Aí eu fui na boate

Então, outro dia aí eu conheci uma turminha nova. Foi totalmente por acidente — tava numa loja com minha respectiva senhora, ela achou a menina do caixa bonita, e começou a conversar com ela e com a colega de trabalho dela (que não é bonita mas fazer o que).

Em seguida minha muié descaradamente pediu o facebook das garotas e de repente, não mais que de repente, uma amizade brotou. Pra você ter uma noção do tipo de gente que essas meninas são, uma delas tem “Nerdy” tatuado no pulso, e a outra, o símbolo do Batman. Sabíamos imediatamente que havíamos encontrado a nossa turma.

Avance uma semana.

Uma das meninas nos convidou a ir a uma boate/nightclub/balada/seja lá como você intitule isso. A festa da noite teria como tema “Junglesex”, o que significa que a iluminação da boate será composta inteiramente de luz negra, e haverá a disposição da galera tinta fluorescente com a qual a molecada poderá se pintar.

Tipo assim, ó

Como vocês devem saber, eu trabaio das 3 da tarde até 11 da noite (e eu trabalho nos fins de semana), o que não impossibilida essas baladas, mas complica um pouco. Eu acabo sempre chegando nas festinhas bem mais tarde, e consequentemente ficando menos tempo lá — sem contar que como eu chego lá após ter trabalhado oito horas, o cansaço impede que você se divirta plenamente.

No final das contas, a saída acaba sendo um pouco inútil. Mas, fazia um tempo que eu não ia num negócio desses, e as novas amizades tornavam a idéia mais interessante. Lá vou eu pra boate, cansado e com fome depois do trabalho.

Tirei essa foto quando estava na fila (quilométrica). E eu vou te dizer, essa imagem é mais eficaz pra mim do que aquelas fotografias assustadoras que o lobby anti-tabagista obriga os fabricantes de cigarros a por nos maços.

É o seguinte. As casas noturnas aqui geralmente tem esse curralzinho (que parece um campo de concentração) que é pros fumantes poderem sair e dar seus traguinhos. Obviamente, a área é cercada pra que espertinhos não tentem se misturar com os futuros pacientes de câncer e entrar na boate sem pagar.

Acontece que você só pode retirar seus casacos do porta-volumes (“coat check“) quando está indo embora — senão precisa pagar de novo quando devolve-lo ao coat check.

Então, os fumantes se resignam a sair pra essa área designada sem casaco. Permita-me mencionar que, nessa época do ano, a temperatura durante a noite flutua entre -15 e -20 graus Celsius.

Agora imagina aquelas garotas de microssaia e shortinho penetrando no útero, que são a indumentária mais comum nesse tipo de evento. Sério, não sei como diabos alguém consegue aguentar isso.

Então. Chegamos no Back Alley às 11:40 mais ou menos. Haviam duas filas, ambas igualmente longas, então nos resignamos àquela mais próxima do carro. O clube estava “at capacity“, gíria nightclubística que significa “se a gente enfiar mais pessoas neste estabelecimento, mulheres engravidarão por osmose”.

Ou seja: isso significa àquele ponto, eles só poderiam admitir pessoas no clube à medida que os foliões fossem saindo.

“Fodeu”, pensei. “Vamos congelar aqui por uma hora”. Mas beleza, já estávamos lá mesmo, o negócio é esperar.

Quarenta minutos mais tarde, ainda estávamos lá fora. Meus dedos dos pés doíam de forma que eu me preocupava com frostbite. Caso você não saiba ler inglês: frostbite é o fenômeno de destruição celular que acontece quando o frio extremo causa suas artérias a se contrairem e enviarem pouco sangue às suas extremidades.

E a propósito, eu não tou citando isso aqui como hipérbole humorística. A dor era tão intensa que eu realmente tinha medo da possibilidade de frostbite. Pensei em sacar o celular pra googlear o fenômeno, na esperança de decidir se aquela temperatura e aquele tempo de exposição me colocavam em risco real, mas não queria tirar as mãos dos bolsos.

Demorou mais de uma hora, mas finalmente entramos. Óculos congelando + mormaço foda dentro da boate = o vidro dos óculos condensou-se todo imediatamente. Paguei o coat check completamente cego.

Lotado

Encontramos nossos novos amigos rapidinho. Lá estava a T, a menina com “Nerdy” tatuado no pulso, e o E, o amigo/ficante dela com 2 metros de altura, boa parte destes compostos por músculos peitorais. O maluco era GIGANTE e a cara dele era a clássica “não vim aqui pra fazer amigos”.

E de fato, ele incitou brigas diversas vezes quando alguém um pouco mais alcolizado esbarrava nele. Testemunhei (mais de uma vez) o maluco virando pra trás após um desses súbitos contatos não autorizados, pegando o infrator pela gola da camisa e literalmente pondo o dedo na cara do sujeito, enquanto o outro rapaz se desculpava profusamente.

Não sou muito chegado nessas demonstrações desnecessariamente testosterônicas de força e macho-alfismo, mas por outro lado, como um nerd baixinho e gordo, imagino o quão sensacional deve ser ter a capacidade de moer alguém com os próprios punhos.

Outra coisa interessante do lugar — que eu não conhecia por não frequenta-lo muito — é que lá no Back Alley eles poem um bateria (e bote baterista nisso, o cara esmerilha com fúria divina) bem do lado da cabine do DJ, e o batera acompanha os tuntz tuntz saindo do MacBook do cara com porradas fodas. Pra mim, alguém que não gosta muuuuuito de dance music, as cacetadas do batera tornavam as canções muito mais sensacionais.

Pra você que talvez não compreenda esse matrimônio profano da musica de baladinha com cacetadas baterístiscas, target=”_blank”>observe este vídeo. Ou este aqui, que é ainda mais target=”_blank”>cacetada. Era essencialmente isso, o que imediatamente tornou o Back Alley meu novo nightclub favorito.

Outro negócio digno de nota é que tinha um rapazinho lá usando um traje cujo nome em português eu nem sei, mas era essencialmente… bem, eu saquei o celular e filmei pra vocês.

[youtube]

O sujeito dançava feito uma maria mole dentro de um liquidificador, o que eu julguei engraçado o bastante pra filmar. Cortei a filmagem porque uma garota caiu do meu lado, e tentou se segurar na corrente da minha calça, que acabou arrebentando. Desliguei o celular pra ver o que diabos estava acontecendo.

No vídeo dá pra sacar o lance da bateria com os tuntz tunts. Bacana, né? Eu me amarro.

Bom, acho que este post não tem exatamente um final. Vou tomar banho.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

40 comments

  1. Huahua, legal o post!

    Pow Kid, vc podia repostar aquela história do dia que vc tava na casa da patroa, e a mãe dela chegou mais cedo e tal…tava caçando ela e não achei

    Abraço !

  2. “tava numa loja com minha respectiva senhora, ela *achou a menina do caixa bonita*, e começou a conversar com ela (…)”

    Belo critério…

  3. sim, as pessoas não imaginam que música eletrônica (eu sei, meio vulgar desse jeito que usei XD) não é TÃO eletronica assim XD existem baterias… imaginava até um cara com uma estaca gigante socando terra e pedra lol

  4. Caraca, quando li ali a parada sobre a mistura de bateria com sons de balada, imaginei de primeira o baterista do blink, Travis Barker. Coincidentemente eram deles os vídeos. Aliás, ele tá pra lançar um cd só com músicas assim.

  5. Muito legal, Kid! Assim tu mostra que não é um nerd completo 🙂 Mas escuta, como tu lida com o fato ir numa balada lotadíssima + ir com a patroa pra cuidar?

  6. “tava numa loja com minha respectiva senhora, ela *achou a menina do caixa bonita*, e começou a conversar com ela (…)”

    **swing detected**

  7. Kid, eu tenho uma explicação sobre como as meninas que ‘quase’ não cobrem o corpo.
    Elas são simplesmente a evolução do Homo sapiens, que as permite ficar expostas a baixíssimas temperaturas sem sofrer nenhum dano imediato. Pegue por exemplo as prostitutas elas não sentem frio, bem como essas mulheres.

  8. Suck my cock, suck my não sei o que… pqp e eu achei que vou pro baile procurar o meu negão era música do diabo.

    Ao menos aqui nem fuck chega ao ponto do refrão ser chupa meu pau

  9. Isso de misturar instrumentos com musica eletronica já existe ah algum tempo, o dj Skazi tocava guitarra e cantava durante os lives dele, o grupo Infected mushroom tmb era quase uma banda de musica eletronica c/ baterista, vocalista, guitarrista e etc;laidback luke que tinha uma mulher que fazia o vocal das musicas mas era em rave em boate eu nuca vi. Deve ser interessante.

  10. Fiquei curioso em saber como é ai em relação a voltar pra casa depois da balada
    Se ai vc pode ser multado até por andar bebado na rua, imagino que as leis em relação a dirigir embriagado deva ser punk. Igual quando começou a “lei seca” aqui no BR que tinha blitz em todo canto, muito neguinho deixou de sair ou ficava sem beber, ou arrumava alguem que não bebe pra ser o motorista, depois relaxou e agora é só voltar por outros caminhos, mas o pessoal sempre sai breaco das baladas, e ai? comofas? Sempre usam taxi?

  11. Izzy, o mundo é cheio de monstros. Como a gente não pode dar fim em todos eles, o que a gente pode fazer é virar um. Rumo à academia!!

  12. Frostbite é um perigo msm! Já tive quando tava esquiando em whistler, e a luva da mão direita rasgou no começo da descida. Tive que ir até o final (mais de 40 mins)com uma puta duma nevasca histórica e um frio de -14 graus, com a mão exposta… quando voltei à estalagem não tava mais sentindo minha mão, fiquei com mt medo de ter que amputar! Fiquei mais uma semana sem sentir o polegar, depois foi melhorando aos poucos…

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *