Tava lendo blogs por aí e em um deles, o blogueiro fazia a seguinte enquete: Qual a música mais triste do mundo?

Entre as músicas concorrentes ao prêmio nada lisonjeiro (porra, música triste?), estava Vento no Litoral, dos menininhos alegres do Legião Urbana.

Eu nem queria clicar no link da letra da música, mas sabe como é internauta viciado. É como se a mão tivesse vida própria. Cliquei e comecei a ler a letra.

Li duas frases, e a melancolia me invadiu. Eu me lembrei que a tempos atrás, eu ODIAVA Legião Urbana, até que conheci ela. Aí passei a odiar MAIS AINDA, mas de pirraça, só pra irrita-la; tanto que o lendário post criticando a bandinha do Russo foi escrito justamente com essa finalidade, deixa-la irritada. Eu tinha essa mania. Tenho, aliás.

E aí estou eu, na frente do computador, lendo a letra da tal música melancólica e pensando pela 146748º vez “mas o que diabo foi que aconteceu?” Eu estava ouvindo uma música qualquer no winamp, mas por alguns instantes foi como se eu estivesse num completo silêncio, e comecei a me lembrar daquelas tardes chuvosas no longíquo ano de 2001 – e fazendo uma dobradinha com 2002.

Na época eu ouvia a tal música e pensava em mil coisas que não existem mais. Hoje eu li a letra e nem sei o que pensar. A tristeza é inevitável e cansa.

Antes que eu fosse tomado totalmente por uma onda depressiva, parei a música que estava tocando e coloquei um rock qualquer. Aumentei o volume do winamp ao máximo, depois o das caixinhas e, finalmente, cliquei num botão no teclado que eleva o áudio geral do windows. Tudo nas alturas, batendo dentro da cabeça.

Eu queria que o som fizesse uma limpeza na minha cabeça. Queria esquecer essa porra toda, acordar no outro dia achando tudo legal, e achando que minha vida tá uma beleza, que eu não perdi nada.

Eu definitivamente preciso dormir mais.

já fazia tempo que eu tinha vontade de escrever sobre risadas de internet.

Sim, as terríveis risadas de internet. A nossa única forma de expressar reações cômicas. O seu amigo conta uma história “engraçada” e você – quase sempre por educação, porque seu amigo é muito sem graça – desliza a mão por cima do teclado, batendo em quaisquer teclas que cruzarem o caminho dos seus dedos. Uma risada virtual.

Por causa do meu tempo de escravidão ao IRC, eu era/sou um usuário de risadas de internet. Há dois problemas com as risadas de internet.

1º Elas não são realistas.

Sejamos francos: você alguma vez viu alguém produzindo um ruído parecido com “ahusiahsiahishaihsuiahishaihsiahisuai” durante uma risada? Fora de um manicômio, eu quero dizer. Não, né? Claro que não. Essa risada não existe. Nem a “hiosahoisaohsoahisohaisoao“. Elas não são compatíveis com as gargalhadas que damos no mundo real. Elas não passam de vogais e consoantes que se repetem infinitamente como as dízimas periódicas. E dízimas periódicas são o extremo oposto de uma coisa engraçada. Portanto, as “risadas periódicas” são paradoxais. E sem graça.

Vários estilos de risadas virtuais já foram catalogados, mas eles geralmente seguem um padrão. O indivíduo posiciona seus dedos em teclas arbitrárias e as pressiona repetidamente. Quanto mais engraçada for a história contada, mais teclas ele pressiona. Já ouvi falar de uma anedota tão engraçada, mas tão engraçada, que todos os participantes do chat mandaram risadas periódicas simultaneamente, provocando um crash na rede. Eu queria saber que piada foi essa. Deve ter sido do caralho.

2º Elas são viciantes.

As risadas periódicas agem como uma droga. Se você for muito exposto, não importa qual sua opinião sobre elas, você acaba cedendo. Você usa a primeira vez, sabendo que não é legal. Mas acaba virando um hábito. Você não consegue parar. E o pior, existe o efeito tolerância. Depois de algum tempo, um mero “ahsauiosa” não satifaz. Você precisa espancar o teclado e mandar um “aaiasaiushausiiahsuiahsuiahsuaisa“. No estágio final, nem um “ashuaishiahsihaushiahisihaihsaihsiaiahsiahssiuahsiuahsihauishasiasis” supre suas necessidades. Os mais criativos tentam variações, como mudar as cores, sublinhar, mandar smilies, aplicar negrito, alternar maiúsculas e minúsculas, ou tudo isso junto. Isso não funciona. Cá entre nós, um “HUIAShiaUSAUhsiaB🙂 🙂 😛 😉 🙂 ” passa a impressão de que você precisa de remédios controlados. Dá medo.

Você se tornou tolerante à risada periódica. Em outras palavras, você será o cara mais chato da internet, e todos evitarão contar coisas engraçadas quando você estiver presente. Com o tempo seus amigos perceberão que não é necessário que contem coisas engraçadas. Qualquer coisa que digam terá como resposta um “HUIAShiaUSAUhsiaB“. Você se tornará um pária. Que vergonha, mermão.

Existem pessoas que se tornam famosas por causa de risadas periódicas. O Lebrão, do Fórum Cocadaboa, se tornou uma celebridade simplesmente porque ele é incapaz de falar duas palavras sem enfiar risadas no meio. É um caso perdido.

Eu felizmente estou me livrando das risadas periódicas. Hoje eu consigo apenas digitar um simples “AHAHAHAHAH” quando alguém me manda um link com aquele flash engraçado. Mas foi uma longa jornada.

E o primeiro filho da puta que mandar um comentário do tipo “HUAISOAUISHIASHIASoAHusohIShOISoisoiHIsoihiiOA” será sumariamente editado.

Não reclamem que eu não avisei.

Oh, os comentários revoltados! Que blogueiro sobrevive sem receber diariamente críticas e palavras de ódio? Vou dizer a verdade: o único motivo que me mantém escrevendo essa porra é que eu sei que cedo ou tarde, alguém fica muito puto com as merdas que eu escrevo e me jura de morte. Então, sem mais delongas, um comentário furioso pra vocês!

vc é o gringo mais nojento que já vi!!! Muito imbecil seus comentários, vai me dizer que aí não tem maloqueiros, favelados e pobres?? Ah vai se foder mané… fica aí todo todo achando que o Brasil é uma merda e que só tem marginalização.. se conscientize e larga de dar um de bad boy… palhaço. ”

Keka – enviado em 9/2/2004 14:43:00

Alguém deixou isso antigo Hoje é um Bom Dia, no post sobre o programa de TV. Como não podia deixar de ser, aloprarei o comentário da Keka, e o farei em etapas. Sou obrigado a isso, vocês sabem como é que as coisas funcionam aqui.

“vc é o gringo mais nojento que já vi!!!”

Em primeiro lugar, não sou gringo. Sou brazuca, filhota. Gringos não são tão bem humorados como eu. Além disso, você nunca me viu. A menos que tenha visto uma foto minha no meu fotolog, o que acho improvável pois eu não o divulgo. Questões de segurança pessoal, sabe como é. E o que você quer dizer com nojento?! Eu tomo banho quase todo dia, tá?

“Muito imbecil seus comentários”

Imbecil é o seu desprezo para com a língua portuguesa e a falta da concordância. “Muito imbecis” seria o correto. De nada.

“vai me dizer que aí não tem maloqueiros, favelados e pobres??”

Isso se chama “leitura seletiva”, e é um fenômeno muito curioso que aflinge pessoas idiotas. Não tem cura, aliás. A menina leu o texto inteiro e só prestou atenção no trecho que fala dos maloqueiros, favelados e pobres. E só porque estou em outro país e escrevi sobre os maloqueiros, favelados e pobres do Brasil, ela entendeu que eu quis deixar implícito que aqui não temos maloqueiros, favelados e pobres. Bem, se temos, eu não sei. Mas com certeza eu não quis dizer o contrário.

Estamos na metade da análise e percebam que ainda não mandei a pessoa se foder no cu com força nenhuma vez. Guardarei isso para o final.

“Ah vai se foder mané”

Isso é fisiologicamente impossível; pergunte ao Marylin Manson. Cansado de tentar lutar contra seu próprio corpo, ele acabou por fazer uma cirurgia para remover duas costelas e finalmente conseguir fazer amor consigo mesmo – ou ao menos é o que diz a lenda.

“fica aí todo todo achando que o Brasil é uma merda e que só tem marginalização”

Eu não estou “todo todo”. Nem tou achando que o Brasil é uma merda e só tem “marginalização”. Você leu meu post?!

“se conscientize e larga de dar um de bad boy… palhaço”

Tá, mas se conscientizar de quê? De que não existem traficantes em São Paulo e o que vi foi um fruto da minha imaginação? Eu não consigo me lembrar exatamente onde foi no texto em que eu “dei uma de bad boy”. Dava pra mostrar aí? Brigadão.

Eu me acabo lendo essas coisas.

Ah, quase ia me esquecendo: favor passar no caixa e tomar no cu com muita força.


Eu passei UM dia sem checar meus emails

E eu cheguei de Toronto. Corrigindo um erro do post anterior e que ninguém percebeu: Toronto NÃO é a capital do Canadá. A capital do Canadá é Ottawa. Mas não me culpem, porra. Até mesmo os próprios canadenses cometem esse erro. Mas eles são burros, então a gente dá esse desconto.

Foi bacana. Fui assistir um filme com o pessoal, me entupi de pizza de calabresa, fui dormir todo dia às 2 da manhã e NÃO toquei com a banda, porque o cara que tinha a chave do estúdio foi sequestrado por ETs ou algo do tipo, ele não estava um lugar algum.

E eu conheci uma mina super legal quando fui assistir o filme. Adivinhem o nome dela?

Só pode ser uma macumba MUITO bem feita. Tem uma Igreja Universal por aqui, vou lá fazer um exorcismo.

Foi a primeira vez que fui a Toronto completamente desacompanhado e me virando por conta própria. Bem, minha mãe e irmã estavam junto, mas como suas habilidades na língua inglesa se resumem a “plíz” e “tênques”, era o mesmo que estar sozinho. Pegando 2 ônibus e 3 trens (e não estou exagerando agora) e depois de 3 horas que havíamos saído de casa, chegamos lá. Teria sido mais rápido se eu não tivesse que pedir informações em cada estação.

E tem muito viado em Toronto.

E eu cortei o cabelo.

E eu tenho um encontro pro próximo sábado o/

Tire o cursor do mouse de cima de mim!
CN Tower, a estrutura mais alta do mundo. Adivinha onde fica?


Estou no momento em Toronto, tendo uma vida social e tudo mais.

So pra variar a vida de nerd que eu andava levando nos ultimos dois meses.

Se nao fossem meus conhecimentos na lingua inglesa, estariamos perdidos em alguma estacao de trem na capital canadense.

Vou tocar com a banda e conhecer gentes novas, porque as velhas me enchem o saco.

Iurru.

Quando eu voltar pro interior, eu conto minhas aventuras.

E so pra nao perder o habito:

O weblogger fede.

Teclado configurado em ingles sem acentos fede tambem.

Mas nao tanto quanto o weblogger.

Talvez vocês tenham percebido que agora eu estou em outro servidor.



Talvez…


O Eduardo vivia me enchendo o saco para que eu saísse da favela do Weblogger, mas eu morria de preguiça. Aliás, eu cheguei uma vez a dizer pra ele que era “impossível”. Impossível que eu de repente criasse coragem pra criar contador, conta em sistema de comentário… Bleh.

Hoje em dia, com muito tempo livre nas mãos, decidi dar o basta. Essa porra do Weblogger passa mais tempo offline do que online. E pior, de uns tempos pra cá inventaram de colocar um banner fudido que aparece cada vez que alguém entrar no HBD. Não tem como. Ô servicinho ruim do caralho.

Quicifoda a preguiça. Criei uma conta no blogspot…

[que é infinitamente melhor]

…para postar meus textos, e criei uma conta no Haloscan….

[que é infinitamente melhor]

…pra vocês comentarem. E tudo não demorou nem 10 minutos.

Divirtam-se.

Ah, e fique bem claro: o weblogger é uma merda.

Eu quero que o weblogger se foda.

Quero que um avião caia no prédio da Lear Web Solutions e exploda em cima do servidor do Weblogger. E que os passageiros do avião sejam todos blogueiros do Weblogger, também. Aí seria uma maravilha.

Os arquivos antigos estão inacessáveis no momento, mas acredito que ainda não foram pra puta que pariu. Tentarei linka-los para cá em breve. Ou não.

Eu nunca fui muito fã de televisão, mas sempre passava minha cota de horas diárias na frente do aparelho. Sei lá por que. Acho eu fazia isso só pra me contradizer, olha só como eu sou chato.

Aqui não há muitas coisas interessantes passando na TV. Claro, tem Simpsons que passa em uns 30 canais diferentes (e quase sempre no mesmo horário ¬¬), mas tirando isso, a programação canadense fede. A estadunidense também. Não que a programação brasileira seja foda, mas enfim, vá tomar no cu, senão eu acabo fugindo ao tema do post.

Outro dia eu estava zapeando com o controle remoto e achei um programa interessante. Se chama REAL TV, e é similar ao OS VÍDEOS MAIS INCRÍVEIS DO MUNDO, que passa aí no Brasil em algum canal underground. Acho que na Band. Ainda existe a Band?

Na chamadinha do programa, algo me chamou atenção: no próximo segmento, o programa exibiria um vídeo caseiro de uma prisão de traficantes. As cenas mostravam policiais empurrando dois neguinhos por vielas esburacadas, cercadas por casinhas de papelão…

Meu amor a pátria despertou naquele momento! Só podia ser uma favelinha no Brasil!!!

O apresentador narrava a prévia do vídeo, e por trás de sua voz, eu consegui ouvir o som original da filmagem. Acho que ouvi alguém dizer “caralho!”.

Então, segundos antes da cena cortar e os comerciais entrarem, um dos polícias do vídeo se vira e deixa à mostra a manga do seu uniforme. Uma pequena bandeira do estado de São Paulo se fez visível.

Comerciais. Um remédio pra tosse, uma propaganda no McDonalds e algumas outras bobagens.

Volta o programa. Eu tinha razão, era um vídeo brasileiro! Que honra, que patriotismo. Não é a toa que os americanos pensam que somos índios e ouvimos samba na floresta amazônica, quando não estamos jogando futebol ou nos preparando para o carnaval. As imagens da favela não eram nada lisonjeiras. Mas enfim… vá tomar no cu.

Os polícias pegaram dois “aviõezinhos”, o que na gíria malandra significa “aquele mané que faz o intermédio entre o traficamente fodão e aquele playboy que pensa que fai cheirar uma carreira da boa, mas na verdade tá inalando talco”. O narrador dublava os rapazes.

– Qualé chefia, num foi eu não, aí! Esse pó aí é pra mim mermo! Sou viciado, pô! Qualé?

– What´s the problem, mister oficer? I wasn´t the one who was carrying those drug! By the way, those are for my own personal use! I´m addicted!

Impagável. Meu irmão rolava de rir.

Aí os tiras levaram os dois rapazotes às “casas” de suas respetivas mães. Digo “casas” porque apenas uma morava em algo que se assemelha a uma casa. A residência da outra digna senhora parecia a caixa de papelão da TV em que eu assistia o programa. O narrador chamou as habitações populares de BARRACOS mesmo, em português, porém com aquele sotaque americano que todos conhecemos e amamos. Hilário. Ah, e o apresentador ainda discorreu brevemente sobre o método e materiais de construção dos tais BARRACOS: papelão, madeira podre, etc.

Não é a toa a imagem que os gringos têm da gente. Além de índios dançarinos de samba, moramos em caixas de papelão e nossos filhos vendem drogas para sobreviver.

A reação das mães, nos dois casos, foi violenta: elas explodiram em cima dos filho, batendo e xingando. Mais traduções!

– Seu filho duma puta! Vagabundo, marginal! Cachorro sem vergonha! Ainda bem que teu pai já morreu, pra ele não ter que ver uma putaria dessa! Seu marginal sem vergonha, seu filha duma puta do caralho! (e descendo o cacete no pobre “aviãozinho”).

E o narrador:

– You are so inconsequent! You are just a lazy boy! God will punish you!!

E o pau comendo, porém sem tradução porque cacetada é uma linguagem universal, que nem a matemática. Teve até soco na cara, que significa a mesma coisa em qualquer país do mundo.

Infelizmente, em nenhum momento da pancadaria temos visão do rosto dos policiais. Mas aposto que estavam rindo pra caralho, porque não tentaram impedir a mãe de espancar seu filho traficante e vagabundo.

TV de qualidade é isso aí.

E viva o Brasil!!!

Ok, em algum tempo migrarei pra cá.

Se alguém se dispor a fazer um template novo pra mim, seria bom.

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