Com muita frequência meus coleguinhas virtuais do mundo do Twitter me perguntam o que diabos seria exatamente o Reddit. Eu não entendo o que não há pra se entender sobre o site, mas vamo nessa.

reddit

Não deixe que o visual limpo te intimide. Aliás, isso deveria ter o efeito contrário, mas por algum motivo estamos aparentemente mais à vontade com sites visualmente poluídos a la Omelete.

Reddit é um site colaborativo onde pessoas enviam links de notícias, ou vídeos, ou imagens (de todo tipo — engraçadas, trágicas, eróticas, inexplicáveis) e outras pessoas votam positivamente ou negativamente nelas. O efeito disso é que as melhores postagens acabam populando a página principal do site, te dando um bom apanhado de tudo que é relevante na internet em um determinado momento.

Além de ser uma excelente curadoria do que há de mais digno de nota na internet a cada dia, a seção de comentários do Reddit é talvez uma das melhores entre todas as comunidades de internet. Tem uma certa toxicidade, sim (especialmente dependendo do subreddit), mas de forma geral — por causa do mecanismo de upvotes –, os melhores/mais relevantes comentários tendem a ir pro topo, e os mais escrotos ou desnecessários se afundam lá embaixo.

Ah, sim, e os subreddits. Subreddits são como subfóruns sobre um assunto específico, e geralmente nos referimos a eles usando a sintaxe /r/NomeDoSubreddit. Tem, por exemplo, o /r/AskReddit, onde usuários fazem perguntas uns aos outros:

Tem o /r/Movies, onde o pessoal discute tudo relacionado a cinema — novos lançamentos, filmes antigos que merecem ser revisitados, curiosidades, e por aí vai. É um dos meus favoritos, e como mencionei antes, os comentários enriquecem absurdamente as coisas postadas lá.

Tem também o /r/CosplayButts, que eu tenho certeza que receberá um grande fluxo de novos inscritos hoje. O nome é auto-explicativo.

Como vocês sabem, eu sou um grande fã de portáteis em geral e do GameBoy em particular. Obviamente, o /r/GameBoy é também um dos meus favoritos — lá o pessoal discute mods possíveis pro console, jogos, suas coleções, formas de reabilitar GameBoys que sofreram com a passagem dos anos, e muito mais.

Se você ama a série Alien como eu, não pode sair do Reddit sem dar uma passada no /r/LV426, o principal subreddit que debate a franquia. Ultimamente, com as notícias das continuações de Prometheus e de Aliens, a parada anda movimentada por lá.

Donos do smartwatch Pebble, que eu resenhei aqui, tem o /r/Pebble pra trocar idéias, resolver problemas, recomendar aplicativos/watchfaces, e etc:

Como tem um subreddit pra praticamente tudo, uma conta no Reddit basicamente garante que você achará compania e conteúdo relevante seja lá quais sejam os seus interesses. E o sistema de curadoria através de votos economiza seu tempo; quem é da época de fóruns sabe como era chaaaaaaato passar horas garimpando o local, navegando em múltiplas páginas, pra encontrar resposta pra um problema, por exemplo.

Já no reddit, a melhor resposta pra um tópico relatando um problema técnico é catapultada pro topo, e é por isso geralmente o PRIMEIRO comentário que você encontra. E sim, tem diversos subreddits em português.

Como se navega no Reddit? Voltemos pro /r/Movies. Como o trailer de Assassin’s Creed acaba de sair, é o que tá tendo mais destaque lá no momento. Tem esses dois tópicos, por exemplo:

O tópico de cima, com o trailer oficial do filme, tem 4606 pontos de “karma”, que é a “moeda” do Reddit. O que vem embaixo, do poster, tem 3576. Não dá pra fazer nada com essa pontuação, mas é uma pequena fonte de orgulho pessoal ter um número alto, o que alimenta nos usuários o ímpeto de postar coisas relevantes.

Tá vendo aqueles links embaixo do tópico? O “comments” é auto-explicativo. Ao clicar nele, você vai pros comentários da “notícia”. Costumeiramente, os comentários do topo são os mais engraçados sobre a matéria, que é um reflexo do tipo de senso de humor que você vai encontrar por lá:

E aí você pode sair fazendo os seus comentários e contribuindo pro debate, e votando nos dos outros.

O meu Reddit tem uma aparência que atende aos meus interesses — nerdice, filmes, eletrônicos, umas mulheres nuas aqui e ali. O seu, dependendo do tipo de coisa que te interessa, provavelmente será bem diferente do meu. E isso que é o legal da parada: o mesmo site pode ter uma atmosfera completamente diferente, é tudo feito sob medida pra te trazer as coisas que você acha mais interessantes.

Estes são os subreddits onde tenho passado mais tempo ultimamente (além dos que eu já citei), pra te dar alguma idéia do que mais explorar lá:

/r/CaseyNeistat: enquanto os comentários do YouTube são um jeito bem bosta de debater o trabalho do cara — especialmente no caso desses youtubers grandes –, os do subreddit dedicado ao vlogger são muitíssimo melhores. Mais focados, com melhor grafia, e com um senso mais crítico em vez da adulação sem fim que se vê em outros ambientes.

/r/Calgary: esse é o subreddit da minha cidade. Tudo que acontece por aqui é comentado lá, então é uma forma prática de se manter informado sobre o local onde eu moro (lembrando que o sistema de upvote de comentário torna as opiniões mais informativas e relevantes sempre no topo, economizando seu tempo).

/r/AskScienceFiction: Tem uma dúvida sobre qualquer tipo de ficção? Aqui é o seu lugar. Quem venceria numa luta do Hulk contra Thor? O Scooby Doo tá realmente falando ou é uma viagem lisérgica do Salsicha? E se a Katniss ficasse do lado da Capital? Como é que o Tony Stark decola perto de pessoas sem que isso as machuque? O Luke teve ALGUMA experiência de combate antes dos eventos do Episódio IV? Seja lá qual a sua dúvida, alguém que respira esses universos fictícios te trará uma resposta bem embasada.

/r/TheyDidTheMath: esse aqui é sensacional. Os redditors postam perguntas relacionadas a matemática de cultura popular (quanto exatamente o Batman gastou pra se tornar o Batman, por exemplo…?) e os outros fazem todos os cálculos pra ver se a conta fecha.

/r/ThatHappened: sabe esse tipo de fanfic maluca que a galera inventa pra promover este ou aquele ponto ideológico? Então, o ThatHappened é a CENTRAL disso. Imperdível.

Um negócio que tem me chateado há algum tempo é o fato de que eu me distanciei pra caralho dos meus amigos daqui de Calgary.

Quando cheguei aqui em 2007, arrumei um empreguinho qualquer num Wendy’s. Este aqui, aliás:

Um fenômeno curioso aconteceu: apesar do fato que o emprego era uma bela bosta, eu só consigo lembrar daqueles tempos com nostalgia. Eu fiz muitos amigos lá, e as constantes presepadas com os amigos no trabalho faziam as horas virando hamburgers passarem mais rapidamente e com menos danos à minha psique e auto-estima. Tinha um broder meu lá, por exemplo, que encenava um stand up INTEIRO do Dave Chappelle (fazendo a voz do comediante e tudo), era muito excelente.

Olha o tipo de palhaçada que a gente fazia lá:

YouTube Preview Image

(Sim, eu filmei esse vídeo. E o cara que dá o tapa nas batatas fritas é meu irmão)

E tem esse aqui também, inspirado na série “Speed Cooking” que você pode encontrar no seu youtube mais próximo:

YouTube Preview Image

Meu irmão (que encena novamente esta produção; é ele que aparece deslizando de barriga num dos carrinhos usado pra transportar materiais) veio a se tornar o gerente da porra do restaurante. Calcule.

Enfim, minha euforia por ter encontrado um grupo de amigos tão bacana me levou inclusive a fazer esse videozinho aqui:

YouTube Preview Image

Só que uma coisa curiosa aconteceu nos 4 anos após a produção desse vídeo: praticamente TODOS os broders se distanciaram. Todos arrumaram outros empregos, foram pra faculdade, desenvolveram outros círculos sociais e, em situações mais tristes, alguns passaram a se odiar abertamente. Tem uns 2 ou 3 nesses vídeos acima que não vão com a minha cara de jeito nenhum — e a recíproca é verdadeira aliás.

Reassistir esse vídeo sabendo disso me dá uma tristeza desgraçada, aliás, porque no final das contas esse tom meio melancólico do vídeo se torna praticamente profético.

E isso é foda porque a partir de uma certa idade é bastante difícil fazer novos amigos. Mas a internet, como sempre, veio ao meu resgate.

Pra quem não conhece, o Reddit é um dos maiores sites colaborativos do mundo. É a fonte de TUDO que você vê no 9gag e, por extensão, do que você vê nos blogs brasileiros de humor.

Fiquei sabendo recentemente que o Reddit tem áreas (chamadas de “subreddits”) dedicadas a cidades. Encontrei o subreddit de Calgary e comecei a bater papo com o pessoal lá. Essa turma se encontra de vez em quando, então resolvi ir lá encontrar com eles.

E foi uma das melhores decisões que fiz. Imagina conhecer uma cambada de nerds que tem mais ou menos os mesmos interesses, o mesmo senso de humor, o mesmo vício pela internet e pela cultura paralela internética (rage faces, etc)?

Essa turma tem encontros praticamente TODO DIA (hoje mesmo tem um, ao qual infelizmente não posso comparecer porque trabalho hoje, e amanhã tem outro também). Olhaí as fotos da última festa que fui deles:

Esses são os nerds mais gente boa que já conheci. Eu e a patroa, que somos totais novatos, fomos recepcionados de braços abertos. Mal cheguei e já perguntaram meu nome, me deram aquelas etiquetinhas de identificação pra colar na camiseta, me ofereceram comida e birita e foram me apresentando aos outros broders.

Numa sala rolava um campeonato de Mario Kart 64, em outro jogavam um drinking game baseado em pokemon, no porão tinha um maluco fazendo as vezes de DJ e fazendo as paredes da casa vibrar com ajuda de Skrillex e DeadMau5. Na cozinha tinha uma galera se desafiando a bolar as combinações mais esdrúxulas de bebidas alcólicas.

Neste fim de semana é o Saint Patrick’s Day, e vão fazer um kegger (que é um evento que o Urban Dictionary descreve como “A party at which an immense amount of beer is available”.) Essencialmente um maluco compra vários BARRIS de cerveja e a parada fica disponível a todos os convivas no estilo self-service. Nem JESUS CRISTO ofereceu tanto álcool numa festa e olha que ele podia transformar qualquer copo dágua numa birita!

Como sempre, aguardem fotos.

Ok, estou de volta!

Não se acostumem.

Quem me conhece sabe que não sou exatamente fã do movimento feminista contemporâneo. Espero que isso não soe como uma rejeição das exigências femininas de igualdade — acredito que qualquer ser humano com um cérebro concorda que mulheres devem ter todos os mesmos direitos (legais e sociais) que qualquer outro ser humano. Minha ressalva é com as táticas estridentes, um crescente viés puritânico (“mimimi mulher tem que estar coberta nas revistinhas em quadrinhos senão me ofendo”) e um constante modus operandi de atribuir má vontade a literalmente tudo: o famoso “problematizar”.

Entretanto, eu preciso dar o braço a torcer em relação a algo que feministas alegam há bastante tempo e que é desgraçadamente impossível de negar — gamers são uma das comunidades mais tóxicas da internet.

Eu odeio ter que admitir isso. Embora não tenha aderido ao tal movimento GamerGate (por motivos de: tenho aluguel e carro pra pagar, e por isso “jornalismo de games” não é algo que acho digno de dedicar espaço entre minhas outras preocupações existenciais), eu concordo com alguns de seus pontos gerais, como por exemplo a inegável percepção de que há um esforço coordenado da mídia gamer de detonar seu próprio público.

Este aí é um de muitos artigos escritos por meados de 2014 que visavam “difamar” gamers. Como eu sou um homem com barba na cara que, como já acabei de mencionar, precisa pagar boletos e preencher formulários de restituição de imposto de renda, eu simplesmente não tenho a energia de me preocupar com “oh meu deus estão ofendendo os GAMERSSSSS!!!!!“.

Mesmo assim, é impossível não perceber que houve de fato um esforço coordenado de pintar pessoas fissuradas por videogames como o pior subgrupo de toda a internet.

O que é objetivamente uma mentira

Só que eu tenho que pouco a pouco admitir que sim, existem algumas facções dentro da comunidade gamer que realmente justificam as críticas.

Rolou ontem no Twitter uma treta por causa deste review do excelentíssimo Cuphead. De forma resumida, é o seguinte — a jornalista que resenhou o jogo criticou LEVEMENTE no que diz respeito ao modo multiplayer. De acordo com ela, o jogo tem um ritmo tão caótico que a presença de outro jogador na área (somado ao fato de que o jogo aumenta a dificuldade pra compensar a presença de um aliado) torna o gameplay uma zona visual.

Em outras palavras: uma análise perfeitamente honesta. Acontece que o jogo que ela criticou é exclusivo nos consoles pro Xbox One, e fanboys da Microsoft (tendo pouquíssimos bons jogos exclusivos pelos quais pedir pra mamãe comprar) são extremamente sensíveis a qualquer crítica, por mais leve que seja.

Então essa turminha, liderada por um tal de “Xbox Mil Grau” — o que já deixa plenamente claro o tipo de coisa que se pode esperar do indivíduo –, começou uma campanha pra desqualificar a moça. Incapazes de apontar um erro factual sequer na crítica, essa pivetada (que se continuarem se comportando dessa forma jamais conhecerão o sabor e textura de uma vagina humana) passou a apelar pro ad hominem de cobrar da garota que ela revele seus perfis em suas redes online dos consoles.

A propósito, o veredito que a garota deu ao jogo foi esse.

Sim. Essa treta toda é porque o jogo recebeu 9, e não 10.

Aparentemente ignorantes a respeito de como funciona a redação de análises em grandes sites1, a pirralhada imaginava que a pessoa responsável pela resenha leva o videogame da empresa pra casa e joga no seu tempo livre.

O que acontece na realidade é que grandes veículos como o IGN geralmente tem consoles na redação, com contas especiais para produzir as análises — contas que, por motivos operacionais, não faz sentido divulgar publicamente. A conta não é da moça, é da IGN, e não compete a ela ficar divulgando algo da empresa dessa forma. É que essa turminha que leva a indústria na maior seriedade não entende a indústria, e o faz por puro tribalismo.

Até porque não interessa, é irrelevante ao conteúdo da análise. Quando estou curioso sobre um filme, eu leio a porra da crítica, eu não cobro do crítico que me mostre uma foto com os ingressos de outros filmes que ele já assistiu.

Só apela pra esse pau-no-cuzismo infantil quem está se rasgando de raivinha porque alguém apontou um defeito no seu filme favorito.

Enquanto a pivetada fanboy berrava agressivamente nas mentions da menina com a típica estridência preadolescente que só um fanboy de videogame consegue atingir (tudo porque ela teve a TAMANHA OUSADIA de dar um 9/10 ao jogo em vez de 15/10, não esqueça), um dentre o exército dos virjões foi além e cunhou o vexame que entrou nos Trending Topics do Brasil:

CURRÍCULO GAMER.

Sabe quando o Boça fala com orgulho da Carteirinha de Sócio-Fundador do Clube dos Minigueimeiros?

Poisé. O tal “Xbox Mil Grau” (sério, a vergonha alheia é incomensurável) comprou a briga e passou a agir como ponta da lança da perseguição da garota pela IMPERDOÁVEL EMPÁFIA de resenhar seu amado joguinho exclusivo e não dar-lhe a nota máxima.

A parte mais curiosa é que ele sequer leu a resenha; bastou saber que a autora teve uma crítica em relação ao jogo e pronto, tinha sangue na água, e a honra do Xbox precisava ser defendida urgentemente. Ou seja, tal qual a criança revoltada sem causa, ele nem realmente sabe porque está dando chilique. O rapaz repetiu uma ladainha sobre “credibilidade”, porque se tem alguém que pode cobrar credibilidade das pessoas é alguém que atende por “XBOX MIL GRAU”. Um bastião de imparcialidade!

Ao perceber que toda a internet brasileira estava rindo de sua imbecilidade — o que eu sinceramente acho até crueldade, porque ser idiota a esse nível pode ser indicativo de problemas psicológicos e zoar os retardados entristece o Papai do Céu –, Xbox Mil Grau fez então (por cinco horas) uma live de damage control em que ele ria nervosamente tentando explicar seu ponto indefensável usando aquele típico parco vocabulário que só um manchild sustentado pelos pais e obcecado por conquistas virtuais insignificantes pode nos prover.

Como a live de 5 horas não foi o bastante, ele fez mais QUATRO vídeos se justificando

Nesse momento tive inveja de seu tempo livre, porque eu queria também poder passar cinco horas chorumizando em horário comercial, mas não tenho mais papai pra pagar meu aluguel.

View post on imgur.com

Um sujeito com barba na cara passou quase 7 horas initerruptas dando chilique porque uma menina deu “apenas” 9 pro seu precioso joguinho exclusivo.

Que negócio completamente lamentável.

Ah, e antes que essa pirralhada insista que não estão chilicando por que a autora da resenha é mulher:

Na IGN gringa, Cuphead recebeu nota mais baixa que a dada pela Bruna. O autor se chama Joe. Não vi chilique pra cima do cara.

No GameSpot, Cuphead recebeu nota mais baixa que a dada pela Bruna. O autor se chama Peter. Não vi chilique pra cima do cara.

Na PCGamer, Cuphead recebeu nota mais baixa que a dada pela Bruna. O autor se chama Chris. Não vi chilique pra cima do cara.

Na GameInformer, Cuphead recebeu nota mais baixa que a dada pela Bruna. O autor se chama Jeff. Não vi chilique pra cima do cara.

Na SixthAxis, Cuphead recebeu nota mais baixa que a dada pela Bruna. O autor se chama Dave. Não vi chilique pra cima do cara.

Boa tarde amigos. Como os senhores talvez saibam, eu estava de mudança este fim de semana. Eis o novo Quartel General da HBD Media & Fretes:

ape novo

O apê tem mais ou menos o mesmo tamanho do anterior, mas é dramaticamente mais novo (a construção foi finalizada no mês passado, ao contrário do prédio onde morávamos, que foi construído em 1960), mais elegante, e mais longe do centro. Nos afastamos de um núcleo de amigos, mas nos aproximamos de outro, então tá tudo beleza!

Mas vamo pro programa:

Hoje Izzy e Evandro comentam a mulher que esfaqueou o marido por achar que era corna, o taxista maroto que bateu no carro de um PM achando que era Uber, um sujeito que foi parar no IML após uma noite de bebedeira e “ressucitou” no meio do necrotério, e um idoso porraloca level 9000 (ou empreendedor, depende do seu ponto de vista) que tava vendendo goró E putas no asilo.

►Notícias comentadas

Maluco vai no salão se embelezar, esposa pensou que era indício de chifre e toma facada da esposa (Enviada por @rafakerni que depois dessa decidiu nem mais tomar banho, só por precaução)

Taxista bate intencionalmente num Uber, mas não era Uber — era PM (Enviada por @mrluizandre, que antes de agredir o Uberista sempre procura o sujeito no app pra garantir)

Maluco alopra tanto numa noitada que acaba no necrotério — depois levanta e bebe mais ainda (Enviada por @camiloszymanek, que é um rapaz evangélico e de família e não apronta essas coisas não)

Idoso inventor da palavra “malandragem” ataca de cafetão e vendedor de birita até ser expulso do asilo (Enviada por @Caioswenson, que já falou que mudou seus objetivos de vida depois de ler essa história)

►Links comentados

Subreddit de moda masculina pra você se arrumar um pouco melhor.

►Curtiu o podcast? 

Quer ajudar a nos manter no ar? Financie-nos através do Padrim! Ajudando com qualquer valor, você ganha acesso ao grupo no Telegram e playlist de músicas do programa! Contribuindo com R$10 por mês, você pode até mandar mensagens de áudio pro programa! Além de tudo, obviamente, você garante a continuidade do programa!

Procure-nos no iTunes, PocketCasts, WeCast e diversos apps como “O MELHOR PODCAST DO MUNDO” ou “Izzy Nobre”.

Deixe uma resenha, e melhor ainda, recomende a um amigo!

Confira o mapa interativo das notícias do MPB:

Tem uma notícia pra enviar? Manda aqui!

Quer recomendar uma música? Manda aqui!

Pra assinar, basta jogar este RSS no seu app favorito de podcasts!

Sugira notícias bizarras pra gente nos comentários da postagem ou pelo Twitter — @izzynobre e @evandrof!

Como muitos de vocês sabem, eu sempre fui um grande amante do PSP. Desde a época da finada PSP Brasil, no orkut, eu evangelizava todos ao meu redor sobre o potencial de emulação do portátil da Sony. Carregar no bolso TODOS os joguinhos clássicos 16 bits que eu tanto amava era simplesmente inacreditável. E quando o PSP se tornou capaz de rodar jogos de PS1, então? Eu havia pulado completamente a geração 32 bits, e agora me vi capaz de finalmente explorar a imensa biblioteca do PS1. Que bons tempos!

Meu apreço pelo PSP era tamanho que numa ocasião em que acidentalmente quebrei a tela tentando limpa-la, não vi recurso senão sair correndo imediatamente pra uma loja de eletrônicos próxima e comprar outro.

De lá pra cá, esses nossos sensacionais broders chineses vem fazendo inúmeros aparelhos que se equiparam e até vencem o PSP em sua capacidade de emulação — esse mérito se dá em parte pela adoção do Android como sistema operacional, que torna esses aparelhos imensamente mais versáteis que o PSP. Quem diria que eu, que passei tanto tempo zoando Android e seus entusiastas, viria nele uma imensa vantagem!

Eu cheguei a experimentar com um desses emuladores chineses, o Dingoo A320, que eu resenhei aqui três anos atrás. Aliás, como meus vídeos antigos eram bosta, viu. Isso nunca deixará de me surpreender.

O Dingoo, no caso, me agradava muito pela longevidade da bateria, a possibilidade de liga-lo à TV, e a portabilidade. O LCD deixava um pouco a desejar, com ângulos de visão limitados, e a biblioteca dele era bem reduzida ao padrão PSP a qual eu já havia me acostumado — porque realmente bem, 100% MESMO, o Dingoo só rodava GBA. Além disso, ele usava um sistema proprietário que limitava bastante o desenvolvimento de homebrew pra ele.

Vi vários emuladores portáteis indo e vindo nesses sites chineses e, embora extremamente intrigado, já ter TANTOS aparelhos que emulam limitou a minha curiosidade nestes outros brinquedos. Ficava difícil justificar gastar com um desses aparelhos quando eu tenho não um, mas dois PSPs

Até que veio a GearBest.

gearbest

Como vocês sabem, a GearBest é um desses sites chineses de compra. Há alguns meses, alguém do departamento de marketing deles descobriu o meu canal — suponho que eles fiquem bem de olho em criadores de contéudo brasileiro, visto que brasileiros se amarram nesses sites. Vendo que eu tenho histórico de resenhar gadgets, os caras se aproximaram, perguntando se eu me interessaria em resenhar aparelhos que eles me enviem.

De lá pra cá venho curtido um relacionamento basicamente perfeito com os caras da GearBest — recebo de graça produtos que eu já tinha interesse de obter de qualquer forma, isso me rende assunto pra criar conteúdo pro meu canal, as vendas dos caras aumentam, e vocês recebem recomendações interessantes de produtos às vezes bem desconhecidos. De quebra, eu recebo uma pequena comissão dos produtos que vocês compram através das minhas resenhas.

Ou seja, o mítico win-win-win que o Michael Scott tanto queria. Todo mundo sai ganhando.

(Vale adicionar que, apesar da comissão, eu tento ser bastante honesto em minhas resenhas dos aparelhos. Todas as falhas que eu perceba nos aparelhos serão expostas em detalhes.)

De tempos em tempos eu peço recomendações de produtos pra galera que me segue no Twitter. Sabendo do meu amor por aparelhos de emulação, algum broder (que eu infelizmente não me lembro agora) me sugeriu que eu pedisse a eles um GPD XD. Esse bicho aí embaixo:

gpd xd1

A imagem na tela do GPD XD nessa foto é o launcher TV Launcher. Para os não-iniciados no mundo do Android, um launcher é basicamente um “skin” que você joga em cima do sistema operacional, alterando a aparência dele. Como hoje se enfia Android em tudo que é aparelho, alguns launchers tornam o sistema melhor pra ser usado em hardware que foge do padrão tradicional de celular/tablet — por exemplo, uma smart TV ou setup box.

Experimentei com vários e no final achei que o TV Launcher era o melhor pra um aparelho como o GPD XD. Ele é totalmente customizável; como você pode ver no meu, eu defini como ícones dos emuladores as caixas dos consoles em questão — com a adição do ScummVM fodendo o padrão.

Tela

Foi facinho de configurar, aliás. Procurava imagens no Chrome, e atribuia-as aos emuladores no TV Launcher.

Sobre specs: o GPD XD roda Android 4.4 (bem atrasado, eu sei, mas num aparelho com propósito expresso de emulação, não me sinto muito limitado), com um processador quad core underclockeado pra 1.4ghz — no subreddit relacionado, a galera parece preferir uma ROM chamada “Legacy ROM” que permite liberar os 1.8ghz do processador, que foi intecionalmente reduzido pra conservar bateria, porque afinal de contas você não precisa muito mais que 1.4ghz pra rodar emulador.

O bicho tem 2gb de RAM, e vem em dois sabores: 32gb e 64gb, com entrada pra Micro SD que reconhece cartões até 200gb — além de saída HDMI, porta microUSB pra carregar/usar acessórios, e headphone jack.

Da esquerda pra direita: entrada pra cartão microSD, porta microUSB, porta miniHDMI, e headphone jack

Sobre emulação, o GPD XD roda essencialmente tudo que Android pode rodar, até o Dreamcast (sim, lisinho. Sim, até Shenmue). NES, SNES, Game Boy, Game Boy Color, Game Boy Advance, PS1, N64, Atari 2600, PSP, DS, tá tudo lá.

Pra rodar jogo de DS, o emulador funciona de uma forma interessante: Você pode dividir as duas telas do DS na telona do GPD XD como preferir. Em alguns jogos a ação se passa toda na tela de baixo, então você pode deixar a display debaixo (que seria a tela de toque) grandona na tela, e a tela superior (com informações semi-inúteis) aparecendo pequenininha do lado:

Em jogos como Super Mario 64, o oposto acontece — a tela de toque é basicamente inútil, te permitindo inverter o arranjo acima:

O legal é que o emulador salva a configuração pra cada jogo. E no meu caso, quando aperto L3 (o analógico não clica, então o L3 e R3 são botões do lado dos sticks), as telas invertem — assim, caso a tela outrora inútil precise ser acessada com mais precisão em um momento crucial do jogo, você pode fazer isso.

A propósito, pra quem estiver curioso, esse é o tamanho do GPD XD comparado a um 3DS XL:

Pra resumir: é um tablet em formato de console portátil, emulando tudo que Android é capaz de emular, permitindo também plugar na TV e jogar com amigos. De certa forma, é como se fosse um Nintendo Switch.

Ah, e tem uma bateria absurda de 6000 mAh. Quase esqueço de citar isso.

As principais falhas do GPD XD são as seguinte:

  • Não ter bluetooth. Isso é praticamente imperdoável. Ele tem saída HDMI, então você pode plugar na TV pra jogar os clássicos na sala — mas sem BT, você fica limitado a conectar um cabo OTG, e então um hub USB, e então os controles. Dá pra plugar controle wireless 2.4ghz, ao menos, mas BT teria tornado isso BEEEEM mais fácil
  • A “tampa” do aparelho faz um ruído alto quando você abre. Parece bobagem mas me incomodou bastante. Usuários de mais longa data me disseram que isso passa com o tempo de uso. Veremos.
  • De acordo com o que li em fóruns, se você plugar o GPD XD num carregador com mais de 5V, ele pode queimar. Nunca precisei ter cuidado semelhante com nenhum eletrônico, então achei estranho.
  • De tudo que eu testei, a única coisa que não emulou bem foram alguns jogos de PSP — os mais graficamente intensos, tipo God of War ou Prince of Persia Revelations. Felizmente, todos os outros rodaram de boa.
  • Apesar da boa construção, o meu speaker direito não funciona. Vasculhei em todos os fóruns, perguntei num grupo de FB sobre o aparelho, fucei o Google INTEIRO e ninguém mais reportou esse problema. Pelo jeito, meu tradicional azar me atacou fortemente de novo. Felizmente, o GPD XD é alto PRA CARALHO então não faz tanta falta assim — tanto é que eu demorei dias pra notar que só um estava funcionando. Meu pai, que tem formação em eletrônica, se disponibilizou a tentar consertar… preferi não arriscar.

Aqui está meu vídeo de impressões iniciais do aparelho:

Enfim, tenho que sair correndo pro trabalho. Estou preparando uma resenha COMPLETA em vídeo sobre o GPD XD, mostrando todos os features e tal. Posso te dizer já de antemão que o GPD XD cumpriu todas as minhas expectativas (que eram altíssimas), e substituiu o PSP completamente. O hardware é muito bom, o form factor é praticamente perfeito (depois de arranhar a tela do meu PSP Go, clamshell design me parece a forma correta de fazer um portátil), a emulação roda 100% de praticamente tudo que eu tentei, os botões são bem responsíveis, e funcionar a base de Android dá ao console uma excelente multi-funcionalidade — sim, você também pode ver Netflix, Youtube, Fêice, tuíter, dar bom dia no grupo de família do Whatsapp, tudo.

Se você tem alguma pergunta ou sugestão pra resenha, por favor, se manifeste nos comentários. Estarei lendo todos e respondendo dúvidas, uma por uma.

E antes que eu me esqueça: a GearBest agora oferece opções de parcelamento. Até março, se você parcelar em 6x é sem juros. Corre lá:

Compre o GPD XD de 32gb

Compre o GPD XD de 64gb

O episódio de hoje tá muito bom. Se liga:

As matérias são as seguintes: uma mulher um pouco azarada que participou de não um, não dois, não três, mas quatro acidentes marítimos (incluindo o Titanic!), ex-funcionários de uma prefeitura que resolveram furtar coisas de lá vestidos de fantasminhas camaradas, a trágica história do homem mais gordo do mundo, e atendentes de uma sex shop que se defenderam de um assalto jogando estrovengas de borracha no meliante!

Mulher presente em 4 acidentes em navios desafia nossa definição de “azar” (Enviada por @sircaiocesar, que esteve presente em 5 situações em que alguém cagou as próprias calças — e em só duas delas era ele mesmo)

Ex-funcionários roubam impressora de prefeitura (Enviada por @ElsonCuca, que já sabe de onde descolar uma Lexmark nova)

Homem mais gordo do mundo provavelmente vai perder bastante peso em 2017, de um jeito ou de outro (Enviada por @luanfe1ipe, que como segundo homem mais gordo do mundo está empolgado com a nova posição que ele em breve ocupará)

Funcionárias de sex shop repelem assaltante na base da pirocada, mas não da forma como você está pensando (Enviada por @eduh_campus, que após ler a matéria começou a desenvolver um colete a prova de dildos)

►Vídeos comentados

O juiz “bêbado” que na real tava com problema na coluna.

►Links comentados

A imagem que o Evandro me mandou

http://hbdia.com/pergunta-do-dia/pergunta-do-dia-voce-tem-alguma-fobia-maluca-eu-tenho/

O subreddit de outros malucos que tem submechanophobia.

►Curtiu o podcast? 

Quer ajudar a nos manter no ar? Financie-nos através do Padrim! Ajudando com qualquer valor, você ganha acesso ao grupo no Telegram e playlist de músicas do programa! Contribuindo com R$10 por mês, você pode até mandar mensagens de áudio pro programa! Além de tudo, obviamente, você garante a continuidade do programa!

Procure-nos no iTunes, PocketCasts, WeCast e diversos apps como “O MELHOR PODCAST DO MUNDO” ou “Izzy Nobre”

Deixe uma resenha, e melhor ainda, recomende a um amigo!

Confira o mapa interativo das notícias do MPB:

Tem uma notícia pra enviar? Manda aqui!

Quer recomendar uma música? Manda aqui!

Pra assinar, basta jogar este RSS no seu app favorito de podcasts!

Sugira notícias bizarras pra gente nos comentários da postagem ou pelo Twitter — @izzynobre e @evandrof!

Pelos últimos 10 anos, o mundo ocidental esteve zoando impiedosamente a Coréia do Norte e seus líderes peculiarmente megalomaníacos. Cada notícia bizarra oriunda da Melhor Coréia nos traz um meio-sorriso; há uma estranha satisfação em reconfirmar a existência daquele bom e velho país maluco.

Chega a ser até estranhamente confortante. Uma noticia que veicula “a propósito, a Coréia do Norte ainda existe e essa semana eles aprontaram isso” nos informa que o mundo ainda está nos trilhos. O que é meio mórbido, porque as condições do povo norte-coreano deviam nos causar mais horror do que diversão.

Ah, e clica nisto aqui ->2

Entretanto, o que aconteceu recentemente com o vizinho de baixo talvez nos force a pedir desculpas, porque a Coréia mais maluca talvez não seja a dos Kims. A história que eu vou explicar aqui é TÃO bizarra, tão semelhante a trama de anime sem sentido, que se no meio do texto eu falar “…e o objetivo final era construir um robô gigante, que seria então possuído pelo espírito de um antigo guerreiro para finalmente destruir a Coréia do Norte“, você não vai achar que eu inventei essa parte.

Essa aí acima é Park Geun-hye, a primeira presidente mulher da Coréia do Sul. Eu tenho a tentação de escrever “presidenta” (que é uma palavra que sempre existiu mas que uma cambada de ignorante pensa que foi inventada pelo PT como coroa linguística para a Dilma), mas estou sem paciência pra trolar incautos hoje. O assunto aqui requer foco.

Atualmente, ela tem um nível de popularidade que oscila entre “aquele moleque que sempre tentava ‘complementar’ as explicações do professor na escola” e “primo que pulou de pirâmide em pirâmide e agora tenta te arrastar pra reuniões da Hinode”. Apenas 14% dos sul-coreanos aprovam a permanência da mulher no poder, e olha que esses caras toleram todo tipo de insanidade. Foi lá que nasceu o e-sport e o k-pop, afinal.

A putaria em que a presidente se meteu é tão sinistra que há algumas semanas tá rolando todo tipo de protesto contra a Park lá na Coréia do Sul — e que a mídia internacional não parece estar dando a devida atenção. O que, considerando a maluquice da situação, é difícil de compreender.

Falta um pato amarelo inflável gigante mas ok

O motivo desse levante popular contra Park não é muito diferente do que vimos no nosso próprio Brasil — uma perene nuvem de corrupção, ou ao menos alegações disso, paira sobre a presidenta (não consigo resistir. Mesmo com o disclaimer eu sei que ler “presidenta” provoca reação Pavloviana de revolta em alguns). O pivô da coisa toda é o seu relacionamento com Choi Soon-sil, uma amiga pessoal da presidente que teve um nível de acesso bem questionável aos bastidores do governo da presidente Park.

Choi Soon-sil, vista aqui sendo interrompida enquanto fechava um estágio no Candy Crush

Nessa hora você perde interesse na história, porque já está imaginando que não aconteceu nada muito diferente do que vemos no Brasil há 500 anos — uma intimidade indevida entre poder público e interesses privados, venda de influência/favores políticos e mal-uso do dinheiro público.

Boring. Boa sorte com o seu #ForaPark, coreanos! Pra gente isso aí é reprise, e pior, reprise recente.

O que acontece é que você não tem criatividade. Você tá tão acostumado com a corrupção standard 1.0 do Brasil que não faz a menor ideia dos níveis absurdos que o crime político pode alçar. Estamos falando aqui de corrupção que envolve líderes místicos com super-poderes espirituais e fantasmas.

Pra entender a putaria, precisamos voltar à década de 70. Na época, a Coréia do Sul era comandada pelo ditador Park Chung-hee, pai da atual presidentx Park Geun-hye. Naqueles anos, o ditador conheceu Choi Tae-min — pai da Choi Soon-sil –, que era…

Peraí, tá tudo muito complicado. Esses nomes com os quais não temos muita familiaridade tornam impossível fixar a palavra à pessoa. Pra piorar, a sintaxe dos sobrenomes na Coréia (como você já deve ter concluído, o nome da família aparece na frente do nome) me faz pensar que estou falando de um monte de xarás.

Vamos simplificar com a seguinte tabelinha:

Park Geun-hye = Presidenta (por enquanto)

Park Chung-hee = Ditador, pai da Presidenta

Choi Tae-min = Mestre dos Magos

Choi Soon-sil = Pilantrista, filha do Mestre dos Magos

Com essa tabela eu acabo me adiantando na história. Já já “Mestre dos Magos” fará mais sentido.

Então, o Mestre dos Magos era broder do Ditador e sua família. Em 1974, um simpatizante do governo norte-coreano tentou passar fogo no Ditador, mas a mira foi ruim e o cara acertou (e matou) a esposa do maluco.

Cabe aqui um imenso parêntese. De agora em diante, imensos parênteses receberão suas próprias caixinhas, assim:2

A Esmerdalhança do Assassinato de Yuk Young-soo

Essa tentativa de assassinato foi uma presepada digna de sketch dos Trapalhões, aliás. Mun Se-gwang, o atirador, foi com um três-oitão na cintura ao teatro onde o Ditador estava dando um pronunciamento no Dia da Independência coreana, intencionando mata-lo. Igual quando eu fui jogar Commandos pela primeira vez sem entender a mecânica do jogo, Mun atirou sem querer, alertando a segurança do teatro (e se ferindo ao mesmo tempo). Pensando “ah, foda-se então”, Mun saiu correndo em direção ao palanque pra meter bala no Ditador.

O cara conseguiu efetuar vários outros disparos, cada um mais na doida do que o anterior porque o momento pra sutileza e cautela já era. O Ditador escapou de todos, mas sua esposa não tinha o mesmo APM3 que o marido e tomou um balaço na cabeça.

Um dos seguranças abriu fogo contra o meliante, e o cara errou tão catastroficamente que a bala ricocheteou na parede e acertou um estudante qualquer que assistia o evento. O moleque aproveitou a deixa e morreu também.

Ou seja, o maluco foi lá matar um, acertou a si mesmo, morreram dois outros, foi preso, e a vítima em potencial ainda sobreviveu. Isso é o pior aproveitamento num atentado terrorista que eu já vi. Ele conseguiu atirar em si mesmo mais do que no alvo do atentado.

Cinco anos mais tarde, uma outra tentativa de assassinato contra o Ditador finalmente logrou êxito — provando mais uma vez a importância da perseverança.

Voltamos ao motivo pelo qual o Choi Tae-min se chama aqui nessa história de “Mestre dos Magos”. Após a morte da Primeira Dama, o Mestre dos Magos (que era líder de uma seita “cristã” chamada Yongsaeng-gyo, ou “Igreja da Vida Eterna”), começou a enviar cartas pra atual Presidenta, que na época tinha míseros 23 aninhos. Nas cartas, o cara alegava que a finada estava se comunicando com ele, e que esta queria que ele repassasse mensagens pra Presidenta.4

A Presidenta, como tantos outros trouxas em situação semelhante, engoliu a história do Mestre dos Magos e passou a ve-lo como um mentor spiritual. Ao longo dos anos, o Mestre dos Magos consolidou sua posição de arroz de festa no alto cenário politico coreano, orbitando o círculo social da filha do presidente e passando recadinhos do além pra mulher.

A parada era meio rasputinesca mesmo — e tal como na corte dos Tsares, a galera do Ditador não curtiu muito esse negócio de um curandeiro do caralho se entrosando nos círculos presidenciais, mas fazer o que?

Enquanto isso o Mestre dos Magos, que não era bobo nem nada, se aproveitou do contato com a filha do Ditador pra estabelecer várias instituições de “caridade” — lideradas, no papel, pela Presidenta. A relação com a filha do presidente dava um verniz de legitimidade à porra toda, e o Mestre dos Magos começou a usar sua influência para gentilmente “sugerir” que empresas contribuissem com suas instituições or else. O curandeiro começou a se tornar rico e influente nos altos círculos sul-cureanos, pro desconforto do gabinete.

O Ditador eventualmente se viu obrigado a chamar o Mestre dos Magos pra perguntar que porra era aquela, ao passo de que ele foi defendido ferozmente pela Presidenta. O relacionamento entre os dois era uma imensa fonte de vergonha pro gabinete presidencial, mas pelo menos o Ditador conseguia controlar um pouco a influência do curandeiro sobre sua filha. E, afinal de contas, seitas malucas são até meio comuns na Coréia do Sul.

Uma vez que o Ditador bateu as botas5, não tinha mais ninguém pra segurar o Mestre dos Magos.

Exceto o gélido abraço da Morte. O Mestre dos Magos passou dessa pra melhor em 1994, e em sua ausência, sua filha (a Pilantrista, que finalmente entra na história!) continuou o controle sobre a Presidenta. A filha do místico herdou, além da influência sobre a Presidenta, suas organizações de “caridade” — a essa altura com cofres fartos de dinheiro adquirido ilicitamente. Em 2012, quando a Presidenta finalmente tornou-se presidenta, é que a Pilantrista deitou e rolou.

A louca passou a influenciar ainda mais a líder coreana, exigindo acesso a informação sigilosa sobre a presidência pra dar seus pitacos. Pior que isso, ela pegava essa informação e repassava pro seu pequeno círculo (um círculo que incluía o namoradinho de aluguel da véia, e um popular diretor de clipes de k-pop). Aliás, hora de mais um parêntese:

O imenso telefone sem fio que é a internet

Pesquisando pra história eu vi muitos (especialmente no Twitter) se referirem a esse grupo como as “Oito Deusas”. A expressão virou um meme nas redes brasileiras, a despeito do fato de que não há simplesmente nenhuma notícia oficial reportando esse nome — a ponto de que fico em dúvida de onde o termo teria originado. Encontrei discussões no /r/conspiracy, um subreddit de usuários de chapéus de papel alumínio, onde o nome era repassado, mas não parece ter surgido lá. Os únicos locais onde vejo “Oito Deusas” sendo mencionadas são sites de conspiração mesmo.

O usuário @Omykronbr, o principal responsável por divulgar a situação coreana pra internautas brasileiros, foi um dos que aderiu/legitimizou a expressão. Ele também divulgou a idéia que as “Oito Deusas” estariam por trás do naufrágio do MV Sewol, que seria na real um sacrifício humano em honra das Deusas/pra ressuscitar o Mestre dos Magos. Não faço a menor idéia de onde ele tirou isso6, embora eu suspeite que ele tenha confundido a história de Yoo Byung-eun, o dono da empresa que operava a barca.

Em 1987, os seguidores de uma sub-seita cristã chamada Gidokgyo Bokeum Chimnyehoe7 cometeram suicídio coletivo. O timing era estranho (a líder da seita estava sendo investigada por fraude), e no final das contas descobriu-se que essa sub-seita estava repassando uma grana pro Yoo. O cara passou 4 anos no xilindró por causa disso.

Até onde posso averiguar, parece que o Omykronbr parou de ler quando viu que o Yoo tinha envolvimendo com seitas, concluiu que era a mesma da Pilantrista e seu pai, e saiu tuitando.

Então, a Presidenta começou a repassar diversos documentos governamentais pra Pilantrista. Até medidas de orçamento eram debatidas com a operadora da fantoche em formato de presidente; a Pilantrista então sussurrava no ouvido da Presidenta que seus amiguinhos deveriam receber financiamento estatal pros seus projetos malucos. Alguns de seus amigos acabaram indo pro gabinete da Presidenta, e é razoável concluir que boa parte das políticas nacionais coreanas estavam sob controle dessa turminha do barulho.

Até uns negócios meio ritualísticos/xamanísticos a Presidenta incorporou no governo. De quem terá sido a ideia…?

Lembrando que essa porra toda começou com alguém dizendo “opa, tenho um recado da sua mãe morta pra você!”.

É meio assustador quando você considera que a Coréia do Sul tem um vizinho maluco com bombas nucleares, e que as políticas de como lidar com essa porra podem ter sido modeladas com base nos achismos de uma mulher que acha que fala com espíritos.

A Pilantrista usou sua influência até mesmo pra facilitar a entrada da filha numa prestigiosa faculdade coreana, o que me faz admirar a disciplina e importância que os asiáticos dão a educação. A mulher manipula a presidente do país inteiro como o Frank Oz controlando o Yoda8, mas ainda quer que a filha tenha um canudo…

Enfim, o resultado dessa porra toda é a inevitável conclusão de que a influência da família Choi paira sobre a liderança da Coréia do Sul por décadas a essa altura. E enquanto isso foi visto por anos como apenas uma peculiaridade religiosa, pouco a pouco o país começou a se emputecer com essa relação entre a Presidenta e a Pilantrista. Matérias investigativas começaram a futucar o passado das duas, e o nível de participação que essa mulher (que não foi eleita a coisa alguma) tem na capital coreana. Com a pressão, a Pilantrista e filha sairam fora pra Alemanha.

Vale adicionar neste momento que a filha da Pilantrista é competidora de “dressage”, que é essencialmente uma dança com cavalos que por algum motivo é considerado esporte olímpico — enquanto meu Magiczinho nunca me renderá medalhas de ouro.

Óia a mina “dançando” com o Alazão aí. Mãe e filha tem uma chácara na Alemanha, onde esta última treina suas danças. Porque o que estava faltando mesmo nessa história era um estúdio alemão de dança pra cavalos.

Falei que o um megazord possuído por um antigo samurai seria MENOS estranho, não falei?

Na pressa, a véia deixou pra trás um tablet com cópias de discursos, documentos financeiros, agenda presidencial, inúmeros documentos governamentais que ela não tem autorização legal pra acessar, e o pior: a constatação de que ela é o tipo de tia velha que tira selfies com um tablet.

Aí a putaria explodiu de vez. A véia ainda tentou mandar um “rapaz, nunca vi esse tablet na vida!”, mas a galeria repleta de selfies a desmentiu imediatamente. A galera lá naquelas bandas já não ia muito com a cara da Presidenta, e agora tendo achado esse tablet confirmou-se a suspeita de que a líder da nação era senão uma marionete nas mãos de uma líder “espiritual” e de seu questionável grupinho secreto de Illuminati coreanos.

Tentando apaziguar os ânimos da galera, a Presidenta botou pra fora inúmeros membros do seu gabinete que teriam sido instalados lá por influência da Pilantrista, mas agora é tarde. Demorei tanto pra escrever esse post, aliás, que quando publica-lo é possível que a Presidenta já tenha virado Detenta.

Você imagina agora o sorriso do Kim Jong Un nesse momento. Com os sul-coreanos tendo recebido apoio americano no final do conflito entre as duas Coréias nos anos 50, a narrativa estatal é que a do Sul é um fantoche de interesses oligárquios ianques; que os coreanos “do bem mesmo” são os do Norte. A tal conspiração não envolve os EUA — até onde se sabe, ao menos –, mas já dá pro gasto.

O Brasil é uma putaria sem fim, mas ao menos não temos esse histórico de líderes se envolvendo…

…com líderes religi…

…osos sincretistas que alegam poder se comunicar com espir…

Talvez não somos tão diferentes assim.9 10

Esse tipo de texto dá um TRABALHÃO, e como não tenho nenhum tipo de publicidade aqui no HBD, o único retorno que tenho é o feedback de vocês. Tire dois segundos do seu dia pra participar: comente e/ou compartilhe o texto:D

casey

Eu nutri uma grande admiração pelo Casey nos último meses, por motivos que expliquei aqui no HBD recentemente. Acho muito legais suas técnicas mais cinematográficas, que inspiram outros criadores de vídeo a experimentar mais com suas criações (e pelo jeito andam fazendo escola YouTube a fora); o cara tem um talento incomum de transformar o aparentemente trivial e cotidiano em narrativa interessante.

(Obviamente ele é ajudado pelo fato de que sua vida é tudo, menos trivial, mas enfim…)

E eu consigo me identificar muito com esse estilo de vida corre-corre dele; eu tenho que fazer um insano malabarismo entre meu trabalho convencional, meu site, meu canal no YouTube, meu novo livro, meus podcasts, o tempo que dedico à minha esposa/família… ver outro cara fazendo algo similar, e sendo bem sucedido nisso, é uma fonte de inspiração.

Pouco a pouco, no entanto, a admiração pelo cara vem dando lugar a um crescente incômodo sobre a persona que o Casey projeta.

Uma coisa que eu notei no subreddit sobre o cara é que ele tem muito mais críticos do que eu imaginava acompanhando o fandom dele nos comentários dos seus vídeos. Fiquei sabendo que isso acontece porque o Casey faz uma malha fina nos comentários dos seus vlogs, deletando qualquer comentário crítico. À primeira vista, isso não me incomodou — se o cara não quer ter negatividade circulando seu trabalho, é compreensível.

Mas outra coisa que eu só passei a perceber após ler o subreddit do cara, sim, me causou um certo incômodo — a insistência teatral do Casey de tratar de seus equipamentos com total desdém. Das vezes em que o cara rasgou caixas com tanta avidez que chegou até a danificar os produtos, às tomadas ensaiadas em que “derruba” uma câmera que custa mais de cinco mil reais.

Faz tudo parte de uma narrativa, claro: como já explicou umas trocentas vezes, o Casey não se importa com equipamentos porque eles são empecilhos no seu desejo de contar e compartilhar históricas. Admira-me que alguém faça tantos vídeos pra dizer que não se importa com algo; como diria a Rainha Gertrude de Hamlet, “tô achando que a senhora protesta demais, hein?”

E você achando que isso aqui era apenas um vlog com histórias sobre cagar num tapete.

Não sou o único que se incomoda um pouco com essa teatralidade de quebrar brinquedos caros porque “ah, não me importo com equipamentos!”. Isso cheira mais a ostentividade; vem à mente imagens do Dan Bilzerian, um playboy famoso do Instagram, atirando em drones.

No caso do Bilzerian é mais descarado e gratuito: ele quer mostrar que faz isso porque pode fazer isso e pronto; é mais ou menos o mesmo motivo pelo qual ele não apenas se cerca de mulheres gostosas, como também documenta isso no seu Instagram. Não dá nem pra realmente odiar o cara por isso, ele tá sendo plenamente honesto ao menos.

Quando se contrapõe isso contra o que o Casey faz, a narrativa “ah, é que eu não me importo com equipamento rsrs” parece um pouco… forçada. Parece, na realidade, que ele tenta uma versão mais discreta do MO Bilzeriano — ele também que ostentar seu meio de vida, mas (como é, afinal, um contador de histórias), precisa envelopar esse gesto numa historinha bonitinha. Ele não é um esbanjador, ele é um criador pragmático que não permite que suas ferramentas ditem seu comportamento.

Seria mais fácil comprar essa idéia se o cara não se cercasse de tudo que há de melhor que o dinheiro pode comprar. Um cara que realmente não liga pra gear não se submeteria ao incômodo de carregar por aí uma câmera imensa, com microfone externo E tripé, pra cima e pra baixo.

É óbvio que o equipamento tem seu valor; não é porque você pode comprar uma 70D nova no mesmo dia que quebra a sua (quase intencionalmente) que o negócio não tem valor ou importância.

Aí teve o vídeo de hoje, em que a persona do Neistat me aborreceu finalmente.

No vlog de hoje, o Casey Neistat mostra mais uma vez a sua antipática esposa (que sempre tem essa cara de que não apenas não quer estar no vlog mas também abomina a própria presença do Casey), elabora pela milésima vez a ladainha de que não se importa com aparelhos, e então quando tá filmando na rua, passa por um policial dirigindo um Smart Car.

Ao ver o Smart Car, o Casey inexplicavelmente começa a zoar a viatura. O cara para em seu caminho pra zoar o carro, e o policial. Não satisfeito, ele recruta transeuntes pra também zoar o policial, a quem ele acusa de não ter dignidade. No que o cara finalmente entra no carro e vai embora, claramente constrangido, o Casey continua tirando onda com o sujeito, chamando-o condescendentemente de “little buddy” e avisando pra que ele tome cuidado pra não cair num buraco.

…tudo isso por causa do carro que ele dirige.

Porra, que negócio desnecessário. O cara agiu como um bully de colégio, de uma forma totalmente gratuita, no processo desrespeitando dois grupos que fizeram muito pelo cara — a polícia de New York, que entre outras coisas até o ajudou a recuperar um drone perdido, e a Mercedes Benz (uma marca que, entre outras coisas, possibilitou o cara dar um incrível presente de aniversário pro filho dele). Vamos ver quanto tempo demora pra que ele perceba que ele cagou em cima de um produto da empresa a troco de NADA, porque sequer foi um segmento engraçado no vídeo.

É meio decepcionante. Existe há algum tempo no fandom do cara uma teoria que diz que a personalidade real do Neistat é algo mais próximo do de sua esposa (afinal, casais tendem a ter personalidades semelhantes), e que o Casey que vemos é na realidade um personagem mais marqueteável.

Rejeitei a idéia mesmo quando veio de um amigo meu que conheceu o cara pessoalmente num evento de YouTubers; estou mais inclinado a acreditar nessa versão dos fatos agora.

Algum advogado do diabo veio me falar no Twitter que na real não foi nada tão grave, afinal, o Casey apenas zoou o carro da polícia, e não o veículo particular do policial. Não vejo isso como um argumento tão bom: imagina que eu vou no McDonalds e tiro onda da roupa que o sujeito no balcão está usando. Não apenas isso, mas filmo essa zoação, chamo pessoas das redondezas pra rir junto, tiro sarro do cara até quando ele vira de costas pra sair do lugar.

Seria uma boa desculpa apontar que não estou zoando a roupa dele de fato, e sim um uniforme que na realidade pertence ao McDonalds? Acho que não.

É uma pena, mas por outro lado, eu já estava ficando meio cansado da fórmula do cara — timelapse, vídeo andando de skate, alguns conselhos sobre a vida, tomadas feitas com o drone, a perene insistência de que equipamento não interessa, a sua esposa sempre com cara de madame enjoada… embora eu tenha me maravilhado com a estilística dos vídeos (realmente excelente, isso ninguém pode negar), na prática ao ver um vídeo do Casey, você viu todos.

E eu acho que pra mim chega.

criador

Quando eu comecei o HBD em 2002 (!!!), era fácil definir o que eu fazia: eu postava num blog. Eu era um blogueiro. Pronto.

Anos mais tarde com o advento do YouTube e de câmeras acessíveis, pus minha cara feia nas internets e aí virei blogueiro E vlogueiro — um vagabundo em dobro.

Pouco tempo depois comecei um podcast com o Jurandir Filho, o 99Vidas. Aí além de blogueiro e vlogueiro, tornei-me também um radialista internético. Um podcaster.

Lancei um livro. Blogueiro, vlogueiro, podcaster, autor.

Comecei a fazer streams no Twitch. Blogueiro, vlogueiro, podcaster, autor, streamer.

Já é bastante coisa pra fazer, especialmente se você considerar que eu trabalho E estudo E tenho uma esposa com quem dividir minha atenção.

Por causa de todas essas atividades, eu não sei mais o que me define na internet. O que me traz mais views/paga mais contas é o vlog; entretanto, eu comecei com um blog, então me vejo sempre como blogueiro em primeiro lugar (por mais que o HBD esteja um pouco negligenciado ultimamente). Aliás, é curioso — lá nos idos de 2012 ou 2013, quando meu vlog começou a ter uma certa ascenção, a maioria das pessoas com quem eu esbarrava aí pela vida diziam que adoravam meu vlog, e só. Não citavam o HBD.

(Se pá tem uma fração grande dos meus inscritos que nem sabem que eu tenho um blog)

O que gerava uma sensação estranha de ciúme, porque eu levava meu canal no YT na época com total casualidade, e quase me ofendia que os textos que eu produzia com muito mais esmero estavam ficando em segundo lugar pra vídeos que eu fazia de qualquer jeito. Dava quase vontade de falar “tá, ok, vídeos, whatever. Mas você lê meu blog????”. É bizarro, mas chegava a me dar uma pontinha de raiva quando eu esbarrava com algum brasileiro aqui no Canadá e o sujeito me identificava como vlogger e não como blogueiro.

Por outro lado, tem MUITA gente que só me acompanha pelo 99vidas, por exemplo — pra estes, eu sou um podcaster e nada mais.

E é por isso que a alcunha meio nebulosa de “produtor de conteúdo” é a que mais se adequa a mim. Tal qual o pato, que é um animal aquático, terrestre, e ainda por cima voa, minha hiperatividade de produção desafia uma definição muito específica. Falando nisso, se o pato é tão capaz em tantas áreas, por que o adjetivo “patético” tem conotação negativa?!

Até herói da democracia ele é

Existe um termo no mundo de negócios chamado “core competencies”, que significa mais ou menos “aquilo no qual somos realmente bons”. É fundamental pra empresas identificar seus core competencies pra que possam investir tempo e energia justamente neles, e abandonar projetos paralelos que gerem menos rendimento.

E por isso às vezes eu me pergunto — quais sao os MEUS core competencies? Tenho minha teoria, mas a minha própria visão é extremamente limitada. Queria saber o que o pessoal que me acompanha acha. É poder mostrar a vida no Canadá? É tentar abordar situações com imparcialidade (o que me rende alternativamente as alcunhas de coxinha num vídeo e petralha no outro)? É contar histórias em que me fodo?

Tem dois criadores de conteúdo que eu acompanho fielmente.

tim urban

Esse é o Tim Urban, o autor do WaitButWhy. Considero o WBW o melhor blog da internet, e não apenas da internet atual — a qualidade do WBW o torna retroativamente/atemporalmente melhor que qualquer outro blog passado também. O Tim tem um talento incomum de pegar um assunto que muitas pessoas não entendem bem (como, digamos, criogenia ou os perigos de inteligência artificial) e fazer posts gigantes destrinchando toda a parada com um senso de humor literalmente invejável. Quem me dera ser tão engraçado quanto ele.

Seja quando ele está viajando pelo mundo e escrevendo textos fantásticos sobre os países em que acabou indo parar, ou simplesmente descrevendo arte medieval inusitada de uma forma hilária, basicamente tudo que o cara produz é de altíssima qualidade e é garantidamente cheio de insights incríveis ou fenomenalmente engraçado. Ok agora vou parar de lamber as bolas dele porque meu pescoço já tá começando a doer.

Eu diria que a core competency do Tim é sua capacidade de explicar assuntos de forma interessante, e seu estilo de escrita lembra muito o tom de uma conversa informal.

O meu outro criador de conteúdo favorito no momento é o…

…Casey Neistat. Mas se você me acompanha no Twitter isto não é uma surpresa pra você.

O Casey é um vlogger americano bastante popular, com mais de dois milhões de inscritos. O cara é expert em storytelling, ou seja — pegar o seu dia a dia e transformar isso numa pequena narrativa com começo, meio e fim, editados com uma veia meio cinematográfica — trilha sonora, cenas em timelapse, tomadas com câmera pré-estabelecida numa posição como se fosse uma câmera de filme e ele estivesse quebrando a quarta parede ao entrar no frame e falar diretamente com ela.

O Casey me motiva a produzir com mais frequência e com mais qualidade. Com pouquíssimas exceções eu gosto de praticamente tudo que ele faz, e eu me identifico com o estilo de vida louco dele de fazer mil coisas ao mesmo tempo (marido, vlogger, CEO de uma empresa de tecnologia). Eu diria que essas são as core competencies dele — a garra de produzir conteúdo não importa o que, e a capacidade de fazer um dia relativamente normal parecer interessante o bastante através do poder da edição e do storytelling.

Não que o cara seja acima de qualquer crítica. Como ele expõe muito de sua vida pessoal, inevitavelmente algumas… particularidades de sua personalidade acabam emergindo, e estas são decididamente menos atraentes que outras. Sua insistência em voar seus drones em zonas populadas, acima de linhas de alta tensão, e em locais como o Rio Hudson em New York, que é uma movimentada linha de aproximação final de um dos maiores aeroportos do mundo gera muitíssimo incomodo mesmo entre o fandom do cara.

Aliás, o subreddit dedicado ao cara é repleto de críticas ao comportamento às vezes meio histriônico dele — como por exemplo, dar chilique porque a American Airlines não renovou um agrado que dava pro malandro, o que o fez soar como uma criança mimada, ou reclamar que “copiam” seu estilo quando é bastante notável que ele modelou muito de sua imagem (e seus vídeos, e a própria aparência do estúdio dele) no Tom Sachs, um artista e cineasta novaiorquino.

Apesar disso, é bacana acompanhar o dia a dia do Neistat. Eu diria que suas core competencies é a habilidade com a câmera, e em narrar o cotidiano de forma interessante.

Que criadores de conteúdo você acompanha, e por que?

Eu vou fazer uma confissão aqui da qual vocês certamente compactuam.

Eu passei muito tempo negligenciando minha higiene bucal.

dentes

Escovar os dentes era basicamente o mínimo que eu fazia, e ainda assim pulava algumas ocasiões por pura preguiça. Enxaguante bucal eu acho que nem tinha aqui em casa por anos. Passar fio dental? Literalmente nunca, e chegou a um ponto em que eu nem mentia mais pro dentista quando ele perguntava. Certamente eu não sou o único, pensava, e além disso o cara tá olhando meus dentes com uma LUPA aí. Deve ter pedaços de coxinha ainda visíveis, como eu vou mentir pro sujeito assim na cara dura?

A gente sabe, na teoria, que cuidar dos dentes é inimaginavelmente importante. Um dos bugs desse nosso corpo humano vagabundo é que só temos duas dentições — a de leite, que é literalmente descartável, e a final que você tem aí hoje. Ao contrário de quase tudo no nosso corpo, os dentes não tem aquela capacidade wolverinística de se regenerar, e assim sendo você passa a vida inteira emporcalhando essa parada desde o dia em que ela brota dolorosamente das suas gengivas.

Dente é um negócio todo errado. Você sabia que o seu dente de leite inútil pode, tal qual no Dragon Ball Z, fundir-se com os dentes do lado e desgraçar a sua vida? Olha que desgraça:

Tem também o fenômeno inverso disso aí, a geminação dentária — quando um dente se divide em dois, porque afinal de contas, foda-se você e a sua boca.

É uma merda. Precisamos cuidar direito desse negócio. E passar fio dental, como acredito que todos sabem, é essencial. Aliás, é curiosa a desconfiança que algumas pessoas  tem da indústria médica — se os teóricos de conspiração estivessem realmente certos, dentistas se oporiam completamente ao fio dental, inventando mil motivos pra você não usar a parada (em vez de te dar aquela guilt trip quando você admite que a última vez que passou foi em 1998).

Apenas recentemente é que eu passei a aderir ao mandamento do dentista de passar fio dental. Curiosamente, não foi o MEU dentista que finalmente me fez enxergar a luz — foi um dentista anônimo no Reddit. Se é que o cara sequer era dentista mesmo.

O conselho do cara foi o seguinte. Se você é desses que não costuma passar fio dental com frequência, faz o seguinte: vai ao banheiro, pega um fio dental, e passa em uns 4 ou 5 dentes. Coisa rápida, deve demorar uns 20 segundos só

Depois, dá uma cheirada no negócio. E tente não vomitar.

É fácil esquecer que após cada refeiçao, nossos dentes ficam decorados com pedacinhos de comida que vão sendo lentamente digeridos por bactérias ao longo do seu dia. Essa mistura asquerosa vai acumulando, acumulando, se misturando com outras comidas de outras refeições, e emporcalhando completamente a sua boca — que já é por natureza algo asqueroso: lembre-se que há mais bactérias na sua boca do que no seu cu.

Imagina dar uma cagada daquelas de domingo a tarde sozinho em casa e não se limpar. Não passar fio dental após uma refeição é basicamente isso, com o agravante que você está projetando aquele ar pútrido na direção dos outros quando fala com alguém.

Aliás, é pior que isso. Apenas escovar os dentes o almoço seria equivalente a cagar, e como ritual de limpeza, apenas deixar a bunda na frente do ventilador por alguns segundos, crendo estar perfeitamente asseado.

Eu não pude crer no choque que essa experiência me causou. Desde então passo fio dental após CADA refeição, cuidadosamente (a idéia não é estourar as gengivas no frenesi de se limpar, vai com calma aí), meticulosamente. Como resultado disso, eu notei que o cheiro do fio dental foi completamente anulado. É o descaso do acúmulo que torna a parada totalmente nojenta.

Esse conselho tão simples mudou minha higiene bucal de forma que inúmeros dentistas não conseguiram antes. Hoje, se como fora de casa e não tenho acesso a escova de dente e fio dental, me dá até ansiedade.

Se você é dentista e lê meu site, taí um truque pra você recomendar aos seus pacientes. Certamente não irei no consultório com bacon entre os molares novamente.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...