Dia dos Pais na segunda série

Bom, eu acho que estes eventos aconteceram na segunda série. Pode ter sido na terceira. Minha memória daquela época formativa é meio turva, infelizmente. Mas vamos começar do começo.

Estava aqui eu assistindo Carrossel no youtube, aquela antológica novelinha escolar infantil que resultou em… olha, eu tinha pensado numa frase mó relevante e engraçada mas aí eu lembrei que o principal resultado de Carrossel foi nos apresentar à Maria Joaquina, que um dia se tornaria uma gostosa classe A.

Eu nem sabia que existiam mexicanas gostosas

Sem dúvida este foi a melhor coisa advinda da série, muito do que os LPs com músicas, que os álbuns de figurinha, e o sofrível Carrossel das Américas — que segundo o IBGE foi responsável por causar AIDS em quem assistiu.

Como Carrossel era bom, né? A turma da nossa idade (que se encontrava na mesma faixa etária e etapa escolar que os personagens) se identificava muito com a série — e eu imagino que os adolescentes ou jovens adultos da época achavam ridiculamente imbecil. Mais ou menos como nós zoamos Justin Bieber/banda Restart e seus fãs e qualquer outro entretenimento da galera infantojuvenil.

Agora que eu paro pra pensar nisso, nós adultos somos meio babacas mesmo, né? Não é à toa que quando criança, julgávamos os adultos incapazes de se divertir e carecendo de um senso de humor. Tudo que a gente gostava, os caras davam um jeito de descreva-la parecendo um passatempo pra crianças com síndrome de down. Mas divago.

Então, eu estava vendo Carrossel, relembrando o quão maravilhosamente tosca era a dublagem, e aí me passou pela cabeça uma situação estranha que me ocorreu quando eu cursava o ensino fundamental.

Eu estudava no Colégio Adventista de Londrina. Inclusive, tive que parar de escrever esse texto pra procurar na web fotografias do colégio. Achei target=”_blank”>este vídeo no youtube e, apesar da infraestrutura ter mudado quase que completamente, os elementos da construção que eu reconheci me emocionaram. Incrível pensar que fazem mais de quinze anos desde a última vez que pisei naquele lugar…

Então. Como eu disse no começo antes da gostosa lá em cima, era a segunda ou a terceira série. O dia dos pais estava chegando, e na aula de artes — estou chutando que era aula de artes, porque tamanha boiolagem jamais teria sido permitida numa aula séria como matemática ou ciências — a nossa professora nos encarregou de confeccionar tosquíssimos cartões pros nossos pais.

A mulher passou pra turminha cartolina, cola em bastão, purpurina (calma, it gets gayer) lantejoulas, aquelas merdas todas. Pelos próximos 20 minutos a gurizada ficou lá labutando silenciosamente em seus cartões.

Se me lembro bem, desenhei um robô com a cola e afixei lantejoulas por cima. Pus mais cola no centro do “desenho” e arremessei uma mão cheia de purpurina cinza, pra colorir o robozinho. Era o autômato mais homossexual desde o personagem da target=”_blank”>canção icônica dos Mamonas (in memorian).

Pausa rápida: vocês que nasceram nos anos 90 e não tinham consciência cognitiva na época em que os Mamonas estavam vivos perderam o que significou um momento singular da cultura brasileira. Se matem logo, pois suas vidas jamais farão sentido.

Então. A gente fez os cartõezinhos tudo bonitinho, e a “tia” começou a passar os envelopes em que colocaríamos os cartões.

E aí veio a merda.

A professora começou a distribuir batons pra classe. Sim, meu querido amigo: BATONS. Uns 2 ou 3 — o que implicava que a molecada ia compartilhar batons, mas isso nem é a pior parte da história.

A professora então instrui a molecada a passar o baton e selar o envelope com um beijo. A ala masculina meio que torceu o nariz (exceto o Henrique, aquela bicha estridente, que se espevitou todo pra passar o baton), mas a mestra garantiu que “não tem problema”. Ainda duvidosos, a molecada aquiesceu e começou a passar o cosmético muito sem jeito, pra selar o envelope.

O baton chegou à minha carteira. Àquela altura umas 12 crianças já tinham enfiado aquela merda na boca. Mesmo desconhecendo coisas como herpes, a idéia me pareceu asqueirosa o bastante pra eu dispensa-la só pelos motivos higiênicos. Mas eu estava incerto.

Os gringos chamam o fenômeno de “peer pressure“. Quando todos os seus amigos fazem algo (e pior, quando uma figura de autoridade aparentemente apoia o ato), é quase impossível recusar alguma coisa. Confesso que o fato de que todos os meus coleguinhas escolares estavam com lábios pintados e parecendo dragqueens mirins puseram minha convicção em dúvida. “Se eles todos fizeram, não deve ser tão ruim assim”.

Felizmente, a criação religiosa e homofóbica falou mais alto. Decidi que baton “era coisa pra menina”, independente do que minha professora dizia. Considerei meus colegas uma cambada de bichas enrustidas e recusei o baton.

Hoje, anos mais tarde, eu fico imaginando qual teria sido o imenso desgosto do meu pai em receber um cartão com marca de beijo de um filho.

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comments

58 comments

  1. HUAUHAUHAUHAUHA
    Eu ficaria pensando o que fiz de errado pra receber um cartão com uma marca de batom feita pelo meu filho. E ainda imagino o que pensaram os pais que receberam esses cartões.
    Me veio à cabeça também a possibilidade engraçadíssima de que tivesse acontecido um surto de herpes causado por idiotice da sua professora de artes. Batons…pqp viu.

  2. Aconteceu isso comigo na pré-escola. Não lembro se era dia dos pais ou das mães, mas a idéia também era enfeitar um caderninho-cartão (umas folhas de Chamequinho grampeadas com alguns desenhos e outras boabagens) com beijos de batom. A tia, prevendo a reação da molecada, levou um batom em bastão pras meninas (todas compartilharam o mesmo) e um desses em potinho tipo maquiagem pra molecada, porque esse “não era batom” e “homem podia usar”.

    Todos os moleques toparam e lambuzaram seus respectivos cartões com batom e baba. Felizmente meu nojo/homofobia/sei-lá-o-que também falou mais alto e eu percebi que a tia tava tentando nos engambelar e que aquilo no potinho era batomzinho de menininha do mesmo jeito. Me recusei a fazer tamanha boiolagem, mas me convenceram a desenhar uns beijinhos com canetinha hidrocor, o que me pareceu menos reprovável na época (acho que ainda é), e certamente denunciaram minha recusa pra minha mãe na reunião de pais e mestres.

  3. Também ocorreu isso no meu colégio, e foi na segunda série (eu acho). Mais felizmente, para os meninos, a professora nos fez pintar a mão de guache para estampar a cartinha, e as meninas fizeram essa boiolice do batom.

    Desnecessário dizer que também deu merda: aquela gurizada toda com a mão suja de guache não pensou duas vezes em deixar a marca da palma de sua mão na camiseta branquniha dos amiguinhos… acho que foi a primeira vez que assinei o tal “Livro Negro” , e eu tinha apenas uns 8 ou 9 anos!

  4. Não tive experiencia tão homofaggistica, mas lembro muito bem das camisas, quadros e qlqr inutilidade caseira que faziamos nessas ocasiões. EM todas, usava a velha escova de dente com tinta, ou esponja embebida em tinta guache!

  5. Ahahaha, rolou o mesmo na minha infancia. Recusei mas acho que nem foi tanto por homofobia e sim por nojo, sempre fui frescurento de maquiagens em geral (se pintar de coelhinho jamais)

  6. A vuta que pariu! As “tias” adoravam botar a gente em situações constrangedoras. Pelo menos eu nunca tive este azar do batom em específico.

    Taqueuspariu, eu nunca entendi como funciona a cabeça de uma energúmena capaz de ter uma idéia de tal calibre.

  7. Mas cara, que diabos de professora é essa?

    Cartão selado com marca de batom e desejando feliz dia dos pais… Maluco, isso parece coisa de fetiche viu?

    (e hey izzy, apaga o meu outro comentário. Ficou meio nada a ver =/)

  8. Eu acho que hoje iriam encher mais o saco com a história do baton. Os pais acorreriam à escola e pediriam explicações. Bons tempos em que as “tias” trollavam à vontade a criançada.

  9. Também já passei por isso e confesso que adquiri gosto. Só que hoje procuro comprar batons sem cera pois abelhas sofrem muito estresse para produzi-la.

  10. Quando eu estava no Pré nos fizeram comprar uma caixa de ferramentas para dar pros pais, vazia e com o logo do colégio por sinal. 😆

  11. Pôxa Kid,e você queria uma foto do adventista de LOndrina era só me avisar!
    Da minha casa até o colégio em questão é coisa de 20 minutos a pé.

  12. Eu tive que fazer a mesmíssima coisa quando estava nessa idade,a tia mandou todo mundo passar batom e beijar o cartao pro papai.Coincidencia ou nao,era um colegio catolico (na epoca se chamava Externato Geremario Dantas).Sera que e alguma brincadeira de mal gosto de escolas religiosas?

    PS -- Meu teclado ta uma merda,entao nao impliquem muito pelo fato do meu comentario nao ter acentos.

  13. @Cynthia, isso não é troll, é uma babaca!

    Sério, uma pessoa de idade adulta que faz crianças partilharem esse tipo de objeto não deveria estar ministrando aulas! e sim repetir o 2º grau SEM dormir nas aulas de saúde pública/Biologia

    Eu nem vou entrar no mérito andrógeno… vou sair daqui sem nem comentar isso!

  14. UAHUAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUHAUHAUHAUHA
    ri demais, izzy! hahahaha

    btw: “Incrível pensar que fazem mais de quinze anos desde a última vez que pisei naquele lugar…”
    fazem não, faz!

  15. Caralho, gays inrustidos all over this shit. Lembro de meu PAI passar batom e beijar os azulejos da cozinha no dia dos namorados, e ver minha mãe se derretendo naquela baitolice típica de gente casada por causa disso. Ajudei e não sou bicha por isso. Além disso, herpes em crianças da segunda série? Puta que pariu, em que mundo vocês vivem? HHUAHAUHAUHUAHUAHUAHAUHUAH

    ps: Ri muito. =X

  16. [não precisa aceitar esse comentário]

    Well, parece que aqui é o único meio que vc consegue me ler então vai por aqui de novo xD
    Eu mandei um e-mail pra vc há alguns séculos atrás sobre o hivtv e tals, mas deixa pra lá.. eu já gravei e botei no youtube.
    Ficou pior que o primeiro, como era de se esperar, mas se mesmo assim vc quiser divulgar, eu deixo.. haha
    eu só queria fazer um pequeno pedido, se fosse possível perguntar pro seu “público” qual HBDtv merecia um hivtv, ou se eu tenho que parar de fazer pq tá uma bosta, sabe.. pq só vc perguntando pro povo pra eu saber 🙂

    mas se não der pra perguntar blz, eu continuo gravando do jeito que eu acho melhor, ou seja, continuará a bosta que é… lol

    tá aí o link
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    1. XD

      muito massa essa zuação com o Izzy.

      Izzy, faz um post com esse vídeo! tu foi homenageado, não era isso q tu sempre quis???

  17. em algum lugar do texto a maria joaquina gostosa dá espaço a uma professora homoafetiva que deseja ter uma turma de veadinhos.

    quero mais fotos da maria joaquina gostosa.

  18. Por um breve instante eu pensei, “putz, ele vai se entregar”.

    Bah, que alívio.

    E de fato, as escolas sempre se superam neste tipo de presente. Uma vez na famigerada aula de artes, minha professora mandou todo mundo fazer cinzeiros de argila pra presentear os pais (sim, cinzeiros). 15 anos atrás o politicamente correto não existia, mas ainda assim, nem todos éramos felizes.

  19. Kid, você conseguiu fazer meus professores parecerem legais… nunca rolou batom em sala de aula, no máximo purpurina, e só quem usava mesmo eram as meninas.

  20. Hey Kid!Eu estava dando uma olhada no seu primeiro post sobre o Charlie Sheen, você por um acaso tem algum convite sobrando para registros no Demonoid?
    Eu estou desesperado por um hahahahahaha.

    A propósito (Eu tenho certeza absoluta que o próximo comentário foderá completamente minhas minimas chances de ganhar um convite)eu acompanho o blog a mais ou menos um ano, e esse é o meu primeiro comentário, e sim eu não comentava antes por preguiça, e sim eu sou um filho da puta por meu primeiro comentário ser um pedido HAUHUHAUUHA

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