Quando jailbreak surgiu há alguns anos e usuários dessa gambiarra começaram a “customizar” seus iPhones, ficou bastante claro que nem todo mundo tem as sensibilidades designísticas pra projetar interfaces.

A bandeira do Flamendo não é uma coincidência.

E essa não é nem a pior que eu achei, embora dê pra escrever um TCC com tudo que há de errado com esta imagem

Você de repente até usa algum tema horrendo desse estilo aí.

Então. Volta e meia algum designer gráfico qualquer solta um vídeo “conceitual” pra próxima atualização do sistema operacional do iPhone — que eles jogam meio que como uma sugestão pros designers da Apple, diga-se de passagem. Com uma presunção meio “tou ligado que vocês passam 17 horas por dia pensando na porra desse iOS e tentando bolar soluções interessantes, mas olha só, fiz esse videozinho aqui e acho que manjo mais que vocês”.

E o vídeo do momento é este:

À primeira vista você talvez ache o vídeo legal; você provavelmente trocou a fonte do seu sistema operacional (talvez pra Comic Sans até) e/ou usa foto de carro no wallpaper, correto? Aposto que acertei.

Basicamente TUDO que o vídeo mostra é algo inútil que só consumiria mais recursos pra fazer a mesma coisa que já temos hoje, ou então um inferno de usabilidade (e às vezes o autor do vídeo mostra “novidades” que se enquadram em ambos!).

1) Girando, girando! (leia com a voz do Sílvio Santos)

animacao

No começo do vídeo, o sujeito clica numa pasta e ela abre, enviado os ícones rodopiando às suas posições na sua tela. Isso é diferente do que temos hoje porque… os ícones chegam girando. E só.

No final das contas essa idéia genial oferece o MESMO sistema que já temos hoje — ícones dentro de uma pasta que são revelados quando você clica nela. Com a diferença que agora você está gastando mais processador (e consequentemente, bateria) pra executar uma animação que faz todos os ícones girarem independentemente. Ah, e pra fechar a pasta, em vez de clicar em qualquer lugar fora dela como funciona atualmente, você tem que apertar um minúsculo iconezinho de X, como se essa porra fosse uma pasta do Windows.

Ou seja: essa mudança resulta no MESMO elemento de interface, porém mais lento, com uma animação dispensável, e adicionando um ícone desnecessário.

2) Preview de email (lupa não inclusa)

preview

Aos 0:12 do vídeo, o usuário passa o dedo no ícone do email e vê uma pequena prévia da sua caixa de entrada. Isso parece bem bacana, até o momento em que você pensa na coisa como um ser humano dotado de cognição crítica e descobre que é uma idéia imbecil.

Primeiro, o que há de TÃO importante na sua home screen que você precisa deixar visível enquanto gerencia seus emails? Pra que multitaskear num aparelho com uma tela de poucas polegadas? O que você está ganhando com essa funcionalidade…?

…o poder de ver seus emails — ou melhor, apenas o assunto deles, SE não for muito longo — no espaço de alguns ícones. Pra ver o que o email realmente diz tu vai ter que abrir a caixa de email do MESMO JEITO. E o gesto de abrir essa prévia é basicamente o mesmo de abrir o app de email de fato (um toque com o dedo).

Já temos um método muito bom pra dar um preview na caixa de entrada — um que não sacrifica espaço útil em prol de poder ver o desktop do celular: a central de notificações!

Sabe o que não é um método bom pra isso? Ler duas palavras da subject line dos seus emails, no espaço de um ícone, só pra não esconder o ícone do Dropbox.

3) Fechar todos os apps

lolwut

Aqui o autor do vídeo prova que não é só de UI que ele não entende — é do próprio iOS.

De forma concisa: não é necessário fechar os apps que estão abertos (especialmente pelo fato de que ELES NÃO ESTÃO ABERTOS). Não, não é preciso caralho. Se você pensa ver melhor performance após fechar os apps, é apenas um placebo.

Essa cena do vídeo, ESSA CENA, foi a que me fez botar a mão na cara e pensar “mas esse maluco se deu ao trabalho de fazer isso tudo sem sequer entender uma das coisas mais fundamentais do iOS…?

Sim, apps que usam GPS ou fazem streaming são exceção — eles realmente estão trabalhando quando estão “minimizados”. Só que repare: os ícones mostrados quando o cara faz isso não são apps dessas categorias. Se ele mostrasse um app de streaming the música e outro de GPS ali, faria mais sentido.

Esqueci em que número estou) Aperte este pixel, mude configurações!

pixel

Um método mais prático de acessar configurações de 3G/LTE/Wifi/Modo avião seria sensacional mesmo, e espero que o iOS7 traga algo assim. Acontece que a galera do jailbreak já bolou uma solução pra isso — jogue esses controles na mal-aproveitada central de notificações. Até porque, ela fornece um espaço maior pra que você não apenas mude essas configurações em modo shuffle, como o vídeo mostra, mas que você possa também bater o olho rapidinho e ver que configurações você está usando no momento.

Aqui o autor do vídeo tentou reinventar a roda sem necessidade de forma não muito prática de um ponto de vista de UX, que é um resumo perfeito do vídeo inteiro.

O que você acha?

Caralho, e essa agora: o HBD é um site CULINÁRIO, além de tudo o mais!

É o seguinte, nerdalhada: sei que vocês são tudo gordos sem esperança, e sei também que são igualmente preguiçosos — aliás, tu é gordo porque é preguiçoso, ou é preguiçoso por que é gordo? Tente elucidar este dilema Tostines aí nos comentários, quero argumentos sérios. Enfim, onde eu estava mesmo?

Ah, sim: gosto de ver o HBD como um serviço de utilidade pública, de certa forma. E levando em consideração meu público — nerds sedentários gordos e preguiçosos –, pensei: o que seria uma maior utilidade pública do que três receitas que esses vagabundos possam fazer em seus próprios microondas em instantes?

DISCLAIMER: Como gordos são essencialmente grandes apreciadores de culinária (“grandes” figurativamente e horizontalmente), é bem provavel que você já conheça estas receitas. Caso afirmativo,

1) Não seja chato com comentários “ahhh que merda eu já fazia essas coisas desde que tinha 8 anos de idade!”, porque sem dúvida deve ter quem nunca ouviu falar destas paradas, e;

2) Seja util agregando conteúdo ao site: torne sua energia destrutiva de descer o pau no artigo em algo construtivo compartilhando alguma receitinha maluca sua aí!

Vamos lá. Abra o HBD no iPad e leve-o pra cozinha, porque hoje você será um chef. Todas estas receitas são incrivelmente simples, então por mais triste que seja o interior de sua geladeira no presente momento, tenho certeza que você tem os ingredientes necessários.

Mini Pizza de Cream Cracker!

O que você precisa:

X Cream Crackers (o X será referente ao seu nível de fome);

Molho de tomate;

Queijo muçarela;

Orégano

Como fazer:

Não poderia ser mais simples. Coloque os cream crackers num prato. Coloque UM POUQUINHO de molho de tomate neles (eu particularmente não gosto muito de molho de tomate, e o cream cracker não absorve o molho tão bem quando a massa da pizza, mas ajuda a dar aquele sabor característico de pizza).

Cubra os cream crackers com queijo. Finalmente, jogue uma quantidade generosa de orégano em cima do queijo; essa é a chave do “sabor de pizza” (junto com o molho de tomate).

Microondas por 15 ou 20 segundos, só pra derreter o queijo. Não consigo lembrar quem me ensinou essa receita, mas ela reinou na minha infância!

Bolo de caneca!

 

O que você precisa:

4 colheres de açúcar;

3 colheres de achocolatado;

4 colheres de farinha com fermento;

3 colheres de leite;

3 colheres de óleo vegetal;

1 ovo.

Como fazer:

Não tem mistério né porra? Você nunca viu como se faz um bolo na vida não, seu incompetente? Mistura tudo bem misturadinho numa xícara até que fique uma massa homogênea. Joga no microondas por 90 segudinhos e observe o seu mini-bolo crescendo, alimentado pela magia radioativa do seu forno. Aliás, vou até dar uma pausa nessa merda pra fazer o meu.

Vixi.

Cookie de microondas (na caneca também)!

O que você precisa:

1 colher de manteiga;

2 colher de açúcar;

1 colher de açúcar mascavo;

3 gotinhas de essência de baunilha;

1 pitadinha de sal;

1 gema de ovo (jogue a clara na parede);

1/4 de copo de farinha;

2 colheres de gotinhas de chocolate, também conhecidas como “chocolate chips”

Como fazer:

Esta é a mais complicada! Primeiro, derreta a manteiga no microondas. Mas só derreta, ela não é pra ficar fervilhando não porra!

Adicione os açúcares, baunilha e sal. Mexe a parada toda. Adicione a gema, enquanto continua mexendo. Depois, a farinha — sempre mexendo. Bote uma música no computador pra mexer a mistura no ritmo, sei lá.

Finalmente, jogue as gotinhas de chocolate. Jogue no microondas por um minuto. Essa parte é crucial, dependendo da potência do seu microondas, talvez seja menos de um minuto, talvez mais. É possível que você precise fazer duas ou até três vezes pra acertar o tempo direitim.

E aí está. Três “pratos” que você pode fazer no microondas, com ingredientes básicos, em 5 minutinhos!

Sempre fui muito fã de jogos de estratégia em tempo real, e da série Command and Conquer em particular. Em especial, Command and Conquer: Red Alert.

Peguei o jogo emprestado do meu primo Eduardo — que foi quem me apresentou aos RTSs, coincidentemente –, e jogava aquela porra alucinadamente sempre que estava perante o computador. É realmente uma de minhas séries mais amadas.

É até irônico lembrar que, ao ver Command and Conquer pela primeira vez (em screenshots publicados numa Revista de CDROM que acompanhava um disco com o demo do primeiro jogo), desgostei de C&C por não entende-lo. Vi mil carrinhos, tanques, bonequinhos na imagem e não entendia qual deles era eu, o que eu tinha que fazer ou até mesmo pra onde eu tinha que ir.

Só depois, ao ver o Eduardo jogando a parada — construindo prédios, comandando as tropas e tal –, compreendi o paradigma do gameplay de um RTS e fiquei apaixonado de cara.

Aliás, já notou que “paradigma” é uma palavra chique, apesar de significar basicamente “o bagulho aí”, o “esses esquemas”? Acompanhe: “paradigma comercial” = “o bagulho aí comercial”. “Paradigmas sociais” = “esses esquemas sociais”. É a mesma coisa, sob um verniz de elitismo intelectual.

Sobre o que eu estava falando mesmo? Ah, sim, Command and Conquer — e em especial o Red Alert, o que eu mais joguei e o cuja target=”_blank”>trilha sonora me inclinou a uma vida curtindo metal. Eu joguei TANTO aquela parada, que acabei aprendendo importantes lições de vida. Três lições, pra ser exato.

Sempre que necessário, atrase a própria gratificação em prol de ganhos futuros

Na vida, assim como nos games, a gente é motivado pela gratificação imediata. A gente quer tudo agora, imediatamente, e não investir e aguardar a recompensa futura. Na vida isso significa torrar a grana que você usaria para tirar uma certificação profissional com três garotas de programa e algumas doses de uísque — aparentemente ignorante ao fato de que o upgrade salarial possibilitado pela tal certificação possibilitaria nove garotas em vez daquelas três.

No RTS acontece isso também. A gente muitas vezes quer partir pra ação o mais cedo possível, construindo Barracks e War Factories pra partir pra porrada imediatamente. Entretanto, investir no futuro sempre é a melhor alternativa.

E eu fazia isso construindo várias refinarias. Assim, eu priorizava meu crescimento financeiro, e DEPOIS partia para descer a porrada nos Aliados. E como você pode ver, o resultado disso é que rapidinho o jogo diz que você acumulou todos os créditos possíveis. É dinheiro que nem cabe na carteira, em outras palavras, tudo porque decidi atrasar um pouco a gratificação para investir no futuro!

Não brigue onde você ganha seu sustento

Lembro de ter lido uma vez que a maioria dos profissionais preferem trampar com um cara que vacila aqui e ali mas é broder de toda a repartição, do que com um maluco super competente mas que é extremamente filho da puta e arruma encrenca com todo mundo.

(De vez em quando tu encontra o pior dos dois mundos — o cara energúmeno que é também o que mais comete vacilos na firma)

E isso é uma incrível verdade — para um bom ambiente trabalhístico, para que a moral do time seja mantida e a produtividade otimizada, é sempre melhor evitar atritos desnecessários.

No Command and Conquer essa máxima também existia. Batalhas nos campos de produção de tibério/ouro destroem os recursos, deixando-o pobre. Assim como no mundo real, é sempre uma melhor estratégia manter as brigas bem distantes do seu local de trabalho!

E tá vendo os buracos no campo de mineração e as crateras no solo? Dessa vez eu não consegui seguir meu próprio conselho; não deu pra evitar. É como no dia que você já ouviu tudo que tem capacidade pra ouvir de um colega de trabalho babaca e resolve revidar — não vale a pena.

Sempre tem um filho da puta (que vai te foder)

Vivo de acordo com uma máxima muito simples, conforme explicada pelo título do meu livro: todo dia tem uma merda. E existe um segundo inciso nessa lei: SEMPRE TEM UM FILHO DA PUTA, cuja missão é te foder.

Sempre. Absolutamente sempre. Sempre há um filho da puta, e que às vezes é justamente responsável pela merda do dia. Ó o exemplo: tava outro dia no elevador do trampo tuitando alguma bobagem quando um débil mental tirou a mochila do ombro de forma brusca bem do meu lado, acertando meu celular. Vítima da força gravitacional, ele se arrebentou no friso do rodapé do elevador (é um elevador chique, com rodapé) e deu um belo amassado na carcaça — e que provavelmente me impedirá de trocar o celular caso ele dê algum problema no futuro, porque a partir de agora creio que o entendimento da Apple é “você fodeu seu celular, como podemos claramente ver, então o problema é teu, broder!”

É a mesma coisa no Command and Conquer. Você tá lá, fazendo sua base de boa, crente que terá todo o tempo necessário para erigir fortificações e construções defensivas e um exército maciço.

E do nada vem um filho da puta e caga em cima do seu plano. A vida está repleta de filhos da puta que irão fazer justamente isso com você; tal qual no RTS, não há como saber quando um filho da puta atacará. É necessário jogo de cintura para lidar quando (não se) o filho da puta aparecer.

Três lições de vida importantíssimas que eu carrego no bolso até hoje. E meus pais achando que eu estava desperdiçando minha vida nos joguinhos!

Oi turminha bonita! Trago aqui pra vocês uma continuação deste post, em que explico como você pode parecer super inteligente sem ter realmente um QI avantajado ou sequer o ensino médio completo. Por mais que você mal saiba desenhar o próprio nome no RG, basta aprender sobre esses fenômenos interessantes e puxa-los do bolso quando a situação for relevante e seu status de “homem letrado” estará estabelecido.

Mas olha lá, ein! A linha que separa “um cara inteligente, culto, que manjas as paradas que ninguém mais sabe” de “lá vem aquele maluco chato tentando se passar por inteligente recitando um artigo da wikipédia” é muito tênue! Ou é tênua? Eu sei que tênia é solitária, mas o resto eu não lembro mais. Enfim.

A questão é que assim como álcool e o sutil hábito de dar em cima das amigas da sua namorada, a dica que estou dando deve ser usada com moderação. Não exagere e tudo ficará de boa. Se liga nisso:

Dilema da Centopéia

Manja a brincadeira internética de dizer prum chegado “VOCÊ ES’TA RESPIRANDO MANUALMENTE AGORA”? E o seu broder entra na agonia, porque no momento em que lê esse comando, é como se o processo automático que rege o movimento do seu diafragma levasse um Ctrl Alt Del e o cara tem agora que fazer um exercício consciente pra continuar respirando? Só de digitar essa explicação essa porra aconteceu comigo.

Existe um nome pra isso. Este efeito/sacanagem chama-se Dilema da Centopéia e, como qualquer teorema científico de renome e valor acadêmico, tem origem num poeminha infantil:

A centipede was happy – quite!
Until a toad in fun
Said, “Pray, which leg moves after which?”
This raised her doubts to such a pitch,
She fell exhausted in the ditch
Not knowing how to run. 

Caso você não fale inglês, a historinha é a seguinte: tava lá a centopéia feliz na dela. Chega uma rã e diz na pura e sinistra sacanagem (“Until a toad in fun said…”) “ô, mas como tu coordena essas perna tudo aí mano?”

E esta simples pergunta feita na zoeira maliciosa tornou a centopéia tão confusa que ela não conseguia mais andar. É a versão fábula de quando um broder diz no Twitter que você está agora piscando manualmente — e, bizarramente, há um nome específico pra esse fenômeno!

O efeito Tetris

Esse aqui eu nem preciso explicar. Você já jogou um jogo com tanta frequência que as imagens do jogo começaram a se manifestar psicologicamente pra você?

Nem precisa ser especificamente um jogo. Veja este exemplo: Eu passei um verão trabalhando como vendedor de picolés em 2005. Pra atrair a atenção da gurizada futuramente diabética, eu balançava uns sininhos acoplados à bicicreta dos picolés. Que era parecida com isto aqui:

Aliás, já que estou almejando a fidelidade da parada, que tal uma foto do meu ex-chefe dessa parada com uma das bicicletas?

Poisé, Kibom não é uma marca brasileira. Ela só tem esse nome no Brasil, aqui fora ela se chama “Good Humor”

Este é Joe, um dos douchebags que era dono da Frosty Freeze em Oshawa, onde eu morava. O sócio dele, um cara cujo nome não lembro mas cuja filha da putice ultrapassa todos os limites humanos, rompeu a parceria e pode ser encontrado aqui tentando passar as bicicletas dele pra frente e prometendo, com ares de distribuidor da Herbalife, que é o melhor negócio DO MUNDO.

A propósito, este ponto do anúncio é particularmente filho da puta:

“An average cart will sell $200-$300/day (…) with well trained individuals in good areas selling upwards of $400-$500”

O melhor vendedor da “empresa”, um velhinho de nome “Arthur” que todos pensávamos ser ao menos parcialmente retardado, fazia 200 dólares por dia — esse era o benchmark de um bom vendedor da parada, 200 dólares por dia.

E lembrando que eles pagavam uma comissão de apenas 25% das vendas, ou seja — o melhor vendedor da parada ganhava 50 dólares por dia, trampando 10 horas por dia. E esse maluco tá tentando vender a parada fazendo parecer um investimento único. Entendeu por que odeio esses caras?

O mais engraçado é que encontrei esta troca de emails entre o Joe e um político de Oshawa em que ele revela que o negócio é falido. A propósito, se lig no site deles que mal funciona!

Enfim. Meu ponto é que depois do meu PRIMEIRO dia vendendo sorvete e ouvindo aqueles sinos por 10 horas consecutivas, fui dormir e acordava de 10 em 10 minutos ouvindo os sinos, como se a porra da bicicleta estivesse do meu lado na cama. Foi uma maluquice lisérgica inacreditável.

E isso é o efeito Tetris. O nome ilustra a maluquice de alguém que,  por joga Tetris por inúmeras horas sem parar, olha pro ambiente ao seu redor e fica imaginando  onde encaixaria as pecinhas que caem do céu. A propósito, as pecinhas de Tetris se chamam tetraminos.

Saturação semântica

Repita a palavra ARMÁRIO exatamente dez vezes aí.

Agora repita ARMÁRIO outras dez vezes, por favor. Deixe de ser preguiçoso porra, faça a experiência. É pela ciência.

Como você já deve ter percebido, repetir uma palavra inúmeras vezes faz com que ela perca o sentido e soe como um monte de sílabas desconexas. O que você talvez não  sabia é que este fenômeno é conhecido pela neurociência: chama-se saturação (ou saciação) semântica.

Essencialmente, ao repetir uma palavra muitas vezes, tu tá um BUG no software de reconhecimento de significados que o seu cérebro roda. E sem esse aplicativo rodando no background, palavras tornam-se sons ininteligíveis.

Pronto. Vá e não peque mais e impressione todos os seus amigos.

Eu costumava odiar o Instagram da mesma forma como eu odiava a Apple ou mostarda — odiava sem nem saber direito por que, sem nunca ter experimentado. É um reflexo do nosso egocentrismo esse negócio de odiar, de forma reacionária e dogmática, qualquer coisa cuja popularidade você não entenda muito bem.

Isso é um fenômeno comum, e às vezes o sinto na pele. Já cansei de receber mentions de pessoas que prestativamente me informam que não vão com a minha cara simplesmente porque eu sou muito “famosinho”. Não por eu ser babaca, arrogante, egocêntrico, agressivo, gordo, irritante ou por ter “abandonado o Brasil” (uma acusação outrora bastante comum). Desgostam de mim simplesmente porque eles sabem quem eu sou, por intermédio de amigos que vivem falando de mim ou dando RT.

Apesar disso, um dia resolvi dar uma chance ao Instagram. Acabei me viciando no serviço; eu sou meio fissurado nessas ferramentas que permitem meu séquito de amigos de bolso um pequeno vislumbre na vida fora do país. Acho interessantes as discussões sobre as diferenças entre práticas e hábitos dos dois países.

E aí eu acabei presenciando diariamente no Instagram coisas que me fazem pensar que a maioria dos usuários não sabe usar essa porra desse serviço.

(DISCLAIMER: TODO MUNDO USA A PARADA COMO QUER. NÃO SOU A AUTORIDADE FINAL DA FORMA COMO SOCIAL MEDIA DEVE SER UTILIZADA. ESTOU 118% CIENTE DISTO, ASSIM COMO ESTOU CIENTE DO FATO DE QUE EU SOU CHATO E IMPLICANTE COM TRIVIALIDADES SEM IMPORTÂNCIA OU CONSEQUÊNCIA PARA MINHA VIDA)

Então. Eis algumas coisas que eu percebo no Instagram que me dá vontade de chegar no cidadão e perguntar “olha só, tu não entendeu direito como é o negócio aqui, né?

Usar dois bilhões de hashtags em cada imagem

 

A foto acima ilustra um dos maiores lugares comum do Instagram — a total e completa saturação de hashtags. O que, além de irritante, é idiota por dois motivos que explicarei para você.

A primeira razão é o que eu chamaria de “filosófica”. Você já ouviu a expressão “uma imagem vale mais que mil palavras“, correto? Isso significa que, ao fotógrafo habilidoso, é possível veicular uma miríade de emoções e sentimentos com uma único click do obturador. Estímulos visuais como fotografias são capazes de falar, eloquente e silenciosamente, mais do que você seria capaz de descrever sobre a cena com meras palavras.

Entretanto, a geração Instagram vai e DESCREVE A IMAGEM COM AS TAIS MIL PALAVRAS QUE UMA IMAGEM POR NATUREZA DISPENSA. O que é essencialmente dizer “sou um fotógrafo de merda então deixa eu te explicar o que está acontecendo nesta imagem”.

Mas há também um motivo prático. Hashtags tinham uma função específica em sua concepção anos atrás no twitter — “carimbar” alguma coisa com um termo que possibilite catalogar o que você está publicando, para que alguém interessado no mesmo assunto possa localiza-lo com facilidade. Usuários ineptos estragam essa funcionalidade usando termos que ninguém jamais procuraria ou que não descrevem a imagem.

Agora olhe a fotografia acima. A menina a tagueou com “followme” e “followback”, que eu duvido ser algo que alguém procura no search do serviço. Idem para “instagram”; por que alguém procuraria o nome  do serviço que ele está usando…? É como eu buscar “ITUNES” no search da loja da Apple quando estou procurando por uma nova música.

Ela completa com “pictures” e “photography”, o que é novamente idiota por motivos óbvios — 99% de tudo que é postado no Instagram é uma foto. Imagina você num restaurante que descreve todos os pratos no cardápio como “comida”. Aliás, pra ser perfeitamente sincero, praticamente todas as hashtags usadas pela menina são dispensáveis.

Precisa ser excepcionalmente inábil pra jogar tanta descrição na imagem, e ainda assim não classifica-la de nenhuma forma útil. E metade de vocês fazem isso todo santo dia.

Usar o Instagram como blog

 

Imagine que você é um gerente de alguma coisa. Sei lá, do McDonalds. Imagine-se usando aquelas indignas camisas sociais de manga curta com gravatinha e tudo.

Hoje você vai entrevistar um candidato a um emprego. O sujeito chega e, quando você pede o currículo do cidadão, ele saca um tablet. Nele, há um vídeo de 10 minutos em que o sujeito segura o próprio currículo, sorridente. Ele espera que você leia o currículo dele nesse formato — um vídeo em que ele segura o documento.

Parece ridículo, não? Imagina então alguém tentando escrever uma planilha de excel no Notepad. Ou cozinhando um bife no microondas. Lavando as roupas no bebedouro da escola.

Vocês que escrevem notinhas no aplicativo de texto do celular, tiram screenshot e postam no Instagram estão fazendo basicamente isso — usando o veículo errado para a função que você deseja executar. É idiota.

Isso não é nem um fenômeno recente; lembra quando uma geração inteira de mongolóides usava a ferramenta de “depoimento” do orkut como um substituto para email? Sendo que o próprio orkut tinha uma função de troca de mensagens privadas?

O Instagram serve para transmitir imagens, não pra veicular textos. Se é isso que você quer fazer, abra um blog.

E já que estamos falando em screenshots…

Aplicar filtros em screenshots

 

Os filtros do Instagram servem para simular condições ópticas/fotográficas que alteram a aparência de uma fotografia no momento em que ela é tirada. Na maioria dos casos, ela é utilizada para complementar a fotografia — com os filtros certos você pode alterar a temperatura da imagem, o constrate, o balanço de cores, a intensidade da luz, ou seja, inúmeras variáveis completamente indiferentes quando o que você está registrando é uma imagem reproduzida numa tela de LCD.

No caso de filtro em screenshots, o usuário coloca simplesmente porque dá pra colocar, a despeito do fato de que fica visualmente retardado. A opção tá lá embaixo e o cara joga em cima da screenshot porque, afinal de contas, por que não?

“Acho super legal e coerente esse visual de fim de tarde na interface do meu iPhone”

Sabe que outro efeito fotográfico era antigamente bastante usado para similar condições ópticas registradas durante o processo fotográfico, mesmo quando isso não faz o menor sentido na imagem? O efeito lens flare, que é considerado atualmente (e por bom motivo) a pochete da fotografia.

Filtros do Instagram em screenshot é basicamente a mesma coisa que lens flare. Postar screenshot no Instagram já é um disparate, com filtro então fica pior ainda.

A propósito, tenha PLENA certeza que o único motivo pelo qual o Instagram limita o uso de filtros para apenas um por imagem é porque, caso contrário, 80% das imagens no serviço seriam bagunças visuais produzidas por indivíduos empilhando 5 ou 6 filtros um em cima do outro, pelo mesmo motivo que os aplicam em screenshot — “porque dá pra botar”.

Transformar  o Instagram em site de “humor”

Vivemos numa época em que alguns sujeitos acham que apenas um 9gag não é o suficiente

Quando eu vou numa loja de roupas, eu espero encontrar roupas. Se vou num restaurante, espero encontrar comida. Quando vou no Facebook, espero encontrar pessoas de quem eu mal gosto reclamando das mínimas vicissitudes da vida apesar de fazerem parte da pequena parcela mundial que tem fácil acesso a água, comida, abrigo e remédios.

Quando você vai em qualquer lugar que seja, ao longo de toda a sua vida, você vai lá com uma finalidade clara que depende diretamente do conteúdo comumente encontrado lá. Você não vai pra uma igreja esperando encontrar mulheres de bikini; você não vai ao açougue na expectativa de assistir um filme.

Da mesma forma, ninguém vai ao Instagram pra ver memes e rage comics. Por que isso é tão difícil de entender?

O autor americano Charles A. Goodrich popularizou em 1827 a frase “a place for everything and everything in its place“, que em tradução livre significa “um lugar pra tudo, e tudo em seu lugar”. É o mantra da ordem e organização, em cima do qual você e todos os seus amiguinhos do Instagram cagam ao reproduzir imagens “engraçadas” num serviço fotográfico.

Já não basta a absoluta saturação desse humor simplório que atende ao menor denominador comum, nego vem colocar essa merda num dos únicos redutos restantes de produção de conteúdo original.

Parem com essa merda, por favor. Eu vos agradeço em nome do Sindicato de Cagadores de Regras das Mídias Sociais.

Olá macacada bonita. Supondo que você não é o Batman, como vão vossas famílias? Estão prontos para o Natal?

Desde que eu era moleque ouço pessoas dizendo que sou muito inteligente. O que é uma interpretação completamente errônea da realidade, a propósito: eu passei o ensino médio inteiro sem entender o que era um mol, por exemplo. Uma vez quando eu tinha 10 anos eu tentei ligar pro meu próprio telefone, imaginando como seria conversar comigo mesmo, e fiquei decepcionado quando a ligação deu sinal de ocupado (“quem é o viado que está usando o telefone e interrompendo meu experimento?”). E uma vez eu tentei namoro a distância.

Como você pode ver, sou réu culpado de inúmeras imbecilidades; porém a impressão que muitas pessoas ao meu redor tem é que sou inteligente, o que me leva a acreditar que a aparência de ingeligência talvez seja um substituto adequado à real intelectualidade. Mas a pergunta que você talvez tenha é: como seria possível simular inteligência…?

Simples: aprendendo trivialidades aleatórias e jogando-as aqui e ali quando o assunto é relevante.

Sou um leitor ávido do IMDB, TVTropes, Wikipédia e outros redutos de valor acadêmico equivalente a um Almanaque de Férias da Turma da Mônica. Enquanto essas leituras não me imbuem de real inteligência (pelo menos eu, ao contrário de muitos outros nerds de internet, reconheço isso), o conhecimento sobre cultura popular que eles garantem serve como uma perfeita forma de simular sabedoria.

E recentemente aprendi sobre alguns fenômenos curiosos que gostaria de compartilhar com você. Com eles no bolso, você provavelmente será capaz de impressionar seus amigos na faculdade, e a partir daí são ELES quem pedirá cola nas provas pra VOCÊS.

O Efeito Naja

Deixa eu explicar logo esse falso cognato. O nome deste efeito em inglês é “Cobra Effect“; entretanto, “cobra” em inglês não significa o nosso “cobra” (isso seria snake); “cobra” em inglês significa naja. Portanto, Efeito Naja.

E COBRA era também a primeira empresa de computadores onde meu pai trabalho!

O termo aplica-se a “soluções” que acabam piorando o problema. A origem da expressão é curiosa (embora relativamente anedótica): durante o período colonial britânico na Índia, o governo resolveu oferecer uma recompensa por najas mortas pra tentar controlar a população deste réptil mais perigoso que uma Tartaruga Ninja dirigindo bêbada.

(Não vou nem pesquisar pra averigurar que tartarugas são de fato répteis, tamanha é minha convicção. Eis aí outro truque pra simular inteligência: fale tudo com total confiança)

Só que os colonos, exibindo um jeitinho indiano expert, passaram a CRIAR AS COBRAS pra lucrar mais com a recompensa. Os britânicos descobriram a espertalhice dos indianos e cancelaram o Bolsa Naja.

E como resultado os criadores soltaram suas cobrinhas (agora “inúteis”) no mato. Ou seja: a Inglaterra gastou dinheiro e acabou com MAIS najas do que quando começou com o programa.

Sinta-se à vontade pra adotar a nomenclatura do efeito para todas as soluções retardadas que seus chefes sugerem no dia a dia. E já que estamos falando de chefes…

O Efeito Dunning-Krueger

Olha, eu sou um dos raros que gosta de seus chefes e colegas de trabalho. Entretanto, é irresistível ver o efeito Dunning-Krueger como tendo sido bolado exclusivamente para descrever a dinâmica trabalhística. Aliás, se aplica pra vida acadêmica também. Aliás, se aplica pra TODAS AS ESFERAS DA SUA VIDA.

O efeito Dunning-Krueger é uma falha cognitiva que faz pessoas realmente proficientes duvidarem de suas próprias habilidades; como experts, eles sabem que toda situação é mais profunda e complexa do que às vezes aparenta. Esse conhecimento os deixam em alerta (o que potencializa sua capacidade de resolver problemas), mas também os fazem achar que não são aptos para a tarefa.

Em contrapartida, o mesmo efeito descreve a maneira como gente paspalha se sente confiante de si mesmos justamente por não compreender inteiramente a situação em que eles estão inseridos. Por se achar perfeitamente aptos pra resolver um problema, o indivíduo acaba omitindo ou ignorando detalhes que um sujeito menos seguro de si mesmo teria percebido.

O fenômeno também é conhecido como “Efeito Downing” quando usado para descrever QI especificamente. Trocando em miúdos: se você se acha inteligente, você é burro. Se você se acha burro, você é inteligente.

O fenômeno Baader-Meinhof

Este aqui é inicialmente tão intrigante que beira o sobrenatural. O fenômeno Baader-Meinhof é um de muitos efeitos de falha cognitiva (embora não popular o bastante para ter sua própria página na wikipédia, aparentemente) cujo aprendizado melhora notavelmente a maneira como você percebe e interpreta certas “coincidências” da vida cotidiana. Aliás, leia essa página inteira sobre o assunto, porque vale a pena. Confie em mim.

Você alguma vez leu uma informação e pouco tempo depois viu-se numa situação em que a tal informação tornou-se relevante? Por exemplo: imagine que você acabou de pesquisar sobre o diretor de De Volta para o Futuro. No dia seguinte na faculdade alguém pergunta quem dirigiu a série, e você responde sem titubear “oras, foi o Robert Zemeckis, claro!”

Mas que incrível coincidência, não é? Você ACABOU de ler sobre o assunto, aprendeu algo novo, e pouco tempo depois o tema tornou-se relevante e você pôde mostrar seu novo conhecimento (e pagar de inteligente com uma mera informação trivial, que é todo o tema central desse texto).

O que acontece é o seguinte: seres humanos são experts em notar padrões. A alguns desses padrões demos o nome de “coincidência”, que é o termo que define um evento com (às vezes aparente) baixa probabilidade de acontecer. No caso, ler sobre quem dirigiu um certo filme, e ser perguntado exatamente isso alguns dias mais tarde.

Acontece que isso é uma forma de falha cognitiva. Você está temporariamente esquecendo de todas as inúmeras outras interações em que ninguém citou De Volta para o Futuro. Quando alguém finalmente o cita, fica a impressão de tratar-se de um evento improvável. Mas nem é o caso.

E confirmando a profecia desse fenômeno, quanto você quer apostar que nos próximos dias você se verá usando um dos fenômenos que você acabou de aprender nesse texto pra explicar algo pra alguém?

Barreira da língua é um negócio sério. Eu mesmo presenciei com estes lindos olhinhos castanhos que a terra há de comer um exemplo incrível de uma cagada linguística cometida por alguém que não dominava o inglês com naturalidade: meu próprio pai.

Era 1999 e estávamos em Marblehead, Ohio, uma cidade tão minúscula que na época nem tinha no mapa — mas que pelo menos já tem página na Wiki. Olha lá, menos de 800 habitantes. Inclusive tenho foto com a família inteira do lado daquele farol lá.

Então, na época meu pai era pastor evangélico e estávamos num tour pelos EUA. Paramos no tal vilarejo (após nos perdermos por umas 6 horas porque a cidade era microscópica e GPS acessível a pobres não havia sido inventado ainda) porque meu pai tinha um colega pastor americano que morava lá, então obviamente filamos uma bóia e economizamos no hotel ficando na casa do tal pastor gringo.

Numa ocasião em que o pastor e sua família nos levou pra sair, eu e minha mãe conversávamos no carro sobre um assunto qualquer referente ao Brasil e todos começamos a rir. O pastor, intrigado, perguntou ao meu pai do que ríamos.

Meu pai, do auge de seu inglês semi-funcional que ele se orgulhava de ter aprendido via filmes legendados, explicou que “oh it’s just some bullshit“.

A cara que o pastor gringo lá fez foi mais ou menos esta:

 

Agora, um pouco de contexto: meu pai aprendeu inglês vendo filmes (essa foi a base do meu inglês quando eu era moleque, também). E em filmes, termos como “bullshit” (que tem significado amplo mas no geral não é uma palavra que se use em conversas educadas com colegas da profissão eclesiástica) é geralmente traduzido como “besteira” ou “bobagem”, que é imensamente mais idôneo.

Por isso meu pai não sabia que a palavra tinha um teor extremamente pejorativo e, felizmente, só viemos passar vergonha disso muitos anos depois quando eu expliquei pra ele a cagada que ele fez.

Só que isso não é nada comparado às cagadas linguísticas cometidas pelos protagonistas destes vídeos que vou mostrar pra você. Por exemplo…

“Forever”, do Chris Brown, usada na entrada de um casamento

Deixa eu começar logo com o vídeo que foge um pouco da regra do texto.

Quando tive a idéia pra esse post, o mote era apenas “vídeos com músicas inadequadas”; entretanto, ao fazer a pesquisa pro texto eu notei que quase todos os vídeos envolvem o uso hilário de músicas em inglês com contexto completamente oposto à situação em que elas estão sendo usadas. Então embora o título tenha mudado um pouco, acho que esse vídeo ainda pertence a esta lista.

Lembram deste vídeo? Foi um dos virais mais populares do ano de 2009, que na internet é como se fosse 1748. Faz tempo pra caralho, e o processo que a Zomba Recording (a gravadora do Chris Brown) enfiou no rabo dos noivos já deve até ter começado a parar de arder. target=”_blank”>A parada foi até parodiada pela série The Office, que 9 entre 10 pessoas concordam que deveriam ter logo acabado logo quando o Steve Carell saiu.

Então, “Forever” né — uma música romântica que fala sobre um cara que diz ter esperado a vida inteira por “aquela” noite — no contexto matrimonial, uma declaração amorosa de alguém que se considera feliz por finalmente ter encontrado a mulher de sua vida.

Escrita e cantada por um cara que fez isso com a dele.

“Essa matéria ainda tá muito classy. Enfia 50 marca dáguas do nosso site na cara estourada da mulher que melhora”

Lembram disso? Naquele mesmo ano, o Chris Brown ARREBENTOU sua então namorada, a cantora e personagem frequente dos meus sonhos imorais Rihanna.

Eu acabei de me casar e vou te dizer: a idéia de usar a música de um cara que fez ISSO com a mulher dele como tema do meu casamento me soa meio… estranha.

Antes que você desmereça mais ainda a inclusão desse vídeo no tema, sugerindo que não é caso de uso inadequado e sim infeliz coincidência, permita-me informa-lo que enquanto o vídeo foi posto no Youtube em julho de 2009, a infame surra que a cantora levou aconteceu em fevereiro do mesmo ano.

“Don’t Want No Short Dick Man” na Xuxa

Lá pelos idos de 1990 e alguma coisa, a música “Don’t Want No Short Dick Man” dominava o cenário da dance music, que é um gênero/nomenclatura que acho que nem existe mais. Agora é só barulho de máquinas de fax e megafones jogados dentro de uma betoneira feita de imãs ou, como é mais conhecido, “dubstep”.

Então, a Xuxa ou seus produtores (vou espalhar a culpa homogeneamente) decidiram chamar a “banda” pra cantar a música do momento no programa dela. Se o problema não é prontamente óbvio, atente às prestativas legendas:

Agora, existem milhares de coisas pra levar em consideração neste maravilhoso vídeo. A primeira: imagine a cara de um hipotético telespectador que porventura falasse inglês.

 

Depois, imagine o que se passava pela cabeça da Xuxa ali na marca dos 31 segundos — pelo que entendo a mulher goza de uma certa bilingualidade e, se aceitou trazer o grupo no programa por causa da ignorância sobre seu material, descobriu rapidamente que aquilo tinha sido uma má idéia.

Agora pare pra pensar no nível quântico de exu-sem-luzismo (Exu Sem Luz é uma unidade do Sistema Internacional para medir semnoçãozice) do grupo que, ciente que estavam sendo agendados pra se apresentar pra um PÚBLICO INFANTIL, acharam que era um público adequado.

E finalmente observe a alegria da criançada, batendo papo e dançando junto ao som da música de uma mulher que impõe exigências em relação ao diâmetro peniano de seus (possivelmente múltiplos) parceiros.

Simplesmente sensacional.

“Sexed Up” do Robbie Williams embalando o casamento de Pedro e Renata

Ahh, Pedro e Renata. Não vos conheço, e sei que jamais lerão este post. Ainda assim, desejo felicidade e longevidade à sua sagrada união matrimonial.

É uma pena que o cara que editou o vídeo de vocês não parece dar os mesmos votos.

O que me fode a cabeça nesse vídeo é que ele é muito bem produzido.

Ok, tem uns dutch angles que eu particularmente evitaria, meio que abusa da vinheta e é desnecessariamente monocromático, mas no geral o vídeo tem uma aparência muito boa. Detalhe especial pros ângulos meio documentais com pegada de “behind the scenes”.

O problema é a porra da música usada, “Sexed Up”, que é uma breakup song, expressão gringa que se traduz pra “categoria musical monopolizada pela Adele”.

Olha a porra do refrão da música. Com “Why don’t we break up”, o cantor está admitindo que o relacionamento é uma merda mesmo e que cada um tinha mais é que ir pro seu canto.

Eu gosto de imaginar que o cara que produziu o vídeo era um amante rejeitado pela noiva, e que ele inseriu essa mensagem subliminar da música de fundo como seu último golpe contra a união dos dois pombinhos (enquanto se masturbava furiosamente usando as próprias lágrimas de amor perdido como lubrificante).

Imagine a cena aí. O cara sozinho na ilha de edição, com a porra da família do noivo no telefone cobrando que o vídeo seja entregue no prazo combinado, e o editor chorando copiosamente em cima do seu MacBook e exercendo atrito manual agressivo em sua genitália.

“Fuck it”, do Eamon (quem?) narrando o casamento de Rafa e Jéssica

Rafa e Jéssica (ou seria Géssica, como diz a title card do vídeo?) casaram-se em 2008. E num cartório, como todo casamento de pobre deve ser — e se você vier encher o saco nos comentários dizendo “ain Quide eu casei no cartório mas não é por pobreza é por [insira aqui um motivo artificial que você passará o resto da vida repetindo sempre que alguém criticar casamento de tabelião]” eu não vou nem aprovar seu comentário.

Respire fundo e reconcilie-se consigo mesmo dizendo “EU SOU UM FODIDO; SE NÃO FOSSE, TERIA UM CASAMENTO IGUAL O DA RENATA E DO PEDRO, QUE É O QUE MINHA MULHER REALMENTE QUERIA”.

Então, voltemos ao Rafa e a J(G)éssica. Aliás, vou logo me declarar parcial ao “Géssica”. Eu imagino que na edição propriamente dita do vídeo o “cineasta” teria tido um pouco mais de atenção pra PELO MENOS acertar o nome da noiva. Já título de vídeo do youtube você faz na pressa mesmo, e é corrigível.

Pois bem, os casal se casou, e dias depois levaram um pendrive com fotos do casório na casa dum amigo que “entende desses negócios de computador” — trazendo pro nosso vocabulário, “um amigo com um PC do Milhão e uma cópia do Windows Movie Maker”.

Bom, meras palavras roubariam o vídeo da sua genialidade, então tome aí o VT.

Eu ri por aproximadamente 18 minutos initerruptos quando descobri este vídeo. O diagnóstico aqui é claro: um caso gravíssimo de “ouço a música direto, parece romântica. Deve ser romântica. Vou usar no vídeo do casamento dos meus chegados”.

Só que a música é exatamente o oposto de romântica. Apesar da batidinha R&B com nuances noventistas (olha essa drum machine aí, isso é anos 90 destilado), a música é uma break up song com a amargura concentrada equivalente a quatro Adeles. Se liga na refrão:

Fuck what i said it dont mean shit now
Fuck the presents might as well throw em out
Fuck all those kisses, it didnt mean jack
Fuck you, you hoe, i dont want you back

Fuck what i said it dont mean shit now
Fuck the presents might as well throw em out
Fuck all those kisses it didnt mean jack
Fuck you, you hoe, i dont want you back

Se você manja tanto inglês quanto o cara que editou o vídeo, deixa eu explicar: “FUCK YOU YOU HOE I DON’T WANT YOU BACK” = “VÁ SE FODER SUA VAGABUNDA NÃO QUERO TE VER NEM PINTADA DE OURO”. Ou “em ouro”, sei lá como era essa expressão.

O mais trágico é que a música é apropriada pro matrimônio, mas da melhor (pior?) forma.

Por exemplo: na canção, o cara diz “foda-se o que eu falei antes, não importa mais”. Corta pro cara assinando a papelada do casamento, que é justamente uma importante declaração.Na segunda repetição dessa linha, vemos o cara LITERALMENTE PONDO A ALIANÇA NO DEDO DA MULHER, uma outra importantíssima declaração do processo casamentístico anulado subliminarmente pela letra da música.

Começo a suspeitar que a sincronia é perfeita demais pra ser acidental.

“Fodam-se os presentes, jogue no lixo logo”; presume-se que, apesar de que fodidos geralmente descrevem órbitas sociais ao redor de outros fodidos, pelo menos um liquidificador ou um conjunto de capas de controle remoto eles ganharam. O cara tá falando pra noiva joga-los fora, já que ele quer aniquilar todas as lembranças do relacionamento!

“Fodam-se os beijos, eles não significaram nada”. Segundos após esse trecho, vemos um slow zoom de uma foto em que os noivos se beijam.

E a parte que me fez quase vomitar de rir: no trecho em que o Eamon lamenta que a sua mina “até chupou o pau do cara”, APARECE UMA FOTO DA NOIVA DO LADO DE UM MALUCO QUE ASSINOU A PAPELADA COMO TESTEMUNHA. Manos, esse vídeo é um presente dos deuses da internet.

Perto dessas merdas, o vídeo do meu casamento parece até uma obra exibida de Cannes.

Todos nós crescemos com séries cinematográficas que, de uma forma ou outra, moldaram nosso caráter. No meu caso foi De Volta para o Futuro, que estabeleceu minha predileção por histórias de viagem no tempo e praticamente me ensinou a falar inglês, tantas foram as vezes que assisti o filme.

Cresci querendo esta porra, também

Outra marca registrada sensacional de De Volta para o Futuro é que a série mantém a qualidade uniformemente e parou na hora certa — ou seja, antes de galhofar completamente.

Algumas outras sagas cinematográficas não seguiram o mesmo parâmetro. E assim, algumas de nossas franquias prediletas acabaram tomando uns rumos duvidosos. Por exemplo…

Os macaquinhos em Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull

Veja bem: eu sou uma das poucas formas de vida multicelulares que conseguiu Gostar do quarto Indiana Jones. Ele traz muitas lembranças da minha infância, assistindo fitas VHS da trilogia na televisão de 29 polegadas da nossa sala (que na época era o suficiente pra chamarmos de “telão”). Como fui muito novo pra ver os outros filmes do Indy nos cinemas, o jeito é se contentar com pouco mesmo.

E eu não concordo com a reclamação de usarem alienígenas na trama. Se pode artefatos mágicos bíblicos e pedras macumbísticas, por que não ETs?

Acontece que tem UMA CENA que desgringola a porra toda.

Esta maldita cena.

O filme já ia mal das pernas pela simples presença do Shia Labeouf, que conseguiu praticamente sozinho estragar uma outra franquia significativa para nós crianças dos anos 80. Não se dando por satisfeito, o filme mostra o rapaz se balançando em cipós com ajuda de macaquinhos digitais que irão segundos mais tarde salvar o dia.

Qualquer resquício de dignidade que o filme pudesse ter foi embora nessa cena. É tecnicamente ridícula (o movimento do Shia deixa óbvio que ele estava usando um harnessm estilo “acrobacias de Matrix” e na frente de uma tela azul) e visualmente infantil. Sério, macaquinhos ajudando um dos protagonistas (que em seguida se balança em cipós feito o Tarzan…)?

Os óculos de estrelinha do Terminator 3: Rise of the Machines

A série Terminator é muito similar para mim à série Alien, no sentido de que ambas moldaram meu gosto por ficção científica e terror, ambas tiveram o dedo do James Cameron no meio, ambas tinham muito mais violência do que meus pais deveriam ter me permitido assistir, e tudo que havia de bom em ambas franquias parou no segundo filme.

E ambas séries tem dois robôs cujos bonequinhos eu quis ter durante minha infância inteira

O paralelo entre as duas séries é incrível no sentido de que o terceiro filme de ambas é tão escroto em comparação com o resto do cânon que praticamente empobrece o resto das franquias só por associação. E tem uma cena de Terminator 3 que deixa isso patente.

O filme já começa na galhofagem quando o Arnold, peladão da forma como costuma estar quando viaja no tempo, entra numa boate gay. Nada de errado com boates gays (eu mesmo já fui numa), mas é meio incongruente com um filme de ficção científica sobre o apocalipse robótico e andróides assassinos. Tira um pouco da seriedade.

E se havia restado qualquer seriedade depois disso, o Arnold a extermina puxando o icônico óculos escuro do bolso da jaqueta que ele roubou de um stripper e… bem.

Pronto. Menos de 10 minutos de filme e o tom já tá completamente esculhambado. Esse oclinhos de estrelinha me fez gritar num cinema lotado “PORRA!”, algo que nenhum outro filme foi capaz de fazer.

Essa cena é bizarra porque fez a série virar uma paródia de si mesma. Eles estão satirizando o robô assassino e seus óculos escuros clássicos num nível Zorra Total absolutamente desnecessário.

O diálogo do Arquiteto em The Matrix Reloaded

The Matrix é, até hoje, um dos meus filmes favoritos. Sabe como vocês hoje talvez me conheçam melhor como “aquele nerd lá que curte Mario”? Então, nos tempos de colégio eu era “aquele nerd que curte Matrix”. Uma das vantagens que vi para a mudança para o Canadá, por exemplo, é que eu poderia usar um trenchcoat igual ao do Neo.

Meu quarto em 2004

(Levem em consideração que eu tinha lá meus 19 anos e era tão ou mais retardado quanto todo mundo nessa idade)

Quando Matrix Reloaded saiu, eu não conseguia me aguentar de tanta expectativa. Fui ver o filme e lá pelo finalzinho, o Neo encontra o Arquiteto, uma versão cyberpunk do Colonel Sanders. O Arquiteto, que criou a Matrix, está lá para explicar pro Neo (e por proxy, pra gente) o que diabos está acontecendo no filme.

Quando a cena começou, me aprumei todo na cadeira. “Agora sim, teremos algumas respostas pra essa bagunça de filme” falei pra mim mesmo enquanto tentava desgrudar um pedaço de pipoca do dente usando a chave da casa. No entanto, em vez de uma explicação clara ou lógica sobre o que diabos está acontecendo na trama, o que recebemos foi isto:

Você talvez tenha notado que o vídeo acima tem legendas com a intenção de decifrar o diálogo desnecessariamente críptico do Arquiteto. Isso acontece porque nessa cena de 8 minutos, há aproximadamente 15 segundos em que você entende o que alguém está falando. Tais 15 segundos representam as partes em que o Neo falou alguma coisa.

Hoje você pode pegar o roteiro do filme na internet, ler as discussões em fóruns, ou até mesmo assistir o vídeo acima com as prestativas legendas — e AINDA ASSIM não é perfeitamente claro o que o velhinho estava dizendo.

Imagina agora quando vimos essa cena no cinema.

O diálogo entre o Neo e o Arquiteto acabou servindo como o aviso de que, daqui pra frente, você não entenderá mais porra nenhuma desta série.

Batman e Robin se aprontando no começo de, bem, Batman e Robin

A criançada mais novinha e ainda com cheiro de talco e leite Ninho talvez conheça o Batman apenas de acordo com a visão realista do Christopher Nolan. Pra nós mais velhos, no entanto, o Batman sempre foi bastante zoado. O semi-realismo/seriedade dos Batman’s do Tim Burton foram uma breve interrupção entre a galhofa que era o Batman do Adam West, e as subsequentes galhofas que foram os Batman’s do Joel Schumacher.

Em Batman Forever, o diretor até que ainda conseguiu se controlar. Na sequência Batman e Robin, no entanto, o cara soltou a franga totalmente.

É isso aí. Não bastou que o diretor decidisse que sim, uma armadura de batalha precisa de uma representação fisionômica que represente mamilos (mamilos de verdade já são inúteis em homens, o que dizer então de mamilos simulados num batsuit?). Ele teve ainda que dar não apenas um, mas DOIS closes na bat-bunda também.

Deu pra suspeitar que o Joel Schumacher é boiolíssimo?

Jar Jar Binks, o sidekick “engraçadinho” de Star Wars: Episode I

Não nem preciso dizer nada, bastaria só mostrar uma imagem.

Eu poderia fechar a lista aqui mesmo. Jar Jar Binks é um dos (senão O) personagens mais odiados de toda a história da cinematografia, e um dos culpados pelo desastre que foi a tão aguardada nova trilogia de Star Wars. Mas você já parou pra pensar por que o Jar Jar é tão execrado?

Basta assistir qualquer cena em que ele apareça. Em qualquer momento que Jar Jar Binks abre a boca ou sequer esteja fisicamente presente numa tomada, é pra dizer ou fazer algo completamente estúpido em nome do “comic relief” — considerando que ninguém com mais de 6 ou 7 anos acharia as desventuras do alienígena “comic”.

Tamanha é a ojeriza pelo personagem que fãs se deram ao trabalho de fazer uma edição inteira do filme, removendo (entre outras coisas) todas as cenas do bicho.

Como um fã de longa data da série, vi o Jar Jar Binks como algo completamente inexplicável. Suspeito que foi a primeira tentativa do George Lucas de voltar a série para a nova geração (leia-se “a pivetada”), algo que ele veio a concretizar nos anos mais recentes com essas séries de TV aí que ninguém acima da quarta série deve se dar ao trabalho de acompanhar.

Sabe o que é bizarro? Procurei “boas” cenas do Jar Jar Binks pra ilustrar essa lista, e não achei. Na internet você encontra até vídeos de mulheres comendo BOSTA, mas não cenas do Jar Jar Binks.

Ou seja, até os internautas mais sebosos tem certos critérios.

Ouço podcasts há muito tempo — desde a época em que o termo era utilizado pra um tipo de contéudo que nós não reconheceríamos hoje como podcast. A série Ask a Ninja, por exemplo, se chamava de podcast no começo de “carreira”.

E era legal pra caralho, aliás. Eu assistia Ask a Ninja com tanta frequência que a série veio a marcar o verão do ano de 2006 pra mim. Se assisto hoje, volto no tempo imediatamente.

Então. Gosto pra caralho de podcasts porque eu tenho um déficit de atenção debilitante. Sou incapaz de comer sem assistir TV, por exemplo, porque senão fico entediado. Você já ouviu falar de um gordo que fique entediado de comer? Isso praticamente não existe, nossa raça adora comer. Talvez seja justamente o hábito de comer assistindo TV que me deixou obeso, de repente sem a TV eu ficaria entediado e pararia de comer.

Se eu estiver fazendo qualquer tarefa monótona, podcasts são absolutamente indispensáveis. E estes são 5 podcasts gringos que eu achei que deveria recomendar a vocês.

A propósito: todos esses podcasts são semanais. 

Hollywood Babble On

O Hollywood Babble On é o podcast do Kevin Smith e do Ralph Garman em que eles falam sobre notícias de entretenimento — em sua maior parte, cinema. O podcast é apenas um da extensa rede de podcasts do ex-diretor (aliás, talvez ele ainda dirija um último filme, então ainda não é a hora de “ex”), mas é meu favorito por causa do tema abordado. É gravado ao vivo no clube de standup do Jon Lovitz, que abraçou tanto a idéia do podcast que veio a adicionar “Podcast Theater” ao nome do estabelecimento.

How Did This Get Made

 

O How Did This Get Made? é um dos podcasts que eu conheci recentemente, então ainda estou naquela fase de não conhecer direito os participantes. Nele, os três malucos acima destrincham filmes classicamente horríveis (Lanterna Verde, Mulher Gato, Superman III e outros que não são filmes de super-heróis). Nada mais satisfatório que ouvir pessoas validando sua opinião ao apontar os mesmos defeitos que você percebeu num filme.

Skeptoid

O Skeptoid é um podcast que investiga mitos da cultura popular — OVNIs, teorias da conspirações e medicina “alternativa”. É curtinho, cada episódio tem tipo 10-15 minutos, mas é muito bom. É um dos poucos podcasts que eu conheço de um cara só.

Uhh Yeah Dude 

 

O Uhh Yeah Dude é um podcast mais “papo de boteco” que eu conheço. Dois malucos — o Seth Romatelli e o Jonathan Larroquette, este último sendo filho do ator John Larroquette — discutem notícias e cultura popular americana com um estilo meio maluco bastante característico.

Touch Arcade Podcast

 

Podcast de jogo já meio lugar comum, até eu tenho um. Mas e de gaming mobile?

Pra isso temos o Touch Arcade Podcast. Existem poucos podcasts que abordam o assunto, e o podcast do TA — que é o melhor site da categoria, aliás — é excepcional. Todas as novidades sobre o mundo de iOS gaming, resenhas, entrevistas com desenvolvedores e tudo mais.

Se vocês recomendarem mais alguns nos comentários, eu agradeço! 

(E por favor, não se limitem a apenas dizer o nome do podcast, porque isso nem motiva a ninguém ir atrás do podcast. Deixe uma pequena descrição dele!)

Sabe o que é “catarse”? Eu estou com preguiça de procurar a definição exata no dicionário, mas é essencialmente aquela sensação de “alma lavada”.

Existem várias circunstâncias que te levam a este delicioso sentimento de vitória espiritual. Um dos meios em que ela se manifesta (acho que o principal, aliás, o que prova que nós seres humanos somos criaturas horríveis.) é o chamado “schadenfreude“. Pra quem não conhece o termo — existe alguém na internet que ainda não o conheça a esta altura? — xadenfróide é a alegria que você sente ao presenciar a total desgraça alheia.

Um termo alemão, justo esse povo de boa alma que nunca causou mal a ninguém.

E nada me traz maior catarse/schadenfreude do que vídeos de bullies tomando na cara. O youtube tem uma rica safra de vídeos neste estilo, e eu gostaria de compartilhar e comentar os melhores aqui com você.

É curioso porque — apesar de ter sido nerd a vida toda — nem fui tão mal-tratado assim quando era moleque; mesmo assim consigo derivar um prazer quase sexual destes vídeos em que filhos da puta recebem toda a recompensa kármica que merecem. Se prepare para um orgasmo espiritual.

Comecemos com…

Vagabundo provoca morador. Tal morador é ex-fuzileiro naval.

Temos aqui um caso clássico de “não mexa com quem está quieto”. O vídeo começa já no meio do conflito, mas temos aí um chav (termo britânico pra “vagabundo habitante de periferia e geralmente orgulhosos de suas — pequenas ou inexistentes — conexões criminosas”) antagonizando um morador da região. Como o tal chav está acompanhado de uma trupe barulhenta, eu vou arriscar o palpite de que o tal morador foi reclamar da algazarra que estavam fazendo perto de sua residência, e um dos rapazes resolveu “embaçar”.

Agora, eu quero que você perceba algumas sutilezas que davam indícios de que o adolescente estava prestes a se foder.

Durante quase todo o vídeo, o adolescente arruaceiro está berrando na cara do outro sujeito (que, com a calvície despontando e um leve sobrepeso, não inspira lá grande ameaça), enquanto este permanece impassível e com as mãos cruzadas na frente do corpo. Para azar do vagabundo, ele não percebeu que esta é a postura de alguém que tem a situação completamente sob controle. Este morador anônimo está mandando a seguinte mensagem: “perceba o quão intimidado eu não estou”.

Geralmente há um bom motivo para esse comportamento. E o que acontece é que o cara de camiseta preta é um ex-fuzileiro naval — o tipo de gente com quem você não devia se meter.

Outro indício da chibata chegando ao ponto de ebulição é que nas duas ocasiões em que o vagabundo dá empurrões no outro cara, é ELE MESMO, e não o alvo, que é propelido para trás. Esta demonstração da terceira lei de Newton é um indício de que o cara de camisa preta tem noção de como é que se briga e está firmemente plantado no chão, esperando o momento certo de agir.

E  o momento certo acontece quando o moleque resolve vandalizar a propriedade do outro. É a gota dágua. O ex-fuzileiro se posiciona e, quando o vagabundo chega perto, envia um soco endereçado ao meio da fuça dele. A porrada é tão rápida, e o morador se reposiciona tão prontamente, que tive que ver o vídeo duas vezes pra compreender a cena.

Newton se manifesta novamente levando o vagabundo ao chão a 10 metros por segundo ao quadrado. Caído e desmoralizado, o marginal se arrasta para uma posição de segurança (ou seja, fora da propriedade do outro). Numa incrível demonstração de controle (tanto se si próprio quanto da situação em si), o ex-fuzileiro não aproveita a posição de vantagem pra, digamos, enfiar um tiro de meta na boca do seu agressor. Em vez disso ele convida o vagabundo a se por de pé para um segundo round. Já sabendo o que é bom para tosse, o vagabundo rejeita o convite.

Nisso notamos que o completo desmoronamento da dignidade do vagabundo projetou-se num raio de 50 metros ao seu redor — digo isso porque seu amiguinho, sem qualquer postura de confronto ou desafio, vai lá e fecha educadamente o portãozinho da casa do ex-fuzileiro.

Grandão provoca baixinho. Baixinho mostra que tamanho não é documento.

Não sei que diabo de língua maluca estes sujeitos estão usando para dialogar. Felizmente, a conversa rapidamente muda para a linguagem universal da CHIBATADA.

O grandão aí tá tentando intimidar o baixinho (no meio de um playground; vá entender). O cara de azul está o tempo inteiro tentando recuar e sendo perseguido pelo professor Girafales descamisado. Em um determinado momento, o sujeito à direita diz algo apontando pro baixinho. Este algo era provavelmente uma ofensa, a julgar pelo contexto da interação e pelo fato de que o baixinho apontou para si mesmo, como quem diz “ah, EU sou um filho da puta, é?”

Se formos fazer uma autópsia da altercação, este foi o momento exato em que a vaca foi pro brejo pro rapaz sem camisa.

Agil como um sujeito com diarréia em estágio terminal correndo em direção ao sanitário, o rapaz de azul dá um pequeno salto e mete o punho esquerdo na órbita ocular do sujeito sem camisa. Instantaneamente, puxa-se a tomada de todas as funções motoras do indivíduo socado. Ele vem abaixo, completamente desacordado, como um saco de batatas.

E o sujeito de azul (exibindo auto-controle e não apelando pra incapacidade do agressor pra descer a lenha) sai andando tranquilamente.

Fulaninho compra briga com skatista; consequentemente, sua cara é amassada no chão

A maioria destes vídeos de briga começa já na metade, o que nos rouba o contexto da agressão. Como podemos ter certeza de quem está com razão na confusão?

Entretanto, quando vemos alguém berrando na cara de um sujeito que parece estar tentando evitar o troca-tapa a todo custo, sentimos-nos compelidos a torcer contra o valentão.

É o caso deste vídeo. O rapaz de jaqueta persegue o skatista que, em vez de se valer do seu skate como uma formidável arma branca, usa-o para colocar alguma distância entre ele e o valentão. Finalmente o bully dá um tapa que faz o skate sair voando e então parte pro ataque. Ele manda um soco, o skatista se desvia, e a partir daí o pau come solto.

O skatista derruba o outro cara no chão rapidinho e desfere alguns bons socos. Lá pro final, o skatista espreme a cara do outro sujeito contra o chão, como se a mesma fosse massa de pizza.

E no final das contas o valentão ainda toma uns merecidos safanões da polícia.

Multidão tenta espancar um turco, que então mói seus agressores na porrada 

Filmes constantemente mostram heróis de ação se defendendo expertemente de múltiplos agressores. Você ri da falta de realismo da cena, julgando-se algum tipo de especialista em artes marciais. “Isso aí nunca aconteceria no mundo real”, né?

Pois bem: assista o vídeo acima por favor.

Parece-me que a confusão foi causada por alguma barbeiragem no trânsito. Um sujeito de preto desce pra trocar uma idéia com a galera e de repente a rodinha de porrada instala-se no local.

Este amigo aí de preto começa a recuar, mas sem jamais esquecer o compromisso em sentar a porrada. Ele se desvia do primeiro soco (o que faz o agressor perder o equilíbrio e quase cair). Este exímio lutador dá um sopapo no rapaz à sua esquerda, enquanto o primeiro se levanta e ataca novamente. Desta vez ele leva uma mãozada no queixo e cai comicamente. Note que ele defende todos os sopapos que vem em sua direção, e retribui com seus próprios.

Numa cena que lembra a luta do Neo com aqueles trocentos agentes Smith em Matrix Reloaded, este indivíduo de preto recua enquanto enfia a porrada em cada um dos sujeitos que tenta ataca-lo. Tem em um determinado momento uns 4 ou 5 homens atacando ele ao mesmo tempo, e o cara vai descendo a lenha sem preconceito e sem medo de ser feliz. M-m-monster kill.

O cara consegue até mesmo desativar uma tentativa de voadora. É uma cena bizarra de assistir.

E a confusão termina com vários corpos estendidos no chão, enquanto amigos tentam acionar socorro aos homens que acabaram de ser esculachados pelo que acredito ser uma versão turca do Jet Li.

Valentão tenta impressionar as amiguinhas arrumando confusão com um desconhecido. Tal desconhecido vai e destrói seu corpo e sua moral perante seu círculo social

Novamente, um vídeo em que não dá pra entender bem o contexto. Estamos num parquinho, e há dois sujeitos se estranhando: um valentão sem camisa, e o outro. Vou chama-lo de Outro.

O valentão quer pagar de marrento na frente dos amigos, enquanto o Outro diz repetidamente que não quer brigar porque sequer conhece o bully. O Outro, exercendo a filosofia do “quando um não quer, dois não brigam” tenta apaziguar a situação, recusando-se repetidamente a se engalfinhar com o rapaz sem camisa.

Só que o rapaz sem camisa QUER brigar. Ele tem uma pequena platéia e não quer decepciona-los. Ele resolve partir pra cima do Outro, que apenas recua.

O marrento dá o primeiro soco e erra. Dá o segundo, e o Outro evade-se novamente. No terceiro murro, o valentão perde o equilíbrio e cai (ou levou um contra-ataque do Outro, é difícil dizer com certeza mas a reação dos espectadores sugere que foi isso que aconteceu).

E aí, meu amigo, o pau come de esmola. O Outro não queria brigar, mas já que a briga bateu a sua porta, ele decide então que não será em vão.

Sem pestanejar, o Outro mete um violento bico na cabeça do seu antagonista, e logo em seguida adoça-o com uma sequência de socos tão brutais que o som deles foi capturado perfeitamente pela câmera que estava a uns 15 metros de distância. Seu agressor reduziu-se a uma pilha de humilhação humana e possíveis ossos fraturados no chão (talvez com um pouquinho de urina também).

Em pose triunfal diante do corpo inválido de seu oponente, o Outro berra (com total envergadura moral pra dar tal)  “Don’t fuck with me” — uma frase tão poderosa quanto a surra que ele acaba de administrar.

Mas a adrenalina ainda não havia se dissipado completamente. Como um robô movido a puro ódio, o Outro vai e enfia um sopapo no meio da cara do oponente caído, para delírio da platéia que aparentemente mudou de lado no meio da briga. A namoradinha do valentão corre em seu socorro, e o Outro passa vitorioso do lado do cinegrafista.

Me diga aí: sou um ser humano terrível por vibrar com esse tipo de vídeo?

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