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[ Frugalidade ] Qual o maior inimigo das suas finanças? O meu é…

Postado em 19 October 2014 Escrito por Izzy Nobre 33 Comentários

…comer fora.

Capaz de ser o seu também.

porquim

Comer fora é, sem QUALQUER SOMBRA DE DÚVIDAS, o maior obstáculo na minha vida financeira, e eu preciso desenvolver disciplina pra dominar.

Não é apenas um vilão do meu bolso, aliás — comer fora (ainda mais com a frequência que eu como) também desgraça minha saúde e aparência de forma geral, mas vamos resolver um problema de cada vez, porra.

A causa por trás desse problema é dupla: uma crônica falta de tempo, e a escravidão da conveniência. Não bastasse o fato de que a minha agenda é enlouquecedora (sabe aqueles filmes em que o cara workaholic negligencia a própria família pra no final aprender uma importante lição? Tou nesse nível), eu sou também muito preguiçoso.

“Escravo da conveniência” é um termo mais chique, mas preciso ser honesto com vocês: a verdade mesmo é que sou preguiçoso. Eu morro de preguiça de preparar almoço pra levar pro plantão, por exemplo.

Se eu acordo, me arrumo pra sair pro hospital, e ao preparar uma marmitinha na cozinha eu percebo que preciso, por exemplo, fazer arroz, eu jogo as mãos pro alto e falo “foda-se, vou almoçar no restaurante do hospital hoje“. O agravante é que fazer arroz é a tarefa mais fácil do mundo; talvez sequer condiz chamar isso de uma “tarefa”.

Tenho uma daquelas panelas elétricas que é só jogar o arroz, a água, alguns temperos, apertar o botão e pronto. O simples fato de que eu não posso tirar arroz já pronto da geladeira e montar um pratinho pra levar pro plantão muitas vezes me condena a comer fora. É totalmente injustificável.

O problema é que comer fora aqui e ali, especialmente quando você paga com cartão (seja débito ou crédito) parece aquela despesa intangível. Não sei você, mas eu basicamente não paro pra realmente avaliar o gasto quando estou usando cartão. Isso não sou eu falando, não — é a American Psychological Association. Nesse estudo de setembro de 2008, foi notado que de fato pessoas gastam mais quando não usam dinheiro vivo.

Fig1: O demônio

Fig1: O demônio

O que acontece é que você não vê efetivamente o dinheiro indo embora como quando paga com espécie, por exemplo. Cartões ainda são relativamente recente na história humana e a evolução psico-social ainda não nos deu a habilidade de associar pagar com cartão a realmente estar gastando dinheiro.

Quando tu abre a carteira e tira uma nota de 10 reais, depois mais uma, e depois uma terceira pra então pagar uma conta de 30 reais, há uma sensação gritante de “MEU DINHEIRO ESTÁ INDO EMBORA SOCORRO ME AJUDEM” que não é exatamente a mesma quando se paga com plástico.

Ou seja: plástico é seu inimigo. Com cartão de débito, pelo menos você gasta o que tem. Gastar no crédito (e com isso, acumular juros) é ainda pior; quanto mais rápido você se livrar do seu cartão de crédito, melhor pra sua vida.

Isso deveria ser sua prioridade, aliás, caso não seja.

E pensando nos meus gastos com comida eu resolvi fazer uma experiência aqui. Um dos principais passos na caminhada da frugalidade é tirar, na ponta do lápis, QUANTO exatamente você anda gastando com supérfluos como comer fora, que no meu caso é o principal culpado.

E o resultado foi estarrecedor. No ano de 2013 (demorou um bocado pra calcular isso tudo manualmente, puta que pariu!) eu gastei exatamente CAD$ 3932.88 comendo fora, ou seja, o equivalente a R$ 8488.69. Eu estou em choque com isso. Com essa grana eu poderia ter TRANQUILAMENTE feito as tais viagens que eu tanto quero!

Nem tudo isso é comendo no trabalho, evidentemente. Saídas com a esposa, uma ida ao shopping que se estende em um lanche não antecipado na praça de alimentação, esse tipo de coisa entrou na conta.

Mesmo assim, é de causar um arrependimento no fundo da alma. Não apenas eu meio que joguei fora 4 mil dólares no ano de 2013 (puta merda, mano…), esse hábito desgraçado ainda se manifesta em calças que não fecham mais e em camisetas que eu preciso doar porque não comportam mais meu bucho.

Este é o primeiro e mais importante passo na minha jornada pessoal da frugalidade: abrir mão da conveniência de comer fora.

Mas COMO exatamente fazer isso? Bem, experimentando bastante aqui eu achei umas soluções BEM interessantes. Mas isso é assunto pro próximo post!

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comments

Categorias: frugalidade

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 32 anos, também sou conhecido como "Kid", e moro no Canadá há 13 anos. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas, e sobre notícias bizarras n'O MELHOR PODCAST DO BRASIL. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

33 Comentários \o/

  1. Carlos says:

    “Eu estou em choque com isso. Com essa grana eu poderia ter TRANQUILAMENTE feito as tais viagens que eu tanto quero, ”
    Era para ter outra coisa escrita depois dessa vírgula ou ela era para ser um ponto?

  2. Agora ficarei curioso até o próximo post. Desse problema de comer fora eu não sofro e nem do crédito. Mas conheço quem sofra e realmente a pessoa perde muita grana só fazendo isso.

    Mas não gosto de dar pitacos na vida dos outros, cada um faz o que quer com seu dinheiro.

    Ô Izzy, você fala algo pra Bebba ou ela fala para você como gastar menos dinheiro? Como é a vida de casado, vcs dividem tudo e não dão pitaco na grana extra de cada um?

    Abraços!

    • M. says:

      Sobre esse lance de frugalidade, e de como lidar com dinheiro, acho que seria interessante falar sobre como lidar com as despesas quando você se casa, pra mim e para minha esposa foi uma coisa meio trabalhosa, até chegarmos em algo que funcionou pra gente.

      Basicamente, nós juntamos nosso dinheiro, não tem “meu” dinheiro e “seu” dinheiro, para pagar as contas e as compras pra casa, assim como a grana que a gente coloca na poupança.

      Para os gastos pessoais, a gente tem um valor que é uma “mesada”, que a gente pode gastar como quiser, sem precisar consultar o outro, exatamente pra comprar a porcaria que quiser, ahahahaha.

  3. Lucas Zacchi de Medeiros says:

    Gosto muito desses artigos que falam sobre economias. Eu ODEIO gastar dinheiro (a ponto de me deixar deprimido quando compro algo caro demais. Esses quase 4 mil dólares doeram na minha alma.)
    Esperando pelo próximo post falando sobre as soluções!

  4. Levvi says:

    Ja comigo eh o contrario:
    Eu gasto menos usando cartao de debito e isso eu notei faz um bom tempo, o que acontece comigo eh o seguinte: se eu sacar uma nota de 50 reais por exemplo e deixar na carteira pra usar… Entao eu vou comprar um lanche de sei la 5.75, logo eu vou ficar cheio de trocados na carteira… Entao a facilidade pra comprar besteiras baratas (como pipoca, empadinha, acai, doce etc) vai aumentar muito -- o problema sao os trocados. Entao no Brasil eu evito muito andar com dinheiro por essa razao (e por questoes de seguranca tambem), usando o cartao de debito eu consigo controlar muito mais o que gasto e vou acompanhando no site do banco e nos caixas eletronicos (pois tenho o habito de sempre checar minha conta).
    Ja aqui nos EUA a coisa eh um pouco diferente… Nao faz muita diferenca andar com dinheiro ou nao pois QUALQUER lugar aceita cartao de debito e voce nao se sente estranho em comprar algo, por exemplo, de $1.25. Alem disso nao existem muitas comidas informais na rua como no Brasil (como eu citei empadas, acai, pipoca etc), entao basicamente a gente gasta em supermercados e grocery stores. Nao tenho muito o habito de comer em restaurantes (ate porque nao tenho grana pra isso), mas pelas poucas experiencias que me lembro no Brasil realmente existe uma sensacao de “nao estar gastando” ao pagar uma conta no final -- e esse eh outro problema que eu acho que voce poderia ter comentado, nos restaurantes geralmente a gente come e depois paga -- fazendo com que aumente essa sensacao de “nao estou gastando”.

  5. Lucas says:

    imaginei que fosse falar Magic The Doomed Gathering… talvez por aí ser mais barato, mas aqui no BR com certeza eh o meu… vai juntando dinheiro chega os novos sets e começa a comprar soh umas fetchzinhas… soh uns rinoceronte, soh vou dar um pulo ali na outra cidade p jogar um campeonatinho de 100 pila

  6. João says:

    Izzy, concordo que comer fora sempre é muito custoso, mas você deve levar em conta que, se preparasse toda sua comida todos os dias para almoçar e jantar, iria ter gastos com supermercado e, se tomasse gosto pela coisa, iria querer fazer refeições mais elaboradas que custam mais grana. Então calma, você não jogou TODA essa grana fora!

    • Gaius Baltar says:

      João, pode ter a certeza que comer fora sempre é mais caro.

    • Igor Freire says:

      Pois é… eu nem tenho problema em fazer minha própria comida em casa (apesar de comer bastante fora), mas justamente por ser “fresco”, no sentido de querer coisas de marcas melhores, comidas mais elaboradas, acabo gastando muita grana em mercado também.

  7. Gaius Baltar says:

    Acho que comer fora em si não é um problema, pois de vez em quando é legal sair para almoçar ou jantar algo especial com a patroa. O problema é fazê-lo por preguiça, como é o seu caso. A sugestão que dou é fazer o almoço na véspera e associa-lo a alguma atividade prazerosa como ouvir podcasts. Um MRG rende um bife assado com arroz e batatas, um Nerdcast dá para uma carne grelhada com legumes, etc. No meu caso funciona muito bem.
    Em um tópico relacionado eu aconselho vivamente algum app de controle financeiro, de preferência com sincronização com o PC/Mac e outros dispositivos móveis. Eu utilizo um app brasileiro chamado Organizze, que tem versão para iPhone e versão web via browser. TODAS as despesas devem ser colocadas no app (inclusive aquele cafezinho de €0,60). No final do mês (ou ano) vemos o quanto gastamos com determinado tipo de despesa e podemos planejar melhor nosso orçamento.
    Ah! E por último faça como a Rachel e corte seus cartões de crédito (ou deixe seus amigos cortarem). Cartão de crédito deve ser usado em despesas muito pontuais e planejadas e nunca deve andar na carteira, para evitar compras por impulso.

  8. Bianca says:

    Izzy, eu não sofro desse mal do cartão de crédito, porque sempre olho o recibinho depois e já me acostumei a ver os “numerinhos” e compará-los com meu saldo do banco. Daí por exemplo, se eu gasto R$250 em roupas quando eu tinha só R$600 de saldo me dá uma agonia TREMENDA. E mesmo se eu saio de fim de semana e gasto R$90 numa noite, eu fico pensando depois “isso até que foi bem caro”, me dá peso na consciência e eu vou pensar duas vezes antes de gastar isso denovo 😛
    Uma coisa que também faço é ir anotando os gastos num desses apps de gestão financeira, porque aí ele te mostra visivelmente com gráficos quanto dinheiro entra e quanto dinheiro sai (e como essa saída de dinheiro é distribuída), e é outra coisa que te dá uma agonia tremenda. Imagina todo mês você olhar o gráfico e ver que teus maiores gastos sempre são com comida!
    E pra encerrar, não sei qual tua possibilidade de fazer isso, mas separar uma grana todo mês pra obrigatoriamente ir pra poupança e deixar de estar disponível é outra coisa que dá uma bela freada na gastança. Daí de 6 em 6 meses, todo ano enfim, você “resgata” esse saldo pra fazer uma viagem! 😀

  9. Tatiane Pereira Rodrigues says:

    O mais triste disso tudo, é que lendo esse texto parei para calcular quanto eu gasto por ano comendo fora…. Já que sofro desse mesmo mal. Levando em consideração que aqui no Rio de Janeiro gasto em média 25 Reais em uma refeição (sem bebida), gasto no mínimo 6500 por ano. Ai se eu somar o jantar e os finais de semana, cheguei a estarrecedores 18.000!!!!!

    Izzy,

    Acredite, isso ai é uma pechincha!!! Kkkkk

  10. Angelo Jr says:

    “E aí Daniel, entre uma mordida e outra da coxinha, diz as palavras que marcariam minha vida para sempre.
    “Velho, na boa, se eu tenho algum tostão na carteira, uma coisa que eu não passo é fome”.
    E pontou a filosofia com uma dentada na coxinha.”

    Queres saber porque gastas tanto comendo fora?? Tá aí a resposta pra ti meu caro 😉

    http://hbdia.com/vida-maldita/como-um-colega-de-escola-marcou-minha-vida-para-sempre-com-uma-filosofia-simples/

  11. Marcio says:

    Cheguei à mesma conclusão que você por esses dias mesmo! E a origem do problema também. Já defini meu plano de solução, vamos ver se vai ser a mesma que a sua. Meu plano envolve basicamente adquirir os seguintes items para aumentar a praticidade e não ser impedido pela preguiça: lavadoura de louça, panela elétrica de arroz, fritadeira sem óleo (airfryer), uma geladeira decente (frigobar não vai dar).

    Quero concluir este plano até janeiro (comprando à vista, já me livrei do crédito).

    • Tiago says:

      Já calculou quanto tempo vai levar para que esse investimento “se pague”?
      Além disso tem a questão da disciplina, já que se você comprar e não usar vai jogar uma boa grana no lixo…

  12. Pedro says:

    Eu tenho muito esse problema. Os intervalos entre trabalho, mestrado, filha de 2 anos e esposa são bem curtos, e cozinhar acaba sempre levando a pior. O que fiz pra resolver isso foi: almoçar sanduíche (feito em casa, claro). É bem mais fácil pegar aquele pão que já tá cortadinho, colocar alguma coisa que você pode cozinhar uma vez na semana e que dura vários dias (frango desfiado, antepasto de berinjela, etc), alguma salada e pronto.

    Isso me ajudou bastante, Kid. Mas ainda recaio na preguiça de gordo de vez em quando.

  13. Alexandre says:

    Meu vício é outro, mas igualmente supérfluo e desnecessário: carros. Acredite ou não, tenho 3 carros. Até aí, nada anormal.

    A não ser que:
    -- Os 3 são sedans com tração dianteira (moro em Edmonton onde como você sabe algo prático deveria ser awd).
    -- Somos uma família de 3: minha esposa, eu, e um bebê de 10 meses. Algo como uma suv seria mais útil do que 3 sedans pequenos (sendo que 1 deles é coupe de 2 portas).
    -- E o pior: eu uso transito (ônibus) pra ir pro trabalho.

    Ou seja, eu poderia facilmente viver sem carro nenhum mas tenho 3 que quase nunca uso. Às vezes preciso sair de casa com um deles apenas pelo fato de que carros não podem ficar parados por períodos longos. Comprei por pura frivolidade e vaidade apenas por gostar deles. E eles não satisfazem minhas necessidades. São mais de 3000 dólares por ano apenas com o seguro (os 3 carros pertencem ao segmento sport luxury), Isso porque comprei a vista, se fosse a prestação poderia adicionar pagamentos a isso daí. Pelo menos não gasto quase nada com gasolina (uma vez que quase não dirijo) e nossa garagem comporta 3 carros…

    LOL

  14. Der Doppelganger says:

    É difícil controlar aquilo que voce não mede. Uma ferramenta para ajudar nisso, caso voce não ligue para a sua privacidade, é o Mint.com.

    Estou tentando uma outra alternativa chamada YNAB (You Need a Budget) que acho que precisa um pouco mais disciplina mas é menos bisbilhoteiro.

    Rgs,

    Mauricio

  15. Igor Freire says:

    COMER FORA! 🙁

  16. Brito says:

    É bom considerar nas contas que comer em casa — ainda que muito muito muito mais barato — não é de graça. Talvez alguém já tenha comentado justamente isso. Não fui atrás.

  17. Manu says:

    Ficaria mais chocado se tivesse investido os mesmos CAD$ 3932.88 por ano na TFSA por exemplo, em um MF decente, alinhado com seu perfil de investidor… em 5 anos poderia acumular uma boa grana pras “tais viagens”. Ainda dá tempo!

    • Manu says:

      E na verdade não é tão ruim assim se vc parar pra pensar que esse valor dividido pelo numero de dias q vc trabalha num ano, não deve dar mais que 10 a 15 dolares por dia, o que na verdade é a média de qualquer restaurante canadense que não seja fast food. O meu comentario anterior foi mais em relaçao a investir nos seus objetivos do que realmente analisar esse lado.

  18. […] último post dessa série, eu comentei que o meu principal obstáculo na vida frugal é comer fora. Aliás, é curioso que […]

  19. Andrea says:

    Izzy, eu pago praticamente TUDO com cartão de crédito. Mas não sirvo como parâmetro, porque sou uma pessoa extremamente racional (e muquirana! Rsrsrs). Na verdade, uso o cartão pra poder tirar proveito dele: acumulo pontos e troco por passagens aéreas. Levo uns 3 anos pra juntar o suficiente, mas vale a pena. Este ano, por exemplo, usei 50mil pontos pra pagar a passagem de ida e volta pros EUA. E no final do ano vamos a Orlando com as crianças: com 180mil pontos tiramos as passagens dos nossos 2 filhos. Eu nunca pago juro de cartão -- mas isso porque não gasto mais do que posso pagar. Como te disse, dá pra ver que não sou parâmetro mesmo, né? 😉

  20. Mateus says:

    Pra mim é comprar camisas de times de futebol. Não posso ver um lançamento que já quero comprar

  21. Rogério says:

    O meu é cômer fora.

  22. Pedro says:

    Nunca tive dinheiro para almoçar fora pois ganho 1 pouco mais que um salario minimo,pois é,vida de estagiário não e fácil,ainda mais quando existe a tentação e você força a barra para comer fora.American Psychological Association acho que descobrir o que tenho.kkkk