Uma dos comentários que eu mais recebo nestes anos de atividades internéticas é “Izzy Nobre, você é um dos filhos duma puta mais escrotos que eu conheço“. Aliás, eu aprendi rapidinho que pesquisar “IZZY NOBRE” no search do Twitter é um exercício de masoquismo.

Outro comentário que ouço com frequência similar é “nossa o Izzy Nobre mora no Canadá e tem uma vida bacana (aqui eles geralmente enumeram motivos que não transcreverei pra que não soe como auto-bajulação)! Que inveja“.

E depois eu tenho que explicar pro terapeuta porque sou neurótico e emocionalmente retardado. Esse iô-iô oscilando entre depreciação e bajulação é o suficiente pra desalinhar completamente a auto-estima e a bússola de identidade de alguém… sou um cara bacana com uma vida invejável ou o pior desperdício de células que já caminhou neste planeta? Eu sinceramente não sei.

Mas voltando ao assunto: músicas tristes. Mais especificamente, este hábito de auto-sabotagem extremamente nocivo mas igualmente inevitável de ouvir músicas tristes quando estamos pra baixo.

Por que fazemos isso com nós mesmos, aliás…? A melancolia da canção entra em ressonância com a nossa própria, target=”_blank”>como pêndulos, dando combustível emocional à sua tristeza e piorando ainda mais a sua situação. E por algum motivo, quase todos nós fazemos isso.

Pensando nisso, e reparando que músicas tem um play count em franca ascenção recentemente no meu iTunes, pensei em compartilhar esta listinha com vocês.

Hurt – Johnny Cash

Você já sabia que essa música ia aparecer, então é melhor abrir a lista com ela.

Escrita originalmente pelo Trent Reznor do Nine Inch Nails ( target=”_blank”>que a interpretava com uma pegada bem diferente), Hurt é basicamente o hino oficial da melancolia. Nela (e especialmente no clipe da versão do Cash), o cantor parece analisar sua vida, os altos e baixos, pra entender porque ele sente tanta dor.

E ele decide que, no balanço final da sua vida, as coisas não deram muito certo, ao ponto de que ele sequer sabe quem se tornou…

What have I become/My sweetest friend?

…mas que é tarde demais pra mudar isso, e que ele já perdeu pessoas importantes por causa dos seus erros…

Everyone I know/goes away in the end

…e que ele trocaria todos os seus accomplishments (que a essa altura não valem nada pra ele) pra recomeçar…

And you could have it all/My empire of dirt

…mas que isso não adiantaria, porque ele está quase fadado a repetir os mesmos erros…

I will let you down/I will make you hurt

…e por isso, mesmo na sua fantasia impossível de consertar tudo, ele se vê inevitavelmente preso ao ciclo de esculhambar tudo de novo.

Landslide – Fleetwood Mac

Boa parte de vocês entrou em contato com essa música graças ao episódio 7 da 15a. temporada de South Park, entitulado You’re Getting Old. O episódio lida com o personagem principal percebendo que está ficando velho, e que as coisas ao seu redor estão mudando de uma forma além do seu controle, e como isso é um processo sem volta que mudará completamente a pessoa que ele é. Dá pra ver a cena final do episódio target=”_blank”>aqui.

Admito antes de mais nada: eu chorei ABSURDAMENTE vendo esse episódio. Tipo, de soluçar mesmo. Você não tem a menor noção, mano. Eu tava sozinho em casa, já tava meio pra baixo naquele dia, pensando justamente nos temas de envelhecer — estou na beirada dos 30 anos. Tipo, eu lembro quando MEU PAI tinha por volta dessa idade, cara! Pra onde minha juventude foi?! — e deixar tantas coisas pra trás.

Well, I’ve been afraid of changin’
‘Cause I’ve built my life around you
But time makes you bolder
Even children get older
And I’m getting older too

A cantora está percebendo que está envelhecendo (e detalhe, a Stevie Nicks tinha 25 anos quando escreveu essa música), e que as coisas não serão mais as mesmas. E como qualquer ser humano, ela está com medo dessa mudança.

Eu particularmente tenho completo pavor do fato de que estou ficando velho. E de que um dia, isso tudo vai acabar. A propósito…

Who Wants To Live Forever – Queen

A música combinava perfeitamente com a série Highlander — a melancolia de um ser imortal percebendo que esse poder é uma maldição tanto quanto é uma benção (e talvez até mais), porque ele está condenado a ver as pessoas que ama morrerem.

A parte da letra da música que absolutamente me destrói é logo no começo.

There’s no chance for us
It’s all decided for us
This world has only one sweet moment set aside for us

Essa letra tem o efeito de um punhal enferrujado no meio do meu coração.

A música trata da efemeridade das nossas próprias vidas; ela realça o fato de que você é um mero acidente genético que está caminhando nesse planeta totalmente por acaso, com uma data de expiração pre-programada nos seus genes — que vai causar suas células a se dividirem incessantemente até que o encurtamento dos seus telômeros causem seu corpo a ir pifando aos poucos, até acabar de vez.

Todas as pessoas que você conhece são um resultado do mesmo produto do acaso. Todas elas estão aqui temporariamente, igual você. Todas elas irão morrer um dia, igual você. Não há como escapar disso (“there’s no chance for us“), os mecanismos biológicos que regem sua breve passagem por este planeta foram determinados antes mesmo de você nascer (“it’s all decided for us“).

Não há saída. E o mundo decidiu que haverá apenas um breve “doce momento” pra que nós interajamos uns com os outros.

Os seres humanos, essas bombas-relógio ambulantes, esbarram-se umas com as outras, descobrem afinidades, estabelecem relacionamentos, riem, choram e vivem juntos — e um dia, são separadas definitivamente, e eternamente.

Isso é tudo que temos juntos. Um doce momento. Seu relacionamento com seus pais, amigos, namorado(a), esposo(a), todas estas “conexões” estão sujeitas às mesmas condições. Você tem essa pessoa temporariamente; ela entrou na sua vida de passagem. Em breve, ela irá embora.

E como não sabemos nem quando isso acontecerá, esse EM BREVE pode ser muito mais breve do que você espera.

Esta imagem do Reddit (que eu postei aqui quando descobri que uma fã do HBD que conheci aqui em Calgary faleceu) explica de forma mais eloquente que eu. Nela, o Richard Dawkins e o Christopher Hitchens (duas importantes figuras do movimento ateu/livre pensador) trocam um abraço carinhoso.

Este segundo tem cancer terminal.

Eu tenho vontade de chorar quando vejo esta imagem 🙁

Vou traduzir pra você.

É estranho pensar na morte sendo um ateu. (No caso), entender que depois de tudo, você simplesmente cessa de ser.

Dawkins e Hitchens ambos sabem que o que está vindo é permanente. Não há final feliz, não há chance de reencontro ou redenção em outro plano. Morte será uma despedida final, permanente e absoluta.

Naquele abraço, não é simplesmente o fato de que o Hitchens significa bastante pro Dawkins. É o fato de que ele sabe que em breve, eles serão separados pela eternidade. E mesmo assim, no tempo e espaço infinitos, dois tiquinhos de consciencia, contra toda a probabilidade, tiveram a oportunidade de gozar de um breve período de lucidez da vida e tocar um ao outro antes de retornar pra sempre pro vazio eterno.

Honestamente, não há nada mais importante do que a epifania de que essa vida, esta única vida que temos, é tudo que jamais teremos. Quando acabar, acabou. De certa forma, isso dá mais santidade e significado pras nossas vidas do que qualquer religião jamais poderia“.

Pensem nisso.

Vejo vocês amanhã.

Cirurgias são, por definição e natureza, um processo traumático e escroto.

Mesmo nas melhor das hipóteses, ou seja, o procedimento mais trivial (digamos, arrancar uma unha encravada) ainda envolverá dor, sangue, pus, e possivelmente urina. E lembre-se, isso porque estamos considerando uma cirurgia que mal é cirurgia na verdade. Imagina então o qual asquerosos são estes procedimentos aqui.

3) Parto (ou, mais especificamente, episiotomia)

Antes de mais nada: JAMAIS procure este termo no YouTube. Confie em mim.

Quando eu tinha 12 ou 13 anos, eu tive a infelicidade de estar no mesmo cômodo em que os adultos assistiam a fita do parto do meu priminho Matheus. Não bastasse o trabalho de câmera amador que conferia uma aparência meio A Bruxa de Blair  ao vídeo, as imagens capturadas por si próprias eram a coisa mais desgraçadamente traumatizante que eu vi em toda minha existência.

Após ver o vídeo, eu lembro que me perguntei qual era afinal a grande neurose em relação a filmes pornográficos. O que eu acabar de ver era trezentas vezes pior — uma fita de parto é meio filme de terror, meio vídeo de  tortura.

O suor, a gritaria, as excreções… qualquer pessoa pode concluir que um episódio de Emanuelle foi algo bem menos danoso à mentes infantis.

Mais tarde eu vim a descobrir que há algo ainda mais horripilante do que o parto em si – as complicações do parto. Como por exemplo, o que fazer se a cabeça da criança é maior do que a vagina da coitada? E a única coisa mais terrível que isso, é a solução: RASGAR A VAGINA DA MULHER.

Mais tarde eu vim a descobrir que há algo ainda mais horripilante do que o parto em si – as complicações do parto. Como por exemplo, o que fazer se a cabeça da criança é maior do que a vagina da coitada?
E a única coisa mais terrível que isso, é a solução:
RASGAR A BUCETA DA MULHER.

Yep, de fato existe tal procedimento. Ele se chama episiotomia. A operação consiste em fazer uma incisão que vai da beirada da vagina até pertinho do ânus da pobre infeliz.

episio

E caso você seja do tipo curioso/sádico, aqui estão imagens absolutamente apavorantes que vão te dar um arrepio na espinha.

Não clique. É sério. Como se isso não fosse a coisa mais horrível que você já ouviu na vida, haverá um bebê passando pela mesma área segundos mais tarde, terminando de estragar o que a tesoura não esculhambou.

2) LASIK (laser nozóio)

Uso óculos há uma sesquidécada. Isso significa “quinze anos”, a propósito. Li “sesqui” num dicionário há muito tempo (significa “um e meio”) e sempre quis enfiar numa conversa. Texto de blog serve.

Ao longo dos anos, me acostumei tanto com o visual dos óculos, quanto com a sensação de usá-los. Optei por lentes de contato por um tempo mas a idéia e o procedimento de enfiar algo DIRETAMENTE EM CIMA DOS MEUS OLHOS simplesmente dava agonia demais pra considerar fazer todo santo dia.

Uma vez consegui colocar as lentes ao avesso também, sei lá como.

E, como mencionei, eu me acostumei com a sensação de ter óculos na cara. Quando usei lentes, ficava constantemente fazendo o gesto de empurrar os óculos pra cima do nariz, apesar de não ter nada lá, estilo phantom limb syndrome.

Mas uma ou duas pessoas me disseram que eu ficava bem sem óculos (mentira, aliás, porque a armação do óculos ajuda a esconder minha gordice). Como o processo de pôr e usar as lentes me dava total agonia, comecei a considerar cirurgia LASIK.

O Weird Al Yankovic, icônico músico quatro-olhos que fez aquelas paródias legais lá, fez a operação há alguns anos pra corrigir sua miopia de 12 graus [citation needed]. Se é bom o suficiente pro Weird Al, é bom o suficiente pra mim.

weird al

VOCÊ NEM PRECISA MAIS DESSES ÓCULOS, SEU POSER

Aí eu comecei a pesquisar a operação.

O que eu acabei descobrindo é que processos cirúrgicos são que nem linguiça – se você ver como são feitos, nunca na sua vida você vai querer um.

Primeiro de tudo, o cirurgião corta uma fatia do seu olho com uma lâmina e a dobra pro lado, pra tirar do meio.

Pare por dois segundos e imagine isso. Aliás, nem precisa imaginar. Sobre essa parte de cortar uma fatia do olho (!) e dobrar pro lado, a wikipédia diz:

The process of lifting and folding back the flap can sometimes be uncomfortable.

Eu usaria a palavra “desconfortável” pra descrever um tênis novo, não a sensação de alguém cortar um pedaço do seu olho e dobrar pro lado. Mas tudo bem.

laser-eye-surgery

“Um pouco inconveniente”, de acordo com a Wikipédia.

Depois, o tortur… MÉDICO mete um laser pelo buraco, e essencialmente queima o fundo do seu olho. O intuito é remodelar o formato do globo ocular, porque é justamente isso que provoca alguns problemas de visão.

Vamos colocar as coisas em perspectiva. Sabe quando tu tá deitado na cama e alguém abre as cobertas duma vez, inundando o quarto com luz matinal? Mesmo com os olhos firmemente cerrados, dá um certo incômodo, né?

Ou quando você acorda e madrugada dar aquela clássica mijada completamente descalibrada (do tipo que bate no assento, no box, na lata de lixo, no espelho, etc) e faz uma careta quando acende a luz do banheiro? Bem desagradável a agressão visual, né?

Então, ter os olhos queimados diretamente à base de laser é isso aí, multiplicado por três milhões. E com o agravante de que antes da luz na córnea,  alguém cortou o seu olho como se fosse um pedaço de muçarela.

1) Transplante de cocô

merda

Hahaha, consigo até imaginar alguém correndo pro google antes mesmo de terminar de ler o texto. “Cê tá de putaria comigo que existe TRANSPLANTE DE COCÔ”.

Yep. Existe. O nome é levemente mais glamoroso — bacterioterapia fecal (ou pelo menos, o mais glamoroso possível quando a outra parte do nome é “FECAL”) –, mas pras os não-especialistas, é TRANSFUSÃO DE BOSTA mesmo. (O outro nome pro procedimento é “infusão probiótica humana”, mas essa é muito séria e eu não gosto dela.)

Eu entendo sua confusão/nojo. Transplante deveria ser, teoricamente, a transferência de algo útil pra dentro do corpo de alguém que não o tem. Os transplantes mais pop (fígado, rins, etc) seguem esse padrão. Qual seria a finalidade de transplantar cocô pra dentro de alguém?

Até por que, eu não posso espontaneamente fazer brotar outro fígado ou rim dentro de mim, mas cocô é um recurso renovável, todo dia aparece mais. Que merda é essa (haha, eu não resisti, vão se foder)?

É o seguinte. Existe uma condição médica chama da colitis pseudomembranosa, que trocando em miúdos é uma infecção nas tripas. Além de febre, dores abdominais e a inevitável diarréia que acompanha qualquer desequilíbrio intestinal, a colitis pseudoseilaoque esculhamba a flora intestinal composta por bactérias que vivem aí no seu fiofó.

Esta é a ÚNICA foto relevante ao texto que eu posso postar

E pra consertar o estrago, uma das alternativas é transplantar cocô “sadio” de um doador compatível pro bumbum doente.

É isso mesmo, doador compatível. Não pode ser qualquer cocô, não – cus são exigentes. E espera-se, assim, que as bactérias que vieram de carona se proliferem no intestino do receptor e reestabeleça o ecossistema microbiológico lá dentro. A idéia de que alguém estudou anos e anos pra se tornar qualificado pra desempenhar um procedimento deste calibre me deixa ao mesmo tempo decepcionado e estupefato com a raça humana.

É… Eu tenho quase certeza de quando você acordou hoje de manhã, você não imaginava que seria hoje que você descobriria que existe compatibilidade de cocô.

Escrito originalmente em julho de 2010

Eu estava aqui ouvindo o Azilacast sobre histórias de colégio (assine o podcast dos caras, é excelente) e me deu vontade de relatar algumas das minhas mais infames bagunças colegiais. Esses são os melhores assuntos pra textos no HBD, aliás, porque se você lê este site as chances de que você tenha um senso de humor semelhante ao meu são altíssimas.

Consequentemente, isso faz com que a probabilidade de você ter sido um arruaceiro mirim em seus anos formativos seja aproximadamente 115%, proporcionando identificação plena com os pequenos gestos de delinquência que você está prestes a ler.

Atenção molecadinha imberbe que lê este site: em primeiro lugar o Conselho Tutelar devia mandar prender seus pais, pois esse tipo de descaso com o conteúdo que você acessa pela internet é criminosamente negligente.

Em segundo, compreenda este texto como um manual. Imprima, leve pra escola amanhã, passe pros amiguinhos.

Papel higiênico molhado no teto do banheiro

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Eis a segunda coisa mais divertida que você podia fazer num banheiro quando moleque: encher a mão com uma generosa quantidade de papel higiênico, pôr embaixo da torneira ligada — transformando a bola em papel machê — e em seguida arremessar a massa com força na parede ou no teto do banheiro. Ou, em momentos verdadeiramente mágicos, nos amiguinhos.

Arremessar no teto era o modus operandi tradicional, mas eu pessoalmente preferia jogar a bola de papel molhado na parede lá no fundo do banheiro. A distância maior entre o arremessador e o alvo conferia ao bólido molhado maior momento, e portanto maior força no impacto. A bola de papel molhado estourava com força na parede, fazendo aquele sonzinho incrivelmente satisfatório, com pequenos glóbulos de papel machê se projetando pra todo lado.

Essa brincadeira se tornou tão popular na minha escola que em breve o banheiro dos meninos parecia uma caverna cheia de estalactites brancas.

Desenhar pirombas nas cadeiras de desafetos

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Pra bem ou pra mal, a maior parte do humor juvenil escolar deriva-se de insinuações (homos)sexuais, e essa brincadeira era um bom exemplo desse padrão.

O chiste consistia em desenhar na cadeira de um coleguinha — obviamente sem seu consentimento — uma amadora porém realística reprodução da genitália masculina em estado de plena ereção. Uma estrovenga plenamente entumescida.

Na falta de canetinha hidrocor que permitisse o desenho na cadeira, valia também desenhar a jeriboca num pedaço de papel e repousa-lo na cadeira.

Aguardava-se então que o alvo retornasse ao seu assento onde, sem perceber a obra de arte impressa nele, sentaria-se tranquilamente na piromba rija desenhada em sua cadeira. Aos galhofeiros, sentar no catromalho — ainda que sem conhecimento disto — era equivalente à admissão de aprazo por trozobas.

Daquele dia em diante tanto fazia se você confessasse a plenos pulmões no meio do pátio da escola que deleita-se ao ser penetrado analmente por alterofilistas suecos, porque você seria tratado exatamente da mesma forma.

Os colegas mais escolados tinham a manha de olhar a cadeira antes de sentar. Isso provocou uma corrida evolutiva; os galhofeiros adaptaram-se à estratégia das presas desenhando a piroca vascularizada num pedaço do papel e aguardando até o último instante pra coloca-la na cadeira — ou seja, nanossegundos antes do sujeito sentar-se.

Era preciso ardil: o alvo ia sentando na cadeira e tu jogava rapidamente o papelzinho entre a bunda do cara e o assento. Manja quando os Caça Fantasmas habilmente jogavam aquela armadilha bem embaixo pros desencarnados, capturando-os?

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Era mais ou menos isso, só que com um pênis desenhada a Bic.

Jogar giz no ventilador

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 Esse ventilador aí tá muito estiloso, na verdade. Os ventiladores das minhas escolas tinham uma aparência mais industrial, mais utilitária, e mais fodida. Pareciam ter sido fabricados e instalados nos anos 50.

A propósito: quer participar de uma experiência internética bacana? Procure “ventilador escola” no Google Imagens. Ou melhor: no YouTube.

Você ficará chocado, como eu fiquei, que não ouvimos histórias de alunos sendo decapitados por ventiladores com mais frequência. Sei que nosso país nunca foi exemplo de grandes investimentos na área da educação mas quando um equipamento projetado para resfriar o ambiente acaba ironicamente elevando a temperatura do mesmo, é uma boa hora de reavaliar as prioridades.

como assim mano

COMO ASSIM MANO

Então, na minha época ventiladores não pegavam fogo (que eu saiba), mas eles serviam como uma versão infantil de roleta russa.

Na época em que ainda existia giz — meninada mais nova, giz era uma substância cujo pó rendia aos professores um troquinho a mais no salário –, alguns coleguinhas roubavam o instrumento daquela caixinha em que os professores os guardava. Em seguida, quando ninguém tivesse olhando, o safado arremessava o giz com força contra as pás do ventilador.

O giz era fatiado instantaneamente, liberando uma pequena nuvem branca e propelindo fragmentos de giz em direções completamente aleatórias mas que por motivos misteriosos sempre me acertavam na orelha. A turma rejubilava, e o pessoal catava do chão os restos mortais do giz pra um segundo round, até que o giz fosse totalmente pulverizado.

Eventualmente a prática foi atualizada: migramos do giz às canetas (geralmente “emprestadas involuntariamente” de membros não-cooperativos da nossa sala). Quando o sujeito não estava prestando atenção, afanávamos aquela sua caneta Bic 4 cores que se tornaram símbolo de status escolar nos anos 90 e jogávamos em direção ao ventilador. A caneta explodia num vestival de tinta e fragmentos, as suas tais 4 cores tingindo a galera na área de impacto.

Mas essa não era a única gozação que envolvia o ventilador. Tinham também as…

Notinhas com trollbaits

bilhete

Estas notinhas com pegadinhas eram essencialmente os precursores — os Neandertais, if you will — das tuitadas trollbait que a gente gosta tanto de soltar pelo tuíter da vida afora e eu não não sei pra onde estou indo com essa frase.

Funcionava da seguinte forma: escrevia-se num pecadinho de papel uma mensagem como “de quem é esse sapato no ventilador?”, com a instrução “passe adiante” embaixo em letrinhas miúdas. O sujeito abria a nota todo desconfiado, e em seguida olhava para os ventiladores. O autor da nota começava a rir, o sujeito entendia que foi engambelado, e passava a nota adiante.

A nova vítima abre o papel — da mesma forma desconfiada do seu antecessor –, e olhava prontamente pros ventiladores. Nada neles, obviamente, e o autor da nota e a primeira vítima riem da cara do terceiro. E isso ia se espalhando pela sala feito vírus.

A outra modalidade da brincadeira da notinha (lembra que eu falei que brincadeira escolar frequentemente fazia alusão a sexo?) era escrever nela algo que afrontasse a masculinidade de quem a lesse.

Uma rima popular passada nessas notinhas era “se você deu a bundinha, dê uma risadinha”. A natureza quase lúdica da composição — combinar o pecaminoso ato de sodomia com diminutivos — provocava inevitavelmente no mínimo um sorriso de lado. Nos piores casos, a audácia da rima fazia com que a vítima risse pra valer. E ai de você se este é o seu caso.

Aos autores da galhofa, isso era indistinguível da admissão plena de que você passa suas noites prestando favores sexuais a todos os vigias noturnos do seu bairro. E quanto mais você proteste a acusação, mais convencidos eles estarão de que o único esporte que você pratica é o engolimento de jibóias.

Esconder anotações na mesa para as turmas do outro período

mesa

Eu adorava essa. Por motivos inexplicáveis, sempre existia uma rivalidade entra as turmas da manhã e da tarde. O pessoal da turma da manhã considerava a galera do turno vespertino vagabundos incapazes de acordar cedo para estudar; já o pessoal da tarde achava a galera do período matutino uma cambada de CDFs arrogantes e infelizes por não poderem assistir TV Colosso.

Como expliquei neste texto,

Sem contar que rola uma inversão do sentimento de propriedade: durante toda a minha vida, vi as escolas que frequentei como a “minha” escola. Aquele é o meu mundinho, os meus amigos, a minha sala, a minha carteira. Ir à escola de manhã é como explorar uma dimensão paralela em que a sua escola pertence a outros moleques.

Outro resultado curioso do breve contato com a molecada do turno da manhã é que foi quase como visitar outro país e descobrir pela primeira vez as opiniões deles sobre a sua terra natal. Por exemplo, descobri que a turma da manhã considerava os alunos da tarde vagabundos (por serem incapazes de acordarem cedo) ou problemáticos (e por isso os pais os matriculam pras aulas vespertinas, assim a pivetada está longe de casa durante a tarde e os pais podem finalmente relaxar).

Os universos da galera do turno da manhã e do turno da tarde tinham pouquíssima interseção. A única forma de se comunicar com a outra turma era mocozar na sala anotações endereçadas à galera do outro turno. Tais notinhas eram sempre provocativas e que questionava a orientação sexual e/ou a castidade de suas mães do pessoal da outra turma.

Valia de tudo — esconder notinhas em cima do ventilador no final das aulas (para que esvoaçassem pela sala quando o mesmo fosse ligado pela próxima turma a usar a sala), pixar as carteiras, grudar notas atrás das cadeiras…

Era meio como jogar uma garrafa com uma mensagem ao mar, se esta mensagem acusasse o hipotético leitor de, em seu tempo livre, manipular gerebas rígidas de todo aquele que requisitar tal serviço.

Crianças em idade escolar são uma desgraça.

Aliás, a própria experiência escolar é uma desgraça. Metade do meu tempo eu passava nessas putarias, na outra metade tentando entender polinômios e balancear equações químicas. Não consigo decidir qual foi maior perda de tempo.

(Texto originalmente publicado em 29 de dezembro de 2011)

O Oscar, este prêmio máximo do cinema, não significa necessariamente que a carreira de um artista atingiu seu patamar supremo — ou que este status é imutável. É que nem o vestibular: durante sua infância/adolescência, a pressão de passar no vestibular faz com que o simples fato de entrar numa faculdade pareça o objetivo máximon, né?

No entanto, após entrar numa faculdade, você pode se foder tanto nela — por inaptidão, por descobrir que aquela não era sua vocação, ou deusolivre, ambos juntos — que a sua carreira estudantil inteira vai pro ralo.

Quantas pessoas você conhece celebraram passar no vestibular, e foderam-se nos estudos nos anos (ou até meses seguintes), sendo obrigados a tentar outra carreira acadêmica? Pois é. Estes atores passaram por algo similar no que diz respeito ao seu reconhecimento em Hollywood.

Cuba Gooding Jr

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O Cuba Gooding Jr ganhou a estatueta por seu papel em Jerry Maguire, um de muitos filmes (supostamente excelentes) do Cameron Crowe que eu provavelmente nunca vou assistir. Seu target=”_blank”>discurso na noite do Oscar é lembrado até hoje como iconicamente entusiástico, e ele merece pontos extra por nos poupar de berrar um “show me the moneeeeey!“, um bordão do seu filme que àquela altura já estava mais insuportável do que bordão de novela, que é  target=”_blank”>uma cortesia da qual James Cameron não nos achou dignos.

E depois de provar pra Hollywood que Cuba Gooding Jr habita no panteão de melhores atores da indústria, ele fez filmes de merda como Pearl Harbor, o imperdoável Norbit e Boat Trip. Ele ganhou o prêmio Framboesa de Ouro por este último aí, que tem nota 4.6 no IMDb.

Quando um cara que ganhou um Oscar passa boa parte de sua carreira depois disso fazendo filmes de baixo orçamento pra TV, é porque algo deu muito errado.

Halle Berry

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Em 1999, Halle Berry fez o Introducing Dorothy Dandridge, uma cinebiografia sobre a primeira atriz negra a ser indicada para o Oscar de melhor atriz. O filme era um projeto pessoal dela com importância imensa pra Berry, e ela lutou pra caralho pra que o filme fosse realizado.

Apenas dois anos depois, ela mesma se tornou a primeira negra a GANHAR o Oscar de melhor atriz. E a sequência de filmes que ela fez depois foi o equivalente de enfiar o Oscar de cabeça pra baixo numa montanha de estrume de porco.

Die Another Day (indubitavelmente o pior filme Bond da geração Pierce Brosnan, julgado por muitos como o motivo pela “aposentadoria” do ator naquele papel), Gothika (assisti o filme há muitos anos e ele faz tanto sentido quanto aqueles sonhos/alucinações que você tem quando tá com febre) e o terrível Catwoman, que tem como vilã uma modelo cinquentona que ficou indestrutível graças a um CREME PARA A PELE.

Catwoman só não foi tão danoso pra imagem do Batman quando os filmes do Joel Schumacher porque não tem conexão direta com o Cavaleiro Negro.

Ao contrário do Cuba Gooding Jr, a Halle Berry pelo menos apareceu pra ganhar o Framboesa de Ouro que ela ganhou merecidamente por Catwoman.

Roberto Benigni

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Em 1999, Roberto Benigni reforçou os estereotipos que americanos nutrem por “esses estrangeiros malucos aí” — ao ser anunciado como vencedor do Oscar,  target=”_blank”>aprontou essa. A euforia do italiano é compreensível, afinal, foram DOIS Oscars que ele levou naquela noite.

O próximo filme em que ele estreou e dirigiu foi Pinóquio, uma fita notável por ter 0% de aprovação no Rotten Tomatoes. Pra fins de comparação, o pior filme que eu já assisti na vida — Ultraviolet — ainda conseguiu 9% no site. E olha que estamos falando de um filme tão ruim, mas TÃO RUIM, que me causou mal estar físico ao assisti-lo. Não é exagero: a cinematografia daquela merda me deu tontura e enjôo. Nem consigo imaginar a desgraça que foi ver esse filme no cinema.

F Murray Abraham 

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O ator, que era um relativo desconhecido, ganhou o Oscar de melhor ator por sua performance como Salieri em Amadeus, de 1984. Ele continuou sendo relativamente desconhecido, parando rapidamente pra fazer algum filme horrível aqui e ali, como Muppets in Space.

Seu retorno à obscuridão hollywoodiana levou alguns críticos a chamarem esse apogeu artístico seguido de queda de “Síndrome de F Murray Abraham”. Ele não gostou muito disso, previsivelmente.

A prova cabal de que o Oscar foi algo atípico na carreira medíocre do cara é que foi até difícil achar a foto dele com a estatueta — como se o universo tivesse visto a carreira dele num todo e dito “vamos fazer de conta que tu nem ganhou isso aí, porque faz mais sentido”.

Adrien Brody

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Adrien Brody, que é proibido por lei de nadar de costas no estado da Califórnia porque faz a população ligar desesperada pro 911 achando que estão vendo um tubarão, ganhou o Oscar por The Pianist, de 2002. Eis os excelentes filmes que o indivíduo fez logo em seguida:

The Singing Detective — 39% de aprovação no Rotten Tomatoes

The Village — 43% de aprovação no Rotten Tomatoes

The Jacket — 44% de aprovação no Rotten Tomatoes

De repente ele estava pensando que após ganhar aquele primeiro Oscar, devia sair aceitando qualquer roteiro que tivesse “THE” na frente. Pelo jeito não deu muito certo.

Que outros atores são famosos por ganhar um Oscar e em seguida jogar a carreira na lama?

Você achava que durante a infância não estava fazendo nada de muito importante, né? Era engano seu: entre jogar Super Nintendo, disputar o papel de Ranger Vermelho nas brincadeiras de lutinha na prédio e se masturbar usando catálogos da Marisa da sua mãe, você estava desenvolvendo uma psique saudável através da experimentação social com as outras crianças da sua idade.

E isso é uma fase importantíssima da vida que pra artistas mirins passa totalmente em branco. Sabe em Metal Gear Solid, uma série que se consagrou como um naruto de animação com partes levementes interativas, quando tu sai dando skip em todas as cutscenes? Cê chega em áreas avançadas do jogo sem entender o que diabos está acontecendo, né?

É isso que acontece com celebridades infantis como o Michael Jackson, Macauley Culkin ou a Lindsay Lohan. Ter obrigações de vida profissional quando você é tão novo te fazem dar skip em todas as “cutscenes” da sua infância que moldam sua personalidade. Os caras chegam à fase adulta totalmente bugados, sem saber o que diabos estão fazendo da vida. Igual eu tentando entender o plot de Metal Gear Solid 4 pulando as cutscenes do jogo.

Mas tem aqueles artistas mirins que simplesmente… somem. Em vez de se destacar nos tablóides por seu comportamento errático, algumas estrelas mirins simplesmente desaparecem dos holofotes. O que houve com eles?

Ariana Richards

ariana

Na época

O mundo conheceu a Ariana Richards como a “hacker” Lex, em Jurassic Park. Lembra dela usando aquele suposto “sistema Unix” no filme, numa representação hollywoodiana tipicamente cartunesca de sistemas operacionais?

Pois bem, aposto que tu não sabia que esse sistema existiu mesmo. Chamava-se SGI Fusion, e era basicamente um Windows Explorer com visualização 3D. target=”_blank”>Olha o bicho em ação aí.

Curiosamente, computadores da fabricante SGI também apareceram em Twister e em Congo — junto com Jurassic Park, os 3 filmes foram escritos por Michael Crichton. Ele tinha algum fetiche por essa marca, sei lá.

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Atualmente

A última vez que Ariana Richards apareceu em filme pra cinema foi no péssimo Mundo Perdido, de 1997 — e passou menos de 2 minutos em cena. De lá pra cá ela fez alguns filmes toscos pra TV, gravou um CD de música teen, e virou pintora.

Mara Wilson

Mara-Wilson

Na época

Minha memória, essa exagerada, me dizia que Mara Wilson tinha atuado em 80% das comédias dos anos 90. Na real, ela só é realmente lembrada por três: Uma Babá Quase Perfeita, Matilda, e Um Milagre na Rua 34.

A Mara saiu de Hollywood e hoje atua na internet. Já escreveu uma matéria sobre artistas mirins pro Cracked, e também target=”_blank”>resenhou Matilda com a Nostalgia Chick, do site ThatGuyWithTheGlasses. By the way, o TGWTG é um site foda com vídeo-análises que só não é mais famoso porque o seu uso bastante liberal de trechos dos filmes que eles resenham o impede de habitar a esfera do YouTube (onde esse tipo de uso de material copyrighteado não é visto com bons olhos).

Apesar de ela já ter escrito textos sobre sua saída de Hollywood, o motivo não é super claro. Talvez porque não tenha um motivo distinto; o TL;DR da explicação dela é basicamente “eu não tava mais muito afim de fazer filme, produtores pararam de ligar lá pra casa pra me oferecer papéis, e ficou por isso mesmo“. Um misto de decisão própria por sair, e ser implicitamente convidada a sair.

Atualmente

Atualmente

Hoje ela trampa pra uma ONG e quer escrever livros infantis.

Jeff Cohen

Chunk

Na época

Eu nunca assisti Os Goonies (acredite se puder), então tudo que sei sobre o Chunk é que ele é um gordinho que parece sofrer de mal de Parkinson e gosta de camisas havaianas.

A última vez que o moleque apareceu num filme foi em 1991. Depois disso ele resolveu apostar nos estudos; como era muito zoado por ser gordo, ele resolveu usar o porte avantajado nos esportes, e passou a jogar futebol americano.

Sabe que fim levou o moleque?

jeff

Atualmente

Perdeu peso, ganhou um pescoço, e virou um adêvogado fodão. Ó a empresa dele aí, ó. A propósito, é empresa DELE mesmo. Ele não apenas trabalha lá; o nome dele tá na placa da empresa porque ele fundou a parada.

Nada mau, ainda mais se você considerar o mau de Parkinson!

Amy O’Neill

amy1

Na época

A Amy O’Neill só viveu um papel que a maioria das pessoas lembra — a Amy Szalinski, em Querida, Encolhi as Crianças. Foi meu primeiro caso de paixonite infantil inspirada por filme; trai-la alguns anos mais tarde com a Anna Chlumsky (a Vada, de Meu Primeiro Amor, que escapou dessa lista porque voltou a atuar recentemente).

Ela largou Hollywood em 1994, quando os scripts que recebia começaram a exigir nudez.

amy2

Atualmente

Hoje ela trabalha com o Girls on Stilts, um grupo circense cujo website foi feito na época em que ela saiu abandonou Hollywood e nunca foi atualizado, pelo jeito. Do menu dentro de um frame ao pop-up com QuickTime mostrando um “trailer” (em 4:3, óbvio) da apresentação das meninas, o site exala web design dos anos 90.

Carrie Henn

newt

Na época

Newt, a garotinha bad ass que sem armas nem treinamento durou mais tempo em LV-426 que os Marines da Weyland-Yutani, caiu naquele filme totalmente de paraquedas. Nunca tinha atuado antes — e até que mandou bem. Nem sei como exatamente ela foi escolhida pra estrelar em Aliens; creio que nunca saberemos pois a “carreira” dela é tão fuleira que seu artigo na Wikipédia apenas redireciona pro artigo sobre Aliens. Cliquei umas 5 vezes antes de perceber.

carrie hoje

Atualmente

Aliens foi o único filme que a garota fez. Diz a lenda que o James Cameron foi tão exigente com a menina que matou o interesse que ela tinha por Hollywood.

Hoje, a Carrie Henn é professora.

E tem vários outros. Aguardem uma continuação!

Quando eu era molequinho, ganhei de minha tia (ou surrupiei da coleção dela, não lembro agora) um livro chamado “Mundo dos Fenômenos Estranhos”, ou “Livro dos Fenômenos Estranhos”, de um sujeito chamado Charles Berlitz. Não lembro exatamente a tradução em português, mas aqui está a versão original do livro.

Charles Berlitz foi o primeiro a escrever a respeito do Triângulo das Bermudas, transformando o assunto num fenômeno de pop culture praticamente da noite pro dia. Ao ver que o público americano adorou sua “investigação” do Triângulo, o sujeito decidiu que livros sobre mistérios inexplicados eram um imenso mercado ainda não-explorado.

Ele então escreveu seu segundo livro, aquele que eu roubei da minha tia. Nele, como você deve imaginar, o autor discorria sobre diversos mistérios históricos — desaparecimentos ou mortes estranhas, aparições alienígenas, artefatos arqueológicos de propósito desconhecido, esse tipo de bizarrice. Eu ADORAVA o livro, e nunca conseguia dormir direito após ler alguns capítulos dele.

Há algum tempo eu vinha com vontade de escrever um texto sobre o assunto. Mesmo sabendo que os temas a serem pesquisados provavelmente me levariam a passar algumas noites com a lâmpada do criado-mudo acesa, vasculhei a internet em busca das histórias mais escabrosas da história contemporânea.

Apague todas as luzes da sua casa e embarque nessa viagem pelo estranho e inexplicável.

5) O Caso Das Máscaras de Chumbo

Nada melhor pra começar essa listinha do que um mistério made in Brazil.

Em 1966 um rapazote chamado Jorge da Costa estava empinando pipa no Morro do Vintém, em Niterói, quando fez uma descoberta que provavelmente traumatizou-o pro resto da vida: o moleque esbarrou com dois defuntos.

Os presuntos, mortinhos da silva, estavam caídos lado a lado, levemente cobertos pela grama. Não havia sangue ou outros sinais de luta no lugar. Os caras não mostravam nenhum ferimento, suas roupas não estavam rasgadas nem nada.

Correndo o mais rápido que suas perninhas franzinas permitiam sem que se partissem em dois pedaços, o moleque voltou pra casa e entrou em contato com a polícia local. Os meganhas chegaram ao lugar e encontraram uma cena que até hoje desafia explicação racional.

Os dois corpos trajavam ternos e capas de chuva. Perto do corpo a polícia encontrou uma garrafa de água (que estava vazia), e um pacote com duas toalhas.

Até aqui a história já parece bizarra o bastante (como qualquer morte múltipla sem causa aparente é), mas tem mais. Sabe porque a história ficou conhecida como o Caso das Máscaras de Chumbo?

Porque os defuntos estavam usando justamente isso no meio da cara — estranhas máscaras de chumbo comumente usadas pra proteger o rosto de calor ou radiação.

Ok, então dois malucos subiram no morro com água, toalhas, ternos, capas de chuva e umas máscaras metálicas que devem ter atormentado os pesadelos do pobre Jorge pro resto da vida. Até aqui o negócio é de fato bizarro, mas não TÃO bizarro assim, poderia ser apenas um casal de gays com fetiches incomuns procurando um pouco de privacidade pra violar analmente um ao outro com paixão, intimidade e ternura.

Mas o caderno que os policiais encontraram com um dos corpos deixou claro que o caso nas mãos deles era mais misterioso e sinistro do que um encontro carnal de homossexuais apaixonados.

Além de mensagens crípticas envolvendo códigos, símbolos estranhos e números que pareciam ser frequências de rádio, o caderno trazia uma folha avulsa com seguinte mensagem, copiada aqui na íntegra:

16:00 está no local determinado. 18:30 ingerir cápsulas, após
efeito proteger metais aguardar sinal máscara

Ou seja — o que a primeira vista parecia ser uma pista no caso acabou trazendo mais dúvidas ainda. Assim como o resto das anotações no caderninho, a mensagem jamais foi decifrada.

A polícia continuou investigando, mas nunca descobriu muita coisa além da identidade dos dois homens, que eram técnicos em eletrônica. Como você deve ter imaginado, autópsias dos dois cadáveres não revelou nenhum tipo de toxina. A causa da morte é um mistério até hoje.

4) A Batalha de Los Angeles

A mídia impressa costuma empregar nomes sensacionalistas pra se referir a certas pessoas ou eventos, numa tentativa de atrair o imaginário popular e garantir a circulação máxima da publicação. Foi assim que Francisco de Assis Pereira se tornou o “Maníaco do Parque”, por exemplo. Mais da metade dos inimigos do Homem-Aranha devem seus nomes à mesma prática.

No caso da “Batalha de Los Angeles”, o evento foi tão espetacular que o nome era o detalhe menos importante.

Na noite de 24 de fevereiro de 1942, vários moradores de Los Angeles viram objetos luminosos pairando sobre suas cabeças. A histeria foi geral, e muitas ligações pros serviços de emergência depois,  a cidade de Los Angeles estava sob comando dos militares. Os milicos ordenaram um apagão geral na cidade, numa tentativa de identificar melhor a luz vinda dos objetos voadores.

A foto acima, que foi capa de todos os jornais nacionais na época, mostra os holofotes dos militares apontados pros UFOs. Segundo a Aeronáutica, os objetos se locomoviam a pouco mais de 300 km/h.

Em seguida, a Brigada de Artilharia da Marinha posicionou suas armas (canhões anti-aéreos cuja munição são cargas explosivas de 6kg) e começaram a meter chumbo grosso nos objetos. Mais de 1400 tiros foram disparados, e apesar disso os objetos voadores não se transformaram em objetos cadentes.

Cinco pessoas morreram de ataques cardíacos durante o drama, e vários carros e prédios foram danificados pela munição anti-aérea que eventualmente caiu na cidade abaixo.

No dia seguinte as afirmações das autoridades foram conflitantes. Alguns alegaram ser nada além de um “alarme falso provocado pelo nervosismo da guerra”, sem elaborar sobre a identidade dos objetos. Outros falaram que eram balões japoneses, sem explicar como é que balões se movimentariam a 300 km por hora.

Após mais alguns comentários incongruentes, os militares decidiram que a desculpa oficial seria que os objetos eram aeronaves japonesas designadas pra sobrevoar o céu de Los Angeles, com o objetivo de causar medo em solo americano e abaixar a moral do país.

Bom, sobre a parte de causar medo, eles acertaram. O que continuou não fazendo sentido é como é que os tais aviões sobreviveriam várias horas de bombardeamento pesado sem fazer manobras evasivas de qualquer tipo.

Mencionei que o governo japonês negou envolvimento com o mistério na época, e continua fazendo isso até hoje?

3) O mapa de Piri Reis

A imagem que tu vê aí ao lado é um artefato que tem deixado historiadores sem explicações desde 1929, quando foi descoberto.

O mapa – que todos os testes provavam ser autêntico, antes que você me pergunte – foi produzido no século XVI (1513, pra ser mais exato) pelo famoso almirante Piri Reis, da corte turca. O cara, que aparentemente era também cartógrafos nas horas vagas, traçou o mapa baseado em diversas coletâneas geográficas que, supõem os historiadores, ele teria achado na lendária Biblioteca de Alexandria.

A admissão de que o mapa se trata de um apanhado de outros planilhas cartográficas foi feita pelo próprio Piri Reis, em anotações encontradas com o mapa. O problema é, que outras “coletâneas” seriam essas, que aparentemente ninguém mais na época chegou a ver…? Por que elas não eram usadas como a cartografia oficial do mundo da época?

O mapa mostra com clareza e precisão o litoral oeste da África, o norte europeu, a costa Leste (e o interior) do Brasil – algo que nem os portugueses conheciam em 1513 -, e até mesmo algo que não existia
pra humanidade naquela época – a Antártica.

Aliás, opto pela grafia de “Antártica” ao invés do comumente ouvido “Antártida” porque este último não faz sentido. Antártica significa “Anti-Ártico”, ou seja, “oposto ao norte”. Não sei porque em português inventaram de substituir o C por um D na palavra. “Ártida” não existe, logo “Antártida” também não.

Mais impressionante do que a cartografia apurada do mapa, é o fato de que ele mostra a costa antártica SEM a camada de 1km de gelo que a cobre. A última vez que o pólo sul não esteve coberto de gelo foi há 6 mil anos, na última precessão axial do nosso planeta. Só após a expedição britânica-suíça de 1949 foi possível descobrir os contornos exatos da Antártica.

Como diabos Piri Reis (ou o criador do mapa que ele copiou) sabia disso?

Em 1953 a marinha turca enviou o mapa pro Departamento Naval Americano de Hidrografia. O diretor do departamento requisitou o auxílio de Arlington Mallery, um especialista em cartografia antiga.

Pra avaliar a precisão do mapa, Mallery transferiu a geometria do mapa pra um globo, usando o método de projeção que ele concluiu ter sido usado por Piri Reis. Com muita surpresa, Mallery descobriu que o mapa era PERFEITAMENTE preciso. Ele declarou que a única maneira de obter esse tipo de precisão é através de aerial surveying.

Em 1960 o professor Charles Hapgood, da Keene College, escreveu à United States Air Force pedindo uma avaliação do mapa de Piri Reis – em especial, ele queria saber o que a USAF achava da cartografia antártica ilustrada no mapa. A resposta do coronel Harold Ohmeyer foi que o mapa é realmente bastante apurado, e que não há como compreender onde esse mapa se encaixa no suposto conhecimento geográfico do século XVI. De maneira simples, o mapa simplesmente não poderia ter sido feito em 1513. O mundo conforme ilustrado pelo mapa de Piri Reis ainda não existia.

Piri Reis não era o único turco com fontes secretas, aparentemente. Em 1559, um sujeito chamado Hadji Ahmed fez um mapa que mostra o estreito de Bering, a faixa de terra que liga o Alasca à Sibéria.

Problem is, essa faixa está submersa há milhões de anos.

Quem estava fornecendo esses dados?

2) O Incidente de Dyatlov Pass

O incidente de Dyatlov Pass se refere à misteriosa morte de 9 esquiadores russos, provocada por um evento até então desconhecido que se deu na noite de 2 de fevereiro de 1959. Dyatlov era o nome do líder do grupo, e não o nome da montanha que eles escalavam, como alguns pensam. Esta se chamava Otorten.

O grupo partiu de trem em direção a Vizhai, o povoado mais próximo à montanha, no dia 25 de janeiro. O combinado seria que Dyatlov enviaria um telégrafo pras famílias dos esquiadores quando voltassem à Vizhai. A data esperada pro retorno era o dia 12 de fevereiro; não houve nenhuma notícia do grupo, mas atrasos eram comuns em expedições como essa. As famílias dos desaparecidos começaram a encher o saco das autoridades e uma operação de resgate foi montada no dia 20 de fevereiro.

Seis dias depois, o grupo de resgate achou o local onde os desaparecidos haviam acampado. A barraca estava rasgada, e uma série de pegadas os levou até um bosque nas proximidades. Lá foram encontrados os corpos de dois dos esquiadores perdidos.

Ambos estavam descalços, trajando apenas cuecas. Permita-me apontar que fevereiro é o mês mais frio do inverno no hemisfério norte, e poucos lugares neste planeta são mais frios que a Rússia durante o inverno. A temperatura média reportada na montanha era de -30 graus Celsius, o que é considerado QUENTE naquela região durante o inverno.

A mais ou menos 400 metros de distância dali jaziam os corpos de outros três esquiadores. A posição em que eles foram encontrados sugeria que eles morreram tentando voltar ao local do acampamento. Eles não caíram todos no mesmo lugar, uma distância de mais ou menos cem metros separava os três corpos. Só em maio os últimos quatro corpos foram encontrados.

A examinação dos corpos trouxe mais dúvidas do que resposta (o que é uma constante em casos de mortes misteriosas). Enquanto cinco dos corpos apresentavam sinais de morte por hipotermia, três dos últimos quatro corpos achados exibiam sinais claros de algum tipo violência.

Não estamos falando de facadas ou pauladas; um especialista envolvido na investigação comparou os ferimentos (crânios estraçalhados e tórax esmagado) com o que se vê resultante de um acidente automobilístico. Os corpos não apresentavam NENHUM sinal visível e violência, todo o dano era interno. Não havia cortes nem arranhões na pele de nenhuma das vítimas. Como se o negócio já não fosse bizarro o bastante, descobriu-se que a língua de uma das mulheres havia sido arrancada.

Nenhum dos corpos se encontrava suficientemente agasalhado. A maioria estava descalça, usando apenas cuecas, ou usando o que pareciam ser tiras de roupas removidas dos que haviam morrido primeiro.

O nome da montanha era Kholat Syakhl, que significa “Montanha da Morte” em dialeto Mansi. I’m not making this shit up.

1) O manuscrito de Voynich

A História é repleta de relatos de falsificações arqueológicas. O homem de Piltdown, as placas Kinderhook, e o próprio Livro de Mórmon são bons exemplos desse tipo de safadeza. No mundo artístico há centenas de casos de falsificações, e é provavelmenteo ramo que atrai os forjadores mais prolíficos.

Entretanto, há algo em comum em todos esses casos: havia um benefício a ser atingido através da falsificação, seja convencendo alguém através do artefato produzido, ou tentando vende-lo por preço altíssimo como produção autêntica.

Como explicar uma falsificação que não almejou alcançar nenhum dos dois objetivos?

Essa é a dúvida que ecoa na cabeça dos estudiosos que analisaram o manuscrito de Voynich, que herdou o nome de Wilfrid M. Voynich, um colecionador de relíquias medievais que obteve o livro em 1912.

O livro tem 272 páginas e foi inteiramente escrito numa língua que jamais existiu. O manuscrito foi apresentado pros melhores criptógrafos americanos e britânicos da Segunda Guerra Mundial, e após meses de tentativas nem uma palavra sequer foi identificada. Como não há nenhuma forma de elucidar o texto, o conteúdo do livro foi deduzido através das ilustrações. A partir dela concluiu-se que o livro trata de botânica, astronomia, e biologia.

Antes que você sugira, não, Voynich não escreveu o livro por si mesmo. Especialistas concordam que o livro foi escrito no século XVI. Há várias teorias a respeito de quem o teria escrito, mas ninguém consegue chegar a um consenso a respeito do motivo da criptografia utilizada.

Graças a cenas como target=”_blank”>esta — em que os escritores da série NCIS passam tão longe da verossimilhança no quesito “mundo dos games” que a suspeita vigente é que a sequência inteira é uma tentativa de trollagem –, já estamos acostumados a ver Hollywood como completamente ignorante no assunto de tecnologia.

Só que você sabia que a indústria publicitária é pior ainda?

Por exemplo: geralmente ilustra-se site/catálogos de loja de móveis com uma família feliz sentada no sofá assistindo TV e tal, né? E às vezes, a agência dispensa a imagem tradicional da família feliz vendo filminho e colocam alguns moleques jogando videogame. Pra ficar mais modernete, sei lá.

E as cagadas que eles cometem ao compor estas cenas são iguais aquela cena de NCIS lá em cima: chego a suspeitar que é de propósito, porque teria que ser um senhor de 70 anos de idade pra não entender o básico de como videogames funcionam.

E é nessa hora que vemos que Hollywood não tá tão ruim assim, porque pelo menos não mostram sujeitos digitando com teclado de cabeça pra baixo ou usando o mouse como microfone a la Scotty em Star Trek IV – Voyage Home. Ok, eles mostram sim, vou precisar de outro exemplo.

RS

“Computador, XVIDEOS por favor!”

Olha o tipo de merda que aparecem nesse tipo de foto:

“OPA QUE BOM QUE VOCÊ CHEGOU! TAVA AQUI DE BOA JOGANDO METAL GEAR SOLID 4 USANDO UM CONTROLE DE XBOX 360! BELEZA?”

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VOCÊ CHEGOU A CONHECER ESTE MODELO WIRELESS DE PS2?

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A MICROSOFT NÃO PODIA DEIXAR BARATO E LANÇOU SEU XBOX TOTALMENTE WIRELESS TAMBÉM

XBOX

E DESSA VERSÃO DE COLECIONADOR DE SONIC PRO GAME GEAR, QUE ERA UM CARTUCHO INVISÍVEL?

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Ok, nessa eu trapaceei porque é cena de filme.

MAS MELHOR AINDA ERA ESSE MARIO DO PS2. COMO ASSIM VOCÊ NÃO LEMBRA? SAIU EXCLUSIVAMENTE PRAQUELE PS2 QUE PARECIA UM DVD PLAYER CINZA!

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FALTAM-ME PALAVRAS

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Pra quem tem TOC como eu, essas imagens fazem o sangue ferver. Foi assim pra você também…?

Este é o grande e clássico Aquaplay.

Pros noobs, o negócio era o seguinte: havia água dentro dessa cápsula plástica do brinquedo (no shit, Sherlock) e os botões ali embaixo pressionavam bolsas plásticas que criavam jatos dágua dentro da parada. Haviam várias temáticas esportivas; esse aí por exemplo é o de futebol. Você deveria, usando os tais botões, impulsionar a bola pra dentro do gol do adversário. Tinham Aquaplays single player, também, pra filhos únicos e/ou gente sem amigos.

Havia pouquíssimo gameplay real envolvido no negócio, pra era um misto de paciência + sorte. E note o placarzim analógico, hahahaha. E tinha também os Mini-Aquaplays, vendidos em camelôs por todo o Brasil. Tive diversos desses.

“Bebeu água do Aquaplay” era na época sinônimo de “moleque maluco” ou “porra louca lifestyle”.

Praticamente TODO dono de Aquaplay fantasiava em encher o brinquedo com guaraná, mas até one sei ninguém jamais realizou esse sonho.

O Jogo da Vida foi pra muitos de nós um verdadeiro treinamento pra vida adulta. Antes do advento deste clássico, não tínhamos idéia das milhares de coisas que podem dar errado na nossa vida. Como era boa aquela vidinha fácil e sem preocupações…

Aliás, no Jogo da Vida parecia até um exagero cômico a sequência de coisas erradas inesperadas que podiam acontecer com você. Ahhh, a inocência!

Jogo da Vida era um jogo de tabuleiro em que cada casinha te dava ou tirava dinheiro baseando-se em paródias de acontecimentos reais que a essa altura já nos acostumamos — “você bateu o carro, pague X pra conserta-lo”, “seu primo precisa de um empréstimo, mande Y pro vagabundo”, esse tipo de coisa. Não havia nenhum skill envolvido no jogo (como a maioria dos jogos de tabuleiro), era tudo na pura sorte.

O engraçado é que no começo do jogo, você tinha duas escolhas a fazer — meter a cara trabalhando imediatamente, ou ir pelo caminho “acadêmico”: dependendo de que casa tu caia nesse caminho, tu se formava como jornalista, ou médico, ou advogado, ou etc. Havia alguns benefícios pra ambas escolhas, mas lembro que todo mundo escolhia o caminho acadêmico. Se não me engano, os salários eram maiores.

“Por que diabos alguém escolheria NÃO ir pra faculdade?!” a gente pensava na época. Hoje, temos várias respostas.

O jogo acabava com aposentadoria. Sempre me perguntei porque não terminava com a morte imaginária do jogador. Eu era um moleque meio macabro mesmo.

E eu sempre me perguntava quem deveria ser aquela família na imagem da caixa do jogo.

Eu tinha dois Ferroramas — este da foto acima (a única diferença é que a locomotiva era vermelha, igual a que aparece no começo target=”_blank”>desse vídeo aqui) e o modelo anterior, no qual a locomotiva era uma clássica maria-fumaça. Ela também aparece naquele vídeo, alias.

A criançada mais nova deve até pensar que o Ferrorama não tinha gameplay nenhum e que o negócio era apenas ver os trens zunindo de lá pra cá (e faziam um barulhão, lembram? Isso é, pro tamanho deles, anyway), mas isso não é completamente verdade. Haviam trilhos especiais com chavinhas que mudavam a direção ou o trilho que o trem percorriam; se você tinha vários deles e duas ou mais locomotivas, o legal era gerenciar o fluxo dos trens sem causar uma colisão entre eles.

A locomotiva vermelha era consideravelmente mais potente que a maria-fumaça, e ela tinha mais luzinhas também. Por causa disso, quando eu ia brincar com meu irmão, sempre a escolhia — o que era insignificante, visto que não controlávamos as locomotivas diretamente e reclamar posse de qualquer uma delas não fazia sentido prático.

Meus pais compravam MUITOS jogos de tabuleiro, mas sem duvida o favorito entre eles e seus amigos era Imagem e Ação. Aliás, me veio agora a lembrança de meus pais e seus amigos na mesa de jantar, berrando feito loucos ao redor do tabuleiro de Imagem e Ação. A imagem de um monte de jovem adultos curtindo um joguinho me faz me sentir próximo dos meus pais, psicologicamente e culturalmente falando. Esse é o tipo de coisa que eu faço.

Imagem e Ação era um jogo, como o nome insinua, de desenho e mímica. Tu rodava o dado, caia numa categoria qualquer, e puxava uma carta do monte. O item equivalente à categoria da casa em que você parou era o selecionado na carta (ação/objeto/lugar, era algo assim), e você deveria representa-lo com ilustrações ou pantomima. Se seu time acertasse a imagem ou a ação em 30 segundos — acho que esse era o tempo limite –, você avançava no jogo.

Meu irmão sempre teve vocação pra arte, e quando eu surrupiava o jogo do armário dos meus pais pra jogar com a molecada — algo que meus pais vetavam quando eu era mais novo, sem dúvida por medo de que eu perderia peças do jogo, mas aquiesceram quando eu me tornei mais velho –, meu irmão era sempre disputado aos tapas pelos times. E os desenhos dele eram sempre cheio de firulas, sombras, etc.

Duas coisas marcaram todo mundo que jogou Imagem e Ação — o primeiro contato com uma ampulheta, esse instrumento medieval de medição de tempo, e os jogadores que INSISTIAM em “adivinhar” o desenho/mímica com uma palavra que eles já usaram e já foi rejeitada. target=”_blank”>Esse sketch do Family Guy explica o fenômeno perfeitamente.

Caso você esteja curioso, o equivalente gringo se chama Pictionary.

Tinha também aquela clássica lenda urbana de que um primo do vizinho do tio do irmão dum colega de escola, curioso sobre a procedência daquela bonita areia azul da ampulheta, quebrou-a e descobriu que se tratava de SABÃO OMO.

Procurei até cansar, mas não achei foto do carrinho de pedalar que eu tinha quando moleque. Era bastante parecido com o acima, porém vermelho e branco. Não lembro mais, mas suspeito que ele era modelado na Williams McLaren do Ayrton Senna. Vai ver era até licenciado oficialmente.

O carro de pedalar é essencialmente uma bicicleta com quatro rodas e volante. Como só tinha uma “marcha” e o carro é relativamente pesado, era um esforço pedalar aquela merda. Mas puta que pariu, COMO ESSA MERDA ERA DIVERTIDA! O ciúme do meu carrinho de pedalar era tamanho que, estando eu na rua brincando com ele entre a pivetada, eu não levantava do banco nem pra mijar. Eu acho que jamais permiti ninguém a dar voltas no meu carrinho.

Quando eu tiver um filho, ele terá um carrinho de pedalar. É uma das coisas que farei questão de dar a ele, tal como comida, teto, e uma profunda doutrinação em Star Wars.

“Mais que um brinquedo, quase um computador”. Lembra desse slogan do target=”_blank”>comercial do Pense Bem?

(Hahaaha, reassistindo esse vídeo, imagino que os leitores mais jovens do HBD devem estar pensando “wow ISSO era o brinquedo foda na sua época? Que deprimente“)

Eu certamente lembro, porque foi ele que me levou a atormentar meus pais diariamente por três ou quatro meses até que eles decidissem que a única forma de me silenciar seria comprar essa merda pra mim no próximo Natal. Ahhh, 1992, você foi um ano do caralho.

O que era o Pense Bem? Apesar da propaganda evidentemente enganosa, o Pense Bem era exatamente o que alegava não ser (um brinquedo), e estava muitíssimo longe de ser o que alegava ser (um computador). O Pense Bem era um computador na mesma proporção que um relógio de pulso é um computador. As únicas coisas que o Pense Bem tinha em semelhança com um computador é o formato, e o fato de que ambos são escritos com auxílio da letra M.

Além de primitivas funções musicais que me permitiam reproduzir 20% da música tema de Jurassic Park, o “computador” tinha algumas atividades matemáticas (o aparelho jogava uma adição/soma/divisão/subtração com um dos fatores como incógnita, e você tinha que descobrir a resposta.

Tinha um outro joguinho que era essencialmente um “descubra a média aritmética entre estes dois números!” (sério, não tou inventando, assista o comercial de novo), tinha um joguinho de memória no estilo Genius/Simon Says, e alguns outros badulaques que se perderam na minha memória.

Um das brincadeiras mais interessantes do troço eram os livros de atividades. Livrarias e lojas de brinquedos na época vendiam livros com perguntas sobre os mais variados assuntos, e você usava o Pense Bem pra selecionar as respostas entre as múltiplas escolhas. Eu tinha vários livros com personagens da Disney, livros sobre Astronomia, Biologia, e um bizarríssimo “Livro Pense Bem Plebiscito”, talvez produzido na esperança de educar a molecada sobre aquele plebiscito de 1993.

O grande lance do Pense Bem eram realmente os livros de atividade. Como moleque muito curioso, eu me vi numa tarde tentando imaginar como é que o Pense Bem “sabia” as respostas dos livros que eu tinha acabado de ganhar. Conclui que as respostas de todos os livros já deveriam estar programadas no brinquedo, e que o código de 4 dígitos no começo do livro simplesmente acessava um banco de dados específico cujas respostas coincidiam com as perguntas do livro.

OU SEJA — eu poderia escrever meus próprios livros. Bastava bolar um número de 4 dígitos qualquer e ir respondendo as perguntas às cegas, anotando as respostas certas, e inventando perguntas em que as opções de respostas coincidissem. Feito isso, eu roubavas folhas da impressora matricial do meu pai, desenhava uma capa estilosona e escrevia as perguntas com as opções de resposta que batiam com o gabarito que eu escrevi no começo.

Escrevi vários livros, mas os que me lembro mais claramente eram o de Jurassic Park e Back to the Future. Levei os livros pra escola, emprestei pros amigos, e me tornei uma divindade na sala: “O garoto que escreve os próprios livros de Pense Bem”.

Meus amigos eram burrinhos.

Acabo de perceber que eu não tenho motivos pra reclamar dos meus pais. Eu só tinha brinquedo foda. O Armatron estava entre um dos mais fodas.

O Armatron era um briquedo distribuído nos EUA pela extinta Radio Shack, e aqui no Brasil pela Tec Toy ou Gradiente, não consigo lembrar. Ele era um braço robótico articulado que tu podia manobrar com aqueles dois joysticks ali.

Era barulhento pra cacete, levava pilhas IMENSAS cujo nome/formato eu nem sei se ainda existe porque nunca mais vi, e era uma pequena maravilha da engenharia. Só havia UM motor no Armatron, todas as articulações eram movidas por engrenagens conectadas àquele único motor na base do brinquedo. Realmente impressionante.

O brinquedo era na real um joguinho — havia um timer ajustável no Armatron, e você deveria colocar aquelas bolinhas dentro de uma caixa de plástico e fechar a caixa, nem lembro mais. Eu nunca usava o robô daquele jeito, ao invés disso enfileirava meus bonequinhos e tentava leva-los de um ponto a outro na fila usando o Armatron sem derrubar os outros. Os controles eram relativamente complexos pra crianças mais novas — eu tinha 8 ou 9 anos — mas eu manobrava o robô com maestria.

O meu Armatron ainda existe — está na casa do meu primo Matheus, em Fortaleza. Muitos dos meus brinquedos de infância foram parar no quarto dele, o que é algo que eu aprovo 150%, porque o moleque é extremamente cuidadoso com os brinquedos. Vi vários ex-brinquedos meus nas prateleiras do quarto dele, todos em perfeito estado de conservação, sem poeira nem nada. Deu gosto de ver.

O Armatron sugava pilhas que era uma beleza, então meu pai — que tem formação em eletrônica — fez um mod que permitia uso de uma fonte AC externa pra brincar com o bicho, dispensando as pilhas.

E não era mod porco de atar fios nos contatos da pilha, não: ele desmontou o bicho, soldou uns trecos no motor, fez um buraco do lado da carcaça do brinquedo e implatou um plugzinho lá. A fonte podia ser removida caso não fosse requerida no momento e tudo, parecia uma solução oficial do fabricante, tamanho foi o esmero do meu pai no acabamento da parada.

Passei a ver meu pai como um super herói, dotado de habilidades muito cima de mortais comum, a partir desse dia.

Combate era mais um de uma longa lista de jogos de tabuleiro cujo gameplay era quase inteiramente dependente de sorte, mas que a gente adorava mesmo assim. Sério, havia mais skill numa partida de jogo da velha do que de Combate.

Cada lado tinha 40 bonequinhos como os que você vê acima, de variadas patentes militares. O que tu fazia era avançar no campo do inimigo, sem ver que soldados ocupavam as casinhas do lado inimigo. Se você chegar num boneco inimigo com um seu de ranking maior, ele morria e tu avançava. E havia bombas, que não podiam se mover e explodiam a pecinha infeliz que as encontrou. Quando um lado captura a bandeira do outro, o jogo acaba.

Havia uma certa estratégia no posicionamento dos bonequinhos, mas uma vez que o jogo começava, era simplesmente avançar com os bonecos e torcer pra chegar em pecinhas inferiores às suas. Tinha um certo blefe também — haviam os marotos que colocavam suas bombas beeem longe de onde a bandeira se encontrava, pra despistar os oponentes.

Tinha também a manha de mover TODOS os soldados exceto quatro pecinhas arbitrárias na linha de frente do seu campo. Como as bombas não podem se mover, o oponente interpretava suas manobragens em volta desses quatro soldados como se eles fossem as próprias bombas — e com isso, passavam longe deles. Imagina a surpresa do cara quando as “bombas” começavam a avançar pra cima do campo oponente — e sem que ele estivesse preparado pra intercepta-los.

Ok, falei merda: tinha uma estratégia, sim! Preciso comprar um novo. Aqui ele se chama “Stratego”, mas tem temática medieval. Não curto.

É engraçado ver que os anos se passaram e eu continuo tão fissurado por brinquedos quanto era quando moleque. Tenho plena certeza de que não sou o único.

Ihh, faltou falar do Autorama. E dos Lango-Langos. E do Udi Grudi. E de Detetive. E do Detetive Low Budget. E da Coleção Vagalume, que não era brinquedo mas fez parte também.

Ahhh, fuck it, esse texto terá continuação.

TF

Tenho uma relação de amor e ódio com marketing multinível (MMN, na sigla brasileira, ou MLM, na sigla inglesa de “Multilevel Marketing“). Odeio essa merda por motivos óbvios — é uma pilantragem chefiada por picaretas que vitimizam pessoas ingênuas –; amo porque não consigo ignorar a parada.

Simplesmente não consigo. Sempre que alguém menciona MMN eu tenho que entrar na discussão. É quase uma obsessão.

Por isso, preparei esta listinha de lorotas típicas que os participantes desses esquemas gostam de contar por aí quando tentam convencer incautos. Tendo lido esse texto, você JAMAIS ficará sem resposta quando aquele seu amigo mala tentar te recrutar pra esses lixos usando um suposto “bom argumento” a favor de MMN.

1) “MMN não é uma pirâmide…”

Erradíssimo. Aliás, o simples fato de que é preciso enfatizar distinção é um indício de má índole do sistema.

MMN é uma pirâmide; este modelo de negócio tem todos os sintomas clássicos:

  • Ênfase em recrutamento desenfreado (geralmente empregando “seminários” onde contratam “distribuidores/divulgadores” em massa, sem qualquer critério — se é tão boa oportunidade, por que é tão fácil entrar…?);
  • Promessa de dinheiro fácil (trabalhe sem sair de casa! Apenas postando anúncios na internet! Gaste apenas duas horas por dia!);
  • Uso ostensivo de símbolos de status/premiações para convencer novos recrutas do potencial de carreira.

A distinção “mas é MMN, não pirâmide” nada mais é que uma ginástica semântica. Você pode dar o nome que quiser ao esquema, mas o que realmente define sua identidade é a forma como ele se comporta.

E MMN se comporta exatamente como pirâmide.

2) “…porque tem produtos!”

Você já conheceu alguém que use produtos da BBOM, ou Herbalife, ou TelexFree, ou qualquer uma dessas empresas e que não seja TAMBÉM divulgador dela? Alguém QUE NÃO FAÇA PARTE DA EMPRESA já te recomendou o serviço da TelexFree, por exemplo, dizendo ser “excelente”…?

Amigos recomendam produtos e serviços pros outros o tempo todo, e no entanto isso nunca acontece com produtos e serviços supostamente sendo vendidos por empresas de MMN — a menos que o sujeito faça parte da pirâmide.

bbom

Clique para ver maior

Os únicos que realmente usam produtos dessas empresas são os seus participantes, e olhe lá — porque a grande maioria do público em geral sequer sabem o que eles comercializam.

E como isso acontece? Como é que o produto de uma empresa com tantos divulgadores é tão desconhecido…?

O que empresas de MMN realmente vendem é a esperança de liberdade financeira. É por isso que 99% dos anúncios delas enfatizam a oportunidade de trabalhar lá, e não o produto em si.

telexfree

Clique para ver maior

Se você acha que estou sendo tendencioso, faça uma busca no Google Imagens com o nome de qualquer MMN. Compare a proporção de anúncios do PRODUTO (que eles orgulhosamente alegam tratar-se da distinção primordial entre MMN e pirâmides), e anúnios de recrutamento.

3) “Marketing Multinível é ensinado em Harvard!”

Não. Isto jamais aconteceu.

A verdade é que Harvard, como qualquer faculdade, tem matérias que tratam de inúmeros assuntos como “case studies”. Um desses case studies chama-se “Causes of Failure in Network Organizations“, de 1992 — um estudo com óbvio tom negativo sobre esse tipo de negócio. Mary Kay Inc.: Direct Selling and the Challenge of Online Channels, de 2004, foi outro case study similar — com conclusão igualmente NEGATIVA.

Dizer que a prestigiosa faculdade ensina ou endossa Marketing Multinível por ter publicado um estudo sobre o modelo é como dizer que seu professor de história aprova o Holocasto por dar uma aula sobre o assunto. Foi uma mentira inventada por oportunistas e repetida por gente ignorante que não verifica a informação.

Essa lorota existe já faz um bom tempo; a faculdade já se pronunciou sobre isso em 1995, numa matéria do Wall Street Journal.

Desafie o cara que te falou isso a procurar o código da matéria sobre MMN no site da Harvard. Ou pelo menos a achar o nome do curso.

[ ADENDO ]

Alguns proponentes do marketing multinível miram um pouco a baixo e apenas comentam que há cursos de Marketing Multinível em faculdades nos EUA, como fez o @CarlinhosTroll  target=”_blank”>neste vídeo (aos 11min30seg). O objetivo de dizer isso é conferir legitimidade ao modelo, afinal, ninguém daria um curso se o material de estudo do curso não fosse válido, não é mesmo?

Vamos esquecer brevemente que também existem faculdades de ufologia, de leitura de tarô, de astrologia, e que isso não significa que o material ensinado tem validade.

Vamos esquecer também que a “faculdade” que ele citou não tem nem mil estudantes e está em 178o. lugar no ranking de faculdades de “Artes Liberais” nos EUA. Pra quem não sabe, faculdades de Liberal Arts são estigmatizada a anos como fábricas de diplomas sem validade.

Vamos esquecer que pra citar este fato, o vlogger usou uma imagem photoshopada que omite um parêntese importante na matéria — a matéria chama MMN explicitamente de “piramide”:

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Imagem do vídeo

ss

Screenshot da matéria, sem photoshop. Perceba a diferença.

Mesmo que ignoremos TUDO ISSO, o fato inegável é que a tal faculdade oferece um curso de míseras 3 horas de duração de MMN. Em comparação, demora 18  meses pra acompanhar todas as aulas, e 3 anos pra obter um diploma de leitura de tarot (Dê um Ctrl + F e coloque “18 months” pra achar o trecho que menciona duração do curso).

Resumo: como muitas outras mentiras do MMN, obviamente o cara não avalia a informação que recebe: ele ouve algo em que ele quer acreditar, e então promove — sem se informar desses detalhes que mudam completamente a história.

A propósito: o Carlinhos diz que os EUA “apóia” marketing multinível porque uma faculdade chinfrim oferece um curso de MMN de 3 horas de duração (um nonsequitur absurdo). Enquanto isso existe relatório oficial do FTC (Federal Trade Commission, órgão governamental que regularia o mercado) condenando o modelo MMN.

Continua achando que os EUA “apóiam” MMN?

4) “Mas seu emprego/governo do nosso país é uma pirâmide também, se for por isso!”

Não. Em um emprego legítimo, você não precisa pagar pra participar. Não é obrigado a comprar o produto da empresa. Não precisa adesivar seu carro com a marca da firma. Não precisa tentar convencer todos que você conhecem a entrar também. Você não sente a necessidade de dizer pra todo mundo que seu chefe é MUITO rico.

E da mesma forma, nenhum político fica tentando convencer outros cidadãos a se candidatarem a cargos públicos.

Embora essas estruturas possam aparentemente ter formatos similares, é preciso entender POR QUE elas tem esse formato. Seu departamento só tem um chefe porque o cargo não requer muito mais que isso; da mesma forma como um país precisa de mais eleitores que deputados, e de mais deputados do que presidentes.

Por outro lado, MMNs tem esse formato porque há um ímpeto em recrutar todo mundo que eles veem pela frente — algo que não acontece no cenário político, ou na empresa em que você trabalha.

Percebe a diferença…?

5) “Não precisa recrutar ninguém se você não quiser!”

E no entanto isso é o que todos os participantes fazem. Porque como já ficou claro, MMNs não tem produtos — eles têm disfarces para que a prática de pirâmide não fique mais evidente. A única forma de fazer dinheiro nesses negócios é recrutando, e por isso a cultura de “ENTRE AGORA GANHE DINHEIRO JÁ” é predominante em MMN.

6) “Nós continuamos recrutando porque toda empresa faz isso, ou a Coca Cola vai um dia parar de vender refrigerante?”

Essa mentira revela um detalhe curioso sobre a grandíssima maioria dos proponentes de MMN — eles não tem lá um intelecto invejável, e portanto são incapazes de fazer analogias que façam sentido.

Por mais bizarro que esse ponto possa parecer, ele é o argumento central target=”_blank”>deste vídeo em que um sujeito chamado Junior Multinível responde a este meu target=”_blank”>vídeo. No meu vlog (perceba aliás que ele pensa que “Daily Vlog” é meu nome, apesar do fato de que eu digo meu nome no vídeo, confirmando a primeira frase deste item), explico que se MMN fosse como qualquer outra empresa, chegaria o ponto em que contratar tantos empregados não seria mais necessário pois já se atingiu o limite operacional.

O sujeito do vídeo — que até onde sei tem certa fama nessa cena MMN — explica que a Coca Cola nunca parará de vender refrigerante, logo, é por isso que a TelexFree não para de recrutar distribuidores. Isso é um nonsequitur absurdo; não estou criticando a TelexFree por vender seu VOIP, e sim por recrutar agressivamente novos vendedores.

A comparação seria válida se a Coca Cola tentasse ativamente recrutar distribuidores com um ímpeto similar ao das empresas de MMN, e sabemos que essa correlação é falsa.

As confusões legais recentes da TelexFree e da BBOM reiteram o que qualquer pessoa com bom senso já sabe (são furadas) e praticamente garantem que o uso eufemístico do termo “marketing multinível” vai em breve perder sua pouca legitimidade. Prevejo que em breve esse tipo de esquema passará a ser chamado por outro nome.

Mas não se deixe enganar por uma mudança de rótulo; se o negócio se vende como uma excelente oportunidade e envolve recrutar outras pessoas, passe longe.

Se algum parente ou amigo seu pensa em entrar nessas merdas, mande este link pra ele.

Acho que poucas instituições da nossa cultura popular tentam invocar mais o senso de individualidade e rebeldia do que bandas de rock. Talvez é por isso que é tão irônico quantas bandas caem exatamente nos mesmos clichês ao fazer seus clipes. Por exemplo…

Bandas tocando em local fodido ou abandonado:

Geralmente, bandas que adotam esse clichê se vendem ao público adolescente. Eu imagino que é uma metáfora visual que tem como objetivo comunicar sentimentos de isolação, de abandono — que é uma das sensações mais comuns da adolescência, perdendo apenas para “ereções em momentos impróprios”. Maldita puberdade!

Smothered, do Spineshank

Stay Together For the Kids, do Blink 182

Duality, do Slipknot

Anthem of Our Dying Day, do Story of the Year

Banda tocando pros fãs em show improvisado

Esse clichê é comum por dois motivos — primeiro, porque como eu geralmente o vejo sendo usado pra promover o primeiro single de sucesso de uma banda, imagino que a idéia é dizer subliminarmente “ó, tu nunca ouviu falar desses caras na sua vida mas acredite, eles são famosos, olha o tanto de fãs que eles tem!”.

O segundo motivo é que este tipo de clipe é, comparativamente, extremamente fácil de fazer. Monta um palco e bota os caras tocando. É preciso tocar a mesma música umas 6 ou 7 vezes pra conseguir footage o bastante, mas ainda é incrivelmente menos complicado do que clipes que funcionam como mini-filmes, com historinha e tal.

Chop Suey, do System of a Down

Last Resort, do Papa Roach

Fat Lip, do Sum41

My Friends Over You do New Found Glory

Banda tocando na prisão

Acho que esta aqui tem a intenção de mostrar os músicos como revolucionários bad boys irreverentes ou algo assim — a velha imagem do rebelde sem causa que é o ganha pão do rock há décadas. Só não sei se sempre foi tão artificial assim.

Saint Anger, do Metallica

(Este é particularmente cara de pau em sua intenção de mostrar os artistas como durões por estarem numa prisão. No comecinho do vídeo um dos policiais está alertando a banda sobre os perigos de gravar um clipe dentro do presídio, e adicionando que se algum deles for tomado pelos presidiários o governo não negociará liberação dele. A banda permanece com semblantes perfeitamente estóicos e impassivos, de tão bad ass que são. Faltou só uma cena deles andando na frente de uma explosão sem olhar pra trás)

The Bitch Song, do Bowling for Soup

Feeling This, do Blink 182 (de novo! E fazendo metáfora de colégio = prisão, que o enquadra numa próxima categoria também)

Re-Arranged, do Limp Bizkit

Lifestyles of the Rich and the Famous, do Good Charlotte

Bandas tocando na escola

Aqui o objetivo é totalmente óbvio, né? “Você está na escola, nós sabemos e entendemos isso”. Toda arte tenta provocar algum tipo de emoção naquele que a observa, e a emoção mais poderosa é auto-identificação. Se seu público é uma cambada de moleque des idades escolars, que experiência é mais comum e portanto mais passível de identificação pra eles?

…Baby One More Time, da Britney Spears

Everybody Get Up, do Five

Back to School, do Deftones

Little Things, do Good Charlotte (de novo!)

Que outros clichês você lembra?

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