Hbdia
  • Feed do Hbdia
  • Twitter
  • Youtube

[ Frugalidade ] Como vencer o inimigo de comer na rua

Postado em 24 October 2014 Escrito por Izzy Nobre 13 Comentários

Pink Piggy Bank On Top Of A Pile Of One Dollar Bills

No último post dessa série, eu comentei que o meu principal obstáculo na vida frugal é comer fora. Aliás, é curioso que muitos pensem que eu sou esbanjador porque compro gadgets, mas a matemática do último post é inegável.

Conforme calculei aqui, eu gastei 3932.88 dólares canadenses comendo fora em 2013. Ao mesmo tempo, eu gastei apenas um quarto disso com gadgets no mesmo ano — apenas o iPad mini e o PS3. E esse ano foi atípico, porque geralmente eu compro apenas UM gadget por ano. Neste ano inteiro, comprei um novo celular, e só.

Definitivamente, comer fora é o hábito que eu mais preciso podar. Especialmente, comer no hospital (onde uma refeição custa aproximadamente CAD$ 10/dia).

A solução principal é preparar comida pra levar pro trabalho, mas essa saída se torna complicada por causa dos horários dos meus plantões. Frequentemente tenho plantões começando às 5:30 da manhã, o que significa que eu preciso acordar às 4 pra cozinhar alguma coisa. Pra essa alternativa se tornar viável, eu teria que ir dormir MUITO mais cedo do que eu frequentemente vou — lá pras 9 da noite. Um pouco complicado.

Então, a solução alternativa é preparar comida na noite anterior. Uma solução infinitamente melhor, que poupa bastante tempo, e bastante mais saudável, embora resulte numa refeição não tão fresquinha.

Mas é a melhor solução, all things considered. Então, eu preciso focar e me disciplinar a sempre cozinhar na noite anterior, não importa como esteja minha agenda. Em todas as ocasiões que deixei pra cozinhar na manhã seguinte, antes de sair pro trabalho, aqueles dez dólares que eu economizaria me valiam menos que continuar dormindo por outra meia hora. “Foda-se”, eu pensava, virando pro outro lado debaixo das cobertas. “Vou dormir mais um pouco, vale os 10 contos”.

O problema é quando eu levo comida pro trabalho, como, e na segunda folga (tenho duas por expediente, de 40 minutos cada), bate uma fominha de novo. Frequentemente não levei comida suficiente, e acabo passando no refeitório pra comer alguma porcaria.

Neste caso é preciso definir bem o tal “fominha”. Uma coisa que eu percebi é que nós gordos temos o (péssimo) hábito de comer quando estamos entediados. Uma boa estratégia que eu adotei pra curvar esse ímpeto de comer por simples inércia — mano, não é a toa que eu fiquei gordo — é levar uma fruta pro trabalho. Se eu estiver DE FATO com fome, aquela banana na minha mochila será a coisa mais suculenta em minha posse. Comerei sem hesitar.

Agora, se eu olho pra banana e penso “hmmm um hamburger lá no refeitório seria melhor, ein… já essa banana sem graça, blergh“, isso é um importante alerta que me informa que eu não estou de fato com fome. É comodismo, gula e tédio; aprender a identificar essa pseudo-fome pelo que ela realmente é talvez será um passo importantíssimo não apenas em economizar dinheiro, mas também em reduzir refeições desnecessárias e… qual o antônimo de saudável? Bom, são as refeições que eu como por preguiça.

Pra todo objetivo que você queira alcançar, é importante colocar em ação um plano tangível. Dizer simplesmente “ok eu quero economizar mais dinheiro” sem um framework bem definido de como alcançar isso é apenas devaneio que jamais se concretizará. No meu caso, o framework específico é “cozinhe SEMPRE na noite anterior ao plantão, e adicionalmente leve uma fruta como lanche pra usar como teste de fome”.

Vou tentar me ater a essa estratégia simples pelo próximo mês. É até simples: cozinhe na noite anterior do plantão, além de levar uma fruta ou alguma coisa similar (uma barrinha de cereal, talvez?) pra servir de lanche “backup”. Se na hora da “fome”  eu torcer o nariz pro lanchinho, então já sei que não é fome de verdade e segurarei meus dez dólares.

Estabelecer essa estratégia fará toda a diferença se eu realmente usa-lo como molde nas minhas decisões daqui em diante. Em vezes de perder tempo com qualquer outra bobagem, uma hora antes de dormir, preparar o almoço do dia seguinte será prioridade. Preciso lembrar todo dia que essa estratégia é, no momento, minha ferramenta número um pra viver um estilo mais frugal.

Então, esse é o primeiro passo. Se seu principal problema de gastar dinheiro é semelhante ao meu — comer fora por conveniência –, estabeleça uma estratégia que combata isso diretamente e tente transformar em rotina.

Lembre-se que não é um exercício vazio de auto-renúncia: você não está apenas abrindo mão de comer fora, você está se treinando a diferenciar gastos que valem a pena, dos gastos desnecessários por conveniência.

Afinal de conta esses são, na maior parte do tempo, os principais gastos que podemos cortar sem grandes consequências. Vamos pôr isso em prática.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

Categorias: frugalidade

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 32 anos, também sou conhecido como "Kid", e moro no Canadá há 13 anos. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas, e sobre notícias bizarras n'O MELHOR PODCAST DO BRASIL. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

13 Comentários \o/

  1. Vinícius Martarello says:

    tem gente que já faz a comida pra semana e deixa na geladeira, infelizmente não é muito gostoso.

  2. Bixu Lezadu says:

    Eu recomendaria ainda levar algumas balas ou, se não for muito difícil de encontrar por aí, uma ou duas “paçoquitas-like” na mochila para esse lanche de backup/teste. Também é barato, dá um pequeno boost na energia, e engana razoavelmente bem…
    E mais uma dicazinha: ÁGUA! Muuuuita água! Enche o bucho de água! Além de hidratar e encher o estômago, ainda ajuda a dar uma filtrada nas impurezas do organismo!

    E… Se você tomar café, procure tomar o menos adoçado possível -- ainda mais se for de garrafa térmica! A fermentação causada pelo açúcar em excesso aumenta a fome, visto que a gente produz mais suco gástrico por causa dela (inclusive sendo grande fonte de gastrite)! 😉

  3. Rodolfo Castro says:

    Izzy, isso é hábito, costume. Só isso.
    Por que digo com tanta certeza? Por que eu consegui trocar refrigerantes e sucos por ÁGUA. Eu consigo tranquilamente comer um X-Salada tomando água, enquanto pra muita gente é impossível comer sem um refrizinho. Quem quer consegue. Se tu realmente quer mudar sua dieta, você tem que fazer uma forcinha. Recomendo olhar um fórum/blog chamado Hipertrofia. Eles tem umas informações muito boas (como a farsa da queima de gordura localizada ou a diferença brutal de leite desnatado ao invés do integral na sua dieta).

  4. Derek says:

    “Insalubre” é o antônimo de saudável.

  5. Mariana says:

    A dica da agua ali em cima é muito boa. Realmente sinto menos fome no almoço quando bebo agua regularmente de manha.
    Apesar de eu ser razoavelmente controlada, ja dei uma engordadinha de leve desde que cheguei nos EUA ha dois meses. Realmente, a trash food daqui é MUITO tentadora por ser (geralmente) gostosa e bem mais barata que “comida de verdade”. Impossível nao cair na tentacao da conveniencia. Tb to nessa luta de vencer a preguiça e cozinhar todo dia.
    Mas acho que o grande segredo é NAO cozinhar todo dia. Eu to fazendo comida de 2 em 2 dias, e como comida requentada mesmo. Se for pra cozinhar todo dia, esquece, vou chutar o balde. Mas assim tem funcionado. E no dia da preguiça (ou cansaco) infinita, eu jogo so um monte de folha na marmita, e como com o azeite que comprei e deixei no meu locker e o sal roubado de algum lugar, hehe. E ai compro uma pizza pra completar. Salada + pizza é melhor e mais barato do que hambúrguer e barata frita.
    O lance da fruta é bom, mas recomendo sempre levar um lanche a mais (pao integral com presunto e tomate, ou algo assim). Vai por mim, vc quer é comprar a porcaria no restaurante. Mesmo depois de comer a fruta, vc VAI querer mais alguma coisa ao longo do dia. E ai é melhor e mais barato comer seu lanche do que dizer “foda-se, hj eu ainda to com fome, vamo la gastar 5 conto”.
    Boa sorte pra gente 🙂

  6. Luiz says:

    Kid. Eu estou no Canadá (Ottawa) estudando, e uma coisa que eu tive que aprender foi como preparar as refeições de modo eficiente. Aí em Calgary os hábitos alimentares não devem ser muito diferentes daqui, mas mesmo assim eu vou explicar o que eu faço:
    No fim de semana, eu preparo alguma refeição com molho (estrogonoff, frango xadrez, ou qualquer coisa assim), ou um carreteiro/risoto na proporção certa pra botar mais ou menos 1,5kg de carne/frango. Quando tá pronto, eu separo em alguns potes e congelo. Daí eu faço também arroz/macarrão/qualquer coisa pra dar a “base” e também congelo. Durante a semana, eu levo os potes pra universidade pra almoçar (normalmente eu janto em casa sanduíches). (Eu faço refeições com molho por quê rendem mais e ficam mais gostosas com arroz).

    As principais vantagens de fazer isso são:
    -Eu gasto só umas duas horas por semana cozinhando (e economizo um pouco de energia elétrica junto). Cozinhar todo dia vai te comer no mínimo uma hora por dia (pra fazer uma refeição minimamente decente).
    -É muuuito mais barato. Eu nunca gastei mais de $40 pra almoçar a semana inteira! (E eu não como pouco.)

    Pode parecer estranho comer sempre a mesma coisa durante uma semana inteira, principalmente por que não tem tanta variedade de nutrientes. Mas eu tento fazer alguma coisa mais ou menos balanceada pra compensar isso. Eu acho que cozinhar toda noite vai te encher o saco, então essa opção poderia ser bem boa pra ti. Obviamente, você pode também fazer sanduíches gelados, mas eu me nego a comer sanduíche no almoço. (Aqui as pessoas usam bastante aquelas crock-pots, mas eu faço em panelas normais mesmo.)

    Abraço.

    • Alexandre says:

      Nos quase 5 anos que fui estudante na uofa era mais ou menos isso que eu fazia. Eu frequentava o ginásio da universidade na hora do almoço e pra conseguir fazer tudo em 1 hora não havia outra saída. Comprar algo nos refeitórios significava no mínimo 20 minutos em pé esperando em filas. Levar era a única alternativa viável.

      Hoje no trabalho vivo o mesmo dilema, exceto que às vezes tenho menos de 1 hora pra malhar e almoçar. Passar num restaurante nem pensar… comprar um sanduíche/sopa/prato no sobeys também significa no mínimo 15-20 minutos pra obter um lanche. A diferença é que hoje em dia eu (e por “eu” eu quero dizer minha esposa e eu) cozinhamos toda noite. Não leva tanto tempo assim.

    • Diéfersom says:

      Nossa… demais essa dica!

  7. Tiago says:

    O Luiz deu umas dicas muito boas mesmo. Acho que no final das contas vale a pena cozinhar em casa e levar a marmita para o trabalho, mas…

    Qualquer decisão tomada tem que levar em conta uma relação de custo x benefício. Primeiro você deve levar em conta o valor da sua hora de trabalho (tanto no hospital quanto na internet) e depois comparar com o custo da ação que você quer fazer (ou deixar de fazer, como no caso do almoço/lanches fora). Se você ganha mais trabalhando então abra mão da mudança e vá trabalhar.
    Muitas pequenas economias de tempo que as pessoas decidem na fazer na verdade são prejuízos econômicos. Talvez (só um exemplo) ao invés de cozinhar todo dia em casa saia mais caro do que produzir um vídeo a mais para o canal. Tem que colocar “na ponta do lápis” para conferir.

  8. tonnydourado says:

    Eu tb tenho um problema com essa coisa de comer fora, mas a solução de cozinhar na noite anterior não funciona muito bem pra mim. No fim do dia eu tô sempre cansado, e sou muito enrolado pra fazer comida, frequentemente demoro umas 2h, pra fazer uma refeição. Então pra não ir dormir tão tarde, acabo não fazendo comida e comendo fora.

    O que eu tento fazer é cozinhar pra semana, mas não tenho panelas grandes o suficiente, então, não funciona muito bem.

  9. Carlos says:

    Opa Izzy, não pude de deixar de me identificar com o seu texto. Trabalho na Suiça, e digamos que aqui (não sei no Canadà) comer fora é sinonimo de uma facada daquelas bem dadas, de tão caro.
    Percebo que ultimamente no fim do mês o dinheiro aguenta mais depois que utilizando essa incrivel técnica adotada, ou seja, cozinhando na noite anterior.
    No começo é meio dificil e chato de se acostumar, mas depois acaba se tornando meio que um ritual, como escovar os dentes.
    Começou hà seis meses atràs: Segunda de manhã no mercado à compra de 5 maçãs e 5 bananas, frutas que ficariam ja “estocadas” para a semana. Com essa brincadeira, sem querer ainda acabei perdendo uns 6 kilos.

    È uma dica, espero que possa ser util de qualquer forma.
    Abraço

  10. Aldo says:

    Eu tava comendo fora e gastando um tanto bom.
    Aí comecei a “marmitar”.
    Geralmente faço comida pra um tanto de dias de uma vez, rs.
    Tem gente que não gosta, eu não ligo.
    Gasto poucas horas na cozinha por semana preparando, depois é só montar as marmitas e pronto.
    E como tenho hipoglicemia, como a cada 2,5 horas.
    Então levo lanches (pão integral com queijo e tomate, ou atum e tomate etc), frutas, barras de proteína.
    E tomo muita água, durante o dia todo.
    E quando to em casa faço uns sucos doidos, tipo cenoura, beterraba e limão, etc…
    E mando também um comprimido de multivitamínico por dia.

  11. Danilo says:

    Acabei de pegar uns 40 recibos aleatórios que vou guardando e jogando na gaveta, somei tudo e cheguei à conclusão de que 91% do que eu gasto é com comida (e eu não sou gordo). PQP, pra onde vai a minha vida?