[ Joguinho Viciante da Semana ] GTA: Chinatown Wars

O Nintendo DS, como basicamente todo console da Nintendo pós-Super Nintendo, sofreu por anos o estigma de ser um “console para crianças”. Uma biblioteca lotada de jogos mais coloridinhos, mais cartunescos, com teor mais infantojuvenil, fez com que muitos vissem o DS como mais um console para o priminho de 9 anos.

E aí em 2009 saiu Grand Theft Auto: Chinatown Wars.

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Grand Theft Auto: Chinatown Wars (que eu abreviarei para GTA:CW porque porra, nome longo do caralho) é um bem vindo retorno às raízes do GTA — a boa e velha Liberty City em (Semi)2D, com camera vista de cima. Digo “semi” porque o jogo tecnicamente tem sim elementos em 3 dimensões, mas o gameplay de forma geral se aproxima bastante do primeiro Grand Theft Auto de 1997, do qual eu era fanbooy absoluto. Tinha uma versão demo que permitia fazer TUDO em Liberty City, mas com time de 6 minutos ou algo assim. Joguei aquilo obsessivamente na sétima série.

Em GTA:CW você vive na pele de Huang Lee, um playboy rico e mimado filho de um líder de uma gangue asiática em Nova IorDIGO, Liberty City. Seu pai morreu, você veio pra cidade entregar para seu tio uma espada que era uma relíquia de família. No meio do caminho da entrega o rapaz é atacado, raptado, e a espada é roubada. E aí começa a vida do moleque trabalhando como capanga no negócio criminoso da família.

O jogo é a típica aventura GTAzística — um antiherói relutante, que se vê meio que obrigado a entrar no mundo criminoso (a Rockstar fez mais de uma dúzia de jogos com esse arquétipo mas ainda assim as histórias conseguem ser interessantes; e olha que eu cansei do Dan Brown após 4 livros iguais). Toda a violência, o humor negro, as referências adultas estão lá, tornando o jogo um pouco atípico entre outros títulos da biblioteca do DS.

Screenshot da versão de PSP.

Screenshot da versão de PSP.

Uma das principais diferença em gameplay, no entanto, é que você pode se livrar da perseguição policial destruindo carros de polícia. Se você tem 1 estrela, detone um carro policial (batendo nele, o forçando contra outros carros na contra mão, essas coisas bem Burnout Takedown mesmo), e isso reduz a zero. Se tem dois carros, detone os dois, e o seu Wanted Level desce pra um, e assim você precisa detonar mais um carro.

Isso dá todo um outro aspecto às fugas da polícia — enquanto nos outros GTAs o negócio era simplesmente correr e se esconder, em GTA:CW você pode partir pro ataque e lutar de volta com um objetivo claro: detonar os meganhas. Em basicamente TODOS os outros GTAs, lutar contra a polícia era como tentar limpar merda de uma mão esfregando com a outra: só piora a situação.

Não que fugir da polícia se torne muito mais fácil por causa dessa mecânica. As perseguições continuam alucinantes, alilmentadas principalmente por outra mecânica de GTA:CW que é possivelmente a melhor de toda a série: o narcotráfico.

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Espalhados por Liberty City você encontra diversos traficantes, vendendo 6 drogas diferentes — dentre elas heroína, cocaína e maconha. O esquema é como um mercado de ações do crime: você compra nos bairros onde vendem mais barato, e vende nos bairros onde a droga é mais valorizada. E no seu smartphone você recebe constantemente dicas de que bairros estão vendendo ou comprando a droga por melhor preço.

Não apenas essa mecânica combina excelentemente num jogo como GTA, ela é um familiar remanescente do clássico de PC “Dope Wars”, que eu joguei INTENSAMENTE (e escondido dos meus pais) quando tinha meus 14-15 anos.

É meio que um Elifoot do narcotráfico, saca?

É meio que um Elifoot do narcotráfico, saca? E era ironicamente tão viciante quanto as drogas virtuais que eu vendia nele.

Acredite se puder, o screenshot acima é um jogo. Eu joguei MUITO esse negócio. Mas muito MESMO. E GTA:CW trouxe de volta esse gameplay, de uma forma mais dinâmica: você realmente viaja de um pouco pro outro da cidade, tentando não atrair atenção da polícia, e às vezes sendo flagrado no ato mesmo assim.

E isso torna as perseguições com a polícia 10 vezes mais arriscadas. Em sempre senti que em todos os GTAs não há uma punição muito firme quando você é pego pelos tiras; é mais um incômodo do que qualquer coisa.

Em GTA:CW sãoo outros 500. Por exemplo: digamos que você foi até o ooooooutro lado da cidade porque recebeu um email dizendo que um maluco tá se livrando de cocaína a preço de banana, sabendo que tem um outro maluco lááááá na puta que pariu que paga muito bem pelo pó. Você já lá, compra TODA a droga do cara, ficando sem um tostão no bolso (mas uns 30 mil dólares em cocaína no carro).

Screenshot da versão para Android

Screenshot da versão para Android

Se havia uma câmera de segurança (que você pode destruir, se perceber antes) na área da venda e a polícia aparece, ser preso significa perder do nada TODA A SUA GRANA, além das armas que você tem. É nessa hora que bate a adrenalina: você sabe que ser preso vai foder seu jogo de uma forma quase sádica, e a perseguição se torna mais furiosa do que qualquer coisa que eu já vi nos outros GTAs — muito mais está em jogo.

Eu poderia resumir e dizer que as notas de Chinatown Wars são altíssimas em TODOS os sites de resenhas: a versão de DS, ambiciosa como nenhum outro jogo no portátil, é considerada pelo GameRankings e o GameSpot como o MELHOR jogo do console (considerando a imensa e excelente biblioteca do DS, isso é bem impressionante). A versão do iOS está entre os dez melhores jogos da plataforma com um cadinho acima de 95% de aprovação. Os ports mobile para iPhone, iPad e Android se beneficiam das plataformas mais robustas (embora percam os controles tácteis), com gráficos muito mais bonitos que os da versão original.

A versão de GTA:CW com nota unanimemente mais baixa (a do PSP; a maior destavagem citada é que os minigames que no DS dependiam da tela de toque não se traduziram bem pra uma plataforma sem esse método de input)ainda levou 9.3 de 10 no IGN.

Para e pensa nisso. A “pior” versão do jogo tem uma nota maior que, sei lá, Destiny. Ah, e ele é o segundo melhor jogo da plataforma de acordo com o Metacritic, perdendo pro God of War: Chain of Olympus por um pontinho só.

A Rockstar sempre manda bem pra caralho, e GTA:CW é simplesmente uma continuidade do que já esperamos da desenvolvedora. Disponível pra tudo que é plataforma portátil, e com um preço mais em conta do que na época do lançamento, é fácil recomendar esta que é possivelmente a mais divertida versão do jogo.

É bizarro que esse jogo tenha passado tão batido por mim, um fã absurdo da série desde sua concepção. Estou corrigindo esse erro agora, porque meu interesse pela biblioteca do PSP foi renovado graças à aquisição de um PSP Go.

Sim, eu já tenho um PSP desde 2005 ou 2006. E sim, eu sei que o PSP Go tem alguns probleminhas. Mas por 50 conto, um PSP Go novinho não é algo a qual eu consigo resistir!

Sim, eu já tenho um PSP desde 2005 ou 2006. E sim, eu sei que o PSP Go tem alguns probleminhas. Mas por 50 conto, um PSP Go novinho não é algo a qual eu consigo resistir!

Vou resenha-lo em breve no meu canal, aliás. Fique ligado.

Enquanto isso, vá jogar GTA: Chinatown Wars porque você não vai ter do que reclamar.

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comments

4 comments

  1. Joguei o CW faz muito tempo,nunca terminei. Lembro que a minha perseguição mais difícil durante um jogo de GTA foi justamente nele.

    (Also, achei genial “Elifoot do Narcotráfico” hahaha)

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