33 anos, e ainda jogando Pokemon

Eu já expliquei essa história aqui mil vezes. Conheci Pokemon através de um amigo pirateiro na sétima série que traficava ROMs em disquetes, passei boa parte da minha adolescência jogando no computador, e levei pro resto da vida uma paixão pelo RPG clássico cujo público alvo são pessoas com menos de metade da minha idade.

Uma eterna deficiência de atenção me impede de finalmente zerar essa porra, o que às vezes me faz perguntar a mim mesmo por QUE eu curto tanto games, já que raramente me sinto fisgado o bastante pra jogar até o final. Acho que é porque eu gosto TANTO de jogos, mas TANTO, que consigo extrair extrema satisfação com eles mesmo sem às vezes jogar um capítulo sequer da campanha.

Um exemplo disso é Heroes of Might and Magic 3, um jogo de estratégia em turnos que eu jogo quase sem parar desde 1997.

Mano, que nostalgia absurda essa imagem.

Eu adoraria saber quantas horas investi nesse jogo; se fosse pra chutar, imaginaria que passou de 1000 horas há muito tempo. Entretanto, nunca joguei uma fase sequer da campanha. Eu NUNCA vou zerar HoMM3, não tenho a menor idéia do que é a história.

Aliás, eu raramente termino os mapas que começo. Saves de HoMM3 são pra mim igual aquele resto e macarronada que voc6e coloca num Tupperware e esquece no fundo da geladeira — eu inicio um mapa, jogo por 4 ou 5 horas, e salvo, e literalmente nunca mais na vida retorno a ele.

Pra alguns deve parece maluquice completa, né?

Então, voltando ao Pokemon.

Meu save mais avançado até hoje tem aproximadamente 50 horas. É FireRed, um que sinto uma afinidade maior porque é um remake do Red clássico que eu joguei tanto lá nos anos 90.

Tenho vários outros saves em vários outros títulos da série, variando entre 10 e 30 horas. E tenho vários runs inacabados de FireRed com outras ~40 horas, também.

Eu não sei o que me atrai tanto no jogo. Não é o aspecto min/max, porque sou um jogador casual que nunca nem experimentou com EV training ou breeding. Não é o grinding em si porque acho isso bem tedioso. Não é o gameplay das batalhas, porque é bem mais simples do que outros jogos com combate em turnos, com menos variáveis.

Acho que o que realmente me atrai em Pokemon é aquele mundinho aberto pixelizado mesmo. Cidadezinhas cheias de charme e personalidade, repletas de personagens curiosos, separadas por longas estradas ou densas florestas onde mais aventuras paralelas acontecem.

É um mundinho virtual bem “vivo”. Isso mexe com minha imaginação.

Quando moleque, eu amava ficar passeando pelo mundo de Super Mario World. Uma vez que todas as fases estão destravadas, eu ficava indo e voltando pelo mapa, me sentindo um explorador dos ambientes pelos quais eu passava.

Tenho um poster mais ou menos assim no meu escritório! Só que em vez de reproduzir o mapa do jogo, é o mapa mundial, no estilo de SMW.

Por algum motivo aquilo me divertia quase tanto quando o jogo em si.

E aí finalmente caiu a ficha. Isso também explica por que eu sou capaz de absorver tanta satisfação de jogar por períodos relativamente curtos, não jogar campanhas e tal.

Sou essencialmente um turista gamer. Passo rapidamente, tiro umas fotos (ou, no caso, screenshots), curto as coisas legais que o local oferece… mas volto à “vida normal” logo em seguida.

Alguns diriam que isso não é “jogar de verdade”, porque afinal de conta, convenhamos, gamer é uma raça meio chatinha que adooooora quantificar a diversão alheia e agir como o legislativo do seu hobby. “Quem joga X não é gamer de verdade, quem faz Y não é gamer de verdade…”

Mas não existe forma “certa” de se divertir. E se com meu nível limitado de atenção, é assim que eu me divirto com joguinhos… que seja!

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