9 maneiras em que De Volta Para o Futuro II previu o futuro

Perdoem minha falta de atividade aqui no site. MAS EU VOLTEI!

btff2

De Volta Para o Futuro é uma das séries favoritas de todos os tempos; uma que consegue o feito raríssimo de manter ou exceder a qualidade do primeiro filme nas continuações. Salvo por pequeníssimas incongruências e contradições na forma como o filme trata das viagens no tempo (um deslize completamente inevitável quando se aborda o tema), a série é basicamente perfeita; numa época em que usamos o termo de forma muito liberal, posso dizer com toda segurança que De Volta Para o Futuro é verdadeiramente icônico.

Nos anos 90, tínhamos lá em casa uma fita VHS naquela configuração que resultava numa qualidade cagada, mas que rendia tipo 6 horas de gravação (era o formato EP? SP? Algo assim. Refresquem minha memória!); nela, meu pai gravou os 3 De Volta Para o Futuro. Aliás, posso usar a sigla da série em inglês, BTTF, daqui pra frente? Posso? Ok. É pra evitar a fadiga.

Então. Em algum ponto de 1993 ou 1994, meu pai copiou os 3 BTTF nessa tal fita, grudou um adesivinho da Kodak com os nomes de cada um dos filmes, e adicionou-a à nossa coletânea de filmes piratas. Aliás, vamos visitar rapidamente a sala de estar da Família Nobre nos anos 90:

À esquerda temos um rack de madeira clássico compartilhado por 95% das famílias brasileiras nesse período. Temos também ali uma vitrola pra discos de vinil (!), uma mini árvore de natal (devia ser final do ano), um sistema de som, um videocassete, e inúmeras fitas VHS que mencionei mais cedo. À direita, a “telona” que meu pai comprou em 1994 pra assistir a copa — um tubão de míseras 29 polegadas.

Sim, amigos mais novos: nos anos 90, uma TV de 29 polegadas era como uma dessas TVs curvas de 4K hoje. Era o tipo de coisa que você não via por aí. Minha mãe passou meses criticando meu pai pela “extravagância”.

E acima da TV, uma Millenium Falcon que meu pai comprou nos EUA. Essa aqui, aliás. Eu adorava brincar com ela quando meu pai não estava em casa, e no processo fui destruindo-a aos poucos. Hoje tenho uma idêntica.

(Gadgets, ficção científica e brinquedinhos baseados em filmes — já dá pra sacar de quem eu puxei a nerdice, né?)

VOLTANDO AO ASSUNTO: BTTF 2 fez algumas previsões bastante acertadas. Por exemplo…

Lixo como combustível

BTTF 2 abre com o Doc chegando na casa do Marty e alertando que precisa de sua ajuda pra evitar algo que acontecerá no futuro com seus filhos. O que não faz taaaaanto sentido assim, porque visto que a parada ainda não aconteceu, bastava simplesmente explicar a situação pra que o Marty fizesse uso da informação 30 anos mais tarde pra impedir o incidente. Enfim.

O Doc Brown começa a revirar uma lixeira, explicando que precisava de combustível. Ele começa a jogar o lixo dentro do Mr Fusion, uma modificação no Delorean que o Doc fez no futuro. Mais tarde no filme, vemos outro reator da Fusion Industries:

fusion

A implicação era que no futuro, descobrimos uma forma de converter lixo em combustível. E isso não é exatamente ficção científica. Ainda não chegamos lá, mas é uma possibilidade bem mais realistica hoje do que era em 1989.

Mídia física no lixo

Assim que Marty chega no futuro, ele dá uma olhada ao redor e vemos várias pilhas laser discs e CDs compactados para coleta de lixo — o que parece ser uma referência de que muita mídia física não é comprada pelos habitantes do futuro. Por que inserir TANTOS laser discs na tomada, quando poderia ser literalmente qualquer outra coisa sendo jogada no lixo…?

Não é novidade que a mídia física está indo pro caralho no ramo fonográfico. DVDs e Bluray tem vendido cada vez menos, também.

Gadgets pessoais

Esse aparelhinho que o Doc tira do Delorean pra filmar/observar o Marty Junior parecia bastante futurista pro público de 1989; naquela época, o máximo que um gadget pessoal fazia era tocar fitas. Perto dos smartphones de hoje, o binóculo eletrônico do Doc parece até antiquado, mas ele ilustrava algo comum hoje — usar aparelhos eletrônicos pessoais portáteis para tarefas do dia a dia.

Inflação louca

Doc explica o plano pro Marty, e um dos elementos do plano depende dele ir ao Cafe 80’s e comprar uma Pepsi. O cientista oferece uma nota de 50 dólares pro moleque, insinuando que o dólar perdeu e muito o seu valor.

Os 50 dólares são um exagero — a inflação americana foi de “apenas” 120% nos 30 anos entre 1985 e 2015; uma Pepsi que custava 1 dólar no ano em que o filme se passa custaria só US$2.20 em 2015 — mas hipérbole não é necessariamente um erro.

Talvez eles estavam querendo ilustrar a inflação brasileira, que de 1985 pra cá foi uma das maiores do mundo — 800 bilhões porcento. É sério.

E você aí achando que 50 dólares por uma Pepsi parecia exagero.

Aliás, em 1985 especificamente o Brasil tinha a pior inflação do mundo.

Logo em seguida vemos um USA Today de 2015, e abro um pequeno parêntese pra uma previsão errada:

Entre as manchetes do jornal vemos uma referência à Rainha Diana. Erraram porque a Diana morreu em 1997, né?

Nope! O erro é o seguinte: na monarquia inglesa (e acredito que em outras também), o cônjuge do monarca não ganha também o título de monarca. Quem se casa com um rei será eternamente princesa; quem casa com rainha, príncipe. É por isso que apesar de ser casado com a rainha Elizabeth, o príncipe Phillip é apenas um príncipe até hoje. A única exceção foi a mãe da Rainha Elizabeth, que talvez por ser muito gente boa ou algo assim era referida como rainha.

E assim sendo, Diana jamais se tornaria rainha. Os filmes da Disney nos ensinaram errado! Voltando ao tema…

Sequels e 3D

Fazer filmes se tornou um exercício extremamente caro e talvez por isso Hollywood não gosta de arriscar; mais de 20 dos filmes lançados no ano passado se baseiam em material previalmente existente ou são continuações. Estamos vivendo uma época aparentemente infindável de sequels, remakes e reboots.

E BTTF2 previu tanto as continuações sem fim, quanto o retorno do cinema 3D com o Jaws 19, dirigido pelo Max Spielberg, filho do Steve.

Aqui o filme errou de novo; o Max só tem alguns créditos humildes trabalhando com produção de games. E todos em games produzidos pela Dreamworks, a empresa do papai.

Veículos aéreos não-tripulados

Depois que a gangue do Griff arregaça o tribunal de Hill Valley, um drone do USA Today aparece tirando fotos do evento para a edição do dia seguinte do jornal.

A presença de veículos áereos não-tripulados com aplicações civis (muitos deles equipados com câmeras) estão mais presentes do que nunca, e não é só isso: já temos alguns drones jornalísticos também.

Biometria com aplicação civil

Usuários de celulares com sensores biométricos concordarão comigo que é a forma mais segura e ao mesmo tempo conveniente (dois adjetivos que raramente combinam) de destravar o celular ou fazer compras. Trancas de casa com biometria ainda não são tão populares, mas já os temos também.

Orgia de conteúdo 

Nesta cena o Marty Jr pede à TV (usando comando de voz, algo também já trivial hoje em dia — não lembro a última vez que procurei um trajeto via GPS sem pedir à Siri) 6 canais simultaneamente. Na época parecia um negócio bem exagerado, né? Aí eu olho pro meu próprio computador, com DOIS monitores — pra maximizar as informações jogadas na minha cara — e um navegador com TREZE abas abertas, além de uma barra do Windows mostrando 8 aplicativos rodando ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo que edito esse post, estou com o Twitter aberto em um monitor, acompanhando o papo nas redes sociais.

Isso faz os seis canais do Marty Jr parecer fichinha, até porque são entretenimento passivo. Dessas minhas 13 abas no Chrome, cinco são conversas ativas em fóruns/Facebook/Reddit…

Wearables

O Google pode ter tirado o Google Glass do mercado recentemente pra focar em melhorar as versões futuras, mas isso não quer dizer que os gadgets “vestíveis” estarão fora do nosso futuro. Smartwatches estão dominando as notícias de tecnologia ultimamente, e isso provavelmente se tornará mais intenso com o iminente lançamento do Apple Watch.

O mais profético nessa cena não é tanto o form factor de gadget-óculos, ou a forma como a os irmãos McFly os usam pra atender ligações — é o fato de que os moleques estão vidrados nos aparelho durante uma refeição com a família.

Agora, sabe qual a merda? O futuro nos deu TUDO ISSO, mas não a única coisa que queríamos — a porra do hover board.

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comments

13 comments

  1. A mãe da Rainha Elizabeth era muito foda, mesmo. Tanto que virou ‘Rainha Mãe”, como era chamada.

    Na segunda guerra mundial, os discursos dela no rádio (assim como do seu marido, que virou até filme, né) fizeram com que muita gente se animasse, se alistasse e passasse a ajudar mais a Inglaterra.

    Em certo momento, os Estados Unidos, que ainda não estavam na guerra, ofereceu asilo para a família real, e ela respondeu: “vou ficar aqui e morrer com meu povo”.

    A reação dos britânicos foi incrível, e trouxe um ânimo muito grande pra enfrentar os nazis.

  2. O formato se chamava EP ou SLP dependendo do videocassete. E rendia 6 horas de gravação mais porca do mundo (8 se usasse umas fitas BASF vermelhas marotas).

    Hoverboard não tem? Claro que tem sim, só que ainda não funciona em qualquer superfície (principalmente água) e deve pesar e custar quase o mesmo que um corsa 1.0, mas já viu o vídeo da empresa que tá desenvolvendo? Por enquanto ele precisa de uma superfície metálica.

    https://www.youtube.com/watch?v=HSheVhmcYLA

  3. Izzy, de quais incongruências você está falando aqui:

    “Salvo por pequeníssimas incongruências e contradições na forma como o filme trata das viagens no tempo (um deslize completamente inevitável quando se aborda o tema)”

    Acho que ele amarra a história bem legal, considerando a temática de viagem no tempo.

    Diz aí, sou fã dos filmes e daqui do site.

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