3 jogos EXTREMAMENTE SUBESTIMADOS de Game Boy Advance

Como os colegas que me acompanham no Instagram sabem, eu sou hoje o feliz proprietário de um PSPGo branco. Esta lindeza suprema aqui:

Houve uma época em que aparelho eletrônico branco era destinado a um fim triste — aquela descoloração clássica que eu costumo chamar de “amarelo Super Nintendo”. Aliás, não sei se dá pra chamar isso de “descoloração”, já que na realidade cor não foi subtraida, e sim adicionada. Li uma vez que isso acontecia por causa de um produto químico qualquer que era usado na fabricação plástica de décadas passadas. Como posso atestar, aparelhos eletrônicos contemporâneos não ficam mais encardidos daquela forma.

O que é uma grande felicidade, porque aparelho branco é lindíssimo. Passei um booom tempo procurando esse PSPGo branco, que é curiosamente bem mais difícil de achar que seu equivalente preto.

Enfim. Apesar do meu histórico apreço pelo PSP (deixo aqui um imenso e caloroso abraço aos meus colegas da saudosa PSP Brasil, possivelmente o ÚNICO ambiente da internet em que eu era unanimemente bem recebido), a ironia é que eu mal joguei jogos de PSP propriamente ditos. O portátil da Sony sempre foi pra mim uma extremamente competente plataforma de emulação, e por isso eu via sua capacidade de jogar seus jogos nativos como uma curiosidade e nada mais. Com exceção dos inacreditavelmente excelentes God of War Chain of Olympus e Grand Theft Auto Chinatown Wars, a biblioteca do PSP foi quase uma incógnita pra mim.

Quer dizer, “incógnita” é exagero. Como eu transitava diariamente os ambientes dos entusiastas do aparelho, era impossível não estar a parte dos melhores lançamentos, mas eu no máximo os baixava por curiosidade — só mesmo pra ver algo quase equivalente a um jogo de PS2 rodando num aparelho que cabia no meu bolso, e nada mais.

O que me interessava no PSP era mesmo rodar os milhões de joguinhos de gerações passadas, como os de SNES, já que eu matei o meu prematuramente no meio de uma tentativa de zoar meu irmão. Eu degustei quase tudo que me interessava do SNES (e sim, admito aos ouvintes do 99Vidas que eu zerei bem poucos deles — sou o tipo de gamer que na maioria das vezes se satisfaz com jogadinha casual), e fui explorando outras bibliotecas.

A do PS1 foi particularmente interessante pra mim. Ter TODOS os jogos do SNES a meu dispor, num aparelho que cabia na palma da mão, era inacreditável — mas não era totalmente uma novidade, visto que eu pelo menos tive um SNES, e boa parte dos jogos que eu joguei no PSP faziam parte da minha coleção de títulos do Super Nintendo quando eu era criança.

Já o PS1 foi um console elusivo em minha infância, e o PSP representou a primeira vez que tive acesso à sua biblioteca. Eu e meu irmão chegamos BEM perto de convencer meus pais a comprar um PS1, aliás, mas a minha mãe — que ao contrário do meu pai sempre foi mais fruga e menos inclinada a justificar a compra de gadgets — veiculou suas objeções e voltamos pra casa com as mãos abanando.

Isso não é uma figura de linguagem, aliás: na ocasião eu morava em São Luis e meu irmão, eu ACHAVA que conhecia calor até me mudar pra capital maranhense.

Eu culpo minha mãe pela frustração de não ter um PS1, mas na realidade boa parcela da culpa é minha própria — eu havia, afinal, quebrado meu ÚNICO console.

E teve, obviamente, a biblioteca do Game Boy Advance, o fabuloso console que no começo dos anos 2000 prometeu ser um SNES de bolso — e cumpriu essa promessa de forma extremamente satisfatória. O Game Boy Advance é um dos consoles que o PSP emula fenomenalmente bem, e através dele eu tive acesso aos melhores títulos do aparelho.

A propósito, vale lembrar que eu noto agora que o SNES não foi o único console que eu destrui — eu quebrei também um GBA SP, que havia sido dado a mim de aniversário pela minha ex do Brasil. A culpa não foi inteiramente minha — deixei o console no porta-copos, do lado de um copão de Sprite do McDonalds. O copo vazou e inundou aquele receptáculo onde eu havia deixado o console. Pelo menos essa quebra foi culposa e não dolosa.

Caralho, 700 palavras e eu ainda não cheguei no assunto do texto. Meu ponto é que depois que comprei o PSPGo branco, resolvi redescobrir a biblioteca do GBA — mas dessa vez evitando os lugares comuns dos Zeldas e Marios e em vez disso explorando os títulos que a maioria de vocês, mais uma vez provando que não há justiça nesse mundo, sequer sabem que existem.

Jogos como…

Drill Dozer

Drill Dozer é um título bem curioso. É um jogo excelente, de uma empresa com um pedigree invejável (foi feito pela Game Freak, os mesmos responsáveis por Pokemon), mas infelizmente nasceu e morreu ali no GBA mesmo.

Em Drill Dozer você controla Jill, uma ladra profissional que explora um daqueles mundinhos clássicos de jogo de plataforma usando uma espécie de mech suit com uma furadeira gigante na frente. Você usa essa furadeira pra ir perfurando paredes e acessando áreas previamente escondidas, além de ativar plataformas, resolver puzzles, e muito mais. Você imaginaria que o gimmick1 de uma menina com uma furadeira gigante esgotaria todas as possibilidades em dois minutos de jogo, mas Drill Dozer mantém a mecânica interessante durante o jogo inteiro. Por exemplo, você pode girar a furadeira nos dois sentidos, então ora você precisa girar pra apertar um parafuso, ora pra afrouxar.

E há troca de marchas, também. Às vezes a furadeira precisa estar girando numa certa velocidade, e através de um minigame semelhante ao Active Reloading de Gears of War, você pode mudar a marcha da broca pra atingir potências maiores.

Inclusive, o cartucho de Drill Dozer tinha um formato peculiar pra armazenar o motor que vibrava pra você sentir a mudança das marchas do mech da Jill:

Talvez o problema é QUANDO a Game Freak lançou Drill Dozer — em 2006, o DS já existia há dois anos, e por isso muitos gamers ignoraram o jogo. Se eles tivessem lançado o jogo pro DS, talvez hoje a Jill seria uma protagonista muito mais conhecida pelos gamers.

Scurge: Hive

Imagine que Metroid é um jogo de ação isométrico em vez de side scrolling, e isso é basicamente Scurge: Hive.

Não é um exagero — em Scurge: Hive você também é uma caçadora de recompensas lutando contra alienígenas parasíticos em cenários inspirados em sci fi espacial clássico. Eu fico até surpreso que não fazem comparações maldosas entre os dois jogos.

A reviravolta interessante em Scurge é que Jenosa Arma, a protagonista, já foi infectada pelo vírus antagonista e o jogo inteiro é uma corrida contra o tempo pra impedir que a infecção chegue em 100%.

Também lançado no final da vida do Game Boy Advance, esse teve um port pro DS que é perceptivelmente menos polido; suspeito que a Orbital Media encarregou alguns estagiários pra fazer a versão pro DS meio que de última hora.

Rebelstar: Tactical Command

Todos conhecemos e amamos Advance Wars, o jogo de estratégia em turnos que a Intelligent Systems decidiu matar, e cuja morte a Nintendo cumplicitamente e imperdoavelmente aceitou. É, eu sei que tem Fire Emblem, mas eu não sou muito chegado na temática de fantasia medieval pra esse estilo de gameplay.

Quer dizer, até sou, mas só abro exceção pra Heroes of Might and Magic 3.

Rebelstar: Tactical Command é um jogo de combate tático entre humanos e alienígenas chamados de Arelians. E eu duvido que esse nome seja coincidência, aliás.

Ao contrário de outros títulos de estratégia, não há gerenciamento de recursos ou construção de base em RTC; o esquema é realmente só movimentar os bonecos e meter chumbo nos ETs.

O jogo também tem uns elementos de RPG, então vale a pena se esforçar pros bonequinhos sobreviverem cada partida e assim atingirem levels mais altos e se tornar mais proficientes em habilidades específicas, como stealth, ou curar outros personagens.

Se o jogo lembra bastante XCOM: Enemy Unknown, isso também não é coincidência — Rebelstar é do mesmo criador de XCOM.

Rebelstar: Tactical Command não é exatamente pra jogadores casuais, mas se você tem experiência com títulos como Final Fantasy Tactics ou Fire Emblem, vai se sentir em casa.

Qual jogo de GBA você adorava, mas sente que não foi propriamente apreciado pelas massas? Me conte aí nos comentários!

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7 comments

  1. Assim como o Sr. Nobre, usei meu PSP por muito tempo mais emulando do que jogando games do próprio PSP. Nunca consegui encontrar um GBA pra comprar na época, e mesmo que esse fosse o caso, conseguir jogos de GBA era uma coisa inviável na época. Aliás, até os dias atuais eu emulo GBA (que agora uso meu maravilhoso Vita pra isso: tela maior, cores mais vivas, e por aí vai).

    Posso acrescentar 2 à lista? Pra quem curte shumps, Iridion II é um jogão. E aos fãs de plataforma, eu indicaria o Wario Land 4, que apesar de ter um protagonista famoso, esse jogo não teve a devida fama que merecia.

    Espero agora uma postagem sobre as jóias raras do DS. Tem MUITO jogo bom ali que pouca gente deu chance.

  2. Aaaaaaaaaaaa olha esse HBDia voltando com tudo :V :V :V

    Pela cara e pelos menus, eu diria que Rebelstar nem é parecido com XCOM: Enemy Unknown, ele parece é com o XCOM original mesmo.

  3. O único da lista que joguei foi Rebelstar, não sei porque decidi baixar a ROM dele anos atrás e emulá-lo no PC, foram longos meses de jogatinas de algumas horas nele.

  4. TB fui redescobrir o GBA no PSP, afinal cartuchos de GBA, mesmo piratas, eram absurdo de caros.
    Um jogo q achei simplesmente sensacional foi o Dragon Ball advance adventure.

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