[ Além do Vídeo ] Preso por causa de um relógio?!

A essa altura tu já tá a par da situação da situação: Ahmed Mohamed, de 14 anos, foi preso no Texas por causa de um “relógio caseiro” que ele montou em casa.

(Repare que a matéria diz que o garoto “criou” um relógio — porque essa era a narrativa, de acordo com o garoto e os propagadores da história. Neste vídeo ele se refere ao relógio como sua “invenção”. Ou seja, a narrativa é “Um genial Tony Stark infantil — sim, o chamaram de gênio, não é hipérbole minha — sendo punido, em vez de celebrado, pura e exclusivamente por sua etnia”. Lembre-se dessa alegação de invenção, será relevante mais tarde.)

Eis o meu vídeo a respeito.

E esse vídeo foi mais mal interpretado do que de costume, a julgar pelo tipo de coisa que eu li no Twitter como resultado. Tive um feedback muito positivo, mas algumas pessoas perderam tão imensamente o ponto que eu tentei passar que achei que seria uma boa oportunidade de tirar a poeira do Além do Vídeo, e usá-lo pra responder alguns argumentos sobre a história.

Primeiro, e talvez o mais importante argumento, é apontar que a polícia não evacuou a escola, ou chamou o esquadrão anti-bombas. O ponto, presumivelmente, é que a polícia “sabia que não era uma bomba, estavam só querendo sacanear o rapaz!”

E veja bem: eu não chamaria de burro alguém que chega a essa conclusão. É uma conclusão burra, sim — mas é simplesmente o resultado de analisar uma situação sem ter conhecimento de alguns detalhes. Qualquer pessoa inteligente está sujeita a isso. Eu posso dizer que uma conclusão (ou seja, uma idéia) é burra, sem dizer que o seu autor é burro. Ok?

De fato, a polícia sabia, assim que deu uma olhada rápida no dispositivo, que não era uma bomba. Sabemos disso porque o chefe de polícia da cidade falou de forma explícita e clara. Por que então prender o garoto se eles já sabiam que não era uma bomba?

O motivo é simples.

No Estado do Texas, uma “hoax bomb” (definido como “qualquer objeto que pareça com uma bomba” na legislação) é um crime. E sabe o que “parece uma bomba” pros americanos?

Literalmente qualquer coisa. Pesquise “suspicious package” no Google e você achará, só nesse ano, centenas de incidentes em que alguém deixou uma caixa, ou uma mala, ou um pacote, ou qualquer coisa que a primeira vista um brasileiro como eu e você nem SONHARIA que poderia se tratar de uma bomba — mas que foi interpretado pelas autoridades como uma bomba.

"Alguém deixou cair um sorvete no chão, ou esses TERRORISTAS estão cada vez melhores em disfarçar suas bombas?! Melhor não arriscar, traz o robô!" -- método das autoridades americanas de determinar o risco de um objeto

“Alguém deixou cair um sorvete no chão, ou esses TERRORISTAS estão cada vez melhores em disfarçar suas bombas?! Melhor não arriscar, traz o robô!” — método das autoridades americanas de determinar o risco de um objeto

As intenções da pessoa portando um objeto que “pareça com uma bomba”, de acordo com a lei texana, não é um fator. Tá andando com uma porra dessa, você tá automaticamente cometendo um crime. E faz sentido — se alguém tava andando com um troço desse por aí pra soltar em algum lugar e incitar pânico, e o negócio é descoberto pela polícia antes, OBVIAMENTE 10 entre 10 acusados diriam que não tinham nenhuma intenção nefasta, que é só um mal entendido, etc. Melhor isso do que ir passar férias em Guantanamo.

Bater o pé no chão e argumentar que o relógio do Ahmed “não parecia uma bomba” (como vi TANTOS fazendo) é de uma futilidade incrível, não pelo motivo óbvio de que você nunca viu uma bomba na sua vida e não tem o menor treinamento pra fazer essa distinção vendo uma única foto na internet, mas porque a aparência da parada não importa. Aqui na América do Norte, costumam chamam o esquadrão anti-bombas quando alguém acidentalmente esquece uma porra de uma mochila numa parada de ônibus. Eu cito esse exemplo em particular porque aconteceu aqui em Calgary, perto do meu trabalho.

Aliás, o search “suspicious package Calgary” demonstra que os canadenses pegaram um pouco da paranoia americana.

Mas voltando ao assunto: uma mochila por acaso parece MAIS com uma bomba do que o relógio do Ahmed?

Não.

Não. Porque a aparência não importa. O modus operandi é suspeitar de qualquer coisa

Então, a próxima pergunta é: por que então prenderam o garoto? Eu já expliquei: Porque ter algo parecido com uma bomba é um crime por si só, porque quando algo assim é encontrado a suspeita é que o dono da parada intencione usar o dispositivo pra causar algum tipo de alarme — ou seja, ia deixar por aí como uma hoax bomb.

É uma suspeita razoável? Como argumentei no meu vídeo, não: é fruto de paranóia. Mas esse nível de alarme definitivamente não é fora do usual pra América depois do 11 de Setembro. E numa nação em hipervigilância, um aparelho que pode ser razoavelmente confundido com uma bomba, MESMO QUE NÃO SEJA, é algo que levantará sobrancelhas.

E esse é o xis da questão no que diz respeito à detenção, a despeito dos policiais verificarem rapidamente que o aparelho não era uma bomba. É por isso que não evacuaram a escola. A questão não era CORRAM PODE SER UMA BOMBA; era “…peraí, por que esse moleque trouxe, do nada, pra uma ESCOLA, um negócio que é basicamente o que fomos treinados por Hollywood a reconhecer como uma bomba…?

Eu não grifei o “escola” por nada. O ambiente escolar americano vem sofrendo o clima de tolerância zero até antes dos ataques do Onze de Setembro. O infame ímpeto americano de processar por tudo e qualquer coisa, somado ao terror que é a idéia de um garoto chegar armado na escola e fuzilar os amiguinhos, fez com que mesmo as maiores bobagens fossem tratadas pela administração da escola como coisa gravíssima. E vou citar alguns exemplos:

Em 2012, uma garota de 12 foi presa por BORRIFAR PERFUME EM SI MESMA. A garota é branca, caso você esteja se perguntando sem motivo algum — o cerne da questão aqui, já falei e repito, é a paranóia fora de controle e o clima de tolerância zero, e não ficar especulando a quantidade de melanina dos envolvidos.

No Novo México, onde o meth azul transborda — pertinho do Texas, aliás –, um garoto de 13 anos foi preso por arrotar na sala. O garoto nunca foi identificado, então não posso afirmar com certeza que ele é branco, mas eu seria capaz de apostar que sim, sabe por que? Porque se não fosse você teria visto a matéria ALUNO NEGRO/HISPÂNICO/ÁRABE PRESO APENAS POR ARROTAR NA SALA!!!!! linkada nos 5 textões sobre o assunto que você teria lido no Facebook.

Esta garota teve seu braço quebrado por um segurança porque deixou restos de bolo no chão.

Essa aí, de 12 anos, foi presa por rabiscar a carteira.

Essa garota trouxe acidentalmente uma faca pra escola (confundiu a lancheira com a do pai, que carrega uma faquinha dessas de cortar fatias de maçã). Foi presa. Branca.

Essa aí pelo menos trouxe uma faca de metal. Teve um moleque de 11 anos que foi preso por estar “portando” uma faquinha de plásticos, dessas de passar manteiga no pãozinho que te dão no avião.

Ahmed foi apenas algemado, uma sorte que essa garota da mesma idade que tomou um taser na VIRILHA não teve.

Teve aquela vez que prenderam um moleque de 5 anos. Eu repito: CINCO ANOS. E o motivo? Teria agredido um policial na escola. Prenderam um garoto de CINCO ANOS por isso.

Teve este rapaz (cujo corte de cabelo lembra o Justin Bieber no começo da fama) que foi preso, e suspenso, por escrever uma redação sobre matar o dinossauro de estimação do vizinho. A redação continha a palavra ARMA. Foi o suficiente pra ir pra delegacia algemado. Não é muçulmano, não tem pele escura e não se chama Mohamed, então é por isso que você nunca tinha ouvido falar dessa história.

Uma vez na Flórida duas crianças se beijaram e a polícia foi acionada por suspeita de “abuso sexual”. As duas crianças tinham a mesma idade: 7 anos.

Teve aquela ocasião em que um moleque foi preso porque, durante uma brincadeira de pega-pega, esbarrou a mão na coxa da amiguinha. O garoto tinha 6 anos de idade.

Este aqui não é especificamente na escola, mas dá uma boa idéia da paranóia americana no geral — uma mulher (branca, americana nativa) recebeu uma visita do FBI após procurar “PANELA DE PRESSÃO” no Google. Por que? Por causa do atentado na maratona de Boston, em que os irmãos Tsarnaev esconderam bombas caseiras fabricadas com panelas de pressão dentro de mochilas.

Mas “mochila não parece bomba”, então deve ser plenamente inofensivo, né?

Eu podia citar mais exemplos mas estou com preguiça de continuar googleando. Faça você o resto da pesquisa, “child arrested school”. Se tiver preguiça de ler, “kids arrested at school” no YouTube rende vários resultados também.

Agora eu te pergunto: tendo em consideração todo esse contexto que eu acabei de explicar, você realmente que o fator definitivo da prisão do Ahmed é seu nome/etnia/religião? Nos EUA prendem crianças de 11 anos por portar uma faquinha de plástico.

Que não é crime. Andar por aí com algo que pareça uma bomba, por outro lado, é crime.

Então. Agora que você sabe as maluquices sem sentido que causaram prisões de crianças em escolas nos EUA, é razoável dizer que qualquer criança andando pela escola com isso aqui…

O troço ainda começou a apitar no meio de uma aula.

…sofreria uma punição?

E que a REAL culpa disso é a política de tolerância zero nas escolas americanas?

Um detalhe relevante na situação é que o garoto não tinha sequer um bom motivo pra ter trazido aquele negócio pra escola, o que aumenta a suspeita de algum tipo de mequetrefezagem. Sabe porque essa distinção (“haver um bom motivo pra trazer o troço pra escola”) é importante?

Porque sites inescrupulosos como o horrível Gawker ignoram (ou fingem deliberadamente que a distinção não existe), quando publica uma matéria como “7 crianças que não se chamavam Mohamed que não foram presas por trazer relógios pra escola“.

Uma olhada rápida nos casos citados revela a tal distinção que é inconveniente para a narrativa e que impossibilita a comparação — todos os sete casos citados envolviam um projeto de aula, ou feira de ciências.

Ou seja: a invenção da criança era algo esperado pelos professores — não apenas esperado, era parte de uma atividade que valia nota. O que os paranóicos mais detestam é imprevisibilidade, quando algo inesperado acontece. Um garoto trazer pra feira de ciências dois copinhos cheio de água com um buraco e marcações pra contar a passagem do tempo não é a mesma coisa que um moleque aparecer na escola (sem motivo algum) com um dispositivo que é basicamente o que Hollywood nos convenceu que é a aparência de uma bomba.

E sim, minha menção de copinhos com água não é hipérbole: dois dos relógios citados na matéria do Gawker eram nada senão clepsidras, algo que consegue ser mais tecnologiamente rudimentar que duas latinhas e um barbante — tem, afinal, um componente a menos.

E assim, retornamos ao ponto central do meu vídeo.

Meta uma coisa na sua cabeça: Ahmed não foi preso porque era muçulmano, ele foi preso porque o garoto trouxe pra uma escola NOS ESTADOS UNIDOS algo que poderia ter sido facilmente confundido com uma bomba.

Não era, felizmente, mas andar por aí com algo que pode ser confundido com uma bomba é crime no Texas de qualquer jeito. E é por isso que os policiais o levaram pra delegacia pra tentar estabelecer se o garoto tinha de fato intenções inofensivas, ou se talvez estava planejando alguma brincadeira de mau gosto.

Repare nos comentários do Gawker. Você vê que a discussão está completamente centrada na guerra racial entre ocidentais e muçulmanos, com todo mundo se espevitando uns contra os outros, direcionando a raiva pra todas as direções exceto na joselitice paranóica das autoridades americanas…?

Se isso assemelha-se muito com a tática de dividir para conquistar, talvez não seja é coincidência. Pode não haver uma cabala governamental secreta orquestrando esse tipo de evento pra nos manter apontando as armas ideológicas uns pros outros e não contra os líderes — e eu duvido muitíssimo que exista –, mas o resultado é o mesmo. A paranóia das autoridades americanas acaba não sendo vista pelo consenso popular como a causa do problema.

E é por causa disso que essa porra vai continuar acontecendo. Observar a histeria generalizada gerada por esse caso é como ver uma casa com uma goteira no teto, com seus os moradores da casa eternamente discutindo se a goteira é mais ativa quando o João está embaixo dela, ou se é quando a Maria está embaixo dela. João e Maria discutem fervorosamente o assunto, citam estatísticas de quem está se molhando com mais frequência, chamam amigos pra reforçar seus pontos de vista, escrevem editoriais sobre qual deles é mais provável de estar sendo mais acertado pela goteira… e enquanto isso o buraco no teto continua lá.

Como gosto de argumentar com fatos, então deixo de fora pontos levantados por outros internautas: o fato de que o pai do garoto, Mohamed Elhassan Mohamed, é coincidentemente um ativista contra islamafobia com aspirações políticas (ó um debate com ele aí), ou também a parte mal explicada de que o relógio teria tocado na sala — ele precisaria estar plugado na tomada pra isso acontecer, e é de se questionar por que o garoto resolveu pluga-lo na tomada durante a aula quando a professora a quem ele mostrou o aparelho já tinha recomendado que não era boa idéia brincar com esse negócio na escola.

Como esses detalhes entram no campo especulativo, e não lido com especulações, resolvi não basear meu argumento nelas.

E pra finalizar: apesar de se referir ao relógio como sua invenção em diversas entrevistas, Ahmed não “inventou” coisa alguma, ele desmontou um relógio e remontou dentro de uma maletinha. Teria literalmente dado mais trabalho reproduzir sua “invenção” usando lego.

Não entendo qual é exatamente o grande skill necessário pra tirar a carcaça de um eletrônico simples como um relógio e coloca-lo em outra de forma mais precária, mas nem esse mérito todo de pequeno Tony Stark ele tem. Se eu removo a carcaça do meu notebook e coloco os componentes dentro de uma caixa de sapatos, eu não “criei” um computador.

A história fica menos interessante quando esse detalhe é revelado, né? Talvez um pouco broxante até. De repente você até se sente meio… enganado.

Por que será que os meios de comunicação aumentaram os feitos e a proficiência do moleque…? Seria talvez pra reforçar a narrativa de beatificação do moleque…? Certamente serviu os propósitos do pai ativista, né…? Novamente, entramos no campo da especulação. Mas é difícil ignorar esse detalhe.

Meu ponto final nesse caso é o seguinte: quando todo o contexto aponta que raça/orientação sexual/ideologia/religião/gênero teriam sido irrelevante no saldo geral da situação (se você ainda insiste que um garoto branco NÃO teria sido interrogado se estivesse mesma situação, você deve ter pulado uma parte imensa do meu texto), ignore raça/orientação sexual/ideologia/religião/gênero.

Não brigue contra a Maria, não brigue contra o João.

Conserte a goteira. Ela é o real problema.

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comments

17 comments

    1. Acredito que o “mo” vem do inglês “islam” ou “islamic”. Então, islam + phobia = islamophobia, uma vez que não seria cabível grafar simplesmente “islamphobia”, sem a letra “o”.

  1. Vi seu vídeo dias atrás, concordei com ele e concordo com boa parte desse texto agora. Mas algumas coisas ainda não encaixaram muito bem pra mim. Foi confirmado que ele mostrou o relógio para um professor, como foi dito antes?

    Pq se for verdade, a suspeita de que ele fez sim uma bomba falsa pra fazer uma pegadinha na escola não faz sentido algum. Se ele realmente fez com esse intuito, pq então ele mostrou o tal estojo para um professor? Só faria sentido em duas situações. Ou era realmente um projeto que ele levou na melhor das intenções, ou ele queria ser pego pra causar essa celeuma.

    Se ele queria ser pego, pq ele só mostrou para apenas um professor? Pq não mostrou para muitas pessoas, causando pânico e assim ter mais chances de acontecer a confusão? Pq ele guardaria o estojo no armário se o objetivo dele era justamente ser pego?

    Se fosse realmente um projeto dele, não seria possível que o motivo do garoto não ter feito o tal relógio, só desmontado e remontado, fosse por desleixo ou preguiça ou Lei de Gérson, como muitas vezes vemos nós mesmos ou outros copiando lição de casa de um verbete da Wikipédia e dizendo que são de autoria própria?

    1. Quando alguém comete um crime (e o garoto cometeu, não há discussão ai), a polícia é chamada para averiguar a situação. Não há nada de irregular aí. As pessoas parecem constantemente esquecer que o simples ato de ter com você algo que possa ser confundido com uma bomba é crime no Texas. O moleque cometeu um crime, e por isso a polícia foi chamada. Adicionalmente, considerando o clima de tolerância zero em escolas americanas, MESMO QUE NÃO FOSSE CRIME as chances dele de ser preso por causa daquilo eram altas.

      E há quem creia que ele saiu mostrando pros professores na esperança de que um deles finalmente acionasse as autoridades. Teria sido por isso que o moleque tirou o troço no meio de uma aula e plugou na tomada, a despeito da instrução de um dos professores de que ele não deveria estar brincando com aquilo na escola. Uma espécie de “nenhum deles me delatou ainda? Ok, quero ver ignorarem ISTO AQUI agora.”

      (Caso você não saiba: ele mostrou pra vários professores, sim)

      1. Sim, eu entendo e concordo que uma bomba falsa é considerada uma infração, não discuto isso. Estou só discutindo a INTENÇÃO do garoto, se foi proposital ou não.

        Pq, como disse antes, se ele mostrou para um ou mais professores, a suspeita de que ele fez a bomba falsa por motivos de prank são nulas.

        Só sobrariam as duas situações que já apontei no primeiro comentário.

        1. A questão é que uma vez que descobrem algo que possa ser confundido com uma bomba na posse de alguém, se fosse só falar “OPA GENTE ERA SÓ BRINKS EU NÃO TINHA NENHUMA INTENÇÃO NEFASTA”, seria incrivelmente difícil aplicar essa lei, não é mesmo? A polícia TEM que dar uma averiguada. Não dá pra simplesmente confiar na pessoa.

          E ALÉM DISSO TUDO, escolas americanas não são no momento um bom lugar pra você levar um relógio montado dentro de uma maletinha que apita no meio de uma aula. O moleque errou duplamente: errou na lei, e errou na falta de bom senso.

          A sorte dele é que a internet se revoltou IMENSAMENTE, o que pôs pressão na polícia, o que inviabilizou responsabilizar o moleque. Sorte que as outras centenas de crianças presas por bobagem não tiveram.

  2. Lembrei do caso do vocalista do CPM22 foi interrogado ao desembarcar em NY porque ele tava como uma camiseta de uma banda americana chamada U.S Bombs.

    Meio que essa paranoia começou depois de Columbine e piorou com o 9/11

  3. Izzy, acho que tem chance do moleque ter mostrado o relógio e plugado ele na tomada pra fazer o clássico “OLHA SÓ EU FIZ UM RELÓGIO CARALHO”, mesmo porque ele remontar e dizer ” FIZ ESTA PORRA” mostra que ele queria exposição -- pode nem ser pra gerar uma treta, só pra se mostrar mesmo. Mas considerando o pai que tem, talvez até tenha tentado gerar a treta pra evidenciar a islamophobia (mesmo que o ponto não seja esse, é sabido que a treta gerada iria gerar está discussão). Ótimo ponto, Izzy.

  4. O código penal linkado no texto diz algo diferente do que está no texto aqui do blog.

    Aqui foi dito que “As intenções da pessoa portando um objeto que ‘pareça com uma bomba’, de acordo com a lei texana, não é um fator”, mas no texto do CP diz que é:

    “Sec. 46.08. HOAX BOMBS.
    (a) A person commits an offense if the person KNOWINGLY manufactures, sells, purchases, transports, or possesses a hoax bomb WITH INTENT to use the hoax bomb to:
    (1) make another believe that the hoax bomb is an explosive or incendiary device; or
    (2) cause alarm or reaction of any type by an official of a public safety agency or volunteer agency organized to deal with emergencies.”

    Ou é isso ou eu preciso dar uma revisada nesse meu inglês.

    1. Como é que a polícia saberá a intenção de uma pessoa pega com um objeto que parece uma bomba… sem prende-la para interroga-la ela? Chamam o professor Xavier?

      Sujeito tá com uma hoax bomb no carro. É parado pela polícia por excesso de velocidade. Policial vê o objeto no banco.

      “O que é isso?”

      “Ahh…. é um computador”

      “Ah ok então”

  5. Salve Kid,

    Sou leitor seu das antigas (da época que você tinha um palm pra escrever o blog e um negão ficou olhando por cima dos seus ombros no busão e você escreveu assim pra não escrever negro, que é derrogatório em inglês, ou algo assim, não lembro.. faz tempo porra).

    Fiquei surpreso com as mudanças do site, com o vlog e tudo mais, com sua nova profissão e surpreso que vossa qualidade de escrita e habilidade crítica continua surpreendendo.

    Entretanto observo também uma crítica sem.. como posso dizer, sem forma. Não me refiro à este texto, seu foco, aqui, era outro. Mas li um texto sobre os protestos de quinze de março e vi que você disse que já faz dois anos que se faz protesto no Brasil. É uma crítica de como quem diz “os protestos dos black blocks são os mesmos do protesto contra a corrupção”.

    Por conta disso gostaria de compartilhar um link contigo, um vídeo rápido de 20 minutinhos que você poderá usar para como quiser: assistir e ignorar, refletir, criticar ou só deixar o link mofando aqui. Mas garanto-lhe que ajuda a dar uma melhor “forma” (ainda é uma palavra ruim mas não encontrei outra) às idéias

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    Abraços!
    (primeiro post no seu blog em 7 anos hahaha \o/!!)

  6. Quanto mais o caso vai se desdobrando, mais parece que esse caso todo foi meio que manufaturado, pelo menos até o ponto em que o Ahmed estava tentando causar uma comoção. Talvez com intuito alinhado à agenda do pai dele e tals. MAS eu sei que isso é baseado em suposições e não devemos continuar nessa linha porque isso já chega no ponto da fofoca.

    O que eu realmente vim pra comentar é que outro dia eu tava pensando aqui, como seria o encontro desse rapaz com o Obama, no final das contas:

    Obama: Opa, e aí, Ahmed, e esse relógio que você inventou? Que legal, mostra aí.

    Ahmed: Ah, bom, na verdade eu peguei um relógio pronto, desmontei ele e coloquei nesse estojo.

    Obama: Só isso?

    Ahmed: É, só.

    Obama: …ah.

    *Silêncio desconfortável por longos minutos*

  7. Mano, voce ignorou meus argumentos completamente. .

    Serei suscinto.

    Minha familia eh americana (utah), por isso conheco a cultura racista americana. Tambem sei como essa cultura varia por regioes e estados. Eh tranquilo ser indiano em Washington. Mas bem complicado ser um Wet Back em talahasse. Ser negro em Kansas city eh sempre perigoso.

    Tendo dito isso, e sabendo que vc conhece essa cultura tambem (apesar que voce mora em US jr, e nao como sei funciona por ai…), Eu gostaria que voce me confirmasse que alguns policiais e professores texanos estavam agindo com sensatex e sem nenhum gatilho islamofobico nesse caso. No estado da estrela solitaria, na cidade do assassino do Kennedy. Em uma das populacoes que mais apoiam a reforma migratorio do lunatico do Trump.

    Entendo que usar alguns argumentos distorcidos e defender um ponto diferente na blogosfera te coloca em uma posicao de destaque para o publico inferior que consome sem senso critico. e nao acho que voce esta errado cara. eu mesmo faco isso no meu cast -- para ganhar visibilidade, destaque natural e tudo o mais.

    Mas eu conheco texanos e por isso, nao consigo engolir seu argumento de maneira alguma.

    BTW, what did an Alabama Sherrif say when he found a negro dead body who has been shot 17 times?

    1. “Eu gostaria que voce me confirmasse que alguns policiais e professores texanos estavam agindo com sensatex e sem nenhum gatilho islamofobico nesse caso.”

      em outras palavras

      “Me prove que eles NÃO são racistas”.

      Eu não tenho muita energia pra discutir com alguém que não entende ônus da prova, cara. Eu já mostrei que a histeria por pouco motivo é lugar comum nas escolas americanas (mostrei inúmeros exemplos recentes), e que por causa disso MUITO PROVAVELMENTE qualquer criança que aparecesse na escola com algo parecido com uma bomba chamaria atenção de law enforcement. Pra deixar mais evidente que isso que a ação dos caras estava mais alinhada com esse clima de tolerância zero do que com islamafobia/racismo, só chamando o Professor Xavier.

      Você dizer que “ah mas no caso do Ahmed É SÓ PORQUE ELE É MUÇULMANO” é como insinuar que se o nome dele fosse Joe Smith e ele fosse branco, teria sido de boa o que a polícia fez (porque aí não teria sido racismo).

  8. Nossa, só tinha ouvido falar por alto nos noticiários desse caso e não vi toda essa reverberação da notícia.
    Pela sua explicação e olhando alguns fatos pode se concluir claramente que a retirada do garoto do local para investigação foi mais um caso da Lei de intolerância a qualquer coisa que remeta ao terrorismo dos EUA, isso ninguém pode negar, está na lei, como você mesmo mostrou.
    Agora de uma forma geral não podemos negar o fato de que boa parte dos muçulmanos, mesmo que vivendo em outros países, continentes, etc, ainda são muito ligados a cultura do seu país de origem, e aqui eu menciono a cultura como somente a religião. Apesar de dizerem que existe uma versão X (extremista) e Y(não tão extremista) do Islã (eu acho que essa é a nomenclatura, não sei direito) boa parte deles seguem o islã em seu estado “básico”. O que eu quero dizer com estado básico? É o Estado em que apesar de você estar vivendo em uma região diferente, cultura diferente, você não irá se misturar pois senão irá para o “inferno” como eles. O que eu quero dizer é que, não só como a religião islâmica mas boa parte das religiões existentes atualmente, há uma lavagem cerebral tão densa e esquematizada que muitas pessoas cometem atos que se as próprias pessoas parassem para pensar veriam que o que estavam fazendo era errado, e muito. E toda essa variedade de informação que eu fiz foi para concluir que os islâmicos (mais especificamente os que moram nos EUA) apesar de passarem anos na região americana são “convencidos” de que a cultura deles não devem ser aceita de nenhuma maneira e que a “ligação” deles com essa cultura “divina” faz com que eles sofram uma lavagem cerebral tão grande que acaba por torna-los indivíduos com ódio da nação que os acolheu e faz despertar o desejo de “vingança” por ser o país culpado pela desgraça que o seu país de origem passou e passa (faz sentido em parte) movendo-os a praticarem tais atos que de uma forma geral são denominados atos terroristas. Sinceramente eu não tenho problema com pessoas que creem ou não em entidades “divinas” mas o islamismo é mais uma religião da incitação do ódio e da “morte dos indignos” do que qualquer outra e pensar que eles julgam os EUA ser o principal culpado disso faz com todas as medidas as quais chamamos de “paranoia” por parte deles sejam tomadas. A minha opinião é que qualquer atividade suspeita deve e tem que ser tratada com a mais absoluta atenção, mesmo que no final das contas não seja nada do que se pensava, até porquê já vimos muitos acontecimentos praticados por esses terroristas que justificam bem o receio deles em relação aos muçulmanos.

    1. -- na 3a linha do primeiro parágrafo leiam “nos EUA” e
      não “dos”.
      -na 12a linha do 3 parágrafo eu quis dizer que eles não toleram a cultura dos americanos mesmo morando no país.
      -por “deles” no final entendam os americanos.

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