chris chan

Aperte os seus cintos, porque você está prestes a ser apresentado a um mundo que você jamais poderá des-ver. Hoje eu vou contar pra vocês a história do infame Chris Chan. Ele é bem conhecido nos círculos internéticos gringos, mas eu percebo que a galera brasileira não conhece bem o cara.

E olha, eu não sei nem por onde começar. Poucas pessoas são tão infames que ganharam uma wiki inteira dedicada a detalhar suas desventuras.

Meu browser fica assim rapidinho quando começo a ler as merdas sobre esse cara

É TANTA coisa pra falar sobre o maluco que suas estripulias são literalmente divididas em “sagas”, como se fossem arcos de Dragon Ball Z. Existiram ao longo da História Humana monarcas cujas vidas foram menos documentadas que a do Chris Chan, e olha que eles construíram pirâmides e deram nomes a países e tudo.

Vamos começar do começo então.

já estou com pena

Coitado.

Chris Chan, nascido como Christopher Weston Chandler (ele eventualmente mudou o nome pra “Christian”, aliás), é um suposto autista de 32 anos que lá nos idos de 2007 atraiu a atenção da internet gringa por causa desta desgraça aqui:

cwc

O Chris Chan é o desenhista da infamíssima “Sonichu”, uma revistinha manuscrita que relata as aventuras do personagem de mesmo nome. Sonichu é, como você talvez deva ter concluido, uma mescla do Sonic com o Pikachu. E o próprio Chris Chan aparece no quadrinho.

Repare que todos os aspectos do quadrinho (da concepção à execução) sugerem que se trata da obra de uma criança de 7, talvez 8 anos de idade. Chris Chan tinha 25 anos quando desenhou esta merda. Sonichu se tornou a obra prima do maluco; se o Chris Chan fosse o Steve Jobs, Sonichu seria o seu iPod.

Aliás, você percebeu que o cara usa um medalhão no pescoço, né? É o próprio Sonichu, que ele fez com durepox ou algo assim.

Através de postagens de blogs, a internet descobriu que o nosso amigo Chris Chan estava engajado no que ele chama de “love quest“, ou seja, uma busca pelo amor. Extremamente carente, o cara procura obsessivamente uma namorada há anos, e alienando todas as amigas que conseguiu fazer durante esse período. Teve o caso particularmente lamentável da Megan, esta garota aí…

megan

OLHA A CARA DA MENINA

…uma garota a quem o Chris Chan se apegou e acabou enojando (mais ainda) quando foi revelado que ele fazia auto-retratos “eróticos” incluindo a garota. Aliás, entre amigas reais que ele afugentou e trolls que fingiram ser meninas pra zoar o cara, ele já teve inúmeros pseudo-namoros com finais tão ou mais lamentáveis que esse aí. No auge do desespero pra arrumar uma namorada, o cara fez inúmeras placas propagandeando a própria solidão e saiu em público com essa merda, tentando puxar assunto com meninas.

O maluco começou a usar isso na faculdade, pro desespero das outras estudantes. Uma das reitoras proibiu o maluco de continuar com essa putaria, e como resultado o Chris Chan a transformou numa vilã no seu quadrinho. Em suas inúmeras tretas com a mulher, o cara fez uso de uma versão mongolóide do kamehameha de Dragon Ball Z.

O cara fez isso em público, mano.

Agora, alguns talvez pensem que é maldade relatar dessa forma as desventuras de um sujeito com aparentes problemas mentais. Os críticos do Chris Chan apontam que o suposto autismo dele já vem sendo usado há anos pra passar a mão na cabeça dele em relação a seu racismo, misoginiahomofobia, mal-uso de fundos governamentais, e pra não mencionar assédio de mulheres em público. Como a maioria de pessoas com problemas mentais NÃO faz essas coisas, não se deve então dar carta branca pro Chris Chan fazer.

O post já tá com mais de 600 palavras e eu só falei de tipo, uns 10% das merdas em que esse maluco se mete. A wiki lá dele é riquíssima em detalhes, eu basicamente só mostrei aqui a pontinha do iceberg.

Só pra você ter uma noção melhor da vida miserável que este pobre coitado vive, olha a condição da casa dele:

https://www.youtube.com/watch?v=WIGTdQhhxCA

Seja sincero: É exatamente assim que você imaginava a casa dele.

Aliás, eu deveria dizer ex-casa. Um mês após filmar esse vídeo lamentável, a casa dele pegou fogo e o desgraçado perdeu TUDO.

Na próxima vez que você quiser reclamar da vida, pense que ao menos você não é o Chris Chan.

Quando a pobre Tina morreu (resumão pros que não conheceram a mulher – ela era uma internauta completamente louca), a galera que interagiu com ela – e não eram poucos, a mulher vivia em função da blogosfera e comentava em todos os diarinhos virtuais brasileiros de algum renome – escreveu mensagens de adeus à mulher, prestando suas últimas homenagens à pobre alma perturbada que causou tanta infâmia na internet.

Dois minutos depois, um outro pensamento tomou conta da consciência coletiva internética: quando teremos outra maluca de proporções tinescas pra nos divertir na internet, nos fazendo valorizar essas pequenas coisas como sanidade mental e bom senso? Pra quem interagiu com a Tina e a conheceu como eu a conheci, julgava-se impossível que surgisse alguém que fizesse jus ao legado da pobre mulher.

Saca quando o Heath Ledger morreu e todo mundo se entristeceu porque nunca mais poderíamos ver aquele Joker no cinema? Então, foi por aí o sentimento da galera que acompanhava as presepadas da Tina por gostar de ver o circo pegar fogo. Achava-se que a Tina era once in a life time na web, e que nunca mais veríamos aquele tipo de loucura por aqui.

Felizmente, a internet é um lugar muito grande.

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Vocês ficam aí se coçando todos quando eu menciono o tuíter, mas aquela merda me proporciona diversão diária gratuita e inspiração pra um monte de atualizações aqui no HBD. E o de hoje não é uma exceção.

O donzelo acima é o Lucas Celebridade, o “clamor luzilandense” como ele se auto-proclama em seu site. Apesar de colocar “Celebridade” no próprio nome (aparentemente não há melhor forma de provar ao mundo que você é famoso), temo que a única fama que o rapaz jamais atingirá é se algum dia alguém publicar um livro sobre distúrbios psicológicos que o cite como caso típico.

Falhando isso, há sempre a inevitável fama que segue nego perturbado que mata alguma personalidade da cultura pop por invejar o foco dos holofotes.

Mas quem é Lucas Celebridade? I’M GLAD YOU ASKED.
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Durante as aulas de redação do colegial, minha professora costumava dizer que a introdução do texto é geralmente a etapa mais desafiadora do processo editorial. Nela, você precisa apresentar a idéia e propôr algum tipo de conclusão de maneira concisa; os parágrafos seguinte é que terão o trabalho de elaborar a idéia.

Eu particularmente nunca tive muitos problemas em apresentar uma idéia em algumas curtas linhas.

Isso é, até hoje. A dificuldade de escrever este post me remeteu àquelas aulas de redação há mais de uma década atrás, quando a dificuldade de escrever introduções era apenas uma profecia não-concretizada. E por isso essa é a única introdução que esse texto terá.

Hoje a notícia da morte da Tina atingiu a blogosfera.
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Vocês já ouviram falar na expressão “hivemind”? Hive em inglês significa “colméia”. Mind é o óbvio “mente”. Mente-colméia é o termo aplicado pro fenômeno de aparente organização grupal independente de um líder, algo que é comum em coletivos de insetos como formigas e abelhas. Sacou? Abelhas, colméia. Os bichinhos se organizam e desempenham funções distintas sem a necessidade de instruções ou supervisão. Em outras palavras, é o modelo de anarquia quintessencial que estudantes de filosofia se masturbam só de imaginar funcionando de verdade no mundo real.

Anarquia nunca pareceu funcionar fora de letras de músicas punk, até a chegada desse maravilhoso instrumento que conhecemos como A INTERNET. Porra, existe alguma coisa que a internet não é capaz de fazer? A rede encurtou distâncias, facilitou o acesso à pornografia, provocou terror na indústria fonográfica e, nos dias de folga, destruiu décadas de dogma sociológico trazendo ao mundo a primeira ocorrência real de comportamento complexo não-orquestrado.

Eles se intitulam “Anonymous”, e ocupam uma das mais populares comunidades nerd gringas – o 4chan. Junto com o Something Awful e o Fark, os channers compõem uma das tribos mais conhecida da internet. E o Anonymous é a personificação do grupo.

Esse nome é reminescente da prática de não assinar os posts publicados nos fórum dos caras, um ritual que eles alegam promover pra enfatizar a idéia de que não há um indivíduo reconhecível na patota, são todos o mesmo sujeito, um organismo com uma consciência única formado por diversas pessoas. Bem Borg a parada, levemente assustadora e surreal, mas lembrem-se que estamos falando de uma cambada de adolescentes entediados.

E, aparentemente, adolescentes entediados constituem poder impressionante quando se algomeram em direção a um objetivo em comum. Agindo simultaneamente como Anonymous, o grupo se tornou infame na internet por promover verdadeiras caças-às-bruxas no domínio virtual, que eles consideram propriedade deles. Eles não dizem isso diretamente, mas todo o discurso justiceiro deles carregam um teor forte de “a internet é nossa e agora você vai sofrer por ter feito o que fez”. E eles sofrem.

Qualquer pessoa ou organização que tenha a infelicidade de ser considerada um alvo por Anonymous passa a receber ataques furiosos de todos os fronts possíveis – páginas são hackeadas e removidas do ar, servidores são afogados com DDoS, até o momento que a perseguição toma formas tangíveis – informações pessoais são distribuídas à turba ensadecida, que passa a apavorizar o alvo, a família do alvo, o cachorro do alvo, e qualquer outra criatura que tenha a infelicidade de se associar a ele.

Por isso comparei o grupo ao fenômeno hivemind (também conhecido pelo termo mais pejorativo mob mentality). Sem nenhum tipo de líder, sem qualquer tipo de organização arbitrária convencional, o exército dotado de consciência coletiva se mobiliza em prol do objetivo em mãos. Discussão filosófica à parte (eu sou particularmente contra esse comportamento de fazer justiça virtual com as próprias mãos, algo que eu chamo de Síndrome do Power Ranger Virtual).

Normalmente o Anonymous – ou Anon pros íntimos – se limitam a perseguir grupos virtuais que promovem racismo ou webmasters que se atrevem a provoca-los (estaria eu me colocando na alça de mira dos moleques?), mas essa semana a gangue resolveu destilar seu veneno contra um inimigo bem mais tangível e potencialmente perigoso – a Igreja da Cientologia.

Como esse post já tá muito mais parecido com reportagem investigativa séria, vou me ater à concisão. A Igreja da Cientologia é um culto (ou seja, uma religião de brincadeirinha) iniciado pelo fracassado autor de ficção científica L Ron Hubbard que, entre outras atrocidades contra a raça humana, transformou o outrora bacana Tom Cruise num proselitista religioso attention whore visivelmente insano. A Cientologia é famosa por apelar pra litígio jurídico toda vez que um crítico eleva sua voz contra a igreja, e seus dogmas a respeito da medicina (e mais especificamente a psicologia) moderna chegou ao extremo de provocar a morte de alguns membros. Lisa McPherson é a mais notória. 

Recentemente, a Cientologia já gozava o status de alvo de gozação internacional. Aquele episódio de South Park (e a subsequente demissão de Isaac Hayes, cantor cientólogo que interpretava o personagem Chef) apenas atiçou o vozerio anti-cientologia. E, finalmente, a religião se viu às voltas com os nossos amiguinhos Anonymous.

De acordo com o manifesto postado em diversos sites relacionados ao grupo, Anonymous está realmente puto com a influência que os milhares de advogados a serviço da religião exerce sobre seus críticos, e resolveu se responsabilizar pelo maior e melhor orquestrado ataque contra a Igreja Cientóloga.

Primeiro vieram os ataques no campo virtual. Em uma assustadora questão de MINUTOS, aproximadamente trinta sites relacionados à crença cientóloga foram enviados pro limbo. Anonymous finalmente decidou que isso promovia pouco ou nenhuma influência no mundo real, e que a missão de realmente destruir o culto a L Ron Hubbard não se beneficiava com a remoção de meros websites. O que começou como uma piada acabou tomando espaço na mente da garotada por trás dessa putaria toda e a segunda via de ataque foi traçada – uma manifestação global, simultânea, diante dos prédios da igreja.

No momento da escrita desse texto, um tópico no Something Awful que debate o planejamento do protesto ultrapassa as 120 páginas. Usuários de várias partes dos Estados Unidos que nunca se viram na vida projetaram juntos dezenas de cartazes que serão impressos por milhares de outros nerds que também não se conhecem, e no dia dez de fevereiro essas placas serão erguidas em direção aos muros das igrejas e aos olhos de curiosos que estarão passando pela área.

E não é apenas isso. Cartas a respeito dos perigos da Cientologia (e, mais importante, reclamando pela revogação do status de isenção de importo da “religião”) foram redigidas e estão sendo enviadas aos montes a constituintes americanos. Usuários que planejam comparecer a comícios dos candidatos presidenciais americanos nas próximas semanas se imbuíram da responsabilidade de levar o assunto diretamente aos políticos, numa tentativa de conscientizar os futuros líderes da preocupação e ultraje popular em relação à Cientologia.

O movimento é tão maciço que até eu, um negativista convicto do tipo que acredita que as merdas nesse mundo são inerentemente impossíveis de consertar, começo a ver algum tipo de resultado positivo saindo dessa impressionante mobilização. E, lembrando, todo o movimento é completamente não-direcionado. Não existe uma pessoa sequer em posição de autoridade que esteja coordenando a logística da operação. O negócio simplesmente aconteceu.

A organização voluntária de uma massa tão numerosa por si só é algo absolutamente impressionante, como qualquer pessoa que já tentou organizar um grupo de 5 pessoas pra realizar um trabalho de faculdade pode concordar. Se algum resultado positivo sair dessa esculhambação, o negócio será verdadeiramente épico.

Aí vão uns links pra vocês que estejam totalmente ociosos no trabalho e queiram ler mais sobre o assunto, e que incidentemente torna esse artigo mais wikipedia-like:

http://www.whyaretheydead.net/ – Site que fala sobre as vítimas dos dogmas da Igreja da Cientologia

http://en.wikipedia.org/wiki/Project_Chanology – Um dossiê detalhado sobre as ações do Anonymous contra a Igreja

 – Reportagem involuntariamente hilária sobre o Anonymous

Ok, nem tanto. Mas vamos transformar a coisa em drama mexicano mesmo que é mais legal.

Antes de mais nada, peço perdão pela minha ausência. Ou nem tanto, qualquer um de vocês teria feito o mesmo se tivesse acabado de comprar Rock Band. nas palavras do imortal Brother, “DÁ UM TEMPO, MORÔ?”. Deixa eu brincar de ser feliz com minha bateria de brinquedo.

Então, brinquei pra caralho no negócio, mas o show aqui tem que continuar. E nada melhor pra retomar as operações digitais que um dramalhão online trazido a você por cortesia da burrice humana associada ao uso indiscriminado do orkut. Eu nunca me canso de ver as tragédias que essa combinação tráz pra gente.

A Naty, uma internauta notavelmente peituda porém muitíssimo feia, resolveu expressar seus desejos pelo João Henrique através do popular site de relacionamentos. Até aí nada digno de nota, mulher com fogo na periquita é algo que existe desde os primórdios da raça humana e a internet é usada desde sua concepção pra finalidades sexuais.

E agora vem a parte que vocês estavam esperando.

Não, o mote principal não é o fato de que a Naty tem um namorado (o link ainda não foi desovado, mas nossos detetives internéticos estão trabalhando hora extra com esse objetivo em mente). Por motivos que eu jamais compreenderei, essa massa de retardados que compõe os usuários padrão do orkut passou a usar um método alternativo pra enviar mensagens secretíssimas pros seus destinatários – tais jumentos mandam as mensagens em forma de depoimento. “Assim”, pensam os retardados, “ninguém verá a mensagem!”. Não tendo conhecimento da existência do email, os imbecis enviam a sua mensagem de conteúdo compromissor de uma forma que torna sua exposição tão simples quando apertar um único botão.

E ADIVINHA O QUE ACONTECEU, AMIGO. Sim, isso mesmo. 

O sujeito, por imbecilidade ou malícia (o ditado popular diz que ambos são indistinguíveis às vezes, eu adoto essa corrente de pensamento também), publicou o depoimento da menina. E a história rapidamente começou a correr fóruns pela internet afora, e no momento desta publicação os scraps da menina batiam a casa dos 5 dígitos.

Desesperada, a Naty tentou alertar seu concumbino. Ou seja, como se não bastasse a publicação de uma mensagem daquelas por depoimento, ela vai e manda um scrap confirmando que a missiva era autêntica.

O que leva alguém a adotar esse método de enviar mensagens de conteúdo sensível? Nego tá TENTANDO se foder, não é possível. Contemplei todas as possibilidades permitidas pelo nosso universo tridimensional e concluo que não há explicação a não ser “a menina estava intencionalmente tentando se lascar”.

Eu não sei nem o que pensar quando vejo uma história dessas. Essa tal de inclusão social me apavora algumas vezes, e o avanço dela pelo jeito é como o Juggernaut – absolutamente “imparável”. Não dá mais pra voltar aos tempos em que os usuários da internet eram poucos privilegiados – privilegiados tanto pela habilidade financeira de manter o hábito, quanto pelo intelecto necessário pra desvendar o uso dos serviços primitivos da Web 1.0. Esse acesso facilitado dá nisso aí.

Os mais socialmente consciente (você sabe, os filhinhos de papai estudantes de filosofia que dão esmola no sinal no caminho do shopping e por causa disso acham que estão atentos às necessidades do povão) vão nos chamar de elitistas metidos, e dirão que a internet deveria ser considerada um bem público que permite à massa acessar conhecimento de forma nunca antes possível.

Balela. Não sei quem eles estão tentando enganar com esse papinho comunista de Nova Era do Conhecimento, porque pobre burro não usa internet pra aprender sobre open source software, ou corrigir artigos na wikipedia, ou colaborar com o Folding@Home. Pobre burro usa internet pra mandar apresentação de powerpoint, pegar (e espalhar) vírus e postar mensagens comprometedores no orkut.

Sabe aquele lance de que às vezes a gente tem que tirar o direito de alguém pra proteger a pessoa dela mesma? A internet é um caso exemplar disso.

Se você está se perguntando se as tribulações da vida adulta no mundo real destruiram completamente seu espírito e deixaram apenas um casulo vazio que é nada além de uma sombra da pessoa que você um dia foi, recomendo que assista esse vídeo.

Se você não conseguir rir disso, você de fato perdeu aquele faísca que mora dentro de cada um de nós e nos torna diferentes de outros animais inferiores como cobras e piolhos.

Eu não preciso de uma explicação. Eu não preciso de uma backstory. Eu não preciso de uma biografia da gordinha. Eu não preciso de um comentário no youtube dizendo que você conhece a menina e frequentava a mesma escola com ela e que ela na verdade tem síndrome de Down e que por isso rir dela condena-me automaticamente ao inferno.

O simples fato de que esse vídeo existe já me satisfaz completamente.

A Gordinha Dançante tocou minha vida.

Não é exatamente uma notícia fresquinha (a parada aconteceu no Halloween), mas se você ainda não tinha tomado conhecimento da história tá valendo.

Esse é Kevin Colvin. Além de ter um nome horrível e sexualidade duvidosa, Kevin é estagiário no Anglo Irish Bank, nos EUA. Na noite de Halloween, Kevin mandou um email pro seu chefe avisando que não poderia comparecer na manhã seguinte pra trabalhar. Como a foto deixa claro, Kevin não pediu o dia de folga por motivos tão sérios. Como praticamente qualquer pessoa que more na América do Norte e tenha entre 5 e 35 anos, Kevin queria ir festejar o Halloween com os amiguinhos. Quem nunca faltou um dia de trabalho porque passou a noite fantasiado de fada madrinha bêbada que atire a primeira pedra.

Histórias similares aconteceram por toda a América do Norte, mas essa teve um modificador crucial – os coleguinhas de trabalho de Kevin são PESSOAS ESCROTAS. E como você já deveria saber, PESSOAS ESCROTAS estragam tudo pra todo mundo sempre que têm a oportunidade, quer eles se beneficiem com o gesto ou não. Só mesmo pelo prazer de ser uma PESSOA ESCROTA.

O que acabou acontecendo é que, apesar do email do Kevin não especificar nada do tipo…


…um boato que só poderia ter sido originado por uma PESSOA ESCROTA se espalhou no escritório – segundo os fofoqueiros, Kevin teria “insinuado” que o motivo da ausência era uma “emergência familiar”. Apesar do email que ele enviou pro chefe não dizer nada disso (e o chefe é o único a quem a ausência do moleque diz respeito), o boato se disseminou no banco. E pra finalizar tudo, um dos companheiros de trabalho do cara acessou o perfil dele no Facebook, viu a foto incriminadora, e enviou pro chefe dele.O chefe, talvez sob influência das PESSOAS ESCROTAS, resolveu escrotizar também e mandou a seguinte resposta pro Kevin, na manhã seguinte:


Além de anexar a fotografia no email, pra deixar claro que ele já sabia o motivo da ausência, o chefe resolveu também mandar o email pra todo o escritório, pra que pudessem todos rir em uníssono do estagiário. Sim, eu sei que de acordo com essa screenshot o email teve apenas 3 destinatários, mas segundo esse outro email…


…, o chefe achou que não tinha aloprado de forma satisfatória e resolveu então encaminhar o email pro resto do escritório, que certamente não tinha absolutamente nada a ver com a história. Afinal de contas, uma ação disciplinária deve sempre ser tratada particularmente. Expôr publicamente um erro de subordinado é algo levado muito a sério pelas Labor Boards (agências que fiscalizam locais de trabalho), e Kevin não está sem motivos pra processar o chefe dele.A história apareceu em vários fóruns por aí e a resposta padrão foi a mesma – “hahhha que burro, quem mandou mentir pro chefe e ainda postar fotos na internet??!/11//1”. Aí que está o problema:

1) O sujeito não mentiu pro chefe. O email dizia apenas que ele não poderia comparecer na manhã seguinte, por motivos que, como foram omitidos no email, podem ser interpretados apenas como “razões pessoais”. Não sei de onde surgiu a história de que ele teria alegado uma emergência familiar, mas o email dele ao chefe (o único a quem isso diz respeito) não dizia isso.

2) Você não entende porra nenhuma sobre o Facebook, aparentemente. Ao contrário do orkut, no Facebook qualquer pessoa pode adicionar uma foto sua ao seu perfil – basta a pessoa “tagar” (não conheço nenhum verbo em português pra descrever isso. O mais próximo é “aplicar uma tag”) uma foto com seu nome, e ela é automaticamente adicionada ao seu perfil. Ou seja, não dá pra acusar o moleque automaticamente de ser o burro da situação quando ter mil fotos adicionadas subitamente ao seu perfil por terceiros após uma festa é algo absolutamente comum.

Dá pra classifica-lo como um Internauta Infame? Por vias das dúvidas, digo que sim. Daqui a um ano essa categoria será uma compilação de todos os protagonistas dessas histórias internéticas insólitas.

Foi difícil decidir se classificava esse post como Bobagem Internética ou Internautas Infames então na dúvida, vão os dois e assim com um só post eu dou a vocês o prometido post de hoje E a Bobagem Internética Diária com um texto só.

CENÁRIO: Houve um incêndio na cidade de Omaha, nos Estados Unidos. O incêndio é reportado na página do noticiário local da cidade. Um garoto habitante da cidade posta comentários no link da notícia, prestativamente oferecendo aos – milhares de – leitores fotografias do incêndio tiradas por ele mesmo.

Até aqui é uma ocorrência internética perfeitamente normal. É nesse ponto que as coisas tomam um atalho pela boa e velha trilha que poucos internautas conhecem intimamente – o caminho da inesquecível humilhação pessoal pública que resultará em um vício por calmantes e/ou ao menos duas tentativas de suicídio.

O que o rapazinho infelizmente esqueceu é que esse era o mesmo domínio em que ele hosteava algumas fotografias não-convencionais, e com “não-convencionais” o que eu realmente quero dizer é “da sua piroca flácida”, enigmaticamente adornada por um pedaço de papel onde a inscrição “CoLws :)” pode ser lida. Detetives internéticos já estão no caso, e após algumas horas de confabulação decidiram terminantemente que as obras de Leonardo da Vinci não têm nenhum envolvimento com a mensagem. Metade da internet suspirou decepcionada, e Dan Brown atentou ao fato que o mercado de mensagens enigmáticas relacionadas a pirocas ainda não foi abordado por nenhum outro autor e já começou a escrever seu novo livro inspirado pelo acontecimento, que ineditamente envolve homens nus mortos acompanhados por inscrições crípticas.

Não vou ofecerer link direto pra imagem porque isso aqui ainda é um blog de família, minha mãe provavelmente lê essa porra e eu não quero que ela me ligue no trabalho pra me explicar que divulgar fotografias pornográficas é pecado. Aí está o link do diretório onde ele hospedou as fotografias, acompanhadas de outras imagens de gosto duvidoso, como uma fotografia em close de um tolete de bosta de aproximadamente 50 cm de comprimento, e eu parei de fuçar a pasta aí mesmo. As probabilidades de eu ter achado as únicas fotos escrotas num domínio com centenas de imagens são baixíssimas, então é bem provável que haja muito mais bizarrice ainda.


Por que, meu deus. Por que.
Repare atentamente que uma fotografia foi tirada entre as outras duas exibidas no site, mas foi apagada ou nem sequer enviada pro servidor. Eu me pergunto o que passou pela cabeça do moleque. “Acho que minha piroca não ficou particularmente flácida em IMG_5680.JPG, melhor tirar uma outra”, talvez? Assim como o assassinato de JFK, o atentado de Onze de Setembro e por que diabos eu escrevi um texto cujo cerne gira em volta de uma piroca, esse é um mistério para qual talvez jamais teremos respostas.A história ainda está se desenrolando, mas se eu conheço esses dramas internéticos e a julgar por alguns detalhes cruciais (há uma fotografia da casa dele, cortesia do Google Maps, com a exata latitude de onde ele mora, e ele já foi identificado por conhecidos locais no site onde tudo começou) eu posso dizer com algum grau de certeza que em menos de 24 horas esse rapaz terá cometido suicídio ao menos duas vezes. Como se isso não fosse o bastante ele achou por algum motivo que seria uma boa idéia hospedar um screenshot do desktop dele, completo com uma captura do instant messenger que o garoto usa em que um monte de seus contatos aparece claramente. Foto e coordenadas exatas da casa, nome real, fotografia de rosto, contatos do AIM… se esse moleque poderia ter se tornado mais fodido, eu não sei como.

Como normalmente, os terríveis internautas galhofeiros como eu e você já tomaram conhecimento da história e estão correndo com ela aos quatro cantos do mundo pra espalhar ainda mais a infâmia do coitado. No site do noticiário, o moleque se gabava de seu catálogo fotográfico dizendo que “é praticamente um Peter Parker”. Sim, tenho certeza que entre lutar contra o crime e chorar pela recente morte da tia May, o Aranha arruma um tempo livre pra tirar fotos dos próprios ovos e colocar na internet.

É uma questão de tempo até que o moleque descubra que virou motivo de risada internacional e desative o host com as imagens, então aproveitem enquanto podem.

[Update] Esqueçam, o maluco já deixou claro que pretende deixar as fotos online por tempo indeterminado. Ótimo, porque quando eu reler esse post daqui há dois anos poderei rir com a mesma intensidade.

(O texto é velho, de julho de 2005. Como hoje é dia de faxina e eu tou sem tempo de escrever, vai esse aí mesmo. Pros que já conheciam a história, sintam-se à vontade pra rir da cara do moleque mais uma vez. E os que não conhecem aprenderão uma lição importante aqui)



Se você está lendo esta página, isso significa que você tem um modem e acesso à internet (e nada melhor pra fazer). E se você tem um modem e acessa a internet, isso significa que você conhece a história do Klaus.O motivo da minha convicção é simples: A notoriedade que o caso Klaus alcançou, em tão pouco tempo, é uma coisa que agências de publicidade não ousam sequer sonhar. O malfadado vídeo que catapultou o moleque pra fama (e talvez pra cadeia muito em breve) foi distribuído via messengers da vida numa progressão geométrica, e ultrapassou até mesmo o tráfico gerado pela antiga corrente que pregava que o ICQ se tornaria pago e que uma menina da Iuguslávia tinha um tumor inoperável e que o Bill Gates apareceria na sua casa à meia noite pra comer a sua bunda ou algo assim.Mas deixa eu explicar do começo, praqueles que talvez tenham passado a última semana embaixo de uma pedra e não souberam da história. Sempre tem os desinformados, né.

Então, tinha esse cara né, o Klaus. Ele um dia decidiu fornicar com uma vadia qualquer da vida. A idéia já era boa, mas aí ele teve uma melhor! Não sabendo que sua vida seria arruinada irreversivelmente no processo, ele decidiu registrar a foda cinematograficamente com uma webcam, sem o consentimento – ou ao menos conhecimento – da menina. Acontece que a tal foda acabou nunca se consumando, provavelmente porque seriam necessárias quatro pirocas como a do moleque pra alcançar a largura de um lápis. Como se isso não fosse o bastante para garantir humilhação instantânea, o moleque teve a incrível habilidade de não conseguir meter na menina. É isso mesmo que você leu: o vídeo é nada além de oito longos minutos de uma constrangedora tentativa de sexo, embora o garoto ainda ache que está ALOPRANDO DEMAIS e ficar mandando caras e bocas pra câmera. Tipo, MALANDRAÇO, ein?

Nego tenta transmitir imagens de si mesmo trepando e se dá mal. Hmm, notou as semelhanças o filme American Pie? A velha “A vida imita a arte” era verdade, e apenas um episódio dessa natureza poderia confirmar a teoria. E, assim como no filme, a filmagem acabaria se tornando um motivo de muita humilhação e alguns lares destruídos.

Então. Pau pequeno e fino, falta de habilidade sexual, ator canastrão… é claro que o vídeo tinha que fazer sucesso! E realmente o fez – embora não pelo seu valor pornográfico, mas sim cômico. Como brasileiro não tem mais o que fazer mesmo e adora celebridades instantâneas, logo surgiu uma comunidade de culto ao rapaz no orkut. E cada vez mais pessoas baixavam a sua super produção pornô.

Desnecessário dizer que o moleque havia mergulhado de cabeça na humilhação. Na comunidade, muitos alegavam frequentar a mesma escola do cara, e até mesmo conhece-lo; ou seja, a situação havia ultrapassado o campo virtual – agora o moleque não ia mais poder andar na rua de tanta vergonha.

Não que faça diferença, pois ele não vai poder mais andar na rua de jeito nenhum. O vídeo chamou a atenção do Ministério Público, e agora o moleque tá sendo enquadrado por divulgar pornografia infantil. É bem provável que desça pro xilindró, porque a galera do jurídico pega pesado quando o assunto envolve “sexo” e “menor de idade” na mesma frase.

Resumindo a ópera: o garoto se fodeu MUITO bonitamente. Aliás, essa presepada redefine a expressão, porque quando a bolei não imaginei que um dia algo dessa magnitude poderia acontecer. O fenômeno redefiniu a forma como o público em geral vê infortúnios. Pensando nisso, bolei a Escala Klaus, um artifício que mede a intensidade com que alguém se fodeu ou sofreu danos a sua reputação. E se a escala alcançar metade da fama do Klaus, em breve estarão usando-a como referência em tribunais, para avaliar casos de difamação. Acompanhem-me:

Nível 1 da Escala Klaus

Você sente desequilíbrios intestinais na casa da namorada durante um almoço de família. O pai da menina está falando sobre a vida espiritual do Papa João Paulo II, mas suas tripas não são católicas e portanto não respeitam a autoridade do finado pontífice. O esfíncter então libera a passagem e um estrondoso peido preenche o volume do recinto. A mãe da namorada desmaia, e você acidentalmente se fura com o garfo.

Nível 2 da Escala Klaus

Durante uma noitada, aquela mina semi-embriagada aceita acompanha-lo ao seu apartamento. O apelido que seus amigos deram ao lugar, “Caverna da Punheta”, deixa claro que você não tem uma compania feminina no estabelecimento há um bom tempo. Assim sendo, você esqueceu de dar aquela “arrumada básica” antes da chegada da vítima em potencial. E, infelizmente, ela não estava bêbada suficiente para não ver suas cuecas com freadas de bicicleta que jaziam na mesa da cozinha. Você corre pra tentar alcançar a menina e convence-la a ficar, mas dá com a cabeça na quina da porta do armário da cozinha.

Aquela que tinha um prego saindo da madeira.

Nível 3 na Escala Klaus

Você foi pra um “corujão”, aquelas noitadas em Lan Houses à base de refrigerante de uva e CounterStrike que alguns nerds consideram como evento social. Após 7 horas levando headshots sem piedade, você decide que já jogou o bastante e decide deitar-se no cantinho da lan e tirar um cochilinho esperto. O Paulão, aquele cara do clan inimigo que você ODEIA, vê você caidaço no chão e não pensa duas vezes: pega a Cybershot do dono do estabelecimento e tira uma foto sua.

Com o testículo direito dele dentro da sua boca.

Nível 4 na Escala Klaus

Você tem um problema sério de incontinencia urinária noturna, ou seja, você se mija todo durante o sono se tiver sonhos assustadores ou dormir num ambiente muito frio. Apesar de exibir esse tipo de defeito bizarro, você conseguiu de alguma forma mágica conquistar a amizade do sogrão e este te convidou pra passar a noite na residência da patroa – com a condição de que você durma no sofá, malandro.

Naquela mesma noite, sua namorada aluga A Noite do Pesadelo e o pai da menina instala um ar-condicionado na sala.

Nível 5 na Escala Klaus

Mesma situação anterior, mas o sofá onde você dormiria era branco, aveludado e tinha sido dado de presente pela avó da namorada, que faleceu há pouco tempo.

Nível 6 na Escala Klaus

A sua TV tava com problema bem na hora que você chegava em Los Santos, então você chama seu pai pra consertá-la. Você vai ao PC e liga o winamp, pra diminuir o tédio de ter que observar seu pai desmontando a TV pra descobrir qual o problema. Sua mãe entra no quarto pra perguntar ao seu pai algo sobre uma conta ainda não paga, e você decide ir à cozinha pegar um copo dágua.

Neste momento, aquele vídeo pornô você baixou na noite anterior – e que ainda estava na playlist – começa a tocar.

No volume máximo e em tela cheia.

Nível 7 na Escala Klaus

Situação idêntica à anterior, com o acréscimo de “gay” após “vídeo pornô”.

Ah, e sua avó também estava no quarto.

Nível 8 na Escala Klaus

Mesma situação, e ao invés de água você encheu seu copo com soda cáustica.

Nível 9 na Escala Klaus

Você tem um micro-pênis e não sabe trepar, mas ainda assim se acha apto pra estrelar um filme pornô. Claro, o diretor é você mesmo – o que pode dar errado? Aparentemente, tudo.

A trepada nunca se consuma, porque você tem as habilidades eróticas de um rolo de fita durex. A falta de bom senso o faz distribuir o vídeo pra amigos, que distribuem pra mais amigos, que distribuem então pra internet inteira. O vídeo adquire popularidade, mas não a que você queria. Acaba dando que a polícia vai bater na sua casa e leva seu PC. Aliás, eles levam você junto.

E o que é pior: você jamais conseguirá convencer outra mulher que soube da história a abrir as pernas. Como esse grupo contém todas as garotas que possuem acesso a internet, suas opções agora são menores que as daquele mendigo cego que passa o dia jogando pedras em árvores no centro da cidade.

* * *

Pronto. Agora, durante uma discussão sobre alguém que tenha se dado mal, você pode dizer “caralho, isso foi no mínimo uns 7 pontos na Escala Klaus” e imprimir 204% mais embasamento científico às suas opiniões de merda.
* * *

O que eu acho mais interessante nesse caso é que o moleque se fodeu JUSTAMENTE porque não sabia trepar. Analise comigo: quantos vídeos e fotos amadoras você já viu por aí que não deram repercussão nenhuma? Milhões. O que a produção do Klaus tinha de diferente? Um apelo cômico ao invés de erótico. E isso foi a receita pro sucesso. Uma punheta dura uns cinco minutos, mas risadas (como nesse caso) já ultrapassam a marca dos dias e não dão sinais de desvanecimento. Em resumo, o que rendeu ao vídeo essa exposição toda foi presença de uma piroca semi-invisível e a pior e mais engraçada atuação sexual desde aquele GIF animado em que um boi tentava montar uma vaca num campo meio congelado, escorregava e caia de costas no chão. Lembram desse?Então.Se serve de consolo, o cineasta mirim provavelmente vai descer pro xadrez, e aí ele terá bastante tempo pra aprender a trepar direitinho. Com esse cabelinho loiro e carinha de criança, tenho certeza que não faltarão professores.

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