Olá, meus amigos. Peço desculpas pelo meu sumiço. Ultimamente, escrever não me dá o mesmo prazer que antes — mas estou motivado a voltar à ativa neste site. Make HBD Great Again tal.

E hoje trago uma recomendação que espero melhorar sua vida o quanto melhorou a minha — o podcast gringo My Brother, My Brother and Me.

O My Brother, My Brother and Me (ou MBMBaM, frequentemente pronunciado “muh-bambam” pelos apresentadores) é um podcast de conselhos pra vida. Os três irmãos McElroy pegam dúvidas existenciais/problemas pessoais explicados no Yahoo! Answers — quanto mais sem sentido melhor, aliás (frequentemente os hosts já começam a rir só de ler as perguntas) — e oferecem conselhos/respostas ainda MAIS esdrúxulos.

Aliás, alguém ainda usa a palavra “esdrúxulo”? Você já sequer ouviu alguém falar isso em voz alta…?

Disparate, sim. Bizarro, também — é até bem comum. Mas ESDRÚXULO? Eu acho que sou a única pessoa que ainda fala isso.

A química entre os três é excepcional. Imagino que eles têm experiência em comédia improvisacional, o famoso “improv” — não importa quão maluca seja a premissa da resposta de um dos irmãos, os outros dois conseguem ir desenrolando o papo e acrescentando maluquices à coisa. O resultado é uma comédia orgânica mais engraçada do que qualquer filme de comédia que já vi na vida.

É difícil de descrever, mas é um podcast realmente engraçado. É meio que uma versão em áudio de Seinfeld — um problema bem trivial que alguém tenta resolver da forma mais absurda possível, o que só poderia render os resultados mais Larry Davidianos.

O MBMBaM já é, há algumas semanas, meu podcast favorito — do tipo que eu ouço assim que sai, e saio ouvindo o catálogo anterior inteiro em ritmo de maratona. Eu tenho a impressão que a química entre os três irmãos, seu jeitão “gente boa” deles, e o humor absurdista vai te agradar pra caramba.

Baixe o podcast, ouça, e vá lá no Twitter dos caras e falem que o @MrNobre recomendou. Vai ser engraçado ouvi-los no próximo podcast tentando explicar, à moda caralha deles de sempre, como diabos eles subitamente criaram um fanbase brasileiro.

Como produtor de conteúdo que preza por qualidade, eu me sinto constantemente atraído por outros produtores que elevem o patamar da criação de vídeo. Um divisor de águas foi o Casey Neistat, com um vlog imensamente popular e uma técnica/formato que, embora tremendamente repetitivo, sabia contar uma boa história e era muito carismático.

Hoje eu descobri um sujeito que faz o Casey parecer minha mãe usando uma Tekpix pra filmar os fogos da virada com o dedão permanentemente na frente da lente: Brandon Li. Se liga no material:

(Por causa de um estranho bug do WordPress, TUDO que eu havia digitado abaixo desse vídeo foi apagado quando publiquei o texto. Nunca vi isso antes, e não consegui encontrar uma versão previamente salva do artigo. Que bosta. Vou tentar reescrever a parada conforme eu for lembrando dos insights que tive assistindo o vlog.)

Este cara aí é o Brandon Li, e ele fez um vlog que mais parece trailer de filme do que vlog. Alguns dirão que é trapaça considerar o sujeito um “vlogger”, já que ele é cineasta e já produziu pra MTV e tudo. Não sei se isso desqualifica alguém, já que o próprio Casey também tinha seus bonafides na indústria convencional.

O que eu acho impressionante no trabalho do Brandon é que ele emprega inúmeras técnicas cinematográficas que, embora eu já tenha visto em filmes e comerciais, simplesmente nunca tinha pensado em aplicar em um vlog. Que é uma experiência semelhante à primeira vez que vi o vlog do Casey, também; entretanto, talvez pela dependência do Casey em usar o mesmo formato repetidamente, diariamente, o outrora fascínio com o que parecia uma linguagem visual única e original se torna irritação. É um caso clássico de “viu um, viu todos”.

Já o Brandon Li consegue fazer vídeos BASTANTE distintos, o que é um ponto a favor dele. Evidentemente, é mais fácil fazer isso quando você não precisa gravar diariamente, e seus vídeos se limitam a dois minutos. Ele não também não tem o carisma de storyteller do Casey, então tem isso.

Fico imaginando como seria um collab entre os dois.

Alguns diriam que esse tipo de punhetagem estilística é um parnasianismo puramente auto-indulgente, tipo os solos de guitarra do Dragonforce ou do Michael Angelo Batio. Aquele negócio bem flagrantemente exibido, só pra mostrar que sabe, que não realmente adiciona conteúdo a uma produção.

Eu definitivamente concordo com certos pontos dessa análise; por outro lado, eu acho muito foda ver o tipo de coisa que se pode fazer com um vlog. É inspirador.

…ao mesmo tempo, eu estou cronicamente atento ao fato de que no final das contas, todas as firulagens estilísticas do mundo não substituem uma câmera simples e uma personalidade captivante. Whindersson Nunes tá aí, forçando todos a reconhecer que na realidade, no SuperTrunfo da fama internética, personalidade e carisma vence valores de produção SEMPRE.

Mas mesmo assim, vê aí os vlogs do Brandon Li.

Olá amigos. Como os senhores provavelmente sabem, eu tenho uma certa presença nas redes sociais gringas. Em vez de encher o saco apenas de brasileiros, estou agora projetando meus pensamentos através do meu canal em inglês e meu Tuíter, igualmente em inglês.

Uma boa parcela do meu público nesses veículos anglofonos é formada de brasileiros, mas estive tendo um sucesso razoável em atingir a websfera norte americana. E por causa disso, fui convidado pra participar de alguns podcasts!

Primeiro, participei do Burning Barrel, um podcast gamer/nerd aqui de Calgary. Há essa versão no YouTube, mas eles estão no iTunes e demais agregadores de podcasts também:

O Burning Barrel foi bastante divertido porque tive a oportunidade de explicar pros gringos como era ser nerd no Brasil nos anos 90. A galera que curte o 99Vidas vai curtir essa pegada.

Em seguida, fui convidado pra participar do Class vs Crass, um podcast americano sobre notícias da Nintendo. O Shawn Long, um dos co-apresentadores, é uma figuraça. E os caras fizeram até uma caricatura minha pro thumbnail do programa!

E recentemente, gravei um episódio do excelente The Nerd Room, um podcast sobre nerdagens em geral. No episódio que gravei, falamos sobre o trailer de Ghostbusters, o que tá rolando no universo Marvel no momento, e sobre o hábito de colecionar action figures (e na real, qualquer tipo de quinquilharia) de Star Wars. O Tim, que é o criador do podcast — e um cara gente finíssima — tem no porão de sua casa um verdadeiro santuário Star Wars.

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E essa foto não mostra nem 10% da coleção dele. O local inteiro é LOTADO de coisinhas de Star Wars!

Gravar o The Nerd Room foi uma experiência fantástica. Foi o primeiro podcast gringo que gravei presencialmente, isso é, eu fui lá de fato conhecer os caras, sentei na mesa com eles, revi a pauta junto, etc — enquanto os outros dois foram gravados via Skype.

O Tim e o Troy, os apresentadores, são gente finíssima que realmente entendem e amam nerdice. Gostei muito de conhecer os caras, a química e a energia foram muito boas, e acho que o programa ficou BEM legal.

Prestigiem lá!

Constantemente me perguntam que podcasts — particularmente podcasts gringos — eu assino. Penso que a curiosidade sobre os programas gringos é porque o público geek brasileiro já tá bem acostumado com as figurinhas tarimbadas da podosfera nacional. Fazer um artigo sobre podcasts recomendando Nerdcast, Rapaduracast, MRG, 99Vidas seria basicamente um desperdício de ATP.

VAMOS DIRETO AO PONTO.

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StarTalk Radio

Apesar de ser um nerdão inveterado de física e astronomia (ainda tenho minha carteirinha da UNES de quando cursei bacharelado em Física na UFMA pra provar, aliás!), demorei muito pra finalmente assistir o novo Cosmos. Quando finalmente sentei pra ver, devorei a série inteira em dois dias, e passei a gostar mais do Neil DeGrasse Tyson. Já tinha uma certa simpatia por ele — apesar de que no Twitter ele às vezes parece um pouco não-intencionalmente cheio de si; justamente por parecer sem querer que eu deixo passar de boa –, e aí passei a gostar mais do cara.

Fui atrás do podcast dele, que eu já conhecia mas nunca tinha me interessado muito em ouvir. É um formato interessante; basicamente, ele geralmente entrevista celebridades relativas à temática do programa, e aí faz comentários sobre a entrevista. Seria melhor se ele não interrompesse a entrevista pré-gravada de 3 em 3 minutos pra dar os comentários “ao vivo”, mas como um podcaster que interrompe os outros com frequência eu não posso falar nada.

The Message

the message

No Brasil estamos mais acostumados ao “formato Nerdcast” de podcast — debate estilo “mesa de bar” de um assunto específico com piadinhas e começando com “eu sou o (nome do participante) e (frase qualquer relacionada ao tema)”.

Como todo pioneiro, o Nerdcast determinou um padrão — e não há nada de errado com isso, evidentemente, mas é uma pena que não no Brasil não se explore tanto com esse formato de mídia. Eu queria ver mais coisas como o The Message em português; e talvez até existam, eu é que não conheço mesmo.

O The Message é meio que um radio-drama podcastizado. O programa conta a história de um time de cientistas que está tentando decifrar e interpretar uma mensagem alienígena recebida 70 anos atrás.

Me diz aí se isso não é uma premissa FODA. Mal comecei a acompanhar, mas já tou curtindo absurdamente o clima de sci fi misterioso. E são episódios curtinhos, 10-12 minutos só.

Hardcore History

hardcore

Esse é mais curioso: Dan Carlin, historiador e comentarista político, pega um evento qualquer da história — digamos, a Segunda Guerra — e dá praticamente uma aula sobre o assunto, destrinchando inúmeros fatores que contribuíram pra uma situação ou outra, com aquela ênfase e animação que poucos professores tinham e que deixavam a aula irresistivelmente interessante. Ele não posta episódios com muita frequência, mas quando posta, são verdadeiras audionovelas de 3-4 horas.

O podcast-irmão do HH é o Common Sense, em que o Dan fala de assuntos mais atuais, quase sempre com o viés político, mas a mesma energia. Recomendo!

Deixem aí sugestões dos seus podcasts gringos favoritos!

rick morty

Meu irmão foi o primeiro a me falar deste desenho. Animadamente descrevendo-o como “uma ficção científica absurdista e violenta, com pitadas de Lovecraft, e roteirizada pelo criador de Community”, o moleque estava convencido que eu adoraria o seriado… mas demorei a finalmente assistir. Sou sempre assim; é raro me interessar imediatamente a algo que me é recomendado.

Quando finalmente o fiz, lamentei não ter começado mais cedo. Pelo menos, não perdi muito tempo — o seriado acaba de começar sua segunda temporada, com uma terceira já encomendada.

Vamos aos personagens. Temos o Rick Sanchez, um cientista maluco (mas incrivelmente capaz), alcoolatra, bastante cínico e meio sociopata. O show dá a entender que ele não conseguiu usar seu talento científico pra uma carreira “convencional”, e por isso tem que morar com a filha Beth e seu genro Jerry. O outro protagonista da série é o Morty, um garotinho de 14 anos que é sempre arrastado pelo Rick pra viver aventuras malucas espaciais/interdimensionais. O Morty tá sempre incerto de si, e com medo de todas as situações, enquanto o Rick tem aquela postura de “pfff isso aí não é nada, já me meti em coisa muito pior”. E tem a Summer, a outra neta do Rick.

O programa tem uma vibe de paródia absurda de De Volta para o Futuro, e não é acidentalmente. Rick and Morty foi desenvolvido baseado em Doc and Mharti, uma animação em flash que o Justin Roiland, o dublador de ambos protagonistas do desenho, fez anos atrás.

É… bizarro. Esteja avisado. Não assista no trabalho.

https://www.youtube.com/watch?v=EbTlK3perdI

Se parece bizarramente ofensivo, é porque esse é o objetivo: o Justin Roiland fez as primeiras animações com os personagens com a intenção expressa de receber um processo da Universal. O nome da série (que ele estava fazendo de forma bem amadora, só pra ele e os amigos na internet mesmo) seria “Back to the Future: the new official Universal Studios cartoon featuring the new Doc Brown and Marty McFly”, querendo realmente receber no mínimo uma cartinha extra-judicial.

No processo de criar o negócio ele acabou vendo que existia um potencial maior pra uma série baseada num cientista louco e num moleque que o segue nas aventuras. Aí ele mudou levemente o nome pra “The Real Animated Adventures of Doc and Mharti”. Eventualmente, ele resolveu fazer uma série completamente diferente, mantendo da paródia original apenas a sutil referência a um cientista maluco e um garoto que o acompanha.

Dá uma olhada no trailer da segunda temporada.

https://www.youtube.com/watch?v=90wG8ObCBE0

O seriado é excelente. É violento, é absurdo, é ofensivo, é improvisado em inúmeros momentos — e por isso bastante imprevisível. A temática de scifi dá ao programa, similar ao que acontecia com Futurama, a chance de explorar um monte de histórias ou cenários diferentes: universos paralelos, viagens no tempo, realidades simuladas, tudo com piadinhas absurdas e observações nonsense a cada curva. Por exemplo, em um episódio, Rick está ensinando Morty a dirigir sua nave espacial e aponta que ele pode parar na vaga para deficientes, porque qualquer entidade com menos de 8 membros naquele planeta é considerado deformado.

Uma coisa que tem me chamado atenção é que, assim como Futurama, Rick and Morty tem momentos de chocante sentimentalismo — e não digo isso da forma piegas, ou pra desmerecer. É realmente impressionante a transição de humor galhofa, pra momentos que te deixam triste. Digo isso no sentido literal da palavra: esses momentos deixam uma impressão distinta em você.

A autora Cath Crowley disse uma vez que “é mais difícil fazer alguém rir do que chorar” (embora a frase seja comument atribuída ao Bill Murray ou ao Leslie Nielsen). No que diz respeito a série animadas de comédia, eu acho muito mais digno de nota quando os personagens e as situações originalmente cômicas induzem o espectador a um momento de tenra introspecção, ou às vezes até mesmo ao choro mesmo.

SPOILERS DAQUI EM DIANTE, MAS NA MORAL PODE LER DE BOA PORQUE NESTE TRECHO VOU EXPLICAR PORQUE TU REALMENTE DEVERIA VER O DESENHO

VALE A PENA, CONFIE EM MIM

MAS É SPOILER, ENTÃO ESTÁ AVISADO

MAS VALE A PENA PORQUE AÍ TU VAI FALAR “CARALHO MANO QUE SERIADO FODA”

O desenho fez uma curva brusca pra um sombrio niilismo já na primeira temporada. Em Rick Potion #9, Morty pede a Rick que o ajude a conquistar uma garota da escola; Rick inventa então uma poção que deixará qualquer pessoa apaixonado pelo garoto. Só que naturalmente dá merda, a parada se espalha pelo mundo inteiro, e de quebra ainda transforma toda a humanidade (com exceção dos pais e da irmã do Morty) em monstros grotescos que eles chamam de “Cronenbergs”, uma referência ao diretor visto como pioneiro do “body horror” — ou seja, o tipo de horror que se deriva de destruição ou mutação extrema do corpo humano. Tipo Alien, ou O Enigma de Outro Mundo ou A Mosca (este último, inclusive, foi dirigido por ele).

Então, sem solução perante um mundo completamente fodido, o Rick fala que só tem uma única chance de resolver o problema. A cena corta, e vemos o Rick e o Morty chegando em casa; um jornal proclama que a epidemia genética foi resolvida, tudo voltou ao normal. Morty parabeniza Rick por ter achado uma solução, Rick volta a trabalhar em uma geringonça qualquer… que explode, matando ambos violentamente.

Nisso abre-se um portal. Rick e Morty “originais”, aqueles que estivemos assistindo pelos últimos 20 minutos, aparecem.

O Rick então explica que ELE não sabe como resolver o problema, mas como existem infinitos universos paralelos, existe vários em que ele conseguiu consertar o mundo. Bastava então achar um universo paralelo em que ele conseguiu reverteu as mutações, E também em que ele e o Morty tivessem morrido mais ou menos ao mesmo tempo. Assim, era só questão de enterrar os corpos e seguir normalmente como se aquele fosse o universo deles.

E na cena final, você entende o completo horror que isso significa pra um garoto de 14 anos. Ele nunca verá seus pais verdadeiros de novo. O mundo inteiro foi destruído. Ele está enterrando o próprio cadáver e tomando uma vida que não é realmente a dele. E há um bizarro contraste de atitude entre ele e o Rick; a indiferença do cientista sugere que ele talvez já tenha precisado fazer coisa parecida antes. Morty entra em casa, e vê tudo aparentemente normal, e não consegue conciliar o fato de que ele destruiu um MUNDO INTEIRO simplesmente porque queria que uma garota gostasse dele. E tudo ao redor parece completamente indiferente ao que acabou de acontecer. Apenas duas pessoas naquele universo inteiro sabem a catástrofe que acabou de acontecer em um universo similar, e uma delas não se importa, e a outra foi quem CAUSOU a tragédia.

O programa toca muitas vezes na temática cínica/niilista de que nada importa nessa existência, até ao ponto de falar isso literalmente. Mas nessa cena, o programa acertou o sentimento perfeitamente. Repare, aliás, que ambas cenas se conectam — porque foi aquela experiência que mudou o personagem daquela forma. A inocência do Morty acabou ali.

E como se isso já não fosse genial, a cena depois dos créditos desse episódio tem um plot twist de explodir a cabeça.

E o último episódio, novamente, deixou espectadores deprimidos. Em Auto Erotic Assimilation, revela-se que o Rick havia namorado brevemente uma entidade hive mind que desde então havia dominado um planeta inteiro. A entidade, no início do episódio vista como o antagonista do dia, é revelada como um ser benéfico e que havia melhorado a vida no planeta. É a presença do Rick, um alcoolatra com comportamento auto-destrutivo, que começa a foder a vida da entidade, até o ponto em que ela o abandona, levando consigo TODOS os habitantes daquele planeta. E deixa pra ele uma nota de despedida comovente.

Tomado por culpa e depressão, o Rick então vai pra garagem e começa a trabalhar em mais um de seus muitos experimentos. Só que…

Eu fiquei sem palavras ao fim desse episódio.

Rick and Morty é engraçado, é inteligente, faz sensacionais referências a scifi pra quem curte e manja do gênero, e de quebra ainda é capaz de me deixar com um nó na garganta em algujns episódios. Futurama servia esse papel antes, mas agora temos uma alternativa.

And awaaaaaaaaay we go!

A PROPÓSITO! Cenas depois dos créditos não é exclulsividade de filme de super heroi. Assista os episódios até o final, senão tu vai ter que fazer como eu, reassistindo vários capítulos passados pra ver a piadinha final.

Ah, e eles fizeram uma aparição especial nos Simpsons:

Eu estou semi-revoltado que esta porra está no presente no catálogo do Netflix Brasil e eu ainda preciso recomendar a parada pra vocês.

archer

Archer é um seriado complicado de explicar, porque ele é muitas coisas ao mesmo tempo. A série é sobre o agente secreto Sterling Archer, que trabalha para a ISIS — uma espécie de CIA de segundo escalão — com um bando de colegas de trabalho igual ou mais malucos que ele. Eu via referências do programa no Reddit o tempo inteiro (como o meme “Do you want X? Because that’s how you get X“), e via a capinha da série lá no Netflix, e pensava “nahhh… tou muito ocupado com Breaking Bad no momento, foi mal Archer”. Finalmente assisti o programa nestes dias, e desde então minha semana se resume a assistir o seriado nonstop, um episódio atrás do outro. Já já acaba essa porra e eu ficarei triste.

Basicamente, Archer é um misto de The Office (com situações corporativas ou de RH que todo mundo que trabalhou em escritório reconhece), com Seinfeld (no contexto de personagens moralmente deploráveis) com South Park (no que diz respeito a animação intencionalmente tosca casada com humor negro e subversivo) com James Bond — afinal, o cara é um agente secreto — com comédia nerd cheias de referências inacreditáveis com umas pitadinhas de putaria soft core.

Não seria uma paródia de James Bond se não passasse boa parte do seriado comendo gostosas, né?

Comecemos pelo Archer. O protagonista da série homônima é um agente secreto alcólatra com uma relação com sua mãe que deixaria até Freud com medo. O cara é meio nerd e meio imbecil, apesar de ser um agente competente quando a série requer ação. Como Bond, em quase todo episódio ele tá catando alguma mulher sensacional, e o seriado usa e abusa desse plot device pra mandar uns fanservice gratuitos mas até bem vindos.

Uma das coisas que eu mais gosto no seriado é que o diálogo é orgânico. Ao contrário das sitcoms tradicionais de risadas enlatadas (que eu passei a abominar após conhecer Arrested Development e Community, ambos uma clara influência nos roteiristas de Archer), a série não segue aquele padrão formulaico de “setup de piada -> punchline da piada” que domina o cenário das sitcoms.

Boa parte do humor da série vem do fato de que os diálogos entre os personagens soam reais — com personagens rindo das próprias piadas, tossindo, se atrapalhando ou esquecendo o que iam dizer, se interrompendo, e por aí vai. O que se espera de uma série roteirizada é um diálogo “nos trilhos”, e essas subversões da regra te pegam de surpresa e é impossível não rir.

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Velho, na moral, como você pode ver essa imagem e ainda precisar ser convencido de assistir Archer?

Aliás, outra parte do humor da série vem do fato de que os personagens da série se odeiam abertamente (e apesar disso, praticamente todos os personagens trepam uns com os outros em algum momento). Quase todos os episódios da série se resumem a um personagem sacaneando o outro de alguma forma, mais ou menos como víamos em Arrested Development.

E que personagens! Um dos mais memoráveis é um “doutor” completamente insano, responsável pela divisão tecnológica da agência, que é na verdade um clone de Hitler a la Meninos do Brasil.

(O doutor Krieger, aliás, é meu personagem favorito, aquele tipo que tem as MELHORES linhas. Literalmente TUDO que ele fala é hilário — como por exemplo, quando ele é acusado meio na brincadeira de ser um serial killer, ele responde que não é um SERIAL killer, ao que outro personagem pergunta porque ele enfatizou a palavra “serial”).

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Temos uma gordinha sexólatra (aliás, muitos personagens do seriado o são também) responsável pelo RH que tem o hábito de espalhar segredos dos outros personagens pelo escritório todo e que nas horas vagas luta numa espécie de Fight Club. Um mordomo idoso viciado em heroína que é tratado basicamente como escravo. Um contador completamente incompetente que se mete a treinar como espião apenas pra cagar completamente as situações em que ele se envolve.

Uma das coisas mais legais sobre Archer é que, ao contrário da fórmula “algo bizarro acontece -> a trama se desenvolve -> no final do desenho, tudo volta ao normal”, os eventos da série não necessariamente se resolvem no final de um episódio, e assim são carregados para a cronologia corrente da série. Além de um fator de total imprevisibilidade, isso vai causando modificações no universo da série.

Vá assistir. Sério.

Somado ao fato de que boa parte do humor vem de “continuity gags” que se desenvolvem ao longo do canon, e de referência às situações absurdas de episódios passados, essa dinâmica pode talvez desencorajar o espectador casual que pegue o trem andando. Por outro lado,  isso serve pra tornar Archer uma série realmente única.

O seriado é meio anacrônico: mostra estética, moda e tecnologia anos 60, mas faz constante referências a eventos e personalidades contemporâneas. Isso combina bem com o absurdismo do seriado.

Falando em absurdo: H Jon Benjamin, que faz a voz do protagonista, também é o voice actor do Bob de Bob’s Burgers, outro excelente seriado. Archer ofereceu, através de um cross over sensacional, a explicação de que ambos são na real a mesma pessoa, e por isso a voz é a mesma.

Preciso falar mais alguma coisa? Ah, sim, veja esse vídeo com melhores piadinhas do seriado.

Vá assistir agora.

Antes de mais nada, o disclaimer: eu jamais trabalhei com a Netflix, e este post não é patrocinado nem nada do tipo. Adoraria trabalhar com os caras, porque ganhar pra falar bem de algo que você já gosta mesmo (como foi o caso desta resenha) é excelente, mas acho que eles não me notaram ainda. Fazer o que!

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O Netflix, um excelente serviço de streaming que acredito honestamente ser o melhor custo/benefício que eu pago nessa vida, começou há algum tempo a lançar suas próprias séries — uma notícia que o público e a crítica em geral recebeu de braços abertos. Falou-se muito de uma “nova era da televisão”; de fato, na época em que notícia saiu pareceu até peculiar a idéia de um serviço de streaming virando produtora.

O título de primeiro seriado original do Netflix é acirradamente competido por causa de algumas tecnicalidades. Cronologicamente falando, o primeiro seriado produzido sob supervisão do Netflix foi Lilyhammer. Entretanto, o Netflix entrou como parceiro numa produção televisiva convencional que já estava em andamento. É como colocar meu nome no trabalho em grupo sobre capitanias hereditárias quando eu nem fui na casa da menina lá pra fazer a pesquisa com a galera.

Mas colocar o nome na capa do trabalho que foi Lilyhammer deixou o Netflix com vontade de produzir algo realmente seu. E aí veio House of Cards…

…que tecnicamente, também não é “realmente seu” — assim como The Office, House of Cards é remake de uma série britânica homônima. Dependendo do critério que você queira usar, Hemlock Grove seria então a primeira série totalmente original do Netflix.

Mas então, vamos logo à série.

Em House of Cards, o sempre excelente Kevin Spacey interpreta Frank Underwood, um congressman, que seria o equivalente político dos nossos deputados. Mas ele não é apenas um deputado comum — ele é um “whip”, ou seja, uma espécie de líder que coordena os votos dos outros deputados do seu partido. De acordo com o que me disseram no Twitter, seria algo como um líder da bancada no equivalente político brasileiro.

Costumo explicar House of Cards dizendo que é como Breaking Bad, se o Walter White já COMEÇASSE como vilão. O Underwood tem todas as piores qualidades de um político — egomaníaco, sedento por poder e influência, mentiroso, manipulador, e sem qualquer escrúpulos. Ferido por uma promessa política não cumprida pelo novo presidente, Frank Underwood começa então uma campanha secreta para galgar os degraus políticos e destruir a presidência no processo. Praticamente traição, como aponta um personagem — ao que Underwood rapidamente retorque que “bom, ‘praticamente traição’ é simplesmente ‘política’ mesmo”.

Como em Breaking Bad, temos um personagem que é literalmente um vilão, manipulando todos ao seu redor e escapando da vigilância daqueles que no mundo real seriam os reais heróis da história (lembra do Hank? Temos vários equivalentes ao Hank aqui, no encalço das maracutaias do Underwood). Também como em Breaking Bad, Frank Underwood se mete em enrascadas políticas e legais que são solucionadas genialmente no último instante, deixando os outros personagens com o inegável semblante de “como esse filho da puta fez isso?!” no rosto.

Cabe aqui um pequeno comentário sobre a expressão “anti-herói”, que assim como eu via (erroneamente) atribuída ao Walter White, vejo também sendo empregada para descrever o personagem do Spacey. Anti-herói, tradicionalmente, é um herói que foge do padrão clássico de “escoteiro bonzinho” encarnado em personagens icônicos como o Superman, Spider-Man, Capitão América, entre outros.

Nos anos 80 e começo nos anos 90, vimos no universo de quadrinhos um fenômeno reacionário aos “mocinhos” clássicos da arte sequencial. Foi nessa época que rolou uma explosão da popularidade dos anti-heróis; o período foi um campo fértil pra esse arquétipo de personagem. Wolverine, Spawn, Punisher, Deadpool e outros se tornaram estrelas justamente nessa época. Aliás, a dependência das HQs desse período nesse modelo de personagem é algo que rende piadas e paródias até hoje.

Basicamente, o anti-herói é ainda um herói no seu âmago, mas um que age fora das regras, ou que se dá ao luxo de desvios de moralidade e ética para o bem no geral. Han Solo, por exemplo, que é um contrabandeador que luta pela Aliança Rebelde, ou o Ben de Full Throttle, que é um gangster de bom coração, ou o Wolverine, que é “do bem” mas mata gente pra caralho (esse é o motivo pelo qual ele teve carterinha de Vingador em tantas ocasiões, aliás — fazer o “trabalho sujo” é parte do CV dele).

Frank Underwood não é um anti-herói. Pior que o Walter White (que pelo menos COMEÇOU com boas intenções, antes de virar um monstro completo), o Underwood já é um cínico e impiedoso literalmente na primeira cena da série. Ele é um vilão protagonista; seus objetivos são completamente egoístas e imorais.

Voltando ao seriado: ele é uma interessantíssima exposição do processo político americano — e do processo político em geral, na real. O programa se embasa na mecânica jurídica/eleitoral americana, evidentemente, mas a dinâmica “uma mão lava a outra (e nesse lava-lava uma acaba algemada a outra)” deve existir literalmente em qualquer círculo político, seja em Washington ou em Brasília. Por isso, o seriado dá um insight interessante de como e por que alguns países são tão perdidamente corruptos. O vai e vem entre políticos e interesses privados, seja diretamente ou intermediados por lobbystas, é muito mais responsável pela direção dos EUA de House of Cards do que qualquer outra coisa.

E eu suspeito que o mundo real não é diferente em nada, com as vendas e trocas de favores políticos que moldam a direção do governo, e as eventuais pisadas de bola e/ou facadas nas costas uns dos outros que resultam em X9s delatando a parada toda.

Uma das primeiras dúvidas que tive com House of Cards foi decidir se um político americano, ao assistir o seriado, pensa “caralho, eles pegaram a gente, é desse jeito mesmo!” ou “pfff, eles pensam que é só isso aí? Então estamos de boa”. É assustador pensar que o mundo real tem inúmeros Frank Underwoods; ver a corrupção simulada na TV gera um “pânico sob controle” estilo montanha russa.

Talvez por isso o programa seja tão bom. Entretem e é ao mesmo tempo assustador.

E pra finalizar as comparações com Breaking Bad, é importante mencionar que temos aqui um vilão que é “the one who knocks” também. Não há nada melhor pra provar a maestria narrativa do seriado do que o fato de que a cena final, que não mostra literalmente NADA senão o protagonista batendo numa mesa (sequer tem diálogo), é de arrepiar.

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A Coréia do Norte me fascina. Um fóssil vivo do estilo de vida e governo comunista clássico, um live action do 1984 de George Orwell, é um país irreparavelmente fodido, lar de uma gente sofrida e completamente alienada em relação ao mundo. Eu sou absolutamente obcecado com o país (pelo menos até semana que vem, é assim que meu cérebro funciona).

Embora seja quase impossível pra um norte-coreano sair do seu país, é surpreendentemente fácil pra um Ocidental ir lá visitar a terra do dos Amados Líderes Kims. E este riponga com drealocks e sotaque que não consigo localizar não apenas foi lá — o que convido-os abertamente a considerar uma puta loucura — como também filmou um excelente (embora em alguns aspectos bem amador) documentário entitulado “>DPRK: The Land of Whispers.

Com pouco menos de uma hora de duração, o documentário é absolutamente hipnotizante se você, como eu, tem uma curiosidade quase mórbida sobre o povo e o estilo de vida num país com tão poucas liberdades.

Os pontos altos do documentário pra mim foram o autoritarismo dos “guias” que acompanharam o cinegrafista (em alguns momentos eles impediam o sujeito de filmar, e um deles se gabou na frente dos turistas de ter destruído a câmera de um jornalista), a total lavagem cerebral que os habitantes de lá sofrem, e o quão atrasado o país realmente é. Em um momento, um dos turistas mostra um tablet pra uma garota local lá, e a menina fica completamente mesmerizada pelo aparelho. E olha que era um tablet Android!

“>Extremamente recomendado — especialmente porque tem legenda em português e tudo!

Como quase todo nerd chato, eu gosto da “brincadeira”, digamos assim, de desconstrução do mundo da cultura pop. Uma das minhas formas favoritas disso é ler criticas de filmes ruins.

Pra quem tem preguiça de ler (o que diabos você está fazendo no meu blog?!), tenho uma dica excelente. Essa semana eu descobri um fenomenal podcast que destrincha filmes ruins com timing, química e respeitável know how do processo cinematográfico em si.

E além disso tudo, com um senso sarcástico (e às vezes até um pouco cruel) de humor.

Seja bem vindo ao We Hate Movies.

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No We Hate Movies, você encontrará uma análise extremamente pertinente e engraçada de alguns filmes que você talvez até goste, mas se verá incapaz de discordar com os pontos levantados pelo hosts. É que nem como o TVTropes destrói a sua ilusão que aquele filme ou aquele elemento em particular de storytelling é super original e inédito. O WHM fará você repensar sobre os filmes que você adora.

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E eles não apenas reclamam; embora o tom às vezes beire o nitpicking nerd de um Comic Book Guy, os caras embasam suas críticas dando exemplos de como uma certa cena ou até mesmo um elemento da trama poderia ter sido melhor desenvolvido. Aí que a compreensão dos caras em relação a cinematografia os diferenciam de simples reclamões. Suas objeções em relação a pontos dum filme e as mudanças que eles oferecem realmente fazem sentido. Mesmo num filme que você gosta, é difícil discordar.

E o melhor de tudo, o senso humorístico deles é excelente. As piadas não são repetitivas, as comparações são hilárias, a revolta deles em relação às partes mais injustificáveis dos filmes é impagável. Recomendo fortemente o programa.

E as imitações que eles fazem dos atores dos filmes que eles zoam são excelentes.

Episódios favoritos: o de Men in Black 2 (eu nunca tinha atentado ao fato de que é um filmezinho simplório que repete a trama do primeiro descaradamente), o de A Rede (eles ridicularizam o que o público e Hollywood em geral achava que internet era na época) o de Star Wars Episode I (esse dispensa explicações)

Ah, e é em inglês.

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