tesla-foda

Não sei se você esteve prestando atenção, mas estamos vivendo no futuro já tem algum tempo. E agora, o futuro acaba de ficar mais futurístico.

O bilionário e Tony Stark da vida real Elon Musk vem há algum tempo prometendo que seus Teslas serão, um dia, completamente autônomos. E enquanto muitos estivemos pensando “ah tá ok senta lá Elon té parece que os carros vão se dirigir sozin…”, o sujeito aparece com o vídeo abaixo:

Puta que pariu. Como você pode ver, o carro se controla completamente sozinho, inclusive deixando o “motorista” (mais apropriadamente, passageiro) no seu destino e então procurando uma vaga pra estacionar. Repare, na marca de 3:04, que o carro passou não uma, mas DUAS vagadas para deficientes — o que já mostra que o software da Tesla é mais inteligente que muito motorista humano.

Aliás, eu percebi agora que vagas para deficientes serão coisa do passado se/quando essa tecnologia pegar. Ninguém vai ter que andar do carro até a porta de um prédio ou vice-versa, visto que o carro te deixa na entrada e te pega quando você precisa.

O Tesla auto-guiado não fica cansado, nem se distrai lendo mensagem no WhatsApp, nem avança placa de pare com pressa e acerta um pedestre, nem cai no sono durante uma viagem longa. O software não é perfeito, é claro, mas o histórico de tecnologia de informação é repleto de casos em que o controle através de sistemas de inteligência artificial passa a eficiência e segurança humana em praticamente todos os casos em que foi aplicado. Duvido MUITO que dirigir acabe se tornando exceção.

Eu tenho plena convicção que essa tecnologia se tornará padrão na indústria automobilística em menos de 20 anos. Não há NENHUMA função de segurança automobilística que em poucos anos não tenha se tornado um item obrigatório, seja por forças de mercado que tornam inviável a uma marca não oferecer a opção, ou por decreto estatal direto. Airbag, freio ABS, cinto de segurança, vidro temperado… você conhece algum carro que não tenha essas coisas?

É inegável que um sistema autônomo é mais confiável do que a operação humana; os carros autônomos que se envolveram em acidentes até hoje são quase exclusivamente por culpa de erro humano. Um ser humano jamais poderá monitorar todos os ângulos que esses carros monitoram simultaneamente, por exemplo. Ou seguir TODAS as regras de trânsito obrigatoriamente, em vez de abrir mão de algumas por pressa ou preguiça ou puro desconhecimento.

Eu penso que um dia, daqui uns 40 ou 50 anos, nossos netos ouvirão horrorizados nossas histórias de dirigir nossos próprios carros. “Porra! Mas isso é perigoso demais!“, dirão eles. “não rolava acidente direto, não…?“, e admitiríamos rindo que sim, acidente de carro é líder no ranking de mortes de pessoas entre 15 e 29 anos de idade. E eles não conseguirão compreender como achávamos isso uma faceta completamente normal do privilégio do transporte automotivo.

Existe todo um dilema ético sobre o que “alvo” um carro autônomo seria forçado a escolher caso uma colisão fosse completamente impossível de evitar. Eu acho que essa discussão é primariamente um espantalho, por alguns motivos. Primeiro, porque a conclusão fundamental em que os proponentes desse dilema parecem querer chegar é “olha, se X, Y e Z acontecer, vai morrer gente mesmo assim!”.

Esse exercício pode ajudar a antecipar problemas e bolar soluções criativas, mas que ao mesmo tempo me parece extremamente contraprodutivo porque é usado muitas vezes como argumento pra NÃO adotar uma certa medida. Podemos usar argumentos semelhantes (achar falhas num sistema de segurança) pra literalmente qualquer solução que tem como finalidade reduzir taxas de mortalidades. Pra mim, é como argumentar contra um colete a prova de balas dizendo que você ainda está vulnerável a um tiro na cara.

É fantasioso achar que não haverá mais acidentes de trânsito, nunca mais, uma vez que carros autônomos se tornem a norma. Só que parece bastante evidente que os números de colisões vão se reduzir a uma ínfima fração do que temos hoje, considerando as experiências atuais com a tecnologia; se isso pode teoricamente resultar num dilema ético… fazer o que? No mesmíssimo cenário sem um veículo autônomo, pessoas iam provavelmente morrer da mesma forma. Assim como num cenário em que você tem um colete a prova de balas e leva um tiro, SEM ter o colete você estaria consideravelmente mais fodido de qualquer forma.

Em outras palavras, não vejo “dilema” se a adoção de uma medida reduz muito a propabilidade da situação que invoca o dilema de acontecer.

Segundo, porque a galera que alardeia esse “dilema” parece argumentar que a mesma situação, sendo decidida por um ser humano, seria inerentemente melhor, dum ponto de vista ético/moral. Sendo eu escolhendo desviar pra este ou aquele carro no momento de um acidente inevitável com potencial fatal, ou o computador do meu carro decidindo isso… qual exatamente é a diferença?

Ou seja, o argumento de dilema soa muito como alguém rejeitando uma medida porque ela não vai resolver 100% do problema. Nenhuma medida resolve 100% de um problema, mas a adotamos se a porcentagem da solução é grande o bastante pra valer a pena.

Finalmente, a simples adoção de sistemas autônomos fazem com que o enunciado desses dilemas torne-se virtualmente impossível. O autor do artigo linkado admite isso, dizendo que “these scenarios would be very rare, if realistic at all“. A menos que alguém pule na frente do seu carro intencionalmente, numa situação em que o carro estivesse rápido demais pra parar (digamos, uma auto-estrada), as condições necessárias pro “dilema” seriam eliminadas pela simples presença de sistemas autônomos de direção.

Assim sendo, o próprio enunciado da questão “imagine que o carro está PRESTES a bater, o carro deve desviar em direção ao motociclista COM capacete, ou no motociclista SEM capacete?” é improvável.

O que você acha? Você é conta ou a favor de carros autônomos?

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