Um dos tipos de threads de fórum online que eu mais curto em fórums é o cíclico “compartilhe imagens perturbadoras”. Digo cíclico porque volta e meia esses tópicos ressurgem nas tais comunidades.

Digo “perturbadoras”, não “traumatizantes” — fotos estilo Rotten eu não curto mais. Tive meu período de fascinação com violência extrema quando era mais novo (que acho que foi alimentado por experiências juvenis assistindo filmes como Faces da Morte e tal), mas hoje em dia evito esse tipo de coisa mais agressiva.

Mas imagens intrigantes e meio macabras eu acho foda. E nessas threads, um artistas aparece repetidamente — Zdzislaw Beksinski. No momento que você percebe que o nome do sujeito tem oito letras e apenas 2 vogais, você já vai sabendo de antemão que o homem é bizarro.

A arte do Beksinski (conheço a obra do filho da puta há anos e mesmo assim tenho sempre que consultar a grafia do nome dele) é característica pelo seu visual de fantasia onírica. Aliás, onírica não — o termo se refere a sonho, enquanto a arte do maluco lembra mais é pesadelo, isso sim.

E por isso eu adoro as paradas que ele pinta.

 

A arte do cara tem sempre essa aparência de um sonho que você lembra apenas que se passou num ambiente destruído ou abandonado. É exatamente o tipo de “perturbador” que eu curto — ao ver as pinturas dele, tudo que consigo pensar é  “que porra é essa? Onde é isso? Quem é aquele maluco ali?”

 

Essaí, por exemplo. Qual a significância do “In Hoc Signo Vinces” ali no topo…? A frase lendária supostamente apareceu no céu antes de uma batalha de Constantino, o imperador romano. Isso o fez adotar o Cristianismo, e a adoção romana da religião (que na época era na real uma seita estranha do judaísmo) mudou completamente o mundo na época e ecoa até hoje. Não fosse isso, o culto de Cristo e sua mensagem teria muito provavelmente ficado ali só pelo Oriente Médio mesmo, e provavelmente não teria durado quase 2 mil anos.

Quem é o maluco com o capuz? Quem está no berço? Que diabos é aquele troço sendo comido ali no topo por corvos/morcegos?

 

Esta aqui é uma das minhas favoritas. Por causa de sonhos/pesadelos que eu tinha constantemente quanto criança, eu era fissurado com a idéia de uma aventura “larger than life” se passando num mundo completamente isolado do seu. É daí que vem meu apreço por histórias de viagem no tempo, minha devoção por Shadow of the Colossus, e etc. Eu simplesmente gosto pra caralho da idéia de um personagem que é subitamente levado pra bem longe do “mundinho” dele e forçado a se virar, sozinho, pra resolver a trama e depois achar o caminho de volta pra casa — e principalmente, sem que sua família e amigos sequer saibam onde ele está ou o que ele está fazendo, o que torna a aventura meio melancólica pela falta de reconhecimento.

E esse é o sentimento dessa pintura aí — não sei o nome dos quadros do Beksinski mas imagindo que este seja algo como The Quystrkze: Aghrkttweop 2, a julgar pelo nome do cara. Eu gosto da idéia do herói isolado explorando um mundo estranho.

(Dei uma checada na wiki e aparentemente os quadros dele não têm nome e, além disso, não tem explicação alguma. Ele não gostava de dar explicações para as pinturas. O fã que invente sua própria explicação) 

 

Chuta que é macumba, não há dúvida. Essa aí é perturbadora mesmo, me sinto mal olhando pra esse quadro — mas não consigo parar de olhar.

 

Mesmo esquema do quadro a la Shadow of the Colossus lá em cima — pessoas isoladas num mundo estranho fazendo sabe-se lá o que. Acho intrigante pra caralho.

O Beksinski morreu assassinado pelo filho de seu caseiro em 2005, por causa de um empréstimo de US$100 que o pintor recusou a fazer. Uma pena.

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