[ Além do Vídeo ] Resenha de Jurassic World

Aê pessoal! Foi bom o fim de semana? Espero que sim. Fim de semana é um dos pequenos prazeres que todos temos acesso; um fim de semana ruim me faz pensar que a semana toda foi em vão.

Cês viram o Jurassic World? Aparentemente o filme fez 874 bilhões de dólares na bilheteria, então a menos que o público pagante do filme tenha se limitado à família real da Arábia Saudita assistindo o filme repetidamente, estatisticamente falando é impossível que você não tenha visto essa merda ainda.

E fiz uma resenha em vídeo. Olhaí:

Já mencionei bastante aqui: eu sou um grande fã da obra do Michael Crichton, ao ponto de que a morte dele foi a primeira vez na vida em que lamentei imensamente o falecimento de uma celebridade.

A escrita do Crichton é um misto de ficção científica com explicações plausíveis e ação frenética hollywoodiana. Eu diria que lembra um pouquinho o Dan Brown, no sentido de que o Crichton é o que o Dan Brown CLARAMENTE queria ser, e falha miseralmente. Sim, eu sei que os livros do Dan Brown não são exatamente sci fi, mas você que leu os livros de ambos sabe perfeitamente do que estou falando. Quando o Crichton fala sobre algum conceito científico — seja verídico ou inventado para a trama do livro –, ele passa a impressão de que pesquisou sobre o assunto. Quando o Dan Brown faz o mesmo, ele soa como se tivesse visto uma chamada de 10 segundos de um documentário do Discovery Channel sobre o assunto.

Por isso, mesmo que você não seja um grande fã de ficção científica (como é o caso da minha esposa) eu ainda recomendo.

Eu não gostei tanto de Jurassic World quanto queria ter gostado. Parte disso é porque, embora Jurassic Park (livro e filme) tenham habitado perenemente na minha cabeça infantil, hoje em dia os dinos perderam um pouco do apelo pra mim. Também pudera: tu já viu o que é a aparência que os dinossauros tinham, de acordo com nossas pesquisas paleontológicas?

Como é possível aceitar isso? AS ASINHAS, MANO!

O filme é divertido, e acerta em trazer a tona discussões interessantes do livro original sobre a prática de “modificar” os dinossauros para atender as expectativas do público do parque.

E uma parada que não mencionei no vídeo é o fato de que originalmente, o livro Jurassic Park teria sido quase inteiramente do ponto de vista de uma criança, sabe-se lá por que. Eu percebi um certo resgate dessa premissa quando o filme focou tanto nas desventuras daqueles dois moleques lá. Que, aliás, não tem uma gota do carisma da Lex e do Tim — tanto que já esqueci seus nome. E olha que a presença da Lex e do Tim (além daquele Spielbergesco arco de “protagonista não gosta de crianças/não sabe lidar com elas direito, mas passou por uma aventura com eles e agora mudou de idéia e será um bom pai!”) é uma das coisas que mais me incomoda no Jurassic Park.

Aliás, vou soltar uma blasfêmia aqui logo — é chover no molhado apontar que um filme foi inferior ao livro que o deu origem (isso, afinal, é a norma). Só que chega a ser difícil gostar REALMENTE do Jurassic Park do Spielberg quando você leu o livro. O bate-papo sobre ciência (que é justamente o que os nerds mais curtem no livro) é resumido a um monólogo insatisfatório de alguns segundos, inventa-se um final feliz açucarado onde vários personagens que se foderam no livro sobrevivem…

Aliás, alguns personagens e suas dinâmicas são completamente diferentes. No livro, Allan Grant e Ellie Sattler são simplesmente professor e assistente; no filme, como é obrigatório de dois personagens de sexo diferente, insinua-se que são par romântico.

Já o John Hammond (interpretado como um idealista romântico com ares de vovô boa gente) era no livro um sujeito mesquinho,  arrogante e irresponsável. O que é uma constante nos livros do Crichton, aliás — o dono babaca da empresa de tecnologia que bolou algo que sairá do controle. A propósito, sabe o “não poupamos nenhuma despesa!” que ele fica constantemente repetindo no filme? O livro deixa claro que aquilo era um blefe pra impressionar os visitantes. O parque era bem gambiarrado, funcionava à base de automatização (experimental e não devidamente testada, justamente pra economizar), era uma merda. O filma não explora esse ângulo da trama, o que é natural porque não dá pra falar de TUDO.

Leia o livro, vai por mim. Tu vai se apaixonar pelo Crichton. E ele foi BASTANTE variado na sua obra, aliás — tem Airframe, que foi um mistério coorporativo envolvendo uma empresa aérea; já Sphere é um terror excelente meio HP Lovecraft/Além da Imaginação, e Pirate Latitudes é uma aventura de piratas no século XVIII que faz você desejar que Piratas do Caribe tivesse sido baseado na obra dele, em vez de uma atração da Disney.

Fica aí a recomendação.

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comments

11 comments

  1. Tem certeza que você queria escrever sobre “Jurassic World” e não sobre os livros Jurassic Park e The Lost World? Apenas 1/5 do seu texto é sobre o filme, o resto ou é referência ao livro ou sobre a adaptação de Spielberg.

    Você deveria fazer uma resenha dos livros logo, talvez até tornar essa resenha em um vídeo pro canal. Talvez a limitação de tentar adaptar uma resenha em vídeo, falando tudo que gosta dos livros e do autor, te desse uma “satisfação” maior quanto ao primeiro filme da franquia.

  2. “e Pirate Latitudes é uma aventura de piratas no século XVIII que faz você desejar que Piratas do Caribe tivesse sido baseado na obra dele, em vez de uma atração da Disney.”

    Pra que? Pra um blogueiro viado me encher o saco dizendo que o livro é melhor que o filme?

    PS: Veja Black Sails, tá 8 no IMDB, bem alto para uma série!

  3. humm o livro é bom assim é?
    Eu nunca vi vendendo… Mais vou procurar!!
    Mais um livro de filme para entrar na minha lista!:)

  4. Acho que o escritor Dan Brown pesquisa bastante para escrever seus livros, ao contrário do que vc menciona no seu texto eu acho que seus livros demostram bastante conhecimento sobre a arte renascentista e os artistas tbm…pelo menos os livros que eu li me passaram essa impressão…Tbm não vejo muita semelhança entre os temas arte e dinossauros…cada um tem seu gosto…

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