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5 JOGUINHOS ANTIGOS que fui ÚNICA pessoa a jogar!

Postado em 14 February 2018 Escrito por Izzy Nobre 4 Comentários

Com Steam e Torrents, a molecada atual é bem mal acostumada — qualquer joguinho está a poucos cliques de distância, quer rode no seu notebook da Positivo ou não.

 

Se era pra comprar mal, comprava logo isso então

Na minha época, essa era a única forma de ter jogos “completos”:1

Ah, as revistas de CD ROM… numa época em que jogos custavam BEM caro (isso quando você conseguia acha-los; na minha cidade tinha UMA loja que vendia games), essas revistas fizeram a minha alegria. Só que antes de oferecer os tais JOGOS COMPLETOS, essas revistas só vinham com joguinhos xexelentíssimos que às vezes mal podíamos chamar de “jogos”.

Dentre esses existiram algumas “pérolas” que eu joguei exaustivamente, por pura falta de opção. E às vezes me pergunto se fui o único brasileiro a joga-los. Tenho muita certeza de que fui.

Dentre eles estavam…

Jump ‘n Bump

Já comecei trapaceando. Tecnicamente, Jump and Bump não era joguinho de revista de CD-ROM — esse eu catei na internet, naqueles sites de joguinhos freeware que eu explorava obsessivamente.

Falei que nossas opções pra jogos eram bem limitadas na época, né? Bom, nesse texto isso vai ficar claro. Eu me virava com o que dava.

Enquanto isso tu comprou Assassins Creed: Exploradores do Matagal numa promoção do Steam só por comprar e nem baixou ainda. Cê sabia que ter muitas escolhas pode te deixar deprimido?

Jump ‘n Bump era um joguinho freeware em que você controlava coelhinhos bonitinhos felpudinhos onde o objetivo era pular em cima de outros coelhinhos bonitinhos felpudinhos — e no momento em que isso acontecia o coelhinho explodia violentamente, mandando sangue e entranhas pra todo lado e tingindo a grama de vermelho.

Minha irmã CHORAVA de rir com isso. Ficávamos nós três, eu e meus irmãos, dividindo o teclado e explodindo uns aos outros por horas.

O interessante sobre Jump ‘n Bump é que, através de um método extremamente não user-friendly, dava pra editar os mapas. O que você vê acima era o único do jogo;2 pra criar outros, você abria um arquivo de texto — isso mesmo, no notepad mesmo — que parecia com algo assim:

Cada número nessa matriz dizia ao jogo que superfície os coelhinhos estavam em cima — 0 era ar, ou seja, você podia atravessar sem resistência. 1 era o chão normal, 2 era água, e portanto fazia o coelhinho flutuar. 3 era gelo, e 4 era aquela mola que jogava o bichinho pra cima. Era só desenhar o level no Paint e em seguida cuidadosamente escrever essa matriz, atribuindo os valores correspondentes ao que você desenhou — se naquela área eu desenhei chão, no Notepad escrevo 1. Se ali desenhei uma lagoa, no Notepad vai 2.

Era muita falta do que fazer. Foi inclusive nessa época que adotei o uso do IrfanViewer, o aplicativo favorito da comunidade pra converter a imagem do paint pra PNG. Até hoje o programa mora na barra de status do meu Windows.

Se você acha que criar levels pra essa merda era uma complicação imensa, roda-los era pior ainda — porque criar o level pelo menos tu fazia uma vez só, mas a gambiarra de fazer o jogo executa-lo precisava ser feito TODA VEZ.

Tappan Kaikki

Meu deus, como eu joguei esse jogo. Bateu uma saudade inimaginável agora.

Tapan Kaikki (que em finlandês significa algo como “VOU MATAR GERAL”; o mundo pré Onze de Setembro era realmente um lugar bem diferente) era um jogo de tiro com visual “top down”, ou seja, você vendo o bonequinho de cima igual no GTA clássico.

A propósito, eu joguei aquele primeiro GTA até o cu cair da bunda,3 mas GTA é um jogo que todo mundo também jogou, então mas não entra na temática desse artigo.

Não tinha história — até onde eu lembro, eram só pequenas descrições de uma frase só na tela de loading antes de cada fase –, era apenas uma sequência de telas em que você fuzilava os inimigos, coletava armas, e tentava se manter vivo. Tinha uns civis perambulando o cenário, que você também podia matar de forma completamente gratuita.

O jogo é essencialmente um precursor de Hotline Miami, só que sem o polimento, e bem mais difícil — embora essa dificuldade seja mais porque os inimigos aguentam muito mais tiros do que estamos acostumados por causa do Hotline, e porque os controles não eram super precisos.

Tinha um editor de fases, que como todo outro editor de fases eu usei por 2 minutos até entender que eu nunca arrumarei emprego como game designer e voltava a jogar o joguinho.

Eu joguei TANTO TK, mas tanto (teve múltiplas versões, os devs eram bem ativos no site) que ao rever o vídeo com o gameplay me deu flashbacks de 1999. Ainda lembro de todos os sonzinhos, todos as músicas, o layout das fases, tudo.

Com Hotline Miami 1 e 2 existindo, e a ausência de uma história, não há muito motivo pra revisitar Tapan Kaikki, e eu suspeito que sou o único que sequer lembra dele.

Vale mencionar também que Tapan Kaikki era claramente inspirado num jogo anterior (e ainda mais rústico), o Cyberdogs — que eu também joguei à exaustão nos idos de 1997-1998.

Warpath

Antes que você julgue — o ano era 1997 e, como falei, tínhamos MUITO menos opções.

Lá por 2010, eu trabalhava de madrugada numa sex shop. A diferença de horário entre a minha região do Canadá e o Brasil é de 3 horas no verão e 5 horas no inverno, então eu frequentemente era um dos poucos online nas redes sociais falando bobagem. Era uma existência solitária.

Foi justo nessa época que, no intuito de movimentar a timeline, eu desenvolvi e aperfeiçoei o trollbait do “Último brasileiro acordado”. Bastava falar isso que TODOS se pronunciavam imediatamente de forma quase compulsiva.4

A piadinha foi eventualmente adotado pelo Cid do Não Salvo (a ponto de que imagino que MUITOS não sabem que eu cunhei a brincadeira) e acabou se espalhando muito mais do que eu intencionava.

Mas era apenas uma empáfia, claro. ENTRETANTO, eu posso dizer com 100% de segurança que sou o único brasileiro que jogou Warpath.

Warpath era um joguinho de exploração espacial em tempo real. Você começava com uma navinha só, e um planetinha, e tecnologia chumbrega, e ia coletando recursos, vendendo, melhorando sua nave, e por aí vai. Aqui tem o único vídeo de gameplay de Warpath no YouTube inteiro:5

O sucessor de Warpath, Warpath 97 (que eu só fui conhecer quase no ano 2000. Era mais difícil descobrir coisas na internet naquela época) era excepcionalmente melhor, mas a versão shareware tinha uma limitação de tempo de jogo. Dez minutos, se lembro bem.

Não sei COMO, mas eu descobri que bastava deletar um .dll do jogo que ele se tornava ilimitado. Os programadores eram bem ingênuos naquela época, pelo jeito.

E sim, eu também escrevi fanfic de Warpath. Considerando quão prolífico autor de histórias fictícias eu era quando moleque, é de surpreender que eu não seja ativista de movimentos sociais no Twitter.

Warpath teve um outro sucessor, Warpath 21st Century, que eu joguei bem menos porque meu fascínio com o jogo já tinha acabado a essa altura. O jogo tá em beta desde 2002. E repare que a página anuncia que não há mais timer de limitação como na versão shareware. Vai ver eles perceberam que era só apagar aquele arquivo .dll e nunca conseguiram bolar outro meio de incentivar a compra do jogo.

Falando em comprar Warpath, eu era TÃO FÃ do primeiro jogo que cogitei compra-lo. Em 1997, com míseros 13 anos, com acesso limitado à internet e sem cartão de crédito ou coisa do tipo. Olha que brasileirinho exemplar eu era.

A alternativa oferecida no site era enviar o dinheiro fisicamente pelo correio pro desenvolvedor.6 Hahahaha, que velho oeste do caralho era essa internet…

O site do desenvolvedor de Warpath ainda está no ar, e pra você ter uma noção de quão paleozóica a parada é, o registro mais antigo do site no Web Archive é de 1998. Tem gente lendo esse artigo AGORA que não era nem nascido ainda.

Pelo menos um de vocês deve estar surpreso que sequer EXISTIAM sites em 1998.

Acessar a Synthetic Reality era um hobby semanal meu (só podíamos usar a internet uma vez por semana, lembra?) pra ver que novos joguinhos toscos estavam disponíveis. Eles tinham algo chamado Arcadia, que era uma espécie de hub pra minigames (que a empresa chamava de “toys”). Era adoravelmente tosco.

Surpreendentemente, o fórum da empresa ainda é consideravelmente ativo. Eu devia ir dá um alô lá, e talvez finalmente pagar a cópia “pirata” de Warpath 97 que joguei por tantos anos.

Aliás, repare que tanto Warpath quando Tapan Kaikki já foram mencionados aqui no site antes.7

Well of Souls

Well of Souls era outro clássico digital dos gênios da Synthetic Reality. Ou O gênio. Aparentemente a “empresa” era só um cara, chamado Dan Algumacoisa. Lembro de ele mencionar que havia “contratado” seu filhinho de 8 anos pra ser assistente. Vai ver ele o encarregava de entregar os cheques de ativação do Warpath pra moça do banco, pro moleque sentir que ele que tava depositando alguma coisa.

Este aqui era um MMO com modo single player que foi essencialmente o único RPG digital, com exceção de Pokemon, no qual eu realmente investi tempo.

Não Final Fantasy 7. Não Chrono Trigger. Não Super Mario RPG. Well of Fucking Souls.

Well of Souls é sem exagero a coisa mais tosca na qual eu vergonhosamente gastei umas 40 ou 50 horas. Imagens estáticas não fazem jus a quão asqueroso o jogo era:

Considere que isso foi em 2000, quando MMOs ainda eram uma novidade, e um joguinho gratuito e leve se popularizava por isso só, sendo bom ou não. Toda a turma do bairro jogava essa joça, e quando descobriu-se que os arquivos de sprites usados pelo jogo eram meros arquivos .bmp no diretório “data”, começou um festival de arte MS Paintística que me traz lágrimas ao olhos de tanta nostalgia.

Eu explorei TODAS as capacidades do MS Paint, e em poucas semanas nossas parties no modo online estavam populados por todo o elenco de Dragon Ball Z, rudimentares auto-retratos e pirocas tão fotorealistas quanto era possível com o rudimentar editor de imagem da Microsoft.

Quando inimigos eram atingidos pelo jogador, eles emitiam um ÓÓÓÓÓÓUUUU que virou até um meme local entre a nossa patota.

Juventude é realmente um negócio mágico. A gente se satisfaz com tão pouco…

MoleZ

Você certamente deve conhecer Liero. E talvez conheça também esta fanpage de Liero, que foi um dos primeiros site que fiz na vida, e certamente o único que ainda consigo encontrar. Eu tinha também um blog quando cursava o segundo ano do Ensino Médio repleto de histórias cômicas fictícias usando colegas de sala como personagens. Era super popular na escola, ao ponto de que se eu passasse uma semana sem atualiza-lo, era assediado nos corredores pedindo novas postagens e/ou pra ser incluído nas histórias. Alguns imprimiam os textos de manhãzinha cedo, antes de sair de casa, pra ler na aula. Foi minha primeira experiência com “fama” de internet.

O que você talvez não saiba é que Liero foi na real inspirado em MoleZ.

Se você conhece Liero, eu não preciso explicar MoleZ. Caso precise, é essencialmente Worms, mas com apenas dois bonequinhos, e sendo controlado em tempo real. MoleZ tinha gráficos mais polidos, mas curiosamente foi completamente esquecido quando Liero chegou na cena. Em minha opinião, o gráfico mais SNESento de Liero era mais charmoso.

Eu conheci MoleZ e Liero na ordem cronológica em que surgiram na cena — primeiro MoleZ, e depois Liero. Um joguinho simples como esse realmente se beneficia de um gráfico mais despojado, e mais aproximado do Worms original em que ele claramente se baseia.

Todos por sua vez se baseavam em Scorched Earth, um joguinho de artilharia clássico. Eu broxava com Scorched Earth, mas foi só tornar os canhões móveis, e desenha-los como anelídeos simpáticos que falavam O PRIMEIRO DE MUITOS quando acertavam o oponente, que me apaixonei.

Uma coisa curiosa é que tanto MoleZ quanto Liero quanto Tapan Kaikki (além de vários outros joguinhos de revistas e/ou freeware que eu achava nas minhas garimpagens inetrnéticas) eram finlandeses. Lembro de ler num fórum na época que a explicação disso é que escolas finlandesas ofereciam aulas de programação, e consequentemente muitos jovens finlandeses acabavam adotando o hobby de game design enquanto eu era obrigado a aprender capitanias hereditárias, divisão de polinômios e logaritmos.8

Não é de hoje que eu nostalgio pelos joguinhos clássicos finlandeses dos anos 90, talvez o nicho mais hipster a que eu pertenço.

Talvez pro seus olhinhos jovens e mal acostumados com Red Dead Redemption e The Last Of Us, esses jogos que lembro com tão doce saudade parecem mais uma tortura digital do que entretenimento ao qual alguém se submeteria voluntariamente. Lembre disso da próxima vez que reclamar que eu não zero nada. Olha o que eu tinha pra jogar, porra!

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Categorias: Games, Top X

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 32 anos, também sou conhecido como "Kid", e moro no Canadá há 13 anos. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas, e sobre notícias bizarras n'O MELHOR PODCAST DO BRASIL. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

4 Comentários \o/

  1. Pedro says:

    Nossa… Você se contentava com tão pouco! 🙂

  2. Yamato says:

    Vou dar uma olhada nesse Warpath, incrivel como esse genero de espaço era tão popular antigamente e hoje em dia só tem um ou dois jogos, fora Star Citizen no seu beta eterno, que nem o Warpath 21st!

  3. Humberto says:

    Um jogo antigo e praticamente desconhecido que joguei muito foi Alien Rampage, de 1996. É um side-scrolling shooter misturado com platform. Basicamente, você prossegue pelos 21 níveis matando alienígenas (daí o nome)e resolvendo puzzles. Zerei ele não faz muito tempo e acho que o jogo envelheceu muito bem, considerando o ano em que foi lançado. Os controles respondem bem, a ambientação e o design dos níveis são diversos, a dificuldade do jogo vai O único ponto negativo pra mim é o jogo não possuir trilha sonora, mas devido aos cenários e gore extremo, joguei ouvindo a trilha dos Mortal Kombats antigos e encaixou perfeitamente.

  4. Humberto says:

    “a dificuldade do jogo vai”, ia comentar que o jogo é realmente difícil, especialmente se você tentar zerá-lo sem morrer.