Como muitos de vocês sabem, eu sempre fui um grande amante do PSP. Desde a época da finada PSP Brasil, no orkut, eu evangelizava todos ao meu redor sobre o potencial de emulação do portátil da Sony. Carregar no bolso TODOS os joguinhos clássicos 16 bits que eu tanto amava era simplesmente inacreditável. E quando o PSP se tornou capaz de rodar jogos de PS1, então? Eu havia pulado completamente a geração 32 bits, e agora me vi capaz de finalmente explorar a imensa biblioteca do PS1. Que bons tempos!

Meu apreço pelo PSP era tamanho que numa ocasião em que acidentalmente quebrei a tela tentando limpa-la, não vi recurso senão sair correndo imediatamente pra uma loja de eletrônicos próxima e comprar outro.

De lá pra cá, esses nossos sensacionais broders chineses vem fazendo inúmeros aparelhos que se equiparam e até vencem o PSP em sua capacidade de emulação — esse mérito se dá em parte pela adoção do Android como sistema operacional, que torna esses aparelhos imensamente mais versáteis que o PSP. Quem diria que eu, que passei tanto tempo zoando Android e seus entusiastas, viria nele uma imensa vantagem!

Eu cheguei a experimentar com um desses emuladores chineses, o Dingoo A320, que eu resenhei aqui três anos atrás. Aliás, como meus vídeos antigos eram bosta, viu. Isso nunca deixará de me surpreender.

O Dingoo, no caso, me agradava muito pela longevidade da bateria, a possibilidade de liga-lo à TV, e a portabilidade. O LCD deixava um pouco a desejar, com ângulos de visão limitados, e a biblioteca dele era bem reduzida ao padrão PSP a qual eu já havia me acostumado — porque realmente bem, 100% MESMO, o Dingoo só rodava GBA. Além disso, ele usava um sistema proprietário que limitava bastante o desenvolvimento de homebrew pra ele.

Vi vários emuladores portáteis indo e vindo nesses sites chineses e, embora extremamente intrigado, já ter TANTOS aparelhos que emulam limitou a minha curiosidade nestes outros brinquedos. Ficava difícil justificar gastar com um desses aparelhos quando eu tenho não um, mas dois PSPs

Até que veio a GearBest.

gearbest

Como vocês sabem, a GearBest é um desses sites chineses de compra. Há alguns meses, alguém do departamento de marketing deles descobriu o meu canal — suponho que eles fiquem bem de olho em criadores de contéudo brasileiro, visto que brasileiros se amarram nesses sites. Vendo que eu tenho histórico de resenhar gadgets, os caras se aproximaram, perguntando se eu me interessaria em resenhar aparelhos que eles me enviem.

De lá pra cá venho curtido um relacionamento basicamente perfeito com os caras da GearBest — recebo de graça produtos que eu já tinha interesse de obter de qualquer forma, isso me rende assunto pra criar conteúdo pro meu canal, as vendas dos caras aumentam, e vocês recebem recomendações interessantes de produtos às vezes bem desconhecidos. De quebra, eu recebo uma pequena comissão dos produtos que vocês compram através das minhas resenhas.

Ou seja, o mítico win-win-win que o Michael Scott tanto queria. Todo mundo sai ganhando.

(Vale adicionar que, apesar da comissão, eu tento ser bastante honesto em minhas resenhas dos aparelhos. Todas as falhas que eu perceba nos aparelhos serão expostas em detalhes.)

De tempos em tempos eu peço recomendações de produtos pra galera que me segue no Twitter. Sabendo do meu amor por aparelhos de emulação, algum broder (que eu infelizmente não me lembro agora) me sugeriu que eu pedisse a eles um GPD XD. Esse bicho aí embaixo:

gpd xd1

A imagem na tela do GPD XD nessa foto é o launcher TV Launcher. Para os não-iniciados no mundo do Android, um launcher é basicamente um “skin” que você joga em cima do sistema operacional, alterando a aparência dele. Como hoje se enfia Android em tudo que é aparelho, alguns launchers tornam o sistema melhor pra ser usado em hardware que foge do padrão tradicional de celular/tablet — por exemplo, uma smart TV ou setup box.

Experimentei com vários e no final achei que o TV Launcher era o melhor pra um aparelho como o GPD XD. Ele é totalmente customizável; como você pode ver no meu, eu defini como ícones dos emuladores as caixas dos consoles em questão — com a adição do ScummVM fodendo o padrão.

Tela

Foi facinho de configurar, aliás. Procurava imagens no Chrome, e atribuia-as aos emuladores no TV Launcher.

Sobre specs: o GPD XD roda Android 4.4 (bem atrasado, eu sei, mas num aparelho com propósito expresso de emulação, não me sinto muito limitado), com um processador quad core underclockeado pra 1.4ghz — no subreddit relacionado, a galera parece preferir uma ROM chamada “Legacy ROM” que permite liberar os 1.8ghz do processador, que foi intecionalmente reduzido pra conservar bateria, porque afinal de contas você não precisa muito mais que 1.4ghz pra rodar emulador.

O bicho tem 2gb de RAM, e vem em dois sabores: 32gb e 64gb, com entrada pra Micro SD que reconhece cartões até 200gb — além de saída HDMI, porta microUSB pra carregar/usar acessórios, e headphone jack.

Da esquerda pra direita: entrada pra cartão microSD, porta microUSB, porta miniHDMI, e headphone jack

Sobre emulação, o GPD XD roda essencialmente tudo que Android pode rodar, até o Dreamcast (sim, lisinho. Sim, até Shenmue). NES, SNES, Game Boy, Game Boy Color, Game Boy Advance, PS1, N64, Atari 2600, PSP, DS, tá tudo lá.

Pra rodar jogo de DS, o emulador funciona de uma forma interessante: Você pode dividir as duas telas do DS na telona do GPD XD como preferir. Em alguns jogos a ação se passa toda na tela de baixo, então você pode deixar a display debaixo (que seria a tela de toque) grandona na tela, e a tela superior (com informações semi-inúteis) aparecendo pequenininha do lado:

Em jogos como Super Mario 64, o oposto acontece — a tela de toque é basicamente inútil, te permitindo inverter o arranjo acima:

O legal é que o emulador salva a configuração pra cada jogo. E no meu caso, quando aperto L3 (o analógico não clica, então o L3 e R3 são botões do lado dos sticks), as telas invertem — assim, caso a tela outrora inútil precise ser acessada com mais precisão em um momento crucial do jogo, você pode fazer isso.

A propósito, pra quem estiver curioso, esse é o tamanho do GPD XD comparado a um 3DS XL:

Pra resumir: é um tablet em formato de console portátil, emulando tudo que Android é capaz de emular, permitindo também plugar na TV e jogar com amigos. De certa forma, é como se fosse um Nintendo Switch.

Ah, e tem uma bateria absurda de 6000 mAh. Quase esqueço de citar isso.

As principais falhas do GPD XD são as seguinte:

  • Não ter bluetooth. Isso é praticamente imperdoável. Ele tem saída HDMI, então você pode plugar na TV pra jogar os clássicos na sala — mas sem BT, você fica limitado a conectar um cabo OTG, e então um hub USB, e então os controles. Dá pra plugar controle wireless 2.4ghz, ao menos, mas BT teria tornado isso BEEEEM mais fácil
  • A “tampa” do aparelho faz um ruído alto quando você abre. Parece bobagem mas me incomodou bastante. Usuários de mais longa data me disseram que isso passa com o tempo de uso. Veremos.
  • De acordo com o que li em fóruns, se você plugar o GPD XD num carregador com mais de 5V, ele pode queimar. Nunca precisei ter cuidado semelhante com nenhum eletrônico, então achei estranho.
  • De tudo que eu testei, a única coisa que não emulou bem foram alguns jogos de PSP — os mais graficamente intensos, tipo God of War ou Prince of Persia Revelations. Felizmente, todos os outros rodaram de boa.
  • Apesar da boa construção, o meu speaker direito não funciona. Vasculhei em todos os fóruns, perguntei num grupo de FB sobre o aparelho, fucei o Google INTEIRO e ninguém mais reportou esse problema. Pelo jeito, meu tradicional azar me atacou fortemente de novo. Felizmente, o GPD XD é alto PRA CARALHO então não faz tanta falta assim — tanto é que eu demorei dias pra notar que só um estava funcionando. Meu pai, que tem formação em eletrônica, se disponibilizou a tentar consertar… preferi não arriscar.

Aqui está meu vídeo de impressões iniciais do aparelho:

Enfim, tenho que sair correndo pro trabalho. Estou preparando uma resenha COMPLETA em vídeo sobre o GPD XD, mostrando todos os features e tal. Posso te dizer já de antemão que o GPD XD cumpriu todas as minhas expectativas (que eram altíssimas), e substituiu o PSP completamente. O hardware é muito bom, o form factor é praticamente perfeito (depois de arranhar a tela do meu PSP Go, clamshell design me parece a forma correta de fazer um portátil), a emulação roda 100% de praticamente tudo que eu tentei, os botões são bem responsíveis, e funcionar a base de Android dá ao console uma excelente multi-funcionalidade — sim, você também pode ver Netflix, Youtube, Fêice, tuíter, dar bom dia no grupo de família do Whatsapp, tudo.

Se você tem alguma pergunta ou sugestão pra resenha, por favor, se manifeste nos comentários. Estarei lendo todos e respondendo dúvidas, uma por uma.

E antes que eu me esqueça: a GearBest agora oferece opções de parcelamento. Até março, se você parcelar em 6x é sem juros. Corre lá:

Compre o GPD XD de 32gb

Compre o GPD XD de 64gb

Esta é uma G7X.

g7x

No que diz respeito a câmeras mais fáceis de meter no bolso, essa aí é meio que o consenso entre os profissionais casuais de videografia — que é a forma mais “serious business” com a qual posso me referir a uma carreira de YouTube, mas ainda sem dar lá tanto crédito porque afinal, é um vlog. Consta como trabalho, ao menos?

Eu já achava que vlogar na rua usando a 70D (aka “Escola Casey Neistat”) era uma insanidade extremamente desconfortável. Bastou UMA viagem — aquela pra Ottawa, sensacionalmente sponsored by @CarlinhosTroll e a MyVIPBox.com — com a 70D pra eu decidir que nunca mais queria sair de casa com um trambolho daquele. Sair por aí com 70D, lente, tripé e microfone é um negócio que requer um certo nível de investimento, de comprometimento.

Talvez a little too much

Talvez a little too much pra uma porra de um vlog.

Não é algo que você traz só por trazer, porque “vai que acontece algo legal pra filmar!”. Eu precisava de algo com uma qualidade melhor do que uma GoPro, ou meu celular, e que servisse como uma alternativa à 70D.

E a G7X é comentada por todos os manos da fotografia/videografia que é essencialmente uma 70D portátil.

Demorei MESES pra achar essa porra de câmera aqui em Calgary. Por motivos que não entendo completamente, a G7X parecia permanentemente esgotada em todo território nacional canadense. Eu nunca vi nada esgotado tanto nas lojas físicas quanto nas online, e no entanto este era o caso.

Isso se repetia em TODAS as lojas em que eu procurei. Chegou ao ponto em que eu entrava nas lojas pra procurar só pelo hábito mesmo.

Eu ouvi várias teorias. Uma é que a câmera é um produto de nicho — point and shoot com aquele precinho salgado de DSLR –, e o Canadá tem afinal de contas míseros 30 milhões de habitantes. Pra você ter uma noção do que isso significa, pega o Estado de São Paulo, subtrai dele a população do Estado do Rio (algo que eu imagino que muitos paulistas seriam a favor), e dá os canadenses. Por isso, diz a hipótese, os retailers canucks não botaram fé que a parada venderia muito e pediam pouco estoque.

Cheguei a ouvir também que não era nada especificamente de errado com o mercado canadense, mas a G7X é tipicamente difícil de encontrar mesmo. Um cara de uma loja de câmeras aqui, que eu suponho que entende bastante de fotografia (ele tinha um bigode de hipster, coque samurai, tênis verde e óculos de aro grosso) disse que um dos processadores usados pela Canon na fabricação da G7X tá em falta, ou algo assim. Sei lá.

Ontem enquanto a patroa passava 5 horas na Forever XXI experimentando roupas que na real ela nem gostou muito e vai provavelmente devolver dois dias depois — a minha é a única que faz isso? –, eu dei uma passeada por uma loja de câmeras próxima. Totalmente pela força do hábito, só pra ouvir pela milésima vez “desculpe senhor, não temos” e voltar a jogar Angry Birds no celular.

Ah é, voltei a jogar Angry Birds a propósito. Cê tem noção que Angry Birds já tem quase 10 anos? E que tem QUINZE títulos de Angry Birds, ou seja — tem mais Angry Birds que Call of Duty’s? Cê sabia que porcos foram escolhidos como os vilões do jogo quando o desenvolvimento já estava quase terminado, e que foram escolhidos por causa da gripe suína que tava rolando na época? Enfim.

A moça do balcão, previsivelmente, falou que não tinha G7X no estoque e elaborou sua própria teoria pra isso. Sem surpresa alguma, eu já tava pra sair da loja, quando um outro maluco berrou lááá do fundo do estabelecimento:

“…epa, pera que tem uma aqui!”

Nem acreditei. Saquei o cartão mais rápido do que você se decepcionará com seus amigos em 2017 e momentos depois, estava num dos sofás do shopping, examinando a nova compra.

…e ao mesmo tempo, eu sentia uma pontinha de remorso. O dinheiro que eu gasto investindo no canal vem do próprio canal, e como tecnicamente é “trabalho” eu posso declarar no imposto de renda e obter um ressarcimento, então esse tipo de gasto é mais fácil pra mim do que pra maioria das outras pessoas. Entretanto, eu venho muito pensativo em relação a proporção matemática VdP/R — em outras palavras, Valores de Produção dividido pelo Retorno. Entenda aqui retorno tanto quanto financeiro, quanto de crescimento do canal.

Grandes valores de produção dividido por baixo retorno é uma proporção indesejada. O que você realmente que é um alto retorno, com valores de produção parcos. Isso é tão verdadeiro pra míseros vloggers, quando é pra grandes estúdios de Hollywood.

Quanto mais eu penso nessa relação, mais eu vejo que valores de produção são completamente paralelos ao sucesso de um vídeo. Eu sinto um certo retorno às raízes youtubísticas; onde um maluco aleatório falando com uma câmera qualquer no seu quarto, sobre algo com o qual as pessoas se identifiquem e sintam vontade de discutir e compartilhar, vale muito mais do que uma câmera topster*, técnicas de edição profissa ou qualquer outra coisa. Afinal, se você parar pra pensar, o sucesso do YouTube ali nos primórdios foi justamente isso — a galera tava assistindo menos TV profissional e vendo Phillip DeFranco ou Vlog Brothers em vez disso.

Um dos exemplos fundamentais disso é o Whindersson Nunes, certamente a maior história de sucesso do YouTube brasileiro mas até hoje alguém cujo nome me obriga uma Googleada prévia pra não errar a grafia. Nós nordestinos somos, digamos, criativos no que diz respeito a dar nome aos filhos.

O sujeito é um dos maiores youtubers DO MUNDO (29a colocação no momento, se minhas fontes estão corretas), literalmente uma das personalidades mais influentes entre os jovens brasileiros. O cara está cagando furiosamente pra valores de produção, edição cinematográfica, a melhor câmera possível, thumbnail atraente, SEO, e todas essas outras coisas que gurus de YouTube insistem que são primordialmente importantes. Aliás, não sei se essa “indústria” já explodiu aí também, mas aqui na gringa tá LOTADO de experts.

Então eu fico em conflito. Por um lado, eu sei que não precisava dessa câmera — podia usar a GoPro, por exemplo, ou até mesmo meu próprio celular pra fazer vídeos na rua. Mas eu sinto uma aversão estranha a usar esses equipamentos pra vlogar, então por mais que eu não precise de uma G7X, te-la acabará me tornando mais produtivo.

Na real, eu estou muito curioso pra saber o que VOCÊS acham. Acabei de dropar mil malditos dólares numa câmera, quando eu já tenho (xeu contar aqui) CINCO OUTRAS, porque sinto que a melhoria incremental na imagem dos vídeos gravados na rua valerá a pena pra vocês. Como vocês vêem essa questão?

*Usarei esse termo sem ironia durante 2017 e não há solução pra isso a não ser aceitar

No ano passado li este estupendo artigo do Wait But Why (sem dúvida o melhor blog da internet, pecando apenas pela demora entre atualizações), que me tornou fanboy tanto da Tesla quanto do Elon Musk.

model s

E alguns meses depois eu tive a oportunidade de dirigir um Tesla Model S, o belíssimo carro acima. E tive também a oportunidade de estupidamente perder a oportunidade de gravar um vlog sobre isso.

Geralmente eu evito “forçar” estranhos a participar do meu vlog; é meio constrangedor. Digo “forçar” entre aspas pra diluir o significado da palavra porque não tenho sequer o poder de realmente forçar alguém de estrelar nos meus vídeos. Me refiro a forçar alguém a participar por estar gravando um vídeo perto de alguém que não conheço.

Na situação em que eu estaria fazendo um test drive num Model S, o cara da concessionária teria que de alguma forma participar do vlog, mesmo que fosse apenas em papel de cameraman. Por isso, decidi não levar a câmera pro test drive e apenas “apreciar o momento”, uma sugestão que muitos amigos próximos me dão quando estou me preocupando em capturar o momento pra fazer um vídeo depois.

(A parte que eles sempre ignoram é que essa “preocupação” paga minhas contas, mas enfim.)

Quando eu chego lá, no entanto, o cara que faria o test drive comigo está animadíssimo pra que eu grave um vídeo da experiência. Numa infinita coincidência, o sujeito conhecia meu vlog em inglês (que é bem pequeno ainda, mas através de uso de hashtags da minha cidade, estou tendo um certo sucesso em divulga-lo localmente), e a Tesla é super amistosa com vlogueiros e outros tipos de criadores de conteúdo porque eles não gastam um centavo sequer em propaganda. Cada vídeo ou artigo falando do Tesla com entusiasmo é uma propaganda pela qual eles não pagaram.

Dirigir um Tesla é uma experiência bizarra. Primeiro, porque o carro exala futurismo. As maçanetas que retraem pra dentro da porta, a imensa tela no meio do painel do carro (conectada à internet, aliás, graças ao sinal 4G que todos os donos de Tesla recebem de graça da empresa), o fato de que o carro recebe updates de firmware que dão a ele funções novas de uma hora pra outra… o carro é tão DUFUTURU que não dá nem pra fazer a piadinha do “só falta ele se dirigir sozinho rsrsrs” porque a porra do carro se dirige sozinho.

(Aliás, o piloto automático do Tesla deveria ser o assunto central desse post, mas como fanboy do carro o texto acabou ficando bem mais longo.)

Segundo, por que há MUITO espaço dentro do carro. Como o veículo não depende do imenso aparato mecânico convencional que faz um automóvel comum funcionar, o carro acaba sendo muito mais espaçoso. O Model S é um sedan por fora, mas um SUV por dentro. Há espaço pra SETE passageiros no carro, e ele tem DOIS porta malas.

E terceiro, porque o carro é RÁPIDO. Inacreditavelmente rápido. O carro deixa Ferraris e Lamborghinis no chão no que diz respeito a aceleração (e lembre-se: o Model S é um sedan pra família, não um carro projetado pra correr).

Não apenas isso, mas ele é incrivelmente rápido ao mesmo tempo que é completamente silencioso. Todos nós temos algum tipo de experiência com veículos acelerando subitamente (nossos próprios carros, ou aviões, ver corridas de Fórmula 1), mas associamos intrinsicamente a idéia de velocidade com um algum som poderoso. O Tesla dispara violentamente do nada sem fazer qualquer som; é difícil explicar o quão estranho essa dissonância cognitiva parece quando você está dentro do carro.

Voltando pro esquema do piloto automático. Os Teslas tem uma função em que o carro se dirige sozinho, que eu também experimentei. Se eu achava a aceleração silenciosa do carro estranha, o piloto automático é literalmente aterrorizador. Ver o carro mudando de faixas e o caralho, o volante girando sozinho como que por mágica, é muito bizarro.

Embora a promessa de carros autônomos seja muito tentadora (afinal, mais de 90% dos acidentes são causados por burrice humana), é de se esperar que as primeiras versões da tecnologia tenha alguns bugs. A diferença aqui é que ser early adopter de um celular pode no máximo causar alguma chateação com uma função que não funciona tão bem, já ser early adopter de veículo autônomo pode causar uma morte horrível.

A colisão aconteceu em maio, mas só recentemente descobriu-se que o motorista estava usando o piloto automático na hora do acidente. Aparentemente, o caminhão que entrou no cruzamento onde o cara dirigia tinha uma carreta branca que foi confundida pelos radares do Tesla porque o céu acima estava nublado.

Daí o sistema não conseguiu diferenciar céu da carreta e passou por baixo da parada com tudo, obliterando o topo do carro. Pior, o carro continuou dirigindo um bocado até arregaçar-se num poste lá na frente.

O Elon Musk tentou rapidamente esclarecer que o sistema de piloto automático foi usado por 130 milhões de milhas nos EUA com seu primeiro acidente fatal, enquanto a média de acidentes automobilísticos fatais nos EUA é de um a cada 94 milhões.

Também foi apontado que é requerido do motorista atenção no trânsito mesmo quando o piloto automático está ativado; o fato de que o carro jamais freou parece sugerir que o motorista estava distraído no volante (usando o celular, talvez dormindo).

[ Update ] Testemunhas haviam dito que viram o cara vendo um filme no carro; eu não inclui no post porque me pareceu um tanto incomum que testemunhas pudessem ter visto o que o cara tava fazendo antes de uma batida. A polícia agora confirmou que achou um DVD player no carro, o que corrobora a versão das testemunhas — uma delas o motorista do próprio caminhão, que aparentemente tentou socorrer o motorista e ouviu o filme rolando.

Uma coisa é definitiva: ele não estava prestando atenção na estrada, como é recomendado pela Tesla.

Talvez seja importante lembrar que é perfeitamente natural que problemas com uma tecnologia necessária, porém não plenamente testada causem acidentes ou até mesmo mortes. Não demorou muito após a invenção do carro ou do avião pra que estes ceifassem suas primeiras vidas também, afinal de contas (e tinha muito menos gente dirigindo carro ou pilotando avião do que tem pessoas usando o piloto automático do Tesla). Eu creio plenamente que as estradas serão infinitamente mais seguras quando TODOS os carros forem autônomos — ou seja, todos guiados pelos mesmos algoritmos e eletronicamente conscientes dos outros carros na rua –, então espero que esse acidente sirva apenas pra melhorar a tecnologia, e não pra demoniza-la.

O mais trágico da história é a seguinte ironia. O motorista era Joshua Brown, ex-Navy SEAL, dono de uma empresa de tecnologia e entusiasta da Tesla. Você nunca ouviu o nome dele na vida, mas é bem capaz que você viu um vídeo que ele fez.

Neste vídeo de abril, o Joshua mostra como o piloto automático do seu Tesla potencialmente salvou sua vida, desviando de um caminhão que invadiu sua faixa abruptamente. Um mês depois, o mesmo carro cometeria um erro que custaria sua vida.

Na ocasião, Elon Musk até tuitou o vídeo, provavelmente orgulhoso do que seu carro foi capaz de fazer.

Parafraseando Jó: Tesla dá, Tesla tira.

Eu sempre fui um grande fanboy do PSP. Tendo aproveitado mais as funções “paralelas” do aparelho — leia-se “os emuladores e basicamente nada mais” –, estou recentemente descobrindo a biblioteca nativa do console e percebendo que negligenciei muita coisa excelente. Com uns 25 anos de atraso comecei finalmente a explorar a biblioteca do primeiro PlayStation, e que imensas jóias achei lá. Lamento não ter enchido o saco do meu pai com mais frequência por um PlayStation, embora ao menos eu possa redescobrir essas maravilhas hoje em dia.

Por isso, quando um broder meu ofereceu seu PSPGo praticamente novo por míseros 50 dólares, eu não pude resistir.

Destravei o bicho assim que cheguei em casa, clonei nele todo o conteúdo do meu PSP “velho”, e continuei curtindo os joguinhos. Sendo o PSPGo bem mais portátil, fica muito mais fácil leva-lo no bolso em qualquer ocasião.

E talvez essa tenha sido a merda. Nesse tira-e-põe de sacar o PSPGo do bolso e colocar novamente, aparentemente eu fiz isso aí com a tela do aparelho:

psp go

O descobrir de uma tela arranhada é um processo a qual estou bem acostumado. Primeiro, você percebe a aberração ótica causada pelo arranhão e pensa, esperançoso, que é um fio de cabelo bloqueando a tela. Usando o dedo pra mover o fio de cabelo, o desespero bate quando o “fio” não se move. Você ainda tenta futilmente uma segunda vez. Finalmente, com a unha, você sente a profundidade do risco. Não há como negar mais — tem uma TRINCHEIRA na porra da tela.

Não é um risco muito produndo, felizmente, e é visível apenas quando a imagem na tela é bem clara. Mesmo assim, pra um perfeccionista como eu, isso é como uma farpa dentro do meu olho. E por isso, começo a investigar a viabilidade de comprar um novo PSPGo.

E dessa vez, branco.

Por que não apenas comprar as peças e consertar o que eu já tenho? Bom, por dois motivos. Um, porque que o processo de acessar o faceplate do PSPGo é tipo aquelas cenas de filme em que você tira o código secreto de uma maleta, aí duas pessoas viram duas chaves simultaneamente pra acessar uma arma nuclear. Dê uma olhada no complicado processo e confirme comigo que eu provavelmente destruiria o aparelho umas 6 vezes durante essa tentativa.

O outro motivo é que eu já coleciono portáteis de qualquer forma, e talvez essa é a minha desculpa pra entrar no próximo tier de colecionador de console — o que tem as variants do console.

O colecionador que se preza geralmente tem o mesmo aparelho em todas as versões que ele existe — o branco, preto, azul, cor de rosa, versão Star Wars (TUDO tem versão Star Wars. Prove-me errado!), versão da Copa de 1998, versão que deram no Mcdonalds na Itália em 2003… como eu atualmente tenho apenas dois PSPs, mal posso me chamar de colecionador. É lógico, então, ir atrás do PSPGo branco.

E a primeira coisa que eu descobri é que o PSPGo branco é consideravelmente mais caro que o preto. Nos sites de leilão online, basicamente o único local onde se acha consoles descontinuados pelas fabricantes, O PSPGo branco é consistentemente entre 30 e 50 dólares mais caro. Faz um certo sentido, visto que é claramente mais bonito — por outro lado, eu sinto uma certa trepidação em dar mais de cem dólares pra algum aleatório qualquer do eBay confiando na palavra de que os outros 100 aleatórios que garantiram que ele é um bom vendedor.

Um comentário comum que ouço quando informei meus seguidores desse desejo por um PSPGo branco é o alerta de que eletrônicos brancos costumam perder sua alvura, adotando em vez dela o que eu convencionei chamar de “amarelo Pense Bem”.

Um caso extremo

É de fato uma preocupação minha, mas por outro lado, eu penso que boa parte do fenômeno se deve aos maus cuidados de donos que nem se preocupam em limpar o pó de Doritos da mão antes de manusear a parada. Ouvi alguém dizer que há muito tempo o produto químico que causava esse efeito foi removido do plástico industrial que se usa pra fazer esses eletrônicos, mas não tenho confirmação disso.

Mas eu quero um PSPGo branco.

no izzy no vr

Então né, no outro dia, fui visitar minha mãe. Era um dos (raros) dias em que eu não trabalho, o que paradoxalmente significa que eu trabalho pra caralho — todos os afazeres que acumulam durante a semana são despejados em mim nos meus dias de folga, como se o Izzy do Passado fosse empurrado-os com a barriga, pensando “ah, isso aí o Izzy do Futuro resolve no domingo!” Compras, lavar o carro, ver a família, lavar as roupas, passar um tempo com a esposa, devolver alguma roupa que não coube bem, limpar a casa, tudo isso precisa ser feito no mesmo dia. É complicado.

Chego na casa da mãe, coloco as conversas em dia, como lá o pãozinho de queijo que ela insiste que é bem mais saudável “porque é feito com farinha de mandioca” ou algo assim, e aí minha irmã me aparece com isso.
vr

Trata-se de um Google Cardboard, que é tipo um Lada dos headsets de realidade virtual. Na batalha entre PlayStation VR, HTC Vive e Oculus Rift, o Google Cardboard se destaca sendo o mais acessível, justamente por ser feito do mesmo material que a cama de um morador de rua, com a estabilidade estrutural de um móvel da IKEA montado com cuspe (depois explico um pouco mais sobre isso). O Cardboard é realmente só pra que o usuário casual veja como é que funciona esse negócio de realidade virtual. E considerando esse contexto, eu diria que é uma excelente compra.

Pra quem não entende como o Cardboard funciona: é essencialmente uma caixinha de papelão com um espaço pro seu nariz e duas lentes. Você abre um app de realidade virtual no celular (que divide a imagem em duas, uma alinhada com cada lente do aparelho), coloca o celular na caixa, e pronto. Ao mover a cabeça, o acelerômetro do celular altera a imagem que você vê na mesma proporção, fazendo seu cérebro pensar que você está “dentro” do vídeo que está vendo/jogo que está jogando.

Aliás, um parêntese rápido aqui — fiquei bastante surpreso com minha irmã ter comprado esse negócio. Minha irmã, a caçula da família, nunca teve inclinações tecnológicas, nunca foi muito chegada em videogame nem coisa do tipo. Aliás, eu poderia dizer que ela é firmemente anti-tecnologia, se considerar que quando ela tinha 4 ou 5 anos ela pegou um notebook do meu pai e, num acesso colérico, arremessou no chão com força. Eu ri pra caralho.

Aliás, deixa eu corrigir algo aqui — este modelo que eu tenho não é exatamente o Google Cardboad. Existe uma miríade de produtos similares ao Google Cardboard, num raro casos em que os genéricos são realmente a mesma coisa que o original. É, afinal de contas, uma caixinha de papelão com lentes.

Ah, e tem um botãozinho do lado superior direito, que aciona uma alavanquinha que toca na tela pra fazer input de comando. “Comando”, no singular, já que esse método limitado só permite dar um tipo de comando no jogo.

O que experimentei primeiro foram os joguinhos de terror, que mais se beneficiam pelo método de imersão da realidade virtual. Tentei o Sisters; tem um gráfico no nível “arcade no final dos anos 90”, mas é surpreendentemente eficiente pra dar uns sustos. Inclusive, aqui estou eu levando os tais sustos:

Sempre que eu peço pra minha esposa filmar algo pra mim e ela me faz esse desserviço de filmar na vertical eu questiono todas as minhas decisões na vida.

Este é o vídeo que você vê no Sisters, aliás:

 

Revendo aqui no YouTube a parada não rende efeito algum. A combinação do gráfico 3D da realidade virtual com o som no fone de ouvido realmente faz uma diferença absurda no que diz respeito a imersão. Mesmo com esses gráficos de Daytona USA você VAI levar uns sustos bons.

Depois, tentei o Insidious VR. Assim como o Sisters, este aqui é meio que um pequeno vídeo não-interativo — dessa vez pra promover o filme Insidious 3.

Talvez por ser um vídeo com atores reais e não um gráfico de Virtua Fighter 2, esse sim me deu uns cagaços violentos. Na primeira “assistida”, sozinho em casa à noite, eu não consegui ver todo. A sensação de estar essencialmente “dentro” de um filme de terror, e virar a cabeça pra direita e ver um bicho ali virtualmente do seu lado dispara TODAS aquelas reações ancestrais de pavor — os pelinhos do braço se erguendo, o disparo súbito de adrenalina… é realmente espantoso.

Não dá pra descrever a sensação, você tem que de fato usar o negócio. Eu, que sempre fui um MEGA proponente de VR em geral e de jogos de terror usando Oculus Rift/HTC Vive/PlayStation VR  especificamente agora questiono se eu poderia jogar esses games por muito tempo sem cagar as calças de medo. Aliás, se daqui uns anos aparecerem notícias tipo “netinho tenta trollar o avô com um Oculus Rift e mata o velho do coração”, eu não ficarei surpreso.

Esse efeito de olhar pro lado no VR e ver algo que estava (virtualmente) pertinho de você é realmente chocante. Como já expliquei aqui, eu tenho um medo completamente irracional de objetos grandes embaixo d’água. Aí eu resolvi testar a eficácia do VR em relação a imersão colocando esse vídeo pra rodar no troço:

Por causa da minha fobia, eu estava olhando pra TODOS os pontos do vídeo, menos o navio. Lá pelos 2:30, eu olho pra direita seguindo a trajetória de um dos mergulhadores e meu campo de visão é completamente tomado por uma das “torres” do navio.

Eu literalmente joguei o VR pro lado, no sofá. Instintivamente. A sensação é realmente poderosa.

Em relação aos joguinhos, não achei muitas coisas realmente legais. A exceção realmente é o End Space VR, uma versão mobile simplificada de um jogo pro Gear VR. Olhaí:

É bem bacana a parada — tão legal, aliás, que ontem na casa da minha mãe TODO MUNDO queria experimentar. Até minha própria mãe, que nem é muito chegada nesses negócios.

Mas eu tô ligado qual a pergunta que provavelmente está aí na sua cabeça desde o começo deste texto.

E AS PORNOZEIRAS, IZZY?

Eita nóis

A HBD Media & Conserto de Bicicletas é uma instituição cristã e de família. ENTRETANTO, como tenho uma obrigação jornalística de cobrir todos os aspectos de uma notícia, tive que evidentemente usar o Cardboard nesses sites pecaminosos aí que adotaram a tecnologia VR. Pra poder fazer um review mais completo, assisti um ou dois ou trinta desses filmes compatíveis com aparelhos de realidade virtual.

O processo é um pouco mais complexo do que simplesmente clicar num vídeo (você tem que antes instalar um appzinho lá qualquer que suporta vídeos em 360 graus), mas amigo.

AMIGO.

Eu acho perfeitamente plausível a idéia de que um headset VR e uma conexão com a internet pode ser usado como controle de natalidade. Isso é tudo que direi. Eu acho difícil que alguém que experimente putaria em VR algum dia volte a assistir esses filmes da maneira convencional.

Como eu sei que é exatamente isso que você queria saber se funcionava legal na realidade virtual, aí está o link da Amazon pra comprar o mesmo modelo que eu tenho. Se você comprar por este link cai um trocadinho aqui pro meu lado, que é uma prática que eu jamais usei mas se eu fiz vocês comprarem centenas de produtos ao longo dos anos, chega a ser burrice não receber uma pequena comissão por isso.

E eu tenho a impressão que vai ter maluco comprando isso aí feito louco.

novo iphone

Seguindo o roteiro anual estabelecido em 2007 (caralho, quase dez anos de iPhone!) a Apple está prestes a agraciar o nosso mundo com mais um celular. E eu tenho aqui informações privilegiadas sobre os novos features do futuro iPhone, que será definitivamente o melhor celular do mercado por 365 dias!

  • Lanterna 13% mais forte;
  • Cabos que durarão 4 meses antes de quebrar inexplicavelmente em vezes de 3;
  • Um processador duzentocore de 10ghz que permitirá que os apps do Zapzap e o Feice abram 0.8 segundo mais rápido;
  • Um novo conector pra recarregar o celular, atendendo novamente um dos maiores pedidos de nossos usuários: “por favor inviabilize todos os cabos e acessórios que eu já tinha”;
  • Uma bateria 30% menor, tornando o celular 0.03 milímetros mais fino;
  • Novo ícone para o aplicativo “Relógio”;
  • A traseira do celular dirá IPHONE em braile;
  • Headphones em qualquer cor que você quiser, contanto que essa cor seja branco;
  • Uma tela com um revolucionário tratamento a prova de migalha de Doritos;
  • Duas versões, o iPhone 7 (sem função de alarme) e o iPhone 7 SE (com função de alarme). O iPhone 7 SE custará 160 dólares a mais.
  • Opa, o conector mudou no meio da conferência, então quem comprou no pre-order do começo da apresentação já está com o modelo obsoleto;
  • “Piratas do Vale do Silício”, um dos 36 filmes baseado no Jobs — incidentalmente, o que alivia mais a barra dele — vem carregado na memória do aparelho;
  • Novo Apple Health, incluindo novos sensores biométricos e funções e como lembrar você de respirar, contador de piscadas e detector de peidos;
  • Novo ringtone baseado na música da Banheira do Gugu;
  • Várias escolhas no armazenamento: 4gb e 128gb (a versão de 4gb não comporta a nova versão de iOS, que pesa 120gb, mas é um belíssimo peso de papel);
  • Novo aplicativo de gerenciamento de finanças pessoais que te ajudará a manter as 800 prestações do celular em dia;
  • Versões limitadas das features que celulares Android tinham em 2011.

Já vou reservar o meu!

laptops

No momento, eu só me sinto realmente capaz de editar vídeos no meu desktop. Não é uma máquina particularmente capaz — aliás, sempre que eu posto os specs sou zoado por causa da fraquíssima placa de vídeo, que agora nem me vem à mente. É que no meu desktop, tá tudo organizadinho. Um monitor pra linha de edição, um pro preview, pastas com todos os video assets pros vlogs, etc. É uma máquina de trabalho, preparada pra trabalho, capaz de trabalho.

Aí às vezes me vejo na rua, com um monte de coisa pra fazer, preso a um MacBook Air de 11 polegadas velhinho de guerra. Este aqui:

IMG_9788

Levei o carro pra lavar hoje, com apenas 3 meses de atraso. Sabe o que também está MEGA atrasado? Meu vlog.

Tento pôr um vídeo no ar por dia — e nessa semana, assunto não faltou! –, mas a correria do dia a dia me impediu de cumprir a promessa. O pouco tempo que tive, decidi passar com minha esposa essa semana. Eu já tenho até material pra editar, e em momentos ociosos como esperar o carro ser lavado, eu até poderia… mas fica difícil no meu Mac.

Primeiro, porque ele é bem velhinho de guerra. A bateria, tal qual a pipa do vovô, não “sobe” mais — o que antes rendia umas 7 ou 8 horas honestas está reduzido a, quando muito, duas horas de uso initerrupto. Segundo que, embora 11 polegadas seja perfeitamente portátil pra um laptop, a edição se torna um pouco claustrofóbica (ainda mais quando você está há 3 anos acostumado a dois monitores de 27 polegadas). Em terceiro lugar, eu nasci e morrerei como uma criatura de Windows. Fale o que quiser, mas quando você já está acostumado ao OS, todo o trabalho é excepcionalmente mais eficiente. Acho o iMovie que veio com meu Mac paradoxalmente menos intuitivo que meu bom e velho Sony Vegas (e não, eu não vou migrar pro Premiere ou Final Cut).

Então, eu meti na cabeça que meu próximo laptop, que será totalmente pra edição de vídeo on the go, será um notebook Windows.

Meus critérios são:

– Eu queria algo relativamente leve/portátil. Me acostumei com o tamanho e peso do Macbook Air, então um daqueles laptops “desktop replacements” me apavoram. Entendo que portabilidade vem ao custo da performance, mas queria achar um bom meio termo;

– Tela de 13 polegadas, fazendo exceção pra 15 se o computador realmente valer muito a pena. O espaço entre 13 e 15 polegadas começa a fazer diferença numa mochila.

– Abaixo de 1000 dólares se possível.

Vocês recomendam algo que se encaixe nesses requerimentos?

IMG_0258-970-80

Lembra daquele slogan “IT JUST WORKS” que a Apple costumava usar uns anos atrás? Existe um motivo pelo qual a frase é costumeiramente usada em tom deboche.

Embora a Apple sempre tenha se orgulhado de tomar decisões de design e programação que valorizem a intuitividade, na prática há TANTA COISA da Apple que não funciona como deveria que não me surpreende nada que eles tenham abandonado o bordão. E eu, que sou um cupim de ferro (tm @Cardoso) capaz de destruir essentialmente qualquer aparelho eletrônico — caixas pretas resistem quedas de avião mas duvido que aguentariam um dia comigo –, tenho muita experiência com aparelhos da Apple falhando em minhas mãos.

Meus seguidores do Twitter estão meio que acostumados a tweets semanais de problemas com o iPhone/iTunes, por exemplo. Aliás, verdade seja dita — todos os problemas que eu já tive com o iPhone NA VIDA eram na real problemas com o iTunes, cuja obrigatoriedade do uso conjunto com o celular tornavam-nos por tabela problemas com o iPhone também.

Por exemplo — na época em que eu costumava dar sync do iPhone com o iTunes pra carregar músicas no aparelho, houve uma época em que os dois simplesmente pararam de se falar. Músicas não eram transferidas nem a pau, e eu tive que fuçar fóruns, tentar gambiarras… experimentei tantos workarounds que quando o negócio finalmente se resolveu, eu não sabia nem qual tinha sido o passo determinante do sucesso.

Isso me pôs numa condição de pavor de ter que trocar de computador; como o iPhone é intimamente ligado à sua instalação do iTunes, tem toda uma miríade de passos que você precisa tomar pra migrar a biblioteca de um PC pro outro.

Enfim. Meu ponto é que quando chegou o Apple Music, com a promessa de livrar meu iPhone definitivamente das garras do iTunes — aquele iTunes Match, o Apple Music 1.0, não conta. Que merda de serviço aquilo –, obviamente entrei com tudo. Eu já tinha experimentado outros serviços de streaming (Rdio, Deezer, Spotify, acho que em todos do mercado eu tenho uma conta), mas eu já estou tão acostumado com o ecossistema e os paradigmas de uso Apple que uma solução “in-house” da empresa do Jobs se encaixa melhor com meu estilo de uso.

E estou plenamente satisfeito com o Apple Music. Salvo um único perrengue nos primeiros dias de atividade do serviço, tudo agora funciona macio. Adiciono uma música no celular, já tá no iTunes do PC, do Mac, no iPad, é uma maravilha. Se meu PC explodir amanhã — e conhecendo meu histórico com tecnologia isso não é uma hipótese fantasiosa –, eu posso ficar tranquilo sabendo que minha biblioteca viverá nas nuvens como o Anjinho da Turma da Mônica.

O problema é que os Spotifiers não conseguem aceitar isso.

Usuários do Spotify são os Testemunhas de Jeová do mundo tecnológico. Deve haver no EULA do serviço uma cláusula que obrigue os aderentes a evangelizar o site a todos ao seu redor, a qualquer momento, sendo isto pertinente ou não. Sabe aquele seu amigo que começou a vender Herbalife então tu evita mencionar qualquer coisa relacionada a fitness perto dele, porque sabe que ele vai passar os próximos 10 minutos tentando te convencer a comprar um shake qualquer de 180 reais?

Então. É assim que me sinto ultimamente em relação ao Spotify. Se os caras oferecessem o serviço como solução num momento de necessidade, faria mais sentido — mas mesmo quando eu manifesto SATISFAÇÃO PLENA com o Apple Music, os caras chegam “sim mas você teria um minutinho pra ouvir a palavra do Senhor e Salvador Spotify?”

spotify

Fig1.: Vocês

Eu preciso que vocês entendam, finalmente, que eu não vou migrar pro Spotify.

Eu tentei. O catálogo canadense deixa a desejar (quando eu fiz o cadastro não tinha MICHAEL JACKSON mano. Se eu comprar um radinho de pilha feito em 1987 na Zona Franca de Manaus e ligar numa estação a esmo é capaz de tocar Michael Jackson), a experiência de uso é super estranha pra alguém que está acostumado ao Music.app do iPhone, importar minhas playlists não funcionou de forma alguma, eu simplesmente não fui com a cara do aplicativo por inúmeros serviços e — esta é a parte mais importante — o que eu estou usando está atendendo bem pra caralho.

Eu sei que muito provavelmente este post resultará num Streisand Effect e diversos engraçarolhos no Tuíter correrão às minhas mentions, cada um deles achando que é o primeiro George Carlin brasileiro a ter a brilhantemente cômica idéia de me sugerir o Spotify “”””ironicamente””””.

Poupe sua adenosina trifosfato e não digite isso pra mim. O Apple Music e eu somos felizes juntos, não quero saber dessa sirigaita Spotify, NÃO TENTE NOS SEPARAR PORRA.

Algum espertinho veio me admoestar no Twitter por ter perdido meu streak de um post por dia aqui no site. Acontece que eu trabalho de acordo com o horário de Calgary, que é afinal a sede de operações da HBD Media e Conserto de Bicicletas LTDA, e como aqui ainda são 21h eu não perdi meu streak coisa nenhuma, rapá!

Mas então, vamos falar de Everyday Carry, ou EDC porque já são nove da noite e eu tô cansado né porra?

Eu já conhecia a comunidade de passagem — após mais de 20 anos de uso constante e patológico de internet, é difícil haver alguma subgrupo internético que eu não conheça ao menos superficialmente — , mas hoje um seguidor me passou uma foto de bem bacana de um EDC que ele achou que combinava comigo (sem dúvida por causa do Game Boy Micro), e resolvi me re-familizarizar com a comunidade.

Everyday Carry se traduziria em português pra algo como “as paradas que trago comigo todo dia”. Os fóruns/sites de Everyday Carry são populados por fotografias enviadas pelos usuários mostrando as coisinhas que eles trazem nos bolsos diariamente.

Bem simples, né?

carry

Vai entender por que, mas há algo muito curioso em ver o que completos estranhos carregam por aí. Antes que percebesse eu já estava há horas vendo os EDCs dos malucos.

Uma coisa que percebi é que os EDCers americanos QUASE sempre contém uma arma, e facas — digo no plural porque muitos dos usuários tem duas facas.

facas

Os usuários internacionais costumam questionar essa aparente paranóia dos americanos, ao ponto de que perguntar sobre a onipresença das nove milímetros nas fotos é visto como um faux pas na comunidade.

Tanto que os caras criaram um mega FAQ pra responder isso, e demonstram claro desgosto quando alguém pergunta. Diga-se de passagem, as respostas são até bastante razoáveis — os europeus, em geral, criticam o fetiche ianque por armas, e estes em torno interpretam a pergunta “pra que diabo essa Glock aí mano” como uma crítica velada.

edc

Chega a ser estranho o quanto eu gosto de ficar fuçando nessas fotos. Ok, a maioria da comunidade parece uma amálgama de Tackleberry do Loucademia de Polícia com MacGyver, mas ainda assim há algo muito interessante em ver os pequenos kits que os caras usam no dia a dia — e muitas vezes, as explicações deles pra este ou aquele item te fazem pensar “caralho, eu preciso disso aí!”

Há um espírito constante de “preciso estar preparado pra mil coisas”, que a propósito eu já promovi aqui no blog, que seja talvez o que mais me agrada na comunidade — eu sou, como já mencionei mil vezes, um daqueles paranóicos incuráveis.

edc1

Embora você talvez ache o compartilhamento de EDCs um hábito estranho, se tu parar pra pensar isso é comum em qualquer “tribo”. Os nerds adoram mostrar seus setups (as famosas “battlestations”); gamers tem o hábito de postar seus “game rooms”, também. As vlogueiras de moda fazem vídeos de “haul”; músicos compartilham imagens de seus instrumentos, você não é um jogador de airsoft até postar uma foto das suas AEGS num fórum, e por aí vai. Tudo vem do ímpeto de querer compartilhar um pouco do seu mundo.

Minha própria esposa é lolita, e parte da graça da comunidade é mostrar umas pras outras as suas combinações e tal. Se tu parar pra pensar, é meio que uma variação de EDC.

bebba lolita

Óia ela aí

Então, vamos ao meu Everyday Carry!

meu carry

Clica pra ver imenso

  1. Universable Foldable Keyboard da Microsoft. Muito bom pra alguém que está tentando se ater a uma rotina de escrever um post novo TODO DIA;
  2. PSPGo moddado com ScummVM, SNES, Mega Drive, PS1, etc. Meu console favorito, pela versatilidade.
  3. GoPro Hero3+. Como comecei a filmar mais na rua, tá sempre comigo.
  4. Um PenDrive de 16gb.
  5. KoboGlo com uns 2gb de livro (tudo ficção científica, praticamente).
  6. iPad mini Retina de 64gb. Deixei na tela o que mais faço nele — ler HQ. Preciso pegar o de 128gb, que originalmente eu achei ser exagero.
  7. Rapoo H6060, meus fones de ouvido Bluetooth. Já tá BEM surrado, mas ainda funcionando de boa.
  8. Chaves do carro com o R2D2.
  9. Canivete suíço. Eu costumava deixar junto com o chaveiro, mas me informaram que isso FODE a ignição do carro.
  10. iPhone 6 Plus de 128gb.

Qual o seu EDC?

Se você está curioso sobre a comunidade, aqui está o subreddit deles.

pebble

Desde que vi smartwatches pela primeira vez, achei que era o cúmulo do “tenho muito dinheiro e não sei o que fazer com ele”. O primeiro Pebble, que foi uma das maiores histórias de sucesso do Kickstarter, até me fez pensar “putz, pena que não funciona com o iPhone. Maldito Steve Jobs…” por alguns instantes. Só que no geral, parecia custar demais e fazer de menos.

Talvez por isso eu preciso explicar por que finalmente embarquei nos wearables pra começo de conversa. No meu trabalho temos direito a algo chamado Flexible Spending. O artigo na wiki, que eu só li por cima porque estou sem paciência, se refere ao modelo dos EUA, e parece bem diferente do exercido pelas empresas canadenses. Então deixa eu explicar rapidim.

Todo ano, a empresa para qual eu trabalho dá uma “mesada” para os funcionários. O valor varia com o tempo que a pessoa tem de “casa”. Alguns que tão lá há muitos anos ganham 3 mil dólares. Eu, ainda recentemente novato, recebo apenas 600 dólares.

A idéia por trás disso é incentivar o crescimento profissional ou de saúde do funcionário. Você pode usar essa grana pra comprar qualquer coisa que possa ser razoavelmente justificada como uma compra profissional ou de fitness. O pessoal dos Recursos Humanos manda todo ano o PDF com artigos permitidos pelo Flex Spending; na prática, a única coisa que você não pode comprar é videogame.

Vale praticamente tudo. Quer um iPad? Você compra, manda o recibo pro RH, e marca num curtíssimo formulário uma caixinha que diz “leitura” (eles explicitamente permitem comprar iPads pra essa função; tá descrito por nome no tal PDF que eles passam).

Quer uma esteira nova, no mesmo formulário tu marca “fitness”. Tá afim de uma nova câmera, tem uma caixinha que diz “fotografia”.

No ano passado, eu usei a grana pra pagar meu curso de EMR — que embora não tenha NADA a ver com meu emprego, ainda é considerado pela empresa como “crescimento profissional” e eles honram o recibo –, e com o restante comprei uma Nike Fuel Band. Como ela não é a prova dágua, tratar pacientes com o troço se tornou inviável, e eu parei de usar no trabalho. Em seguida, parei de usar de vez, que é o destino de 99% dos instrumentos comprados com intenção de se exercitar mais.

O cabide no formato de bicicleta ergométrica na minha sala que o diga.

Recebi o email da galera do RH dizendo “ei, só pra lembrar, estamos já quase em novembro e você ainda não usou a grana que estamos literalmente dando pra você, acorda Izzy!”, e subitamente comecei a pensar em smartwatches. Sendo essencialmente de graça, peguei um Pebble, o original lá do Kickstarter.

E já de cara gostei tanto da experiência que devolvi e peguei então o Pebble Time Steel, uma versão mais recente.

pebble1

Logo de cara: por que esse Pebble Time Steel, e não um Moto 360, um Samsung Gear S2 ou um Apple Watch? O primeiro motivo é o preço. Por exemplo, o Apple Watch mais barato aqui no Canadá custa 450 dólares. O Samsung Gear S2, 400 conto. O Moto 360, 380 dólares (novamente, esse é o mais barato).

Em contrapartida, o Pebble MAIS CARO — ou seja, o com mais features, mais recente, e mais bonito — custa 300 dólares. Há até uma versão de 100 dólares, que é o Pebble original. Ou seja, o Apple Watch mais barato é mais de quatro vezes mais caro que o Pebble mais barato.

Por mais que o meu trampo esteja pagando a parada, eu não quero torrar minha “mesada” inteira com algo cuja utilidade é questionável. Então, comprar o mais baratinho me parece uma idéia sensata.

Em segundo lugar, ser a prova dágua. Parece bobagem, mas como eu literalmente não posso usar um relógio que não seja a prova dágua no trabalho, isso inviabiliza vários modelos de smartwatch. Ouço muito dizer por aí que o Apple Watch é “não-oficialmente a prova dágua!”, mas eu não arriscaria entrar numa piscina com um brinquedo de 450 dólares sem saber com certeza absoluta que ele não se tornará um peso de papel.

O Pebble Time Steel não é apenas “resistente” a água, que é o máximo que a maioria dos smartwatches (todos?) podem oferecer. Ele tem certificação pra até 3ATM, ou seja: dá até pra nadar tranquilamente.

relogim

Parece bobo que ser a prova dágua é um feature tão importante…

Em terceiro lugar, o Pebble ser mais como um relógio, enquanto os outros smartwatches tentam (e falham) ser um computador no seu pulso. O que eu passei a ver, após essas semanas com o Pebble, como a direção errada. Vou explicar lá mais tarde, porque eu acho que isso é o âmago da questão “pra que comprar um smartwatch, afinal?”

Em quarto lugar, o Pebble passou do que convencionei a chamar de “o teste do subreddit”. É o segunte:

Em 2012 eu tava louco por um Nexus 7; fui e comprei. Me juntei ao subreddit do tablet e percebi rapidamente que, ao contrário do /r/ipad, onde discutíamos diariamente os melhores apps, joguinhos, wallpapers bacanas, que tipo de uso mais se adequam a um iPad, no /r/nexus7 era todo dia uma constante choradeira por causa de apps que não funcionava, bateria que não durava, problemas de manufatura (o famoso screen lift, por exemplo, que de acordo com os relatos afetava literalmente todos os Nexus 7’s).

Não vi subreddit pro Samsung Gear S2 (que, em sua defesa, é um dos smartwatches mais bonitos, embora aparentemente não funcione com o iPhone), mas o do Moto360 segue o MESMO padrão que notei no /r/nexus7 — uma front page repleta de reclamações.

E isso me desestimulou de comprar um Moto 360. De lá pra cá, antes de comprar um gadget, eu fico dando uma olhada no subreddit correspondente pra já ir manjando quais os problemas mais comuns, e a incidência deles.

E em quinto lugar, o Pebble (ao contrário da maioria dos outros smartwatches no mercado) aceita pulseiras comuns de 22mm. Fui numa Fossil aqui em Calgary e comprei 3 pulseiras, que troco com frequência de acordo com humor/ocasião.

bands

Começando do canto superior esquerdo: Uma de nylon com esquema de cores que combina com uma das minhas watchfaces favoritas. Uma de borracha, que é ideal pra natação. Uma de couro, mais estilosa, e a pulseira comunzona que vem com o relógio. E não chiliquem com o Blastoise e o Charizard lvl5, eles vão subindo de level.

Se você usa relógio como um adereço de moda — um dos poucos que homens podem usar sem qualquer preconceito, aliás), poder usar pulseiras convencionais é bem massa.

Então, o Pebble. Este é o Pebble Time Steel:

watch

Esse é um dos watchfaces mais útil: mostra constantemente o próximo compromisso no seu Google Calendar. O que me faz querer usar o Google Calendar com mais frequência, porque isso tem uma utilidade IMENSA pra um amnésico como eu.

O relógio tem uma tela de e-paper, que se entendo bem é mais ou menos como e-ink, mas colorida, e com refresh rate melhor. Ou seja, é melhor em todos os aspectos — especialmente vida de bateria.

O Pebble Time Steel tem a promessa de até 10 dias de funcionamento numa única carga. Compare isso à longevidade (curtavidade?) do Apple Watch, que é descrita simultaneamente como “all day” e “up to 18 hours”. Eu achava que um dia tinha 24 horas, mas enfim.

E considere que a tela do Pebble está SEMPRE ligada, sempre mostrando informação, ao contrário da maioria dos outros smartwatches que fica constantemente desligado, até detectar movimento do seu pulso pra só então ligar a tela.

Alguns dizem que “mas Izzy, que bobagem, é só carregar todo dia durante a noite e pronto“. Não é tão simples por dois motivos — um, eu já tenho TANTA coisa pra carregar diariamente que literalmente me faltam tomadas no quarto. Não precisar remanejar os outros carregadores diariamente é uma mão na roda.

Tem a questão de paradigma de uso, também. Pra mim, ficar se preocupando com a bateria de um relógio acabar é um retrocesso sem tamanho. A vida INTEIRA usei relógios cujas baterias duravam literalmente anos; ver-me subitamente com battery life anxiety é muito anacrônico; é o tipo de coisa que eu acharia normal lá em seja lá qual foi o ano que relógios com baterias foram inventados. É como se de repente existissem no mercado um monte de notebooks com baterias que duram 40 minutos de uso. Por MELHOR que seja o notebook, é difícil aceitar isso.

O foda dessa bateria anêmica dos outros smartwatches é que não poder usar o relógio durante a noite derrota um dos principais motivos pelo qual eu o comprei: o aplicativo de monitoração de sono.

E aí entramos no assunto de aplicativos. O Morpheuz, no caso, é um app que detecta sua movimentação durante seu sono, te dando uma análise de que porcentagem do seu sono é leve, ou pesada.

morpheuz

Não apenas isso, mas ele tem uma função de alarme inteligente que literalmente mudou a forma como eu acordo todo dia. É tão eficaz que eu penso que num futuro com smartwatches popularizados, veremos a forma antiga de acordar como algo meio medieval.

É o seguinte. No app, quando você seta um alarme pra acordar, você não dá uma hora exata — tu coloca um intervalo. Digamos, de 7:00 às 7:30. O que acontece é que durante esse período, o relógio ficará de olho na sua atividade de sono, esperando os movimentos corporais que evidenciem que seu sono é leve.

NESSA HORA, o alarme dispara na forma de uma vibração branda, mas crescente em intensidade, no seu pulso. Você acorda na hora, sem aquela letargia que eu (como qualquer pessoa que dorme pouco) conheço tão bem.

Chega a ser uma sensação estranha até, porque o acordar é meio que instântaneo — justamente porque a vibração vem logo quando seu sono está leve. É tipo PÁ ACORDEI OK TÔ DE PÉ RUMBORA.

Isso literalmente mudou a minha vida, eu te digo sem exagero. E o alarme em forma de vibração no pulso feels like alguém te dando tapinhas; é uma forma infinitamente melhor de acordar do que estar enfiado até o talo no sono REM e de repente a música do Halo toca no volume máximo acordando minha esposa e os vizinhos.

Eu já conhecia a funcionalidade através do Sleep Cycle, um app de celular que funciona em fundamento semelhante, só que encontrei alguns problemas com ele. O principal é que ter que deixar o celular na cama faz com que ele frequentemente vá parar no chão porque eu tô me mexendo demais, fodendo completamente a funcionalidade da parada, e o secundário é que ele não diferencia tão bem o meu movimento na cama, do movimento da minha esposa.

Ainda recomendo que você experimente, porque é realmente foda, mas monitorar seu sono com algo que está preso no seu pulso é definitivamente um método melhor. Em sua defesa, a “apresentação” do Sleep Cycle é mais polida, e os gráfico mais detalhados.

app

Aquele pico de atividade às 3 da manhã é exatamente o que você acha que é. E sim, eu ri pra caralho na manhã seguinte quando fui dar uma olhada no gráfico.

Aliás, o site do Morpheuz tem uma aparência bem amadora até. Mas é grátis, fazer o que.

Em contrapartida, ele tem uns comandos de voz daora — e eles tornam o uso mais prático e direto do que ficar mexendo na tela do celular apertando botão aqui e ali e depois passar uns 3 minutos decidindo a melhor posição do celular na cama, com receio de que ele vai cair no chão de novo.

That being said, um update recente do Sleep Cycle promete monitorar seu sono usando o microfone, em vez da vibração do colchão. Ainda não testei, fica a dica aí pra vocês.

Enquanto o Morpheuz é bem foda, o mesmo não pode ser dito de 90% dos aplicativos do Pebble Time Steel. Não é que sejam ruins — é que você rapidamente percebe que não há literalmente NADA que você queira ficar usando na telinha de um relógio. Baixei tudo, e não vi um grande motivo pra usar nada.

O Notes, um programa que faz anotações de voz, é bem bacana — mas eu já faço isso com a Siri no iPhone de qualquer forma. Tem uns joguinhos, mas qualquer pessoa que realmente passe mais de 2 segundos jogando um jogo numa porra de um relógio precisa de ajuda psicológica. Não tem muito que você realmente precise fazer num app de smarwatch.

E aí entra no que eu falei láááá no começo — o paradigma “certo”, eu venho percebendo após esse quase um mês de uso, é um aparelho que seja primeiro de tudo um relógio, e que como um leve adicional permita receber notificações/usar uma tela diferente dependendo do seu humor naquele dia em particular.

A backlight não está ligada. Essa é a aparência normal da tela do Pebble quando você tá na rua, exposto ao sol.

Smartwatches como o Apple Watch estão tentando ser mais um mini-celular no seu pulso (mas fazendo tudo de forma inferior ao seu celular), e por isso tem um preço equivalente. Isso te força a ver o aparelho como um mini-celular, e inevitavelmente você vai querer usa-lo como mini-celular.

Ou seja, você vai ficar inconscientemente se reeducando a fazer nele o que você fazia mais confortavelmente no iPhone; vai querer ficar baixando apps e o caralho, e fuçando no bicho meio que num impulso de justificar a compra do novo brinquedo.

Se o Apple Watch custasse só uns 200 dólares, ok — eu aceitaria a proposição de não esperar tanto dele. Mas custando quase 500 pau, fica difícil NÃO querer ficar usando e acidentalmente descobrindo que fazer numa tela de 1 polegada o que você fazia tranquilamente numa de 5 não tem muito benefício.

O Pebble, por outro lado, vai em outra direção. Você olha pra ele e ele meio que te fala “Oi. Eu sou só um relógio. São 15 pras 3 da tarde. Ah, e além disso, como um adicional caso você no momento não queira/não possa usar o celular, aqui está o último email que você recebeu/seu próximo compromisso no calendário“.

De forma resumida, o Pebble não te incentiva a ficar interagindo tanto com ele de uma forma tão diferente de como você interagia antes com relógios.

E isso faz toda a diferença, eu acho. Coloco o Pebble no braço e simplesmente esqueço que ele é um aparelho de tecnologia; na maior parte do tempo, olho pra ele quando quero ver as horas, e pronto. Não preciso o tirar pra carregar toda noite, ou ficar desligando recursos pra faze-lo durar mais como é a estratégia de donos do Apple Watch. Que, resumidamente, “pegue esse seu relógio de quase 500 dólares e desligue TODAS as funcionalidades que te fizeram gastar os quase 500 dólares, assim transformando-o num relógio completamente normal com a diferença que agora você tá devendo mais pra Visa“.

Mas tem as watchfaces, que são as telas dos relógios. A loja da Pebble oferece um MONTE de “caras” diferentes pro seu relógio; basta baixar através do aplicativo do celular, e enviar pro aparelho.

Pra passar aplicativos ou watchfaces pro Pebble (e confie em mim, você realmente só vai usar com frequência esse segundo item), tu acessa o aplicativo do Pebble no seu celular — aliás, o Pebble funciona com Android E iPhone, algo que a maioria dos smartwatches também não faz). Baixa a watchface, e joga pro relógio.

Algumas watchfaces são mais ativas que as outras — tem uma do Street Fighter em que os bonequinhos ficam lutando e soltando magias um no outro, uma de pokemons lutando, as analógicas tem o ponteiro dos segundos se mexendo o tempo todo –, e de forma geral esses gastam mais bateria. Mas, como falei antes, consumo de bateria não é uma grande complicação com o Pebble.

É bacana. Tem tela pra tudo que é gosto: as mais “adultas”, as inspiradas em videogame, filmes, seriados, as abstratas, as super minimalistas… enquanto a Apple não liberar a criação de watchfaces pro Apple Watch, o Pebble segue com a maior variedade nesse quesito.

Tem até uma watchface que simula aquele localizador de Aliens, mano.

O mais chato de ter um Pebble é que sempre perguntam se é um Apple Watch, e minha vida seria mais fácil se eu dissesse apenas “SIM, É“, e não “não, é outro modelo de smartwatch“, que resulta em eu tendo que explicar quase tudo que eu acabei de te explicar aqui.

Pra finalizar:

Pebble Time Watch

Prós

– Bateria com maior duração da indústria;

– Possibilidade de usar pulseiras convencionais, pra quem curte ficar trocando o estilo do aparelho;

– Tela sempre ligada e disponível;

– Maior variedade de telas;

– Mais barato;

– A tela de epaper é sensacionalmente visível mesmo sob a luz direta do sol; aliás, ela é MAIS visível sob luz direta do sol;

– À prova dágua*

– Eu me esforcei pra pensar em todas as coisas que me incomodam no relógio pra inserir na lista de contras e não consegui pensar em muitas. Isso é um bom sinal;

 

Contras

– A integração com o iOS, por causa das típicas limitações da Apple, não é plena (você não pode usar Siri sem jailbreak, ou responder mensagens no relógio. Embora eu não veja grandíssima utilidade em responder um email numa tela de 1 polegada). Se você usa Android, ignore este item;

– Não tem tela de toque, você interage com o aparelho apenas com os botões (dois direcionais, um de seleção, e um de “voltar”);

– O bezel (ou seja, o friso ao redor da tela) é consideravelmente grande, o que o torna menos bonito que outros smartwatches. Se dessem um jeito de reduzir esse bezel ficaria irado;

– Comparado ao Samsung Gear S2, não é o smartwatch mais bonito do mercado;

– Não tem um alto-falante, ou seja, ele só te alerta de notificações através de vibração.

Conclusão: pode não ser o mais bonito, mas com longa bateria, à prova dágua, podendo mudar o estilo livremente com pulseiras convencionais, e simplesmente não ficar te distraindo tanto pra ficar mexendo na parada compulsivamente, o Pebble é o smartwatch mais “relógio” de todos os outros — e eu acho isso seu ponto mais forte.

*Tecnicamente, a própria Pebble diz que o aparelho é apenas “resistente a água”. Acontece que a definição de “waterproof” na gringa é uma questão legal espinhosa — pra que eles possam REALMENTE chamar de “à prova dágua”, plenamente, o bicho tem que ser essencialmente um relógio especial pra mergulhadores, daqueles que vão a profundidades de mais de 30 metros, e você possa sair apertando os botões embaixo dágua sem qualquer problema. A Pebble recomenda que você não fique apertando botões embaixo dágua, mas a menos que você seja mergulhador profissional ou queira MUITO jogar Pixel Miner na piscina, pra fins práticos o bicho é à prova dágua sim.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...