Este ano eu faço 30 anos. Trinta anos, mano! Puta que o pariu!

Você imaginaria que lá pelos 26, 27 anos a ficha do “yep, eu também envelheço, igual literalmente todos os outros seres humanos neste planeta, e a invulnerabilidade que eu acreditava ter era senão uma cruel ilusão” já teria caído. Mas por algum motivo, chegar numa idade redondida carimba aquela noção da iminente meia idade fortemente no seu cérebro.

E é quando tu fica velho que tu começa a refletir sobre um mooooonte de hábitos que marcaram a sua juventude, e que pela exceção de arqueólogos sociais serão esquecidos para sempre por baixo das Areias do Tempo. E em vez das Areias do Tempo legais do Prince of Persia, que te salvam após você cair num buraco e ter o fígado trespassado por espinhos enferrujados, estas Areias do Tempo da Vida Real fazem apenas a sua pança e seus triglicerídios aumentarem, e sua definição capilar diminuir.

Lembra quando a gente tinha que…

Usar Discman

Eu cheguei a ter um Walkman (que assim como o avião, tem supostamente um inventor brasileiro que o mundo não celebrou suficientemente), mas tendo “apenas” 29 anos estes já eram até um pouco defasados quando eu era pivete. O esquema legal mesmo era o DISCMAN.

Só fui ter um em 2002, se não me falha a memória; um presente da minha mãe. Aliás, eu era daquelas famílias em que só se dava um presente bacana pra um dos filhos se podia-se dar um idêntico pro irmão. E assim, em 2002 (porra, 12 anos atrás, PRA ONDE FOI MINHA JUVENTUDE E MINHA CAPACIDADE CARDIOVASCULAR), eu e o meu irmão ganhamos um Discmanzinho Lyra azul-com-cinza.

Eu devo ter até uma foto daquela porra aqui. Ou no mínimo, minha mãe deve ter. Pera.

Vamo ver se ela acha a foto. Enfim.

O Discman, como literalmente toda tecnologia “sonho de consumo” daquela época, é hilariamente inferior ao que temos atualmente. A parada rivalizava o Game Gear no quesito “destrói pilhas avidamente, te obrigando a transplantar as pilhas do controle remoto”, te limitada a um único álbum, e era menos portátil do que os atuais consoles portáteis, que inclusive são frequentemente criticados pelo mal emprego do termo pra se auto-descrever.

Manja como era um rolê com o Discman:

Era como sair por aí carregando um prato no bolso.

Ir à locadora

Fiz uma pesquisa rápida no Twitter pra saber se locadoras também entraram em extinção no Brasil, como aqui. Lembro que quando mencionei isso na rede social há uns 2 ou 3 anos, me informaram que a indústria do home video baseado em lojas físicas ainda seguia firme e forte aí na ex-Terra de Santa Cruz.

Aqui, as locadoras começaram a agonizar lá por 2009, acho. Elas foram fechando em efeito dominó, uma atrás da outra, até que DE REPENTE todas se foram. A gente acompanhou no começo, com um “ué, tão fechando tudo, né? Meh” até que um dia olhamos em volta e já era. E todo o hábito relacionado — o esquema de passear pela loja, procurando um bom filme pra ver numa tarde de sábado — morreu.

O sinistro é que os prédios em que elas existiam, agora como cadáveres desabitados pela a “alma” do estabelecimento que ali jaz, ficaram igual o defunto dessa analogia — ninguém quer chegar perto, como se fossem tabus ou amaldiçoados/assombrados. Tinha uma Rogers Video (a minha operadora de celular é ao mesmo tempo prestadora de TV a Cabo e rede de locadoras. No caso deste último, ERA) perto de onde eu morava que fechou há uns três anos e até hoje nenhum outro comércio ocupa o prédio, e o mesmo acontece com os restos mortais das Blockbusters da minha região. Como se fosse um ambiente amaldiçoado pela morte prematura de um modelo de negóçios moribundo!

É foda, porque eu tenho uma longa relação com locadoras. Meu pai, tecnófilo inveterado e early adopter de quase tudo, foi um dos primeiros da sua galera a comprar um videocassete, e por isso cresci alugando filmes em VHS. Sinto falta do hábito de ir à locadora escolher um filme, ou pelo menos ALEGO sentir falta quando penso na morte desse business model, porque pensando bem meeeeesmo… anos antes da sua morte, eu já não frequentava mais locadoras tanto assim.

E talvez isso seja parte do problema. Talvez é por isso mesmo que elas morreram: porque apesar de quase todos suspirarmos nostalgicamente pelas lembranças das locadoras, não estávamos mais contribuindo tanto assim pro seu funcionamento. Malditos torrents!

E gostaria de registrar o descontentamento com a minha mãe, que até agora não achou a foto do meu antigo Discman. E isso é um efeito colateral do fato de que antigamente, a gente tinha que…

Tirar fotos físicas

filme

Lembro quando as câmeras digitais surgiram. A minha PRIMEIRA reação foi “ah, legal, uma foto na tela do computador. Como vou mostrar essa foto pros meus amigos…?” É um pensamento curioso, porque já existia email, instant messengers e tudo; é realmente um testamento do fato de que o hábito de trocar fotos (alguns diriam “de expôr nossa intimidades/trivialidades exageradamente), que é possível há MUITOS anos, só veio se tornar um fenômeno cultural de fato com o advento das redes sociais.

E mais curioso ainda é perceber que aquele paradigma mudou totalmente. Em 2002, quando meu pai comprou aquela sua primeira câmera digital (movido pela tecnofilia/early adoptismo das quais que sofreu), a câmera era nada além de um brinquedo, uma curiosidade, um “gimmick”, porque produzia fotos que eu não podia levar pra mostrar pros amigos da escola ou algo assim.

Legal — eu pensava — são fotos reveladas! Essas eu posso montar num álbum que capturará perfeitamente aquela viagem pro interior, pra eu poder então mostrar pra colegas de trabalho desinteressdos eOPA, minha mãe respondeu!

Ok mãe, não era essa mas tá valendo

Hoje, como eu ia dizendo, é totalmente o contrário. Uma câmera de filme só tem desvantagem. Primeiro, exige a sacal tarefa de ir em algum lugar revelar o filme por meio de algum processo químico que não é bom pro meio ambiente (eles nunca são. Nem um singelo peido tem pegada ecológica neutra, eu aposto, ainda mais se for peido de feijão! Esses são tensos).

Segundo, porque daquelas 36 poses do seu filme Kodak, 3 eram desfocadas, 2 tinham um dedão na frente da câmera (ou talvez era um pênis, aquela viagem pro interior foi LOUCA mano), 4 queimavam e em todas as outras a turma parecia coelhos da páscoa, tamanha era a vermelhidão nos olhos de todo mundo. Novamente, não sei se o flash é principal culpado deste artefato fotográfico, porque viagens pro interior né mano… São loucas, conforme supracitado.

Além de todas essas desvantagens, fizemos o caminho inverso no que diz respeito ao compartilhamento das fotos. Outrora, o útil era um álbum de fotos na mão pra levar pra galera. Hoje, isso seria um fardo — ter que escanear as fotos uma por uma ou, mais comumente, tirar fotos desfocadas pra jogar no Insta com algum filtro sem sentido.

Foi uma total inversão daquele hábito. Nem sei se sinto falta do método antigo, pra ser sincero.

Que outros hábitos ficaram pra trás sob as Areias do Tempo?

[ Update ] Achei uma outra foto em que os tais Discman aparecem!

computador

Esse era meu quarto quando eu morava no Brasil, em 2002. Repare no gabinete aberto do PC, pra ajudar a ventilação.

Hoje em dia, assistir vídeos na internet é lugar comum. Eu chegaria a arriscar que 70% do conteúdo que o Internauta Comum consome na rede são vídeos, facilitados pelo sistema de content delivery/espírito de comunidade do YouTube.

Mas houve uma época em que vídeos não eram tão triviais. No pré-banda larga, o vídeo tinha que ser realmente MUITO BOM, ou MUITO ENGRAÇADO, pra conseguir chegar às massas. E não apenas porque demorava quatro dias pra carregar um vídeo navegando na discadona: sem um repositório universal de vídeos como o YouTube (e sem as onipresentes redes sociais, vale lembrar, que facilitam o compartilhamento), o potencial viral de um vídeo naquela época era muito pequeno. Quem aí lembra de receber vídeos por email? É possivelmente a forma menos eficiente de compartilhar um vídeo, perdendo apenas pra desenhar o vídeo frame por frame e mandar pra um amigo por carta com as instruções pra transformar em um flipbook.

assim

“…aí é só fazer barulhos de tiro com a boca!”

E mesmo nesse ambiente tão hostil para conteúdo audiovisual, algumas obras internéticas se tornaram clássicos eternamente memoráveis; os Cidadão Kane da era da informação.

Estou me referindo a…

1) Elektronic Supersonic

Moro no Canadá há mais de 10 anos, então pra mim a maior referência de algo que muito velho é “caramba, isso é do tempo que eu ainda morava no Brasil!” E Elektronic Supersonic é dessa época — ainda lembro de baixar essa porra na minha banda larga Velox de incríveis 256kbps.

O rapaz aí no vídeo é o Zladko Vladcik, suposto pop star máximo da fictícia nação da Molvania. Com um clipe digno de estrelar no Piores Clipes do Mundo e uma canção repletas de erros gramaticais e de sintaxe, esse vídeo capturou minha atenção por anos. Demorou muito pra sacar que a parada não é legítima (olha a Era da Ignorância em que vivíamos antes da Wikipédia!), e que o bigodudo aí é o alter ego de um comediante australiano chamado “Santo Cilauro” — uma das poucas situações em que o alter ego criado com propósitos de galhofa tem nome mais verossímil que o nome real do sujeito.

2) Avaiana de Pau

A Avaiana de Pau é uma relíquia de um mundo perdido — a era pré-sites de streaming de video, quando o truque pra divulgar video era faze-los como animação em flash. E lá nos idos de 2004 os Irmãos Piologo pioneirizaram o humor brasileiro absurdista em animação flash com este pseudo-informecial anunciando as qualidades disciplinárias de uma sandália feita de madeira.

Os desenhos zoados, a voz cartunescamente afetada e a violência gratuita dos desenhos foram uma receita para o sucesso.

E falando em violência gratuita…

3) Happy Tree Friends

Violência é um componente que está no DNA dos desenhos animados, desde os primórdios. Tenho inclusive uma tia que era contra expor crianças aos desenhos animados por causa das brigas, explosões e bigornas caindo na cabeça — em sua opinião, uma criança muito nova (lá em seus 5-6 anos de idade) não tem qualquer discernimento e fica bem inclinada a repetir as ceninhas “engraçadas” com os amiguinhos, sem compreender as consequências.

Happy Tree Friends, teorizo que encorajado pela popularização da hiperviolência cartunesca de South Park, elevou a sanguinolência animada ao vigésimo grau. O contraste de animais fofinhos explodindo em sangue das formas mais gráficas possível me cativou desde o primeiro episódio, e eu lembro que divulguei muito essa porra na faculdade.

4) Xiao Xiao

Em 1999 o filme The Matrix, com suas viagens filosóficas, efeitos especiais pioneiros e coreografias mirabolantes de wire-fu, mudou completamente o cenário cinematográfico. Pelos próximos 3 ou 4 anos, por exemplo, exauriu-se completamente a graça do bullet time de tanto que abusaram daquela porra. E aquele estilo de lutas malucas usando kung fu de nível mítico “sou essencialmente um super herói”, com múltiplos adversários e tal (uma convenção cinematográfica já bem datada dos filmes chineses) ganhou a atenção maciça do ocidente.

Foi nesse zeitgeist que Xiao Xiao apareceu. Um bonequinho de palito é geralmente a mais rasteira interpretação artística… exceto quando você o anima expertmente lutando contra inúmeros oponentes numa sequência que poderia servir como storyboard de coreografia pra um filme de ação do caralho.

5) Star Wars Kid

Ah, Star Wars Kid! Este foi provavelmente o primeiro vídeo viral como conhecemos o termo.

Em 2002, o garoto canadense Ghyslain Raza pegou uma câmera do departamento de audiovisual da escola e se filmou fazendo essa lamentável imitação dos melhores momentos do Darth Maul em Episódio I (e, por extensão, os melhores momentos do Episódio I em si de uma forma geral). Entretanto, o moleque esqueceu de levar a fita da câmera consigo.

Seus amiguinhos desgraçados encontraram a fita e, regozijando-se na desgraça do colega, fizeram um brainstorm: “como poderemos envergonhar esse infeliz ao máximo?”

Não deu outra: a internet.

Um dos mequetrefes digitalizou a filmagem e tratou de repassar pro resto da escola via Kazaa (lembra do Kazaa?)

kazaa

A era do pornô baixado acidentalmente

A comunidade de efeitos visuais, achando que a humilhação do gordinho não estava ainda plena, dedicou inúmeras horas à nobre tarefa de adicionar light sabers e efeitos sonoros na filmagem. Fizeram incontáveis remixes dessa merda, e houve até uma petição pra que o George Lucas incluísse o moleque no Episódio III. Lembro que até postei o bannerzinho da petição no HBD da época (pra quem não sabe, este site tem mais de 10 anos de existência!).

Diz a lenda que o moleque processou seus algozes e custou a voltar a ter uma vida normal após a divulgação daquele seu curta metragem. Eu entendo perfeitamente; sou o tipo de pessoa que divulga este tipo de coisa lamentável sobre sua vida pessoal, e mesmo assim eu morreria de vergonha se os filminhos que fiz quando moleque com a câmera do meu pai viessem a tona.

lolizzy

Eu mostrando minha revista Herói que falava sobre a visita do Christopher Lambert ao Brasil pra promover o lançamento do filme do Mortal Kombat. 1995.

Poisé. Tem um outro trecho neste vídeo histórico, em que eu e meu irmão apresentamos um telejornal chamado “Lá Daqui a Pouco”. Eu era um comediante nato.

izzy e dan

Se você manda bem na leitura labial, perceberá que em determinado momento eu falo “Mortal Kombat o Filme”. Eu era viciadíssimo por essa porra.

Poisé, Star Wars Kid. Eu sinto a sua dor!

Eu perco muito tempo na internet, e imagino que você também. Pra você ter uma noção, eu comecei a primeira frase desse post às 6:45pm, e só comecei a escrever esta aqui às 7:38pm. Entre uma frase e outra joguei umas rodadas de 2048 (não clique), discuti com alguém no Tuíter, fiz aquela vasculhada de sempre no FB, fucei o Reddit, vi uns cinco vídeos no YouTube.

É foda. Diariamente, eu e você gastamos inúmeras horas na internet. E o que é pior, esse tempo gasto em distrações na internet não se acumulam em nada tangível. É um puro desperdício do mais importante recurso não-renovável à nossa disposição: o tempo.

Não seria legal se conseguíssemos usar o poder da rede mundial de informação pra, bem, obter mais informação…?

E não qualquer informação inútil não, tipo trivias do IMDB/TVTropes ou resumo do dia do BBB. Me refiro a informação realmente útil, que te dê um retorno tangível na sua vida.

Por isso, eu resolvi compilar aqui uma listinha que poderá te ajudar a virar mais inteligente. Basta remanejar algumas das centenas de horas que desperdiçamos por ano na internet em prol de se tornar uma versão melhor de você mesmo. Vamos lá.

1) Khan Academy

khan

Eu não poderia começar essa lista com outro site.

Lá nos idos de 2011, cansado de um marasmo profissional, eu havia decidido voltar aos estudos. O problema é que minha high school aqui no Canadá fez uma lambança sensacional com minhas notas do colegial brasileiro — basicamente, eles não a adaptaram pro padrão canadense, apenas colocaram um visto do lado das disciplinas, como quem diz “YEP, ELE CURSOU ESSAS MATÉRIAS SIM!”

Qual o problema disso, você deve estar se perguntando? Aqui, não existe o que conhecemos como vestibular — pra ser aceito numa faculdade, você precisa ter boas notas no boletim — notas no equivalente canadense, o que a escola que eu cursei aqui não me deu. Esses vistos que eles deram nas matérias do meu boletim não servem de absolutamente nada.

E pra finalizar a lambança eles também perderam meu boletim original.

Ou seja: aos 26 anos de idade, disposto a voltar a estudar (e finalmente com dinheiro pra pagar; aqui não existe ensino gratuito), eu não podia sequer me matricular em curso algum porque era basicamente um high school dropout — ou seja, alguém que nem terminou o colegial.

Havia duas opções: eu poderia fazer um (caro) supletivo — e assim cursar o colegial DE NOVO –, ou podia fazer os “challenge exams”. Três provas sobre o conteúdo relacionado do meu curso (biologia, química, e matemática).

Comprei uns livros de exercícios mas estava sofrendo horrivelmente — até que conheci o Khan Academy. Nele, você encontrará aulas gratuitas em vídeo sobre os mais variados assuntos. Incluindo todo o material que cairia nas minhas provas.

Desse dia em diante, meu dia a dia no trabalho (ou melhor, noite a noite, porque eu trabalhava de madrugada numa sex shop) se resumia a estudar ferozmente nos momentos de baixa atividade.

E graças ao Khan Academy, passei nos challenge exams e pude voltar a estudar.

[ UPDATE ] Estão traduzindo o Khan Academy pro Português, aliás.

2) Duolingo

duolingo

O Duolingo é um serviço inteiramente grátis (como o resto dessa lista) pra aprender línguas. Tem espanhol, francês, italiano, alemão, tem tudo. E sim, o site oferece interface em português — embora neste modo, as línguas se limitam a inglês e espanhol. Então sua missão é aprender inglês no Duolingo, pra então poder acessar as outras línguas!

As aulas são bem completas, começando do básico do básico (verbetes pra palavras simples, como “HOMEM”, “MULHER”, “ÁGUA”, essas coisas, e cobrem toda a gramática e sintaxe da língua.

A interface é muito bonita (tanto na web quando nos apps pra celulares iOS e Android) e limpa, e transforma o aprendizado da língua num game praticamente. EXTREMAMENTE recomendado.

Imagina seu nível no italiano ou alemão no final do ano se TODO DIA você dedicar 1 hora ao estudo da língua até dezembro…? Você não vai ficar fluente em 9 meses, é verdade, mas uma arranhadinha competente NO MÍNIMO você vai poder dar.

E você terá adquirido esse skill totalmente de graça.

3) Justin Guitar

justin

Lá nos idos de 2000-2001, quando eu comecei a aprender a tocar violão, não tínhamos a benção/maldição da conexão internética perene. Acessar a web era um hobby limitado aos fins de semana e os feriados nacionais — e por isso, a rede mundial de computadores não era uma distração tão constante.

E eu preenchia meu tempo livre tocando violão. E, pasmem, eu era BOM naquela época.

14 anos depois, eu perdi quase totalmente meu skill na parada (devo lembrar menos de meia dúzia de músicas, e minha habilidade se oxidou quase que completamente). Tenho três guitarras e um violão que ficam aqui literalmente empoeirando.

poeira  guitarra

Se o Izzy de 2001 (que se contentava com o violão que a mãe usava pra tocar na igreja) soubesse que anos depois ele teria inúmeras guitarras e que elas estariam basicamente abandonadas na parede, ele se revoltaria.

Por isso eu penso que devo a mim mesmo voltar a praticar o instrumento. E o Justin Guitar é um recurso gratuito excelente pra quem quer voltar a praticar, com aulas (em vídeo e com anotações em texto) super completas que vão do mais básico (como fazer um Ré maior, por exemplo) até lições mais complexas como teoria musical, arpeggios, e etc.

A internet pode ter roubado minha atenção pra me dedicar a outras coisas, mas não há como negar que ela democratizou a informação. Na minha época, o método mais barato de aprender violão era comprando revistinhas com cifras. Hoje temos (de forma completamente gratuita) aula com músicos profissionais.

4) Crash Course

Você, como eu, deve passar bastante tempo no YouTube, né? Que tal então passar um pouco mais do seu tempo em canais que te ensinem algo útil?

crash course

Esse é o Crash Course, um canal educativo apresentado pelo Hank Green (que tem outro canal educativo). Preferi indicar o Crash Course porque ele tem uma pegada um pouco mais educacional/acadêmica que o SciShow, que é mais informação de cultura pop.

“Crash course” é uma gíria gringa que significa mais ou menos “resumão”; seria um cursinho bem rápido que te dá todos os conceitos fundamentais de um assunto. E é isso que o Hank faz no canal, com aulinhas super interessantes e detalhadas sobre história, psicologia, química, economia, e outros.

Eu já gosto do cara, e descobrir esse canal foi sensacional. Estou aprendendo neste exato momento os preceitos fundamentais da psicologia, vamos aprender juntos! Pra realçar a experiência escolar eu vou inclusive colar um papel dizendo “CHUTE-ME” nas suas costas e responder “presunto” na chamada, caso do Hank a faça.

5) Code Academy

code academy

Uma coisa que muito ouvi quando era criança é que “daqui a uns 20 anos, não saber usar computador vai ser igual ser analfabeto”. Lembram dessa profecia?

Mesmo naquela época, com pouca idade, eu tinha bom senso o bastante — ou achava que tinha, já que me enganei — pra julgar que aquilo era exagero. Hoje, basta presenciar um idoso apanhando pra executar tarefas básicas num computador pra ver que a galera que falava isso estava certíssima. Graças à sua onipresência em literalmente todas as esferas profissionais, o computador nos desafia como a lendária esfinge: “decifra-me ou te devoro”; ou seja, “ou você sabe me usar, ou está bem fodido”.

Há algum tempo começo a ouvir que “no futuro, não saber programar será análogo a analfabetismo”. Já vi esse filme antes, e conhecendo o final, estou tendendo a acreditar neste update daquela antiga profecia. Então, vamos aprender a programar?

O Code Academy oferece cursos em inúmeras línguas de programação, tudo gratuito, com uns projetinhos legais pra você ir praticando os skills.

A internet tá praticamente te implorando pra você ficar mais inteligente, mano.

6) Veduca

veduca

Talvez você se sinta um pouco alienado por este post, já que a maioria desses recursos aí dependem de um bom nível de inglês. Não seja por isso: o Veduca é uma plataforma gratuita com aulas de inúmeras instituições de ensino ao redor do mundo, tudo ou em português, ou legendado em português. Tem até cursos certificados lá.

E aí estão cinco excelentes recursos online gratuitos pra você se tornar uma pessoa melhor. Se você gastar só uma horinha por dia, todo dia, pra só um dessas ferramentas aí, você terminará 2014 consideravelmente mais inteligente do que o começou — e sem gastar um centavo sequer.

Eu queria ter escrito este post no dia primeiro de janeiro, porque aí poderíamos todos juntos embarcar nessa jornada de um ano de auto-melhoramento. O melhor momento pra começar a estudar essas paradas todas, sem dúvida, teria sido no comecinho do ano.

O segundo melhor momento é agora.

A propósito, se você decidir embarcar nessa jornada de aprendizado e auto-melhoramento para a qual eu te desafiei, eu te faço um pedido: quando alcançar um objetivo em qualquer uma dessas ferramentas (“tou manjando bem o alemão”, “aprendi escalas na guitarra”, seja lá o que, reporte aí nos comentários. Nem que pra isso você tenha que voltar a este posts meses depois. Quero ler histórias de sucesso.

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Por sermos naturais de um país cuja cultura sofre fortíssima influência das tradições judaica-cristãs, por mais que você não seja desta fé você deve conhecer todos os grandes mitos religiosos deles.

Adão e Eva comendo a maçã proibida, a imagem do anjo clássico com auéola, duas asinhas, e uma harpa; a Arca de Noé com seus pares de animais, os três reis magos visitando o bebê jesus… essas narrativas (em vez de conhecimento exclusivo de estudiosos do assunto) são basicamente de domínio público até pra quem nunca abriu uma bíblia. A maior parte dessas histórias já apareceu em tantas outras mídias que praticamente todo mundo conhece.

Só que existe um problema curioso nessas histórias bíblicas que a gente ouve por aí sem jamais ter pego o texto pra ler por nós mesmos. Como na clássica brincadeira de telefone, em que uma mensagem vai se fragmentando a cada recontagem, essas histórias bíblicas tão comuns geralmente foram passsadas pra gente com umas variações bem significativas.

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Adão e Eva não comeram uma maçã, por exemplo. O texto bíblico fala apenas de “fruto do conhecimento do bem e do mal”. Acompanhe a passagem de Gênesis 3:1-6

1 Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse ã mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?

2 Respondeu a mulher ã serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer,

3 mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.

4 Disse a serpente ã mulher: Certamente não morrereis.

5 Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.

6 Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu.

Como se pode ver, o texto jamais identifica o que seria o tal fruto. A imagem da maçã surgiu nas representações medievais da cena, e acabou se tornando o padrão.

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Anjos também nunca são descritos como a imagem que nos vem à mente quando pensamos nessas entidades. Em Ezequiel 1:5-11, anjos são descritos como…

5 (…) esta era a sua aparência: tinham a semelhança de homem;

6 cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas.

7 E as suas pernas eram retas; e as plantas dos seus pés como a planta do pé dum bezerro; e luziam como o brilho de bronze polido.

8 E tinham mãos de homem debaixo das suas asas, aos quatro lados; e todos quatro tinham seus rostos e suas asas assim:

9 Uniam-se as suas asas uma a outra; eles não se viravam quando andavam; cada qual andava para adiante de si;

10 e a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e a mão direita todos os quatro tinham o rosto de leão, e a mão esquerda todos os quatro tinham o rosto de boi; e também tinham todos os quatro o rosto de águia;

11 assim eram os seus rostos. As suas asas estavam estendidas em cima; cada qual tinha duas asas que tocavam

12 E cada qual andava para adiante de si; para onde o espírito havia de ir, iam; não se viravam quando andavam.

Tá mais pra um monstro bizarro, não é mesmo…? Um bicho com quatro cabeças de animais diferentes, 4 asas (serafins tinham seis), pé de bezerro… bastante diferente da imagem dos anjos que conhecemos na mídia tradicional.

A propósito, a bíblia nunca descreve anjos tocando harpas, mas a essa altura eu imagino que você já estava antecipando isso. E a auréola também foi uma criação medieval.

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E a Arca de Noé? Se eu te perguntar quantos animais entraram na arca, 99% das pessoas que conhecem a história dirão “dois, ué. Um macho e uma fêmea de cada criatura”. E 99% das pessoas estarão erradas, porque em Gênesis 7…

1 Depois disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração.

2 De todos os animais limpos levarás contigo sete e sete, o macho e sua fêmea; mas dos animais que não são limpos, dois, o macho e sua fêmea;

3 também das aves do céu sete e sete, macho e fêmea, para se conservar em vida sua espécie sobre a face de toda a terra.

Ou seja, dos animais “limpos”, entraram sete casais na arca. Dos “impuros” (e por que Deus queria salvar os animais que ele mesmo declarou “impuros”, ou por que a solução dele incluia matar todos os animais que não entraram na arca, eu não sei), apenas o casal que você ouviu falar.

Eu chuto que muitos de vocês JAMAIS tinham ouvido essa versão de sete pares de animais (ou seja, catorze em vez de meros dois). Olha a brincadeira do telefone alterando o a história aí novamente.

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E os três reis magos? A bíblia NUNCA fala que eram três, e nem reis. O que acontece é que eles deram três presentes ao bebê Jesus, e ao longo dos anos a história foi recontada pra simbolizar que cada mago teria sido responsável por cada presente — e daí, três magos.

Mas o texto bíblico jamais diz quantos eram. Em Mateus 2:7-11, lemos que…

7 Então Herodes chamou secretamente os magos, e deles inquiriu com precisão acerca do tempo em que a estrela aparecera;

8 e enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide, e perguntai diligentemente pelo menino; e, quando o achardes, participai-mo, para que também eu vá e o adore.

9 Tendo eles, pois, ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela que tinham visto quando no oriente ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino.

10 Ao verem eles a estrela, regozijaram-se com grande alegria.

11 E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra.

Olhaí. O presépio da sua avó e todas aquelas peças escolares estavam errados. A interpretação dos magos como REIS aliás, vem de Salmos 72 — um livro e capítulo completamente não-relacionado, aliás — em que o salmista (possivelmente o Rei Davi) fala poeticamente que reis deveriam pagar tributo a Deus (simbolizando que eles estão muito abaixo do Criador).

A lógica foi basicamente “o salmista falou que Deus é tão foda que reis deveriam dar presentes a ele. Uns caras deram presentes a Jesus. Jesus é Deus, então aqueles caras logicamente tinham que ser reis”. Uma cambalhota lógica.

Então. Essa longa introdução é pra já te deixar preparado para a chocante realidade que eu vou expôr nesse texto. Ela vai contra o que você acredita ser uma das BASES da narrativa bíblica — a origem do inimigo de Deus.

Vamos primeiro recapitular a história que todo mundo conhece sobre o diabo.

Satanás teria sido originalmente um anjo chamado Lúcifer, um dos maiorais da hierarquia celeste. Lúcifer se enciumou do poder de Deus, e almejava um golpe de estado contra o Criador. Ele perdeu a batalha, junto com o terço de anjos que ele conseguiu convencer, e foi então enviado ao inferno.

E se eu te disser que essa história JAMAIS aparece na bíblia; que em todas as ocasiões em que o diabo é mencionado, não há conexão com Lúcifer? E que essa narrativa inteira é uma colcha de retalhos baseada em versículos isolados de seu contextos e misturados sem qualquer motivo coerente…?

Primeiro temos que entender o significado de “Lúcifer”. Lúcifer é uma derivação do termo latim “lucem ferre”, ou seja, “aquele/aquilo que traz luz”. O termo tem sentido literal (aquele ou aquilo que literalmente traz luz, como uma fogueira ou uma estrela, por exemplo) e significado figurativo (alguém iluminado, em destaque, em posição superior aos demais).

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Existiu uma marca de palitos de fósforo justamente com esse nome, sendo no caso usado de forma literal — “aquilo que traz luz”

Por falta de termo melhor, podemos dizer que “lúcifer” significava “o fodão”, “o pica das galáxias” em bibliquês.

Na bíblia, o termo “Lúcifer” é usado simultaneamente de forma literal e figurativa quando é empregado para descrever o planeta Vênus. E por que?

Vênus é um dos corpos celestes de mais brilho no céu da manhã (ou seja, está “trazendo luz”), e ao mesmo tempo se destaca dos demais objetos espaciais (“o fodão” do céu). Vemos o planeta Vênus sendo chamado de “Lúcifer” neste contexto duplo diversas vezes na bíblia.

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Agora chegamos na tal história do anjo rebelde que caiu do céu. Existem duas (isso mesmo, só duas) passagens bíblicas que dão suporte a essa interpretação.

A primeira é Isaías 14:4-24

4 Então proferirás este provérbio contra o rei de Babilônia, e dirás: Como já cessou o opressor, como já cessou a cidade dourada!

5 Já quebrantou o SENHOR o bastão dos ímpios e o cetro dos dominadores.

6 Aquele que feria aos povos com furor, com golpes incessantes, e que com ira dominava sobre as nações agora é perseguido, sem que alguém o possa impedir.

7 Já descansa, já está sossegada toda a terra; rompem cantando.

8 Até as faias se alegram sobre ti, e os cedros do Líbano, dizendo: Desde que tu caíste ninguém sobe contra nós para nos cortar.

9 O inferno desde o profundo se turbou por ti, para te sair ao encontro na tua vinda; despertou por ti os mortos, e todos os chefes da terra, e fez levantar dos seus tronos a todos os reis das nações.

10 Estes todos responderão, e te dirão: Tu também adoeceste como nós, e foste semelhante a nós.

11 Já foi derrubada na sepultura a tua soberba com o som das tuas violas; os vermes debaixo de ti se estenderão, e os bichos te cobrirão.

12 Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!

13 E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte.

14 Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.

15 E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo.

16 Os que te virem te contemplarão, considerar-te-ão, e dirão: É este o homem que fazia estremecer a terra e que fazia tremer os reinos?

17 Que punha o mundo como o deserto, e assolava as suas cidades? Que não abria a casa de seus cativos?

18 Todos os reis das nações, todos eles, jazem com honra, cada um na sua morada.

19 Porém tu és lançado da tua sepultura, como um renovo abominável, como as vestes dos que foram mortos atravessados à espada, como os que descem ao covil de pedras, como um cadáver pisado.

20 Com eles não te reunirás na sepultura; porque destruíste a tua terra e mataste o teu povo; a descendência dos malignos não será jamais nomeada.

21 Preparai a matança para os seus filhos por causa da maldade de seus pais, para que não se levantem, e nem possuam a terra, e encham a face do mundo de cidades.

22 Porque me levantarei contra eles, diz o SENHOR dos Exércitos, e extirparei de Babilônia o nome, e os sobreviventes, o filho e o neto, diz o SENHOR.

23 E farei dela uma possessão de ouriços e a lagoas de águas; e varrê-la-ei com vassoura de perdição, diz o SENHOR dos Exércitos.

24 O SENHOR dos Exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará.

Se você ler APENAS o versículo grifado, e já estando familiarizado com a história que ouviu a vida inteira, você diria “não, tá tudo certinho aí. Olha Deus falando pro diabo que ele foi soberbo, vacilou e se fodeu!”.

Entretanto, se você de fato ler a passagem, verá que ela não conta história de anjo rebelde caído coisíssima nenhuma. Neste trecho, Deus mandou seu profeta chegar lá no rei da Babilônia (que de acordo com a bíblia, neste período, estava escravizando os judeus) e mandar a real — o rei era outrora o “fodão” da região, e em sua soberba resolveu mexer com os filhos de Deus, e agora ele vai tomar no cu por causa disso.

Se você sequer ler o versículo inteiro, reparará que o trecho “…como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!” não faz sentido se o trecho se direcionava ao tal anjo rebelde (não faz sentido o sujeito estar dando um esporro num rei e DO NADA, numa frase solta, explicar a origem do inimigo de Deus, também; isso é uma gritante descontextualização).

Não existiam nações ainda quando o anjo supostamente caiu; dizer que ele “debilitava as nações” como uma referência ao seu papel antes da queda não faz sentido.

Ou seja: “Lúcifer”, a “estrela da manhã”, foi usado pra descrever um sujeito que era um líder distinto, mas cuja ambição o levará ao caralho. O trecho que supostamente explica a origem de Satanás era uma frase retórica; era, de acordo com o profeta, o que outros grandes líderes diriam ao ver que o rei outrora poderoso tomou no rabo com areia.

A outra passagem que supostamente identifica a origem de Satanás como um anjo caído se encontra em Ezequiel 28. E  contexto, não surpreendentemente, é idêntico: um profeta indo levar a mensagem a um monarca soberbo que ele fodão só por enquanto, mas que está prestes a se foder:

2 Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor Deus: Visto como se elevou o teu coração, e disseste: Eu sou um deus, na cadeira dos deuses me assento, no meio dos mares; todavia tu és homem, e não deus, embora consideres o teu coração como se fora o coração de um deus.

3 com efeito és mais sábio que Daniel; não há segredo algum que se possa esconder de ti.

4 Pela tua sabedoria e pelo teu entendimento alcançaste para ti riquezas, e adquiriste ouro e prata nos teus tesouros.

5 Pela tua grande sabedoria no comércio aumentaste as tuas riquezas, e por causa das tuas riquezas eleva-se o teu coração;

6 portanto, assim diz o Senhor Deus: Pois que consideras o teu coração como se fora o coração de um deus,

7 por isso eis que eu trarei sobre ti estrangeiros, os mais terríveis dentre as nações, os quais desembainharão as suas espadas contra a formosura da tua sabedoria, e mancharão o teu resplendor.

8 Eles te farão descer ã cova; e morrerás da morte dos traspassados, no meio dos mares.

9 Acaso dirás ainda diante daquele que te matar: Eu sou um deus? mas tu és um homem, e não um deus, na mão do que te traspassa.

10 Da morte dos incircuncisos morrerás, por mão de estrangeiros; pois eu o falei, diz o Senhor Deus.

11 Veio mais a mim a palavra do Senhor, dizendo:

12 Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-te: Assim diz o Senhor Deus: Tu eras o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.

13 Estiveste no Éden, jardim de Deus; cobrias-te de toda pedra preciosa: a cornalina, o topázio, o ônix, a crisólita, o berilo, o jaspe, a safira, a granada, a esmeralda e o ouro. Em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados.

14 Eu te coloquei com o querubim da guarda; estiveste sobre o monte santo de Deus; andaste no meio das pedras afogueadas.

15 Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniqüidade.

16 Pela abundância do teu comércio o teu coração se encheu de violência, e pecaste; pelo que te lancei, profanado, fora do monte de Deus, e o querubim da guarda te expulsou do meio das pedras afogueadas.

17 Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei; diante dos reis te pus, para que te contemplem.

18 Pela multidão das tuas iniqüidades, na injustiça do teu comércio, profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu a ti, e te tornei em cinza sobre a terra, ã vista de todos os que te contemplavam.

19 Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; chegaste a um fim horrível, e não mais existirás, por todo o sempre.

Novamente, o trecho grifado faz (muito vagamente) alusão a alguém que estava numa posição de confiança perante Deus. No entanto, a passagem deixa claro que este alguém era um príncipe que Deus até agora deixou prosperar de boa, mas que ele começou a exagerar um pouco e agora vai ter que pagar a conta.

Nada nessas duas passagens fala de “anjo rebelde” nem nada do tipo. Eram passagens falando de HOMENS rebeldes, e o palavreado lírico usado pra descrever um homem “superior” foi extrapolado de forma literal.

“Mas e o papo de um terço de anjos rebeldes serem lançados no inferno junto com o Diabo, isso veio de onde então?”

Veio de uma leitura atrapalhada de Apocalipse 12.

1 E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.

2 E estando grávida, gritava com as dores do parto, sofrendo tormentos para dar a luz.

3 Viu-se também outro sinal no céu: eis um grande dragão vermelho que tinha sete cabeças e dez chifres, e sobre as suas cabeças sete diademas;

a sua cauda levava após si a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que estava para dar a luz, para que, dando ela a luz, lhe devorasse o filho.

5 E deu a luz um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono.

6 E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias.

7 Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam,

8 mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céu.

9 E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele.

Antes de mais nada, é preciso explicar o que é o Apocalipse. O livro do Apocalipse, também conhecido como “A Revelação de São João” (em inglês inclusive se chama “Revelations”, não “Apocalipse”) trata-se de uma série de visões que João teve sobre o fim do mundo. E portanto, a descrição de suas visões narram o FUTURO, e não o passado. Uma vez que você comprende isso, é bastante elementar que o livro não está explicando a origem de nada, mas sim o fim — do mundo.

E repare que o livro jamais diz que o “terço das estrelas” e que os “anjos do Diabo” são a mesma coisa. Os anjos do Diabo são algum tipo de criatura espiritual, mas a bíblia JAMAIS diz que eles estavam a comando de Deus e foram subvertidos.

Assim como o próprio Diabo jamais esteve sobre ordens divinas até o dia que virou casaca.

Pra fechar o argumento de que “Lúcifer” jamais é usado na bíblia pra simbolizar um anjo caído, sabe que outro personagem bíblico é descrito com esse nome?

Jesus. Isso mesmo. Acompanhe Apocalipse 22:16:

Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a estrela brilhante, e da manhã.

A Segunda Epístola de Pedro também não deixa dúvidas sobre o termo, quando o usa pra se referir a Jesus:

E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações.

Sabe qual o termo usado nesse trecho em latim?

et habemus firmiorem propheticum sermonem cui bene facitis adtendentes quasi lucernae lucenti in caliginoso loco donec dies inlucescat et lucifer oriatur in cordibus vestris

E é isso. Em nenhuma ocasião em que o Diabo aparece na bíblia, ele JAMAIS é identificado como um anjo caído.

Esta história — e suas ramificações — são perpetuadas há taaaaaanto tempo que quase parece que ninguém está realmente LENDO a bíblia, estão apenas seguindo e repetindo interpretações erradas que já se solidificaram ao status de tradição imutável.

E aí fica a pergunta.

QUE DIABO É ISSOnão.

Que outras histórias ou ensinamentos bíblicos estariam completamente errados…?

Sobre que outras partes da bíblia o seu pastor está errado…?

Por que ninguém na igreja JAMAIS abordou o fato de que Jesus é descrito como Lúcifer duas vezes na bíblia…?

goodbye

Rapaz, como esse ano passou rápido! Ok, isso é um lugar comum do caralho, mas DESSA VEZ eu realmente observei isso como em nenhum outro ano antes.

Parece que foi ontem que eu estava num barzinho com amigos celebrando a chegada de 2013.

O ano de nosso Senhor dois mil e treze (ou “twenty-thirteen”, a forma que os gringos falam — que eu acho mais elegante, mais hollwoodiana e tal) chegou e passou, e foi sem qualquer sombra de dúvidas o meu ano mais intenso. Pra melhor E pra pior.

2013 foi facilmente meu ano de maiores conquistas pessoais. Rolou coisas incríveis que já compartilhei aqui — terminei meu curso (e já tou upgradeando pra outro), tirei certificações nacionais, consegui emprego na minha área logo de cara, tive incríveis oportunidades de impulsão de carreira, comprei o carro dos meus sonhos, atingi 100 mil inscritos no meu canal, meu “trabalho” na internet começou a se tornar um pouco mais tangível…

E teve algumas outras coisinhas que não cabe explicitar aqui neste site. No balanço total, mesmo com alguns solavancos, posso dizer que 2013 foi um dos melhores anos da minha vida, isso se não ocupar o primeiro lugar no pódio.

Mas mesmo com tudo isso, 2013 ainda deixou a dever. E fazendo uma análise extremamente auto-crítica aqui — algo que é meu modus operandi, nem um nó no cadarço eu dou sem ficar avaliando intensamente minha performance –, existe uma série de fatores que poderiam ter tornado de 2013 um ano ainda melhor. Eu poderia estar comemorando mais ainda hoje.

Pra que 2014 seja melhor que 2013, eu vou precisar…

Parar de comer fora de casa (e mais especificamente, parar de comer porcaria fora de casa)

Este era eu em 2002, menos de um ano e meio antes de vir pro Canadá.

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EU INVENTEI A SELFIE

Como você pode averiguar nesta imagem, eu tava só a capa do Batman, como se diz. Não está convencido ainda? Veja essa foto, tirada no começo do mesmo ano. Esta é ainda mais deprimente:

meu deus

Não, eu não usava crack

Os últimos 10 anos comendo porcaria várias vezes por semana me fizeram upgradear o chassi de grilo pra esta cara gorda de hoje que você conhece e ama. Alguns dirão que eu mudei “pra melhor”; estes alguéns definitivamente não são o meu cardiologista. Tá bom que numa ou outra fotinha extremamente bem tirada, com os filtros corretos aplicados, minha aparência tá melhor do que aquela do adolescente raquítico que eu era. Só que meu estilo de vida sedentário e de comer porcaria diariamente vai provavelmente me matar antes dos 60 anos, então preciso fazer algo a respeito disso.

Então, pra que 2014 seja um ano foda eu preciso parar de ser obeso. E o primeiro passo disso é parar de comer porcaria na rua.

(O efeito colateral é que com isso eu economizarei dinheiro pra caralho, também)

Desenvolver disciplina

Eu passo, pelo menos, umas 6-7 horas por dia na frente do computador. Tudo bem que boa parte dessa atividade online toda se converte em rendimento financeiro, o que justifica um pouquinho o vício, mas eu estaria mentindo loucamente se dissesse que toda a energia que invisto/desperdiço na internet se reflete diretamente na minha renda. Então, numa diagnóstico otimista, eu desperdiço pelo menos 5 horas por dia. E eu venho mantendo esse comportamento há uns 10 anos, no mínimo. Na real, eu vivo assim desde que tinha meu próprio computador no meu quarto, ou seja — esse hábito começou lá por 1999.

A calculadora do Windows me diz que eu desperdicei então, na melhor das hipóteses 18250 horas da minha vida. De acordo com este livro, que prega que pra ficar MUITO BOM em alguma coisa você precisa investir 10 mil horas naquela prática, eu perdi a oportunidade de desenvolver quase dois skills de forma quase profissional. A essa altura do campeonato eu podia ser um Jimi Hendrix ou um Pelé; podia ser um exímio programador, ou fazer manobras maluquíssimas em cima dum skate. Em vez disso eu… não sei fazer porra nenhuma.

E a culpa é o fato de que eu não tenho disciplina. A internet e suas milhões de tabs simultâneas satisfazem o minha TDAH — que é um “Transtorno Hipercinético”, algo que assim como tudo que você colocou no seu currículo soa muito mais legal do que realmente é –, mas o custo disso é que horas e horas e horas vão pelo ralo quando poderiam estar sendo investidas em, sei lá, me tornar um astronauta ou aprender alemão.

(Ler o artigo da Wiki sobre TDAH chega a me causar arrepios, porque literalmente TUDO que você lê ali me descreve fielmente, sem tirar nem pôr. TUDO. É como se a parada se chamasse Distúrbio Crônico de Izzynobrice. Aliás, ler esse artigo me convence que eu preciso voltar à terapia e/ou partir pros fármacos, porque ler um artigo que detalha minha personalidade tão esmiuçadamente realça muito claramente o inferno que é viver assim.)

Então pra que meu 2014 seja ainda melhor que 2013, eu vou precisar injetar doses cavalares de disciplina na minha vida e investir meu tempo livre em algo com retorno mais tangível.

Aprender a abrir mão de certas coisas

Eu sou um overthinker do caralho; alguém que fica pensando e repensando trivialidades ao ponto de obsessão debilitante/necessidade de tomar medicamentos pra se acalmar. Com esse tipo de temperamento psicológico, eu acabo me fixando demais em algumas coisas que definitivamente não merecem o investimento emocional.

Apego-me MUITO facilmente a pessoas, coisas, e situações. Tenho teorias de por que isso aconteceu — que bateram precisamente com algumas observações que meu terapeuta fez anos atrás, o que me fez pensar que também tenho algum gene nato pra analisar a psiquê fodida –, mas evidentemente envolvem fatores da minha criação que são pessoais demais pra destrinchar aqui.

Sou o tipo de pessoa que fica mal pra caralho com mudanças, quando uma postura muito mais saudável e madura seria simplesmente reconhecer quando tá na hora de abrir mão de alguma coisa, dizendo “quer saber? Foda-se, I’m out“, arrematado com uma meia volta volver sem nunca mais olhar pra trás.

(Caso você tenha curiosidade, “meia volta volver” é “about face” em inglês)

É um skill valiosíssimo que se transfere pra inúmeros contextos. Vejo amigos que têm o poder de falar “foda-se, I’m out“, vejo o quão mais fáceis suas vidas são por isso, e invejo essa habilidade de total desapego. Pode parecer frieza — e em algumas circunstâncias a indiferença deles de fato se traduz como frieza –, mas é um extremo do espectro de envolvimento emocional que eu penso ser melhor de lidar do que o em que eu habito.

Em 2014, eu vou me esforçar em ligar o proverbial botão “foda-se” com mais frequência. Porque, na real, existem poucas coisas nessa vida que eu preciso levar a ferro e fogo.

O que você precisa mudar em 2014? Compartilhe aí conosco.

É preciso escolher uma tatuagem com muita sapiência. Como se sabe, tatuagem é tão irreversível quanto pegar aqueles duas pecinhas achatadas de LEGO e conecta-las com superbonder no meio.

lego

Já era, meu amigo!

Como qualquer pessoa que trabalha na área médica (e com isso vê muitos corpos nus, infelizmente) pode confirmar, as pessoas às vezes não levam isso em consideração quando dizem “é isso aí mesmo Seu Tatuador, pode enfiar isso na minha pele permanentemente”. E por isso a gente acaba vendo pessoas como tatuagens como…

“Pray For Me”

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E adianta? Agora você já fez essa tatuagem escrota na cara. O que vier agora na sua vida é lucro, eu orando ou não.

Stripper arregaçada

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A idéia era tatuar uma modelo de bikini após um namoro de 8 meses com o Chris Brown? Se sim, ficou fotorealista.

Mas que demônio é isso

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“Quero uma tatuagem da minha filha mas ela tem umas mãos de tartaruga ninja e um corte de cabelo que lembra o do Fofão, será que vai ficar legal?”

*tatuador olha a foto da menina*

“Relaxa que tenho a impressão de que nem vão reparar nisso”

Cadê o outro braço dela?

porra

E após terminar essa tatuagem, o senhor Rob Liefeld estralou os dedos e voltou a desenhar outros 40 bolsos no Deadpool.

Há antibióticos pra isso, não?

boca

Se isso é o que o tatuador acha sexy, tenho medo de descobrir o que ele acha anormal ou nojento.

Pobre Freddie Mercury

freddie

Eu achava que morrer de AIDS* tinha sido a pior sina pro Freddie. Quem diria que ser imortalizado como um zumbi sem lábios na… hmmm.. vou chutar “perna” de alguém seria ainda mais indigno?

*não encha o saco

Espero que você não tenha pago por isso

lolwut

Quem terá sido o mestre que mesclou tão brilhantemente a sensibilidade artística de um tatuador de cadeia com a falta de habilidade de uma criança de 8 anos bolando um vilão pra revistinha em quadrinhos dele?

Com certeza

disaster

Num campeonato mundial de tatuagens, essa aí levava o prêmio de mais honesta.

Coitada da criança

caralho

Não bastava ter dado genes zoados pra criança, o pai ainda gasta dinheiro fazendo esta terrível tatuagem em vez de consertando o pé claramente deformado da filha. Filho? Se era pra usar fonte ilegível que usasse logo Wingdings, porra.

Meu jesus cristo

coitado

Eu entendo que trabalhar às vezes é chato, mas é preciso uma incrível ousadia pra decidir um dia “e sabe do que mais? Eu NUNCA quero ter outro emprego na vida”.

Uma coisa foda que eu descobri com o passar dos anos é que quase tudo que nos contaram está errado. Pra você ver como o nosso compreendimento das coisas mudam com o passar do tempo — e pra servir de exemplo de quão errado as coisas que nos passam são –, houve uma época em que médicos recomendavam cigarros de uma determinada marca em vez de outra.

E isso aí não é exemplo isolado, não! Uma busca por “doctors cigarette ads” revela um MONTE de propagandas de cigarros que se baseavam justamente na premissa “olha, esse aqui é preferido por médicos, ein! Então pode fumar de boa!” Ou seja: existiu uma época em que o estabelecimento médico achava SUPER DE BOA recomendar cigarros pra galera.

Os tempos passaram e pelo menos essa a gente aprendeu, mas existem um monte de outros conceitos equivocados que perduram até hoje. Por exemplo…

A Grande Muralha da China não pode ser vista da lua

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Falso. Nem mesmo astronautas orbitando a Terra conseguem ve-la, que dirá então da lua, que fica quase mil vezes mais distante do que um astronata em órbita. Fonte ]

Não existe nenhuma evidência arqueológica de que vikings usavam chifres nos seus capacetes

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Quando se pensa em “vikings”, a imagem que se pinta mentalmente é algo similar ao que você vê acima. Entretanto, não existe registro histórico de que vikings usavam elmos com chifres. Essa iconografia foi criada por Richard Wagner para a sua saga “Der Ring des Nibelungen[ Fonte ]

(Um efeito similar ocorre em relação ao “fruto proibido” relatado no Gênesis. Arte medieval sempre retratou a fruta como uma maçã, mas a história bíblia não dá nome à fruta)

Peixinhos dourados não tem memórias curtas de poucos segundos

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O mais legal não é o fato de que isso é errado; é o fato de que foi um garoto de 15 anos que desmistificou esta crença. Ah, e os MythBusters  target=”_blank”>trataram do assunto tambémFonte ]

A leitura do Orson Welles de “Guerra dos Mundos” no rádio em 1938 não causou pânico generalizado nos Estados Unidos

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A história do pandemônio nos EUA provocado pelo Orson Welles quando este leu Guerra dos Mundos na rádio é usada, há muito tempo, como exemplo da burrice das massas. Acontece que não houve pânico algum; algumas poucas pessoas ligaram pra serviços locais de emergência pra obter informações sobre o caso, e só.

Os jornais exageraram o relato no dia seguinte porque em 1938, o rádio estava sendo visto como um oponente da mídia impressa, e a narrativa desta era que o rádio estava “aterrorizando” a população.

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E o Orson Welles até admitiu, anos depois, que o mito do terror generalizado da população ajudou sua carreira — e por isso não havia interesse em desmenti-lo. [ Fonte ]

A imagem do Papai Noel não foi criada pela Coca Cola

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Quando a Coca Cola começou a usar essa imagem icônica do Papai Noel, nos anos 30, outras empresas (principalmente a White Rock Beverages, uma outra marca de bebidas) já usavam essa imagem há quase 20 anos.

Acontece que como você nunca ouviu falar dessas empresas e a Coca Cola é uma das maiores marcas do mundo… [ Fonte

Einstein não reprovou em matemática

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A história de que Einstein teria reprovado em matemática é usada como exemplo de que o estabelecimento acadêmico às vezes não reconhece mentes brilhantes, e/ou que mesmo os mais ineptos podem eventualmente conquistar grandeza. Infelizmente, não é verdade — como o próprio Einstein falou de forma extremamente humilde, “Nunca reprovei em matemática. Antes de completar 15 anos eu já dominava calculo integral e diferencial“.

Aposto que você não sabia que o Einstein era meio boçal, aliás. [ Fonte ]

Touros não ficam furiosos ao ver a cor vermelha

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Touros são dicromatas, ou seja, a cor vermelha nem se diferencia muito das outras. O que agita o boi é a movimentação do toureador, que o touro interpreta (naturalmente) como uma ameaça. [ Fonte ]

Camaleões não mudam de cor como um método de camuflagem

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Você já percebeu que tem muita foto de camaleão carnavalesco na internet? Isso parece incoerente considerando que a função da habilidade é pra se camuflar, né…?

Isso acontece porque a principal função da habilidade dos camaleões de mudar de cor é comunicação (como em rituais de acasalamento) e regulação de temperatura. São raras as espécies que ativamente mudam de cor pra se camuflar. Ou seja: essa habilidade é exceção, e não regra.

Não podemos dizer que a capacidade humana de prender a respiração é de 7-8 minutos quando apenas uma minoria de pessoas consegue fazer isso, afinal de contas! [ Fonte ]

Não é preciso esperar 30 minutos após comer pra entrar na piscina ou no mar

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Essaí infernizou muitas infâncias. Sempre que se estudou a correlação entre comer e passar mal nadando e/ou se afogar em seguida, observou-se que o fator definitivo era o álcool que foi ingerido junto com a refeição, e não a comida em si. Nadar bêbado que é o problema; nadar com o bucho cheio de churrasco tá de boa! [ Fonte ]

Seres humanos não têm cinco sentidos

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E o sexto seria ver fantasmas, né? Na realidade, esses 5 sentidos foram originalmente descritos por Aristóteles, e por algum motivo a gente continua se referindo apesar de que existem muitos outros. É como se continuássemos dizendo que existem 4 elementos (água, fogo, terra, ar) quando sabemos que a tabela periódica é bem maior — e esses elementos citados sequer são “elementos” na realidade.

Temos muitos outros sentidos — o sentido de equilíbrio, de bexiga cheia, de fome, de necessidade de ir ao banheiro, de temperatura relativa do ambiente, entre outros. O número total chega aos 20, dependendo de como você diferencia certos sentidos que agem de formas similares. [ Fonte ]

Lavar as mãos de 10 em 10 minutos entre cada paciente as deixa mais ressecadas que o solo da caatinga

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Como a população que habita um hospital fica na faixa dos 70 anos de idade, você está mais acostumado a interagir com velhinhos do que com gente da sua idade

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O distinto aroma de bosta humana marca presença constante no seu dia de trabalho

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 Você faz parte do grupo seleto de indivíduos que ainda usa pagers

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Aquele cheiro tipicamente hospitalar de álcool e desinfetante industrial não é mais notado pelo seu nariz

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Ver sangue esparramado no chão no seu local de trabalho resulta numa surpresa bem menor do que a que maioria das pessoas teria

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Ao entrar em elevadores “comuns” você fica com claustrofobia de tão pequenos que eles são comparados aos elevadores do hospital onde você trabalha

DISCLAIMER: já recebi reclamações aqui então deixa eu explicitar algo — amigos e estudantes da área veterinária, não é que eu não considere a área de vocês menos importante, ou que não seja “área de saúde de verdade”. É que naturalmente eu não conheço nada desse mundo então obviamente não posso opinar muito a respeito.

Compartilhe aí nos comentários os sinais de que você trabalha com veterinária!

Diz-se que tradução é uma arte. Não basta apenas jogar o o termo correspondente nacional no lugar do estrangeiro; é preciso compreender as nuances semânticas e até mesmo culturais das duas línguas pra criar uma boa adaptação.

O problema é que as distribuidoras brasileiras tem um hábito histórico de cagar na tradução dos filmes quando eles chegam no nosso país. Por exemplo…

Total Recall = “Vingador do Futuro”

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Em inglês, Total Recall significa aproximadamente “lembrança total”, ou “memória perfeita“. No filme, os bandidos alertam que em breve o protagonista terá “Total Recall”, ou seja, ele vai lembrar de tudo e vai dar merda.

No entanto, por causa do sucesso de Exterminador DO FUTURO (outra tradução cagada que visa emburrecer o título do filme, entregando explicitamente o componente de viagem no tempo já de cara), a distribuidora achou necessário fixar na mente do possível espectador a pífia conexão entre os dois filmes — um ator em comum.

E nem foi a única vez que isso aconteceu.

Teen Wolf = Garoto do Futuro

teen wolf

Total Recall pelo menos se passa no futuro, o que justifica um pouco melhor o uso do sufixo. E Teen Wolf (“Garoto Lobo” numa tradução livre), uma comédia adolescente a qual anexaram “…do Futuro” simplesmente porque estrelava o Michael J Fox…?

Este é literalmente o único motivo por trás da estapafúrdia tradução. “A galera gostou de De Volta para o Futuro, né? E esse filme aqui tem o mesmo ator. Como fazemos pra lembrar a galera disso de uma forma sutil?”

Essa técnica aparentemente não existe na gringa, aliás. Não houve necessidade ou desejo dos produtores de associar os dois filmes pro público norte-americano usando um título-trocadilho; por que a indústria brasileira apelou pra essa estratégia…?

Esse “do Futuro”, junto dos igualmente icônicos “da Pesada” e “do Barulho”, acabou indo parar em muitos filmes na época. Como outro exemplo…

Cyborg = O Dragão do Futuro

dragao

Cyborg (que dispensa tradução, né) virou O Dragão do Futuro porque o Van Damme era conhecido nestas bandas como protagonista de O Grande Dragão Branco (originalmente Bloodsport).

Aí entramos numa meta-cagada — o título óbvio de Bloodsport deveria ter sido Esporte Sangrento, né? Exceto que deram esse título pra um outro filme.

(Existem outros exemplos desses nomes trocados, aliás)

Mallrats = Barrados no Shopping

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Mallrats é um termo meio pejorativo que significa mais ou menos “aqueles moleques desocupados que vivem no shopping” — uma definição perfeita pros protagonistas, aliás.

Já no Brasil o filme virou Barrados no Shopping porque estrela a Shannen Doherty, que vivia a Brenda no seriado Barrados no Baile (outra tradução nonsense, aliás, pra Beverly Hills 92010. O título original era simplesmente o bairro/CEP da área em que a série se passava)

A sacanagem é ainda maior aqui porque realmente induz o cliente a pensar que o filme é relacionado à série. Beira a propaganda enganosa.

My Girl = Meu Primeiro Amor

meu

Além da tradicional emburrificação do título — não basta o filme ser claramente um romance entre duas crianças, tem que deixar BEEEEEM explícito no título que é o PRIMEIRO amor dos indivíduos –, “My Girl” virar “Meu Primeiro Amor” não foi lá uma grande cagada…

amor

…até a continuação sair. Como assim, Meu Primeiro Amor PARTE 2?

Memento = Amnésia

amnesia

Temos aqui outra cagada em dois níveis. Primeiro, o protagonista repete inúmeras vezes durante o filme que não tem amnésia; segundo, Memento significa souvenir, a famosa “lembrancinha” — um item ou artefato que tem como princípio te trazer uma memória.

Ou seja: na tradução brasileira, “Lembrança” virou “Amnésia” — o total oposto.

The Hangover = Se Beber, Não Case

case

Como os exemplos dessa lista são todos antigos, talvez você esteja pensando que a indústria brasileira não anda mais cagando tanto. Olhaí, você se engana.

“Hangover” significa “ressaca”. Logo, o título óbvio seria “A Ressaca”.

Acontece que entra em jogo aí a tradicional cultura de “o público brasileiro é burro, vamos explicar bem direitinho a premissa no título”. E assim a distribuidora criou essa piadinha/trocadilho de “Se Beber, Não Case”.

No ano seguinte pintou um filme com o título “Hot Tub Time Machine“, onde a premissa é uma banheira de hidromassagem que funciona como uma máquina do tempo. Aí a distribuidora surpreendeu: em vez de deitar e rolar com o seu tradicional DO FUTURO (que aqui seria perfeitamente justificável, tipo “Os Malucos do Futuro”, sei lá), eles nomearam o filme de…

a ressada

E não podemos esquecer que no último Se Beber, Não Case não há sequer um casamento na história.

Ah, e ainda em 2010 saiu este outro filme:

louco

Foi empregada aí a mesma lógica que vimos em exemplos anteriores. A presença do Zach Galifianakis no elenco tornou necessário que se estabelecesse alguma conexão com o filme pelo qual o ator é mais conhecido pelo público brasileiro, nem que seja apenas no estilo de frase similar dos títulos dos filmes.

Esqueci de algum bom? Deixe aí nos comentários!

5 LIVROS

Como já mencionei em inúmeros posts aqui no HBD, eu sempre fui um ávido leitor — e talvez não seja surpreendente o fato de que passei os últimos 10 anos escrevendo neste site.

Aliás, “sempre” é exagero. Quando moleque, eu lia AGRESSIVAMENTE, é verdade; mas é que naquela época havia menos distrações eletrônicas. Um SNES que só via jogos novos no meu aniversário e no Natal; um computador com Windows 3.11 e menos jogos do que o Lula tem dedos nas mãos, e principalmente, a ausência de internet (que eu só fui conhecer em 95-96).

Eu ocupava todo o meu tempo livre lendo, e isso enlouquecia minha mãe. Eu ia dormir tarde e incomodava meu irmão mantendo a luz acesa pra ler de noite; lia na mesa do almoço e inevitavelmente as páginas ficavam com um manchas de Rorschach à base de feijão.

Hoje em dia o vício na internet rouba meu foco e eu não consigo mais gastar meu tempo lendo com a mesma frequência.

Há 5 livros que causaram imenso impacto em mim que eu gostaria de recomendar, caso você ainda não tenha os lido.

5) Mundo Perdido, de Michael Crichton

mundo_perdido

Trata-se da continuação de Jurassic Park, do mesmo autor. Ganhei do meu pai quando tinha lá meus 12 ou 13 anos, e os temas de tecnologia genética e arqueologia me fascinavam. Li o livro inteiro em uns 3 dias, e ao terminar comecei a ler de novo imediatamente. Acho que ao longo dos anos li este livro umas 5 ou 6 vezes.

Foi provavelmente o livro que despertou meu interesse por ficção científica (algo que até então eu só tinha contato por causa de filmes). Aliás, ganhar os livros do Michael Crichton em datas comemorativas virou uma tradição familiar que comentei neste texto em que lamento a morte prematura do autor.

4) 1984, de George Orwell

1984

Faltam-me adjetivos pra descrever 1984. Absurdamente influente, praticamente todo outro livro ou filme de futuro distópico com governo empregando níveis maquiavélivos de controle da população basea-se, pelo menos em parte, no clássico do George Orwell (tanto é que o termo Big Brother, o Grande Irmão, virou referência cultural identificada até porque quem nunca leu o livro.

1984 chega a ser assustador de tão opressivo que é o mundo narrado pelo Orwell. De fato, a cada nova descoberta sobre meios de vigilância e/ou manipulação da mídia empregadas por governos ao redor do mundo real, é impossível não lembrar do Partido e de seus métodos orwellianos de controle. Olha o quão influente esse filho da puta foi: o nome dele virou SINÔNIMO de distopia e métodos políticos desgraçados!

O livro começa meio devagar — por isso comecei e abandonei umas 3 vezes antes de finalmente ler por completo –, mas vale muitíssimo a pena.

E só de lembrar, deu vontade de ler de novo.

3) Encontro Com Rama, de Arthur C Clarke

encontro

Li sobre Encontro com Rama quando tinha uns 10 ou 11 anos, e a descrição do livro de acordo com a revista Superinteressante me deixou fissuradíssimo. Um grupo de astronautas vai investigar uma imensa espaçonave ciíndrica de origem alienígena. Dentro de seus 50km de extenção, eles encontram um micro-mundo ao redor das paredes internas da nave. A coisa é tão alien que é realmente difícil de escrever, olha esse vídeo aqui pra entender melhor.

O livro é um hard scifi delicioso; o ambiente de Rama e a exploração dos astronautas é foda pra cacete. O livro nem é muito longo, então eu vos encorajo a cobrir esta lacuna na sua formação nerd e ler Encontro Com Rama urgentemente.

Encontro Com Rama despertou em mim um profundo interesse por ciência/ficção espacial. Até hoje, durante a noite, eu olho pras estrelas e me pergunto se existe em algum lugar algo tão tremendo quanto a nave Rama.

Ah, e ignore as continuações. CONFIE EM MIM. Apenas confie. As continuações de Rama fazem a Nova Trilogia de Star Wars parecerem um misto de Citizen Kane com Breaking Bad. E sim, mesmo com Jar Jar e tudo.

Por favor, confie em mim. Eu não ouvi as resenhas da Amazon, comprei as 3 continuações e odeio a mim mesmo desde então. Há pouquíssimo que se aproveite nelas.

2) Rainbow 6, de Tom Clancy

rainbow

Rainbow 6 se distingue porque foi a primeira vez que vi o nome de um jogo na capa de um livro. Hoje a literatura gamer já é lugar comum; praticamente todo jogo tem uma versão também nas livrarias. Naquela época, no entanto, era inédito pra mim.

A trama do livro trata de um grupo paramilitar super secreto (a Rainbow. E assim como Frankenstein é o cientista e não o monstro, Rainbow 6 é o líder da agência — o John Clark –, não a própria agência) e de um plano de cientistas ambientalistas de liberarem um vírus que dizimará a raça humana.

O livro é uma bíblia de tão grande, mas tem ação cinematográfica e intriga internacional o tempo inteiro, do começo ao fim. Facilmente um dos melhores livros do gênero pra mim, e uma ótima forma de entrar no universo do Tom Clancy (porque o livro é bem à parte da série do Jack Ryan/John Clark, dá pra ler de boa sem nem conhecer os personagens. É meio que uma aventura “arco fechado”, pra usar a terminologia de quadrinhos)

1) O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger

apanhador

O Apanhador no Campo de Centeio se destacou pra mim logo de cara por causa do formato — “é como se fosse um garoto escrevendo um blog!”, é como eu descrevi o livro pra minha namorada da época, que me deu o volume.

Lá nos idos do começo dos anos 2000, eu vivia e respirava a mídia blogueira. Eu lia diariamente todos os “famosinhos” da época — garotos de classe média alta particularmente inteligentes que descreviam o mundo ao seu redor com cinismo, um pouco de rabugice, e insights com os quais eu me identificava muito. E a narrativa do Holden Caulfield, o protagonista, é basicamente isso aí.

Como conheci o livro bem nessa época áurea dos blogs brasileiros (Utopia Dilucular, Sutil Como um Paquiderme, Não Vá Se Perder Por Aí, entre outros), fiz imeditamente a conexão entre os estilos de escrita destes blogs e do clássico do Salinger.

A outra característica digna de nota é a seguinte: por via de regra, as primeiras experiências que muitos de nós tem com livros são aqueles paradidáticos escolares. Em sua maioria, são livros “seguros”, que não erguem lá tantos questionamentos sobre a vida, ética, moral, o papel dos adultos na liderança do mundo, etc.

Tendo em vista esse contexto, o Apanhador… é extremamente subversivo. O protagonista escrotiza seus professores, diretores, os pais, os colegas de sala, basicamente tudo e todos. Foi realmente estranho ler um livro cujo protagonista é tão crítico, e ao mesmo tempo foi impossível não se identificar com a pequena crise de identidade que o maluco passa. Quem não passou pela tradicional fase de revolta adolescente?

Quais foram os 5 livros mais influentes pra você?

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