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Lembram deste meu post sobre a série Deixados Para Trás? Pra quem não sabe, Deixados Para Trás é uma série de thrillers (não há uma boa tradução pra isso no contexto literário, né?) baseados numa interpretação literal do livro de Apocalipse (e algumas profecias sortidas do velho testamento também, pra incrementar). Dados a mim por minha mãe lá por 2001 ou 2002, durante meus finais momentos de fé evangélica, a série é um sucesso absoluto na ficção cristã.

É basicamente o Harry Potter crente, pra você ter uma noção de impacto. Os Tim LaHaye e Jerry Jenkins venderam algo em torno de 40 milhões de cópias.

Aliás, apenas um dos dois é o que consideraríamos o “real” autor, tendo de fato posto caneta ao papel. O outro, não lembro qual deles, participou com contribuições belpescicas; algum tipo de “consultoria” paralela ao desenvolvimento da história ou algo assim. Suponho que uma revisão das passagens bíblicas pra garantir verossimilhança doutrinística ou algo assim, uma tarefa na qual a dupla de autores falhou miseravelmente de acordo com muitos evangélicos críticos de suas heresias.

Mas então, é uma série imensa — talvez a mais longa que já aguentei ler na vida. Parte do motivo é o fato de que os livros são provavelmente mais inflados com fillers do que a pior temporada de Naruto que você possa imaginar. Com uma história que caberia tranquilamente em 4 ou no máximo 5 livros, os 13 volumes da série são quase literalmente intermináveis. Ao chegar no último livro, eu li meio que pulando páginas, tamanha era minha impaciência com a enrolação.

Então, relendo a resenha que linkei no começo do artigo, vejo que fui muuuuuuuito mais generoso com os autores do que o merecido. Dei bem poucas críticas, focando basicamente nos momentos em que eles desastrosamente se meteram a enfiar ciência na história. Talvez porque quando moleque eu gostei bem mais dos livros; uma leitura adulta mais recente deixou claro que é uma literatura bem anêmica, mas lembrança de infância/adolescência, já viu, né.

Já o @SlacktivistFred, um brilhante blogueiro cristão americano, não tem as mesmas memórias nostálgicas da série que eu. Numa longuíssima série de posts escritos mais de 10 anos atrás e que posteriormente viraram dois ebooks, o cara destroçou a série praticamente parágrafo por parágrafo. Eu nunca vi uma desconstrução tão completa e impiedosa de uma obra de ficção. As já icônicas resenhas do Red Letter Media sobre a nova trilogia de Star Wars, que são mais longas que os próprios filmes, parecem um mero “ah nem gostei, fim” comparadas à maestria e profundidade com as quais o Fred destrinchou todos os átomos literários de Deixados Para Trás.

O cara ataca a parca interpretação bíblia dos autores, a prosa que nunca de fato MOSTRA, apenas CONTA os fatos acontecidos (pra entender a diferença, imagine um simplório “um carro capotou”, contrastado com uma explicação de quem o dirigia, o que acontecia no momento, como ele capotou, o que aconteceu com o motorista, etc etc etc)… tudo, desde a motivação dos personagens até o uso de certas expressões incabíveis ao contexto de uma cena é analisado.

O Fred claramente entende pra caralho tanto de doutrina bíblica, quanto de literatura e a língua inglesa em si, o que torna a brutal desconstrução um exercício fascinante e extremamente aproveitável de análise de escrita. Pra completar, ele ainda é um talentoso humorista; algumas piadinhas e sátiras que ele coloca no meio da resenha são realmente bem construídas. Eu sinto que minha própria escrita melhorou só de ler essa épica resenha dele.

Estou completamente fisgado na leitura, e lamento que os livros só podem ser lidos em plataformas da Amazon. Ler num computador não é tão confortável, tendo que continuamente ir e voltar entre o índice e as postagens; adoraria dar uns trocos pro cara pra motiva-lo a continuar destruindo os livros (ele parou no terceiro, até o momento).

Extremamente recomendado. Espero que o Fred continue resenhando os livros, porque eu rio só de pensar a indignação dele ao constatar que mais tarde na série, uns 3 livros INTEIROS tratam apenas da logística de um personagem indo de um lugar pro outro, com quase NADA acontecendo entre essas viagens. E eu demorando pra terminar meu novo livro…

O melhor autor cearense desde José de Alencar e Rachel de Queiroz está de volta*.

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Sabe o meu livro, o Todo Dia Tem Uma Merda? Então, por anos me pediram por uma versão física (já que ebook “não é livro de verdade”, já ouvi falar), através de uma parceria com a Bookstart, AGORA VOCÊ PODE COMPRAR A VERSÃO FÍSICA LINDONA PRA PÔR NA PRATELEIRA OU ATÉ MESMO PRA CALÇAR UMA MESA!

Puta merda mano! O livro que chocou a internet brasileira, com contos clássicos como O DIA EM QUE EU CAGUEI NO TAPETE DO BANHEIRO e O DIA EM QUE SOLTEI UM RAO NA LOCADORA DE VIDEOGAME, está agora disponível em versão com átomos, peso, e que faz sombra se posto na frente de uma fonte luminosa.

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Compra, mano

E dependendo do seu nível de contribuição — que eu interpretarei como o quanto você me ama –, tu leva não só o livro, mas também alguns badulaques extras como camiseta, marca páginas, pôster… porra mano! Se duvidar nem no seu último aniversário tu ganhou tanta coisa.

“MAS IZZY EU JÁ LI ESSE TEU LIVRO AÍ UMAS QUATRO VEZES JÁ MANO” é, mas tu não leu as CINCO (05) HISTÓRIAS INEDITÍSSIMAS QUE EU ESCREVI EXCLUSIVAMENTE PARA ESTE VOLUME HISTÓRICO. Eu estive TÃO engajado em me meter em novas peripécias pra esses contos adicionais exclusivos que estive propositalmente tomando menos cuidado com inúmeras coisas. Uma das novas histórias envolve um RG permanentemente coberto com desenhos de pirocas.

Sério.

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Compra lá, broder

E tem mais. O TDTUM é o primeiro volume da Trilogia do Cearense. O segundo volume se chamará Todo Dia Tem Uma Merda: Parte 2. A capa já está pronta:

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E a conclusão da Trilogia será o Crônicas da Sex Shop, um livro em que contarei minhas presepadas trabalhando numa loja de artigos adultos como bonecas infláveis e duchinhas anais, que é exatamente o que você pensa que é, mas eu vou descrever de uma forma ainda mais engraçada.

A arte da capa também já está pronta, pra tu ver que o negócio é sério mermo:

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Agora, é o seguinte: embora ambos os livros já estejam sendo escritos, por ter mil outras coisas acontecendo ao mesmo tempo (vlog/podcast/blog/estudos/trabalho “de verdade”/dar atenção à esposa, família e amigos de vez em quando), a prioridade de terminar esses livros é bem baixa. Afinal, escrever livros — embora seja provavelmente o primeiro sonho de infância do qual consigo me recordar — é algo que me dá um retorno relativamente baixo. Tendo tantas outras atividades tomando a primazia, pelo andar da carruagem eu corro mais risco de morrer antes de completar minha série, do que o George R R Martin corre de morrer antes de terminar a dele.

E olha o tamanho do cara.

Mas você e seu cartão de crédito/boleto bancário podem mudar essa história. Se o Todo Dia Tem Uma Merda for financiado, AMBOS OS OUTROS DOIS LIVROS SERÃO LANÇADOS NO ANO QUE VEM. Falando sério agora — se você curtiu o meu primeiro livro, e gostaria muito que houvesse dois outros pra fazer compania a ele, depende agora exclusivamente de você. Como recebo emails e tweets DIARIAMENTE perguntando “cadê os outros livros, Izzy?!?!?!“, imagino que exista o interesse de ler os outros dois capítulos dessa minha maluca aventura.

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Compra essa porra aí, broder

Então é isso. Eu só preciso que aproximadamente 200 pessoas contribuam com o valor de 30 reais. Este blog é acessado diariamente por mais de quatro mil pessoas. Meu último vídeo foi visto por mais de cem mil pessoas. Eu SEI que tem pelo menos 200 de vocês que comprariam essa parada.

Porra, e nem é caro, vai! É o equivalente a um preço de ir ver um filme do Adam Sandler no cinema, com a diferença de que ele já tem 300 milhões de dólares (puta que pariu…), e eu só preciso vender R$ 6800 de livros pra que a parada aconteça — e garantir que há interesse o bastante pra eu colocar “termine os outros dois livros caralho!” no topo da minha lista de prioridades. Nem que pra isso eu tenha que tirar “finalmente zerar GTA5” da posição número 1.

Então, compra meu livro, vai?

*“melhor” no sentido de que é o que está mais vivo atualmente

Adoro fazer esses livros digitais. Por isso, fiz este aqui ensinando o macete de emular Super Nintendo e Game Boy Advance em aparelhos da Apple sem qualquer tipo de jailbreak, e sem usar o computador — tudo pode ser feito diretamente no iPhone/iPod/iPad!

Este é o método MAIS SIMPLES de instalar emuladores no seu celular, iPod ou tablet. Corra, antes que a Apple acabe com essa mamata!

Pra baixar o guia, basta clicar no botão abaixo, que divulgará o link desta página nas suas redes sociais favoritas, dando em seguida acesso ao manual em formato PDF:

Aproveite!

Olá molecada! Então, olha o que eu fiz pra vocês!

Conhecem o Naturista? Não? Bem, este cara é um mito da internet oldschool. Basicamente, o Naturista era um maluco que sempre se fodia quando tentava pegar mulher, e ele compartilhava suas desventuras em fóruns pela internet afora. Ou é “a fora”? Foda-se. O ponto é que o cara era um pioneiro nesse negócio de contar histórias onde ele se fodia.

O Naturista não tinha um site na época, então cabia aos usuários dos fóruns em que ele postava (o principal, se não me falha a memória, era o FórumOFF) a republicar as histórias e assim perpetuar a lenda do sujeito. Só que a preservação histórica dos relatos do cara sempre foi muito descentralizado.

E como eu sou um entusiasta dos ebooks E gosto de ler as histórias do cara, compilei a parada num epubzim procês. Olhaí como ficou bacaninha:

contos do natura

Tá feio mas foda-se maluco, fiz de graça como um favor pra você! E NÃO PRECISA DE EREADER PRA LER O LIVRO, tem um arquivinho .PDF no pacote procê.

Aliás, deu um certo trabalho compilar e formatar os textos do cara, e tive que pagar 20 pilas para o serviço de publicação que eu usei (porque o arquivo ultrapassa 5000 palavras, a limitação da parte gratuita do site), mas acho que o resultado final — um livrinho bacana com as histórias do maluco — vale a pena o pequeno sacrifício.

Pra baixar o livro, basta clicar aí abaixo e compartilhar as boas novas na sua rede social favorita:

O nome do serviço é Pay With A Tweet mas você pode “pagar” com um status no Facebook, também 🙂

Ao “comprar” o livro, tu receberá um arquivo .rar com três versões deste incrível volume: um PDF, um .mobi, e um .epub. Aqui o negócio é democrático, rapá.

Então. Essa semana conheci, através de uma amiga do trabalho, um rapaz chamado (nome removido pra galera não inventar de ir atazanar o cara). O cara é um escritor amador daqui de Calgary, publicou um livrinho aí em tiragem bem pequena (120 cópias só) pra realizar um sonho de infância mesmo. Sim, é o livro que você vê acima.

Evidentemente me identifiquei pra caralho com o rapaz — sempre sonhei em publicar um livro também, desde moleque –; minha amiga contou pra ele que eu tinha interesse em ler seu livro e conhecer sua “jornada de escritor”, digamos assim, e ele trouxe uma cópia de presente pra mim.

Bati um papo de umas duas horas com o rapaz e, embora não seja um psicanalista com as certificações necessárias para diagnosticar alguém, posso dizer com grande margem de certeza que este amável rapaz é completamente pirado da cabeça.

Veja só: o cara tem umas teorias malucas sobre sonhos. Eu acho sonhos fascinantes, e foi um interesse em comum que alimentou uma conversa de quase duas horas com o indivíduo. Acontece que os papos dele são… bem. Permitam-me que eu explique usando exatamente, sem qualquer exagero, as próprias palavras dele.

Resumidamente, o cara acredita (firmemente) que sonhos são um portal de acesso a uma realidade intangível. Nada novo até aí; acontece que ele acredita que essa realidade intangível contém todo o conhecimento da raça humana. Isso acontece porque, ao dormir, fazemos upload de todas as nossas experiências e conhecimentos coletivos pra essa nuvem onírica. Onírico é o adjetivo referente a sonhos, seu inculto do demônio.

Interessante conceito para uma história de ficção, né? Poisé, só que o cara acredita que isso realmente acontece. Tipo, acredita ao ponto de tentar convencer os outros.

E aí vem a cereja no topo — ele acredita que, através desses portais de sonhos, ele pode executar SONHOS MULTIPLAYER como os que eu mencionei aqui. Tipo, pode entrar em sonhos alheios, revirar o subconsciente do pobre coitado, aprender seus segredos, plantar idéias, se aproveitar do conhecimento do sujeito, etc. Eu sei o que você está pensando, e é provavelmente a mesma coisa que eu pensei: “tá bom maluco, eu também assisti Inception“.

Então, o cara acredita em tudo isso. Ele afirma conseguir ativar sonhos lúcidos a qualquer momento (sonhos em que você sabe que é um sonho pode controlar a realidade a bel prazer). E escreveu o tal Dare to Dream como uma narrativa de ficção para apresentar as “teorias” dele. Ele se inseriu no livro como simultaneamente o protagonista (que é essencialmente ele com outro nome; vários detalhes da vida dele são compartilhados pelo personagem principal) e o professor cientista fodão que criou as teorias dos sonhos multiplayer.

Até aí não há nada tão terrível. Todo mundo tem direito de acreditar na maluquice que quiser; antes esse tipo de maluquice inocente e inofensiva que o tipo de maluquice em que você me mata e arranca meu couro pra fazer um vestido. E se ele conseguiu canalizar essas crenças numa história bacana, pra que nós possamos experimentar um pouco da sua maluquice, melhor ainda!

Aí que está. Eu li uns três capítulos de Dare to Dream e meu irmão… este é facilmente o livro mais acidentalmente engraçado que eu já li na VIDA. Eis a minha forma preferida de ler o livro:

Poisé, com um marca-texto. O livro é tão repleto de todo tipo de erro que você possa imaginar — de roteiro, de desenvolvimento de personagem, de diálogo expositório, de gramática, de lógica, de grafia, de consistência narrativa, de tudo — que caça-los (embora relativamente fácil devido quão comuns eles são) torna o exercício de ler o livro dez vezes mais divertido. Pra um cara mó chato com essas coisas como eu, é um inenarrável prazer.

Aliás, deixa eu esclarecer algo: gosto do maluco que escreveu o livro; ele foi super gente boa em vir até onde eu trabalho me dar uma cópia e bater um papo comigo. Apesar de maluco e meio egocêntrico, ele é um cara gente boa. E eu respeito o trampo de escrever E PUBLICAR um livro, tudo por conta própria.

Mas os intermináveis vacilos contidos pelo livro são sensacionais demais para deixar passar assim em branco, mano! Então, juro que abstraio o cara da obra dele. Não faço por maldade, não. O cara é gente boa, é inteligente, é claramente esforçado. Mas sua obra é uma galhofa literalmente do começo ao fim.

E, preciso enfatizar isso, o cara acha que tem habilidades paranormais. Ele realmente acredita, ou tentou me convencer de que acredita, que é capaz de invadir os sonhos alheios e o caralho.

Mas voltemos ao livro.

A premissa é a seguinte: o protagonista, um rapaz chamado Daemon Killiarc (que serve como um dos author avatars do livro), estudava Inglês na faculdade, e mudou pra Psicologia (?). Ao se formar, ele decide se matricular para o curso de mestrado de um enigmático professor Tristan Starling.

Ah, é, tem isso: todos os nomes dos personagens foram garimpados das minhas fichas de AD&D quando eu tinha 14 anos, aparentemente. O livro é contemporâneo (se passa no futuro próximo, 2018) e urbano; entretanto, o autor achou justo dar nomes de fantasia medieval a todos, literalmente todos os personagens, sem a menor justificativa pra isso. A namorada do personagem principal atende pelo quase impronunciável SERENITY DURGNARIST, o que é realmente incompreensível.

E, por que o autor provavelmente acha a coisa mais cool do mundo, o personagem principal e sua namorada se chamam pelas iniciais — que é algo que, sinceramente, nenhuma pessoa normal faz mas tudo bem. Ou seja, a Serenity chama o DaemonTools.exe de “D”, e este a chama de “S”. Lembrando que a pronúncia da letra em inglês é literalmente a mesma de “ASS”, ou BUNDA.

Logo no começo, o autor deixa claro que não entende lhufas de como o processo acadêmico ou o método científico funciona; o tal professor Starling essencialmente inventou uma teoria que literalmente ninguém no mundo entende, exceto ele mesmo. No entanto, tal “teoria” é aceita como uma ciência e vale como curso de mestrado.

Não sou um grande conhecedor do mundo acadêmico mas creio que o processo de estabelecer uma disciplina de mestrado e a certificação válida para ensina-la é algo mais complexo que “inventei isso aqui, nenhum de vocês jamais entenderá a parada, me dê um escritório com meu nome na porta e uma sala de aula”

Se ninguém entende a teoria dele, quem o certificou como analista de sonhos?” é uma das perguntas que o livro até agora não respondeu — ou se preocupou em responder em momento algum. É como dizer que eu escrevi um livro numa língua que apenas eu entendo, e mesmo assim o livro foi bem recebido, reconhecido pela crítica e ganhou o Prêmio Pulitzer. Tipo, o maluco é especialista em algo que ele mesmo criou e ninguém entende mais, mas que diabos é isso?

E se fosse qualquer faculdadezinha particular vagabunda, vá lá, mas não: é uma prestigiosa faculdade no Canadá.

Pois bem. O livro tenta pintar o tal Tristan Starling (pera, essa não é a cidade de Diablo, não…?) como um super badass mas só consegue fazer isso escrevendo cenas de massaveísmo — como sinalizar que encerrou uma conversa levantando a mão, de forma pomposa e evidentemente merecedora de um soco na cara. O autor imaginou que isso era uma coisa super cool, mas como é um gesto que ninguém no mundo real realmente faz, parece um exagero cartunesco.

O curso de Estudo de Sonhos é descrito pelo autor no começo do livro como um mestrado; entretanto, lá na frente o livro diz que o curso dura apenas um semestre.

Repetindo: ele vai explicar a teoria que literalmente ninguém no mundo entende além dele pra uma cambada de moleques de 20 e tantos anos em seis meses. A propósito, essa não é a primeira vez que ele ensina o curso. Ou seja, conclui-se então que a sala inteira reprova a matéria, sempre…?

Só que aí ele fala que ao terminar o curso DE SEIS MESES, você  deveria estar apto até para ensina-lo. Esta é a tal teoria incompreensível do personagem.

O livro é repleto dessas inconsistências.

A propósito, não sou lá o maior entendedor de processos acadêmicos, e de repente eu esteja até errado, mas eu tenho a impressão de que um mestrado deveria durar mais que uma temporada de The Big Bang Theory.

O livro é realmente um festival de maluquices. Temos inúmeras redundâncias: a expressão “merely just” é usada com frequência, e é equivalente a dizer “só apenas”. “Ele suspirou com seu fôlego” aparece algumas vezes, deixando claro que ele não suspirou com o cabelo ou o sapato. Uma personagem que foi descrita numa situação estressante recebe mais clarificações redundantes na forma de “ela se tremia toda, provavelmente por causa dos nervos”. O pacing do livro, ou seja, o ritmo em que a trama se desenrola, é completamente retardado — o protagonista aprende a ter sonhos lúcidos literalmente nas primeiras 20 páginas e o processo de aprendizado se resume, sem putaria, a recitar uma única frase antes de dormir:

“Seres humanos têm controle sobre tantos aspectos da sua vida, por que sonhos deveriam ser diferentes?”

(Antes que você me pergunte: sim, esse é o método que o autor prega ser usado para atingir lucidez em sonhos. Ele se orgulha bastante daquilo, contando pros outros com aquele ar de satisfação ímpar)

O livro é repleto de expressões idiomáticas inexistentes que soam ridículas; não sei se o cara está tentando forçar as próprias expressões no vernáculo popular, ou se ele apena as acha legal — o que acentuaria mais ainda o aspecto massa-véio da obra. E pra piorar tudo, o livro é completamente abarrotado das chamadas “run-on sentences“, frases sem pé nem cabeça, sem pontuação, que se arrastam por um parágrafo inteiro e são uma tortura pra ler. Há parágrafos, aliás, de uma página inteira — o que contribui ainda mais pra ritmo cagado do livro.

Dare to Dream é tão ridículo, tão inepto, e um wish fulfillment tão transparente do autor que chega a ser deprimente. Já estou sonhando (sem trocadilhos, vai) em assistir uma adaptação cinematográfica ipsis litteris da obra, porque eu penso que visualizar algumas dessas cenas seria a coisa mais absurdamente hilária do mundo.

Eu mal comecei a ler o livro e já tou achando-o o melhor livro do ano; infelizmente, por motivos contrários ao que o autor almejava. Recomendo a todos, se não houvesse apenas 120 cópias no mundo inteiro.

Ah, é: apesar de ter uma educação de nível superior, o autor não sabe o que “teoria” significa.

A propósito, o cara é formado em Inglês, como o protagonista (que surpresa). Isso que torna o livro ainda mais sensacional; é como ir na casa do seu amigo que é chef de cozinha do mais respeitado restaurante da cidade, e ele te servir miojo queimado com suco morno sem açucar e um livro ruim pra acompanhar a janta.

E ocultei o nome do cara porque eu conheço vocês, e sinceramente não quero vocês indo atazanar o coitado. O cara é gente boa, e tá pelo menos focando sua energia em criar algo. Não quero que alguém criativo e entusiasmado seja alvo da negatividade de estranhos. Tou resenhando a parada aqui puramente pelo aspecto técnico, não quero haterizar o indivíduo.

Mas uma coisa é inegável: ler o livro já é uma galhofa sem fim, ler o livro CONHECENDO O AUTOR é mais engraçado ainda — porque o protagonista é claramente a pessoa que o autor queria muito ser, ou acha que é.

No ano passado li um ebook (grátis!) que mudou a forma como vejo a profissionalismo na internet e a produção de conteúdo para a internet.

279 Days to Overnight Success, que seria em português algo como “279 dias para sucesso da noite para o dia”, é um livro para “bloggers, escritores, artistas online e qualquer tipo de pessoa com interesse em expandir sua carreira virtual”, conforme o autor anuncia na página do ebook. Gosto do paradoxo do título do livro, aliás — 279 dias para o sucesso da noite para o dia deixa claro que existem muitas “noites e dias” antes de se tornar bem sucedido.

Como o resto da obra do tal Chris Guillebeau, 279 Days…  fala sobre auto-melhoramento (um termo um pouco melhor que “auto-ajuda”, e com implicações que eu considero diferentes também) e, mais importante que isso, sobre desafiar o status quo e a forma “correta” de se fazer as coisas. Toda a obra do cara tem esse viés meio rebelde, de “vou fazer diferente mesmo e vamos ver no que dá”. Não chega a soar do contra simplesmente por ser do contra; ao contrário disso, o espírito aventureiro dele é carismático.

É o seguinte. No livro, o cara fala sobre criar uma comunidade ao redor de algum “produto” que você oferece para a internet. No meu caso, eu poderia ver estes produtos como meu site, meu canal no youtube e — por mais pomposo e arrogante que isso pareça — meu perfil no tuíter. Tudo aquilo a que pessoas que você não conhece prestem atenção, que visitem com frequência e que é produzido unicamente por você pode ser visto como um “produto”. Capturar atenção de um público fiel não é algo assim tão fácil.

Em seguida, ele fala sobre como se profissionalizar na produção desse conteúdo exclusivo. Ele critica os métodos tradicionais de monetização (propagandas no site), por causa de quão invasivos eles geralmente são no visual do seu site, e porque — e essa parte é mais vital — eles levam o seu público pra FORA do site que você construiu com tanto esmero.

Idealmente, ele prega, você deveria manter todo mundo DENTRO do seu site, consumindo seu “produto”, e estabelecendo um relacionamento com o leitor, em vez de mandando os valiosos acessos pra longe do seu material. Até porque, quando você se rende a um método de monetização via propagandas, inevitavelmente você se vê na saia justa de anunciar em seu site serviços ou produtos que você jamais usaria, que dirá então endossar.

E eu acho que faz bastante sentido. O problema é: como monetizar seu conteúdo (que atualmente é uma expressão vista com má vontade; prefiro “profissionalizar suas atividades”) sem propagandas, que até agora são praticamente o método onipresente?

E no livro ele responde essa pergunta com um método que você já viu aqui no HBD — por que não vender algo diretamente pro seu leitor? Afinal, você já tem oferecido a ele algo que ele gosta; algo que o faz retornar frequentemente ao seu espaço online.

E eu mesmo já consegui convencer centenas de leitores a comprar inúmeras coisas nas quais eu acredito — apps, livros, quadrinhos, gadgets, etc. Seria ironicamente trágico conseguir fechar tantas vendas de outros produtos, mas não conseguisse vender o meu próprio!

A teoria é que, pelo preço certo, sem dúvida uma fração da sua comunidade prestigiaria seu trabalho. E de repente, essa fração é tudo que você precisa para tornar-se (trazendo pro meu contexto) um escritor profissional.

Isso faz muito sentido. Nesse espírito, eu segui uma recomendação do autor, que é lançar seu primeiro produto (grátis) pra aprender sobre a produção e lançamento do negócio, e ver o impacto que ele terá na sua comunidade. Foi assim que surgiu o meu primeiro livro, aliás.

Em seguida, você pode então dizer “olhaí pessoal, vocês curtiram meu primeiro livro? Eis aqui o segundo, e custa esta mixaria aqui!

Desnecessário dizer que o 279 Days… mudou a forma como eu vejo meu público e meu trabalho na internet. O livro dá dicas de como desenvolver uma base de leitores, como promover seu conteúdo, como se relacionar com o seu público, esse tipo de coisa. Pra mim, a mensagem mais importante do livro é que eu já poderia ser um escritor, como sonhava desde moleque; eu só não havia percebido ainda (e estava gastando minha energia na direção errada). De certa forma, ainda aposto um pouco na tal “direção errada”, mas quem sabe meu novo livro não muda isso…?

Eu compreendo que algumas coisas que o cara ensina são bem mais fáceis pra alguém que já tem um público formado. Só que ninguém começa com 10 mil hits no site ou 50 mil inscritos num canal, né? Todo mundo começa igual: do zero.

E você não tem nada a perder por ler um livro grátis, né? Então, leia o livro do maluco! O livro é curtinho, você vai ler rapidim.

Desde molequinho sou um grande fã do Michael Crichton, que infelizmente morreu na véspera do meu aniversário em 2008 — a notícia saiu justamente no meu aniversário, imagina que merda.

O primeiro livro que li do homem foi Mundo Perdido, que meu pai trouxe de presente após uma viagem. Eu tinha uns 11 ou 12 anos, e acho que nunca havia lido um livro “sério” até então.

Não era um livro curtinho, muito menos pra crianças — tinha 458 páginas, e como scifi costuma ser, era complicado. Eu li o livro sem parar pelos próximos 4 ou 5 dias; quando digo “sem parar”, é porque realmente só parava quando estava tomando banho ou dormindo. Eu lia na escola, lia durante o almoço (pra total desgosto da minha mãe, que acreditava que isso ia estragar minha vista, ou minha digestão, ou ambos), lia enquanto ouvia Chaves no background.

Eu li o livro 3 ou 4 vezes nonstop, ou seja — logo após virar a última página, voltei pro início e comecei a ler de novo imediatamente.

Era assim que eu “desperdiçava” meu tempo antes da internet, lendo sem parar. Eu era um leitor voraz naqueles anos, um hábito que tento retornar agora com o meu ebook reader.

Enfim. Alguns anos mais tarde li uma matéria breve na Revista Superinteressante sobre um outro livro do Michael Crichton que virou filme: “Esfera”. A matéria falava muito pouco sobre o filme; apenas 3 ou 4 anos mais tarde finalmente o assisti. Eu estava em São Luís, no Maranhão; minha família acabara de se mudar pra lá. Lembro-me muito bem daqueles primeiros dias, enclausurado no hotel com meus irmãos, sem NADA pra fazer senão assistir TV a cabo.

Passei naquela época por aquele misto de tristeza por se mudar mais uma vez e deixar tudo para trás, com a empolgação da aventura que é conhecer um lugar novo e se acostumar com uma nova “casa”. Uma sensação que, infelizmente, eu encarei muitas vezes na minha vida. A propósito, era MUITO estranho ir pra escola do hotel, e voltar a ele no fim do período letivo.

Voltando à história. Numa dessas tardes tediosas no hotel com meus irmãos, vi na grade de programação da TV a cabo do hotel que Esfera passaria em breve. É incrível que quando você está muito entediado e/ou meio triste, coisas minúsculas melhoram seu humor de forma completamente imprevisíveis. Ao ver que um filme do meu autor favorito passaria já já (um filme sobre o qual eu tinha muita curiosidade mas nunca a oportunidade de assistir), me aprumei na cama, animadíssimo.

Eu gostei do filme. Apesar de ter sido fracasso de público e crítica, achei que foi uma adaptação decente do livro — algo que eu só fui descobrir uns 4 anos mais tarde, quando finalmente encontrei o livro pra vender.

Olha que coincidência curiosa: quando finalmente encontrei o livro, minha família estava novamente no meio de uma mudança — dessa vez para o Canadá. Mesma situação de não conhecer nada ou ninguém na nova cidade, aquele mesma sensação confusa de animação e depressão. Numa loja de livros usados, encontro todos os livros do Crichton que eu ainda não havia lido (em idioma original, que eu acho mais bacana — não por babaquice hipster, mas porque livro traduzido manda cada cagada às vezes…).

Entre eles, Esfera.

 

Caralho, que introdução imensa! Minhas professoras de redação detestariam este texto. Ao contrário do que você talvez imagine, durante quase toda minha carreira estudantil eu recebi notas baixas em redação. Os motivos variavam entre “fugiu muito do tema” e “não foque tanto em fazer frases engraçadas o tempo todo”.

Mas eu não ligava: a minha diversão era ficar “monitorando” a professora enquanto ela corrigia minha redação pra ver se ela soltava algum riso, a despeito da posição de seriedade que ela supostamente deveria manter no exercício da profissão. Pra mim, isso bastava — no final terceiro ano, quando eu já sabia que havia passado de ano de qualquer forma, minha única missão nas aulas de redação era fazer a professora rir.

Olha eu fugindo do tema de novo. ENTÃO, ESFERA PORRA.

Esfera conta a história de 3 cientistas chamados pela Marinha americana pra investigar a queda de uma espaçonave no meio do oceano Pacífico. O time foi montado pelo próprio protagonista, o psicólogo Norman Johnson, a pedido do gabinete de um ex-presidente americano. Tal ex-presidente era, na época do seu mandato, extremamente preocupado com a possibilidade de contato com extraterrestres. Por isso a administração contratou Norman pra bolar um protocolo pro possível contato com ETs.

Norman obviamente acha isso uma bela galhofa e faz o relatório meio nas coxas, sem levar nada daquilo a sério. O protocolo que ele bolou pedia a presença de um matemático, um astrofísico, e uma bióloga — especialistas necessárias pra compreender e se comunicar com a forma de vida alienígena. Ele indicou em seu relatório gente que ele mesmo conhecia, colegas de profissão e tal. Cientistas capacitados, mas o livro passa a impressão que foram as primeiras pessoas que ele viu em sua agenda de contatos. A coisa toda foi feito meio “na doida”, como se diz, Norman apenas interessado no dinheiro.

Agora imagina a surpresa do pobre coitado quando encontram uma nave espacial que aparentemente caiu no fundo do oceano Pacífico 300 anos atrás. Imediatamente a reação do protagonista, quando o generalzão lá da Marinha diz a ele que estão seguindo o protocolo à risca, é desespero. “Caralho, eu aceitei fazer essa parada só pra poder comprar minha casa…”, pensa o cara num momento do livro.

Quando finalmente conseguem entrar na nave, descobrem que ela é na verdade uma nave especial humana vinda do futuro, e que carrega uma misteriosa esfera metálica de origem aparentemente alienígena. Tal esfera começa a se manifestar de formas cada vez mais bizarras e rapidim a vida dos quatro personagens principal está em sérios apuros.

Esfera é muito diferente da maioria dos livros do Crichton. Quase todos são ficção científica clássica, com um tema recorrente de “alguém desenvolveu uma tecnologia mirabolante mas agora ela se voltou contra seus criadores”. Já Esfera tem base de sci fi, mas é mais voltado pro terror. Tem um quê de HP Lovecraft no meio, que é um tempero literário que eu adoro.

O livro é relativamente curto, tem um enredo interessante, um plot twist bacana (se você já viu o filme, já sabe qual é — embora no livro ele seja desenvolvido de forma melhor, como é de praxe) e o desfecho é exatamente o que tinha que ser. É um dos meus livros favoritos do Crichton, e recomendo com força.

Como alguns de vocês provavelmente sabem, apesar de ser ateu atualmente, nasci em lar profundamente religioso.

Frequentei escolas religiosas por boa parte da minha vida, e era doutrinado constantemente tanto com leituras bíblicas diárias em casa quanto com diversas idas semanais à igreja. Como se isso não fosse o bastante, havia todo um clima cultural familiar (e meu ponto de vista individual, também) que era extremamente cristão em relação em tudo.

Pra você ter uma noção da minha imersão no contexto sociocultural cristão, haviam três cultos por semana — os cultos de oração, na quarta feira, onde a congregação se reunia para todos fazerem pedidos simultaneos para Deus (aparentemente ele ouve melhor se vários pedirem a mesma coisa, não sei qual a lógica).

Na sexta feira rolaram o o culto de doutrina, onde estudávamos o dogma protestante. Esse era o meu favorito, porque como todo nerd eu gosto de estudar e discutir regrinhas. E no domingo rolava o culto “normal”.

E eu ia a todos eles. 

Lá pelos meus 15 ou 16 anos, comecei a fazer algumas perguntas que nem os líderes da igreja — sendo meu pai um deles — nem a própria leitura bíblica solucionava. Eis algumas delas:

  • Por que o Deus do antigo testamento é TÃO diferente daquele pregado por Jesus?
  • Por que o método de purificação espiritual requeria o barbárico sacrifício de um animal?
  • Por que Deus criou Lúcifer?
  • Por que Deus interagia TANTO com a humanidade no passado, e atualmente “sumiu”? 
  • Se Deus é onisciente, como pode existir livre arbítrio verdadeiro — como Ele sabe tudo, a realidade inteira é como um filme que ele já viu.
  • O que Deus realmente quer?
  • Por que a bíblia, sua suposta mensagem aos homens, é TÃO confusa a ponto de permitir dogmas completamente contrários entre segmentos diferentes do Cristianismo?
  • Por que um ser supremo e tão acima da nossa rasteira condição humana se importa TANTO com a nossa sexualidade?
  • Se Deus é bondoso e todo-poderoso, por que deveria existir o Mal? Nenhum malabarismo sofismático é capaz de me responder essa pergunta de maneira satisfatória, porque qualquer justificativa para a suposta “necessidade” da existência do Mal inviabiliza o Paraíso como um objetivo final. “Ué, mas no Céu não existirá Mal…? Você acabou de passar os últimos 5 minutos me explicando que o Mal é uma necessidade que Deus não pode simplesmente impedir…?”
  • Se a Bíblia foi traduzida tantas vezes (e de uma língua essencialmente morta), como é possível esperar que ela sirva como um manual literal de como levar a vida…? Eu já li muitos livros em português cujas versões originais eu fui ler posteriormente, e posso te dizer que não há como manter o significado literal original.

E essas são só as que eu pensei agora de cabeça. 

Justamente nesta época, achei este livro na biblioteca do meu pai:

 

A edição que meu pai tinha era justamente essa. A capa estilo scifi misterioso dos anos 70, a promessa da explicação sobre um suposto décimo-segundo planeta que invalida o que sabíamos sobre o sistema solar, e essa chamadinha abaixo do nome do livro me fisgaram a atenção como nenhum outro livro.

Levei-o à escola nos próximos 3 ou 4 dias, devorando as hipóteses do tal Zecharia Sitchin, cada virada de página trazendo um sorriso com tom de “caralho, isso faz bastaaaaante sentido…”

Para quem talvez ainda não tenha a menor idéia do que o livro se trata, resumirei com uma imagem:

 

Atualmente o assunto tá em voga por causa do programa deste ilustre maluco aí em cima, mas a idéia é velha. A hipótese dos deuses astronautas surgiu no século 19 como ferramenta de ficção científica, e nos anos 70 começou a ser encarada com níveis variados de “seriedade”. Erich Von Daniken popularizou a premissa com seu clássico (e fraudulentamente picareta) “Eram os Deuses Astronautas?“, e Zecharia Sitchin veio depois e injetou um pouquinho (mas não muito) de validação acadêmica à idéia.

Provavelmente eu nem preciso resumir a “teoria” — as aspas se devem ao fato de que esse negócio nem atinge os requisitos metodológicos pra ser uma teoria propriamente dita — , já que anda tão popular, mas lá vai: Zecharia Sitchin, que é um estudioso de artefatos arqueológicos e escritos religiosos, oferece a interpretação alternativa de que o culto que nossos antepassados prestavam a supostos deuses era na realidade uma espécie de cargo cult.

Para que você não tenha que clicar no link, um cargo cult é uma proto-religião que surge quando uma civilização avançada entra em contato com comunidades humanas com nível científico muito inferior.

É um fenômeno realmente fascinante. No Oceano Pacífico durante a Segunda Guerra, americanos e ingleses tavam montando bases em ilhinhas perdidas lá no meio da puta que pariu na esquina com a casa do caralho, pra poder jogar bombas nos japas de forma mais eficiente. Para que os nativos estivessem do seu lado e não enchessem o saco, os milicos davam uns remedinhos, comida industrializada, espelhinhos, aquele tipo de badulaques que europeus davam os nossos índios.

Quando os Aliados foram embora, os silvícolas sentiram falta da mamata, e bolaram uma solução interessante: se eles prestassem culto aos “deuses”, quem sabe eles voltariam. E sabe como eles prestavam tal culto?

 

Reproduzindo, com paus e o caralho, objetos usados pelas suas divindades. Os caras construiam aviões, pistas de pouso, headphones (daqueles que eles viam sendo usados por operadores de rádio), esse tipo de coisa. Alguns até emulam o comportamento e maneirismo dos soldados, tudo na esperança que se “igualar” aos deuses, na esperança de que isso os agrade e que eles assim retornem com os espelhinhos.

E esse é o argumento do Zecharia. Ele acreditava (e fazia argumentos convincentes) de que nossas civilizações antigas eram essencialmente cargo cults de ETs. 

Aí que entra meus dilemas espirituais. A reintepretação do Velho Testamento usando essa idéia de Deus = ET faz com que alguns trechos crípticos da bíblia façam MUITO mais sentido.

Eis um exemplo pra aguçar vossa curiosidade: a torre de Babel. Segundo a narrativa bíblica, os humanos queriam construir uma torre que chegasse ao céu, para “fazer um nome (célebre) para nós próprios”. Uma versão bíblia do “vamos construir a maior whatever do mundo e ficar famosos!”.

Deus se sentiu ameaçado por isso (vá entender por que; uma torre construída há 5 ou 6 mil anos atrás teria o que, 5 andares no MÁXIMO…?), desceu lá no canteiro de obras, instalou patch de duzentas línguas diferentes na cambada, e com isso pôs fim ao projeto, deu origem às línguas diferentes, e espalhou os seres humanos pelo planeta inteiro.

A história não faz o MENOR sentido, até que você avalie a coisa com outra ótica.

Segundo Sitchin, a história real é o seguinte: naquela época, os  humanos eram visitados constantemente por alienígenas em naves espaciais. Como nos cargo cults do Pacífico, aquela turma via as naves espaciais, achava-as bonitas, e faziam suas próprias reproduções delas. Os líderes tribais — tendo maiores recursos — construiam os melhores foguetinhos-fake, e adicionavam suas próprias efígies às estruturas. 

Sabe quando fotógrafo tira foto e mete a marca dágua em cima pra todo mundo saber quem fez a parada? Era mais ou menos isso — o que serve pra que você veja o quão retrógrado este lamentável hábito é.

Então, essas estátuas (e os próprios foguetes que elas simulavam) se chamavam “SHEM” na língua suméria. Como eles traziam a imagem do líder tribal, eles serviam como um símbolo da família dos caras — ou seja, viravam uma identidade visual da “fama” da família. Viravam o NOME CÉLEBRE deles.

Aí que vem a parada interessante. Quando o relato bíblico diz que os homens queriam construir uma torre imensa que desse um “nome famoso” pra eles (gerando a interpretação de que o ato era soberbo e por isso que ofendeu Deus), o termo usado é o tal SHEM. Por causa dessa tradução do termo, o subtexto da história inteira é que os homens eram arrogantes e queriam dar uma de gostosões.

O ponto de vista do Sitchin é que eles não estavam tentando construir não um “nome” pra si mesmos; isso é erro de tradução.

A idéia não era ficarem famosos por construir o maior prédio do mundo; o que eles estavam planejando construir é UM FOGUETE (SHEM) PRA CHEGAR AOS CÉUS E CONFRONTAR OS ALIENS — e fariam isso com ajuda do mesmo “deus” rebelde que contrariou os demais ETs salvando a humanidade do dilúvio descrito no Gênesis. 

(O que explica perfeitamente a esquizofrenia de um Deus solitário que decide simultaneamente destruir e salvar a humanidade do tal dilúvio: não era o mesmo Deus!) 

A propósito, o mesmo “deus” rebelde que salvou os homens do dilúvio teria desvirtuado a criação divina lá no começo. Isso mesmo: O tal salvador da pátria é Lucifre

O livro é recheado desse tipo de interpretação das escrituras. Embora eu sempre tenha me mantido mais ou menos cético sobre a hipótese de deus-ET (sou mais cético hoje; na época eu até aceitava um pouco mais a possibilidade), o livro serviu pra me mostrar que 1) não dá pra confiar nas traduções bíblicas, e 2) existem mil outras interpretações dos eventos bíblicos do que aqueles que dão a você na igreja.

O Décimo Segundo Planeta foi um ícone do meu ceticismo religioso por traz uma interpretação interessante (embora muito dúbia) dos relatos bíblicos. Recomendo fortemente!

RELAXE QUE AQUI NÃO TEM SPOILER.

Olha só: eu não gosto muito do Stephen King. O primeiro livro que li do cara, Dreamcatcher (acredito ter sido traduzido como “O Apanhador de Sonhos”, até virou filme homônimo), é uma verdadeira merda de cachorro com pneumonia. O filme então nem se fala. Por causa desta má experiência com o autor, desisti do cara.

Até que ouvi falar que ele havia escrito um livro de viagem no tempo — que é um dos meus temas favoritos de ficção. E o enredo de 11/22/63 é aliás uma idéia fixa que eu tenho há anos: e se você pudesse voltar no tempo e fosse obrigado a viver no passado, com todo o conhecimento do futuro que você tem?

Essa idéia me fisgou de cara.

O protagonista de 11/22/63 — já já explico esse nome — é Jacob “Jake” Epping, um professor de inglês divorciado. Ele mora numa cidadezinha americana irrelevante e dá aulas de supletivo pra adultos que nunca obtiveram seus diplomas de colegial.

Um dia, Jake é contatado pelo Al, que é um velho que tem um restaurantezim na cidade. Tal restaurante é famoso (ou talvez infame) por vender hamburgers num preço muito inferior ao que a carne deveria custar, o que gera a brincadeira ao redor na cidade que os icônicos Fatburgers seriam na realidade CATBURGERS.

Al pede que Jake venha à sua casa urgentemente. Ao chegar lá, Jake é surpreendido por um Al que aparenta ser muito mais velho que o Al que ele havia visto apenas dias antes, e todo fodido — 40 quilos mais magro, tossindo sangue e tal. E aí que a trama é exposta pro protagonista.

O velho descobriu há anos que existe um portal mágico/buraco de minhoca nos fundos da despensa do seu restaurante. Este portal o leva diretamente para a manhã de 9 de setembro de 1958, no local exato onde seu restaurante fica em 2011.

Inicialmente o velho explora a cidade um pouco, fala com seus habitantes, faz compras se aproveitando da baixíssima inflação e pegando souvenirs de 1958. Sempre que ele retorna ao presente, não importa quanto tempo ele tenha passado no passado (derp), apenas 2 minutos se passaram no presente.

Al passa a usar esse portal pra comprar carne baratíssima do açougueiro da cidade em 1958 — gerando aí a infâmia dos seus supostos hamburgers de gato de rua –, e ocasionalmente tira férias de meses dentro do portal. Como sempre que ele volta ao presente apenas dois minutos se passaram fora do portal, as possibilidades são muitas. E sempre que ele entra no portal de novo, é exatamente o mesmo dia: 9 de setembro de 1958, às 11:58 da manhã.

E sempre que ele entra no portal novamente, acontece um “reset” na linha do tempo. Por exemplo: se ele volta a 1958 e mata alguém lá, ao retornar a 2011 ele poderá fazer uma rápida pesquisa no google e ver os resultados de sua ação. Entretanto, se ele entrar no portal novamente, a morte do indivíduo é desfeita. “Cada viagem é um reset” é uma regra que o livro repete consistentemente.

Após brincar bastante com o portal (fazendo uma pequena fortuna comprando carne barata, tirando férias de vários meses mas retornando pro restaurante 2 minutos depois) Al então decide que ele deveria usar esta habilidade para impactar o mundo. E ele resolve impedir o assassinado de John F. Kennedy, que aconteceu em — adivinha! — 22 de novembro de 1963. Daí o nome do livro.

O problema da missão é que o portal leva o indivíduo pra 1958, o que significa que o viajante no tempo teria que viver alguns anos no passado esperando o momento certo de agir. E o outro problema é que, no meio da sua missão, Al foi diagnosticado com câncer — o que obrigou-o a voltar ao presente às pressas e contar toda a história pra alguém que pudesse começar a missão inteira de novo.

E aí entra o protagonista. O Jake adquire uma identidade falsa e se torna George Amberson, e vive na América do finalzinho dos anos 50 até chegar o momento fatídico do assassinato do JFK.

O livro é legal pra caralho. Primeiro, eu adoro o tema de viagem no tempo — e adoro mais ainda a idéia de alguém estar preso no passado, obrigado a viver anos lá, e ocasionalmente se aproveitando do conhecimento do “futuro”. Outra coisa legal é a exposição da vida norte-americana daquele período; é notável que o Stephen King pesquisou Americana (não, não a cidade no interior de SP. Clique aí) pra CARALHO pra descrever um enredo fidedigno.

E, como não podia faltar num livro do Stephen King, existem alguns mistérios intrigantes (alguns que só se revelam no final) e um senso de tensão e suspense absurdo.

Um dos mistérios por exemplo é o Yellow Card Man — um mendigo maltrapilho com um cartão amerelo no chapéu e que está sempre perto da saída do portal do tempo, e que sempre pede ao viajante a mesma coisa — um dólar pra comprar birita, se me lembro bem. Toda ia ao passado é um reset, ou seja, tudo acontecerá da mesma forma que sempre se o viajante não começar a fazer merda. Sempre que alguém volta ao passado, o Yellow Card Man se aproxima e pede uma grana.

Acontece que na primeira vez que o Jake volta no tempo — pra entender como a coisa funciona –, o Yellow Card Man agora é Orange Card Man. E ele se comporta diferente da maneira que se comportava quando Al passava pelo portal.

E na segunda vez que o Jake retorna ao passado, dessa vez pra cumprir a missão de fato, o cartão do cara está preto e ele se mata. Quem seria o sujeito? Por que ele se comportou diferente? Qual o sentido do que ele falou pro Jake?

Bom, tu vai ter que ler pra descobrir.

O livro é beeeem longo, talvez um pouco mais do que devia ser — mas a história vale a pena. A reviravolta no final e a explicação sobre o Yellow Card Man valeram a pena pra mim. O suspense do livro é na medida certa. O King conseguiu ilustrar bem os perigos que envolvem voltar no tempo — tanto no contexto ficcional, ou seja, os resultados inesperados para o espaço-tempo, quanto na questão de que você está se aventurando numa cultura e contextos completamente diferentes dos que você está acostumado.

Imagine-se voltando aos anos 60 no Brasil. Você estaria perdidaço, sem saber ao certo como agir em certas ocasiões e não compreendendo as gírias que as pessoas usam, né? Poisé. Essa sensação de peixe-fora-dágua do Jake foi bem argumentada.

O tema do livro me lembrou bastante a série Cavalo de Tróia do JJ Benitez, que começa com um major da Força Aérea Americana voltando aos tempos de Jesus para presenciar a crucificação. Mas isso é assunto pra outra resenha.

Dou 4 estrelas de 5 ao 11/22/63.

Dez anos escrevendo textos na internet (e uma vida inteira querendo ter meu nome na capa de um livro) finalmente atingem seu clímax. Em breve estarei lançando aqui no HBD o “Todo Dia Tem Uma Merda: As Aventuras de um Nerd Brasileiro no Canadá“. O livro é uma coletânea dos meus 11 melhores artigos.

Ainda não está absolutamente decidido se o livro será comercializado em versão física; ainda estou estudando essa possibilidade.

Querer eu quero, obviamente — até porque 60% de vocês falaram naquela pesquisa recente que comprariam tal livro. Não que eu esteja pensando em ficar rico (o que obviamente não acontecerá); é que seria legal poder dizer que vendi, sei lá, mil exemplares do meu primeiro livro.

O problema mesmo é a logística.

Não sei se o caminho será um serviço de auto-publicação “on demand”, do tipo que imprime e envia uma cópia a cada venda. Parece perfeito, mas o problema dessa alternativa é que me parece que a maioria destes sites exige conta bancária no Brasil, o que eu não tenho.

Ou talvez eu terei que oferecer o rabo a uma editora. Vai depender do “sucesso” deste ebook — e pra isso eu preciso que vocês espalhem essa porra entre todos os seus amigos. Não costumo pedir favores a vocês, mas dessa vez eu vou. Muitas pessoas sugeriram que eu entrasse em contato com o pessoal do Jovem Nerd, mas sinceramente acho que o livro (especialmente esse título!) seria rejeitado prontamente pelo selo Nerdbooks.

(De repente censurar o “merda” talvez não seja uma idéia tão terrível…)

E irei sem dúvida alguma imprimir algumas cópias nestes sites em que tu imprime os próprios livros. Não me contentarei em ter um ebook — pra poder me considerar um autor, precisa existir ao menos uma cópia física desde livro, e ela deverá habitar na minha estante.

É capaz de que eu imprima algumas cópias e as sorteie aqui no site (além de dar algumas cópias para familiares e amigos próximos), aliás.

Aguardem.

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