A mudança, isso é. Não o blog.
Demorou três ou quatro dias, mas finalmente trouxemos toda a nossa tralha do apartamento antigo pro apartamento novo. Ainda há caixas espalhadas por aqui e ali, mas agora isso é o de menos
Essa é minha segunda mudança como adulto. Quando eu era moleque e morava com meus pais, me mudei incontáveis vezes – de bairro, de estado e finalmente, de país.
Durante todo o processo dessa mudança, uma coisa se tornou muito óbvia – tudo é mais fácil quando a gente é criança, definitivamente.
O cronograma das muitas mudanças da minha família é o seguinte (com margem de erro de um ano, pra mais ou pra menos, porque minha memória é justificadamente uma merda):
1990: Nos mudamos de Fortaleza, nossa cidade natal, pra Londrina-PR. Motivo: trampo do meu velho.
1993: A família, agora maior (minha irmã é a única paranaense da família) volta pra Fortaleza. Motivo: o emprego do meu pai, novamente.
1999: Nos mudamos pra São Luís-MA. Motivo: Adivinha.
2003: Dessa vez a mudança é drástica – viemos parar em Toronto, no Canadá. A família se instala temporariamente em Scarborough, um subúrbio das redondezas, e finalmente em Oshawa, uma espécie de cidade-satélite de Toronto.
2006: De Oshawa pra Calgary.
Presumo que essa mudança é a última, já que em 2007 eu me mudei pra minha própria casa e não preciso mais seguir meu pai pra onde o emprego dele o leva. O que é relativamente chato, porque Calgary não é minha cidade ideal.
Se é pra se jogar pro outro lado do país, que completasse a viagem até Vancouver, por exemplo – uma cidade maior, mais agitada, com clima infinitamente mais ameno, e com PRAIAS. Ah Jesus, as praias… mas divago.
O meu ponto é que quando eu era moleque, uma mudança era pura e simplesmente uma aventura divertida. Viajar com a família pra uma cidade nova, se aclimatizar ao layout da casa nova, a expectativa de conhecer vizinhos mais legais (ou VIZINHAS mais legais, por que não?), encontrar brinquedos que você perdeu há muito tempo entre paredes e móveis quando começa a empacotação dos pertences.
Falando em brinquedo perdido, googleei “playmobil robot” aleatoriamente e eis que encontro o robozinho acima, um dos meus brinquedos favoritos, no ebay. Lembro que roubei de um vizinho, ou colega de sala, algo assim. Oito dólares só, comprarei imediatamente.
Então, quando tu é moleque, uma mudança é só diversão. Quando você é o responsável por espremer sofás pra passar pela porta e carregar infinitas caixas lotadas de tralhas e depois desempacotar tudo (isso pra não mencionar a encheção de saco de sair atualizando endereço com o banco, cartão de crédito, provedor de internet, emprego, compania elétrica, serviços online, diabo a quatro), a coisa é um stress desgraçado.
Pior ainda é que a família da minha patroa (pai e duas irmãs) resolveu nos visitar no dia seguinte ao término da mudança. Não houve tempo nem ânimo pra sair desempacotando e organizando tudo quando a gente passava 12h por dia na rua mostrando os pontos turísticos da cidade pra eles.
Locais como a Calgary Tower, a versão patética da CN Tower de Toronto. Pra você entender por que eu chamo de “patética”, a Calgary Tower tem 191 metros, enquanto a CN Tower tem 553.
Tipo, quase o triplo! Se eu me borrei todo pra tirar a foto acima, na CN Tower não haveria qualquer chance deu pisar em cima do vidro. E eu admito sem pudor que só juntei a coragem pra tirar a foto acima após muita insistência da família e até mesmo dos transeuntes aleatórios que nem me conheciam. E imagina minha pura agonia ao ver uns pivetinhos correndo e pulando em cima do vidro. Sério, o estômago embrulhava.
Nosso casebre anterior já era consideravelmente nerd (com uma população de 1.6 computadores per capita – 5 PCs, 3 moradores), e agora a coisa ficou ainda mais hardcore.
Primeiro que agora temos mais PC por pessoas aqui na casa – quatro computadores pra dois habitantes, ou 2 PCs per capita. Dois PCS PC?
E segundo que eu peguei o esquema de Home Theater PC – ou seja, um computador ligado à TV dedicado apenas pra acessar mídia - que eu usava na velha cara, e sofistiquei a parada.
A TV que antes ficava na sala veio pro meu quarto. Catei um laptop e um cabo VGA e transformei-o num segundo HTPC, conectado ao meu super mainframe de mídia (quase 4 terabytes de filmes, séries, música, o demônino, etc), e com a magia dos Homegroups do Windows 7 tenho acesso a toda essa caralhada de entretenimento em qualquer computador da casa – via wifi, sem qualquer lag.
Muito bom.
Quando postei essa imagem no tuíter, todos riram da resolução imensa que eu uso nesse computador. Se tivessem um dia tentado controlar um PC a alguns metros de distância (nessa foto tou deitado na cama) usando um iPod touch, entenderiam – quanto maior os ícones e o texto na tela, melhor.
Não esqueça que eu sou míope, e pra clicar num botão/link/whatever microscópico a metros de distância deitado na cama sem óculos, é bom que o ícone seja imenso. Ou seja, me deixem curtir minha resolução “monitor CRT de 1999″ em paz, caralho.
Pra controlar todos esses computadores, instalei cópias do Air Mouse nos PCs, e pus o app correspondente nos iPhones e iPod touch da casa. Assim, qualquer celular pode servir como controle remoto de qualquer computador da casa.
Esse é o antigo iPod touch da minha mulher, presente de natal de alguns anos atrás que se tornou supérfluo quando dei meu iPhone 3GS pra ela. Agora obsoleto, o tocador de mídia virou controle remoto dedicado da TV da sala. Tirei tudo da homescreen, deixando apenas o cliente do AirMouse, e alguns outros apps relevantes.
E finalmente, instalei o TeamViewer em todos os computadores, o que me permite acessa-los remotamente de outro cômodo ou até mesmo fora de casa, com o app pro celular.
Com o TeamViewer, eu não preciso ir à sala pra resetar o computador, ou ao quarto pra adicionar músicas à minha playlist do iTunes. Poder controlar os computadores em qualquer lugar de casa é uma conveniência que parece pouca coisa, mas depois que tu se acostuma, não dá pra considerar voltar a fazer as coisas do modo antigo.
Como posso acessar os computadores fora de casa também, posso por exemplo baixar meus seriados favoritos ainda no caminho de casa, pra poder assisti-los assim que sento a bunda no sofá. Há diversas aplicações pro poder quase mágico de controlar seus computadores remotamente.
O sofá, que alguns de vocês rogaram pragas de que não caberia na sala (não vou negar, fiquei com medo também) coube PERFEITAMENTE. Uma vez na minha vida algo planejado desastradamente acabou dando certo, acho que gastei toda a minha sorte enfiando esse sofá na sala.
E não sei se já comentei aqui – e sou muito preguiçoso pra verificar os posts anteriores -, mas uma amiga da minha mulher morará conosco por três meses. É, eu sei, geralmente é furada. Mas a menina é gente boa, tá precisando duma ajuda, e tem como pagar o aluguel em dia sem problema.
Estipulei que em novembro ela tem que sair fora, sem choro nem reza. E deixei bem claro que não quero saber de amiguinhos dela usando nossa casa como ponto de encontro.
O namorado dela, em particular, eu deixei claro que não quero nem ver lá em casa. Sabe como neguim é, se ficar dando muitas liberdades, capaz deu chegar no apartamento um dia aleatório qualquer e o maluco estar comendo a menina no meu sofazim novinho em folha.
Aí não dá, né.
Como sou um eterno pessimista, sinto que vou me arrepender de ter estendido a mão à menina. Fui seduzido pela idéia de economizar no aluguel por alguns meses, mas nesses últimos dias comecei a apreciar muito a privacidade de morar sozinho com a patroa (meu irmão mais novo morava com a gente), então já começo ver a vinda da menina como algo desagradável. Me ajudem a ver o lado positivo dessa decisão mal calculada.










Aqui o lado positivo: http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9nage_%C3%A0_trois
Relaxa que tudo vai dar certo. O que são três meses dividindo a casa com a amiga da patroa?
Parabéns cara, sei que não é essa a sua intenção, mas tu é a inspiração de vida que eu tenho, sei lá, sou viciado em gadgets, porém não tenho nenhum além do meu play 2, sou mais viciado ainda em tatuagens, mas ainda dependo do meu pai{sabe como é, enquanto tu morar no meu teto é como eu quero, sem tatuagens, sem pegação com a namoradinha na sala, blá blá blá}, ainda quero que a minha vida seja parecida com a sua em questão de não poupar pra ter as coisas que tu gosta, claro, no brasil a coisa é diferente, mas quem corre atraz sempre consegue o que quer…
Não me limito a dar uma nota pra esse blog, simplesmente é o melhor que ja li, abraço.
lado positivo: threesome.
as pics da mina gente boa, nem fudendo né…
Como assim o lado bom? Um pouco de conversa da sua parte, um pouco de liberalidade da parte dela e… (tenho certeza que quando isso for publicado já existirão pelo menos umas cinco sugestões iguais acima) ménage à trois!
[i]Ménage à trois[/i]!
[2]
Hehehe
Izzy! sou de Recife. E ao contrario das tuas mudanças na infancia comigo foi tudo ao contrário. Eu morei dos 28. 26 anos no mesmo lugar no mesmo prédio então o processo foi completamente diferente. Só tive UMA MUDANÇA que foi sair da casa dos pais pra vir fazer a vida aqui em PORTO VELHO a 4200km de RECIFE. Aqui são 3 pcs. Agora o PC ta ligado no DVI-HDMI uma dica é usar a barra do windows na lateral pra você ganhar espaço em navegação. O esquema de Home Theater PC realmente é muito bom. Descobri teu blog a tempos pelo SoundTest mas é meu primeiro post. Muitas histórias suas eu leio e gosto por que se associam muito ao que estou passando por aqui. Um abraço de mais um nordestino solto pelo mundo. Marcelo Barbosa. PSN – MARCELOBARBOSA77
Bem, pelo menos você poderá ficar imaginando que, cedo ou tarde, rolará um ménage à trois.
Pior é o sentimento de frustração caso não role. kkk!!!
Lado positivo? Acredite, não há. Felicidades no novo lar, especialmente depois de novembro.
Cara, acho bem bacana o lance da galera (me incluo) acompanhar o que vc pensa, o que vc vive, etc. Há pouco mais de um ano comecei a ler o HBD e via um cara meio cheio de si, rabugento enfim. Sei lá se vc tá “menos pior” ou se vejo as coisas diferentes, mas hoje vejo um cara que encara as coisas da vida como eu (tenho 31 e me orgulho pra caralho de ter a minha empresa e dela, em quase 4 anos, já comprei minha casa, meu carro e reinvesti um monte em equipamento) sobre passar pra vida adulta e tocar tudo isso pra frente
Parabéns por mais este passo Izzy.
Abraço.
Entendo toda tua ocupação. Também to de mudança aqui, saindo da casa dos pais, pra casa que agora será minha. Realmente é tenso mudar os endereços e fazer tudo da melhor forma possível. Ainda mais pra pessoas que gostam de tecnologia como nós e estão acostumados a wi-fi na casa toda, sky, home theather, etc…
A casa aí parece ter ficado bacana. Mas tu mencionou aluguel, o que me traz uma pergunta: É muito difícil COMPRAR uma casa aí no Canadá?
Ia perguntar o que o cara aí em cima perguntou. Quanto custa comprar uma casa, um ap aí no Canadá? Aqui em São Paulo, em regiões decentes, tipo Vila Mariana, os preços estão astronômicos =(.
Tá fudido! Esses 3 meses vão virar 3 anos…
“Me ajudem a ver o lado positivo dessa decisão mal calculada.”
Threesome meu fí… Threesome…
Kid, eu já passei pela mesma situação de ter uma amiga dividindo a casa e acredite… você vai se arrepender :/ é triste mas é a verdade, mas enfim a parte boa é que isso passa.
o lado positivo c sabe miguin
tou sem net ta ruim de conectar esses dias, mas ainda ta d pe viu meu fih
UMA PALAVRA: suruba
PUTA MERDA, CARA. Você vive no futuro.
Depois reclama que tá gordo,tsc tsc tsc…