Trago uma nova religião — o Melhorismo

Encaremos a realidade: Somos uma raça completamente desgraçada.

Sim, às vezes nos unimos e fazemos algo incrível, como um vôo à lua, a cura da poliomelite, ou tirar finalmente o Star Wars da mão do George Lucas. Entretanto, não se engane: essas instâncias aí, embora sejam as nossas mais brilhantes, estão completamente cercados de momentos asquerosos que definem muito mais nosso caráter como seres humanos.

E pra provar esse ponto não precisamos nem ir aos extremos da ruindade humana, não: se mantermos nosso olhar no micro em vez do macro, nas nossas pequenas atitudes do dia a dia — em vez de, sei lá, o genocídio de um ditador, perceba como somos mesquinhos. Ou egoístas. Como somos imediatistas, preferindo quase sempre a recompensa imediata em vez do trabalho duro que gera bonança lá na frente. Passamos muito tempo com coisas que não constroem nada. Procuramos a melhor forma de machucar uns aos outros. Procrastinamos o que é importante em prol do fútil. Passamos uma vida adulta inteira semi-ignorando nossos pais, apenas pra lamentar sua partida.

Eu poderia continuar. Dá pra escrever um TCC inteiro sobre o que acredito ser a condição humana — o fato de que somos, por default, de fábrica, escrotos. Míopes. Negativos e destrutivos.

Religiões foram uma forma de consertar isso — teoricamente. O problema é que religiões eram complicadas, passíveis de muita interpretação (o que acabava permitindo todo tipo de excessos e absurdos), e exercem influência desmedida nos adeptos. Isso tudo se soma pra trazer à tona novamente, e ironicamente, todos os problemas que as religiões visavam justamente resolver.

A mesma coisa com ideologia. Esse era o propósito implícitos delas, não? Guiar, e assim sendo melhorar, o comportamento e a índole humana. E se você tem uma conta no Facebook você deve estar ciente do fracasso absoluto que isso foi.

Ideologias, assim como religiões, apenas realçam tudo que há de mais desagradável em nós — e (assim como religião), a ideologia frequentemente passa em cima das nossas atitudes deploráveis um verniz de superioridade moral insuportável. Não bastava fazer escrotice; o militante frequentemente faz escrotice com o total convencimento de que está moralmente certo. “Será que eu estou fazendo merda?” é, a julgar pelo mundo a nossa volta, algo que passa muito infrequentemente pela cabeça humana.

Não é à toa que eu não consigo me identificar com nenhum movimento, nenhuma política, nenhuma ideologia, nenhum grupo, porra nenhuma. Vejo populando ambos os lados pessoas erguendo carteirinha de um clube cuja camisa não quero vestir. Defendo o ponto X, aí olho quem está o defendendo também, e me desanimo. Flerto com o ponto Y, aí noto quem é a galera erguendo as faixas de VIVA O Y e mudo de idéia imediatamente.

E sim, eu vou acentuar “idéia” até o dia de minha morte, acostumem-se.

ENTÃO, CARALHO, NÃO HÁ SOLUÇÃO PARA NÓS? Estamos fadados a nascer escrotamente, viver escrotamente, e morrer escrotamente?

Tu bota no Google "HUMAN CONDITION" e olha o tipo de imagem que aparece. Isso ilustra excelentemente meu ponto.

Tu bota no Google “HUMAN CONDITION” e olha o tipo de imagem que aparece. Isso ilustra excelentemente meu ponto.

Talvez não. Eu estive pensando numa alternativa à tudo isso.

E estive pensando nisso faz tempo. Quando anunciei a minha idéia de uma nova religião (o que é obviamente uma semi-brincadeira), o nome “Melhorismo” fez muita gente achar que eu estaria parodiando o tal “Deboísmo” que surgiu esses dias. O timing é uma merda, mas eu te garanto que a parada tá fermentando na minha cabeça há muito tempo. Em maio do ano passado eu escrevi um post que é quase o rascunho da filosofia, pra você ver.

E hoje eu quero estabelecer melhor os parâmetros do que eu acredito ser um meio melhor de viver a vida.

Imagine que existe uma versão Melhor de você em algum lugar. Não posso falar por ninguém além de mim mesmo, então posso listar um monte de características que a versão Melhor de mim teria.

Um Izzy Nobre melhor seria mais paciente. Menos impulsivo. Mais tolerante, mais generoso, menos orgulhoso. Um Izzy Nobre melhor priorizaria seu sono em vez de ficar perdendo tempo com internet, ou com videogame; se esforçaria mais no trabalho, compareceria em compromissos pontualmente. Tomaria seus remédios direitinho, sem pensar “ah, nem preciso mais disso” dia sim, dia não. Responderia os emails com mais prestatividade. Gastaria menos dinheiro com frivolidades. Leria como adulto o quanto lia quando criança — ler realmente é o hábito que mais lamento ter perdido.

Essa versão melhor de nós mesmos, a versão que realmente queríamos ser — quase uma versão idealizada — é algo que consideramos tão distante, tão inalcançável, que o exercício de imagina-la mora firmemente no domínio da ficção. Dá quase pra visualizar o Melhor Você, não dá?

E o Melhorismo consiste justamente em atentar que o Melhor Você não está num universo paralelo em que você tomou todas as decisões de corretas de vida. O Melhor Você é mais próximo do Real Você do que tu pensa — e pra chegar lá, basta fazer uma pergunta a si mesmo.

O que o Melhor Eu faria nesta situação?

Essa pergunta simples tem aplicações praticamente infinitas. Visualize aí por um instante o Melhor Você. Imagine onde ele estaria se tivesse tomado a MELHOR DECISÃO POSSÍVEL NUMA SITUAÇÃO, a que você inerentemente sabe ser a coisa certa a se fazer — isso é aliás única evidência de que nossa bússola moral interna não é COMPLETAMENTE ausente –, em vez dos impulsos animalísticos iniciais do nosso id?

O Melhor Eu estaria procrastinando em 50 abas no Chrome em vez de terminar esse texto? Não, ele não estaria. O Melhor Eu estaria parando no McDonalds pra comer porcaria pela milésima vez neste mês (que mal começou) quando há comida saudável em casa? Não, ele não estaria. O Melhor Eu estaria jogando videogame em vez de estudar para uma prova importante daqui dois meses? Não, ele não estaria. Estaria dando aquela resposta atravessada a alguém que provavelmente não a mereceu?

E ainda que tivesse “merecido” — o Melhor Eu se ocuparia realmente com uma atividade tão… inútil? Ou ele exerceria auto-controle? Seria a pessoa maior, com magnanimidade, ou seria escroto? Consideraria os pontos alheios mantendo em mente que ELE pode estar errado, ou fincaria o pé em suas posições SEMPRE, como se a idééééééééia de estar errado fosse um total disparate?

A parte mais importante do Melhorismo é que como filosofia, ele não se limita às relações interpessoais. Sim, a Regra Dourada (“trate os outros como gostaria de ser tratado” trademark Confúcio, com um remix de Jesus alguns anos mais tarde) é em teoria excelente, mas ela só serve pra guiar a forma como você trata os outros. Como guia moral de decisões que não envolvem terceiros, a Regra Dourada não te ajuda em nada.

E o pior é que se nossa história serve como prova de alguma coisa, é que a nossa raça é completamente refém de comportamentos auto-destrutivos; a fonte do problema é que nós não sabemos tratar bem a nós mesmos. Não é à toa que dois mil anos depois ainda temos dificuldade de tratar OS OUTROS bem. Não sabemos tratar bem a nós mesmos. Por que outro motivo um conselho tão simples, e inegavelmente bom, seria ignorado constantemente?

Se eu vou dormir à meia noite, completamente entretido com internet/videogame, sabendo que estarei fodendo a mim mesmo quando precisar acordar 4 horas mais tarde pra um plantão no hospital… COMO PODEREI TRATAR ALGUÉM BEM?

Em outras palavras: como tratamos a nós mesmos mal, invariavelmente trataremos os outros mal também. Até quando temos a melhor das intenções.

Porra, a gente magoa até quem amamos. Tomamos constantemente decisões que nos foderão a médio e longo prazo. Eu não consigo fazer nem o que está em meus melhores interesses. Como então eu poderei tratar bem um desconhecido?!

A Regra Dourada está portanto incompleta, porque ela se baseia num conceito falho. Não sabemos tratar bem nem a nós mesmos, e esse é o problema; não é que não conseguimos resolver a equação, é o enunciado da questão que está errado. Ele pede que façamos algo quase impossível.

Proponho um add-on a ela.

É isso que proponho através do Melhorismo. Em toda e qualquer situação, pare, ignore momentaneamente os ímpetos te puxando pra lá e pra cá, e pense — o que o Melhor Eu faria nessa situação? O cara/garota que eu gostaria realmente de ser provavelmente não faria aquilo que eu estou tentado a fazer agora, não é? Eu SEI que ele não faria isso.

E eu bolei um logotipo que, penso, ilustra perfeitamente o que o Melhorismo significa.

melhorismo

Um triângulo partido ao meio. Um lado, pixelizado e borrado; o outro, nítido. Perfeito. Melhor.

Essa é a nossa dualidade. Do lado esquerdo, o nosso Atual Eu. Impulsivo. Rancoroso. Orgulhoso. Convencido de si mesmo. O cara que se atrasa pra tudo, que faz o trabalho com má vontade, que dá em cima da garota com namorado, que mente para os amigos, que se atrasa pra tudo ou trapaceia ou mente ou xinga no eterno pensamento de “ah, dá nada isso aí” — sem saber que são todas essas atitudes que produzem essas pequenas arestas que torna nosso convívio mútuo tão difícil.

Do lado direito, o seu Melhor Eu. Perceba que uma das maiores diferenças entre os dois lados é exatamente aquilo que você precisa pra ouvir a voz do Melhor Você — foco.

E ambos estão lado a lado, 50/50, pra melhor ilustrar que você tem chances iguais de ser um ou o outro.

Basta começar a tentar ser Melhor. Encorajemos uns aos outros a sermos Melhores.

Sejamos Sempre Melhores.

Grave essa frase em sua mente. Aquele Melhor Você, tão ideal que poderia muito bem ser a versão de um universo paralelo, depende simplesmente de quão firmemente você aderir ao sentimento de que você PODE ser Melhor.

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comments

26 comments

  1. Em um primeiro momento achei que seria um texto engraçaralho, mas a cada paragrafo que lia, não sei se foi porque estava escutando uma musica edificante ao mesmo tempo, suas palavras me tocavam profundamente.
    Muito obrigado, Izzy.

  2. Os Cinco Mandamentos do Melhorismo:
    1- Admitirás a ti mesmo que sempre poderá melhorar.
    2- Nãos serás soberbo, para não ofuscar tua visão do seu Melhor Eu.
    3- Respeitarás as vontades de seu Melhor Eu acima das tuas.
    4- Admitirás a ti mesmo quando falhas em atingir seu Melhor Eu.
    5- Aceitarás que essa tarefa deve caber a ti, somente a ti e exclusivamente a ti.

    1. Já começou. Algum seguidor reinterpretando o texto original, tentando ajudar os outros dando uma versão digerida da doutrina.

      Já vejo você dando palestras de auto-ajuda, vendendo livros, poções mágicas.

  3. Foda é que não dá pra tu deixar as pessoas pensarem no que melhor elas fariam (a reflexão só serve pra alguem que possui as ideias condizentes aos fatos, e consegue mudar se esses mesmos fatos mudarem, alguém que pensa que humano.jpg é pior do que humano.png só pelo fato do outro ser .jpg nunca vai mudar de opnião) ou tú pensa mesmo que aqueles malucos religiosos que matam gays, ou explodem americanos acham que aquilo é errado? ele poderiam ATÉ refletir (uma atividade que morreu a alguns milênios) mas no pensamento zuado e deturpado pra caralho pela sua criação cultural o dito cujo pensaria que o ”outro ele” faria o mesmo ;—-; por isso, sim Izzy, estamos fadados a escrotidão infinita
    Só um exemplo pra vocês entenderem melhor: Pegue Marcos Feliciano e peça para que ele imagine que existe um ”Marcos Feliciano” de um mundo paralelo que só faz a perfeição, logo depois, peça para ele imaginar se esse Marcos Paralelo seria um homofóbico fudido. Vocês acham mesmo que nesses 5 minutos que ele fez isso ele ia reparar o quão errado é o preconceito dele? e do nada comecaria a tratar homossexuais de boas?
    ;———————————————;

    FADADOS
    A
    E-S-C-R-O-T-I-D-Ã-O

    1. Acredito que você talvez tenha interpretado mal a proposta.
      É possível resumir em 3 palavras a ideia do Melhorismo: Humildade, Reflexão e Aprimoramento, sendo respectivamente ‘admitir sua falibilidade e respeitar a opinião alheia’, ‘refletir sobre como suas ações afetam os outros e a si mesmo’ e ‘buscar ativamente tornar-se uma pessoa melhor’.

      No caso de Marcos Feliciano, supondo que ele tivesse se tornado um “Melhorista”, deixando de lado as possíveis mudanças na vida particular dele como temperamento, paciência e etc, as principais melhorias seriam em sua relação com o próximo.
      Você diz coisas como: “ele ia reparar o quão errado é o preconceito dele”, mas isso pressupõe que tais conceitos(certo[moral]/errado[imoral]) são objetivos, e que o Melhorismo nos aproxima deles, quando na verdade ele apenas nos torna mais céticos e críticos sobre a nossa condição humana.

      1. Exatamente. E existe, no âmago do Melhorismo, um espírito de “deixe os outros em paz, quem você precisa melhorar não é o mundo — é você mesmo”. Querer interferir na vida alheia, ou melhor, faze-los conformar-se ao seu ponto de vista (no caso do Feliciano, militar contra direitos gays, por acreditar que ser gay é errado) é incoerente com o Melhorismo. Se um Cristão decide ser Melhorista, ele pode se quiser continuar crendo que ser gay é pecado — mas deixe os outros em paz. Se eles estão “em erro”, o problema é deles. O importante é melhorar a si mesmo.

    2. Você pode contrapropor com a filosofia do Piorismo:
      Somos naturalmente cretinos e agir com escrotidão é o correto.

      Eventualmente você estará treinando para ser paramilitar porque algum semelhante teu achou legal exterminar a concorrência, tomar os recursos naturais de todos territórios e escravizar a escória que se opõe.

      Boa champs. Use TOR.

  4. Excelente iluminação! Tão logo possível ser darei entrada para a abertura da primeira Igreja Melhorista aqui no Brasil! Melhorando a vida de muita gente com o foco sagrado! E principalmente a minha com a isenção de impostos (já vejo tudo melhorando)!

    Minha casa será o primeiro local sagrado do Melhorismo, vou fazer toda minha família sacerdotes espalhadores da palavra e até mesmo farei remessas de contribuição aí para QG no Canadá!

    Sejamos melhores! Sempre melhores! Assim como o leão é melhor que a ovelha, sejamos o leão!

    “Jamais alguém fez algo totalmente para os outros. Todo amor é amor próprio. Pense naqueles que você ama: cave profundamente e verá que não ama à eles; ama as sensações agradáveis que esse amor produz em você! Você ama o desejo, não o desejado.”

  5. Texto sensacional. Única falha do Melhorismo é que o “Melhor Eu” idealizado pelas pessoas pode ser alguém ruim, se a pessoa tiver uma bússola moral ruim.

  6. Izzy,o Melhorismo me lembra o Luciferianismo. Aliás,acho que pode ser interpretado dessa forma,já que “seja a luz para os outros” envolve isso.
    Acho bem interessante,recomendo dar uma olhada.

  7. ok, mas isso não seria necessariamente uma religião, já que religiões adoram alguma coisa e procuram convencer as outras a fazer o mesmo. Mas gostei da IDEIA, já pensava assim antes, só que de forma inconsciente, mas tu elaborou quase uma tese huahauah

  8. Você ignora a primordial ideologia que é inserida em nossas mentes e que mais cega indivíduos hoje em dia: o conceito de bom e ruim, que não é universal. Fulano pode idealizar o seu “Fulano melhorado” de um jeito, mas o “Ciclano melhorado” é totalmente diferente. Não nascemos unificados, apesar disso ser algo que valorizamos, isso é o que mais nos destrói.
    O único jeito de impedir nossa auto-destruição, seria nos destruindo e recomeçando tudo de forma organizada -- e mesmo assim nada impede que “novos Karl Marx” ou outros “Conspiradores/Revolucionários” surjam para quebrar nosso sistema em pedaços de novo.
    Estamos fadados ao fracasso, nossas diferenças nos destroem e qualquer pensamento que contradiz isto é uma tentativa de esconder essa realidade, uma tentativa de acobertar que nossa condição é miserável.
    Ótimo texto por sinal, sugiro outro texto que aborde essa ideia -- melhor ainda, um texto para refletir sobre os comentários.

  9. A etapa mais difícil: LEMBRAR. E lembrar a tempo. Antes de ser levado por minhas tendências, atitudes automáticas e impulsivas, a inércia do comportamento condicionado, preciso lembrar que posso ser meu Eu Melhor.

  10. Já existe algo parecido Izzy, se chama Meliorism.
    Não é um religião, mas uma forma de pensamento que se aproxima com o seu raciocínio.

    Muito legal o seu texto.

  11. Izzy,

    seu texto é exatamente uma descrição do cristianismo, só quem sem Deus, em que você é o único responsável por sua “evolução”. Se discordar dessa afirmação, justifique , por favor, mas sem citar Malafaia ou qualquer outro crente, mas com algo dos ensinamentos de jesus mesmo.

    Mas no geral texto muito bom, concordo com você completamente, principalmente em relação ao povo brasileiro, que tem essa mentalidade de que a mudança do país e da sociedade depende de tudo e todos menos dele.

    É isso…

    Abraços,

  12. Engraçado como você abandona a religião e se baseia ainda muito nela,
    Não to aqui defendendo a religião, por que como você diz o homem é destrutivo e cheio de defeitos e uma vez que a religião envolve nossa humanidade ela é contaminada, eu sei bem disso pois tenho a minha religião e consigo enxergar muitos defeitos nos lideres que ela possui, e mesmo nos praticantes (isso me inclui)

    Mas sua idéia é muito semelhante a filosofia “Nos meus passos oque faria Jesus?” substituímos nosso eu todo errado que existe hoje pela figura de Jesus que seria o ápice da perfeição humana, ai analisamos a situação e tomamos a atitude com base naquilo que conhecemos da figura de Jesus,
    Só que na prática tudo acontece orgânica e mecanicamente, não tem como analisar no momento que as coisas acontecem, de fato analisaríamos tudo que já passamos e recordamos de atitudes ruins e tentamos mudar em situações futuras que julgamos semelhantes,

    Isso me soa utópico se analisarmos apenas o aspecto físico, é possível aprimorar o melhor de você, mas sem um exemplo externo ou uma influência externa há grandes chances de se dar murros em ponta de faca,

    Caso chegou até aqui só queria finalizar dizendo que você levou a essência do Cristianismo a muitas pessoas através deste texto, mesmo não sendo sua intenção =P

    1. “Mas sua idéia é muito semelhante a filosofia “Nos meus passos oque faria Jesus?” substituímos nosso eu todo errado que existe hoje pela figura de Jesus que seria o ápice da perfeição humana”

      Sim, o ápice da perfeição humana que expulsa mercadores do templo na base da chibata(não que esteja errado, mas não é bem a imagem de Jesus “amais-vos uns aos outros” né :P) e mata árvores porque elas não estão dando frutos fora da época.

  13. Izzy, eu sei que o seu intuito foi muito bom, mas tenho que apontar uma falha crucial do Melhorismo (tomara que ninguém mais tenha visto, para eu não passar por idiota, aqui):

    O Melhorismo joga a culpa de todos os males do mundo em você, protagonista da sua história de vida, sem direito à defesa.

    Se você fosse um profissional melhor, não teria sido demitido (independentemente de estarmos numa crise filha da puta e de não haver novos serviços sendo necessários há uns quatro meses no seu ramo, e de haver um sem número de retardados que jogam o valor da sua categoria na lama com más práticas e preços fora do minimamente razoável).

    Se você fosse um pai melhor, seu filho já estaria lendo, como você esteve na sua infância quando tinha a idade dele e teria um mínimo de educação em público (independentemente de ele ser hiperativo e extremamente teimoso, e de você ter que lidar com todos os outros envolvidos na criação dele que também não ajudam).

    Se você fosse um marido melhor, sua esposa não reclamaria de cada passo que você dá (independentemente de você tratar todo mundo de uma maneira respeitosa e leal, inclusive ela, e de você tentar fazer tudo da maneira mais adequada possível em todos os aspectos da vida).

    Se você fosse um estudante melhor, já teria um bom emprego concursado em alguma excelente instituição pública (independentemente de você saber que isso é algo que só é razoável no Brasil, que isso vai minar a sua produtividade e a sua vontade de ser melhor, que há certas coisas que você não vai aprender nem sob a força de um decreto, simplesmente porque não é algo com o qual você esteja minimamente familiarizado, e que o que você deseja estudar simplesmente não é apoiado por ninguém e não vai te posicionar em nenhum lugar minimamente decente no Brasil).

    Se você fosse realmente melhor, encontraria um meio de conciliar isso tudo (independentemente de ser impossível conciliar o que se espera de alguém com o que realmente se consegue desse alguém em quase cem por cento dos casos).

    Não sei, Izzy, se devo colocar isso tudo no seu espaço de comentários, mas eu acho que o Melhorismo encontra com estes meus limites de maneira muito agressiva, e joga a culpa de tudo em mim. Assim, fica difícil adotar o Melhorismo como filosofia de vida. Ele me coloca como responsável, mas também como único culpado. Se eu fosse melhor em lidar com as pessoas, eu conseguiria ao menos que eles entendessem como funciona o Melhorismo, e talvez eu conseguisse aí que elas cooperassem umas com as outras e comigo.

    Só que não dá pra admitir que a culpa de tudo é só minha. É muita sacanagem com alguém que faz tanto para ser melhor.

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