A hiper-sensibilidade internética

Há muitos anos eu estava lendo a revista SuperInteressante (uma influência importantíssima na minha criação nerd) e vi uma matéria que falava sobre o real “formato” do corpo humano, se fosse proporcional às terminações nervosas que nos dão a capacidade tátil que torna possível você se masturbar aí solitariamente neste Dia dos Namorados:

corpo humano

Aliás, não, não tem nada a ver com terminações nervosas e sim com quanto “processamento” o cérebro dedica para a interpretação sensorial dessas partes do corpo. O nome dessa imagem é “homúnculo sensorial”, aliás.

Repare o tamanho das mãos e dos lábios. Em relação às outras partes do nosso corpo, eles são super-sensíveis, e o cérebro dedica muita energia pra interpretar os estímulos que eles recebem (E não, eu não sei porque a piroca ocupa um espaço tão relativamente pequeno).

Esse conceito me lembra também um bicho esquisito chamado “star-nose mole”, ou “topeira com nariz de estrela” numa tradução livre. Olha a foto dessa desgraça:

star nose

Essas 22 mini-piroquinhas que esse bicho tem na fuça servem pra dar à topeira, que é virtualmente cega, uma capacidade sensorial invejável. Esses tentáculos aí tem mais de 25 mil terminações nervosas, que é (de acordo com algumas fontes) 5 mil terminações nervosas a mais que as encontradas no pênis humano. A diferença é que o pênis humano convencional tem o tamanho dessa topeira aí, ou seja — nela, essas 20 mil terminações nervosas estão concentradíssimas num espaço minúsculo. Imagina o quão sensível esse membro da topeira é.

Por que estou mostrando isso pra você? Porque ultimamente estive pensando num fenômeno interessante que acontece na internet: a hiper-sensibilidade internética.

Você já notou que é muito fácil ofender pessoas na internet, né? Aliás, é fácil nós mesmos nos ofendermos na internet. Eu, por estar numa certa posição de visibilidade e ser consideravelmente filho da puta, me sinto ofendido diariamente quando alguém resolve me xingar na internet.

Eu acho a Internet, por promover tantos relacionamentos intangíveis (tenho inúmeros excelentes amigos que nem conheço pessoalmente, por exemplo — e inimigos, também), nos faz exagerar no lado emocionado da coisa. Um broder disse recentemente que tudo que você acha que sente na internet deveria ser dividido por 1000 — “se alguém diz que te AMA, no máximo te daria uma carona caso sua casa estivesse no caminho”, ele teorizou

E alguém que se comporta como te odiasse, os tais “haters” (alguns que chegam até mesmo a falar isso e/ou prometer ameaça física se um dia te visse por aí) no máximo sentem uma leve insatisfação com você, e nada mais.

É que no mundo real, regido por regras e interações mais tangíveis, esse tipo de coisa fica abaixo da superfície. Somos obrigados a agir como indivíduos adultos e razoáveis. Se alguém te incomodou um pouco você faz um comentário e segue com a vida. Seria estranho passar dias insistindo na sua insatisfação com alguém que mal sabe que você existe, né? Perpetuamente falando mal da pessoa, indo atrás de saber o que ela está fazendo, esse tipo de coisa seria vista no mundo real como obsessão quase criminosa.

Já na internet, a intangibilidade promove a hiper-sensibilidade. Uma desavença trivial e sem consequências faz com que alguns dediquem tempo e energia stalkeando um desafeto com quem ele simplesmente discordou numa rede social uma vez.

E você aí achando aquela topeira um bicho estranho. Estranhos somos nós.

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comments

13 comments

  1. Poxa! Terminou altamente filosófico… Aprendendo com o Raul, né?

    Quando conheci essa toupeirinha, estranhei muito ela ter esse lance no focinho, até porque só colocam essa foto dela aí (devem ter tirado antes dela escovar as gengivas) e já encontrei lugar que traduzem o nome como “Estrela do Nariz Mole”, o que aumenta 70% a estranheza do ser dela. Mas ela até que é bonitinha, curte: http://www.pbase.com/mwalker427/image/81869712/original
    Cogitei até ter uma em casa, mas acho que é meio impossível, se minha casa é acima da terra.

    Bonus: versões fofinhas da Star-Nosed Mole
    http://www.etsy.com/listing/83968878/star-nosed-mole-sculpture-ornament-hoshi
    http://rainbowsix.wikia.com/wiki/File:Star-nosed_mole.jpg

    1. O nome desse bicho devia ser cara de buceta.

      Em relação ao texto, amg Izzy, entre em fóruns de videogames, ai o senhor verá o quão filhodaputamente fácil é deixar pessoas putas.

      1. cara eu imagino o tanto de boceta feia que tu já viu pra falar uma coisa dessas, pq boceta normalmente é até um negócio bonito, mas as que vc viu pra achar parecidas com o focinho desse bicho.

  2. O negocio é por ai mesmo, principalmente no sentido dos haters, ainda porque a maioria é uma molecada que nem pelo no saco tem e se falasse com os outros na rua da forma que fala na internet ia tomar porrada até o cu fazer bico.

  3. Vou passar a balangar minha piroca na rua pra perceber as coisas melhor 😀
    Concordo com essa parte da hiper-sensibilidade internética também. 🙂

    A internet promove anonimidade ou segurança em diferentes níveis e nesses diferentes níveis se observam diferentes tipos de comportamento, desde o pica-das-galáxias totalmente anônimo insultando o trabalho dos outros no youtube, passando pelos pastores e revolucionistas de facebook, até os lados escuros da internet onde o crime é disseminado sem o menor pingo de escrúpulo. No dia em que alguém puder tomar um soco via fibra óptica, não vamos ter mais trolls.

  4. “E alguém que se comporta como te odiasse, os tais “haters” […] no máximo sentem uma leve insatisfação com você, e nada mais.” Sei lá Kid, acho que os caras que comentam os podcasts que têm sua participação te matariam mesmo.

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