E esses asteróides que vivem passando perto do nosso planeta, ein?

1998 foi um ano mágico por muitos motivos. Um deles é porque eu quase perdi minha virgindade (pra uma mulher que tinha quase 10 anos a mais que eu, veja você a situação). O outro foi esta obra prima do cinema nitroglicerínico — um gênero inventado e aperfeiçoado pelo Dr. Michael Bay, PHD:

 

Armageddon marcou minha adolescência de uma forma incomum: foi o primeiro filme que me spoilezaram ali na lata e sem piedade (coincidentemente, o segundo viria a ser Sexto Sentido, outro filme com o Bruce Willis). Eu estava na saída da igreja e um rapaz qualquer falou que havia acabado de assistir o filme. Ele vai e adiciona, sem a menor cerimônia, que é “o primeiro filme em que o Bruce Willis morre, é muito estranho”.

Fiquei atônito, sem saber nem o que dizer para este exímio exemplar de filho da puta. Era um filme que eu estava super empolgado para ver e o maluco conta o final sem nem pensar duas vezes. Não faço idéia de onde este infeliz possa estar atualmente, embora tenha esperanças de que ele tenha sido atropelado por um caminhão de lixo e arrastado por 500 metros numa rua não-asfaltada.

No aftermath de Armageddon, tudo quanto é jornal e revista lançou matérias do tipo “quais as chances de um asteróide cair aqui e aniquilar tudo”? A NASA foi citada em todos eles dizendo que o filme é o típico surrealismo hollywoodiano de sempre, porque um asteróide JAMAIS teria sido detectado tão “em cima da hora” assim.

Se eu tivesse que resumir em uma frase o posicionamento da NASA no fim dos anos 90 sobre a possibilidade de extinção generalizada graças a um corpo celestial errante, a frase seria “acalmem esses cus aí que a gente tá ligado nos esquema tudo e os broder tão falando aqui que é de boa, aff meu”.

Até aí beleza. Como a NASA é a NASA — essencialmente o sinônimo cultural de expertise e inteligência,  páreo somente para Einstein — e o Michael Bay é apenas o Michael Bay (o homem que viria um dia a cagar em cima das nossas memórias de infância com o aborto cinematográfico que é a trilogia Transformers), tivemos que aceitar o veredito da agência espacial.

Acontece que de uns tempos pra cá andaram passando (e até caindo) asteróides em nosso lar planetário e esses putos não tinham a menor idéia de NADA.

Tem este vídeo aí, tem esta matéria aqui, de janeiro deste ano. Ah, e tem esta outra aqui, de maio. Pera, esses filhos da puta antes me diziam que tal evento é raríssimo porque o espaço é imenso e praticamente vazio — devida a relativa raridade de matéria, em comparação com as vastas extensões sem nada. E depois falaram que MESMO QUE ALGO PASSE TÃO PERTO ASSIM, jamais saberíamos tão subitamente. As três semanas de aviso de Armageddon, diziam oficiais da NASA, eram praticamente “cômicas”.

Releia os links que eu postei acima. Você perceberá que em ambos os casos, os asteróides foram detectados meros DIAS antes de sua passagem pelo planeta Terra.

E não é só isso. Manja o plot central de Armageddon — uma missão da NASA de enviar uma bomba atômica para desviar um asteróide assassino –, considerado na época como uma proposta cinematográfica com típica desconexão com a realidade? E que, além disso, jamais precisaria ser efetuado já que asteróide passando aqui pertinho é muito raro e saberíamos com muitos anos de antecedência?

Cê manja que em 2007 a NASA começou um projeto que faz justamente isso, né? Manda uma bomba nuclear de mil caralhotons pra dinamitar qualquer bólido estelar que ameace nossa existência. Me explica, a propósito, pra que diabos servirá esse projeto — que decolará entre 2020 e 2021 — se esses infelizes às vezes só percebem astróides caindo quando vêem a sombra deles no chão?

E não se esqueça jamais que o plano de salvação deriva-se da trama de um filme do Michael Bay. AINDA que tudo isso dê certo, e que um hipotético asteróide aniquilador seja contra-atacado por uma bomba nuclear amarrada a um foguete no melhor estilo “Coiote tentando pegar o Papa-Léguas”, teremos que viver com o fato de que o homem que nos deu esta cena:

…será coroado como o salvador da raça humana.

Ou seja: de qualquer forma estamos todos fodidos. Esta é a pura e destilada verdade. 

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comments

18 comments

  1. Mas izzy, talvez a detecção de asteróides em si não seja o que a nasa afirmou ser, mas será que aquilo que ela disse não se aplica aos asteróides que realmente possam ameaçar nozza existência?

  2. O asteroide do filme tinha o tamanho do Texas. As duas notícias referem-se a asteroides bem menores, do tamanho de um ônibus.

    Nem deve ser difícil detectar um ônibus sem luz à uma caralhada de velocidade na nossa direção.

  3. 1. Não da pra confiar no que a NASA divulga (vide noticias sobre água no espaço)
    2. Igreja é uma merda mesmo, vc até leva spoiler na cara. Se vc não tivesse ido à igreja naquele dia não teria sido spoileado!

  4. Izzy, mas dos 3 exemplos que você citou (um deles eu não consegui abrir), um asteróide era do tamanho de um ônibus e o outro tinha três metros de “diâmetro”.

    Isso não exatamente “descobrir em cima da hora”. Tem uma agência espacial americana que monitora todos os objetos espaciais nas órbitas superiores maiores que um mouse de computador (dentre eles uma luva e uma caixa de ferramentas que astronautas deixaram cair).

    Se assumir uma velocidade de 50 mil quilômetros por hora e ele for detectado a 1 mês de se colidir inexoravelmente com a Terra (assumindo esta imóvel), ele estaria a 0.25 UA daqui, metade da diferença entre as órbitas da Terra e de Marte. Se colocar a velocidade da Terra na equação (um indo em direção do outro), a distância ainda assim seria de 0.8 UA, mais perto do que o cinturão de asteróides.

    Não sei qual o tamanho de um asteróide capaz de destruir a vida na Terra, mas será que um objeto de tamanho considerável seria detectado apenas a poucos anos de “distância”?

  5. Realmente, bom filme.

    Na verdade, a NASA tem sim de um mapeamento dos ‘objetos perigosos’ (acho que chama Near Earth Objects ou algo do tipo)
    E sim, há um meteoro com chances reais de cair aqui em 2036 (que, em caindo, embora não vá acabar com o mundo, mas vai causar um belo estrago).

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    PS: Ele foi descoberto em 2004, muito antes, portanto, de sua provável queda.

    PS2: Por óbvio, essa informação por si só não significa que o tal mapeamento seja confiável a ponto de identificar TODO objeto perigoso com muita antecedência. Ainda mais pq vivem alterando a “chance” do bagulho cair. Apenas citei a informação a título de curiosidade.

    PS3: Não lembro aonde li, mas há estimativas de que uma vez a cada X anos (acho que é 100) um grande meteoro cai e fode de forma considerável alguma parte da Terra.
    O último foi em 1908, em Tugunska, na Rússia. Teve neguim voando do chão a centenas de quilometros de distancia do bagulho, árvores petrificadas e o caralho a 4.
    Por “sorte”, o local da queda era uma área desabitada. Mas o estrago foi grande -- por ex, seria capaz de destruir a cidade de São Paulo, se aqui caísse.

    Já passamos dos 100 anos… Qdo será o próximo hehe?

    http://en.wikipedia.org/wiki/Tunguska_event

  6. Eu cito aqui um diálogo do próprio Armageddon, quando o presidente pergunta pro cara da Nasa como é que ninguém tinha visto o asteróide vindo, e ele fala que o orçamento só permite ver uns 3% do céu, e o céu é enorme.

  7. Pôxa, Kid, não é para tanto, né? Acho que na época a NASA falou que algo nas PROPORÇÕES do mega-meteoro mostrado no filme não passaria tão despercebido assim. Esses que você listou, como já comentado acima, eram MINÚSCULOS frente àquele. Esses realmente não tem como detectar TODOS com tanta antecedência assim.

    E o plano da bomba de ‘caralhotons’ (ri litros :D) é uma contingência que só seria útil para aqueles bólidos que estejam ainda há ANOS de uma possível colisão com a Terra. A ideia e soltar a bomba e explodi-la ao lado deles, ANOS antes, com a intenção de desviar 1″ de arco que seja na sua trajetória, para que dali a 20, 30, 40 anos ele passe centenas de milhares de quilômetros de distância da Terra, e não diretamente em seu caminho, reduzindo as possiblididades de um choque mútuo. Sem chances de querer desintegrar algo assim no espaço, não há bomba suficientemente poderosa que fosse capaz disso 🙂

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