E o trailer do Deadpool, ein?

O Ryan Reynolds é conhecidamente fanboy do Deadpool, e esteve pleiteando o papel de Mercenário Tagarela há anos. Só que como a encarnação do personagem em X-Men Origins – Wolverine foi aquela merda injustificável (aliás, o próprio filme foi tão lamentável que matou a idéia de fazer filmes solos com os outros X-Men), nem o próprio ator defende a parada.

Some isso ao horrível Lanterna Verde de 2011 — caramba, faz tanto tempo assim já?! –, que o Reynolds compreensivelmente também não finge que gostou, e vemos que o histórico dele fazendo personagem de HQ está desabonando futuras tentativas.

Só que parece que o Deadpool nojento lá deixou o cara com mais ânimo ainda de fazer um filme decente com o personagem. Em 2012, o cara se uniu ao Blur Studio e fez aquele videozim lá pra tentar convencer a Fox a dar mais uma chance ao personagem. O estúdio não estava lá tãããão interessado; na San Diego Comic Con do ano passado, mostraram o vídeo para o público com ares de “olhaí, o filme que a gente realmente queria fazer do Deadpool ia ser ASSIM, mas a Fox são uns bando de pau no cu e tomaram a bola e levaram pra casa“. A recepção do público foi infinitamente positiva, e decidiram dar o sinal verde para um novo filme do Mercenário.

E aí está o trailer:

Como não se conserta o que não está quebrado, o Tim Miller (diretor do filme e, não coincidentemente, cabeça do estúdio que fez aquele test footage da Comic Con) reaproveitou no filme a cena de ação da demonstração que vimos no ano passado.

Mais digno de nota é o fato de que Deadpool terá censura de 18 anos — ou seja, “Rated R”. Existe uma polêmica atualmente em relação a filmes Rated R: enquanto nos anos 80 essa categoria reinava nos filmes de ação, os atuais custos de produção faraônicos desse tipo de filmagem deixa o estúdio sem vontade de mostrar sangue e peitinhos, porque isso limita o número de pessoas que pode pagar pra ver a parada no cinema. Se vão gastar entre 150 e 200 milhões de dólares pra produzir um filme, o estúdio quer poder vender o filme pra todo mundo, e não só pra adultos.

E assim, é mais rentável dar ao filme uma classificação PG-13, equivalente no Brasil de “não recomendado para menores de 12-14 anos“.

A propósito, a criaçao dessa categoria foi uma sugestão de ninguém menos que o Steven Spielberg. Gremlings e Indiana Jones, dois filmes a qual o diretor estava associado (e que eram bem voltados pra galera mais jovem) foi duramente criticado pela violência, e o diretor sugeriu uma nova categoria que fosse maior que a PG, mas menor que R. E assim, a PG-13 foi criada no ano seguinte.

Obviamente a fanboyada odeia quando um filme ganha rating PG-13, por mais que isso já seja padrão há uns 10 anos. Em 2007, o nerfado Duro de Matar 4 foi o primeiro filme da série a não ser Rated R, o que significou (além do Duro de Matar mais “família” da franquia) que o John McLane não podia sequer falar seu bordão icônico. Tiveram que abafar o “motherfucker” com o som de um tiro.

(Porque evidentemente um sujeito sendo torturado e finalmente vendo-se obrigado a atirar EM SI MESMO pra matar um cara que está atrás dele é algo bem família. Mas falar “…fucker” é passar dos limites da decência cristã tradicional.)

Então, produzir filmes que eles saibam que receberá classificação R é uma aposta que muitos estúdios não querem fazer. Por este único motivo eu acho importante assistir Deadpool no cinema quando sair, assim como achei importante prestigiar Mad Max: Fury Road (que também desafia a convenção e leva classificação R) — porque eu não quero filmes com potencial foda sendo “suavizados” em prol de criancinhas.

Estou confiante que vai ser um filme bacana. E você?

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comments

6 comments

  1. Provável que os Rated R voltem, pois os estúdios vão mais ou cedo ou tarde notar que censurar um filme pra caber numa audiência maior vai tirar gente que realmente assiste esses filmes.

    Resumindo, em vez de oferecer um filme pra 100 milhões de pessoas, dos quais só 10 vão realmente assistir, melhor fazer um que 20 milhões possam ver, mas que desses 20, uns 15 milhões irãoo no cinema

  2. PG lembra South Park quando os pivetes pagaram um mendigo.
    Também me lembra Ted quando o Bolsonaro levou o filho pra assistir.

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