontravam em complicações monetárias. Cresci bastante e adquiri conhecimentos que serão extremamente úteis no futuro.

Mas talvez já estava realmente na hora de mover pra frente. A única coisa que aconteceu é que meus chefes tiveram a idéia antes que eu.

Talvez eu arrume um emprego novo amanhã. Talvez eu fique desempregado por três meses. Não sei o que o futuro aguarda, mas sei que isso é apenas mais um passo naquela tal da jornada da adultice que eu mencionava com tanta frequência aqui no HBD, e meio que via como concluída simplesmente porque aos míseros 24 anos de idade, arrumei um empreguinho confortável que, sob análise cuidadosa, nem era realmente o melhor que alguém como eu pode conseguir.

Sabe aquele papo de que não dá pra ver um quadro inteiro, você precisa dar alguns passos pra trás pra poder apreciar a figura geral? Então.

A vida continua, e a única coisa que posso falar a ela é “bring it on, bitch”. Estou preparado.

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Categorias: Vida maldita

140 Comentários \o/

  1. Saci de Patinete disse:

    PRIMEIRO

  2. Saci de Patinete disse:

    E eu li tudo hein.

  3. Saci de Patinete disse:

    Aliás, que merda hein Kid

    Pensava que seria um post mostrando as fotos/vídeos da tal fodelância que causou tua demissão.

  4. Alisson disse:

    é isso ae kid…
    qnd eu li o seu ultimo post fiquei estupefata…achei ki vc ia abandonar td por causa de um desemprego…
    bom saber ki vc souber ver o lado positivo q essa nova fase da sua vida tem…
    e te dou o maior apoio…sempre torcendo pelo melhor…

    e um regiminhu ia bem hein…hauhuauhauhauha

  5. Geek Pobre disse:

    Isso que dá ser uma putinha afodaba :D
    E não esqueça de pegar um emprego que te permita twittar o dia todo, a graça do twitter é ver discussões (que normalmente você está metido no meio :D )

  6. Jaime disse:

    Faglord,

    That’s my boy!
    Nessa progressão, você estaria com uns 290 quilos depois de 10 anos de tribunal. E talvez seja essa uam boa hora para se tornar empresário de entretenimento adulto”. ;-)
    Keep it rolling, man!

  7. Rafael Ramos disse:

    Aeeeeeeee Quide! xD
    Força rapaz!

    “Pensava que seria um post mostrando as fotos/vídeos da tal fodelância que causou tua demissão.” [2]

  8. ruskiii disse:

    tambem pensei que seria um post pa explicar o fim do trampo…

  9. Du Cardoso TM disse:

    Grande Kid, assim que se fala… Bola pra frente, rapaiz! :D

  10. Someone disse:

    Que bom :)
    Tava bem melhor na primeira foto mesmo, arruma um emprego que te faça pelo menos atravessar uma sala de vez em quando…
    E acho que é ‘mantivessem’ ao invés de ‘mantessem’.

  11. rafaelmagu disse:

    Ganhar bem no exterior realmente nos acomoda bastante. Mas ao mesmo tempo nos aliena para possíveis oportunidades.

    Keep your eyes (and head) open.

  12. Paulo disse:

    Isso ae Kid, bola pra frente mano, você está em uma cidade próspera pra caralho, só procurar que, com certeza você encontrará um emprego igual ou melhor do que você tinha no Tribunal.

  13. Cardoso disse:

    Você não tem relevância na meritocracia para ter um emprego.

  14. Dieguito disse:

    Go, Kid, go!

    Na segunda foto você tá a cara do Leonard, do TBBT.

  15. Kid disse:

    Ahahahahaha, acreditam se eu falar que acabei de receber uma ligação aqui e estou empregado novamente? E que já começo semana que vem com horário full time, 40 horas por semana?
    :D :D :D :D :D

  16. Almeida disse:

    Sobre o que era o texto mesmo? A primeira foto da sua namorada tirou minha atenção. :/

  17. Alisson disse:

    novo emprego, ja????
    cara…essa foi mto rapida…hauahuuha

    parabéns!!!!!!!

  18. Du Cardoso TM disse:

    HAHAHAHA, parabéns Kid…

  19. valmir disse:

    Como eu disse, você mora num lugar onde existem muitas chances e oportunidades, se fosse aqui no Brasil ai sim poderia ser motivo pra desespero. E quanto a não fazer nada no trabalho, não é o mais importante, eu trabalhava até dezembro onde eu praticamente num fazia nada e ainda fazia com que as pessoas sobre o meu comando também não fizessem. E troquei por um onde eu tenho pessoas superiores que acompanham minha produção diária e estou muito mais feliz, trabalhando mais, porém em algo que eu gosto muito. O que eu posso dizer é segue em frente, todos nós sabemos que você é muito capacitado.

  20. Jonathan disse:

    Já? rsrs

    que bom!