Relembrando o Nintendo On, o mais cruel hoax gamer da internet

A realidade virtual vem chegando aos poucos aí — primeiro com o gambiarrístico Oculus Rift, e agora com uma proposta mais “retail”, mais “consumidor médio” no Playstation VR. Ponho mais fichas no VR da Sony do que no Oculus Rift; não por fidelidade cega à empresa, mas porque eu imagino que a integração com o hardware será melhor quando este é implementado por alguém de peso na indústria. Eu não sei exatamente o que é preciso pra rodar um jogo com Oculus Rift (algum tipo de driver obscuro? Um patch do jogo? Minha máquina sequer tem capacidade de rodar isso aí…?), enquanto o VR eu sei que poderei comprar e plugar no PS4 com bem mais simplicidade.

Haverá, ao menos teoricamente, um incentivo beeem maior pra produzir games pro Playstation VR do que pro Oculus Rift. Compare a base instalada do Playstation 4 (ou seja, consumidores em potencial que de forma geral estão atentos aos lançamentos para a plataforma, seja software ou hardware), com o número de pessoas que sequer sabem que o Oculus Rift existe. É inegável que o VR venderá mais, e com a expansão da base instalada vem os devs loucos pra pegar uma fatia desse mercado.

Aliás, quando a Sony flexionar seu poderoso braço de marketing pra empurrar o VR pra todos os donos de PS4 (ou até usa-lo para convencer alguém de adotar o console), o Oculus Rift vai ironicamente se tornar mais conhecido — porque os fanboys early adopters torcerão o nariz pro headset de realidade virtual da Sony, dizendo “bah, eles não inventaram isso na real, o Oculus Rift veio primeiro!!!!!!!!” pra qualquer pessoa num raio de 10 metros toda vez que o Playstation VR for mencionado.

Particularmente, como dono de Playstation 4, eu estou bem animado para o VR — por mais que não tenha nem preço nem data de lançamento ainda. Eu estou cansado dessa corrida besta por gráficos; isso já atingiu o ponto de diminishing returns há um bom tempo (em outras palavras, já atingimos um ponto de fotorrealismo que torna impossível alguma grande revolução gráfica).

Afinal de contas, uma coisa foi o salto disso…

pitfall

…pra isso:

pitfall2

Mas quando o atual análogo de Pitfall já tem essa aparência:

uncharted

…que espaço há para evolução gráfica? Dará pra perceber mais pelinhos na barba do Drake? Vai dar pra perceber melhor a costura do camiseta dele? Se o Drake peidar durante um tiroteio, a composição do ar nas proximidades será levemente afetada pelo metano e causará uma refração maior na luz virtual do jogo?

Lembra quando era um hábito em fóruns de games esmiuçar as comparações gráficas de um jogo do PS3 versus o mesmo game no Xbox 360, literalmente procurando pixels no aliasing de uma screenshot?

Não sei você, mas quando vi o Pitfall do SNES (tendo jogado bastante o do Atari), meu queixo caiu. Agora, vemos uma imagem que poderia facilmente confundida com um screenshot de um filme e não achamos suficientes. Eu já cheguei a ver uma partida de FIFA e por alguns instantes não sabia se estava vendo um jogo de verdade ou não, e uma pesquisa rápida no Twitter revelou que não fui o único.

carro

A versão do ano que vem terá três cores adicionais que acabaram de ser inventadas, e o reflexo nos óculos do cara ali na terceira fileira da arquibancada do meio terá uma resolução maior e física mais realista

Sei que prever que atingimos o limite de algo referente a tecnologia é arriscado, mas admitirei esse risco: gráficos não tem como ficar muito melhor que o que já temos. Isso é o conceito diminishing returns em ação — chegamos ao ponto de que qualquer esforço, por maior que seja, dará um retorno levemente incremental no que diz respeito a gráficos e nada mais.

E por isso estou bem empolgado para a popularização da realidade virtual. Não colou nos anos 90 (RIP in peace Virtual Boy e aqueles arcades caríssimos que pareciam que você estava se equipando para pilotar um Jager), mas AGORA VAI!

meu deus

Por apenas 10 reais por segundo você também poderá ver as pecinhas de Tetris bem grandes na frente da sua cara

E essa minha animação com realidade virtual me lembrou do hoax mais cruel que a internet já produziu: o Nintendo On.

nintendo

No longínquo ano de 2005 (porra, DEZ ANOS ATRÁS CUPADE), quando a Nintendo estava em vias de finalmente nos mostrar o que era o tal “Nintendo Revolution”, este vídeo apareceu nos fóruns de games da internet e fez todo mundo cospir o que estava bebendo naquele momento, que no meu caso era suco de uva:

Caso você tenha achado a música legal, taí. E ó que curioso: a música é do mesmo compositor que fez a trilha de Perdido em Marte.

A única indicação de que a coisa poderia talvez ser fake é que parecia muito ambiciosa, e sem um grande antecedente (digamos, uma versão mais rudimentar mas que fizesse algo similar) pra garantir que a tecnologia funciona tão bem quanto mostrada. Com um nível de produção que a gente simplesmente não esperava de um simples pregador de peças — ainda mais numa época pré-super produções Youtubísticas vindas de indivíduos comuns –, o Nintendo On passou a perna em MUITA gente. Cético que sempre fui, eu tinha 5 pés atrás com o Nintendo On, mas ainda naquele espírito de “I Want To Believe”.

E quando a Nintendo finalmente nos mostrou o Wii (logo após parar de fazer piadinhas com o nome) bateu aquela “nostalgia do que nunca tivemos” quando comparamos o console imaginário que seria o Nintendo On com a maquininha de jogos casuais pra mamãe e pro vovô que o Wii acabou sendo.

Hoje em dia, o hoax do Nintendo On teria durado, se muito, algumas horas. Primeiro, já estamos mais familiarizados com magos do After Effects que populam o YouTube hoje em dia, então a hipótese de um fake (muito) bem produzido seria bem mais crível.

Segundo, vivemos numa era em que empresas conseguem se comunicar diretamente com seus consumidores através de redes sociais, então a Nintendo desmentiria a parada no mesmo dia, para o choro de muitos.

Terceiro, de lá pra cá tivemos bem poucas tentativas de produtos de realidade virtual, e todas elas lembram mais o tal “uma versão mais rudimentar mas que fizesse algo similar” que mencionei antes. Então, conhecendo o Oculus Rift, a chance de você acreditar que DE REPENTE a Nintendo conseguiu enfiar aquilo tudo num aparelho não muito maior que óculos pra natação, em vez de ter feito uma evolução mais gradual do que o Oculus Rift é (veja o próprio VR da Sony — é basicamente um Oculus Rift melhorado, mas em essencia bem similares) seria baixa.

Ou seja, o sensor de “esmola grande” apitaria, o que faria o canonizado expressar incredulidade.

Mas que foi uma pena, foi. O Nintendo On chega a ser, eu diria, uma crueldade com o gamer cansado da mesmice e que deseja uma mudança mais radical de paradigma.

O foda é que o On só teria Mario e Zelda mesmo, então se pensar bem perdemos relativamente pouco.

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4 comments

  1. VR pra eu vai ser qnd fizerem aquela maquina de bouquete interconectada ao uma fuck machine remota pra gente poder fazer sexo virtual com a namorada virtual lá do outro lado do planeta e sentir como se tivesse fudendo ela aqui pq né mano eu fico aqui na punheta e ela la diz q ta na siririca pensando ni min mais na verdade ta e dando o rabo pro instrutor de pilates meus corno virtual cresce nem cabe nesse capacete.

    1. É verdade. Só que eu acho que o VR não será exatamente o mesmo. O Move era, afinal de contas, uma melhoria incremental do que já se conhecia pelo Wii. E 4 anos depois do Wii, considerando o número de vendas que ele teve, quem queria aquele tipo de experiência já a tinha através do console da Nintendo. E os donos de PS3, de forma geral, não eram do demográfico que queriam ficar pulando e fazendo macaquice na frente da TV.

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