O que faço com meus gadgets? [ Parte 1 ]

GADGETS

Uma pergunta que me fazem constantemente nas redes sociais (além do tradicional “NOSSA IZZY VOCÊ DEIXA SUA MULHER SAIR SOZINHA? “, ou “TU TÁ SEMPRE ONLINE, NÃO DORME NÃO?, passando pelo “SUA ESPOSA SABE QUE VOCÊ FICA VENDO FOTO DE MULHER PELADA NA INTERNET???” ou ainda “COMO FAÇO PRA MORAR NO CANADÁ TAMBÉM?”) é “Izzy, você é um cara que curte brinquedinhos eletrônicos supérfluos. Conte-me o que você faz neles!“. E este é um excelente momento para abordar esse assunto, já que o outro texto que estou preparando está ficando longo demais.

Desde moleque eu fui fascinado pela idéia de aparelhos eletrônicos portáteis. Meu pai (que sempre trampou com TI) tinha lá nos idos de 1993 ou 1994 o primeiro notebook que vi ao vivo, sem ser num filme de ação com um personagem aleatório que era um hacker contratado pelos bandidos pra dizer coisas como “fiz um patch binário no módulo operacional do receptor catalítico do mainframe geosíncrono do FBI, estamos DENTRO!”.

tx1200

Se não era EXATAMENTE ESSE que ele tinha, era um muitíssimo parecido.

Eu já estava relativamente acostumado com os computadores que pintavam lá em casa, mas ESSE atraiu minha atenção por um motivo simples — com ele, meu pai podia trabalhar do sofá enquanto assistia TV (um luxo que, em retrospecto, ele fez bem pouco uso). E quando ele precisava viajar, fechava a “tampa” do computador e o levava com ele. Minha irmã, que na época tinha seus 4 ou 5 anos, chamava o notebook de “computazinho”.

Desde aquela época eu fiquei obcecado por computadores com formato portátil. Todo e qualquer filme, seriado ou desenho animado que tivesse algo assim atraia minha atençao, seja o relógio-comunicador dos Powers Rangers ou o livro-notebook da Penny, a sobrinha do Inspetor buginganga. Eu sempre sonhei em ter algo assim.

Quando moleque eu gostava muito de escrever, mas o máximo que eu tinha em meu alcance em matéria de tecnologia portátil de produtividade era um bloquinho de anotações com um pequeno lápis enfiado na espiral, que eu carregava pra todo canto (até invariavelmente perde-lo dentro de poucos dias. Ambos o bloquinho E o lápis.)

A foto tá meio bosta mas é a melhorzinha que eu achei de um modelo similar ao que eu tinha.

Meu sonho foi realizado quando ganhei, SEI LÁ COMO, uma agenda eletrônica similar a essa acima — a minha era cinza, no entanto. Eu realmente não sei COMO aquela porra veio parar em minha posse porque certamente não ganhei dos meus pais, de não consigo lembrar também de ter comprado a agenda com meu próprio dinheiro. Será possível que ROUBEI essa merda e apaguei a lembrança?!

(Tou com a impressão de que foi um presente de segunda mão de um tio nerd que havia upgradeado pra uma agenda mais sofisticada mas também não consigo lembrar de detalhes o suficiente pra corroborar essa versão. Vamos supor que eu roubei na Mesbla mesmo)

Tive essa agenda por volta de 1998 ou 1999. Era sensacional — eu podia gravar números de telefone, endereços, e até mesmo anotações curtas, minha feature favorita. Como sempre gostei de escrever, a primeira coisa que fiz com a agenda foi escrever uma pequena historinha. A segunda coisa que fiz foi me decepcionar com a limitação de 3 linhas para anotações, o que serviria pra um tweet excelente mas restringia demais meu espírito mais narrativo.

Não era todo moleque que tinha essas agendinhas eletrônicas na minha época, então eu me sentia O TONY STARK DO COLÉGIO.

A agenda eletrônica morreria alguns anos mais tarde, num trágico incidente em que me pegaram de surpresa num churrasco da galera e me jogaram na piscina com roupa e tudo. A onipresença dos aparelhos celulares ainda não havia sido inventada naquela época, o que nos permitia esse tipo de zoação com amigos.

Ouço falar que a adaptação evolucionária da brincadeira para os dias modernos é chegar no seu broder e falar “mano, cê tá de celular novo? Deixa eu ver aí!”, e quando ele te entrega o aparelho, os outros amigos chegam voando igual equipe da SWAT pra atirar o infeliz na água.

Tive também um desses: 

Meu pai usava um desses pagers na época pré-celular. Aliás, no finzinho dos anos 80 ele usava um modelo ainda mais paleolítico, do tamanho de um tijolo e que mostrava apenas um número de telefônico pra você ligar de volta. Quando o trampo dele fez upgrade pra celulares, o uso do pager foi descontinuado mas o aparelho continuava funcionando por mais um ano, por conta das condições de contrato que a empresa havia assinado. Os troços já eram tão antiquados nessa época que a empresa sequer pediu os aparelhos de volta, então em vez de deixa-lo pegando mofo na gaveta do escritório, meu pai me presenteou com esse pager.

Meu uso mais infame do aparelho foi colar numa prova final de química do 1o ano do ensino médio. Sempre fui péssimo em química (até descobrir, já adulto, que precisava disso pra minha carreira acadêmica, aí corri atrás do prejuízo. Obrigado, Khan Academy!)

Tive também o fabuloso Casio DSC-62. Você não conhece o nome, mas CERTAMENTE lembra do que era:

dsc 62

Ganhei esse relógio do meu pai lá nos idos de 1998. Foi o relógio que o vi usando durante toda a minha infância; um dia ele ganhou um relógio melhor e, sabendo da admiração que eu tinha pelo aparelho, me deu. Eu achava a coisa mais sensacional do MUNDO ter uma calculadora/telefone dos amiguinhos no pulso.

Esse tipo de relógio se tornou rapidamente visto como “coisa de nerd” na época em que isso não era cool, mas eu não manjava o suficiente das coisas pra saber disso, e sinceramente se soubesse continuaria usando. Era um relógio foda. Eu me sentia o próprio Dick Tracy com essa parada no pulso. Através desse relógio, aprendi os nomes dos dias da semana em inglês.

O relógio me deu adeus numa manhã em 1998. Voltando da recuperação no colégio, fui parado por um rapaz que me perguntou as horas. Olhei para baixo pra verificar o relógio, e quando olhei pra cima novamente estava cercado por dois malandros escondendo o que parecia ser uma faca por baixo da camisa. Levaram meus sapatos, camisa, e o relógio-calculadora que eu tanto gostava.

Vou omitir dessa lista aparelhos como meu primeiro celular ou primeiro computador/notebook porque eles foram mais utilitários do que “nooooossa que foda esse gadget“; não rolou o mesmo apego emocional. Não mencionei também minha longa história de amor com PDA da Palm porque esse merece um post separado, embora eu já tenha falado um pouco deles neste outro artigo.

(Aliás, esse outro texto preenche bastante lacunas deste aqui. Recomendo muito a leitura se você também cresceu cobiçando brinquedinhos eletrônicos)

Agora que você já entende melhor meu contexto histórico com aparelhos portáteis tecnológicos, amanhã te falarei sobre os que uso atualmente — pra ser mais específico, para que os uso.

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comments

6 comments

  1. Não tenho nada relevante pra comentar ,porem quero “gravar meu nome na historia” (do hbd pelo menos)ADORE TEU BLOG MANOOOO.

  2. Izzy já demora oito encarnações pra fazer um post, se começar a picotar em partes vai ser pior q a saga da suspensão.
    Nem Jesus sabe quantas vezes eu dei F5 a cada dia em busca da continuação

  3. Fala Izzy, cara muito bacana seu trabalho, porem acabei chegando um pouco tarde por aqui. Fiquei conhecendo seu trabalho no youtube através do video me magic que vc fez, CAARAAA EU SOU VICIADO NESSA PARADA kkkkk, se possível poderia bolar uma materia novamente sobre o assunto, falar um pouco sobre qual formato vc joga, os decks que vc usa, sua coleção, e se possível gravar algumas partidas pra gente ver.
    Parabéns pelo trabalho e sempre que possível eu passo por aqui.
    ABS.

  4. A parte mais tocante do texto foi sem dúvida:

    “Olhei para baixo pra verificar o relógio, e quando olhei pra cima novamente estava cercado por dois malandros escondendo o que parecia ser uma faca por baixo da camisa. Me estupraram, levaram meus sapatos, camisa, e o relógio-calculadora que eu tanto gostava.”

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