deu ruim

Eu não sou muito de briga. Pratiquei Wing Tsun (Chun? Sempre vejo as duas grafias) por muito tempo, e Shaolin do Norte depois disso, e não tive uma oportunidade sequer pra usar o skill — aliás, eu nem pretendia: eu tinha uma apreciação mais a nivel nerd pela parada.

Nos círculos de entusiastas das artes marciais, sempre rolava o debate de qual seria a mais eficiente. Coisa bem nerd isso, né? A discussão sobre um confronto imaginário de indivíduos com habilidades superiores e tal. Neste caso, em vez de Thor versus Superman, era “kungfuzeiro versus capoeirista”.

Era natural que os adeptos de uma arte marcial puxassem a sardinha pra sua brasa, e por isso eu fui doutrinado a acreditar que kung fu (especificamente, o Wing Tsun/Chun) era A arte marcial mais letal e destruidora. O passar dos anos trouxe sabedoria, e hoje acho que é plenamente claro a qualquer um que Brazilian Jiu Jitsu é na real a arte marcial mais destruidora.

E hoje veremos isso na prática.

https://www.youtube.com/watch?v=AwPFIFXqg-M&ab_channel=BJJGALAXY

Vemos um bully empurrando um garoto que, cabisbaixo (talvez, tímido…?), evita comprar a briga. O antagonismo que vemos aqui certamente não deve ser recente; é possível que estamos vendo apenas a ponta do iceberg de uma provocação de muitos dias, ou talvez meses, que finalmente escalou pro âmbito físico.

O bully empurra o moleque mais uma vez, que então solta a mochila e se posiciona, como quem diz “ok, você que sabe”.

O moleque enfia um de direita na fuça do bully, que esboça pouca ou nenhuma reação. Neste momento EXATO fica bastante claro que o bully, confiante unicamente em seu tamanho físico e força bruta, comprou uma briga com a pessoa errada. Uma que sabe brigar.

O moleque, que a essa altura eu já deveria ter dado um apelidinho a la Hora da Justiça… ok, o DESTRUIDOR então enfia uma bicuda na lata do bully com a perna da frente. O valentão está completamente desestruturado nessa hora, certamente já se arrependendo de todas as decisões em sua vida que o levaram a esta posição. O DESTRUIDOR mete o que parece ser uma tesoura invertida e leva a cara do valentão, e assim a briga, pro chão.

No embalo do movimento, monta em cima do covarde — porra, o pirralho NOTAVELMENTE manja da parada –, e já engata alguns socos que machucam tanto quando desmoralizam. O valentão ensaia uma recuada, mas no processo deixa o braço exposto.

Grande vacilo. Jiu jiteiros e braços são inimigos mortais. Como cães e gatos, se um dá sopa, o outro já chega DESTRUINDO e, bem, o molequinho não se chama DESTRUIDOR a toa.

Tal qual uma furiosa jibóia amazônica, o pirralho menor se enrola ao redor do braço do bully, formando um armlock eficiente que oferecia resistência até mesmo a um adepto da luta.

E o rádio/ulna do bully sobrevivem graças apenas à misericórdia de transeuntes, que felizmente deixaram a coisa progredir o bastante pra que o provocador aprendesse uma lição.
Completamente desmoralizado, o bully recua a uma distância segura pra mandar algumas provocações vazias e provavelmente em voz trêmula. Agora louvado como herói, o DESTRUIDOR é então abraçado por amigos, seu status de macho alfa da escola cimentado irreversivelmente.

Não fosse filmado verticalmente, este vídeo seria puro ouro.

Escala Capitão América de Justiça: 10/10 com louvor e eu daria uma nota maior se pudesse. Os elementos fundamentais de uma boa Hora da Justiça estavam todos lá — parcimônia apesar de provocação, uso exemplar de skill marcial, a completa e emasculadora derrota do valentão. Acho que assisti esse vídeo umas 19 vezes, de tão satisfatório que é. Quando o DESTRUIDOR solta a mochila no chão, ciente de que pode trucidar completamente o seu algoz, e com a consciência tranquila de que evitou a briga até onde pode… que lindíssimo momento.

Sou geralmente contra essa modinha de vídeo em 360 graus mas eu abriria uma exceção pra esse vídeo. Queria assistir em VR, comendo pipoca e berrando com a vitória do DESTRUIDOR.

O HdJ de hoje é igual um GIF pornô — é curtinho mas é sensacional.

hora da justiça

O cenário é uma escola americana. No pátio da tal escola, um embate mortal entre o Ceguinho e o Desgraçadinho — a ser uma cena a ser interrompida dali poucos segundos. Acompanhe o VT:

Então. O curta-metragem começa com um garoto cego sendo socado por um rapaz que, além de ter a vantagem da visão, é notavelmente maior que o garoto deficiente. Ele manda um “get the fuck out of here“, traduzido livremente como “sai saindo, cupade!“, pontuado por mais um murro na orelha.

Vejamos que até o momento não sabemos o contexto da treta — ou seja, o de sempre nesses vídeos –, mas já podemos declarar com alto nível de certeza que o Desgraçadinho é um filho da puta duplamente qualificado. Bater num rapaz menor já é algo revoltante, o cara ainda me faz o favor de bater num CEGO. Se eu tivesse que adivinhar sua agenda baseando-me apenas nesse vídeo, diria que é mais ou menos isso aqui:

EITA

“Se der tempo, espancar um garoto cego na escola. Se não, deixa pra amanhã”

Pois bem. O Desgraçadinho dá o segundo soco no Ceguinho,que seria o seu último. O privilégio da visão não pode o ajudar no momento em seguida, porque um avatar da Justiça chegou possuído pelo espírito de Hamurabi, o sexto rei da Babilônia, que escreveu o Código de Leis que leva seu nome.

Este é o Justiceiro — que de acordo com o diálogo no vídeo se chama “Cody”, e percebemos que a maior injustiça aqui é seus pais não terem lhe dado um nome que faça juz à sua estatura moral. Então vou chama-lo de Justiceiro mesmo.

O Justiceiro chega chegando, com o braço em riste, enfiando o punho cara do Desgraçadinho — que até então aparentemente sabia lutar muito bem, mas que no momento jaz no chão, despido da “coragem” de outrora.

caraio

O que estava na cabeça dele, além do concreto quente do pátio da escola? “Fiz merda”

O Justiceiro, tendo despachado o bully com um único soco bem dado, volta-se para o Ceguinho pra averiguar-se de que ele está de boas. O ceguinho diz “é nois, mano”.

E aí a galera do Falso “Deixa Disso” aparece — amiguinhos do bully, dizendo “ôrra mano que é isso tá loco deixa o cara aí mano”; curiosamente,  segundos atrás eles não pareciam se importar tanto assim com alguém apanhando na sua frente.

O Justiceiro rosna pros amiguinhos do bully, dizendo “rapá, teu broder aí tava batendo num garoto cego, ces tão perdendo a noção do perigo, porra?!”, e os coleguinhas botam a viola no saco e saem mudos e cabisbaixo. Acredito que a piroca de um deles tenha se desconectado da virilha e caído no chão ali mesmo, tamanha foi a desmoralização.

Achando que o recente traumatismo craniano talvez tenha zoado suas idéias, confundido o Desgraçadinho sobre o contexto do que acabou de acontecer e que lição de vida ele deveria ter concluído da experiência, o Justiceiro vem e reforça a mensagem: “SE VOCÊ TOCAR NESSE MOLEQUE DE NOVO EU VOU TE MOER NO BRAÇO SEU FILHO DE UMA PUTA. VÃO TER QUE TRAZER ALGUM TIPO DE ESPECIALISTA CIRURGICO DA SUÉCIA OU ALGO ASSIM PRA TE MONTAR DE VOLTA”.

Escala Capitão América de Justiça: terei que dar um 10/10 perfeito. O rapaz interviu para impedir uma covardia, salvando seu amigo; exibiu a honrosa parcimônia, ou seja, nocauteou o bully e parou ali mesmo com a intervenção de sua mão na cara do outro moleque. E pra garantir que o ato não se repetiria, rugiu como um leão na savana para alertar a todos que o próximo que mexer com o ceguinho vai ganhar inteiramente grátis uma reorganização dentária súbita.

10 de 10 no ECA, algo inédito na Hora da Justiça. E foi merecidíssimo.

O olhar de alguém que percebe que tomou literalmente todas as piores decisões numa situação. Já saí de algumas provas com este mesmo semblante, eu sei do que estou falando.

Os skateparks (eu pensei em traduzir mas se você jogou Tony Hawks Pro Skater você não precisa, e se não jogou não deveria estar acessando meu site) normalmente são locais onde a molecada vai aprender o quão implacáveis são as leis da física, ou quão cara é a instalação de pinos de titânio no fêmur.

Hoje, no entanto, veremos alguém aprendendo uma outra lição tão ou mais importante: a lição da JUSTIÇA.

https://www.youtube.com/watch?v=dT2RtTEB_qA&feature=youtu.be

O vídeo começa com um rapaz se arregaçando no chão violentamente a 10m/s², um ritual que faz parte integral do “esporte” do skatismo — divido esportes em duas categorias, o esporte esportivo (como futebol feminino, pega-pega e natação sincronizada) e o esporte não-esportivo (Fórmula 1, futebol de salão e League of Legends). Como ainda não decidi a qual categoria o skatismo pertence, dou-lhe uma terceira definição: “esporte” com aspas.

Então. Entre o skatista acidentado e o rapaz documentando sua possível fratura, dois outros rapazes dialogam.

O cameraman parecia inicialmente indeciso: registro a briga que está prestes a eclodir aqui perante meus olhos, ou documento aquele garoto ali atrás que possivelmente quebrou a fíbula? Através de um breve zoom, o garoto operando a câmera viu que não havia grandes ferimentos no skatista caído, e então volta sua atenção à dupla discutindo em sua frente.

Temos um garoto alto de camiseta branca e cabelo raspado, e um menino baixo de camiseta preta com cabelo comprido. Perceba que esses moleques são extremos extremos opostos em todos os aspectos — se um gosta de pizza, o outro odeia; se o nome de um fosse João, o do outro provavelmente deve ser Oãoj. Eles são o yin e o yang de si próprios.

E o yin e yang estão a meros segundos de distância de sentar a porrada na cara um no outro.

Nunca entendemos completamente o contexto dessas brigas, já que os cinematografistas amadores sempre começam a filmar depois que as primeiras ofensas foram trocadas. Mas, pelo que consegui entender da discussão, um dos dois teria falado algo a respeito do outro, e este outro não gostou. O rapaz baixinho (chamarei-o de Cabeludo) em um momento diz “o que você faria se eu dissesse que (…)”, com um tom que insinua que ele não gostou de algo que o rapaz alto (o Careca) teria dito sobre ele. Em seguida o Cabeludo diz que “I motherfucking called you out“!.

Uma explicação: “Call out” é uma expressão idiomática que é meio difícil de traduzir. É mais ou menos assim: imagine que alguém faz algo que você reprova. Tu vai lá e esculacha o cara, em público, refutando o que ele está dizendo, ou confrontando-o a repetir o que ele falou. Isso seria um “call out”. O termo também é usado quando alguém mente, e outra pessoa o na mentira e o expõe.

Pois bem. De acordo com esse diálogo, me parece que o Careca teria dito algo sobre o Cabeludo, este não gostou, e decidiu passar a limpo. COM SOCOS.

O Careca acerta um soco logo no começo, mas claramente as artes marciais não são sua especialidade porque o soco teve o impacto de uma pena caindo em cima de uma bolinha de algodão. O Cabeludo revida simultanemaente com um esquerdo no queixo. Um a um.

O Careca continua avançando, e no recuo o Cabeludo acerta outro esquerdo (claramente, sua especialidade) na cara de seu antagonista. O Careca, este noob das lutas de rua, vai ao chão como um candelabro mal instalado. O Cabeluco monta em cima do oponente e acerta diversos socos, com auxílio da sonoplastia do cinegrafista. BOOM BOOM BOOM BOOM.

Aos 36 segundos perceba que o Cabeludo pensa em meter um bicudo daqueles que permite um gol chutado do meio de campo. Entretanto, ele se contem. O Careca, visivelmente tonto, ensaia uma recuperação, mas é recepcionado com o prato do dia: vários outros esquerdos. O Careca vai ao chão de novo.

Alguém espevita o Cabeludo pra continuar sentando o cacete, ao que este se recusa, dizendo que “não vai chuta-lo quando ele está caído” (seja chutar aqui usado em sentido literal, ou figurado — “kick him while he’s down” é também uma expressão idiomática que significa “detonar o cara quando ele já está na merda”).

O Careca se levanta, sangrando e derrotado. Cambaleia timidamente pra cima do Cabeludo, mas este não abusa da posição de superioridade bélica: com punhos em riste, aguarda um possível ataque do adversário em vez de sair demolindo ele de novo. E sobra a ele apenas sair com o rabinho entre as pernas, enquanto o Cabeludo fica com os espólios de uma batalha vencida (apertos de mão dos coleguinhas).

ESCALA CAPITÃO AMÉRICA DE JUSTIÇA: Dou 9/10. Teria sido um 10/10 perfeito se o Cabeludo tivesse sido antagonizado pelo Careca de forma completamente gratuita e covarde, mas pelo que vimos ele estava tirando satisfação de algo que o Careca teria supostamente falado, então ele aparentemente antagonizou o rapaz/desencadeou a briga, ou seja: foi quem de fato “chamou pro pau”. A Justiça é maior quando o sujeito é relutante em entrar na confusão.

Entretanto, por sua habilidade no combate, e principalmente, por exercer em DOIS momentos distintos a parcimônia e auto-controle que são critérios importantíssimos para a ECAJ, dou um 8/10 — e um ponto extra por ele ser visivelmente menor que o outro combatente, chegando aí ao 9/10.

Você concorda? Discorda? Se manifeste nos comentários.

Ao longo do vídeo eu fiz uma descoberta meio mórbida, e até repensei em falar sobre esse vídeo aqui. No final decidi que as pessoas são responsáveis pelas situações em que elas se colocam, então (na maioira esmagadoras das vezes), o que acontece com você é culpa das suas próprias decisões. O fato de que eu descrevo de forma cômica a situação em que você se meteu não vai mudar os fatos em nada, então estou inocente perante os olhos de Deus.

Como manda nossa constituição, este é mais um vídeo de briga de rua que começa a ser filmado após o conflito inicial que gerou animosidade entre os protagonistas, me fazendo desejar pelo dia em que algum maluco que anda por aí filmando coisas como seu trabalho full time (como eu) vai capturar uma briga acontecendo desde o começo.

Porém, como também é costumeiro nesses vídeos, mesmo sem compreendermos totalmente o contexto da confusão, o antagonista da situação se torna rapidamente claro. E no caso, o Jovem Muito Bêbado (JMB) que aparece à esquerda do frame se destaca como claro iniciador da treta. Logo no começo do vídeo, o JMB se declara um “lutador treinado em tae kwon do”, o que provavelmente é uma afirmação mais impressionante quando você pesa mais do que aparentes 50 quilos (e isso contando com a jaqueta).

O JMB continua provocando, e o cameraman continua filmando miseravelmente mal, aparentemente constrangido de apontar o celular explicitamente na direção da treta. Alguém sugere que o rapaz embriagado deveria ir pra casa, o JMB continua provocando o rapaz de preto. O rapaz de preto tem pelo menos 5cm a menos que o JMB, mas parece mais no controle de suas capacidades mentais e até um pouco mais musculoso — o que é um alerta de que a situação vai dar merda.

O JMB, que havia anunciado há pouco suas habilidades nas artes marciais, decide mostrar a todos o quão inverdadeira esta afirmação era. Ele ensaia o que eu acho que era pra ter sido um roundhouse kick, exceto que com imensas restrições de orçamento, coordenação motora e, como vemos na aterrissagem, dignidade pessoal. O rapaz de preto poderia facilmente ter emendado um bicudo no meio da cavidade ocular, mas exibiu parcimônia e permitiu a seu atacante que se recuperasse.

A briga muda pro outro lado do pátio e o cameraman pensa “porra, vai que esse otário cai de forma patética de novo e eu perco a cena? Foda-se, vou filmar mesmo”.

O JMB proclama que “tenho 3 anos a mais que você!”, o que na névoa etílica que circula em suas idéias deve ter feito algum sentido. O rapaz de preto, encorajado pela claríssima falta de habilidade de seu agressor, fica um pouco mais confiante e segue os ensinamentos de Jesus à risca, literalmente oferecendo a outra face. Após uma breve ginga dos dois, o rapaz de preto enfia um direito no maxilar do JMB. Ele retorna à luta após um instante de desorientação, mas é facilmente empurrado pra trás pelo cara de preto. Nesse momento a platéia satiriza sua suposta habilidade marcial, chamando-o de “mestre do karatê”.

Antes que o JMB pudesse se levantar por completo, o cara de preto enfia um soco, depois um segundo, e finalmente um terceiro enquanto o JMB mal caiu no chão ainda. Foi um impressionando combo, eu NUNCA vi alguém levar um soco, começar a cair, e levar OUTRO SOCO ainda na queda livre.

Desacordado, resta ao JMB uma pífia tentativa de resgate por seu amigo, o Hipster Descalço — que até tentou engafinhar-se com o rapaz de preto na defesa do amigo mas foi rápida e eficientemente dominado.

PORRA mano!

Independente de quão próximos vocês são, não acho que bater uma punhetinha com a mão do amigo desacordado devesse tomar precedência sobre técnicas mais ortodoxas de tratamento de emergência.

Agora vem a parte triste. Ao terminar de ver esse vídeo, descobri que o JMB era na realidade Justin McKinnon-Blomme, um garoto que desapareceu em Calgary há alguns meses e foi encontrado morto numa árvore (????) há algumas semanas. O garoto havia desaparecido em setembro após uma briga numa festinha (percebo um curioso padrão), sumiu por meses, e aí foi encontrado numa porra duma árvore. Fala-se sobre um possível suicídio com auxílio de um cinto, mas os detalhes são meio esparsos no momento.

Me senti mal por ter rido do moleque apanhando quando a essa altura o garoto está a sete palmos do nivel do mar (na realidade, considerando que Calgary fica a 1km do nível do mar, se você parar pra pensar o JMB está enterrado nos ares), mas, como falei no começo — a opção de ficar bebadaço em plena luz do dia em arrumar treta com quem estava quieto foi dele, não minha, então…

Escala Capitão América de Justiça: Terei que dar um 8.9. O rapaz entrou na cena provocando e foi o primeiro a iniciar agressão física; quando totalmente à mercê do rapaz de preto, não tomou a bicuda na cara que combatentes menos honrosos teriam certamente carimbado naquele momento, então isso tem mérito.

Por outro lado, o auto-controle falhou um pouco quando o rapaz de preto enfiou um soco no JMB já desativado e rumando em direção ao chão, então perdeu alguns pontos ali.

RIP JMB.

Ahhh, a Hora da Justiça. Como senti sua falta!

https://www.youtube.com/watch?v=q5ug1YLdIpQ

O vídeo dessa semana é igual um Bis™: curtinho, mas delicioso.

Como é característico nessas filmagens, pegamos o conflito no meio do caminho, sem contexto que explique o que iniciou a animosidade entre os particpantes. Vemos um garoto de preto discutindo com um de boné. O rapaz de boné pode ter tomado a iniciativa de tirar satisfação do garoto de preto, mas foi este último que escalou a situação metendo um tabefe na cara do adversário.

É a deixa para que seu aparente capanga, ali do lado, começasse a desferir pontapés contra o De Boné. Ele consegue conectar um chute, e um soco, mas isso é tudo que ele conseguirá fazer hoje.

Isso é porque veloz como um tornado, aparece em cena o protetor da paz local — um sujeito de camiseta azul que pode ser algum parente do garoto que apanhava. Se não houver laços familiares, devo concluir que o cara de azul se materializou na cena pelo simples desejo de manter a ordem e a justiça no local.

Com um expert chute no tornozelo do agressor, o rapaz de azul altera completamente o centro de gravidade do bully. Num momento que certamente foi percebido pelo agressor como se estivesse acontecendo em câmera lenta, as leis newtonianas exerceram sua influência sobre seu corpo, trazendo em um rude encontro com o asfalto.

Pra não perder o combo, o Justiceiro Urbano de Camiseta Azul (o seja, o JUCA) ainda desfere um potente soco contra a cachola craniana do valentão, adicionando que “aqui não, rapaz” e “quer pegar,  pega sozinho”.

Com berros do tipo que leões dão para confirmar sua autoridade sobre os outros animais da savana, o JUCA deixou claro que ninguém mais ia bater em ninguém ali.

Fig1: Um brigão oportunista executando uma aceleração de 10m/s^2 com direção ao centro magmático do nosso planeta. No lado direito, o momento exato em que o garoto de camisa preta percebe que entrou numa furada. Sua saída do vídeo ocorre por meios de teleporte, porque no outro frame ele já sumiu da região

A ordem foi estabelecida prontamente mediante à cirúrgica administração daquele chute e soco.

Escala Capitão América de Justiça: 9/10. O justiceiro anônimo chegou rápido, antes que a vítima pudesse ser mais agredida. Um chute potente desativou um dos agressores e fez com que o outro executasse um Hiraishin no Jutsu pra longe dali. A perda de um ponto se dá pelo soco quando o oponente estava caído, e vocês sabem que a agência reguladora que controla a ECA exige que o justiceiro exerça parcimônia em sua injeção de porrada para obter um 10/10 perfeito.

Admito que já esbocei opiniões bem contrárias à idéia do armamento civil como uma alternativa ao combate a criminalidade. Continuo achando que não é essa solução mágica que alguns proponentes do conceito parecem achar — até o melhor dos remédios ainda tem efeitos colaterais nocivos… –, mas sou obrigado a dar o braço a torcer que existe, sim, precedente pra acreditar que um “cidadão de bem” (odeio essa expressão) armado não é a pior idéia do mundo.

Em vez da imagem do sujeito gente boa que se renderia à tentação de fazer merda num momento impensado caso estivesse armado, admito que existiriam diversos outros casos em que a pessoa usaria sua arma de forma plenamente defensiva para proteger sua família.

E o motivo são vídeos como este.

https://www.youtube.com/watch?v=R2Kf4dQViDE

No vídeo, os moradores acompanhavam o chilique de um vizinho encrenqueiro. Sendo algo já corriqueiro no prédio, ou talvez tendo ouvido ameaças veladas no passado, dessa vez o cara resolveu montar a câmera apontada pra porta, tranca-la, e deixar a arma próxima.

O rapaz não tentou “dar jeito” na situação, pagar de valentão armado, coisa alguma — em vez disso, fez o possível pra registrar o acontecimento, armou-se (com o cuidado de seguir o “trigger discipline”, o dogma de que não se põe o dedo no gatilho a menos que se esteja no meio de um combate), e trancou a porta.

Só que ele certamente não esperava que a porta fosse feita de biscoito wafer e batata palha. Twain Noel Thomas, o agressor armado com uma pexeira imensa, passou pela porta feito o Jason — com bicudos intensos e decidos, o maluco esfarelou a porta em segundos.

Mostrando um auto-controle impressionante, o morador se limitou a alertar o invasor de que ele estava armado. Eu possivelmente já teria atirado ali mesmo, no susto/reflexo. Twain entrou no apartamento e partiu pra cima do morador armado, que sentou o dedo e disparou três vezes contra o vagabundo. Nossa Senhora, que embora rogue pelos pecadores desse aí não teve pena, guiou os projéteis pro meio do peito do Twain e a ameaça foi neutralizada à base de chumbo quente.

Enquanto o maluco agoniza no chão, o morador expressa claro arrependimento, berrando frustrado contra o invasor dizendo que “não queria ter que fazer isso“.

Twain Noel Thomas tá internado, prestes a ter que responder por duas acusações de tentativa de homicídio.

E eu fechei a aba pensando “se o maluco não tivesse uma arma, ele e sua esposa estariam mortos”. O próprio Twain admitiu, enquanto manchava o carpete da casa do vizinho com alguns litros de sangue arterial, que a sua intenção ali era assassinato.

É difícil manter impassivelmente a opinião de que o cidadão correto deve estar completamente desarmado vendo um vídeo como esse.

ESCALA CAPITÃO AMÉRICA DE JUSTIÇA: Nunca fiz isso aqui antes no site, mas terei que dar um 10 pra esse. O agressor não foi apenas neutralizado de forma comedida e ponderada, mas também viverá para encarar a justiça/pagar seu débito com a sociedade. Foi realmente o melhor resultado possível; só falta mesmo alguma alma caridosa substituir a porta de papelão molhado do casal.

Existe nos EUA uma “brincadeira” chamada “knockout game“, traduzido livremente como “jogo do nocaute”. A parada consiste em correr pra cima de um estranho e simplesmente meter-lhe um soco na cara, almejando justamente derrubar o indivíduo.

Então. No vídeo abaixo vemos um dos jogadores desta saudável (e de forma nenhuma criminosa) atividade. Acompanhe o VT:

Perceba que a parada consiste em dois indivíduos: o que esmurra a garota, e o que filma a parada pra posteridade. Este último, um completo incompetente em inúmeras esferas incluindo cinematografia, sequer consegue capturar o momento da porrada.

Mas ele grava o momento em que seu coleguinha errou o soco e acabou no chão, sendo atacado por sua vítima.

Até aí ok, o sujeito tentou atacar alguém, fracassou, e se vê tomando porrada do seu alvo. O que acontece em seguir é que coloca esse vídeo nos anais da Hora da Justiça.

Um bom samaritano corre ao resgate/vingança e enfia a ponta do sapato na boca do vagabundo provocando um ruído que deixa claro que o maluco carregará sequelas da parada pra sempre. A turma do deixa disso se materializa no local, conforme manda o roteiro dessas situações, e separa os brigões. O agressor inicial, que perdeu um pouco de sangue, dentes e moral nas quebradas, continua caído e certamente se arrependendo de ter inventado de bater em alguém, na covardia, assim de graça.

Escala Capitão América de Justiça: 8 de 10. Dar um chute num sujeito caído no chão não é lá muito honorável, mas de acordo com relatos que li, tratava-se do namorado da vítima. Se alguém encostasse na minha esposa desse jeito e o universo me presenteasse com a chance de dar um bicudo na cara do sujeito, eu daria um igual sem qualquer remorso.

[ UPDATE ] Pesquisei a parada e na real não foi um “knockout game”.

pizza

Caras, eu nem ia atualizar o HBD hoje, e com bom motivo: estou cansado pra caralho. Fui nadar com total indisposição — pra provar pra mim mesmo que consigo me ater ao compromisso de me exercitar mesmo quando não estou super com vontade –, e no final de miseráveis 30 minutos eu estava acabadíssimo.

Não me arrependo. Enfim.

Passeando pela internet eu encontrei o vídeo abaixo, e aí eu pensei “foda-se que são 10:30 da noite e como se não fosse o bastante o fato de que eu estou caindo de tanto cansaço ainda tenho que acordar às 5:30 amanhã pra um plantão. Preciso mostrar isso pra galera do HBD“.

Vamos acompanhar juntos.

A cena se passa numa lanchonete qualquer, no que parece ser um clima de fim de balada. Cambada de playboyzinho levemente (ou não tão levemente) embriagados e testando os limites uns dos outros. Já vi esse filme.

Geralmente quando narro essas cenas eu pego um detalhe da indumentária dos protagonistas e uso isso como nome do personagem. Nesse caso ambos estão de camisa preta e boné, o que desafia minha capacidade de dar apelidinhos pras pessoas, mas eu gosto de desafios. O sujeito com a pizza eu chamarei criativamente de O Da Pizza. O rapaz agredido será o Justiceiro.

O Da Pizza começa a cena mandando um semi-riso pra câmera do colega, o que deixa claro que o que estávamos prestes a ver foi totalmente premeditado. Talvez por algum atrito anterior a filmagem, O Da Pizza elaborou o plano de humilhar o Justiceiro.

O Da Pizza se aproxima do Justiceiro, desarmando-o com a aparente cordialidade de um aperto de mão. Com a guarda baixa, o Justiceiro nada consegue fazer para defender-se do tapa. Um tapa perfumado de orégano, sim, mas um ataque à sua hombridade de qualquer forma.

O Da Pizza recua satisfeitíssimo consigo mesmo, certamente pensando “tomara que meu broder tenha enquadrado legal o vídeo, vai ficar IRADO no YouTube“. O Justiceiro começa imediatamente a maquinar sua vingança, embora ele mal apareça no frame da gravação, você o vê preparando o contra-ataque — ele dá o casaco pra um amigo e aparentemente tenta convencer uma garota a o deixa-lo livre.

A garota, certamente portadora de carteirinha do clube dos Deixa Disso, tenta criar uma barreira entre O Da Pizza e o Justiceiro. O Justiceiro perde a paciência, empurra a menina pro lado e desce o punho na cara d’O Da Pizza.

É um soco voraz, que faz jus ao nome do socador, perfeitamente capturado pelo microfone do celular do amiguinho. O vídeo continua e vemos que o soco tirou sangue d’O Da Pizza, que quando recuperar suas capacidades mentais irá adicionar ao seu caderininho mental a importante dica de jamais dar tapas em estranhos, seja com fatias de pizza de calabresa ou nao.

8.5 pontos na Escala Capitão América de Justiça. Perde pontos porque saiu correndo em seguida como se tivesse feito algo errado/estivesse com medo da represália.

Acredito que aqui n’A HORA DA JUSTIÇA faço o importante serviço público de alertar aos amigos que altercações físicas no meio da rua não valem a pena. Sim, eu passei a vida toda crendo isso porque sou um nerd fracote sem habilidades marciais, mas esta máxima vale para pessoas de todos os tamanhos e constituições físicas. O vídeo de hoje se destaca porque ele é basicamente COMENTÁRIOS DO DIRETOR da porrada.

Vamos lá.

Como o narrador explica, ele estava sendo seguido por outro indivíduo — certamente pra tirar satisfação de alguma barbeiragem mínima de trânsito. Eu queria muito ter o tipo de tempo livre que me permitisse abandonar meu plano para o dia pra perseguir alguém deus sabe até onde só porque ele entrou na minha frente sem ligar o pisca-alerta, mas infelizmente sou um membro produtivo da sociedade sem impulsos psicóticos.

Repare que ele inclusive para numa vaga pra deficientes físicos, sendo que até então ele ainda não o era. Depois desse vídeo, não tenho muita certeza.

O valentão vai pra cima do narrador com tudo, e o dá um empurrão. O narrador, que é definitivamente o tipo de pessoa que você não deveria empurrar, desfere dois poderosíssimos socos em sua mandíbula. Na do valentão, não na sua própria. Eu estou pensando que foram 2 socos, a habilidade com a qual o rapaz lidou com seu agressor, é possível que ele tivesse despachado uns dezoito socos ali, e o framerate da câmera simplesmente não foi bom o bastante pra capturar todos os movimentos.

O valentão imediatamente é lembrado do efeito da gravidade no momento em que seu cérebro se desliga e suas pernas não mais o mantém longe do chão. Ele caiu quase embaixo da própria caminhonete, inclusive. O cara ainda planeja desferir um chute, mas parece perceber que não era mais preciso e então se freia um pouco (a ponta de seu sapato ainda triscou um pouco no bucho do agressor, no entanto).

Este justiceiro urbano anônimo aponta na sua direção, dizendo provavelmente algo como “eu bem que avisei pra você não me empurrar, ein! E fique aí mesmo!”

Nesse momento os amigos do agressor, que não pareciam estar muito engajados em impedir a briga antes (afinal de contas, eles deixaram o amigo perseguir o desconhecido, e o deixaram descer da caminhonete pra confronta-lo) correm em seu socorro. A garota vista no vídeo questiona porque o rapaz fez isso com o amigo dela, ao que ele responde “ué, ele que veio querendo briga tia”. Fica a pergunta de por que os amigos não tentaram impedir o acontecido ANTES do amigo tomar uma violenta sova. Sem dúvidas, assim como o dorminhoco, eles esperavam um resultado diferente.

E é por isso que não vale a pena comprar brigas na rua.

Escala Capitão América de Justiça: 8.9 de 10. Socos bem entregues, bem contextualizados, KO imediato, tudo com direito a narração do diretor.

Estou de volta, amigos! Meu apê novo ainda está uma bagunça satânica, e demorou um bocado pra instalarem a internet nesta porra (quem mandou se mudar durante um feriado prolongado…), mas aqui estou!

Vamos assistir mais um sensacional exemplo de por que não se deve puxar brigas com desconhecidos. Solta o VT:

Estamos dentro de um transporte coletivo, onde um Gordinho de Camisa Cinza solta impropérios e provocações pra ninguém em específico. A putaria devia estar rolando já algum tempo, como é sempre o caso desse tipo de vídeo. Quando alguém finalmente pensa “melhor puxar o celular e filmar isso” é porque a energia no local indicava uma confusão iminente.

Eis que de repente levanta-se um marmanjo de aparente 2 metros de altura, construído exclusivamente por músculos. Os olhos dele são feitos de músculos, as veias dele são feitas de músculos, os músculos dele são feitos de músculos. Neste exato instante sabemos que o gordinho se fodeu muito bem fodido.

O gordinho tenta sorrateiramente evadir-se da área, mas é tarde demais: o sósia do Terry Crews está em modo teleguiado. Como num desenho animado, o grandão pega o gordo pela gola da camisa e vai levando-o pra longe do ônibus. Reparei pela primeira vez que o fortão tá com um livro nas mãos, o que simultaneamente desafia estereotipos E serve como um barômetro das suas habilidades marciais.

O fortão leva o gordinho para um ponto suficientemente longe do coletivo, e então o larga e se vira pra ir embora. O gordo, como é costumeiro de alguém prestes a ter a bunda chutada, não entende que está comprando uma briga que ele vai inevitavelmente perder.

Com o gordinho berrando xingamentos em sua face, o fortão dá-lhe um tapinha de leve, sem sequer soltar o livro — uma pequena amostra grátis do tipo de total e completa aniquilação prestes a cair sobre o gordim.

O gordinho continua berrando na cara do fortão, testando sua paciência. O fortão lhe dá mais um safanão, novamente exercendo considerável auto-controle (e nunca largando do livro). O gordo vai parar no chão, indignamente, como uma tartaruga que caiu de costas e tem dificuldade de se levantar.

O fortão se vira pra sair, novamente. O gordo, agora trajando uma camisa rasgada que fatalmente virará pano de chão, continua insistindo nessa briga onde ele só tem a perder (a dignidade, o equilíbrio, dentes, suas roupas, entre outros).

O gordo insiste, leva uma cuspida na cara, e estoura a briga. Em sua recuada, o gordo acaba tendo seu traseiro literal e norte-americanamente chutado.

E o grandão vai embora com o livro na mão.

8.9 pontos na Escala Capitão América de Justiça. Ele poderia ter DESTRUÍDO do gordinho se quisesse, mas aplicou apenas a quantidade de justiça necessária.

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