Lá e de volta outra vez, parte 2!

Então, né. Me despedi da capital paulista e fiz a ponte aérea com destino a minha querida cidade natal, Fortaleza.

fortal

Fui recepcionado  no aeroporto por meus primos, Eduardo e Pedro Henrique, e meu irmão. Havia visto meus primos há menos de um  ano, em março de 2009, quando estive no Brasil pela primeira vez desde que imigrei pro Canadá. Entretanto, reve-los foi tão emocionante como da primeira vez.

Rumamos pra casa da minha avó, onde passo minhas férias no Brasil. Revi toda a família, tirei fotos, dei um pulinho no twitter pra avisar os amigos e inimigos que o avião não caiu, aquela coisa toda.

casamento

O casamento da minha prima Talita, o motivo pra nossa viagem,  foi de pompa e garbo que eu jamais havia presenciado na vida. Minha mulher ficou impressionada.

Vi vários parentes que não via há muito tempo mesmo, desde os idos de 1997 ou 1998. Um primo que quando vi pela última vez era adolescente metaleiro revoltado cabeludo está casado e com filhinha e, o que é mais chocante, careca. Foi foda demais.

clan

Um dos meus tios, bêbado pra caralho, veio me falar que havia lido o HBD e que botou fé no texto que escrevi sobre voltar ao Brasil pra participar de um evento da família. Ele pôs-se a contar sobre viagens que fazia com meu pai, quando tinha a minha idade e tal. Era o tipo de estripulia que os nossos pais não contam pra gente, hahahahaha.

A recepção só foi terminar lá pras 3 ou 4 da manhã. Quando finalmente chegamos em casa pra dormir, o sol já estava saindo por trás do horizonte. Excelente.

Alguns dias mais tarde rolou um encontro no shopping Iguatemi, onde conheci figuras ilustres do cenário internético cearense. Entre este amigos, o vídeo a seguir foi filmado:

Acima você vê o companheiro Jurandir Filho, do Cinema com Rapadura, e o Knuttz, webmaster do Ueba, ambos tentando explicar pra minha querida quase-esposa as nuances do idioma cearense. Junto ali na mesa com a gente tínhamos vários outros ilustres tuiteiros cearenses que compareceram ao nosso encontro.

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Precisamos juntar umas sete mesas, mas deu. Foi muito bom finalmente conhecer essa turma com quem converso há muito tempo, e agora me sinto ainda com mais vontade de retornar à terrinha.

No dia seguinte fizemos um passeio de barco pela orla marítima de Fortaleza.

passeio

Alguns dias mais tarde, por conselho do meu tio, viajamos à praia de Morro Branco. Na nossa última passada pelo Brasil levei minha mulher apenas à Praia do Futuro, e apenas uma vez, o que é quase um crime. Desta vez, eu estava convencido a leva-la a conhecer outras praias.

morro

Foi muito foda, embora cansativo – a praia fica a duas horas de Fortaleza. Fomos e voltamos no mesmo dia, então quatro horas de estrada. Pelo menos o ônibus da excursão é bastante confortável, com ar condicionado e tudo.

Como meu iPhone é bloqueado,  e eu tenho preguiça de jailbreakear/medo de ficar andando pelo Brasil com um iPhone, eu fiquei usando o Nokia 5000 pré-pago do meu primo. Como eu mais recebia ligações do que fazia ligações, pude gastar boa parte dos 100 reais de crédito que coloquei no celular com isso:

twitter lol

Yep. Por mais nerdice que possa parecer, passar períodos longos sem email/MSN/twitter me fazia sentir extremamente isolado. E eu reduzia essa sensação dando um pulinho no Twitter de vez em quando pra deixar a galera informada sobre os planos.

Entretanto, nesta segunda viagem eu percebi que esse receio todo de ser assaltado no Brasil é relativamente infundado. Passo o tempo inteiro andando de carro, em regiões boas da cidade. Estou plenamente convencido que da próxima vez apenas farei o jailbreak no iPhone e comprarei um chip pré-pago.

Esse retorno à terrinha foi mais prazeroso que o último. Primeiro, pude conhecer uma turma muito gente boa em São Paulo, que me receberam como nunca fui tratado antes na vida. Segundo, não tive que correr atrás de tantas burocracias como da outra vez (que meu título de eleitor e alistamento militar estavam pendentes). E em terceiro, pude dedicar mais tempo pros meus familiares.

Agora, se a viagem foi um prazer indiscritível, o retorno foi uma das piores torturas a que já fui submetido. Todos nós devemos ter comido algum churrasquinho de gato de procedência duvidosa em nossa estadia lá no Jardim América, em Fortaleza, porque na véspera da viagem meu irmão ficou doente pra caralho – ficou com febre, vomitou um oceano,  teve a famosa diarréia explosiva, sofreu muita dor no estômago, etc.

Umas 12 horas mais tarde, foi a vez da minha mulher ficar doente. Mesmos sintomas, porém agravados porque ela se encontrava no momento a 30 mil pés de altura, sobre o oceano Atlântico. Ficou muito compadecido da minha parceira, porque ficar doente dentro de um avião é um negócio desesperador. A coitada teve que usar quatro daqueles saquinhos pra enjôo, àquela altura ela estava vomitando até o que os antepassados dela comeram.

E finalmente chegou minha vez. Fui acometido pelos mesmos sintomas que os outros dois, dessa vez no avião com destino a Calgary. Dor insuportável na barriga, tontura, enjôo, diarréia, além de uma fraqueza que me fazia sentir que meus braços e pernas eram feitos de chumbo. Lá pelos tantos eu não suportei mais a ânsia que eu estava lutando já havia umas 2 horas, corri pro banheiro do avião e PINTEI O LAVATÓRIO AÉREO COM O CONTEÚDO DO MEU ESTÔMAGO.

Gente, é sério, eu vomitei por quase 20 minutos sem parar. Só saía suco gástrico e bile, mas eu continuava botando tudo pra fora. Cada parte do meu corpo que não estava conectado a um osso ou a uma artéria foi projetada contra as paredes do banheiro. Em alguns momentos o suplício era tamanho que eu me surpreendi pensando “bom, se esse avião cair pelo menos o sofrimento acaba…”

Saí de fininho do banheiro, feliz por não haver ninguém do lado de fora pra presenciar a cena lá dentro do banheiro. Voltei ao meu assento e fiquei quietinho.

Apesar desse terrível incidente (até hoje nós três tentamos descobrir qual teria sido o vetor em comum), essa viagem pro Brasil foi excelente. É uma pena que eu more tão longe e só possa visitar o país uma vez por ano e olhe lá.

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comments

48 comments

  1. A tragédia do seu fim de viagem me fez lembrar de uma vez, quando fui conhecer boa parte da minha família por parte de mãe, que é quase toda de Teresina (Piauí), quando tinha uns 15 anos.
    Viagem perfeita, conheci boa parte da família que não conhecia, diversão, praia etc. Mas o grande problema é que viajei de ônibus na ida e na volta (2 dias e meio de viagem). Mermão, na véspera da viagem (seria a “maldição da véspera?”) eu acordei malzão, com uma puta dor de barriga. Mijando pra trás, literalmente. Imagine agora viajar 2 dias e meio num calor infernal e ter que cagar num banheiro de ônibus que trepidava pra cacete por causa das estradas esburacadas. Foi a pior dor de barriga da minha vida. Cheguei em casa uns 5kg mais magro. Foi foda…
    Mas aí quando passa o churrio, a gente sempre lembra da viagem e quer voltar…

  2. Ah, só agora que vi o vídeo. Hilário vocês ensinando gírias locais pra Becca… hahaha
    É impressão minha ou você “recuperou” seu sotaque cearense quando tava conversando com a galera? xD

  3. Leio esse blog já tem um certo tempo, e frequento uma porrada de outros, e hj, lendo seu post e começando a usar o twitter, me ocorreu uma pergunta: você continuaria escrevendo textos assim, e se dedicando dessa forma ao site, sem esses leitores todos?

    Eu já tive blogs, e perdi o tesão justamente pelo fato de que raramente alguém lia qualquer coisa ali e, quando lia, era um amigo que dizia “Opa, blz?”. Não tive saco.

  4. Da próxima vez dá uma passada pelas bandas sulistas! ;D Será muito bem-vindo também! Só achei o texto muito “corrido”, sem muitos detalhes, fora a parte final. O primeiro tava mais enxuto, talvez porque a memória era muito recente. Hehehehe! o/

  5. Aliás, a Sra. Nobre falando “que fuleragem é essa?” foi o ponto alto! É sempre muito engraçado estrangeiros falando outra língua que não a deles mesmos!

  6. quando fui pro nordeste tive algo parecido quando comi uma maionese caseira de um restaurante. e só comi pq insistiram que a maionese caseira era do caralho.

  7. Nossa, conheço teu blog faz muito tempo, não sou leitor, talvez por isso não soubesse que vc fosse meu conterrâneo. Gostei bastante de ver fotos de coisas que conheço de uma pessoa “de fora”.

    Muito bom o post =)

  8. Pelo que eu entendi, “butando buneco” (or putting the doll) tem tantos signifcados, que dois cearenses podem conversar por horas, sobre vários temas diversos, apenas conjugando “butá buneco”.

  9. Coisas da internet, uma gaúcha de 56 anos, que visita o blog tenhamuito cuidado acaba descobrindo o Hoje é um bom dia e que surpresa duplamente tri legal (nós os gaúchos achamos tudo que é bom tri), além de ser divertido e inteligente é de um cearence, só podia com esse humor bacana.Cara pior que o teu vomito trans oceânico é mulher menstruada cruzando o oceano num voo noturno, o que é para vir em cinco dias vem em um dia.

  10. Cara, você é primo do meu antigo professor de português! Isso mesmo, o Diógenes né? O antigo cabeludo, metaleiro e tal? MEU DEUS QUE FORTALEZA PEQUENA! OIASHAISHAOISHOAIHSOHAHSAS

  11. Ai no Ceara não é igual na Bahia no quesito mendigagem certo? Mãe foi pra lá e disso que é horrível, muita gente querendo um realzinho.

  12. Já tinha lido esse post e o anterior mas só assisti o vídeo hoje.
    Muito comédia.
    Já aconteceu algo parecido com uma amiga minha, que é brasileira mas mora nos EUA desde muito novinha. Ela vem visitar Fortal sempre dá. Já levei ela pra forró no Kangalha.

  13. Isso aconteceu pelo pouco tempo que passaram aqui e conseqüentemente não deu tempo de desenvolver anti-corpus para as iguarias daqui. Vocês não comeram churrasquinho de gato amaciado no leite mamão ou no leite de janaguba.
    Gostei muito do blog, bacana mesmo!!!!!

  14. confesso que fiquei até chocado quando soube que vc é de Fortaleza…
    não leio muito seu blog, mas alguns posts são bem… ‘identificáveis’ (no sentido, porra, me identifico com a porra desse texto)

    flz, izzy

    ps: c morava em qual bairro?

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