Ei amigo leitor! Em vez de ler minhas bobagens na tela do seu computador, eu ofereço hoje a alternativa de le-las no seu ereader, tablet e/ou em folhas de papel de verdade, que você pode até mesmo cheirar (os fetichistas em livros físicos me dizem que isso é um feature importante, então achei válido ressaltar). COMPRA COMPRA COMPRA COMPRA.

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Ele é ainda mais bonito em 3D na sua mão!

Meu primeiro livro, Todo Dia Tem Uma Merda, está agora disponível em todas as grandes lojas de livros, que antigamente a gente chamava “livraria” mesmo mas eu já escrevi a frase assim toda esquisita mesmo então foda-se. Se você baixou a versão gratuita que eu disponibilizei anos atrás aqui, saiba que esse tem novas histórias, fotos, e eu até corrigi aqueles erros grotescos de digitação que você me mandaram tantos emails avisando.

Compre na Amazon pro seu Kindle

Compre na iBookStore da Apple pro seu iPhone/iPad

Compre na Barnes and Noble pro seu Nook

Compre na livraria da Kobo, pro seu… ora, pro seu Kobo ué. Pra geladeira que não vai ser

Se você prefere comprar na Saraiva, aqui está

Mas se esse negócio de ebook é muito modernete pro seu gosto e você prefere ter o livro “de verdade” em mãos, lambendo o dedo pra virar as páginas da forma como deus planejou que lêssemos, você pode compra-lo aqui.

Me falaram que se você usa um BOTÃO pra vender uma parada é muito mais eficiente que links. Assim sendo,

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Deus lhe pague em dobro.

Agora com licença que preciso terminar o próximo livro. Esse aqui você DEFINITIVAMENTE vai querer comprar. Sabe as histórias sórdidas daquele tempo em que trabalhei na sex shop? Eu contei mais ou menos 3% delas aqui no blog. O resto eu guardei pra este livro.

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Compre o Todo Dia Tem Uma Merda pra que eu saiba que não estou escrevendo este segundo à toa!

A propósito, em vez de emprestar o TDTUM pra um amigo, diga não ao socialismo e mande este link pra ele.

É o seguinte.

Muitos soltados que morrem em guerras são achados aos pedaços, irreconhecíveis, e isso quando são achados. Por causa disso, existe a necessidade de um monumento pra celebrar o sacrifício deles.

Existem várias “tumbas do soldado desconhecido” ao redor do mundo (tem uma no Brasil, e uma na Itália celebrando os soldados brasileiros), mas provavelmente a mais conhecida — e também mais bad ass, eu diria — é a tumba americana.

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Embora curiosamente não tenha um nome oficial, o monumento é conhecido como a Tumba do Soldado Desconhecido e é uma espécie de atração turística de bastante peso nos EUA, especialmente durante feriados que comemoram o sacrifício dos militares, como o Memorial Day.

O significativo histórico e cultural da tumba é TÃO grande que a tumba é protegida literalmente 24 horas por dia, mesmo sob chuva como na foto acima, ou neve na foto abaixo:

Aliás, chuva e neve não é nada. Mesmo durante um furacão, a guarda é mantida:

Parte do ritual é que, quando não virados para a tumba, os soldados devem manter seus rifles virados pra fora, ou seja, na direção do público. Isso é pra simbolizar que o rifle fica sempre entre a tumba e uma possível ameaça (embora se ficasse “pra dentro”, continuaria entre a tumba e um hipotético ataque, especialmente porque não há como saber de que lado um malfeitor viria, mas eu não vou discutir com um cara armado).

Além disso, os soldados que patrulham o túmulo não usam nenhuma insígnia, que é pra que jamais tenham patente maior que o soldado desconhecido.

 

Essa é a insígnia de identificação que os guardas usam. Os requerimentos pra se tornar guarda da tumba são TÃO espartanos, e o cargo tão inalcançavel pra maioria da população militar, que essa insígnia aí é a SEGUNDA mais rara nos EUA.

Sabe qual a PRIMEIRA? A de astronauta.

Mas isso não é tudo. O cargo dos guardas não é apenas pra enfeite, não; eles também estão lá pra dar broncas sensacionais em turistas desrespeitosos. Por exemplo…

E não se leva bronca só por risadinhas não. Passou da barreira que separa o monumento e o público? Toma berro também:

https://www.youtube.com/watch?v=s-dBwdeJSGo

Entrou no monumento pelo lado errado? Vai levar esporro também:

A única coisa permitida é observar o ritual com silêncio e respeito pela morte dos soldados desconhecidos. Se ultrapassar a barreira, ficar conversando, rir ou qualquer coisa do tipo, leva um cagaço com a intensidade característica de uma professora de matemática alegando que a sua é a pior classe que ela já teve que ensinar.

Como o americano médio que visita esse tipo de monumento tem bastante reverência pelo significado do monumento, é possível aliás que os turistas sem modos nem sejam americanos. Em geral, o monumento goza de uma das atmosferas mais solenes possível. A maioria das pessoas respeita bastante a Tumba do Soldado Desconhecido.

Bom, eu falei A MAIORIA.

Oi malucos.

Como vocês podem talvez imaginar, a situação aqui na residência Nobre está frenética por causa da epopéia da “morte” do HBD.

Ontem, mais ou menos às oito da noite, eu recebi a informação de que o meu host havia perdido tudo — incluindo o meu site. Eu ainda tinha algumas horas de trabalho pela frente, então imagina minha AGONIA TOTAL.

Eu saí ontem do trabalho e, desrespeitando todas as leis canadenses de trânsito, cheguei em casa em tempo recorde de uma maneira que nem a minha seguradora nem a polícia de Calgary aprovaria (se não posso dirigir na calçada, por que meu carro foi feito de forma que o permite subir nela? Respondam essa, ateus).

Subi as escadas do prédio de maneira praticamente olímpica, naquela afobação que me é característica. Meu pobre coração, mais acostumado com adiposidades do que com esforço físico, sofreu um processo quase fatal de overclocking. Meu ventrículo esquerdo ainda tá fora do ritmo.

Uma vez na frente do PC, estralei os dedos de forma teatral (embora desnecessária) e pensei “vamos ver como está esta merda aqui”.

E de fato estava uma merda. O HBD foi pro espaço junto com meu host; com isso sumiram meus posts, imagens, layout, sumiu tudo.

Meu querido bloguinho, cujas celebrações de 10 anos de existência estavam a poucos meses de distância, deixou de existir. Evidentemente 90% da culpa da situação deve-se a mim mesmo. Não fazer backup desta porra toda foi um vacilo que jamais cometerei novamente.

Minhas opções eram limitadas (chorar comendo sorvete, essencialmente). Até que me aparece o broder @gbuzogany com uma solução MacGyverzística inacreditável:

Quando ele desenvolveu o app do HBD pra iPhone, a API do negócio fez um rip de todo o conteúdo do site. As imagens continuavam no servidor, mas pelo menos todos os 10 anos de posts estavam na database do app.

O broder então fez alguma macumba digital para extrair do app todo o conteúdo de posts, e em seguida fez uma segunda macumba eletrônica (envolvendo mais galinhas de Zelda, suponho) pra transformar esse conteúdo em algo utilizável pra MySQL.

Ele terminou sua necromancia inserindo tudo num WordPress novinho em folha que eu instalei num novo servidor e pronto: todos os posts haviam sido recuperados.

Os dados estavam meio zoados (sintaxes estranhas nos caminhos ou algo assim), mas o broder desenvolveu um scriptzinho ali no ato pra ir consertando esses pequenos solavancos.

Eu me considero um cara sortudo, mas isso foi uma MEGA CAGADA. Dei muita sorte.

Hoje de manhã, o HBD existia apenas como um monte de texto sem imagens nem layout nem nada. Aí entram dois outros MAGOS DA PROGRAMAÇÃO HTML, o @gabrielsubtil e o @lluanmuniz.

O Gabriel achou meu layout nos mais escuros confins de seu HD (provavelmente habitando a mesma pasta C:Documentos ChatosRestituicao do Imposto de Renda 2006tempbackupwindows filesprinter driversCOMPLETE SASHA GREY COLLECTION em que se encontram o resto de seus arquivos “perdidos”).

Mas faltava muita coisa ainda. Ele e o Luan executaram uma verdadeira DUPLA PENETRAÇÃO no meu novo servidor — isto é, ambos logados ao mesmo tempo na parada, não muito diferente do modus operandi da Sasha Grey –, habilmente reconstruindo todo o MySQL do site como se fossem uma daquelas equipes que tocam pneus de carro de Fórmula 1: solucionavam um problema, saltavam pro outro, revezando as tarefas e às vezes trabalhando simultaneamente no mesmo problema. Fórmula 1 pode não ser um esporte, mas esses malandros que consertam os carros são de fato atletas.

Observar os dois trabalhando daquela forma no servidor foi sinistro. Me fez perceber que eu realmente não sei porra nenhuma desses negócios de internet.

Só quando o contador da ligação do skype marcava quase 6 horas, nós três atigimos um ponto em que o HBD se tornou reconhecível novamente. E aí passei a consertar algumas imagens quebradas, que é a única etapa dessa trabalheira que eu tenho habilidade pra mexer.

Como você pode ver, o HBD não está plenamente funcional. Mas tamos todos trabalhando nisso.

Passei as últimas 13 horas plantado na frente do computador, ligando pra este e aquele amigo, pedindo conselhos no tuíter, googleando soluções e plugins pra botar o HBD do jeitinho que você o conhecia antes deste final de semana.

No final das contas eu tava tão cansado de ficar na frente do PC, porém ainda não queria largar o trabalho no blog, então vim escrever este post aqui na sala mesmo. Se é pra continuar mexendo nessa merda, que pelo menos não seja na frente do computador.


(Como se isso fizesse muita diferença né).

Queria agradecer ABSURDAMENTE estes três broders — três PROFISSIONAIS na verdade –, que passaram HORAS me ajudando a resolver um nó cego desses (e ainda por cima, pro bono, só por gostar do site).

O @gbuzogany foi dormir a umas 4 da manhã (de uma segunda feira!) me ajudando a recuperar os posts. E se não fossem o @gabrielsubtil e o @lluanmuniz, ler o HBD seria equivalente a tentar abrir um arquivo .txt de 500 páginas.

E agradeço todo mundo que mandou mensagens de apoio e encorajamento. Ter (aparentemente) perdido algo no qual eu trabalho há uma década foi de torcer as tripas; é bom nesses momentos saber que tem muita gente comovida e tentando ajudar. É bom saber que tanta gente curte o que eu faço.

A casa ainda tá meio bagunçada, mas já já a gente põe tudo em ordem de novo. E, pra compensar os 3 dias de downtime, vou tentar acelerar a produção de conteúdo aqui 🙂

Vocês lembram deste icônico vídeo que mostra, SUPOSTAMENTE , o Pé Grande perambulando pela floresta com a casualidade de quem vai ao mercadinho comprar cigarro?

Este vídeo é conhecido como Patterson-Gimlin film. Filmado em 1967 na Califórnia, a sequência foi alvo de intensa investigação científica (é por isso que ainda não temos uma cura pro câncer aliás). Os carinhas analisaram cada frame do vídeo pra poder decidir, com exatidão, se o negócio na cena era de fato um animal desconhecido pela ciência, ou apenas um maluco trajando uma roupa de macaco.

Essa imagem me causava arrepios quando eu era moleque. A cena em si é super trivial, o problema é que ela sempre era usada em contextos assustadores — episódios do Globo Repórter sobre mistérios inexplicados, por exemplo, com a obrigatória musiquinha de fundo sinistra. Isso é traumatizante pra uma criança.

E eu tava pensando aqui com meus botões: alguém ainda usa a expressão “pensando com meus botões”? Logo em seguida, pensei no seguinte: todos esses anos pós celulares com câmera provaram que esses supostos “acontecimentos inexplicados” são fakes safadíssimos. Pé Grande, OVNI, fantasminhas camaradas, poltergeists, tudo isso aí (em minha opinião) foi retroativamente provado como lorotas após o advento dos celulares com câmera.

Nos anos 80, sabe quando é que você tinha uma câmera ao seu alcance? NUNCA.

A câmera era posse exclusiva dos seus pais, os únicos com autorização para usa-la. Lá por 1992, eu finalmente tive acesso à minha própria camera — uma câmera azul do Mickey, que ganhei por tirar notas boas numa prova de matemática na qual eu inclusive colei (desculpa mamãe). Era uma câmera super simples, o protetor da lente era inclusive a cara do Mickey, com orelhinhas e tudo. Procurei pra caramba no Google imagens e só encontrei este adubo de pesadelos:

A propósito, vamos por favor parar de falar “A” Google?

Por obséquio? Não, e não me venha com essa de “ahhhh mas é ‘A’ empresa Google, então…“. Essencialmente qualquer coisa pode ser arbitrariamente definida com substantivos de qualquer gênero.

Por exemplo: você come no mesa de jantar, só porque a mesa é um “móvel” (portanto, masculino)? Você ouve a CD, só porque CD é uma mídia ótica (feminino)?

Você usa a martelo (se é uma ferramenta, então é feminino?) pra enfiar uma prego (que de acordo com o dicionário é uma “peça metálica”, portanto feminino) na parede?

O que estabelece o gênero de um verbete não é a forma como você pode defini-lo, senão tudo poderia ter dois gêneros — tais quais aquela “mulher” que seu primo pegou na balada mas dias depois se recusava terminantemente de comentar a respeito.

(E não venha com “ mas o google é O SISTEMA DE BUSCA e a Google é A EMPRESA “. Como expliquei acima, poderia muito bem ser A FERRAMENTA DE BUSCA GOOGLE ou O CONGLOMERADO GOOGLE”. Pronto. Se você diz “a Google” sob qualquer circunstância, as pessoas não gostam de você)

VOLTANDO AO ASSUNTO.

Câmeras, antes desta última década, eram uma parada menos presente. Sua família tinha UMA câmera, cuja operação era relegada a registrar aniversário de criança remelenta ou capturar fotos borradas dos fogos de Ipanema. Só se podia tirar 36 fotos de cada vez — um terço das quais era inutilizável por causa de um dedão na frente da lente –, e pra trocar o filme era preciso praticamente uma cirurgia de campo de batalha da segunda guerra.

Lembra do seu pai segurando o irmão mais novo no braço, com o copo de guaraná dentre o dedo indicador e o polegar, usando o dedo mindinho pra abrir a portinha que guardava o filme? Ele puxava o filme pra fora, mas ao tirar o segundo rolo do bolso, derramava guaraná no tapete do seu tio. Era uma desgraça.

Avance pros dias de hoje. TODOS NÓS, sem exceção, temos câmeras — alguns de nós temos mais de uma câmera. Eu, por exemplo, tenho quatro: a Canon SX40 que uso pra filmar o vlog, o iPhone, o iPad, e minha Sony W80 Cybershot velha de guerra. Há mais câmeras aqui em casa do que há pessoas!

E o que concluo tristemente é que se esses fenômenos sobrenaturais que víamos por fotos ou vídeos borrados de décadas atrás fossem um acontecimento legítimo, hoje em dia existiriam trilhões de vídeos no youtube mostrando fantasmas e auras e sacis pererês e seja lá mais o que. Quer dizer, até tem alguns, mas são tudo obviamente interpretações errôneas de um fenômeno comum (como lens flare) ou óbvios efeitos especiais.

Se poltergeists e o caralho fossem fenômenos reais, já haveria tanta documentação que é provável que o negócio já fosse, pelo menos parcialmente, compreendido pela ciência.

E isso é meio triste. A exploração do globo revelou que não existiam cachoeiras nos limiares do planeta escoando água pro espaço, e a existência da internet aniquilou aquelas lendas clássicas dos videogames (já que agora as histórias envolvendo o primo do vizinho do seu colega da escola são verificáveis).

Às vezes o progresso tem como custo o pouquinho de magia que este mundo tinha…

Seguinte.

Passei mais de metade da minha vida profundamente envolvido no meio religioso. Meu pai era pastor da Assembléia de Deus Betesda em Fortaleza, minha mãe tocava violão na igreja, e eu e meus irmãos só fomos pisar em escolas seculares pela primeira vez na vida lá pelo ano 2000. Eu mesmo já li a bíblia inteira mais de uma vez — inclusive, participei várias vezes de competições na minha igreja em que jovens se “desafiavam” a ler a bíblia toda em menos de um ano.

(E você aí achando que eu não tenho uma vida só porque acesso o twitter 22 horas por dia.)

E há um comportamento religioso sempre me chamou a atenção acima de todos os demais. Não, não estou me referindo ao bizarro e fútil hábito de berrar “línguas estranhas” — que eles acreditam ser uma manifestação do poder do Espírito Santo. Se gritaria ininteligível (e indistinguível das alucinações de uma pessoa maluca) é a melhor ou única forma que o Ser Supremo do Universo tem de se manifestar, algo está muito errado.

Religiosos tem uma espécie de preconceito não-admitido contra ciência (estou generalizando — alguns admitem abertamente) e são bastante adeptos a retóricas anti-ciência. Essa atitude sempre me deu a impressão de que eles vêem o método científico como um oponente que deve ser atacado e descreditado.

E um oponente poderoso, aliás. Como mencionei, muitos deles chegam a admitir abertamente (geralmente como forma de crítica a ateus) que vêem ciência como uma religião alternativa. Por algum motivo eles abrem a boca pra falar essa abobrinha como se isso de alguma forma tirasse o valor da conduta científica.

Essencialmente o argumento deles é que a fé deles vale, a mas nossa “religião” não (vide o ditado popular cristão “não tenho fé o bastante pra ser ateu”, comumente encontrado adornando assinaturas em fóruns evangélicos internet afora).

Além da conclusão sem base lógica de que é preciso ser ateu pra valorizar as realizações científicas, atribuir valores religiosos à ciência não é apenas um argumento contraditório vindo de um religioso, mas também  desconhecimento do sentido da palavra “fé”.

Deixa eu dar um exemplo do que eu quero dizer com “você não precisa ser ateu pra valorizar ou aceitar conclusões científicas”. Vejamos o arco-íris.

Veja-o.

Biblicamente, o arco íris foi explicado como uma aliança entre Deus e os homens; Jeová inundou o planeta, depois se arrependeu de fazer isso e então mandou este fenômeno como quem diz “foi mal aí”.

Alguns séculos mais tarde a ciência descobriu que tal fenômeno na realidade é um efeito comum da refração da luz quando atravessa a água. Tal explicação é um fato irrefutável; você mesmo pode testar a teoria com uma mangueira num dia ensolarado. Não há qualquer discussão a respeito desta explicação.

Entretanto, conhecer (e aceitar) o fenômeno que provoca um arco íris não te torna imediatamente um ateu. Você pode facilmente conciliar a explicação científica de um arco íris, com o significado religioso da promessa de Deus para os homens. “Tá, é um fenômeno natural de refração. Mas Deus o usou para comunicar uma mensagem aos homens“.

Pronto, perfeito. Você aceita a explicação científica, e isso não significa que você é obrigado a abandonar a fé — e mais importante, você não faz lobbies pra obrigar professores de ciência a oferecer explicações “alternativas” para o fenômeno dos arco íris.

Imagino que um dia, esse mesmo mecanismo cogitivo (“tá na bíblia mas a ciência explica perfeitamente, o que indica que talvez a versão bíblia seja uma alegoria e não um relato literal”) se aplicará à teoria da evolução. Vai ver que a evolução é simplesmente mais recente que ótica, e por isso o povo ainda não se acostumou a ve-la como um fato.

Voltando ao assunto.

Sempre fui um oponente bastante agressivo dessa estranha doutrina cristã de que ciência é uma religião artificial criada pra substituir Deus (ou deuses, sei lá. Acredite em mim, MUITOS cristãos adotam esse ponto de vista). Esse argumento sempre me pareceu mais como uma forma de tentar dar a religião a mesma importância que a ciência tem, e não como um esforço em desmerecer as conquistas científicas — o que era realmente o objetivo deles.

Mas tudo bem. Pelo bem do debate, vamos supor por um momento que a massa religiosa está certa, e que ciência nada mais é que o dogma religioso dos ateus. Se ambos conceitos não passam de crendices e têm a mesma dependência de fé, elas tem essencialmente o mesmo valor.

Adotando a suposição de uma maioria assustadora de religiosos, aceitemos o postulado de que ciência e religião são equivalentes.

Então, pra desempatar, que tal analisar as contribuições de ambas “crenças”? Soa justo pra você? Então vamos.

(Pra aplacar a fúria dos leitores evangélicos, vou citar as contribuições de outras fés, também. Afinal o HBD é um blog ecumênico.)

Contribuição científica: Produção de vacinas

O corpo humano é uma maravilha evolutiva ou divina, dependendo da sua orientação espiritual ou falta dela. Embora alguns cristãos um pouco mais progressistas (a Igreja Católica, por exemplo) vêem o Gênesis como uma parábola e aceitem a teoria darwinista como o mecanismo divino de criação, este ainda é um grande ponto de contenção entre as comunidades científicas e religiosas.

Nos Estados Unidos este é um assunto tão delicado quanto controle de armas e aborto. Imagine o quanto eles levam esse debate a sério. Entretanto há uma coisa em que todos podemos concordar, a despeito da presença ou ausência de inclinações metafísica, sobre o corpo humano — ele é incrivelmente suscetível a infecções (o que atesta contra a idéia de um “designer inteligente e perfeito”, mas tudo bem).

A raça humana já foi quase eliminada da face da terra diversas vezes — a mais notória delas durante o Século XIV, quando a Peste Negra estava na moda. Naturalmente, com a fragilidade da raça tão exposta, achar uma forma de fortificar o corpo humano contra invasões microbiológicas era uma grande prioridade.

Finalmente em 1770, um sujeito chamado Edward Jenner ouviu uma mulher mencionar que ela nunca havia pego varíola (a versão violenta, que quando não mata entorta a pessoa toda), porque havia se contaminado com a versão bovina da doença anos antes.

O cara começou a pensar sobre a parada e resolveu usar o pus (eca!) de uma mulher com varíola pra imunizar um moleque de 8 anos. Apesar de rudimentar, não é que a técnica funcionou e o moleque se tornou resistente à doença?

A idéia de que o corpo aprende a se defender contra infecções após exposto a uma versão menos severa ou morta do vírus causador da doença revolucionou a medicina. Graças a este conceito, hoje vivemos num mundo onde pólio, difteria, rubéola, varíola e outras moléstias não causam mais o completo estrago que causavam antes.

(Os avanços tecnológicos permitiram também melhores condições de saneamento, o que ajudou ainda mais a erradicar epidemias que antes só desapareciam após matar algumas centenas de milhares de infelizes. Olha outro avanço científico de bônus aí.)

Contribuição religiosa: As Cruzadas

Qualquer pessoa que tenha lido um livro do Dan Brown (e a julgar pelos números de venda dos livros do cara, há mais fãs do autor que pessoas no planeta) sabe perfeitamente o que eram as Cruzadas, mas vamos supor que você nunca leu O Código Da Vinci.

As Cruzadas foram uma série de campanhas militares movidas pela Igreja Católica que tinham como objetivo reconquistar Jerusalém, que no século XI havia sido  dominada por muçulmanos. O próprio termo “cruzadas” deriva de “cruz”, fazendo referência à cruz de pano que os participantes costumavam às suas roupas pra se identificar.

Muito capital foi gasto pela Igreja Católica pra manter a guerra, e essa grana vinha justamente do povo que era explorado agressivamente pelo clero — além da nobreza que tinha interesses em estabelecer sua influência em pontos cruciais do trânsito entre a Terra Santa e a Europa, que gerava imensa fortuna.

Como se ordenar e financiar a chacina toda, o Papa Alexandre II ainda manipulou a turma a participar da parada com sangue nozóio. O sujeito vaticinou que aqueles que morrerem lutando contra os pagãos iriam diretamente pro Paraíso.

Numa época que até lavar sua piroca sem rezar ave-marias de penitência em seguida resultavam em condenação eterna, era uma promessa atraente.

Houve nove cruzadas ao todo. A perda de vidas e propriedade só não foi pior que o atrito religioso entre o Cristianismo e o Islamismo, que perdura até hoje.

Contribuição científica: O programa espacial

Apenas em 1687 Isaac Newton publicou o seu Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica, o tratado científico que estabeleceu as fundações da física moderna. Entretanto, muitos milênios antes disso o homem já conhecia a ação impiedosa da gravidade — e sonhava em um dia derrota-la.

Até que um dia Santos Dumont/os irmãos Wright (dependendo de onde você nasceu) inventou ou inventaram o avião, no comecinho do século XX. E se você achava que ficaríamos apenas por aí mesmo, você é burro e provavelmente porque sua mãe e seu pai eram primos ou algo assim.

Menos de um século após o primeiro vôo, a humanidade já estava se desvencilhando de vez do campo gravitacional da Terra. Como se estivéssemos estendendo as mãos em direção às estrelas, enviamos sondas a planetas inóspitos, fotografamos eventos que ocorreram bilhões de anos atrás, e até mesmo levamos um carrinho de golfe pra dar um passeio na lua.

Fig 2: CIÊNCIA.

E ao longo do caminho em direção ao espaço, os homens brilhantes que trabalhavam incessantemente pra atingir o impossível desenvolveram uma porrada de tecnologia periférica ao vôo espacial, e muito útil aqui na Terra. A insulação térmica, o detector de fumaça, a maioria dos aparelhos eletrônicos sem fio, o LED, os sistemas globais de comunicação e muitos outros. E o que não foi inventado na conquista espacial, foi aprimorado.

Contribuição religiosa: a caçada às “bruxas”

Um dos maiores problemas de qualquer religião organizada (“problema” de acordo com o ponto de vista deles, obviamente) é que sua influência é limitada, pelo simples fato de que nem todo mundo segue ou sequer respeita a suas crenças. E algumas pessoas não se contentam em apenas rejeitar a sua fé, como ainda abraçam outra. Como ousam?!

Felizmente a Igreja Católica inventou uma boa forma de resolver esse impasse. O Papa João Paulo XXII formalizou, em 1320, os protocolos que detalhavam como perseguir, julgar e condenar (especialmente condenar) acusados de heresia.

E foi o tiro de largada. As instituições religiosas ao redor da Europa, aparentemente se coçando pra atear fogo em hereges, não perderam tempo e sairam conduzindo seus “julgamentos”. As aspas se dão pelo fato de que qualquer acusação, por mais estapafúrdia, valia como evidência contra os acusados (quase sempre mulheres), e que não havia uma defesa formal agindo em favor dos futuros churrasquinhos.

Em outras palavras, uma vez acusado de bruxaria, você estava completamente fodido.

A putaria rolou solta nos séculos XVI e XVII, os ânimos se apaziguaram por um tempo, e em seguida o frenesi estourou novamente no Novo Mundo. Ou seja, não é de hoje que a Europa dita a moda mundial.

O julgamento das bruxas de Salem é provavelmente o caso mais icônico (seria coincidência que ele aconteceu na terra do cinema?), em que dúzias de pessoas acusadas de bruxaria — que, pra termos práticos, era simplesmente o exercício de uma religião diferente da vigente, e OLHE LÁ, porque os acusados às vezes nem praticantes de outros credos eram — foram condenadas à morte por enforcamento simplesmente por…

…ninguém sabe o motivo. Essencialmente um sujeito acusava conhecidos ou vizinhos de bruxaria simplesmente por não ir muito com a cara da pessoa. Era, em outras palavras, perseguição de cunho religioso usando o sistema jurídico como facilitador.

A caça às bruxas foi um evento tão vilanesco que até hoje o termo é sinônimo de perseguição sem embasamento e histeria levada as últimas consequências.

E quem pensa que a raça humana aprendeu com sua história e que esse tipo de coisa pertence aos livros de história, think again — caças às bruxas ainda acontecem trivialmente na África.

Contribuição científica: A descoberta e o domínio da eletricidade

Olhe em seu redor rapidamente. É possível que você veja nas suas proximidades imediatas uns seis aparelhos dependentes de eletricidade (e você for menina solitária e acredita na privacidade e na isolação sonora do seu quarto, aumenta pra 7) sem os quais sua vida seria drasticamente diferente.

Os antigos romanos e os árabes já eram cientes do fenômeno da eletricidade. Aliás, devemos algumas das palavras relacionados a eles: “electricus” em latim significa “parecido com âmbar”, um material cujas capacidades estáticas já eram conhecidas pelos nossos antepassados, e o árabe “raad” virou o nosso “raio”.

Sabe o truque de pegar um balão da festinha da sua prima, esfregar naquela camiseta sebosa que sua mãe comprou numa promoção de 3 por 40 reais na C&A, e usa-lo pra eriçar o cabelo da gurizada? Então, os antigos já conheciam essa brincadeira.

Milênios mais tarde Benjamin Franklin vendeu suas posses pra financiar experiências que definiriam a composição e a natureza da eletricidade, e Alessandro Volta veio em seguida e inventou a pilha miniaturizada, uma fonte de energia que você podia literalmente carregar no bolso.

Em outros tempos e em outra geografia, nosso amigo Volta correria o risco ter se juntado às outras piñatas heréticas de Salem.

O resultado das descobertas desses homens brilhantes é essencialmente a infraestrutura que move o nosso mundo. A civilização humana como conhecemos não poderia existir sem força elétrica. Lembramos da nossa dependência debilitante de energia elétrica sempre que falta luz.

Imagine por um momento que todos os aparelhos que dependem de energia elétrica fossem embora pra sempre, e pergunte pra si mesmo se você gostaria de morar naquele mundo.

Se não fosse a ciência, esse pesadelo seria sua realidade diária.

Contribuição religiosa: Terrorismo global

Sem qualquer dúvida todos podemos concordar (menos os religiosos, obviamente) que o exercício mais danoso que a fé religiosa inspira é o pensamento em absolutos.

Como sabemos, nada da vida funciona em absolutos. Poucas coisas são absolutamente certas ou absolutamente erradas, há muitos nuances de cinza no meio. Qualquer pessoa que tenha algum dia discutido política (ou na verdade, discutido qualquer coisa) deve saber que X às vezes é tão fácil de ser justificado quando Y.

Numa sociedade civilizada, em que se confia no uso da retórica e no julgo da lei, a maioria de nós consegue manter nossas diferenças no plano abstrato e legalmente permitido.

Infelizmente, quando estamos falando de um grupo que acredita que fala com autoridade divina, a recíproca não é verdadeira. O que eles decidirem está certo e ACABOU. Deus não poderia estar errado, não é mesmo?

Essa é uma imagem pra ilustrar a intransigência religiosa sendo levada às últimas consequências. Terrorismo religioso não é nada novo, mas sua presença no mundo moderno é uma prova de que enquanto houver uma filosofia que convence os homens de que eles estão plenamente e eternamente certos, e que ações violentas que avancem sua causa serão recompensadas em outra vida, a civilização humana sofre perigo grave.

Admitir que está errado é um princípio científico valiosíssimo (a famosa falseabilidade). Já no contexto religioso, admitir que estar errado é anátema.

O que provavelmente explica porque a ciência avançou tanto e tão rapidamente nos últimos séculos, enquanto algumas religiões continuam pregando que infortúnio nos negócios, colheitas insatisfatórias e má saúde é obra de “maus espíritos”.

Se você quer dar graças a Deus por alguma coisa nesse mundo, dê graças a Deus pela ciência.

Tu já parou pra pensar que em algum lugar do mundo, alguém já deve ter feito uma linha de orégano e cheirado? Tem cheiro de pizza aliás, anote aí. Mas vamos ao post. E não, esta frase não é totalmente solta: o post tem a ver com orégano sim.

Olha, eu estava pensando aqui — sonhos são provavelmente a coisa mais isolada que fazemos nas nossas vidas. Isso se torna cada vez mais verdade à medida que a tecnologia portátil nos torna hiperconectados. Agora a pouco por exemplo eu dei uma cagada enquanto batia papo com 27 mil seguidores no tuiter. Realmente não se faz mais nada em total isolamento.

Realmente você talvez pense “bom, mas tomar banho também se faz em total isolamento!” ERRADO. Primeiro que entre os leitores do HBD, imagino que ninguém tome banho. E em segundo lugar, dá pra tomar banho com alguém. Ou, na pior das hipóteses, você pode tomar banho ouvindo o rádio. Mendigos por exemplo tomam banhos coletivos em chafarizes (acho), é um evento social. É o Facebook deles. Se pudessem atualizar os status, seria algo como “Geraldo achou uma moeda de 25 centavos mas na verdade era uma mancha de cocô de pombo na calçada :( “.

É, nem o ato de tomar banho promove isolação completa e irremediável. Mas sonhos, sim.

Galera, aí eu pensei — já pensou que incrível seria se uma tecnologia como a de Inception existisse? E melhor que isso, que fosse aplicada a games?!

Xbox 1440

 

Aí, eu imaginei que seria mais ou menos assim: tu cai no sono. Você “acorda” numa sala completamente branca, com um tecladinho pedindo sua senha. Você digita a senhNão, pera. Como alguém hackearia o seu sono? Acho que não precisa de senha, haveria algum sistema de auto-autenticação, sei lá.

Nisso tu acordava num lobby, com outros amigos que estivessem sonhando no momento. Haveriam várias portas neste lobby, tipo Modern Warfare 17, Battlefield 28, Gamão Extreme e por aí vai. Tu entra na porta e do outro lado tem um mega campo de batalha (ou a sala de jogos de um asilo de velhinhos). Os times se definem, tu pega uma metranca, monta num jipe e sai dirigindo e/ou atirando loucamente.

O troço seria tipo um Steam de sonhos. St(Dr)eam. Tu logava, esperava 3 horas até os updates completarem, e aí estaria jogando uma simulação hiper-realística dos seus jogos favoritos. Sonhos multiplayer totalmente lúcidos.

E jogos não seriam a única aplicação. Você poderia treinar algum novo skill, aprender uma nova língua, matar desafetos, fazer sexo com celebridades ou, se você não tem nenhuma imaginação, fazer uma reunião de grupo com o pessoal da faculdade pra agilizar aquele trabalho de Metodologia Científica.

Haveriam problemas, certamente. A galera forever alone nível profissional manteria um trabalho trivial semi-escravo que pagasse só o suficiente pra manter um apartamento, sacos de Cheetos (liquidificados e administrados intravenosamente) e a mensalidade do St(Dr)eam™, então esta nova tecnologia talvez causasse a nossa extinção. Pior que isso, às vezes você tentaria logar e o sistema estaria fora do ar, e você pensaria “puta que pariu hoje terei que sonhar single player tal qual um índio”

Ou ainda PIOR que isso, um ambiente virtual interativo como sonhos multiplayer seriam um ambiente perigosíssimos se você considerar os hackeres. Hoje eles defaceam sites; o potencial no St(Dr)eam™® é muito mais assustador. Imagina você logar pra jogar um GTA 13: ABC Paulista e o ambiente virtual do jogo ter sido inteiramente substituido por pênis eretos. Você tenta dizer “QUE PORRA É ESSA” e um deles desliza pra dentro da sua goela. Que horror.

Talvez seja melhor continuar sonhando só em modo campanha mesmo, sem MP.

A propósito, aquela frase do orégano tava solta mesmo. OU ESTAVA? Leia a letra inicial de cada paragrafo do texto, começando pelo segundo.

Boa tarde. Se o senhor ou senhora (dizem que tem menina lendo isso aqui mas sabemos que não é verdade) for por acaso um leitor(a) frequente deste site, talvez você tenha lido o texto “4 pessoas com uma história muito mais incrível para contar do que qualquer uma sua“.

Neste caso, venho a pedir que você apague tal texto de sua memória. Veio a meu conhecimento o fato de que cometi uma injustiça comparável apenas ao período de escravidão no Brasil ou ao fato de que existem pessoas justificando a carreira do Limp Bizkit comprando seus CDs. Eu omiti da lista um sujeito chamado Hugh Glass.

Estamos no século XIX. Hugh Glass era um peleiro, ou seja — ele arrancava peles de animaizinhos indefesos (só consigo imagina-lo fazendo isso com os dentes e gargalhando como um supervilão) e vendia pra galera que fazia casacos. Só aí Hugh já era mais macho que você e eu juntos.

Em agosto de 1823, nosso companheiro Hugh Glass estava caçando quando esbarrou com uma ursa.

Geralmente usa-se o termo “esbarrou” quando você encontra um conhecido desagradável no shopping ou bate com o cotovelo na quina de um móvel na sua casa. Ou seja, leves inconveniências. A leve inconveniência enfrentada pelo Hugh Glass no momento era estar de cara a cara com uma das mais eficientes máquinas assassinas que milhões de anos de seleção natural conseguiram produzir.

Para o azar do Hugh, a ursa estava acompanhada de seus filhotes. Ursas, que já são o equivalente animal de serial killers, se tornam ainda mais agressivas se estão na presença de seus filhotes. É o mesmo instinto materno de proteção experimentado por muitos animais vertebrados (incluindo os seres humanos), com a diferença que uma ursa pode e vai arrancar seu rosto como consequência do que ela pensa ser uma ameaça a seus ursinhos.

A ursa deu uma patada no Hugh Glass e este saiu voando — suponho que só não atingiu maior distância porque suas bolas de puro aço inoxidável o ancoraram no chão.

Antes que você sequer pense em dizer “ahh peraí, um tapinha não é assim também essas coisas todas”, permita-me familiariza-lo com a pata de um urso.

Você talvez tenha percebido as cinco imensas garras no pezinho acima. Ao contrário do que você talvez imagine, o urso não tenta evitar o contato delas com aquilo que ele está estapeando — belo contrário. Essas garrinhas aí saem dilacerando tudo que encontrem pela frente.

Geralmente esta visão é a última coisa que uma criatura vê.

Agora, se o tabefe ursino foi suficiente pra que o cara saísse voando, tente calcular o dano colateral que essas garras causaram nessa situação. Em outras palavras, ursos são quase como o Wolverine, só que sem consciência ou humanidade e agem de acordo com seus instintos.

Ou seja, são exatamente como o Wolverine.

Pois bem. Substitua Hugh Glass com qualquer outro ser humano (eis minha sugestão: você mesmo) e a história teria terminado aí. Acontece que Hugh Glass, ao contrário de você, era o Hugh Glass. O homem puxou uma faca e partiu pra cima da ursa. E mesmo levando bordoadas violentas do bicho, o homem esfaqueou a ursa até a morte.

Mas a essa altura o cara estava completamente fodido e caiu desacordado. Seus companheiros de caçada o encontraram, decidiram que ele não poderia sobreviver à jornada de volta pra casa, e o abandonaram lá pra morrer. Não apenas isso, mas eles roubaram também o rifle e a faca do Hugh Glass. Os “amigos” do cara disseram pro resto do grupo que o cara morreu e pronto, a negada foi-se embora.

Quando Hugh Glass finalmente acordou ele estava sozinho, sem nenhum equipamento ou comida, com a perna quebrada e com cortes tão profundos nas costas que suas costelas eram visíveis, e com as feridas já dando sinal de infecção. Ah, e ele estava há mais de 300 quilômetros do vilarejo mais próximo. E ninguém estava procurando por ele, pois acreditavam que o maluco já havia perecido.

Fosse eu ou você nesta situação, tal situação seria conhecida como “os últimos momentos da nossa vida”. Entretanto, reitero: eu ou você não somos Hugh Glass. Já o Hugh Glass, no entanto, é o Hugh Glass.

O cara ajeitou a própria perna, se enrolou na pele de urso que os “amigos” deixaram para trás, e começou a se arrastar. Pra evitar infecção e gangrena, ele se esfregou num pedaço podre de madeira pra que as larvas comessem a pele morta dos ferimentos.

Como o caminho mais curto de volta para a civilização era habitado por índios hostis, o cara teve que dar volta no território indígena. Mencionei que ele fez isso se arrastando na lama porque sua perna estava quebrada, né? Ah, sim. Sabia que tinha mencionado.

O Hugh sobreviveu comendo frutas que achava pelo chão, e em uma ocasião brigou com LOBOS pela carcaça de um bisão. Se você me desse uma arma de fogo, um veículo blindado dentro do qual eu podia me defender, e matasse o lobo pra mim com antecedência, TALVEZ eu podia enfrentar o bicho. Já Hugh Glass brigou com dois lobos estando numa condição que o obrigava a ficar com a barriga colada no chão o tempo todo.

Demorou 6 longas semanas (ao longo das quais nada além de puro ódio corria nas veias do cara, eu imagino) mas o maluco conseguiu voltar para o vilarejo. E ele teria matado os filhos das putas que o deixaram para trás pra morrer, mas na última hora ele teve pena de um que era muito novinho, e o outro havia se tornado soldado e a pena para assassinato de soldado era morte. Por isso ele resolveu deixar pra lá.

Mano, que história incrível. Imagina você passar um dia inteiro perdido no meio do mato, deve ser uma experiência aterrorizadora. Agora multiplique isso por 42, que foi o número de dias que a viagem do cara demorou, e adicione uma perna quebrada, ferimentos em necessidade de atenção médica, e a falta de qualquer instrumento que auxilie na situação.

O cara não apenas sobreviveu a isso como ainda teve a presença de espírito pra falar “ah, deixa pra lá, não vou mais matar os caras que me deixaram lá pra morrer”.

Enquanto isso na sua repartição se alguém esquece de limpar o microondas após esquentar a marmita você já tá colocando o nome do infeliz na macumba.

Olá amigos. Faz tempo que não recruto a ajuda dos senhores para trollar algo no mundo real. Da última vez que vocês me ajudaram nisso, criamos um pânico na minha cidade, lembram?

E hoje eu vi a oportunidade perfeita para bagunçar de novo.

É o segunte: o Wendy’s — que é um restaurante fast food onde inclusive trabalhei  muitos anos atrás — tá fazendo uma promoção em que você cria um design de camiseta, e a mais votada será eleita pra virar design de camisetas que a rede de fast food venderá. Você já sabe para onde isso está indo.

Obviamente tem gente muito talentosa criando belos designs de camiseta lá. E tem eu também.

Eu simplesmente peguei vários cliparts oferecidos pelo sisteminha de criação e joguei na camiseta, resultando nesta bela porcaria. Só que quão engraçado seria se essa merda ganhasse a promoção e os caras fossem obrigados a vende-la nos restaurantes?

Além disso, o vencedor ganhará 10 camisetas também, que eu sortearei aqui no HBD. Não que alguém vá querer usar essa camiseta horrível, mas pra que eu vou querer 10 dela? Vou é dar pra vocês.

Votem nessa merda aí for the lulz. Demora 2 segundos, é só clicar no botão de voto e cabou. Vamos trollar o mundo real novamente >:D

Ah, se eu ganhar essa merda, eles me darão 5 mil dólares* também. Que eu obviamente reverterei no melhor investimento possível para o HBD: comprarei sorvete.

Mas juro pra você que estou muito mais interessado no ataque cardíaco provocado por risadas que eu terei sempre que passar na frente de um Wendy’s em que estejam vendendo esta merda.

*O prêmio é em cupons do Wendy’s. Ou seja, não vou ficar rico, só (mais) balofo.

Errei, o prêmio é em dinheiro mesmo. A bem da verdade nem li os pormenores do concurso (quem lê?), só sabia que você podia criar um design e eles criarão a camiseta e venderão.

Seria FENOMENAL ganhar essas cinco pilas mas acho difícil passar do primeiro colocado, que já tem mais de mil votos. Me contento com os gift cards e as camisetas toscas mesmo.

Tou sinceramente cagando pra esses cupons. Quero mesmo é ver o atendente do Wendy’s trajando minha obra de arte moderna próxima vez que eu for lá. VOTEM AMIGOS.

EDIT: RISOS

Dá pra ganhar essa merda ainda :D

Edit: Pronto.

Só que tem um problema. Aparentemente eu sou um retardado que não leu nada sobre o concurso além da parte “crie uma camiseta”, porque só americanos podem vencer o negócio.

Em outras palavras: os tais cinco mil dólares puxaram o pau pra fora, esfregaram-no em meu rosto, e saíram voando pela janela. Pelo menos quem tava chilicando não tem mais motivos para tal.

Antes de mais nada, eu não quero nem entrar exatamente na discussão sobre a blogosfera brasileira. Como falei no twitter ontem, é uma discussão muito lugar comum.

Mas posso ao menos expressar um fato objetivo e inegável — a internet brasileira em geral produz muito pouco conteúdo original. O que rola mais é a adaptação de conteúdo já existente (sites estilo “veja esse vídeo que eu achei na web” ou de tradução de memes).

Não que isso seja necessariamente fácil ou sem mérito nenhum — se fosse, porque você não criou um novo Ñ.Intendo ainda e ficou rico? –; entretanto, eu particularmente não sou super fã desse tipo de coisa.

Há sim um valor nesse tipo de site, é a democratização do conteúdo. Você pode falar sobre a suposta “orkutização” da tradução de memes o quanto quiser mas a verdade é a proposta de um meme é justamente se espalhar o máximo possível. Se você acha que um meme é uma piadinha interna exclusiva ao seu grupinho de elite, você não entende o significado do termo.

Ele entende. Afinal, foi ele quem o criou.

Então, a essa altura vocês já me conhecem né? Eu escrevo textos longos porque gosto de ler textos longos. Pra mim uma tirinha de meme é um fast food, enquanto um texto longo e bem trabalhado é um jantar completo com direito a cheesecake de sobremesa. Tem mais sustança.

Pois bem. Eu achava que não existiam mais muitos blogs brasileiros que fazem textos do jeito que eu curto (já que o viado do Morróida desistiu de atualizar o site dele), quando alguém me manda no tuiter este site.

O Puxa Cachorra é um blog de humor autoral bem nos moldes do Cracked (possivelmente o melhor site de humor que jamais existiu). Lá os caras escrevem listas que são simultaneamente engraçadas e informativas, eu me amarro nesse tipo de texto — como você talvez já tenha percebido.

Li uns três ou quatro textos dos caras (o site é composto por um time de escritores) e gostei pra caralho. Imaginei que você, leitor do HBD, provavelmente gostaria mais ainda.

Então prestigia aí os caras, diga nos comentários deles que que eu que te mandei pra lá — quem sabe assim eles se tornarão meus amiguinhos — e aprecie este excelente representante de um tipo de humor em extinção na internet brasileira.

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