golfim

Olhe ao seu redor. Seu computador, seu celular, seu videogame, a própria energia elétrica que permite que você use todos esses equipamentos para ignorar suas responsabilidades e família… a ciência é realmente uma maravilha.

Entretanto, pra cada acerto da ciência, houve um imenso histórico de erros. E ao contrário da nossa vida e do Tetris, onde os acertos se apagam e os erros se acumulam, com a ciência é mais fácil lembrar das vitórias do que das pisadas na jaca. Todos conhecemos e aplaudimos o programa espacial, o GPS e o radinho a pilha, mas você lembra, ou sequer sabia, que a CIA montou puteiros nos EUA nos anos 50 pra meter LSD na galera sem que eles soubessem disso? Poisé.

Então, a história de hoje é mais uma dessas presepadas científicas que se você parar pra pensar eu já devia ter contado aqui no HBD. Esse tipo de história é simplesmente perfeita pro meu site.

Em 1958 um neurocientista chamado John C Lilly montou um mega laboratório pra estudar as capacidades cognitivas dos golfinhos. A teoria é que bebês aprendem a falar por causa do convívio com humanos, logo, e se um golfinho convivesse com um ser humano? Vai aprender a falar, lógico.

O cara montou uma casa parcialmente cheia de água, e botou uma de suas colegas de trabalho pra morar com o golfinho. A garota passava os dias brincando com o golfinho, encorajando-o a fazer sons mais próximos da fonética humana.

O que em golfinhês aparentemente significa que a mina tava afim. Ah, esqueci de mencionar que o nome do bicho era PETER. Eu devia ter dito isso antes, porque o texto fica melhor estruturado, e eu poderia até editar o começo pra incluir o nome do filho da puta lá em cima, mas foda-se.

Então, o Peter começou a fazer avanços sexuais pra cima da Margaret, cujo nome eu também só lembrei de mencionar agora. Minha professora de redação da sexta série me daria um zero redondíssimo por esse texto. As “cantadas” do golfinho, que começaram com mordiscadas nos pés e coisas do tipo, começaram a ficar um pouco mais agressivas, obrigando a mulher a andar dentro da casa com botas de borracha e um cabo de vassoura pra disciplinar o golfinho tarado. Em algumas ocasiões o Peter bateu na mina com tanta agressividade que deixou hematomas.

Se só assistir Tubarão já deixa alguém traumatizado de ir à praia de novo, imagina então essa pobre mulher. Pelo menos o tubarão tá tentando te comer só com a boca.

O jeito foi mandar o Peter pra ter encontro românticos com as golfinhas, pra ver se aliviava o tesão do animal. O problema é que os pesquisadores começaram a temer que esse contato com outros cetáceos iria fazer o Peter “esquecer” o pouco que já tinha aprendido. Não tem jeito, trouxeram o bicho de volta pra casa e a Margaret que tome cuidado.

Mas o golfinho resolveu partir pra outra estratégia. Em vez de descer a porrada na pesquisadora, ele começou a fazer avanços mais tenros — que consistiam em fazer uns carinhos na mulher e depois virar e mostrar a piroca. Conheço caras que fazem isso no Twitter também.

Movida por sei lá que tipo de lógica, a pesquisadora decidiu que fazer uns “agrados” no golfinho talvez o tornasse mais cooperativo. E de fato isso aconteceu — o bicho parou definitivamente de fazer avanços tão agressivos e se tornou mais atencioso durante as lições.

Falando nelas, existem gravações de algumas sessões da Margaret com o Peter. Se parece simplesmente que alguém está peidando dentro de uma banheira, bem, é isso mesmo.

Os pesquisadores decidiram que se o preço da cooperação do golfinho era que a Margaret teria que bater ali umas punhetinhas nele de vez em quando, bem, é o custo do progresso.

Teve uma época em que o governo americano gostava de meter LSD em experiências, de acordo com o princípio da metodologia científica entitulado “Vai Que Dá Em Alguma Coisa”. Seguindo essa cartilha, os pesquisadores começaram a dar LSD pro golfinho. Enquanto a menina lá batia aquela punhetinha no bicho.

Eventualmente alguém decidiu que essa putaria toda aí não valia o dinheiro do contribuinte, e cancelaram os fundos da pesquisa — que também não rendeu nenhum resultado esperado. Jamais conseguiram ensinar o animal a falar nada.

Por outro lado um golfinho conseguiu treinar humanos a lhe dar drogas e punhetas.

halley

Um leitor reclamou outro dia que eu não escrevo mais tantos posts sobre ciência, como este das lombrigas ou este aqui das abelhas. Deve até ter alguns outros aí que esqueci.

É irônico que não haja mais textos seguindo esses moldes, porque são os que eu mais gosto. Esses textos são uma mistura das duas características que me definem melhor, desde a infância — insaciável curiosidade, e um hábito de transformar TUDO em piada.

É assim: alguma curiosidade me bate aqui, e aí antes que eu perceba eu já li uns 3 ou 4 ou 50 artigos na Wikipédia sobre aquele tema. No que vou lendo o artigo, me ocorre que há uma boa parcela do meu público que não sabe quase nada sobre o assunto; um espírito meio pedagógico toma conta de mim e eu resolvo então escrever um texto explicando o negócio — com piadinhas.

Então, COMETAS!

porra

Esse passou RASPANDO

A maioria das pessoas sabe bem pouco sobre cometas, eu diria. Um deles teria fodido os dinossauros, ou algo assim…? É o nome de uma empresa de fretes, né não?

Cometas são pequenos pedregulhos congelados que orbitam ao redor de uma estrela, geralmente com uma órbita que vai dar a volta lá na casa do caralho, e por isso eles demoram um tempão pra reaparecer. Pra tu ter uma noção, consideram-se “cometas de período curto” aqueles que demoram “só” 200 anos dando essa volta no sol. O Hale-Bopp, que foi provavelmente o cometa mais observado pela civilização humana, só vai voltar aqui mais de dois mil anos. Aliás, guarde esse nome, será relevante mais tarde.

Como nos ensinou o Balão Mágico, cometas tem cauda. São, até onde sabemos, o único astro com tal característica. Isso acontece porque o núcleo de um cometa, assim como o coração do professor de Cálculo Vetorial que em 2003 me reprovou e falou que se dependesse dele eu reprovaria outras 5 vezes, é feito de gelo. Quando o bicho se aproxima do sol, o cometa e não meu professor de Cálculo Vetorial infelizmente, este ferve o gelo lá dentro.

O gelo sobe à superfície do astro e forma uma mini-atmosfera, que eu interpreto como a sua forma de se entrosar melhor com os planetas dos quais ele se aproxima. O Sol, que é macaco velho e não cai nessas fuleragens, sopra vento solar (que na verdade são partículas ionizadas que o sol cospe pra todas as direções) pra cima do cometa, o que empurra essa atmosfera pra puta que o pariu. E isso cria a tal cauda na qual o Balão Mágico sugeriu que poderíamos pegar carona.

balão

Como eles não eram exatamente astrofísicos de renome, ou até mesmo sem renome, não recomendo essa sugestão

Uma coisa que eu não sabia sobre cometas é que nem todos eles saem do sistema solar. Como passam muito tempo sem dar as caras, como é o caso do famoso cometa Halley — aliás, talvez o MAIS famoso –, eu acha que os bichos saiam do sistema solar pra dar uma volta no espaço interestelar. Não é o caso com o Halley: ele passa perto o bastante de Plutão pra dar um tchau e volta em direção ao sol.

plutao

A propósito, Halley é o único cometa visível a olho nu que pode ser observado duas vezes por alguém. Essa volta toda dele demora entre 75 e 76 anos; sua próxima passagem está agendada pra 2061, que é um excelente motivador para que eu pare de comer no McDonalds ou usar milkshake como o leite do meu sucrilhos. O interessante do Halley é que, apesar de ter sido visto inúmeras vezes pela civilização humana, não tinhamos o know how astrômico pra sacar que aquelas aparições eram o mesmo corpo celeste. Só em 1705 alguém finalmente falou “MATEI A CHARADA, É A MESMA PARADA”, um cara que coincidentemente tinha o mesmo nome do astro: Edmund Halley.

Pra constar, Halley não é o cometa que passa com mais frequência por estas bandas. Nosso freguês cativo é o pequenino 19P/Borrelly, que de 6 em 6 anos dá o ar de sua graça. Na escala astronômica isso é tão breve que é como se ele basicamente morasse aqui com a gente.

Só que um cometinha minúsculo de merda desse que não dá nem pra ver é a coisa mais sem graça do mundo. Aliás, nem “do mundo”: é a coisa mais sem graça do sistema solar.

DE ONDE VEM ESSAS MERDAS, você se pergunta? A teoria vigente é que eles são fabricados na nuvem de Oort, uma espécie de “cerca” que, bem, cerca o sistema solar. A nuvem é composta de diversos pequenos corpos celestiais feitos de gelo, e ocasionalmente um deles é capturado pelo nosso sol e começa essa peregrinação espacial. Curiosamente, a teoria da nuvem foi elaborada justamente pra explicar a existência de cometas, algo que eu também não sabia.

Aliás, o que eu também não sabia é que a nuvem de Oort é IMENSA. Tipo, ela é grande PRA CARALHO, maior do que você deve estar imaginando. Pra você ter uma noção, ela se estende até mais ou menos METADE do caminho daqui até a estrela mais próxima. E se você lembra bem, demora QUATRO ANOS pra luz ir daqui até lá.

A gente demorou a manjar qual que era a dos cometas, e por muito tempo nossos antepassados supersticiosos acharam que a passagem de um cometa significava desastre. Aliás, a própria palavra “desastre” está intimamente ligada a cometas: o termo originalmente significa algo como “má estrela”; daí isso o “astre” na palavra. Não deve ser coincidência que “catástrofe” também tem “astro” no meio (mas é sim, eu pesquisei e descobri decepcionado que curiosamente não tem conexão com “estrela”).

E antes que você dê um tapinha nas próprias costas “rsrs, esses nossos antepassados eram bem bobinhos né…”, fique sabendo que a crença de que cometas tinham algum significância espiritual/metafísica não era exclusividade dos povos da antiguidade.

Mas isso é assunto pra outro post. Lembra do Hale-Bopp que eu mencionei lá atrás? Então. Tem a ver com ele.

Hoje em dia, as mais brilhantes mentes da nossa geração estão projetando celulares, joguinhos de realidade virtual e uma cura para o torcicolo. Existiu um período na nossa história, no entanto, que os mais proeminentes cientistas estavam engajados na nobre atividade de “desenvolver os melhores métodos de soltar bombas atômicas na cabeça dos americanos/soviéticos”, dependendo da nacionalidade destes cientistas.

E um dos projetos que os caras tinham em suas pranchetas se chamava “Project Pluto”, ou “Projeto Plutão” na versão Herbet Richers.

O míssil levava esse nome porque eu imagino que o nome “Projeto Regaça Essa Porra Toda” já tinha sido usado pra alguma outra coisa.

project pluto

É o seguinte. O Projeto Plutão era um veículo aéreo não-tripulado movido através de um reator nuclear, que é definitivamente a forma mais METAL de locomoção, e portando dezesseis ogivas atômicas. O troço era levado à estratosfera através de foguetes convencionais; chegando lá, ligavam remotamente o reator, e o bicho ficava circulando no ar.

Como a beleza da energia nuclear é justamente a longevidade, o míssil podia ficar lá em cima indefinidamente, por MESES, até alguma merda acontecer (digamos, os russos espirrarem muito alto pro lado de Washington).

Nisso o presidente americando pegaria um telefone vermelho igual aquele do comissário Gordon, diria “arromba esses fela da puta tudo então, foda-se!“, e algum general cheio de medalhas no peito do outro lado da linha diria em seguida “SENTA O DEDO NESSA PORRA, SARGENTO“.

Uma vez ativado, o míssil pararia de rodopiar a esmo em cima do oceano Pacífico e voaria então na direção da capital soviética. Lembra as dezesseis ogivas atômicas que eu mencionei? Então, o bicho iria soltando as bombas aqui e ali pela Rússia no meio do caminho, como um carteiro da morte, causando uma linha de destruição sem precedentes da história da humanidade.

A propósito, o nome do foguete era “SLAM”, sigla de “Supersonic Low Altitude Missile”. Acontece que “slam” em inglês também significa “dar uma porrada”, ou seja: eu vi o que vocês fizeram aí, Força Aérea Americana.

E não é só isso. Quando as ogivas se esgotassem, o SLAM ficaria girando por algumas semanas em baixa altitude em cima de Moscou; as contínuas ondas de choque provocadas pelo míssil entrando e saindo de velocidade supersônica detonando a cidade abaixo. Quando acabasse a autonomia de vôo do foguete, ele se arremessaria com tudo em algum prédio da capital soviética (aquele do Tetris, provavelmente)

tetris

Pra colocarem na capa do mais distinto game soviético, deve ser um local de extrema importância

Agora que vem a parte mais louca. A arma era tão Mortal-Kombatmente exagerada em sua destruição de vidas humanas, que a Força Aérea americana teve receio que o desenvolvimento dela causasse os soviéticos a planejar o seu próprio SLAM — com algumas daquelas letras russas loucas na sigla mas igualmente destrutivo. O projeto é “muito provocatico”, foi o que finalmente decidiram.

A parada era tão absurdamente demolidora que o governo americano decidiu não abrir aquela caixa de pandora. Isso é o mesmo governo, repare, que estava disposto a se aliar com cientistas nazistas na esperança de que aquilo ajudaria a desenvolver foguetes mais eficientes.

TENSO, mermão.

lombrigas

A minha consideração com vocês é tanta que eu me dei ao trabalho de Paintizar essa imagem em vez de pôr aqui uma foto de uma lombriga real

Eu não sei se ainda rola isso, mas quando eu era pivete sempre tinha um capítulo no livro de ciências sobre o ciclo de vida de parasitas. Inevitavelmente tinha uma ilustração que explicava a perpetuação dos vermes no interior do Brasil: um capiau infectado cagava no mato bem do lado da lagoa onde pega água, ou perto de um poço. Os ovos dos parasitas em suas fezes iam correndo pra água, que então era bebida ou usada pra regar plantinhas, e começava tudo de novo.

Eu nunca entendi porque vermes eram um problema tão grave no Brasil. Se essa imagem era suficiente pra que até eu, um moleque de 10 ou 11 anos, entendesse que devemos cagar um pouco mais longe dos locais onde bebemos água, qual seria a dificuldade de tirar umas xerox daquela página e entregar na roça? “Seu José, eu entendo que aquele seu lugar de cagar é uma espécie de tradição familiar de várias gerações, mas se o senhor cagar uns 100 metros à esquerda a gente resolve esse problema” Bastava uma propaganda de 15 segundos no comercial da novela e levaríamos as lombrigas à extinção.

Como faziam uns 20 anos desde a última vez que li sobre as lombrigas naqueles livros lá, resolvi dar um pulinho na Wikipédia para bater um papo com essas velhas das aulas de biologia.

Uma parada que eu não sabia é que as lombrigas só infectam humanos. De toda a fauna terrestres, nós somos o único hospedeiro pra elas. Nascemos um para o outro.

Outro negócio que eu também não sabia é que as lombrigas não ficam apenas no intestino como as ilustrações dos meus livros explicavam. Imagino que os autores estavam nos salvando do real horror das lombrigas. Na real, esses parasitas passeiam por todo o seu corpo — ao chegar no intestino, eles vão de carona na corrente sanguínea até chegar ao seu fígado. Dão um rolê por lá, e aí sobem pro teu coração (mano, pare por um instante e calcule o absoluto terror de ter uma lombriga NO SEU CORAÇÃO).

Do coração, as lombrigas vão de mala e cuia pro teu pulmão, que é meio que a casa de praia delas. As lombrigas ficam de boa lá por um tempo, relaxando e roubando um pouquinho do seu oxigênio. Quando ficam muito grandes, é a hora de retornar pra casa — as tripas.

A comitiva de lombrigas (humanos infectados geralmente tem entre 5 ou 6) sobre pra faringe, que é perigosamente e nojentamente perto da sua boca. Dão uma meia volta na altura no esôfago, e prosseguem em direção ao intestino.

lombriguinhas

Fig. 1: Seu intestino

Eis um dos muitos problemas em ter seres vivos habitando o seu corpo. Algumas lombrigas às vezes erram o caminho e saem pela boca do vivente.

Imagina você de boa no colégio, ou na balada, e de repente, não mais que de repente, uma lombriguinha bota a cabeça pra fora da sua boca. E você, conversando enquanto isso acontece, acidentamente morde a cabeça da lombriga.

Isso se você tem sorte. Essas lombrigas errantes pode se entalar nos seus brônquios e causar morte por asfixia.

Que mundo é esse em que vivemos, mano.

A parte mais assustadora é o fato de que um quinto da humanidade está infectado por lombrigas — ou seja, se você tem uma família de 5 membros, aquela coceirinha que você sentiu na garganta hoje pode muito bem ser uma lombriga perdida. A incidência é alta no Brasil porque, de acordo com a Wikipédia,

Caralho! Quando vocês falaram que o Brasil piorou com a Dilma eu não levei a sério! Nossas crianças estão comendo TERRA agora?!

Poisé. A propósito, se você quiser ter mais pesadelos, fique sabendo que nesse translado as lombrigas às vezes se perdem HARDCOREMENTE e vão parar sabe onde?

No seu olhinho.

olho

Pelo amor de deus

O que estou tentando dizer aqui é que existe uma chance razoável que você tem um pequeno time de lombrigas fazendo uma maratona dentro da suas cavidades.

No meu próximo post, explicarei o curioso fenômeno brasileiro das aranhas marrons fazendo “ninhos” dentro de colchões.

Abelhas.

640266 / Insect - Honney Bee

Mas pra você entender como chegamos neste assunto, e assim talvez ter um insight melhor da imprevisibilidade da minha cabeça perturbada, compreenda que tudo isso começou… nas Filipinas.

Nas Filipinas.

Há uma comunidade grande de filipinos em Calgary, sei lá porque. A principal língua deles é o tagalog; a despeito disso, menos de 30% do país fala Tagalog, tamanho é o número de outros dialetos por lá. Aliás, fica aqui uma curiosidade: a maioria dos meus colegas de trabalho são asiáticos/africanos, e eles acham estranho que o Brasil tenha apenas uma língua oficial.

Aparentemente, países com múltiplos idiomas são muito mais comuns que o contrário. Muitos duvidaram de mim, aliás: tive que mostrar pros caras na wikipédia e tudo. Todo mundo com quem eu trabalho fala PELO MENOS 3 línguas fluentemente.

Então, eu estou aprendendo algumas palavrinhas em tagalog. Há muita influência espanhola na sociedade filipina, por motivos óbvios — apesar dos portugueses terem chegado lá primeiro, os portugas não manjam muito de realmente tomar de conta das paradas (aí embaixo mesmo eles só ficaram com o Brasil); a coroa espanhola é que acabou fincando uma bandeira nas Filipinas.

De fato, o próprio nome do país é uma homenagem ao Rei Felipe II, dada pelo explorador Ruy López de Villalobos que devia ser um daqueles puxa-sacos de chefe e tal. Como a página da wikipédia não tem foto, tente imaginar a cara de bajulador escroto dele.

Então. Os colegas filipinos estavam me ensinando algumas palavras básicas e tal, quando descobri que eles não tem uma palavra pra “pasta de dentes”. Ou dizem “toothpaste” com o sotaque nativo deles — é comum na língua tagalog enfiar palavras em inglês, pelo que notei no Facebook –, ou dizem colgate em clara referência à marca. Isso se chama metonímia, caso você tenha esquecido.

Então comecei a pensar em exemplos similares em português. Temos os óbvios termos derivados de informática que nunca foram propriamente assimilados pelo português: hardware, software, mouse (que virou “rato” em Portugal mas foda-se, somos a maioria, então mouse é mouse mesmo), e aí alguém no Twitter mencionou o tal do “drone”.

Ele se referia aos veículos àreos não tripulados que os EUA usam pra entregar morte flamejante à domicílio em países por aí. De fato, não há uma palavra específica em português pra ESSE tipo de drone, mas temos pra outro tipo:

“Drone” seria também o macho de uma colônia de insetos, como formigas, abelhas ou cupins. E isso me fez pensar nas abelhas.

Dizem que devemos a biodiversidade do planeta, em boa parte, às abelhas e seu esforço polinizador. Portanto, não posso exatamente falar mal delas. Só que levei uma picada de uma abelha quando moleque (em sua defensa, eu meio que pisei em cima dela) e compreensivelmente eu as odeio agora.

MAS ENTÃO, tem as abelhas-rainha.

A do meio

Na prática, a abelha rainha não é exatamente uma “rainha” por assim dizer — ela não exerce nenhum tipo de liderança no grupo; ela é apenas a única fêmea fértil em toda a colméia. Sendo literalmente mãe de todas as abelhas da colônia, talvez “abelha-mãe” fosse o termo mais correto.

O ciclo de vida das abelhas as faz parecer algum tipo de alienígena; é realmente fascinante. É o seguinte: as abelhas trabalhadoras constróem “casulos reais”, especiais pra acomodar futuras rainhas. A rainha atual, quando “grávida”, sai botando ovos em todos os casulos que encontra pela frente.

As abelhinhas trabalhadoras, coitadas, vão então preenchendo os casulos com mel, mas alimentam as futuras rainhas sabe com o que? Com a tal da “geléia real”, que eu aposto que tu não sabia que é uma gororoba que elas excretam nojentamente porque a bem da verdade tudo na natureza é meio nojento.

É verdadeiramente alienígena a parada

Então, ao comer exclusivamente geléia real, a abelhinha (que até aqui era uma larva como outra qualquer) digivolve e vira uma abelha rainha. Só que tem um problema.

As abelhas não “treinam” apenas uma abelha; elas alimentam várias larvas com a geléia real. Quando as candidatas a rainha se tornam fisiologicamente maduras e saem dos casulo, é um deus nos acuda porque elas se detectam e então saem na porrada mortal. A sobrevivente final, com uns 50 olhos roxos eu imagino, é então coroada a rainha de fato. E tu achando que a competição de um vestibular era estressante.

A partir daí a vida da rainha não difere muito das monarcas humanas — o resto da colméia passa a tomar conta dela, alimentando e mantendo o seu asseio, sua prole sendo de extrema importância pra continuidade da colméia.

…Até o momento em que ela fica velha demais pra “trabalhar”. Com essa abelhopausa, rola uma queda da produção de feromônios. As abelhas funça detectam essa queda, e falam umas pras outras “olhaí, essa velha já tá coroca. FORA DILMA, vamo eleger outra!”

E sem cerimônias, as abelhas se amontoam na pobre rainha, aumentando sua temperatura e mordendo/picando a ex-governante. A parada é meio brutal:

Aliás, um detalhe: pelo menos a rainha tem uma fisiologia bem “normal” até. O cupim rainha, por outro lado, é realmente uma monstruosidade adaptada para a tarefa de gerar prole. Olha que merda:

Dat ass

O abdomen é tão deformado que a esse ponto o bicho não deve nem conseguir se locomover.

Nós dividimos o planeta com esses pequenos monstrinhos e todo mundo aceita isso de boa mano.

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