O bizarro dia em que fui citado por vários veículos de mídia por causa de Pokemon Go

Oi. Lembram de mim? Perdão pela ausência. Me esforçarei para que isso não aconteça novamente.

ENTÃO NÉ, Pokemon Go. A Nintendo finalmente falou “ahhh caralho vocês querem um Pokemon pra celular? Taí então, porra” e no processo alterou fundamentalmente a maneira como a sociedade ocidental funciona. Eu nem vou gastar muito tempo falando aqui sobre o número de bizarrices que o joguinho (que mal conta como um jogo, diga-se de passagem — eu considero mais um gastador de bateria/manchador de tela onde animações de pokemons tridimensionais aparecem às vezes) proporcionou. O que importa no momento é a bizarrice relacionada a Pokemon Go que eu protagonizei.

Pois bem. Vi passando na minha timeline um vídeo que você certamente deve ter visto por aí: uma turba ensandecida no Central Park atrás de um Vaporeon, que de acordo com meus informantes que são especialistas em Poke Mongo, sequer é um bicho raro então o fato de que pessoas estavam abandonando seus veículos no meio da rua pra não perder a oportunidade de ter uma animação deles no seu celular é meio inexplicável.

O vídeo havia sido uploadeado por uma conta chamada “AcessoGeek”. Fiz o que faço sempre que vejo algo interessante: copiei a URL e compartilhei no meu Twitter gringo, com um comentário em inglês. E deu nisso:

izzyn

(Alguns perguntaram por que eu não apenas dei RT do AcessoGeek lá no @MrNobre. Por dois motivos — um, porque eu não dou RT de conteúdo em português lá. E dois, porque eu não tinha a menor idéia de que alguém pensaria que eu filmei o vídeo)

Ao todo, deu mais de 40 mil RTs. Eu não tenho tantos seguidores assim no meu Twitter gringo, mas sou seguido por algumas personalidades do mundo geek americano — o Razorfist (um ácido e eloquente comentarista de jogos/filmes/notícias), o Barnacules Nerdgasm (um nerd envolvido com a comunidade de impressão 3D, jogos e gadgets em geral), a Tara Babcock (uma modelo gostosíssima, gente boa, e envolvida também com tudo relacionado a game, anime, essas coisas), o Mundant Matt (outro comentarista de cultura popular e notícias), o Ed the Sock (um fantoche criado por um apresentador/comediante canadense), o Jon Paula (um dos primeiros youtubers de destaque, presente no site desde 2007) entre outros.

Eu suponho que algum desses caras, que tem muito mais seguidores que eu, deu o RT “paciente zero”. Alguma outra celebridade que os segue deu também, e de repente atores de Hollywood, cantores, desenvolvedores de games e outras pessoas de renome estavam retuitando a parada.

Eu estava trabalhando quando isso aconteceu. Meu celular começou a vibrar com tanta frequência que eu pensei que alguém tinha vazado meu número na internet ou algo assim. Tive que desligar todas as notificações da minha conta em inglês.

E aí os veículos de notícia começaram a reportar a história. Se você jogar IZZY NOBRE VAPOREON no Google, verá inúmeras publicações mencionando meu tweet, como o Telegraph, o Daily Mail, o Mirror, o CNET, entre muitos outros.

Achievement unlocked: ser citado como podcaster e escritor pela mídia gringa! Pena que foi por algo besta: postar um vídeo qualquer que achei na internet

Uma coisa curiosa é que muitos acharam que eu tinha sido o autor do vídeo, embora nunca tenha sido minha intenção. Aparentemente, copiar a URL “pic.twitter” de um vídeo postado no Twitter (que é o método pra fazer o vídeo ser “embutido” na timeline pros seus seguidores) leva muitos a acharem que você fez o upload do vídeo. A única indicação que o vídeo não havia sido uploadeado por mim era o avatar do AcessoGeek embaixo do tweet, que aparentemente inúmeros veículos de jornalismo não notaram.

Mais curioso ainda é o fato de que os únicos sites que vieram a mim no Twitter perguntar se o vídeo era de minha autoria não eram os que vem à mente quando você pensa em “responsabilidade jornalística”. Vários sites naqueles moldes de clickbait besta estilo Buzzfeed vieram verificar a procedência do vídeo, enquanto jornais supostamente confiáveis apenas jogaram lá “…o vídeo, filmado pelo Izzy Nobre…”. Achei isso curioso.

Mas não posso culpar jornais por não entender como o Twitter funciona. Aparentemente, nem o Twitter entende.

Alguns dias depois do fuzuê de ser retuitado quarenta mil vezes, percebi que meu tweet havia sido removido. Olha o que aparece agora:

Eu fiquei surpreso. Por que o Twitter deletaria meu tweet…? Linkar um vídeo agora pode configurar como infração de copyright?! Corri pra ver o que tinha acontecido com o tweet do cara que realmente ripou o vídeo e postou no Twitter:

Fiquei sem entender. Por algum motivo, o cara que realmente uploadeou o vídeo — e, querendo ou não, infringiu o copyright de terceiros — teve apenas o vídeo bloqueado. Já eu fui penalizado com a remoção do tweet inteiro. Pra contextualizar, é como se alguém roubasse um vídeo da Kéfera, digamos, reuploadeasse no Twitter, e o Twitter punisse mais severamente quem compartilhou o link do que quem de fato “roubou” o conteúdo.

A única explicação pra essa inconsistência é que o Twitter, ao receber a reclamação, também pensou que eu tinha feito upload do vídeo. Não entendendo a própria plataforma, me castigou com a remoção da mensagem inteira.

O pior é que MUITOS realmente acharam que eu tinha feito upload da parada, o que sem dúvida seria algo questionável pra um criador de contéudo como eu. Pra tentar deixar evidente que eu apenas linkei o vídeo, tentei chamar atenção à diferença entre a sintaxe dos dois tweets. O do AcessoGeek é:

https://twitter.com/AcessoGEEK/status/754143454310109184/video/1

O meu é:

https://twitter.com/mrnobre/status/754144048529625088

O /video/ presente na URL deixa notável que trata-se de um tweet carregando mídia uploadeada no serviço de microblogging. O meu tweet (preservado aqui através do Wayback Machine, pra que ninguém possa me acusar de algum tipo de falcatrua) é apenas um tweet de texto, ou seja — obviamente eu não fiz upload de nada.

Eu nem culpo o dono do vídeo por derrubar meu tweet. Sem dúvida ele achou que eu havia simplesmente tomado posse do material dele, e qualquer um ficaria puto nessa situação.

Mas fica uma lição curiosa pro futuro — para o Twitter, por acidente ou deliberadamente, compartilhar um link de um vídeo pode configurar infração de copyright.

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comments

10 comments

  1. Teve uma vez que eu fiz uma parada ai, ai algum FDP postou no NeoGAF sem dar credito, e os jornalistas de sites tipo Kotaku tudo postaram a noticia que se fosse o usuario do NeoGAF que tivesse feito a parada.

    Jornalismo é palhaçada…

    1. Eu lembro disso. Se liga no horário, eu tinha literalmente acabado de acordar, só vi o cara perguntando se podia “usar meu tweet”, nem sabia direito o que era. Mais tarde, vários vieram pedir também, e eu neguei autoria do vídeo e expliquei que só achei por aí e linkei.

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