Se você participou do evento, você INEVITAVELMENTE vai ler esse texto esperando ser mencionado. Farei o máximo pra lembrar de todo mundo.

Dizem os especialistas desses negócios aí de internet que o timing de um texto ou vlog é extremamente importante pra tal da “viralização” do mesmo. Se você fala sobre algo no auge do interesse sobre o assunto, as chances de que sua opinião percorra as redes sociais via botões de retweet e like são bem mais altas.Por causa dessa teoria, eu queria escrever sobre o Desencontro o mais rápido possível; no dia seguinte ao encerramento do evento, se desse. Entretanto, executar esta tarefa foi impossível por causa de um fenômeno que eu jamais havia experimentado, e portanto me arrisco a batizar de “ressaca emocional”. Tal qual a versão etílica, a ressaca emocional é o resultado de exageros em noites anteriores; no meu caso, foi um exagero de sensações.

Pra quem ainda não saiba, o Desencontro é um evento de mídias sociais de 3 dias que se passa em Fortaleza. Diversas personalidades virtuais são convidadas para dar palestras sobre assuntos relevantes à sua área de atuação na web (eu participei, por exemplo, dos painéis de trollagem e pirataria).

Mais importante que isso, julgo, é que somos convidados a conhecer uns aos outros, e conhecer a turma que acompanha e admira nosso trabalho.


A bela @pietraprincipe, sorrindo pra câmera enquanto eu converso com o @pecesiqueira ali atrás.

Cheguei no Vila Galé na noite anterior ao início do evento, pra fazer uma espécie de reconhecimento — me acostumar com o layout do hotel e ver quem já estava por lá.

Logo de cara encontrei duas amigas queridas — a @pietraprincipe e a @JuDacoregio. A primeira eu estaria conhecendo pela primeira vez (após muito tempo conversando no tuíter), já a segunda é uma veterana do evento.


@JuDacoregio, @anadecesaro, eu e @pietraprincipe na festa de encerramento do Desencontro, no Fiteiro Praia.

Deixa eu falar logo algo que eu estive pensando durante todo o evento: é uma observação estranha constatar que eu, nerd gordo, baixinho e feio, estive cercado de meninas tão bonitas durante todo o evento.

Parece uma inversão da ordem natural das coisas; nos tempos de escola, a companhia das beldades da sala era algo exclusivo aos moleques filhinhos de papai e com afiliação a academia. Ser tratado com tanto carinho por estas garotas é uma parada surreal.

“Carinho” aliás é a palavra chave. Não apenas os palestrantes do evento tinham uma conexão sentimental que causaria inveja em amigos de infância, o público que compareceu ao evento também demonstrava gostar muito da gente.


@manusaldanha e eu, logo após ela me COERGIR a tomar um shot de tequila

Fui tratado com um carinho que experimentei em raras circunstâncias na vida (uma delas, coincidentemente, o Desencontro do ano passado). Pessoas que eu nunca vi na vida se aproximavam pra pedir pra tirar fotos, pedir autógrafos — pra si mesmas e para amigos que não puderam comparecer -, pra falar que gostam do meu site, ou do meu vlog, ou das bobagens que eu falo no tuíter.

Esse sentimento de apreciação de “fã” conhecendo o “ídolo” é algo que, como tudo que a gente tem sem merecer, eu valorizo absurdamente — e tenho medo de um dia perder.

A comparação fã/ídolo, a propósito, é só uma analogia. Eu considero vocês todos amigos de bolso, como vivo falando no tuíter. Companheiros que moram aqui no meu iPhone e a quem posso trazer a qualquer lugar, consultar sobre qualquer assunto, e com quem desabafo frequentemente.


@luide com sua máscara de cavalo que fez sucesso, @morroida com sua cabeça imensa e a linda @tchulimtchulim

Foi muito bom reencontrar os velhos amigos aqui em Fortaleza. Gente como o @luide, que me deixou honrado quando me contou ano passado que adora o HBD (e inclusive mencionou-me em sua palestra), o @morroida, um blogueiro — embora ele provavelmente não goste de usar esse título pra se identificar — que eu lia e admirava muito anos antes de conhece-lo e me sinto feliz por poder te-lo como amigo próximo, ou o @gravz e o @emersonanomia, a quem tenho como irmãos mais velhos e cujos conselhos busco e sigo como se fossem instruções religiosas.


@cauemoura e eu, com o @diegoquinteiro ali ao fundo

Houve uma dicotomia interessante no Desencontro, aliás. Acontecia de “fãs” (novamente, uso as aspas porque na real considero vocês mais como amigos; chamar alguém que gosta de mim de “fã” é até um pouco exagerado se você parar pra pensar — por mais que vários deles se identifiquem assim quando se apresentam) se aproximarem pra bater um papo e pedir pra registrar o momento com fotos e autógrafos; em outras ocasiões, EU era o fã tiete.

Veja o @cauemoura, por exemplo. Eu acompanho o trabalho do cara há bastante tempo; o cara é um dos gigantes do youtube brasileiro. Imagine minha surpresa quando o sujeito revela que assiste meu vlog há anos? Como se tivesse lido a incredulidade em meu rosto, ele vai e descreve detalhe de episódios antigaços do HBDtv, tipo de 2 ou 3 anos atrás (o meu vlog começou em 2008, justamente durante as olimpíadas aliás).


Curiosamente, essa é a única foto que tenho com o PC aqui no iPad

 

Ou o @pecesiqueira. Ele faz parte da santíssima trindade de maiores vloggers brasileiros, e entretanto sempre nos demos super bem (temos umas neuroses similares) e o cara me trata com o maior carinho do mundo, se preocupando comigo quando estive meio down e se encarregando da tarefa de “me ensinar a beber feito homem”, surgindo mais tarde com uma sacola cheia de vodca. Como falei diretamente pra ele em diversas situações, considero-o um broderzaço.


@felipeneto e eu no lounge do evento. Eu estava bebendo uma caipirinha de maracujá no momento, indício de que o PC Siqueira falhou em sua missão

Ou o @felipeneto, o outro maior vlogger do Brasil. Conheci-o brigando no tuíter, mas eventualmente resolvemos nossas diferenças e tornamos-nos chegados. O cara sempre me trata muitíssimo bem, por mais que eu às vezes me sinta extremamente inferior, como se fosse um penetra tentando se entrosar com uma celebridade.

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Idem com os irmãos Castro. Na primeira vez que vi um vídeo do @marcoscastro e @-matheuscastro (esse aí, aliás) eu literalmente falei “por favor me apontem os perfis de tuíter dos gênios que produziram isso para que eu possa tieta-los”. Imagina então a sensação de ser tão bem recebido por eles, e de descobrir que um deles me conhecia há anos por causa da minha participação num fórum que eu achei que ninguém conhecia.

Bom, o texto tá ficando longo pra caralho. É tão difícil mencionar todo mundo porque foi muita gente em muito pouco tempo e pelo que estou vendo aqui não tirei fotos com todos; geralmente é vendo as fotos do evento que me lembro de acontecimentos relevantes pra comentar em posts desse tipo.

Mas tem gente que eu não posso esquecer de citar aqui. Gente como a @claraaverbuck (a quem eu mais tietei lá, acho), o @MussumAlive, a @KehhBuchmann — que foi tão carinhosa comigo (apesar de me confundir com o @rafacst hahaha) –, a @madumagalhaes-, a @juzao, o @naosalvo (que sempre me trata de igual pra igual, algo que me deixa honrado pra caralho), o @dr-marcelo, o maluco responsável pela @nairbello (com quem discuti numa mesa de bar a respeito dos particulares sobre sexo anal), o @Na-Igreja — que se prontificou a me dar uma carona ao hotel; jamais esqueço amigos que me ajudam dessa forma –, a linda @Mari-Graciolli, quem mais?

O @Nerdpai, que sempre me ajuda pra caralho em qualquer momento que preciso, o @rafa-coimbra, que passou tão pouco tempo no evento mas que me deixou feliz por poder reve-lo mesmo assim, o @peashrek, a @manusaldanha (que não é palestrante do evento, aliás, pra que vocês não fiquem pensando que só interajo com os “famosos”. Amo essa menina, aliás), o @ianblack e a belíssima @santahelena…


O @pablo-peixoto “sacaneando” o @lucasradaelli

Não posso esquecer também do @bqeg, o Marcel. Mais um dos muitos que conheci tretando e acabaram se tornando não só um amigo, mas um GRANDE amigo. É como o @gravz e o @emersonanomia: ele serve como um irmão mais velho por proxy, me dando conselhos sobre as minhas inacabáveis neuroses.

Se esqueci alguém, não é porque você significou menos pra mim. É apenas um testamento da minha péssima memória.

Acho que o saldo geral do Desencontro sintetiza-se em uma palavra: carinho. Dos organizadores do evento, passando pelo público que veio aqui nos ver, e até aos próprios outros palestrantes, havia uma aura de carinho muito grande durante todo o evento.

Isso torna-se evidente nas fotos e nos vídeos do Desencontro, em que freqüentemente estamos nos abraçando com força ou distribuindo beijos. E intangível ao registro fotográfico era a atmosfera de confidência, de velhos amigos se encontrando pra conviver ao máximo durante aqueles 3 dias.

Em relação a experiência emocional do evento, obviamente só posso falar por mim mesmo. Eu tenho uma facilidade imensa de me apegar às pessoas, e sou bastante sensível (olha que bicha louca) a certas coisas — em particular, a ser tratado com carinho. Talvez por isso, meu relato pareça piegas demais, mas foda-se — não vou manter um blog se não puder ser sincero comigo mesmo em relação a como me sinto.

Por isso, digo que foi maravilhoso, sem nenhuma hipérbole, estar durante aqueles 3 dias com vocês.

A sensação de pertencer a um grupo, de ser querido por essa gente a quem tanto admiro, de compreender vocês e de ser compreendido por vocês e, finalmente, a sensação de ter um propósito. De ser importante. O lembrete de que, por mais insignificante que eu às vezes me sinta, de um pequeno modo estou causando um impacto na vida de alguém. A sensação de que há pessoas que ficariam tristes se eu de repente parasse de fazer parte da vida delas.

Eu disse (diversas vezes) que o Desencontro do ano passado foi o melhor evento da minha vida. A segunda edição do evento tomou esse lugar.

Como conclusão, só posso dizer que me sinto extremamente sortudo e privilegiado de poder, ainda que brevemente, experimentar esse estilo de vida — as festas com grandes amigos, o carinho intenso (de mão-dupla, aliás) de pessoas que sabem que em breve se separarão por muito tempo, e a sensação de ser uma celebridade nesse microcosmo internético.

É por isso que falei de “ressaca emocional”. Sinto que “tomei todas” no sentido metafórico (e não apenas neste sentido, mas deixemos isso pra lá no momento). Entreguei-me completamente à emoção de pertencer a esse grupo, e agora a melancolia de ir pra muito longe de vocês me faz pensar, como o bebum na manhã seguinte, que eu deveria ter me limitado mais.

Mas, como falei no começo, me apego muito facilmente às pessoas. Fazer o que…

E que venha o Desencontro 2013. Espero poder rever todos vocês.

Agora deixa eu ir jogar um Mario Worldzim ou alguma coisa assim antes que eu pare pra pensar que minha residência canadense me impedirá pra sempre de passar muito tempo com vocês e eu fique todo melancólico aqui.

” target=”-blank”>E aqui está o videozim que fiz do evento, se você ainda não o viu.

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Ói nóis aqui traveis. Vossas macumbas são fracas.

Ontem às 3 da tarde eu embarquei em Calgary com destino a Chicago. O clima de Calgary estava assim:


Ou seja, não é uma situação metereológica propícia pra desafiar a natureza com esse negócio de vôo humano tripulado. Mas fazer o que? Engoli o medinho e segui em direção à fila de embarque.

O vôo pra Chicago, que é apenas a primeira parte dessa longa e cansativa viagem em direção ao hemisfério sul, foi bastante tranqüila. Passei a maior parte do tempo assistindo filmes no iPad e lembrando de 300 outros filmes que eu preferia assistir mas não lembrei de baixar antes da viagem.


Como falei, o percurso foi mega tranquilo. Algumas breves turbulências daquelas que fazem você rever mentalmente o saldo completo da própria vida, mas nada de tão alarmante.

Cheguei em O’Hare, o aeroporto de Chicago que eu acidentalmente digitei como “O’Harem” e me fez imaginar um universo paralelo em que viagens aéreas são muito mais prazerosas.


Como apenas e exclusivamente me fodo, eu tinha apenas uma hora de conexão entre os dois vôos, e um dos portões ficava na entrada do aeroporto, enquanto o outro ficava a aproximadamente 200km de distância.

Achei esse mapinha que me indicava a distância entre os dois portões e já começou a bater meu desespero patenteado. Desembarquei no F14, tinha que pegar o próximo avião em menos de uma hora no C18.


Achei o caminho, mas não sem antes me perder temporariamente e cogitar abandonar a viagem ao Brasil e viver como um mendigo nas dependências do aeroporto, como naquele filme do Tom Hanks “O Náufrago”.

Finalmente avisto o meu portão de embarque.


Chego lá no portão e encontro a brasileirada. Eu tinha menos de 40 minutos pro embarque, então localizei uma lanchonete fast food nas proximidades e praticamente INALEI um cheeseburger, tamanha foi a pressa e eficiência em transportar aquele lanche diretamente à minha corrente sangüínea. Consigo sentir os carboidratos passeando pelos meus capilares.

Uma vez dentro do avião, tive a chance de praticar mais uma vez um de meus favoritos passatempos: observar brasileiros em seu hábitat natural (ou seja, excursões pros EUA).

Como liguei pra mulher logo antes de embarcar — e após quase 10 anos no Canadá, meu sotaque é bastante próximo de um nativo –, tenho a impressão de que a turma lá achou que eu era gringo mesmo.

 

Sendo protegido por este modo stealth (ou seja, sendo alguém que não podia entende-los), observei seu comportamento tal qual um cinegrafista do Discovery Channel — ou seja, documentar porém jamais interferir.

Empreguei essa Prime Directive até quando o casal sentado ao meu lado pedia, exasperadamente, uma Coca Zero mas a aeromoça da United Airlines insistia em entender “vodca”, sabe-se lá como. Senti-me tentado a falar “trás uma Coke zero pra esses coitados logo pelo amor de deus”, mas aí lembrei daquele ditado de que não se deve dar um peixe ao homem, e sim ensina-lo a pescar. Como não se pesca coca zero ficou tudo por isso mesmo.

Alguns momentos mais tarde, quando serviram o jantar, atentei para mais uma desvantagem de viajar sozinho. Acontece que eu sou bem fresco pra comer, e minha mulher sempre me dá encarecidamente seu pãozinho ou qualquer outra porção menos asquerosa daquele jantar nojento de avião. Ficando assim com dois (o meu e o dela), dá pra forrar o bucho apesar de detestar aquele polímero de látex que apenas crianças de colo acreditariam tratar-se de frango.

A ausência de minha companheira feriu então não apenas meu coração apaixonado, mas também meu estômago. Resignado, empurrei o frango” pro lado e mordisquei o pãozinho enquanto bebericava minha Sprite, pensativo. Não estava pensando em nada, na verdade, mas gosto de parecer pensativo.

Enfim, cheguei em Guarulhos muitas horas mais tarde. Desde que meu pai teve sua mala do laptop roubada lá, eu ando por ali como se as próprias paredes fossem empurrar um revolver na minha cara e exigir minha carteira. Você precisa ver como eu ando por aquele aeroporto, desconfiado da própria sombra.


Na área de embarque, aquele amontoado de cearenses (calma, leitor paraquedista — não há xenofobia aqui, sou cearense também) fazendo fila no portão muito antes do embarque começar.

Àquela altura, o estômago que havia agüentado uma viagem de mais de 10 horas à base de um mísero pãozinho protestava revoltadamente. Adquiri uma coxinha (de sabor duvidoso) e um guaraná Kuat (com sabor duvidoso também, pra combinar), mas o embarque começou logo em seguida. Praguejei silenciosamente, abocanhei o máximo da coxinha que pude e joguei o resto fora. O embarque era feito através daqueles ônibus, e ele estava lotadaço e eu já tava sofrendo tendo que carregar duas mochilas e o suéter. Preferi desperdiçar 50% de coxinha do que fazer esse malabarismo num ônibus lotado.

Entrei no TERCEIRO avião, dessa vez com destino a Fortaleza. Mais alguns filminhos mais tarde, aterrisso na capital da urbanização e desenvolvimento deste país.

Já saí com alguns amigos e encontrei-me com a cúpula de organização do Desencontro no hotel que sediará o evento. Até aqui, tudo bem!

Eu sempre esqueço o quão úmido o ar aqui é. As colchas de cama aqui no Brasil tem um cheiro bem característico por causa disso, aliás. Minha mulher estranhou pra caramba na primeira vez que veio aqui.

Sempre me surpreendo como tantas trivialidades da experiência de vida brasileira (algo que vivi por boa parte da minha existência) me parece não-familiar hoje em dia.

Imagino como será estranho visitar o Brasil daqui 10 anos, quando a parcela canadense da minha vida for MAIOR que a brasileira.

Isso me dá um nó sinistro na cachola, confesso. Ser brasileiro é um pedaço imenso do meu senso de auto-identificação; o que acontecerá quando eu for mais canadense que brasileiro…? E com isso entenda-se “quando minha parcela de vida canadense for maior que a de vida brasileira”. Vivi 19 anos no Brasil, e até o presente momento, 9 no Canadá.

É isso aí, turma. Lá vou eu para o Brasil novamente. Pela primeira vez, irei sem minha mulher, que é uma parada que me deixa muito melancólico.

Somos extremamente apegados, fazemos tudo juntos. Passar duas semanas longe dela será foda.

Inclusive, eu estava pensando aqui: antes de nos conhecermos, ela morava em Toronto e eu em São Luís. Agora, moramos em Calgary e eu irei pra Fortaleza (passando por Sampa). Ou seja, estarei MAIS longe dela do que jamais estivemos — mais longe até do que estávamos antes de nos conhecer!

Aliás, passar 28 horas em aviões sem compania alguma é uma dureza. Sem dúvida a Air Canada ainda deve ter posto um gordo do meu lado, que sem dúvida lamentará o fato de que ele também foi sentado do lado de um gordo.

O motivo pelo qual visito a pátria mãe novamente é o Desencontro. O do ano passado foi assim:

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Pra quem pergunta, minha mulher não comparecerá este ano porque já arcamos com despesas financeiras suficientes para falir um pequeno país do leste europeu este ano (faculdade, carro, casamento, etc). Decidimos que seria melhor que ela ficasse por aqui mesmo, e à véspera da viagem começo a me arrepender um pouco de não ser mais aventureiro em relação ao meu cartão de crédito.

Agora já era.

Espero ver todos vocês aí :)

A propósito, como sempre o HBD e o vlog continuarão daí do Brasil, embora entrem no modo “diário de viagem”. Aliás, agora com o novo iPad fica mais tranquilo fazer vlogs turísticos. Pra quem tiver curiosidade de como o HBD geralmente é atualizado quando estou de “férias” no Brasil (não considero ir ao Brasil como férias, explico mais tarde), basta visitas as categorias Brasil 2009, Brasil 2010, e Brasil 2011.

Até mais.

Estou com uma viagem ao Brasil marcada pro dia 26 de março, para comparecer a este fenomenal evento aqui. Como é de costume, há todo um ritual pré-viagem:

  • Baixar os quadrinhos que planejo ler há anos (não me encha o saco, eu compro mais quadrinhos do que baixo — e quase sempre compro os que baixo também);
  • Averiguar que os abandonwares do netbook (que em geral requerem algumas gambiarragens para funcionar em sistemas operacionais mais recentes) estão todos funcionando de boa;
  • Lamentar o fato de que não posso acessar Netflix (ou a própria internet pra ser sincero) durante o vôo. Estamos ou não vivendo no futuro profetizado pelos Jetsons, caralho?;
  • Entrar em contato com amigos de Fortaleza pra avisa-los de meu iminente e triunfal retorno à pátria-mãe;
  • Comentar no tuíter que sempre viajo portando apenas uma mochila, não importa o destino ou duração da viagem.

Curiosamente, este último item do meu pre-flight check sempre causa consternação entre esta pequena nação de pessoas que me segue no tuíter. Aliás, sabia que há mais de vocês do que há habitantes na orgulhosa República de Palau? Bem que podíamos começar uma religião ou um partido político né? Enfim.

Sempre que menciono que não gosto de viajar com malas, aparecem dúzias de colegas internautas para questionar essa decisão/escrotiza-la abertamente e sem medo de ser feliz. Alguns parecem não compreender de forma alguma o que levaria um ser humano a abdicar de praticamente tudo que possui durante uma viagem, optando apenas pelos pertences que cabem numa minúscula mochila.

E eu me sinto feliz por vocês, porque tal dúvida indica que vocês nunca tiveram que passar pelo desesperador processo de viajar para o exterior.

“PFFF QUIDE EU FUI PRA ORLANDO QUANDO EU TINHA 12 ANOS E ADOREEEEI…”

Não. Pare. Não comece com esse tipo de argumento. Primeiro que muitas coisas que gostávamos quando éramos mais novos eram uma merda, a gente apenas não tinha noção disso (vide Limp Bizkit). Viajar de avião quando você é moleque, por exemplo, é pura alegria e aventura e motivo para se gabar pros amiguinhos da escola quando você retorna. Essa é a melhor época pra viajar de avião, alias: é o único momento em toda a sua vida em que você pode confortavelmente dormir numa potrona de avião.

O que você considera uma viagem longa? 10 horas? 15 horas? VINTE HORAS? Observe o tipo de tortura a que tenho que me sujeitar quando vou ao Brasil: VINTE E OITO HORAS. Ou “vinte oito horas”, eu não conheço as regrinhas em relação a números porque, honestamente, eu sou muito burro.

28 horas, mano. O motivo da viagem tão longa é o seguinte itinerário:

 

Primeiro eu saio de Calgary, que é meio que um interior-cidade grande (tipo Campinas porém sem a baitolagem galopante que dá a fama internacional ao município). Pousamos em Houston pra trocar de “aeronave”, que é um termo que eu adoro e que infelizmente não consigo colocar em mais textos. “Aeronave”.

De lá seguimos rumo a São Paulo, esta grande metrópole brasileira a quem Tiririca deve sua carreira política estelar. Note que São Paulo fica muito  ao sul do meu destino final; isso significa que desperdiço aproximadamente OITO HORAS voando até Guarulhos (e perambulando sem rumo no aeroporto) e depois seguindo rumo a Fortaleza.

Você não tem idéia da profunda agonia que assola a mente de um indivíduo que faz tal traslado. 28 horas enfiado numa aerolata de sardinha, rodeado por estranhos, tentando espremer o máximo de vida de bateria de cada um dos meus gadgets (o que significa telas obscurecidas ao ponto do meu iPad se tornar indistinguível de um tablet desligado). Quando finalmente desço em Guarulhos e penso “amaldiçoados sejam os corintianos que perambulam por esta cidade, ainda tenho mais quatro horas de vôo!”, ua tristeza profunda toma conta da minha alma.

Felizmente existem estabelecimentos no aeroporto que apaziguam meus ânimos por intermédio de uma coxinha de preço exorbitante e uma latinha de guaraná antártica que, de acordo com emails confiáveis que recebi nos anos 90, servem como mictório de ratos quando o garçom não está olhando.

Do que diabos eu estava falando mesmo? Ah sim, as malas.

A mala é a parte mais chata de uma viagem (não é a toa que o substantivo virou sinônimo pra “pessoa inconveniente”). É aquele trambolho que você precisa ficar carregando de um lado pro outro feito o filho do primeiro casamento da sua esposa. Ninguém gosta de malas.

Ter que viajar de mala já é um suplício. Viajar de mala passando por 4 aeroportos e 3 alfândegas é ainda mais desgracístico. Ter que repetidamente pegar e redespachar a parada, passar a viagem inteira achando que seus pertences serão extraviados (como exercício mental, pronuncie a palavra como se estivesse dizendo “extra: viado”), é uma merda.

Por isso desde 2009, quando comecei uma tradição de visitar o Brasil todo ano, decidi que sempre levaria apenas uma mochila. Jogo a mochila no ombro, entro no avião, cabou. Isso reduz em 94% a encheção de saco e preocupação de uma viagem — 60% desta cifra sendo composta pela desculpa embutida “foi mal cara, não posso trazer o amplificador de guitarra que você me pediu, tou trazendo só uma mochila!”

Colegas que moram no exterior sabem que suas vindas para o Brasil dão início à temporada de “amigos sumidos há décadas aparecendo do nada no MSN implorando por muamba”. Traria tudo que pudesse, se isso não fosse um desgaste desnecessário e uma encheção de saco na hora de preencher a declaração da aduana.

Ah, tem isso também: trazendo apenas uma mochila, nenhum fiscal de nenhuma alfândega te enche o saco. Eles olham pra você com o mesmo desgosto de um pescador que acaba de capturar uma única sardinha de 50 gramas e, como tal, deixam-no ir embora sem te importunar.

Além disso, viajar com apenas uma mochila é uma experiência zen budista — isso te obriga a abrir mão de todos os supérfluos da vida contemporânea e se ater apenas ao essencial. Cuecas? Não, permitirei à minha piroca a mesma liberdade de “ir e vir” que eu desfruto de acordo com a constituição brasileira. Escova de dente? Desnecessária; os maus espíritos que causam cáries não me acompanharão até o Brasil. E assim você vai reduzindo sua carga ao mínimo necessário, e sobra bastante espaço pros gadgets e seus devidos carregadores.

Recomendo a todos a viajar apenas de mochila. Não discuta comigo, é a melhor e mais inteligente forma de viajar.

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