Diário da Lavoura: Segura meu rabanete

Stardew Valley é o tipo de joguinho para o qual eu achava que NUNCA teria paciência — parte RPG, parte simulador de fazendinha, inteiramente desinteressante pra mim. Não tenho paciência ou disciplina pra cumprir nem mesmo tarefas importantes na vida real; como eu poderia então cuidar de um sítio de mentirinha?

O que diabos haveria de divertido em capinar um terreno, alimentar galinhas ou plantar batatas?! Porra, a gente literalmente fala “vá plantar batatas!” como uma alternativa mais cristã ao usual “vai se foder”!

Eu não falo nem com meus vizinhos de verdade, não conheço o nome de nenhum. A que me importaria conhecer os habitantes pixelizados de Pelican Town, o pequeno vilarejo do jogo?

Após duas semanas de vício incontrolável em Stardew Valley eu descobri que estava (como quase sempre em minha vida) inteiramente enganado.

Stardew Valley, que é um dos grandes queridinhos dos indies, saiu inicialmente pra Steam e agora tá disponível em praticamente tudo que é console (e tá prestes a sair pra celular, também), incluindo meu idolatrado Switch.

O Nintendo Switch carece um pouco dos chamados “jogos AAA”, e até eu — um incorrigível fanboy do console — devo admitir tristemente que é verdade. Embora considerando que com uma belezura como Stardew Valley, sinceramente, não iria te sobrar muito tempo pra jogar mais nada mesmo.

A palavra-chave aqui é “tempo”. Mesmo Stardew Valley não me parecendo o tipo de jogo com o qual eu me envolveria a longo prazo — sou um jogador mais casual, que prefere uma partidinha rápida de 5 a 10 minutos e que me permita retornar ao meu dia a dia logo em seguida —, eu tive uma cirurgia de ombro esse mês. Eu sabia que ficaria de molho por um bom tempo, incapaz de trabalhar, e precisava de alguma distração pra ocupar a imensa quantidade de tempo livre iminente. E esse tipo de simulador, sempre me disseram, é perfeito pra isso.

Sem contar que o Switch, com seus controles destacável, é literalmente o único console viável quando se precisa passar 24 horas por dia com uma irritante tipóia no braço.

Tudo bem que não consigo nem limpar a bunda direito, mas com um joycon em cada mão, estou pronto para tornar-me um poderoso latifundiário!

Imagina uma versão brasileira do jogo, com você tendo que dar tiros em invasores do MST?!

Trinta horas mais tarde (o que seria suficiente pra zerar muito jogo duas vezes, mas em Stardew Valley é equivalente à sombra da formiguinha na ponta do iceberg), eu estou completamente envolvido com a minha fazendinha, a economia do jogo, e os relacionamentos que brotaram entre minhas idas e vindas ao centro da cidade pra vender minha colheita.

Resolvi documentar minha experiência aqui no site!

Bem vindo à Fazenda Penislândia! Eu devia ter escolhido outro nome.

Meu dia começou bem. Infelizmente, não havia chovido na noite anterior, então tive que regar algumas das minhas plantinhas manualmente, igual um Neandertal. Estou economizando material pra construir mais irrigadores automáticos, o que me economizará muito tempo no futuro.

É interessante que a chuva facilitar o meu trabalho virtual me faz recebê-la com a mesma alegria de quando eu era criança e a precipitação abaixava um pouco o calor saariano de Fortaleza.

Para alegria dos amantes dos animais, não dá pra matar os bichinhos em Stardew Valley

Fui no galinheiro em seguida, onde Piroquinha, Champolinha, Florinda e McNuggets (sim, esses são os nomes delas mesmo. Pensei em dar nome de candidatos das eleições mas ia datar muito rápido) me rendem uns trocados diariamente através de seus ovos. Na esquerda estão minhas máquinas de transformar ovo em maionese, o que rende um lucro maior.

Montei no Pocotó, meu fiel cavalinho,1 e me dirigi a Pelican Town pra vender meus rabanetes, e uma maionese daora que preparei no dia anterior. George, o velho rabugento da cidade mas que venho conquistando a base de presentinhos quase todo dia, estava na porta, reclamando do frio.

Estamos na primavera, seu louco! Deixa pra reclamar quando a neve estiver cobrindo tudo!

A profissão secreta do BRKsEDU

Vendi todos os meus rabanetes pro Pierre, garantindo a ele que a safra de quarta feira foi excepcional, e fiquei mais próximo do meu objetivo de construir um novo celeiro na Penislândia. Resolvi por curiosidade ver seu catálogo e nota que a muda de macieira está saindo por 4000 ouros, o que não é barato, então eu imagino que gera um lucro DESGRAÇADO.

Ainda mais depois que eu expandir a casa e começar a cozinhar com os ingredientes que eu produzo! No momento só vendo a colheita, maionese, e vegetais na conserva. Vender batata ou rabanete na conserva gera renda maior, embora o processo de conservar os troços consuma mais tempo.

Toda a economia do jogo funciona mais ou menos assim — cê pode vender o produto bruto que você colhe ou mineira, OU processa-lo em um produto mais industrializado e lucrar mais por unidade. E desenvolver a fazendinha pra poder oferecer mais produtos industrializados é um dos objetivos de Stardew Valley.

Por enquanto estou lucrando pouquinho, mal foi suficientes pra construir um estábulo e alguns fornos pra converter cobre que encontro nas minas por barras que posso usar pra vender/construir outras coisas.

Imagina quando eu puder levar tortas de maçã pra vender no mercado?! Mas pra isso, preciso levantar uma grana pra construir uma cozinha.

Vou ter que vender MUITO rabanete se quiser transformar minha fazendinha num grande exponente econômico de Pelican Town.

Ah, caso você esteja curioso: digitar com as duas mãos é quase impossível por causa da posição que a tipóia mantém minha mão direita — então escrevi esse post inteiro no celular, apenas com a mão esquerda.

Foi uma hora inteira em que eu poderia estar fazendo mais maionese pra vender pro Pierre. Isso sim é dedicação ao site!

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comments

7 comments

  1. Que bonita essa mistura de Tibia, Minecraft e Fazendinha Feliz. Deve usar o mecanismo de micro-recompensa pra prender o jogador no vício. Efeito cenoura no graveto.

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