Eu realmente queria que a Nintendo não matasse o 3DS

Quando a Nintendo lançou o 3DS em 2011, eu fui extremamente cético sobre seu futuro. Esse foi um dos vários artigos negativos sobre o console que escrevi pro TecnoBlog na época, e minha posição sobre o console é que seria a última tentativa da Nintendo de disputar seu bolso — literal e figurativamente — com smartphones.

De lá pra cá, após reduções de preço, novos modelos, e a avalanche de jogos first party que são o real motivo pelo qual alguém investe em consoles da Nintendo, minha opinião deu um 180 completo. Hoje, dono de dois 3DSs (o modelo da foto acima, o New 3DS, e um New 2DS XL), eu já começo a lamentar a inevitável morte do console.

O 3DS tá durando MUITO bem, e vendeu de forma inacreditável, se considerarmos o preço e o tipo de competição que ele precisou enfrentar. Nos primeiros anos de sua existência, além do malfadado PS Vita, 1 o 3DS lutava uma batalha bem desigual com smartphones. Vender Game Boy era infinitamente mais fácil num mundo em que todo bolso não tinha uma mini central de entretenimento conectada à internet.

Ao todo, foram vendidos pouco mais de 70 milhões de 3DSs ao redor do mundo. Contraste isso ao Game Boy Advance, que vendeu 81 milhões de unidades num mundo sem smartphones e sem nenhum outro console portátil como competidor — e além de tudo, custando consideravelmente menos. O GBA nunca custou mais de 100 dólares, enquanto o 3DS lançou por 250, ainda tem modelos por 200 nas prateleiras, e só recentemente, com o 2DS original, alcançou uma etiqueta de preço em paridade com o GBA.

Há algumas ressalvas nessa comparação, claro — o 3DS foi o portátil titular da Nintendo por 7 anos, enquanto o GBA só esteve no mercado desacompanhado por 3 (entre 2001 e 2004, ano de lançamento do DS, o que significou uma queda no appeal do console anterior). Então, pode-se dizer que o 3DS teve o dobro do tempo necessário pra vender um número próximo ao do GBA. Ainda assim, dá pra concluir que o 3DS deu muito mais certo do que até mesmo fãs da Nintendo esperavam. Como é o meu caso.

No meu coração, como a foto acima mostra, o 3DS e o Switch podem coexistir perfeitamente. Aliás, descobrir que meu 3DS cabe nesse case aí me fez desarrepender de comprá-lo. O Switch que dei de Natal pra minha namorada veio com um case esbelto, fininho, que dá mais gosto de jogar na mochila. Esse meu é meio gordinho, mas bastou achar uma usabilidade pro espaço extra que minha gordofobia em relação a ele evaporou.

Só que é claro que o 3DS não vai coexistir com o Switch; não por muito tempo. Oficialmente, a Nintendo ainda dá suporte ao console, e não há data determinada pra isso acabar — só que os desenvolvedores claramente antecipam que o 3DS já deu o que tinha que dar, e mudaram seu foco em peso pro Switch. A própria Nintendo não tem nenhum jogo planejado pro 3DS no momento, o que não inspira muita confiança na longevidade do console.

Ou seja, estou me preparando psicologicamente pra acordar um dia e ler a notícia de que o 3DS foi oficialmente descontinuado.

Isso vai me deixar profundamente triste porque, como um amante de portáteis, o Switch não me satisfaz inteiramente. Não me entenda errado — o revolucionário híbrido da Nintendo é um conceito útil e delicioso, mas o Switch não é um portátil clássico. O litmus test de portabilidade pra mim é: posso colocar num bolso? Posso trazer isso aqui comigo pra qualquer lugar, mesmo que eu acabe nem precisando, ou isso será um estorvo?

Tecnicamente, um notebook é um aparelho portátil. Um iPad, idem. Só que ambos requerem um certo investimento, digamos, ao serem levados pra fora de casa — porque se você acaba não usando, ele se torna apenas um trambolho incômodo. Você não leva o notebook com você pra qualquer lugar, só quando há uma certeza de que será necessário.

O mesmo acontece com meu iPad; ele praticamente mora no meu criado mudo, sendo levado pra cozinha ocasionalmente pra cozinhar assistindo YouTube ou Netflix. É portátil, sim, mas não é algo cômodo pra sair levando pra qualquer lugar.

Onde meu Switch mora a maior parte do tempo hoje em dia

O Switch, pra mim, ocupa esse mesmo espaço. Sim, tecnicamente falando, o Switch é um aparelho portátil. A visão da Nintendo é que não haja distinção entre console de mesa e o portátil, e embora eu adore essa premissa, na prática isso significa que eu não terei mais um portátil lá na frente.

Pelo menos, não o que eu compreendo como portátil. Vou ter algo análogo ao iPad — eu até POSSO levar pra qualquer lugar, mas na real isso não acontece com frequência.

O motivo pelo qual isso me entristece, como entusiasta de portáteis, é reparar que será a primeira vez desde 1980 que a Nintendo não produzirá um sisteminha que você pode colocar no bolso. E é improvável que outra empresa surja pra ocupar essa lacuna, então ao criar o Switch a Nintendo sem querer matou o meu tipo favoríto de console.

Meu único conforto é lembrar que pra mim, consoles nunca realmente morrem. Veja o SNES, por exemplo — eu sinto com se tivesse MUITAS lembranças de jogar na locadora, mas quando boto na ponta do lápis, eu só as frequentei por um período de no mááááááximo 3 anos. Meu próprio SNES mal durou 2. Só que eu estive jogando SNES sem parar, praticamente todo dia (agora tendo acesso a TODA a biblioteca de títulos, aliás) pelos últimos 15. Alguns dos consoles que eu mais jogo (como o SNES ou GBA) na real estão na cova há mais de uma década. O DS Lite que eu tanto amo foi descontinuado em 2011 mas eu tô jogando HeartGold — finalmente, eu sei — diariamente.

Então beleza. A Nintendo pode até matar o 3DS, mas ele não vai morrer NUNCA pra mim.

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comments

9 comments

  1. Ótimo texto Kid.

    Tô na dúvida, queria comprar um console da Nintendo mas o Switch é muito caro aqui no Brasa e fico com medo de comprar um 3DS quase morrendo.

    Além disso o New 2DS XL é bem caro por aqui também. O New 3DS original vale a pena? Esse eu já vi usado num preço justo.

  2. O fim do suporte da Nintendo ao 3DS vai com certeza fazer a felicidade dos Hackers, sendo que eles estão guardando um novo Exploit para quando a Nintendo decidir não dar mais vaga pro 3DS no estacionamento do suporte, pra que assim a Nintendo não possa barrar mais um meio de desbloqueio!

  3. Como se chama em ingles esse efeito onde você escreveu a notinha “RIP in peace. Como eu queria que o sucessor do PSP tivesse vingado…” ?

    (ou se alguma alma caridosa quiser postar direto o html de fazer isso eu não ficaria ofendido também)

  4. O 3DS (tenho o XL1) foi um portátil que me agradou muito, especialmente depois que comecei a adquirir os Castlevania do DS que rodavam maravilhosos nele.
    Eu comprei o Switch, because Zelda-Odissey-Skyrim. Estou adorando!
    Agora pra mim o que mata é a Nintendo e sua forma de negócio. Eu queria MUITO jogar Super Metroid, Super Castlevania IV e Super Mario World no meu 3DS XL, mas a Nintendo fez toda a biblioteca do SNES ser compatível SOMENTE com o NEW 3DS XL, ou seja, preciso comprar OUTRO 3DS igualzinho se quiser jogar estes games de forma portátil oficial. Isso é de fuder cara, especialmente porque o hardware é o mesmo, salvo engano. Isso me deu um asco enorme do 3DS e depois de comprar o Switch eu espero que um dia eu possa jogar essa biblioteca clássica nele, porque eu o carrego comigo na mochila sempre e o carregador veicular é uma beleza.

  5. Acredito que mais pra frente a Nintendo vá lançar um “Switch de bolso”, bem menor.

    Digo, miniaturização de chips acontece com bastante frequência, né? Compara o PS3 de quando lançou com o último super slim, deve ter ficado até umas 4 vezes menor.

  6. De tanto ver post seu no Instagram com portáteis, acabei de comprar um 3DS desbloqueado e vou finalmente acabar com a heresia de não ter comprado antes.

    E me recuso a aposentar o DSlite. Vão coexistir em paz.

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