Experimentei o Google Cardboard, e isso mudou minha vida

no izzy no vr

Então né, no outro dia, fui visitar minha mãe. Era um dos (raros) dias em que eu não trabalho, o que paradoxalmente significa que eu trabalho pra caralho — todos os afazeres que acumulam durante a semana são despejados em mim nos meus dias de folga, como se o Izzy do Passado fosse empurrado-os com a barriga, pensando “ah, isso aí o Izzy do Futuro resolve no domingo!” Compras, lavar o carro, ver a família, lavar as roupas, passar um tempo com a esposa, devolver alguma roupa que não coube bem, limpar a casa, tudo isso precisa ser feito no mesmo dia. É complicado.

Chego na casa da mãe, coloco as conversas em dia, como lá o pãozinho de queijo que ela insiste que é bem mais saudável “porque é feito com farinha de mandioca” ou algo assim, e aí minha irmã me aparece com isso.
vr

Trata-se de um Google Cardboard, que é tipo um Lada dos headsets de realidade virtual. Na batalha entre PlayStation VR, HTC Vive e Oculus Rift, o Google Cardboard se destaca sendo o mais acessível, justamente por ser feito do mesmo material que a cama de um morador de rua, com a estabilidade estrutural de um móvel da IKEA montado com cuspe (depois explico um pouco mais sobre isso). O Cardboard é realmente só pra que o usuário casual veja como é que funciona esse negócio de realidade virtual. E considerando esse contexto, eu diria que é uma excelente compra.

Pra quem não entende como o Cardboard funciona: é essencialmente uma caixinha de papelão com um espaço pro seu nariz e duas lentes. Você abre um app de realidade virtual no celular (que divide a imagem em duas, uma alinhada com cada lente do aparelho), coloca o celular na caixa, e pronto. Ao mover a cabeça, o acelerômetro do celular altera a imagem que você vê na mesma proporção, fazendo seu cérebro pensar que você está “dentro” do vídeo que está vendo/jogo que está jogando.

Aliás, um parêntese rápido aqui — fiquei bastante surpreso com minha irmã ter comprado esse negócio. Minha irmã, a caçula da família, nunca teve inclinações tecnológicas, nunca foi muito chegada em videogame nem coisa do tipo. Aliás, eu poderia dizer que ela é firmemente anti-tecnologia, se considerar que quando ela tinha 4 ou 5 anos ela pegou um notebook do meu pai e, num acesso colérico, arremessou no chão com força. Eu ri pra caralho.

Aliás, deixa eu corrigir algo aqui — este modelo que eu tenho não é exatamente o Google Cardboad. Existe uma miríade de produtos similares ao Google Cardboard, num raro casos em que os genéricos são realmente a mesma coisa que o original. É, afinal de contas, uma caixinha de papelão com lentes.

Ah, e tem um botãozinho do lado superior direito, que aciona uma alavanquinha que toca na tela pra fazer input de comando. “Comando”, no singular, já que esse método limitado só permite dar um tipo de comando no jogo.

O que experimentei primeiro foram os joguinhos de terror, que mais se beneficiam pelo método de imersão da realidade virtual. Tentei o Sisters; tem um gráfico no nível “arcade no final dos anos 90”, mas é surpreendentemente eficiente pra dar uns sustos. Inclusive, aqui estou eu levando os tais sustos:

Sempre que eu peço pra minha esposa filmar algo pra mim e ela me faz esse desserviço de filmar na vertical eu questiono todas as minhas decisões na vida.

Este é o vídeo que você vê no Sisters, aliás:

 

Revendo aqui no YouTube a parada não rende efeito algum. A combinação do gráfico 3D da realidade virtual com o som no fone de ouvido realmente faz uma diferença absurda no que diz respeito a imersão. Mesmo com esses gráficos de Daytona USA você VAI levar uns sustos bons.

Depois, tentei o Insidious VR. Assim como o Sisters, este aqui é meio que um pequeno vídeo não-interativo — dessa vez pra promover o filme Insidious 3.

Talvez por ser um vídeo com atores reais e não um gráfico de Virtua Fighter 2, esse sim me deu uns cagaços violentos. Na primeira “assistida”, sozinho em casa à noite, eu não consegui ver todo. A sensação de estar essencialmente “dentro” de um filme de terror, e virar a cabeça pra direita e ver um bicho ali virtualmente do seu lado dispara TODAS aquelas reações ancestrais de pavor — os pelinhos do braço se erguendo, o disparo súbito de adrenalina… é realmente espantoso.

Não dá pra descrever a sensação, você tem que de fato usar o negócio. Eu, que sempre fui um MEGA proponente de VR em geral e de jogos de terror usando Oculus Rift/HTC Vive/PlayStation VR  especificamente agora questiono se eu poderia jogar esses games por muito tempo sem cagar as calças de medo. Aliás, se daqui uns anos aparecerem notícias tipo “netinho tenta trollar o avô com um Oculus Rift e mata o velho do coração”, eu não ficarei surpreso.

Esse efeito de olhar pro lado no VR e ver algo que estava (virtualmente) pertinho de você é realmente chocante. Como já expliquei aqui, eu tenho um medo completamente irracional de objetos grandes embaixo d’água. Aí eu resolvi testar a eficácia do VR em relação a imersão colocando esse vídeo pra rodar no troço:

Por causa da minha fobia, eu estava olhando pra TODOS os pontos do vídeo, menos o navio. Lá pelos 2:30, eu olho pra direita seguindo a trajetória de um dos mergulhadores e meu campo de visão é completamente tomado por uma das “torres” do navio.

Eu literalmente joguei o VR pro lado, no sofá. Instintivamente. A sensação é realmente poderosa.

Em relação aos joguinhos, não achei muitas coisas realmente legais. A exceção realmente é o End Space VR, uma versão mobile simplificada de um jogo pro Gear VR. Olhaí:

É bem bacana a parada — tão legal, aliás, que ontem na casa da minha mãe TODO MUNDO queria experimentar. Até minha própria mãe, que nem é muito chegada nesses negócios.

Mas eu tô ligado qual a pergunta que provavelmente está aí na sua cabeça desde o começo deste texto.

E AS PORNOZEIRAS, IZZY?

Eita nóis

A HBD Media & Conserto de Bicicletas é uma instituição cristã e de família. ENTRETANTO, como tenho uma obrigação jornalística de cobrir todos os aspectos de uma notícia, tive que evidentemente usar o Cardboard nesses sites pecaminosos aí que adotaram a tecnologia VR. Pra poder fazer um review mais completo, assisti um ou dois ou trinta desses filmes compatíveis com aparelhos de realidade virtual.

O processo é um pouco mais complexo do que simplesmente clicar num vídeo (você tem que antes instalar um appzinho lá qualquer que suporta vídeos em 360 graus), mas amigo.

AMIGO.

Eu acho perfeitamente plausível a idéia de que um headset VR e uma conexão com a internet pode ser usado como controle de natalidade. Isso é tudo que direi. Eu acho difícil que alguém que experimente putaria em VR algum dia volte a assistir esses filmes da maneira convencional.

Como eu sei que é exatamente isso que você queria saber se funcionava legal na realidade virtual, aí está o link da Amazon pra comprar o mesmo modelo que eu tenho. Se você comprar por este link cai um trocadinho aqui pro meu lado, que é uma prática que eu jamais usei mas se eu fiz vocês comprarem centenas de produtos ao longo dos anos, chega a ser burrice não receber uma pequena comissão por isso.

E eu tenho a impressão que vai ter maluco comprando isso aí feito louco.

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comments

11 comments

  1. Kid, percebo que principalmente pela última parte do seu texto, o Google Cardboard realmente mudou sua vida de um jeito bem interessante no que se refere a safadezas eletrônicas visuais, mas esse titulozin do texto foi inspirado em um certo artigo do The Verge sobre carros fodões? http://bit.ly/28XDQuB

  2. Muito legal essa historia de VR, mas e aquele post sobre o robert kiosaky que vc pediu pra gente cobrar? E o melhor podcast do Brasil, abandonou mesmo? Eu na real não ponho fé nenhuma nos VR, acho que isso vai ser que nem os wii motes e kinect da vida, vai ser fogo de palha, so tem desenvolvedor indie fazendo, so agora vi algum estudio maior dizer alguma coisa como o batman vr e o resident evil 7 (ou seria o president tevil?).

    Essa historia de VR ainda tem muito chão pra correr ate conseguir se firmar.

  3. Oh Izzy, vc ta ligado na regra universal do youtube, né? Se você vir um vídeo na vertical é 99,99% de certeza que foi filmado por uma mulher

  4. Izzy, me responde uma coisa, eu nunca use nada em VR, mas quando você coloca o dispositivo você ainda consegue ver aquelas bordas pretas? tipo, nós temos visão panorâmica, esse negócio aí não limita a visão a ponto de parecer que estamos “espiando” por um buraco atras de um muro?
    Agradeço, valeu!

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