Não jogar Pokemon Go não faz de você um ser humano superior

nao jogar

Não podemos exatamente alegar surpresa, né?

Como toda outra onda popular, o sucesso de Pokemon Go resultou em uma penca de postagens mimimisticamente reacionárias ao sucesso do jogo. A propósito, podíamos despir o termo “reacionário” desse tom obrigatoriamente político que a palavra adquiriu nos últimos anos, por obséquio? “Reacionário” não é apenas quem vota no Aécio ou pede a saída da Dilma; reacionário é simplesmente qualquer pessoa que se opõe de forma bem enérgica a algo que geralmente representa uma mudança na ordem social das coisas.

Eu queria poder usar o termo sem ter que sempre dar esse disclaimer chato. Ajudem aí, por favor.

Então. Após o sucesso de Pokemon Go, surgiu em inúmeras pessoas o desejo irresistível de ser o contrariador diferentão hipster que só gosta de coisas rebuscadas (mas que por algum motivo ainda frequentam assiduamente justamente a porra do Facebook).

pika

Antes de Pokemon Go, ninguém andava por aí olhando pros celulares

Eu teria uma certa dificuldade em entender por que tanta gente criou uma antipatia gratuita contra o jogo, se eu já não estivesse acostumado com esse hábito que as pessoas tem de desdenhar as coisas à toa. Só que ainda assim, me parece um gasto de energia totalmente incompatível com a coisa da qual estão reclamando.

Se pusermos Pokemon Go na ponta do lápis, perceberemos o seguinte. É nada senão um joguinho gratuito que:

  • Está tornando as pessoas mais ativas, e sem qualquer gasto monetário ou as usuais promessas ilusórias da indústria fitness. É, possivelmente, o mais eficiente incentivo pras pessoas saírem por aí se exercitando. Vagabundo não levanta do sofá pra ficar menos gordo e quiçá pegar aquela amiguinha da faculdade, mas pra pegar um Bulbassauro maluco vai correndo até a cidade vizinha se for preciso;
  • Está ajudando crianças com deficiências psicológicas a se socializarem com suas famílias, como foi o caso aqui;
  • Está fazendo pessoas explorarem e apreciarem mais as suas próprias cidades, irem a locais que normalmente não iriam, e por consequência acabar movimentando a economia local;
  • Falando em economia, Pokemon Go está despertando um inesperado sentimento empreendedor. Estão pipocando por todo canto nano-empresários que servem à comunidade de jogadores, provendo amenidades, transporte, recarga de celular, entre outros. Considerando que somos de um país onde ser funcionário público concursado é um objetivo de vida nacional, eu considero esse surto de empreendedorismo muito bem vindo.

O joguinho que você acha “idiota” tá colocando comida na mesa de alguns

  • Está unindo pessoas de gerações diferentes num hobby em comum. Nessa atualidade hiperpolitizada que nos estratifica até dentro da própria família (quem aí não conhece um parente que se desentendeu com outro por causa de uma ideologia ou inclinação partidária?), é um pouco confortante até ver que existem algumas coisas que todos podemos apreciar juntos, sem precisar transformar o tempo todo em uma disputa política.
  • Está trazendo alívio a pessoas com saúde limitada, como pacientes de câncer em hospitais infantis. Debilitados e às vezes com poucas esperanças no horizonte, a pivetada se sente mais incluída e se distrai dessa desgraça inenarrável que é o câncer infantil brincando da mesma coisa que seus amigos saudáveis também estão — um luxo que eles raramente tem. E, novamente, sem custo adicional pra uma família que já está à beira de um colapso nervoso.

A rede pública de saúde da minha província espalhou esse cartaz em todos os hospitais aqui

Eu não consigo lembrar a última vez que um joguinho grátis de celular — algo totalmente inconsequente pra sua vida caso você não esteja interessado em participar, parece importante lembrar — teve tantos efeitos colaterais benéficos. Sim, existem histórias de retardado que bate o carro porque estava tentando pegar um Charmander e coisa assim, mas retardado dirigindo de forma imprudente não foi uma invenção de Pokemon Go.

Particularmente, eu não  gostei de Pokemon Go. Quase nada do que me atrai aos jogos da série está nessa versão pra celular; eu acho genial o incentivo de sair andando por aí, mas o processo de captura dos bicho é basicamente um joguinho de ficar passando o dedo na tela do celular.

E me sinto mal por isso. Vejo meus amigos curtindo pra caralho, comparando as capturas, planejando caminhadas pela cidade, apreciando um interesse em comum… e eu de fora.

Não consigo entender a mentalidade de se encher de prazer auto-congratulatório por ser excluído de algo. Não é possível que pagar de hipster do contra no Facebook seja tão bacana assim.

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Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

31 comments

  1. as vezes nós subestimamos a imbecilidade de algumas pessoas.
    Mensagem no grupo da família


    POKEMON GO -Saiba o que este jogo causará na sua vida e de seus filhos.

    Irmãos quero alertar a todos de um novo jogo que foi liberado no Brasil ontem dia 02/08, o Pokemon GO. Esse jogo trás uma temática de um desenho animado antigo para atrair muitas faixa-etarias. O jogo usa um ambiente virtual que está em paralelo com o mundo real. Vou explicar melhor para você entender. O jogo só podem ser baixado em aparelhos de tablets , celulares que tenham GPS e câmera. Então há muitos monstros (Pokemon -são monstros digitais) que foram espalhados pelo mundo. E quem tem um celular ou tablet poderar procurar com ajuda do GPS e câmeras e aprisiona-los no aparelho. Então com os MONSTROS poderão ir para centros de batalhas, agora pasmem: Os centros de batalhas são locais públicos como Shopping Center, praças e IGREJAS. isso mesmo IGREJAS.
    Esse jogo vai causar sérios danos a vida das crianças,pois acharão que há monstros por toda parte e muitos não conseguiram dormir. Um colega de trabalho mostrou uma foto que tirou com um pokemon que estava ao seu lado na sua casa.
    Estou alertando a você que tem filhos e são servos do Senhor que não permitam que o adversário entre na vida de seus filhos. Não ache que isso é mais uma tolice ,pois Deus tem testificado que isso é mais uma afronta para destruir os lares. Teremos filhos zumbis a procura desses monstros, mais conectados do que nunca. Examinem também outros jogos e aplicativos que seus filhos ou até mesmo você que está jogando.

    Que O Senhor conceda este livramento a todos os lares.

    A paz do Senhor Jesus!”

    1. Claro, ué. Se as crianças usarem seu tempo pra jogar Pokémon Go ficarão menos tempo sendo submetidas à lavagem cerebral e será uma porção de ovelhinhas a menos pra ordenhar quando crescerem. E aí como fica o carrão último tipo, o duplex, o motel de luxo pra levar a irmãzinha?

      Eu não vejo graça nenhuma em sair por aí catando bichos fictícios, mas não vou esnobar o povo que joga por isso. Afinal, desde quando o mundo gira ao redor do meu umbigo? Você não é obrigado(a) a jogar, amor, então por que ao invés de ficar dando chiliquinho com Pokémon Go você não vai procurar algo de que você goste pra fazer?

  2. Eu vi uma imagem mais ou menos assim no Facebook: “Vocês ai procurando bichos de mentira enquanto esses aqui (cachorros e gatos) continuam sem dono”. Mais de 100k de likes.

    Também vi um mini textão dizendo que o mundo está PERDIDO porque os adultos estão trocando de lugar com as crianças. Eu até achei que era zueira, infelizmente não era.

    1. No primeiro dia do lançamento, canis criaram campanhas pra que jogadores peguem animais e levem pra passear enquanto joga. A ideia é dar alguns minutos de liberdade e descanso pra eles, mas aconteceu de a maioria que passou por isso ser adotado.
      Nem essa imagem que vc viu é uma desculpa boa.

      1. Eu não aprovo essa tática. Se você vai passear com um cachorro, 100% de sua atenção deve ser dada AO CACHORRO. É outro ser vivo e precisa sim ser observado o tempo todo, e quem sai com eles na rua enquanto joga Pokémon Go está sendo no mínimo irresponsável.

        1. Ai eu já discordo de você nessa parte de dar 100% de atenção, eu já tinha uma cachorra antes do jogo sair, era uma voltinha no quarteirão e só pra ela fazer as necessidades, com o Pokémon GO eu a levo pra sair mais vezes e vamos mais longe, onde ela se diverte muito mais, obvio que vejo pra onde vamos e levo sacolas pra catar os dejetos dela, mas te garanto que ela está mais feliz. Outro ponto é a ação de adotar cães, qualquer ação que traga esse resultado é bem-vinda, e mesmo que não adotem, te garanto que pro cachorro que passou os últimos meses trancado num pequeno espaço dentro de um abrigo, dar uma voltinha e ter que voltar não é tão má ideia assim.

  3. Drogas também põe comida na mesa de muitas famílias, fazem as pessoas se socializar e trazem alívio e benefícios para vários tipos de doenças.
    Sendo assim, absolutamente TUDO nesse mundo existe os prós e os contras, até o crack deve ter seus prós.

      1. Mas a comparação é descabida. Coloque os pros e contras de Pokemon GO em uma balança imaginaria e veja para que lado vai pender. Faça o mesmo com as drogas. Entendeu?
        Agora vamos supor que Pokemon GO seja de fato um problema, coloque naquela mesma balança imaginaria o jogo de um lado e o narcotráfico do outro, aí vc verá que é como comparar o peso de um transatlântico com um barquinho de papel.

  4. Eu nunca gostei da franquia pokemon e posso dizer com toda a autoridade de quem nunca gostou disso que esse jogo é… genial!

    O problema e que pra algumas pessoas parece que o que elas não gostam não serve para ninguém.

  5. Isso é coisa de velho que colecionava figurinhas (ganhas no bate bafo) e o pai deles achou que o moleque deveria ir arar uma roça em vez de perder tempo com bobagem, e sentou a cinta até o moleque mudar de idéia. Agora já velho, essa ex-criança quer repassar o comprometimento com o trabalho pra próxima geração.

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