Eu estava passeando no stream do Twitch da @TaraBabcock (que recentemente deu RT num dos meus vídeos em inglês E me seguiu no meu twitter gringo! Eita porra irmão!) quando descobri Bring Me The Horizon.

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Calma, calma! Eu sei o que você vai dizer. Aliás, sei até a cara que você fez aí.

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E você tem uma certa razão. Com essa aparência de quem não tava nem vivo ainda quando as torres gêmeas cairam, e ainda por cima trazendo a estética emo de volta de 2007 onde a cultura popular a abandonou, é fácil de determinar logo de cara que é uma bandinha mequetrefe poucos graus acima de uma boy band mesmo.

Mas o som dos caras é legal. Juro! Ok, tem aquela pitadinha de teen angst Linkin Parkiana “ninguém me entendec grrrr” que eu sou PELO MENOS 10 anos velho demais pra ainda me identificar, mas o som mesmo é bem porrada.

Vamo começar com a música que está me fazendo desgastar o botão de replay do iTunes: Doomed.

Novamente: eu serei o primeiro a admitir que uma letra como “Cut off my wings and come lock me up/Just pull the plug yeah, I’ve had enough” é algo de envergonhar um sujeito com mais de 17 anos. Mas a melodia é bacana, mesclando o som tipicamente emo com uma pegada mais pesada/post grunge. 

Outra que habita essa região dicotômica de “emo que eu sou claramente muito velho pra estar curtindo mas com um som bacana, dá um desconto” é a faixa True Friends.

Consideravelmente menos emo (tanto na letra quanto na melodia) é a Happy Song:

Dá uma explorada no catálogo dos cara aí. É bem supimpa, esse álbum inteiro é bem bacana.

Embora esse retrocesso musical ao território emo pareça uma estranha imaturidade, o flipside disso é que há na real um sinal de amadurecimento em não se preocupar em projetar uma certa imagem em relação a música. No meu tempo de METALEIROZÃO, de ir pro shopping encontrar com os amigos vestido todo de preto com corrente na carteira e tal, tinha uns sons que eu tinha medo que descobrissem que eu gostava, porque havia toda aquela questão da imagem cuidadosamente arquitetada pra não perder ponto com os amiguinhos — ou pior ainda, ser taxado de “poser”. A ironia é que estavamo fazendo exatamente o que o termo condenava: fazendo pose.

Olha como a vida é interessante.

Sabe quando você olha pra suas playlists no iTunes/Winamp/Spotify e tá de saco de cheio de TUDO, ao ponto de que se pergunta se algum dia realmente gostou dessas músicas? Chega um ponto de que você não quer simplesmente músicas novas; você precisa explorar todo um novo gênero musical!

Eu estava assim há alguns dias, aí descobri o synthwave. Aliás, pra ser mais exato, eu já conhecia o synthwave, mas foi nessas semanas que eu entrei de cabeça no estilo.

Synthwave é um estilo eletrônico que relembra aquele pop cheio de sintetizadores que foi um marco musical dos anos 80. O universo é cíclico, e por causa disso esse gênero está de volta.

Estive passeando pelos redutos de synthwave na internet e capturei algumas boas músicas pra você experimentar aí.

Vamos começar com Droid Bishop

Droid Bishop é um o produtor americano autor de músicas entre as quais ainda não ouvi uma que não tenha gostado. Toda a obra do cara é muito boa, o que me deixa na posição difícil de ter que recomendar uma. Recomendo Vanisher, que tem uma pegada um pouco mais “upbeat”.

Nightland é muito boa também:

https://www.youtube.com/watch?v=_wQR-jgw7PI&ab_channel=LuigiDonatello

E como se isso não fosse o bastante, o stage name do cara é uma referência a Aliens. A++.

Logo em seguida temos…

Quase tudo do Vogel é excelente também, e Night City é possivelmente a minha favorita deles.

Uma incrível é The Uncanny Valley do Perturbator. Aliás, Perturbator é outro em que todas as músicas são excepcionais. É meio que um expoente desse estilo de música.

Outra sensacional é…

Conheci essa música em 2007 ou 2008. Até hoje eu ainda não enjoei dela, apesar de ouvir literalmente todo dia. Até hoje quero fazer uma vídeo-montagem de viagem com essa música de trilha sonora, porque acho que encaixa perfeitamente. A ponte da música tem um crescendo que encaixa muito bem nesse gênero.

Mudando um pouco a pegada, temos também…

Essa é um pouco mais sinistra, com trovões ecoando na distância. Me faz pensar em Blade Runner. Pra fechar, ofereço…

Anamanaguchi é uma das bandas de mais destaque no gênero, e Endless Fantasy é minha música favorita deles. É mais “alegre” que a maioria das músicas que ouço no estilo, mas tá valendo. O solo de sintetizador que sobe aos 2 minutos (e a forma como o resto dos arranjos harmonizam com ele) é muito excelente, é o que vem na minha cabeça quando penso em synthwave.

Aliás, se você quiser entrar mais nesse estilo de música, recomendo esta listinha aqui do Last.FM.

Os anos 90, onde habitam as nossas infâncias (nascidos em 1984 represent!), foram marcados por inúmeros fenômenos culturais — o boquete da Monica Lewinski. A primeira guerra no Iraque. Aqueles filminhos da Turma da Mônica. A nossa Copa mais vitoriosa.

E tivemos também uma leva de músicas que essencialmente MARCOU aquela época. E digo “marcou” no sentido mais definitivo mesmo, tal qual pincel atômico permanente numa parede branca recém pintada pelo seu pai. Músicas conseguem capturar perfeitamente o espírito de um período da nossa vida; ouvi-las anos mais tarde é basicamente uma mini-viagem no tempo.

Então, entre no meu Delorean musical e voltemos ao longíquo ano de Nosso Senhor mil novecentos e alguma coisa.

Te Levar, do Charlie Brown Junior

Tirando algumas bandas locais de forró, que realmente não contam, o Charlie Brown Junior foi a única banda brasileira que eu vi ao vivo. E essa música aí foi eternizada por seus anos como canção de abertura de Malhação, que começou como uma academia, virou escola mas manteve o nome relacionado a puxar ferro porque afinal de contas, fodam-se, that’s why.

Bitter Sweet Symphony, do Verve

Bitter Sweet Symphony, melhor conhecida como “aquela música lá que toca no final do filme Segundas Intenções, que eu assisti empolgadíssimo mas não tem nenhuma putaria”, foi um raro one hit wonder que literalmente arruinou a banda. O que acontece é que a banda foi processada pelos Rolling Stones, os reais autores da música, e isso supostamente levou os caras à falência.

Rhythm of the Night, do Corona

Este clássico incomparável dos anos 90, recentemente ressucitado através da infâmia do Rei do Camarote, deve ter sido catapultado para o estrelato no Brasil da mesma forma que 90% desses eurodances foi: empregado como tema de alguma novela.

Linger, do Cranberries

Essa aqui era A música típica pra anotar a tradução numa folha de caderno e entregar pra namoradinha — tradução esta inevitavelmente cheia de erros de concordância, gramática, e falsos cognatos, como toda tradução de música pra namorada era.

Tubthumping, do Chuparola (estou com preguiça de dar Ctrl C no nome dessa porra dessa banda).

A música foi trilha do World Cup 98, que é mais um motivo pelo qual o jogo é inferior ao FIFA 98 com seu inesquecível Song 2. Um remix porradíssimo dessa música tocou na primeira boate que eu fui na vida, marcou minha adolescência.

Torn, da Natalie Imbruglia

A Natalie Imbruglia sumiu completamente, né? Essa música é notável porque entra naquele rol de “músicas cover que ninguém sabe que é cover”. Isso rende um texto, aliás. Olha a versão original dela como é diferente.

I’m The Scatman, do Scatman John

https://www.youtube.com/watch?v=y6oXW_YiV6g

Essa é DELICIOSAMENTE anos 90, com aquele eurobeat safadíssimo de música de novela. Pra quem não manja, “scatman” não é porque o John era chegado numa escatologia (ou de repente ele era? Vai saber!), é uma referência ao estilo musical scat, nascido no jazz e atualmente sendo estragado pelo Jack Black, como basicamente qualquer outra coisa em que ele toca com a notável exceção do Tenacious D. Sério, o que diabos aquele corno estava fazendo no remake de King Kong? Garantindo que seria terrível?

Quais eu esqueci?

Não sei o que anda tocando nas rádios/mp3 sem fone de ouvido pelos ônibus do Brasil afora, mas historicamente o que toca aqui na América do Norte acaba sempre virando bem popular aí embaixo também. Então — no momento, a música número um das paradas é Thrift Shop, do Macklemore.

Thrift Shop“, caso o clipe não tenha deixado claro, é uma loja de usados que geralmente opera em prol de alguma caridade, como é o caso da Good Will — mais de 80% do que eles lucram é redirecionado para treinar pessoas com problemas mentais, ex-presidiários tentando começar de novo, esse tipo de coisa. Fazem um trabalho bacana.

Na música, o rapper tá glorificando o ato de fuçar uma thrift store procurando algo bacana (“…looking for a come up“; a expressão significa basicamente “tou atrás de me dar bem”. No contexto de uma loja de roupas usadas, tá procurando algo legal que custe pouco). Na música inteira ele meio que tenta tornar “cool” a idéia de se vestir com roupas usadas, compradas numa loja que tem como público alvo pessoas de renda baixíssima.

Eu, por exemplo, quando tinha acabado de chegar no Canadá — sem nenhum tostão no bolso — comprei muita coisa em lojas do tipo. Foi um tempo miserável da minha vida que causou efeitos que só fui notar muito tempo depois.

Em 2007, enquanto fuçava numa loja dessas (a Value Village) pra achar um terno barato que eu pudesse detonar para uma fantasia de Halloween…

E ficou foda, diz aí!

Essa aí.

…eu descobri que o típico detergente que eles usam pra limpar a loja (um bem barato, por motivos óbvios) se fixou pavlovianamente na minha cabeça, e ao sentir aquele cheiro de novo eu me tornei LITERALMENTE DEPRIMIDO por estar colocando os pés naquela loja mais uma vez.

Então. O interessante do Macklemore é que ele meio que vai contra a maré tradicional do rap/hip hop. Aliás, assim como 99% da população mundial eu desconheço a diferença entre rap e hip hop mas ao menos sou honesto sobre minha ignorância — uma característica não compartilhada pelos inúmeros que vão comentar aí embaixo tentando explicar as divergências entre os estilos, quer apostar quanto?

A questão é que o Macklemore é conhecido por ter uma mensagem com um pouco mais de substância, e meio subversiva ao status quo rapper. Em Same Love, o Macklemore critica homofobia, que é lugar comum no gênero e na internet:

If I was gay, I would think hip-hop hates me

Se eu fosse gay, acho que o hip hop me odiaria

Have you read the YouTube comments lately?

Cê andou lendo comentários do YouTube ultimamente?

“Man, that’s gay” gets dropped on the daily

“Cara, que gay” é usado o tempo todo

We become so numb to what we’re saying

A gente nem percebe o que anda falando

A culture founded from oppression

Uma cultura fundada de/baseada em opressão

(…)

Call each other faggots behind the keys of a message board

Nos chamamos de “viados” atrás de teclas em fóruns online

Em Thrift Shop, a crítica da vez é sobre a cultura consumista que, novamente, é bastante comum na cultura norte-americana em geral, e no gênero rapper em particular — com seus clipes mostrando Escalades com calotas rodopiantes, adereços de ouro e artistas jogando dinheiro pra cima — o famoso make it rain, ou “faz chover” –, como quem diz “pff, isso aqui é o troco do pão panóis”

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E infelizmente essa cultura de ostentização chegou na música popular da periferia brasileira

Em Thrift Shop, o Macklemore zoa malucos que pagam 50 dólares por uma camiseta, dizendo que foram tapeados por uma empresa.

They be like “Oh that Gucci, that’s hella tight”

E eles dizem “Caralho, Gucci, que foda”

I’m like “Yo, that’s fifty dollars for a t-shirt”

E eu digo “porra, 50 dólares por uma camiseta?!”

Limited edition, let’s do some simple addition

Edição limitada, vamos fazer umas continhas

Fifty dollars for a t-shirt, that’s just some ignorant bitch shit

50 dólares por uma camiseta, isso é coisa de nego ignorante, porra!

I call that getting swindled and pimped, shit

Chamo isso de ser enrolado e prostituido, porra!

I call that getting tricked by business

Chamo isso de ser tapeado por uma empresa

(Disclaimer: BUSINESS é, mais tradicionamente, “negócio”– só que na frase, a falta de artigo faz o BUSINESS tratar-se mais de uma entidade empresarial não-definida. Em outras palavras, tá sendo tapeado pelo capitalismo)

E mais na frente, ainda zoa o cara que pensa que vai azarar as gatinhas porque pagou caro nas roupas:

Trying to get girls from a brand?

Tentando pegar as minas por causa duma marca?

Man you hella won’t, man you hella won’t

Véi, tu nem vai. Nem vai mermo.

Acho isso foda porque, como mencionei, ele está vendendo essa música pra um público que está há décadas pensando que ser foda é jogar dinheiro fora em roupas de marca, ou literalmente jogar dinheiro fora “making it rain”. Não é uma imagem fácil pra essa galera digerir, e no entanto a música tá na liderança da Billboard já tem um tempo.

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Passou 6 semanas no número 1, e agora tá no número 2

Além do apelo humorístico da música e do clipe, penso que a mensagem central de “deixa de ser otário gastando dinheiro com essas roupas de marca aí” do Macklemore tenha sido ajudada pela atual crise financeira nos EUA. De repente, o sujeito que sempre idolatrou rappers esbanjadores (e agora mais que nunca sabe que seu estilo de vida é diametralmente oposto destes) ouve a música, vê o vídeo, olha pra própria carteira e pensa “quer saber? Esse maluco tá é certo mesmo”.

Rap/hip hop (tô ligado que você tá quase pra EXPLODIR de vontade de explicar a diferença. Vai, explicaí) não é minha praia, mas gosto da música do Macklemore simplesmente porque é um novidade bem vinda nesse cenário.

Por mais diferentes que sejamos (crente, ateu, índio, distribuidor da Herbalife, presidiário, corintiano),  todos nós temos uma coisa em comum: fizemos algo no passado que nos desabona.

Alguns fazem algo no PRESENTE que os desabona, aliás (desculpem-me amigos corintianos), mas neste momento me refiro sobre os erros do passado.

Eu, por exemplo, brincava naquelas máquinas de dança do shopping.

Jamais divulgarei a URL deste lamentável vídeo

Além disso, no meu histórico há o lamentável registro de que um dia, há muito tempo atrás, Linkin Park era minha banda favorita.

Eu minha defesa, estou aqui me referindo do longínquo ano de 2001 — o ano em que terminei o colegial, aguardava o resultado do vestibular da UFMA, não tinha porra nenhuma pra fazer a não ser baixar músicas no Napster e criar fichas de personagem de 3D&T de um programinha bacana que eu baixei do finado rpg.com.br.

Além disso, essa era a época em que eu começava a deixar pra trás a infância (há maior símbolo da infância que ir pra escola?) e dava meus primeiros passos em direção ao mundo adulto, com todos os sentimentos conflitantes que esse período invariavelmente traz.

Sabe como mofo requer certas condições específicas pra crescer (umidade, escuro, dona de casa preguiçosa)? Então, as condições estavam propícias para o crescimento do mofo musical que foi o Linkin Park.

Vi o finalzinho de um clipe da banda na MTV um dia, achei o som bastante diferente de tudo que eu já tinha ouvido, e corri pro Napster pra baixar tudo deles. Queimei um CD com as músicas do álbum e ouvia religiosamente na viagem pra faculdade.

Mais ou menos um ano mais tarde, eu estava completamente enjoado de Linkin Park — também pudera, as músicas soam muito parecidas — e extirpei o CD da banda do meu HD. Mesmo as novas tentativas da banda (incluindo aquele inexplicavelmente desnecessário segundo álbum, que era essencialmente o primeiro só que com mais efeitinhos eletrônicos — ou pior ainda, aquele lá com o Jay Z, mais inexplicável e desnecessário ainda) não me agradavam mais.

Aliás, todo o gênero new metal, do qual eu muito gostava, apenas me irrita hoje em dia.

Hoje, dez anos mais tarde, me bateu uma certa nostalgia daqueles tempos.  Resolvi baixar tudo da banda pra fazer uma mega retrospectiva. E aqui está:

1- Papercut (3:05)

Esta primeira canção do grupo — que era minha favorita aliás —  é um perfeito microcosmo deste primeiro álbum da banda. Tudo que define Linkin Park está lá: os efeitinhos eletrônicos que disfarçam o fato de que as músicas têm no mááááximo 5 acordes, o rap totalmente sem vergonha e, mais importante, aquilo que os gringos chamam de “teen angst”, ou “raiva adolescente” no nosso lindo idioma brasileiro.

“Why does it feel like night today?
Something in here’s not right today.”

Isso aí é a síntese perfeita da obra do Linkin Park. “Não me sinto muito bem hoje, o que significa que minha vida é uma maldição e existo apenas para sentir dor constantemente.”

Quando você tem lá seus 16 anos e pela primeira vez começa a questionar certas coisas como a religião que lhe é imposta, as regras paternas, etc e tal, dá pra se identificar. Hoje, pagando contas e mais contas, dá vontade de rir do que o Izzy Nobre de uma década atrás considerava “vida difícil”.

2- One Step Closer (2:36)

Esta é a música que virou o primeiro clipe da banda, aquele que eu assisti na MTV. O clipe é meio dragonbalzístico, com uns monges voando e dando piruetas e chutes e o caralho a quatro. Aliás, se juntássemos todos os AMVs de narutos que fizeram na época usando essa música como trilha sonora, saberíamos exatamente quanto tempo a juventude brasileira desperdiçou invés de obter nível superior.

Everything you say to me
Takes me one step closer to the edge
And I’m about to break
I need a little room to breathe

Merma merda. “Ai mãe para de me mandar arrumar meu quarto ou levar pra igreja, NÃO AGUENTO MAIS ESTA AGONIA E SOFRIMENTO”.

3- With You (3:23)

Essa é a musiquinha meio romântica deles, embora ainda caracteristicamente choraminguenta. Essa aí difere da maioria porque aquele rapperzim lá que geralmente  tem suas participações confinadas ao refrão carrega a canção como cantor titular, enquanto o Chester Bennington (que é o vocalista “oficial”) ocupa seu lugar nos refrões.

The sound of your voice
Painted on my memories
Even if you’re not with me
I’m with you

Nesta canção, os gênios líricos do Linkin Park parecem explorar outra faceta da adolescência que rende muita raivinha — desentendimentos amorosos. Esse refrão aí meio que ilustra a situação do sujeitinho que tomou um pé na bunda e ficará obcecado pela ex-namorada pelos próximos quatro anos, talvez construindo uma efígie da menina usando papel machê e mechas roubadas da escova de cabelo que ela deixou dando sopa na sala de aula.

4- Points of Authority (3:20)

Mais chororô adolescente que pode ser atribuído a um relacionamento infeliz, ou pressão familiar para que o garoto corte o cabelo ou leia a bíblia, ou ambos:

You love the way I look at you
While taking pleasure in the awful things you put me through
You take away if I give in
My life
My pride is broken

Neste momento você tem que lembrar que o público alvo da banda tinha lá seus 17 anos no máximo, e é engraçado o quão melodramáticos todos nós éramos naquela época. Hoje em dia uma desgraça pra mim é perder o emprego ou quebrar o carro num momento de aperto financeiro; isso sim fode sua vida.

Naquela época, o que nos acontecia de tão terrível? A mãe não deixava você ficar acordado pra assistir Tela Quente porque tinha aula na manhã seguinte…?

“My pride is broken” hahahaha meu deus,  como éramos idiotas. Meu amigo, até o dia em que você se ver subitamente desempregado e tiver que pedir ajuda pro irmão mais novo pra pagar o aluguel — algo que já me aconteceu –, você não sabe o que é ter orgulho quebrado. Cale a boca.

5- Crawling (3:29)

Acho que o refrão da música define perfeitamente o tom dela toda.

Crawling in my skin
These wounds they will not heal
Fear is how I fall
Confusing what is real

Meu irmão, isso é música daqueles malucos gringos que entram na escola com metralhadora dos pais e transformam os amigos em peneiras. “These wounds they will not heal” é uma parada tão tipicamente adolescente que me dá até dor de cabeça; é a expressão máxima aquela crença juvenil de que o que você está passando no momento é o pior sofrimento que alguém jamais passou e que você nunca se recuperará do trauma.

Colei apenas esse trecho por motivos de concisão; poderia colar qualquer parte da letra e o ponto seria o mesmo. A música é totalmente depressiva e auto-derrotista.

E esta música ganhou um Grammy. Pense nisso por alguns instantes.

6- Runaway (3:04)

Quando eu tinha 8 anos, fiquei com raiva da minha mãe porque ela desligou a TV bem no meio do Família Dinossauros pra me levar pra um churrasco de amigos chatos dela. Meu ódio foi tamanho que escrevi uma cartinha num pedaço de papel dizendo que iria fugir de casa, coloquei dentro de uma caixa de fósforo, e deixei na mesa da cozinha.

Decidido a abandonar a família, fiz uma trouxinha com revistinhas da Mônica, duas caixinhas de Toddy, minha camiseta favorita do Mickey e minhas canetinhas.

Essas aí

Fui até a esquina e voltei pra casa.

É pra esse tipo de gente que Linkin Park gravou Runaway.

I wanna run away
Never say goodbye
I wanna know the truth
Instead of wondering why

7- By Myself (3:10)

Neste ponto eu percebo que os próprios nomes das músicas já deixam perfeitamente claro o ponto que estou tentando fazer com esse texto. Bastava listar aqui as músicas e o que estou querendo dizer ficaria implícito — toda música do Linkin Park é o equivalente musical do anti-Prozac.

Vejamos o refrão:

I can’t hold on
To what I want when I’m stretched so thin
It’s all too much to take in
I can’t hold on
To anything watching everything spin
With thoughts of failure sinking in

Aliás, essa é outra música que fala sobre orgulho (“If I hide my pride and let it all go on then they’ll/Take from me ‘till everything is gone“). Se há algum moleque de 15-16 anos lendo esta merda de blog do qual até minha família deve ter vergonha, me explique aí nos comentários do que exatamente você tem orgulho. Com essa idade, nem bater punheta você deve saber direito.

8- In The End (3:36)

Vemos aí que a banda tenta parecer um pouquinho erudita, colocando um arranjozinho de piano extremamente bunda-suja no começo da música. Quão bunda-suja é tal arranjo, você me pergunta? Bom, quando a complexidade da sua peça permite que ela seja tocada com total fidelidade num Pense Bem, o termo “bunda-suja” é até bondoso.

Vamos ao refrão:

I tried so hard and got so far
But in the end it doesn’t even matter
I had to fall to lose it all
But in the end it doesn’t even matter

Puta que pariu. Há algum estudo a respeito da taxa de suicídios nos Estados Unidos nos meses seguintes ao lançamento de Hybrid Theory? Eu entendo que o público da banda são adolescentes perdedores que acreditam que não têm nada a perder na vida, tamanha é a insignificância de sua existência; precisa relembrar aos caras que no final das contas eles são tão importantes quanto sujeira de umbigo?

9-  A Place For My Head (3:05)

ESTA MÚSICA AQUI foi a que inspirou toda a idéia de resenhar o disco.

Tava lá eu no trabaio tranquilo na paz de Lúcifer quando meu celular começa a tocar esta canção. Além do tradicional mimimi adolescente que resume todas as músicas da banda, veio esta pérola shakesperiana:

I watch how the moon sits in the sky
On a dark night shining with the light from the sun
The sun doesn’t give light to the moon
Assuming the moon’s going to owe it one
It makes me think of how you act to me
You do favors and then rapidly
You just turn around and start asking me about
Things you want back from me

Este é o equivalente musical de alguém vomitando diretamente no meu ouvido. Veja que desgraçada é a analogia que o cara usa pra ilustrar o relacionamento com alguém que o ajuda e em seguida pede favores em troca — “o sol não ilumina a lua porque acha que a lua vai ficar devendo um favor a ele, mano!”.

Parece uma daquelas explicações indígena pros fenômenos naturais que regem o universo, exceto que sem o charme ou a falta de conhecimento científico pra justificar o disparate.

10- Forgotten (3:14)

O nome da música traduz-se como “Esquecido”. Mas que surpresa!

In the memory you’ll find me
Eyes burning up
The darkness holding me tightly
Until the sun rises up

Neste momento eu me dou conta que estou ouvindo um álbum inteiro do Linkin Park por causa de vocês. Eu te odeio, leitor do HBD.

11- Cure For The Itch (2:37)

Isso aqui não é uma música, é o resultado dos membros da banda finalmente falando “tá bom Mr Hahn, faz aí uma musiquinha que a gente põe no álbum”.

Se você queria um argumento pra proibir a participação de DJs em bandas musicais, estes dois minutos e trinta e sete segundos de Cure for the itch são perfeitamente eloquentes.

12- Pushing Me Away (3:11)

Com alívio chego ao final dessa tarefa desgraçada que foi ouvir um disco do Linkin Park do começo ao fim. Nesta música, a banda inverte os papéis e o protagonista da canção não é mais o coitadinho que levou pé na bunda, e sim o que dá o chute.

E, incrivelmente, a música consegue ser tão chiliquenta quanto todas as outras.

I’ve tried like you
To do everything you wanted too
This is the last time
I’ll take the blame for the sake of being with you

“Mimimi ai você me trata tão mal cansei sou mais eu!” Se você é alguém que se identifica com uma música derrotista destas, definitivamente você não é “mais eu”.

Cabou. Nunca mais resenharei um álbum na minha vida. Vou ouvir um Led Zeppelinzin pra exorcisar meus tímpanos. Arrupia aí, Page!

[youtube]

(Sim eu sei que a versão deles é cover, vá chupar uma piroca)

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