Tinder é uma merda

Eu havia comentado no Twitter que a coisa mais bacana de namorar é deitar no sofá num domingo sonolento e cair no sono juntinho enquanto neva lá fora (se possível ouvindo essa música aliás), mas fui prontamente corrigido por um seguidor — a melhor coisa de namorar é não precisar mais do Tinder (e afins) pra arrumar namorada.

Puta que pariu. Poucas vezes na vida eu concordei tanto com alguém. Minha relativamente breve experiência no Tinder e em seus adjacentes — como o Bumble ou o Plenty Of Fish, não sei quão comuns estes são aí no Brasil — apenas garantiu que eu nunca mais usarei apps do tipo na vida. E, estranhamente, eu consegui mais encontros através do Instagram do que em aplicativos declaradamente “de pegação”. Tenho algumas teorias pra isso.

O tipo de pessoa que eu conheci nesses aplicativos de pegação chegava a me dar alívio por estar solteiro. As pessoas com quem conversei/saí dão validade à teoria de que pessoas que precisam desse tipo de aplicativo tem ALGUMA coisa de errado que as impedem de conhecer parceiros por métodos tradicionais.

Em uma conversa particularmente confusa, uma garota me interrogou por um bom tempo sobre minhas camisetas. Ela queria saber se eu era um “t-shirt guy”, seja lá o que isso queira dizer. Ficou perguntando se eu tinha bastante camisetas, se eu a deixaria usa-las, quais cores eu mais tinha, se ela poderia dormir usando-as… Eu não sabia nem que era possível fazer tantas perguntas sobre um tipo de roupa. Eu tentava mudar de assunto e a maluca voltava a indagar obsessivamente sobre as porras das camisetas. Até hoje fico me perguntando se “camisetas” era algum código sexual/maconheiro.

De repente eu acidentalmente recusei a trepada mais louca da minha vida inteira por não compreender esses jargões das pessoas jovens e dinâmicas do Tinder.

Teve também a garota que topou sair, começou quase imediatamente a falar de sexo, me explicar suas preferências masturbativas, falar que terminou com o ex porque este não a comia direito, falar que estava há um mês sem transar “e que precisa mudar isso urgentemente rsrs”, sugerir que voltássemos pra minha casa (mas não sem antes passar na loja de birita na esquina e comprar mais álcool)… e mudar de atitude COMPLETAMENTE instantes depois quando entramos no carro.  Tipo dupla personalidade mesmo; eu tentei dar prosseguimento à conversa de cunho sexual (assunto que ELA puxou, detalhe) e ela me encarou como se eu tivesse feito algo esdrúxulo de pessoa de maluca de má índole, como colocar uma pizza no liquidificador ou começar Pokemon com o Bulbassauro.

Passei algumas semanas tentando descobrir o que diabo a fez mudar de personalidade tão rápido. Eu tinha acabado de limpar o carro, então realmente não consigo entender por que ela mudou de personalidade assim que sentou no banco do passageiro.

Em uma outra ocasião, saí com uma menina que parecia promissora. A conversa fluiu de boa, a garota tinha um senso de humor parecido e curtia joguinhos (a ponto de também ter uma tatuagem inspirada em um, algo que foi o pivô inicial pra conversa). Passamos alguns dias trocando SMSs, até ela revelar que era modelo — e me passar as fotinhas dos ensaios sensuais que ela fazia, pra eu “ver se ficou legal”. Como eu falei lá no começo: promissora.

Um dia eu tava de bobeira em casa, já deitado de cueca na cama pronto pra dormir, quando a garota me manda a SMS que é o santo graal da vida de solteiro — “ei… o que você está fazendo? ;)”. Foi como se tivessem injetado 100mg de viagra diretamente na minha piroca. Tentei não responder a mensagem imediatamente pra não deixar óbvio o claro desespero em que eu me encontrava.

Ou seja, esperei 5 segundos inteiros antes de respnder.

A garota falou que estava numa balada, e estava MUITO entediada, e havia pensado em mim, que seria legal se eu estivesse lá, que fazia um tempinho que a gente não se falava e ela estava com saudade, etc etc etc. Ela então manda outra mensagem, mostrando a roupa que estava usando. “Vem, vem!”

Se eu recebesse uma mensagem do meu médico informando que os exames retornaram e eu estou grávido, eu teria ficado MENOS surpreso do que receber uma SMS de uma modelo me chamando pra uma balada porque tava com saudade de conversar comigo. Me arrumei avidamente, desci e desrespeitei todas as placas de sinalização a caminho da tal balada.

Cheguei lá, a mina me apresenta pros seu círculo social (um monte de hipster rola-na-bunda com óculos de velho e manbuns, não é a toa que a menina tava entediada), e imediatamente me chama pra dançar. Como todo bom nerd gordinho, dançar não é exatamente um skill no qual dediquei muitos pontos de criação de personagem, mas nessas horas eu acesso as memórias genéticas dos meus antepassados forrozeiros tal qual um Assassins Creed: Ceará Stories pra não fazer feio.

No final da noite a menina me pede uma carona pra casa, quando então revela que tem namorado — que estava em casa fumando maconha, por isso não quis ir dançar com ela, e ela queria “se esfregar numa rola que funciona pelo menos uma vez na vida” ou algo nesses moldes. Fica aí o aviso pros amigos maconhistas, inclusive.

Caraio, se vai me usar descaradamente dessa forma, a ponto de admitir, usa direito pelo menos. Puta que pariu.

Eu vim a descobrir algum tempo depois que o Instagram era muito mais frutífero pra descolar encontros do que o Tinder e similares. Parte disso é que o Instagram não é declaradamente pra ficar com alguém, o que deixa todo mundo mais receptivo a uma conversa mais orgânica. Em outras palavras, os bate papos que eu tinha no Instagram não era uma repetição infinita de “vamos fazer de conta que eu não tô simplesmente tentando pegar você”, era uma conversa mais normal entre dois seres humanos.

O Instagram te permite conhecer melhor alguém, aliás. Tinder é aquela rotação infindável de selfies cuidadosamente curadas, fotinhas de viagens/festas, casados com piadinhas clichê no perfil. No Instagram também rola uma filtragem cuidadosa (ninguém mostra a vida como ela é nas redes sociais), mas as pessoas são UM POUCO mais autênticas no Instagram do que no Tinder. Você pode ver por exemplo como a pessoa interage com quem a segue, o que dá uma boa idéia do tipo de senso de humor e temperamento.

Tem um fator adicional que eu sei que não funciona pra todo mundo, mas me ajudou com um tipo específico de mulher.

O perfil ainda tá em inglês como herança do tempo em que eu usava Instagram pra pegar mulher — algo que alguns seguidores perceberam, aliás. Mantenho em inglês porque uso pra interagir com a comunidade de gamers retro/colecionadores, o que é uma fonte legal de visitas pro meu canal em inglês.

No que diz respeito a fama de internet, eu sou um ninguém. Não estou nem perto de gigantes como o Whindersson Nunes ou o Felipe Neto, e eu sei que jamais chegarei nesse nível.

Quando vou a eventos no Brasil, sou facilmente o cara menos “famoso” na salinha dos convidados VIP.

Por exemplo

Entretanto, quando habito os círculos de civis (isso é, gente comum que mal tem 100 seguidores no Instagram), os meus 84 mil parecem ABSURDOS — e tem mina que realmente tem fascínio por isso, a julgar pela ENCHENTE de perguntas que eu recebia sobre isso por algumas com quem eu puxava assunto. Teve uma garota que veio aqui, e mesmo já sabendo que tenho um canal do YouTube pelo qual sou conhecido, ficou claramente impressionada com a plaquinha de cem mil inscritos do YouTube na parede do escritório. Todo mundo tem um certo fascínio por gente “famosa”, mas pra algumas pessoas isso é realmente afrodisíaco.

No entanto, eu explorei pouquíssimo o potencial pegatório do Instagram, porque comecei a namorar pouco tempo depois de descobrir essa finalidade pra rede social. O foda é a trabalheira de sair dando unfollow nas meninas todas agora.

Mas isso é menos incômodo do que ser interrogado por uma desconhecida a respeito das minhas camisetas.

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13 comments

  1. A sensação que eu tinha é de que uma guria que está no Tinder é só porque ela está entediada pra caralho então tá naquelas de “vai que alguma coisa mágica apareça, emas to só matando o tempo mesmo então whatever”. Talvez seja uma coisa da minha cabeça, talvez seja uma coisa especifica das mulheres da minha região, talvez seja como as coisas são. Sei lá

  2. Tinder no Brasil (que é o país da putaria e libertinagem carnavalesca) no ano passado parecia uma extensão do Facebook, cheio de tias e mães trocando receita e curtida em foto dos netos, uma coisa bizarra. Teve um caso de chegar na coroa com um “te curti, vamo fudê?” e a véia ficar putassa com o desrespeito. Não sabe o que é sexo casual, tava ali é procurando marido……

  3. É compreensível que as experiências ruins em app de relacionamentos ,provoque uma espécie de trauma e aversão aos mesmos. No entanto, é importante considerar que generalizar as pessoas q o utilizam categorizado -- as como possuírem algum problema é , de certa forma , equivocado. Os app em questão não tem uma restrição apenas para pessoas com algum problema , se assim ó fosse , pediria algum atestado por um profissional da área (psicólogo/psiquiatra). Todos têm acesso a esse app , e podem encontrar pessoas muito legais , ou não…o que acontece EXATAMENTE se vc procurar ” de maneira tradicional” , até porque as mesmas pessoas que estão no app estão vivendo no mundo real e vc pode conhecer pessoalmente. Não é só no Tinder, Badoo etc… Que vc está sujeito a sofrer abusos , sequestros ou algo do gênero… é claro que , os riscos são maiores , mas, tendo o cuidado e a atenção extrema ao conhecer alguém online é muito importante para que esses riscos diminuam..E outra coisa , esses apps não são voltados para O NAMORO… e sim para conhecer pessoas e construir algum tipo de relacionamento , …o namoro n é algo que as e acha de forma instantânea em um toque no celular; e sim , uma conseqüência de um relacionamento previamente construido há um certo tempo… Enfim , conhecer pessoas online , sem precisar sair de casa( qd vc não tem tempo , ou falta de dinheiro , ) é algo louvável , basta saber utilizar e ter muita precaução. E também para quem é tímido (até porque ninguém é obrigado a ser extrovertido )e nem por isso a pessoa é doida ou algo do gênero

    Eu usei o Tinder , conheci a pessoa que hj em dia é meu namorado há 1 ano e nos damos super bem…como também fiz várias amizades saudáveis por lá , conheci até pessoas da igreja.

    Não se pode generalizar uma experiência ruim q vc passou a todas as pessoas q utilizam o app.

  4. Vc é casado ainda?

    E odeio Tinder, nao gosto de sexo casual, oq acontece 99,9% das vezes se vc usar esse tipo de app. E na verdade, prefiro ficar sem namorado do que usar isso aí. E eu nem encontraria alguém mesmo, já que sou mt diferente.

  5. Tinder é o maior câncer, virou um câncer puro, conheci uma garota lixosa, que era casada e tinha um relacionamento aberto, outra que trabalha em call center e é GP aos finais de semana, a maior loucura, desinstalando este lixo agora mesmo, nunca mais baixarei essa merda canceroza, sem contar que só tem balofas e prostitutas neste app e antes não era assim lamentável.

  6. Este negócio de só ter balofas é verdade, parece fat family, parece que o app é só para gordalhas, frustrante demais, só aparecem gordas, nada contra, mas zoado, homem gordo é normal, mas mulher gorda, inadimissível, muito feio, fedem na hora do sexo, são mais propicías a terem bafos, neste app só aparece lixo, antigamente era muito bom, no comecinho.

  7. Nesse aplicativo só tem escórias, isso explica o motivo de elas estarem nesse aplicativo, evidentemente, rejeitadas na vida real. Só aparece garotas esquisitas para mim, problemáticas e com costumes bizarros, já desinstalei o aplicativo, eu o utilizava em meados de 2017 e era bom, agora fui tentar usar novamente e percebi o quão lixo esse app se tornou, tentarei outros apps.

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