Por que O MELHOR PODCAST DO BRASIL atrasa?

Eu preciso ter uma conversa com vocês.

MELHOR PODCAST DO BRASIL novo logo

Hoje o Evandro, vulgo “Das Fritas”, me mandou o link pra um tópico de discussão num grupo de ouvintes do 99Vidas que, embora eu tenha demorado um tantinho a entender, me fez rir bastante quando a ficha finalmente caiu. Se liga neste galhofeiro:

atraso

Ocultei o nome porque, sei lá né.

Caso você seja burro igual eu, o que o OP quis dizer que enquanto no 99Vidas uma semana tem a duração de 7 dias, no MPB uma semana pode durar até 14 dias.

Que é basicamente uma forma cifrada de perguntar “CADÊ O PODCAST, FILHO DA PUTA?”

Como falei, quando a ficha caiu, comecei a rir.

Eu entendo perfeitamente a frustação do ouvinte. Como consumidor de mídia online como você, também dói na minha alma quando uma produção que eu curto atrasa. Eu ia explicar no Twitter, mas achei mais válido comunicar aqui com vocês.

Primeiro de tudo: não pensem que um atraso no MPB significa desinteresse no projeto. De tudo que eu faço na internet — blog, vlog, livros, streams de videogame no Twitch, participação em redes sociais –, acho que podcast é o que eu mais gosto, porque eu consumo podcasts diariamente, obsessivamente. Por causa disso, eu me identifico totalmente com você, ouvinte frustrado do MPB.

O que realmente acontece é que eu tenho pouquíssimo tempo nessa vida. Estou tentando continuamente otimizar a forma como gasto meu tempo, pensando justamente em produzir conteúdo de forma assídua, mas não sou o Superman e não posso fazer voar ao redor do planeta pra inverter a passagem do tempo. Estou ainda sujeito às mesmas 24 horas das quais todos somos reféns.

O MPB, apesar de ser um projeto que eu tenho adorado e me orgulho muito de ver o quão bem recebido está sendo, acaba inevitavelmente ficando em último lugar de “prioridade” por um motivo simples — não é uma atividade remunerada. Tudo que eu faço na internet colabora pra minha renda doméstica (uma equação mais importante no momento, visto que minha esposa largou o emprego pra estudar), exceto o MPB. Aliás, o MPB me CUSTA dinheiro.

Ou seja, eu gasto 16 dólares por mês mantendo o podcast no ar. Não quero que isto aqui seja interpretado como frescuragem e choraminguice, quero que fique compreendido que apesar de apostar MUITO no MPB como projeto, de entender perfeitamente como um podcastmaníaco se decepciona com um atraso de um programa, a falta de tempo endêmica nessa minha vida maldita coloca o MPB numa posição miserável de prioridade.

Aliás, uma coisa que eu nunca entro em detalhes no vlog ou aqui no HBD é o preço que esse estilo de vida tem nas minhas relações com a família. Não quero me estender nisso porque estaria expondo muito da minha privacidade familiar, mas apenas acreditem em mim quando eu digo que sacrifico MUITO por tudo que faço na internet. Já tive que tomar decisões em matéria do uso do meu tempo que, embora sejam a decisão “certa” do ponto de vista business, foram escolhas difíceis de tomar.

Se você vê o quanto eu produzo, quanto tempo eu passo nas redes sociais, você talvez já devia desconfiar.

Mas eu estou bolando soluções.

A primeira é um subproduto do atraso dessa semana, mas que acabou sendo algo POSITIVO pro ritmo de produção. Pulando uma semana e deixando pra domingo o episódio que já tenho aqui na mão, estamos trabalhando agora com uma semana de adiantamento. Isso é, a próxima vez que fomos gravar, estaremos gravando pra edição de daqui duas semanas. Isso me dá um tempão pra gravar e editar o próximo episódio, o que alivia BASTANTE a minha agenda. Quando percebi isso, informei o Evandro sobre essa mudança de cronograma e respirei aliviado. Minha esposa também.

A segunda é que estou trabalhando pra transformar o podcast num produto comercial. E sim, eu estou ciente que na cultura brasileira, obter remuneração — especialmente por trabalho digital — é visto por muitos como falha de caráter ou algo assim. Não entendo exatamente por que, mas penso que possa ter alguma correlação com o fato de que no Brasil,  “sucesso” é mais tradicionalmente visto como trabalhar como concursado no setor estatal; segurança trabalhística é culturalmente vista como superior ao risco do empreendimento liberal. Sei lá.

Enfim. A questão é que a longevidade do programa depende de render retorno aos participantes. Existem duas formas de fazer isso.

  1. A boa e velha publicidade. Fechar acordos com marcas que eu sinta que batem com a proposta do programa, pra uma propaganda que seja tão bem humorada como o resto do programa. Sabe aquele podcast em que a propaganda foge tanto do tom a que você tá acostumado no programa que você acaba pulando com desgosto? Meu foco é que a publicidade no MPB não seja assim. Em vez de um mercenarismo forçado, quero que a publicidade no podcast tenha a atmosfera de um produto bacana sendo recomendado por aqueles seus amigos divertidos. Se for preciso zoar o próprio produto, espero que a marca esteja disposta a isso, porque queremos manter o tom do programa a qualquer custo.
  2. Programas pagos. Esse é mais difícil de vender pro público brasileiro, mas hear me out.

Seguindo os moldes do The Biggest Problem in the Universe, um podcast excelente feito por um cara cujo trabalho na web eu acompanho há muitíssimo tempo, pensei em fazer um programa mensal bônus que seria pago. O valor seria de US$2 — odeio ter que usar valor em dólar, mas os sites que fazem esse serviço de vendas são tudo gringo, fazer o que? Basicamente, o comprador estaria nos recompensando por um mês de entretenimento, e recebendo um podcast extra como agradecimento. Manjou a premissa?

O ouvinte que não quer ou não pode contribuir pra continuação do MPB continua ouvindo o podcast que sempre ouviu; aquele que esteja disposto a nos ajudar recebe uma hora a mais de entretenimento como quem diz “valeu aí, broder. Deus lhe pague“.

O progRama bônus não é pra agora, aliás. Queremos gravar mais alguns episódios, trabalhar mais a química, melhorar na parte técnica, e especialmente fixar uma boa grade de produção pra que esses atrasos sejam vistos como nada senão bugs de uma versão 1.0 do programa.

Então é isso. O MPB não tá acabando, eu e o Evandro não estamos perdendo interesse nem coisa do tipo. O programa atrasou duas vezes por questões meramente logísticas/cronológicas, mas estamos trabalhando com urgência pra sanar o problema, e os ouvintes poderão até nos dar uma força se acreditam e apreciam na qualidade do trabalho. E não estamos pedindo dinheiro como mendigagem — a idéia é te dar um pouco a mais em troca do seu dinheiro suado.

E é isso. Obrigado por sua audiência e a propaganda que vocês fazem do programa pros amigos. Guentaí que o MPB 7 tá vindo, e modéstia a parte, acho que esse ficou MUITO bom!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe sua opinião aí. Você não tá fazendo nada mesmo!

comments

13 comments

    1. Eu estudei a opção de Patreon, mas não é totalmente sustentável a longo prazo pra algo como podcast. Pelo menos, não a meu ver; pensei que esse modelo de “apóie nosso programa comprando o episódio bônus” funcionasse melhor/fosse mais duradouro. Vou estudar um pouco mais.

      1. Izzy,

        Pensei aqui rapidamente e eis a minha ideia:

        Vocês continuam distribuindo o podcast em áudio para o pessoal e aqueles que pagarem por conteúdo extra, terão acesso ao vídeo de vocês falando no podcast.

        O que veio à minha mente foi o estilo da jovem pan, que é um programa de rádio, mas o pessoal pode ver eles falando ao vivo.

        Não sei se daria muito trabalho para editar esses vídeos, mas espero ter ajudado de alguma forma.

  1. Acho válida a alternativa do pagamento pelo episódio bônus. Faço parte dos 28% que votaram sim na enquete do twitter. Assim como gosto de receber pelo meu trabalho na empresa, acho justo que quem realiza o meu entretenimento tb receba algo. Além do MBP acho que você tb poderia monetizar vídeos como por exemplo o “que diabo é isso”. Já vi no Bandcamp um podcast curtinho sobre cinema que ele é grátis mas se a pessoa quiser pagar ela pode doar com um valor mínimo estipulado pelo criador.

  2. Ae Izzy, desculpe a repetição, mas eu realmente quis deixar num canto que vc lesse. Talvez eu so devesse ter escrito aqui, vacilei, desculpe.

    Eu acho que você esta sendo meio míope na questão do MPB. Vou tomar por base a divisão do seu tempo feita no seu próprio vídeo de como você divide seu tempo e tentar argumentar contigo, mesmo sabendo que provavelmente você será o único que não lera isso.

    Primeiro: Se o MPB esta indo bem, é por conta do HBD e do 99 vidas, que lhe deram um publico inicial grande, experiência em falar num podcast e um parceiro igualmente experiente. Ambos têm suas fontes de renda, das quais, creio eu, você é beneficiado, então, o MPB lhe rende dinheiro sim, mesmo que de forma indireta. Ele é apenas um conteúdo novo e mais complexo.

    Segundo: Você esta gastando 3 horas do seu dia escrevendo vários livros, coisas que originalmente eram conteúdo prioritário do seu blog. Inicialmente eu pensei “seu cretino, ta traindo seu publico original!”, mas depois me lembrei que as views do seu blog vem caindo, você mesmo já disse isso em textos, vídeos e no twitter, e que a métrica de pessoas que tem interesse em ler textos grandes não é a mesma, então faz sentido transformar isso num livro ao invés de apenas jogar no blog. Porem, gastar 3 horas do dia nisso ao invés de em conteúdos pros seus patronos/patrões (eu continuo considerando que o MPB faz parte desse conteúdo) é meio errado e falta de planejamento.

    Terceiro: Você sacrifica muito da sua vida pessoa com esses projetos, mas você gasta 10 horas da sua vida com um emprego fixo. A maioria das pessoas lutaria para abandona-lo, enquanto você mais de uma vez afirmou que não quer abandona ele, que o site, o canal e tudo mais que é o secundário, que você não quer viver de internet. Então, talvez você devesse tentar reduzir o tempo que você trabalha no seu emprego fixo (como já fez antes) para liberar tempo para família, saúde, projetos e afins. Sei que a alta do dolar deve ter afetado de forma cruel o seu rendimento com patreon, que a Bebba saiu do emprego para estudar, mas isso então é motivo para você se desdobrar, não lapsar e dizer “foi mal ae galera, andei ocupado, mas não esqueci de vocês”. Se a Bebba não esta trabalhando, ela poderia gravar mais “Bebba lê a internet” ou outros vídeos que vc sempre disse que davam views. Se você não gosta de expô-la, ai é questão de se descobrir. Talvez vender Mary Kay no hospital xD (Isso foi so zoeira, sei que você considera como pirâmide)

    Eu gosto muito do seu conteúdo, sei que não tenho o direito de vir escrever textão nos comentários do seu site, cagando regra de “ah, você deveria fazer isso e não fazer aquilo”, mas tente pegar alguma sugestão útil dai, e desculpa se fui um idiota babaca escroto mais uma vez mano. Continue com o bom trabalho, espero que algum dia você consiga voltar a jogar na cara do jovem nerd que tem vídeo todo dia.

    1. >Ambos têm suas fontes de renda, das quais, creio eu, você é beneficiado, então, o MPB lhe rende dinheiro sim, mesmo que de forma indireta

      Não é exatamente assim que o mundo funciona, cara. A hora trabalhada do MPB não me rende nada, pelo contrário. Ganhar pelo 99Vidas não tem absolutamente nada a ver com o MPB, não entendo nem exatamente que ponto você quis fazer. Se eu deixar de fazer o MPB HOJE meu rendimento graças ao 99Vidas não mudará em absolutamente nada.

    2. Prometeu? fu***, vai ter cobrança. Se não tem tempo, melhor não decolar o projeto. Tem zilhões de coisas bacanas que todas as pessoas querem fazer mas não dá tempo, mesmo com planejamento e sacrifício. Lamentava muito quanto você não participava do 99Vidas, daí se era oneroso participar de um podcast, imagine fazer e editar o próprio programa? Como teus amigos de bolso, queremos sempre e sempre tê-lo conosco.

  3. Izzy, o Podcast We Have Concerns, o qual recomendo fortemente a todos, tem um formato semelhante ao seu (só um pouco mais sério) eles usam o Patreon, com benefícios como episódios lançados mais cedo, episódio bônus, versão em vídeo etc. Da uma olhada no case deles, acho que seria de grande valia para teu Podcast.
    Abraços! https://www.patreon.com/wehaveconcerns?ty=h

  4. Bom, primeiramente, não recomendo a opção de publicidade. Publicidade que não dá retorno vai render pouco, e publicidade não vai dar retorno num meio em que o consumidor não só pode como geralmente prefere pular o anúncio(eu, pessoalmente, já passo os primeiros 5 minutos do We Hate Movies quando vejo que vai rolar comerciais).

    Se parte do problema é o MPB não fazer dinheiro, eu já sugeriria colocar ele acoplado no Patreon(já que não tem mais os prviews de textos do HBD ou vídeos, e os milestones estão jogados às traças). Atrele os episódios extras ao tier de $2, por exemplo, e o usuário que pagara mensalidade tem acesso aos episódios extras.

    (A ressalva, entretanto, é que ele não vai gerar renda *extra* dos patrões que já contribuem, mas suspeito que isso poderia trazer patrões novos; mas eu não sou marketeiro nem administrador, então isso tudo é um achismo)

    Enfim, boa sorte. O MPB tá mandando muito bem, mesmo, será uma pena se ele tiver que ser descontinuado.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *