Sobre ser reconhecido na rua

Ontem eu estava num negócio chamado Lilac Festival, um festival de rua calgariense (calgariano?) que que celebra o término do inverno com centenas de vendedores ambulantes, apresentações musicais, de artes marciais, essas coisas. Eis uma fotografia eletrônica digital que tirei lá para que você possa se sentir no meio do evento:

lilac

Aliás, porque nos prendermos a uma mísera foto de celular quando gravei um videozinho rápido do evento pra te mostrar?

E eu estava lá, perdido em meus pensamentos sobre quanto tempo faz que não jogo aquele jogo do Homem Aranha do Atari, que era bem legal aliás, quando eu percebo um rapaz olhando pra mim.

Era o rapaz de branco dessa foto lá embaixo. Ele me olhava com uma cara que eu já vi antes — a cara de alguém que te reconhece de algum lugar, mas está incerto se devia se manifestar.

É a expressão típica de alguém que me reconhece na rua. Acontece com muito mais frequência quando vou ao Brasil, mas por causa da tag “Calgary” que coloco em meus vídeos, somado com o fato de que não há grande “competição” no ramo de “vídeos de brasileiros em Calgary”, há um grande número de inscritos/leitores meus na comunidade brasileira daqui.

Então, o rapaz estava olhando pra mim, possivelmente tentando concluir se era mesmo eu, e/ou se devia falar alguma coisa. Finalmente, ele resolveu o impasse vindo na minha direção.

“Izzy Nobre? Você é o Izzy Nobre, né?” ele perguntou.

Minha reação é sempre exatamente a mesma, e quem já esbarrou comigo aí por este planeta Terra afora não me deixaria mentir. É afora ou a fora? Eu não estou com a disposição de googlear o nome daquele programa da Monique Evans pra lembrar a grafia. Lembra do programa? Rolava umas putarias legais, considerando que era TV aberta.

Mas voltando ao assunto! Sempre que alguém me reconhece na rua, minha reação é a mesma. Esboço um largo sorriso e estendo a mão para a pessoa, perguntando há quanto tempo ela assiste o canal, o que ela está fazendo aqui no Canadá, esse tipo de coisa. Às vezes pergunto que vídeo ela gosta mais, também, ou que vídeo ela mais odiou.

(Isso parecerá babaquissíssimo, mas não estou lembrando o nome do rapaz de branco. Lembro o nome de todos — era Felipe, Felipe, e Paulo, e lembro que o rapaz de óculos escuro se chama Felipe, porque ele me adicionou no FB, só não lembro quem é o outro Felipe e quem é o Paulo. Espero que eles perdoem minha fraca memória, é que conhecer um monte de gente de supetão e lembrar dos nomes de todos é difícil pra alguém burro como eu)

Menciono os outros rapazes porque logo depois que o primeiro se apresentou, um segundo — o com a camiseta do Brasil, seria ele um dos Felipes ou o Paulo? Novamente, me sinto um filho da puta canalha por não lembrar — e falou algo como “é o Izzy Nobre?!”, e da mesma forma, eu estendi a mão pra ele e agradeci por ele curtir o canal.

O terceiro rapaz chegou meio que por traz de mim. Este, um dos Felipes, estendeu a mão com um grande sorriso e falou “Izzy, você não sabe quem eu sou, mas eu me amarro nos seus vídeos”. Achei uma apresentação diferente; geralmente, as pessoas não comentam que eu não os conheço. Acho que a maioria das pessoas considera isso subentendido, sei lá. Achei uma peculiaridade curiosa; talvez o Felipe não imaginasse que eu já estou relativamente acostumado a ser abordado por pessoas que não conheço (o que é uma conclusão bastante compreensível, afinal, a moro 10 mil quilômetros de distância de onde 99.9% do meu público mora).

rua

Conversei com os três por um bom tempo lá, dando o máximo de atenção possível e fazendo tudo que eu podia pra manter a conversa fluindo de forma bacana. Tento tratar todo mundo como se fossem broders que eu já conheço e cuja presença eu aprecio, em vez de “ah oi legal você gosta do meu canal que bacaninha ó vou lá, falou”.

Quando nos separamos (após convida-los a me adicionar no FB, e que se quiserem fazer alguma coisa por aqui é só me dar o toque, um “bora marcar” um pouco menos brasileiro — ou seja, mais sincero. Talvez porque moro fora há tanto tempo, perdi a manha do “bora marcar” retórico…?), a Bebba virou pra mim e perguntou “você realmente fica feliz de conhecer o seu público, não é?

E eu gosto demais. Eu me considero extremamente sortudo por ter vocês, a galera que acompanha meu trabalho, que curte o que eu faço, que recomenda pros amigos, que paga pelo meu contéudo, que me faz companhia dia e noite no Tuíter. Me sinto tendo milhares de amigos, espalhados pelo país inteiro. Pessoas que dão apoio quando preciso (e que puxam minha orelha também, o que é necessário numa amizade de verdade às vezes), e que me aturam a despeito de meus súbitos estouros de insuportabilidade.

Sinto que esses 10 anos que passei produzindo conteúdo na internet fizeram diferença na vida de alguém.

Se você alguma vez me vir em algum lugar, seja lá onde for, sinta-se à vontade pra vir falar comigo. Eu me considero honrado pelo fato de que você gasta seu limitado tempo me dando atenção.

[ Update ] Adicionei-os no Facebook e assim lembrei que o rapaz de branco, o primeiro que falou comigo, era o Paulo. Os outros dois, os Felipes.

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comments

17 comments

  1. Izzy, que bacana seu relato!!!
    Já vi você dizendo, várias vezes, coisas do tipo “sei que sou escroto muitas vezes” etc, mas, na verdade, você é um cara muito legal, dá pra ver isso nas entrelinhas, quando não está explícito mesmo!
    Abs!
    \o/

    1. Não sou o Izzy mas sei responder a essa: isso é mania de quem é autocrítico (e/ou) maníaco-depressivo; também tenho dessas…
      A gente fica pensando “puts! devo ser um porre! senão o tempo inteiro, pelo menos (boa) parte dele! como é que os outros me aguentam?!?”, e fica pensando TANTO isso que acaba sendo um ‘mel’ com deus e o mundo!
      Ou seja: somos mesmo escrotos. Mas nos policiamos tanto que os outros quase nem notam… Diz aí Kid?!?

  2. Poxa q daora esse lance de encontrar seus fãs pessoalmente, as vezes por estar tanto no “mundo virtual” nós esquecemos q cada numero da estatistica são pessoas com suas diferenças e q tem muito a acrescentar, meio louco isso. Sucesso Kid!

  3. Nosso tempo não tão limitado assim, vá! Sabe bem como é… acabamos sempre por mal utilizar o tempo que temos!!

  4. Sempre que eu vejo vc comentando que encontrou com alguém em algum lugar e soltando um “fulano que falou comigo agora em X lugar, manda a sua @ aí” eu fico com um pouco de inveja. Deve ser muito legal encontrar alguém que a gente curte o trabalho(muitas vezes não apenas o trampo, mas a pessoa que demonstra ser mesmo) e que fica tão feliz em trocar uma idéia contigo quanto vc em trocar com ela.

    Vejo pouquíssima gente dando atenção as pessoas do jeito que vc acaba dando, cara. Espero que isso não mude, afinal de contas somos seus amigos de bolso.

  5. Quando eu te encontrar na rua vou falar “O 2º livro ia sair em agosto do ano passado né canalha?”

    Rimos e fazemos amor em seguida.

  6. Admiro demais o trabalho do Izzy. Extremamente auto-crítico e sempre em busca da perfeição, talvez por isso que o seu trabalho seja tão bem feito.
    Além disto, preocupa-se bastante com os leitores e, pode parecer que não, mas importa-se com os haters também.
    Já quando nos conhecemos, fiquei surpresa com o jeito que trata seus “fãs”. Logo quis saber como o encontrei na internet, qual o texto que eu curti mais, qual conteúdo mais consumo, etc.
    E já aconteceu inclusive de esbarrarmos com um leitor enquanto estávamos numa boate e sim, o Izzy foi cumprimentá-lo e perguntar as mesmas coisas 😛
    A Bebba deve entender perfeitamente a importância dele estar sempre conectado com seus seguidores, porque ele mostra a todo tempo que é algo que o deixa mais feliz 🙂

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