Rapaz, eu me amarro em vídeos de vergonha alheia.

Parte disso é porque ver gente muito desajustada e sem jeito faz com que eu me sinta um pouquinho melhor em relação a mim mesmo (“porra, eu sou tosco, mas não sou TÃO tosco assim pelo menos…”). Outro fator que contribui pra esse hobby de voluntariamente me expor a doses cavalares de vergonha alheia é porque provavelmente existe em mim alguma glândula que libera endorfinas quando ativada quando assisto cenas lamentáveis.

É por isso, provavelmente, que eu assisti The Office de cabo a rabo três vezes — mesmo que a saída do Steve Carell tenha reduzido muito os momentos na série em que você faz essa cara:

cringe

O Andy Bernard tentou, pelo menos.

Pois bem.

Mesmo eu sendo um connoisseur de vergonha alheia, um entusiasta do schadenfreude, um hobbysta da tosqueira, eu conheci essa semana um vídeo que praticamente me quebrou. Eu nunca vi uma concentração de vergonha alheia tão grande num vídeo só.

É algo realmente fantástico; o número de coisas que precisou dar errado na vida de todas as pessoas envolvidas no vídeo abaixo pra que o evento registrado acontecesse desafia a probabilidade. Mesmo sabendo que existem provavelmente infinitos universos paralelos eu duvido que as circunstâncias necessárias pra esse vídeo se alinhem novamente. Vamos lá.

https://www.youtube.com/watch?v=DKDDZHCaopI

(Nao sei porque, mas o video nao quer embedar na pagina…?)

Logo de cara, É UM CASAMENTO POKEMON. Não apenas isso, mas um casamento pokemon low budget. Vamos abordar separadamente ambas parcelas dessa soma. Ou seja lá qual é o nome das partes de uma soma. É “parte” mesmo? Finalmente surge o dia em que eu preciso lembrar de algo da minha segunda série e meu cérebro me deixa na mão.

Primeiro, casamento pokemon. Mano, eu curto joguinhos em geral e pokemon em particular. Eu tenho uma tatuagem de pokemon. Eu não sou o tipo de gente que fala que “videogame é coisa pra criança”, até porque não estamos em 1996.

Só que como dizia meu professor de cálculo diferencial na faculdade, TUDO TEM UM LIMITE.

Eu não sou o cara mais tradicional do mundo (como mencionei, tatuagem de pokemon…) mas porra, casamento é uma instituição social milenar, até citada na bíblia essa porra é. É uma das poucas ocasiões em que a sua família extendida e a da sua esposa vão interagir — por “interagir”, entenda-se “comer e beber às suas custas, possivelmente reclamando ao mesmo tempo”. De fato, é nesse dia em que as duas famílias se tornam uma amálgama. Talvez esse seja um bom dia pra agir como um membro produtivo da sociedade.

Não é apenas inortodoxo dar a esse dia uma temática que se encaixaria melhor no aniversário de criança de 5 anos, é realmente vergonhoso; é o tipo de coisa que dá a gamers aquela má fama de serem um bando de manchild autista.

Dar um ou outro detalhe nerd e que represente a personalidade do casal no casamento, vá lá. Por exemplo, tem umas fotos de bolo de casamento baseado em Mario bem bacana. É uma forma um pouco mais, digamos, discreta de injetar um pouco dos seus interesses na data especial. No casamento de um amigo nerd meu, o buquê de flores era feito de um arranjo de Fire Flowers do Mario, manja? Um detalhe pequeninho, uma espécie de aperto de mão secreto pros outros nerds na platéia.

Algo que não faça o seu casamento inteiro parecer que deveria ter acontecido dentro daqueles salões do McDonalds pra festinha de criança.

E tem o fator “casamento low budget”, que é uma fonte inesgotável de vergonha alheia também. Olha, eu sei que soa babaca falar isso, mas seja honesto consigo mesmo — você SABE que casamento de baixo orçamento é um negócio tragicômico.

Quando eu me casei em 2012, minha situação financeira era beeeeeem diferente. Eu trabalhava numa porra duma sex shop, e esse negócio de contar piadinha na internet não rendia nada. Eu e minha esposa planejamos um casamento beeeem “simples” (eufemismo pra “de pobre”, sejamos francos): uns 20 convidados só, num centro comunitário na cidade natal dela. Nenhuma decoração (“ah, pra que gastar dinheiro só pra enfeitar o local…”), sem fotógrafo, sem comida, sem DJ… pra ser mais “humilde” que isso (nosso povo adora um eufemismo pra “pobre”, né?), só se eu levasse a menina de ônibus pro cartório vestida de noiva.

Uns dois meses antes do meu casamento, um velho conhecido meu lá da cidade da minha esposa se casou no mesmo local que escolhemos. As fotos resultantes do evento, que tinha as mesmas proporções modestas que tínhamos em mente, me CHOCOU. O noivo de camisa de botão com manga curta e gravata parando no meio da barriga, o local totalmente desguarnecido, os padrinhos sem sequer usar roupas combinando, não tinha comida, nem fotógrafo tinha — as fotos “oficiais” do casamento foram tiradas com um iPhone.

Decidi que minha futura esposa merecia uma memória melhor que essa, então resolvi tirar o escorpião do bolso e gastar um pouco mais pra ter algo um pouquinho melhor que aquilo.

Se endividar pra pagar uma festa de casamento é OBJETIVAMENTE uma má idéia. Só que é igual comer um Big Mac de café da manhã — uma péssima idéia que na hora me pareceu a coisa certa a fazer, e eu não me arrependo.

Mas voltando ao vídeo. Ele é repleto de elementos sensacionais; a vergonha alheia vai acumulando e acumulando como uma bola de neve de humilhação. A saber:

  • O supracitado tema de pokemon, completo com noivo vestido de membro da Equipe Rocket e o caralho;
  • Um sujeito usando uma porra de uma máscara de cavalo NUM CASAMENTO, o que te diz tudo que você precisa saber sobre a (falta de) noção dos envolvidos;
  • Encenação de batalha pokemon por parte dos convidados;
  • O nível cospóbrico das fantasias dos mesmos;
  • A noiva que tem o dobro do tamanho do noivo, fazendo-a parecer babá dele;
  • A guriazinha que sai cantando a música do Jigglypuff. Cercada de adultos mal ajustados, essaí vai estar escrevendo fanfic no Tumblr e pintando o cabelo de azul em breve;
  • A paródia da canção de abertura do desenho, com uma letra “romântica” e backvocals fora de sincronia;
  • Caralho, a noiva tá usando um fedora mano;
  • A encenação da Equipe Rocket;
  • O fato de que a noiva e o noivo DÃO UM HIGH FIVE quando o… padre…? os pronuncia oficialmente casados;
  • A coitada de peruca roxa cantando “All of Me” do John Legend de uma forma meio… psicopata. Agora que paro pra pensar, ela é provavelmente a conhecida que “canta bem”. Se pá tem vídeo dela no YouTube chacinando outros clássicos da música conteporânea;
  • Esta garota no canto inferior direito desse frame, personificando tudo que eu sinto vendo o vídeo:

“O que diabos eu estou fazendo aqui?”

  • A proposta de casamento que aconteceu em seguida (não pode haver nada mais cafona que pedir alguém em casamento DURANTE UM CASAMENTO);
  • No final do vídeo, a noiva falando “perfect!”, quando o casamento teria que melhorar MUITO pra chegar a medíocre.

Sério, esse é o vídeo mais vergonhoso que eu já vi na vida. O fato de que eles decidiram colocar isso na internet me diz muito sobre o que essa galera considera socialmente aceito.

Sinto que preciso de um banho depois de ver esse vídeo de novo, e espero que você compartilhe desse sentimento.

“Cause aaaaaaaaaaaaaaaaaaaall of me loves aaaaaaaaaaaaaaall of you…”

[ Update ] Tiraram o vídeo do ar, mas algum internauta já refez o upload.

Mermão, em todos esses anos nessa indústria vital chamada “a internet” eu já fui exposto a muita coisa vergonhosa. No entanto, nada poderia ter me preparado para o vídeo “Fedoras Are Awesome”.

Vamos DIRETO AO PONTO porque tenho que sair pra fazer compras e tal.

Este é Adam the Alien, um vlogger americano que pode ser na realidade a vergonha alheia personificada. Neste vídeo, que acho que tecnicamente consta como um clipe, o rapaz canta sua composição “Fedoras are awesome” enquanto cercado do tipo de gente que é comumente o pária social na cultura norte-americana.

Da esquerda pra direita: o(a) sujeito(a) estranho que não fala com ninguém — e pode ser até onde vemos a única pessoa com senso crítico do grupo, que se pergunta constantemente “o que estou fazendo com esses caras…?”; uma gordinha que pode ou não ser autista; o tal Adam, uma garota careca lá atrás, e um maluco que parece o tipo de gente que é presa por tentar tirar fotos escondido de mulheres em banheiros públicos.

Eu preciso explicar algo sobre fedoras, aliás — acho que o estigma deles ainda não chegou no Brasil.

Esse tipo de chapéu é associado com gente desajustada/sem tino social, que acha que o acessório vai imediatamente conferir classe e sofisticação ao usuário. Na realidade, sendo combinado frequentemente com camisetas estampadas com desenhos animados e doses cavalares de esquisitice psicológica, o chapéu virou sinônimo com “não sei me vestir”.

fedora

Basicamente, se você não é o Frank Sinatra, o Michael Jackson ou o Indiana Jones, fedoras não são pra você. Com a morte desses três (eu considero aquele 4o filme do Indy a morte dele), o fedora morreu junto.

Aí o sujeito não apenas usa o chapéu que imediatamente o faz parecer um desajustado social, como também entoa uma canção dedicado a ele, tendo como back vocals desincronizado um grupo de pessoas igualmente toscas que certamente se conheceu num fórum de animes.

Nos redutos internéticos onde se apreciam esse tipo de vergonha alheia, muitos usuários relataram não conseguir terminar o vídeo, alguns tendo inclusive que marcar uma consulta com um oncologista com urgência.

E eu vi a porra do vídeo 3 vezes. Caralho.

Pontos altos: quando a gordinha (que a propósito tenho mais certeza de que ela tem um Tumblr do que tenho certeza de que morrerei um dia) começa a berrar como um gato sendo arrastado em cima de uma cama de pregos, ou o fato de que a música acaba um minuto antes do próprio vídeo acabar.

Eu não sei mais nem quem eu mesmo sou após ver essa merda. Este vídeo me quebrou.

Pra ser completamente sincero, eu não tenho a mesma ojeriza do funk que a maioria da galera que eu conheço tem. Existe uma rejeição quase unânime de reconhecer o funk como “cultura” — isso acontece porque, por algum motivo, no Brasil, “cultura” é sinônimo de “sofisticação” ou “educação formal”. Vai saber por que.

Cultura é, na realidade, uma manifestação popular que reflete seus valores, morais, arte, costumes, e experiência de vida. Mesmo que uma letra de funk seja vulgar e ilustrando níveis de semi-analfabetização, isso ainda é cultura pelo simples fato de que é um reflexo do “way of life” dos caras. A marginalização que os habitantes dessas comunidades vivem, a baixa escolaridade, a inversão de valores (traficante é mocinho, polícia é bandido), a visão mais casual em relação a sexo… tudo isso nos dá altos insight sobre a vida dos malucos.

Posso não gostar de funk (é, junto com sertanejo, o único estilo que eu não consigo curtir de forma alguma), mas dizer que ele não é cultura porque é “musicalmente rudimentar” seria como ver pinturas rupestres pre-históricas e criticar o traço e a colorização dos desenhos, dizendo que “não é arte de verdade”.

“PFFF COMO ASSIM ESSAS PINTURAS SÃO A ‘CULTURA’ DOS HOMENS DAS CAVERNAS? SÓ TEM UMA COR, AS PROPORÇÕES SÃO TODAS ERRADAS, QUE LIIIIIIIIIXO, ISSO NÃO É ARTE DE VERDADE. ARTE DE VERDADE É A MONALISA”

Só que tem dias em que eu consigo entender melhor a aversão que a maioria dos meus broders tem por funk. Dias como hoje, em que eu descubro o tal do “falsete da amiga da MC Melody”, que talvez seja aliás uma diva.

Eu vivo uma estranha dicotomia — às vezes, sou elogiado por “estar tão bem informado sobre o que ocorre no Brasil mesmo morando no exterior”; em outras ocasiões, estar desconectado dos meios brasileiros de comunicação em massa, eu fico COMPLETAMENTE ignorante sobre certas coisas. Demorou HORRORES pra eu sacar que o tal Neymar era um jogador de futebol, por exemplo. Nunca sei qual a nova novela das 8, os nomes de artistas famosos mais recentes (cujo estrelato ocorreu depois que saí do Brasil) nunca me são familiares, esse tipo de coisa.

Por que estou mencionando isso? Porque nas minhas últimas lives do Twitch, um número grande de pessoas pedisse que eu fizesse o “falsete da Melody”. E eu não tinha a menor idéia do que porra seria aquilo.

Hoje eu descobri o que era, e preferia ter continuado sem saber.

Neste vídeo a MC Melody (cuja interminável polêmica eu deveria abordar em outro texto) apresenta sua amiga Débora, que é supostamente “top no falsete”. Débora se propõe a “mostrar cultura pra esse povo”, e então segue a… dar o grito de um gato fanho sendo serrado ao meio em cima de um telhado de Brasilite. Tudo isso enquanto manipula um theremin invisível.

Como ex-metaleiro (não me entendam mal, eu ainda ouço metal diariamente — só não sou mais “metaleiro”), chego a me ofender com essas duas chamando essa arranhada de giz na lousa de “falsete”. Se essa muié dá esse gritinho no meio de uma música eu teria pensado que um juiz está marcando uma falta nos arredores.

Como se nossos tímpanos não tivesse sido castigados o bastante, a “diva” sugere que a própria Melody ensaie um falsete.

A pequena MC atende o pedido, emitindo o que eu creio ser o som que os condenados ouvem ao chegar no inferno. Na última nota eu tenho a impressão que meu óculos trincou.

Assim é difícil defender o funk.

Eu não entendo vegetarianos. Se você observa a arcada dentária humana, nossas necessidades metabólicas e o sistema digestivo como um todo, é bastante claro que o homo sapiens precisa de carne.

E eu não quero ouvir esse papinho bundasuja de “…mas tem bastante proteína de fontes vegetais mimimi“. Mano, tem proteína em esperma também e nem por isso eu vou comer essa porra (see what I did there?). Você tentar me convencer a abandonar os hamburguers e filés e ribs e asinha de frango oferecendo comidas veganas nojentas será totalmente infrutífero, desista e economize a pouca energia que você tem graças a essa alimentação pobre em nutrientes.

O vídeo a seguir foi feito por um grupo de estudantes de uma faculdade gringa. Eles decidiram fazer o enterro simbólico de um frango.

Este sujeito de terno e gravata (que certamente é, foi ou será um serial killer em algum momento de sua vida) faz as vezes de pastor dando uma elegia pelo pobre franguinho morto. O vídeo continua e você vê que o pastor não está sozinho no funeral do pássaro; há todo um exército de desocupados com placas, fotos, flores e até mesmo um caixão para a ave.

Surge um mano no meio da parada tentando impedir o enterro do passerídeo, dizendo que não se pode sair filmando sepultamento de galinha no estabelecimento e tal, que putaria é essa mermão? Mas o grupo continua a cerimônia fúnebre sem se constranger. Colocam o galináceo no caixão  de papelão (um caixão imenso pra um bicho tão pequeno, então me parece que o comprometimento com a natureza e o ambiente não foi tão importante quanto a teatralidade do protesto…?) e vão marchando pelo supermercado com total imunidade.

Me parece que o sujeito saiu do supermercado com o frango sem pagar, no final das contas. Então de repente o protesto foi distração para o mais elaborado roubo de um frango que o mundo já viu.

Não dá nem pra culpar os caras. Deficiência de Vitamina B12 causa problemas cerebrais/mentais, e adivinha que vitamina não se encontra em quantidades suficientes em fontes vegetais?

Eu conheço um maluco vegano que quando não está postando rants semi-coerentes contra McDonalds ou a Monsanto, está compartilhando “lifehacks” veganos pra adquirir nutrientes cruciais. Mermão, me desculpe se estou soando intolerante, mas se a disputa é entre a minha saúde e a de um peixe/vaca/frango, foi mal, mas peixe/vaca/frango que se fodam.

Não fui eu quem inventou esse sistema, foi a Mãe Natureza que você supostamente tanto idolatra. Respeite as regras dela.

FOR THE RECORD: Quer ser vegano porque acredita que essa é o meio de vida mais ético/moral? Ok, eu aceito isso de boa. Cada um vive da forma que acha mais justa.

O problema é quando esses malucos impões essa escolha em animais de estimação (sério, tem vegano tentando tornar seus gatinhos veganos e quase os matando no processo), ou fazendo isso com os próprios bebês e os matando de fato.

Agora me diga se o sujeito que diz pra si mesmo “me preocupo mais com animais do que meu próprio filho, então vamos bolar uma dieta que priorize mais os primeiros do que esse último” está realmente vivendo de forma mais ética do que eu.

MAS NEM TODO VEGANO FAZ ISSO IZZY

Pergunte a qualquer vegano que você conhece o que ele acha de dar uma dieta derivada de produtos animais pra um bebê, ouça a resposta dele, e repense sua afirmação. Não tem jeito, no momento que o cara inventa motivos pra gambiarrar a alimentação de um BEBÊ, eu desisti do diálogo. Não há justificativa pra isso.

Ver Mustangs sendo danificados me causa uma dor no coração (assim como ver gadgets sendo destruídos naqueles vídeos masoquistas que testam suas resistências; sempre que um amigo quebra o celular, eu me comovo mais que o dono), mas eu tenho um compromisso jornalístico com os leitores do HBD. Vamos lá, então.

https://www.youtube.com/watch?v=7Alc3wUNulM

O vídeo acima aconteceu em Myrtle Beach, no estado americano de South Carolina. Rola lá todo ano o Mustang Week, onde donos de Mustang levam seus carros pra praia pra… sei lá, trocar idéia com outros donos de Mustang…?

Eu entendo mais ou menos o ímpeto de fraternizar com outros donos do mesmo modelo de carro do seu; sempre que paro no sinal ao lado de um, trocamos um silencioso porém respeitoso aceno com a cabeça, como quem diz “é isso aí, broder, ambos devemos até o cu a um banco só pra exercer nossa fidelidade a uma marca qualquer de carro“.

Só que alguns motoristas não se contentam em simplesmente socializar com outros amantes de muscle cars; alguns precisam dar aquela exibida. Um por um os protagonistas desse lamentável vídeo tentam driftar e inevitavelmente fazem merda.

O primeiro erra na mão e acerta um carro estacionado ali na faixa oposta. Não ficou imediatamente claro se o motorista do Mustang parou pra deixar sua informação do seguro no carro atingido (a prática comum nos EUA/Canadá quando você acerta o carro de alguém), mas eu aposto que não foi o caso.

O segundo, um tiozão que claramente não tem porque estar num evento como este, vai pra cima da galera com esse Mustang Fourth Gen tosco e arregaça o alinhamento da roda no meio fio — deixando para trás a capa da capota conversível.

O terceiro, novamente um Fourth Gen escroto, erra na mão, pula o canteiro central e se mete na contra-mão. Vemos, nos últimos instantes, fragmentos do parachoque no chão.

Eu já tentei me exibir pra amiguinhas do bairro da minha avó na bicicleta; ao tentar dar um cavalo de pau, acertei uma área um pouco arenosa e tomei um tombaço do caralho. O que eu senti de vergonha naquele momento desgraçado desse ser uma fração ínfima da humilhação que esses motoristas sentiram. Eu arranhei um pouco o joelho, eles esculhambaram os próprios carros e os de terceiros.

Também, quem mandou comprar Mustang Fourth Gen.

Vocês conhecem os vídeos “Shred”? Caso não, é o seguinte: existe um “meme”, talvez seja o termo apropriado, que consiste em pegar apresentações de bandas famosas (às vezes infames, na real) e substituir o áudio por outro que parece uma tentativa amadora de reproduzir a música do vídeo.

Este deve ter sido o primeiro vídeo shred que eu vi, “Creed Shreds”:

Outro vídeo clássico da série Shred é dessa versão de One, interpretada pelo Korn no MTV Icon homenageando o Metallica (como se aquela versão do Korn naquela já não fosse ruim o bastante)

Eu gostava muito de Metallica na época, e mais ainda do Korn, e assisti esse MTV Icon na época achando legal pra caralho. Ver esse vídeo hoje me dá calafrios de tanta vergonha alheia e insatisfação com a forma que a música soa saindo dos lábios do Jonathan Davis.

Então, por que estou abrindo esse texto com vídeos Shred? É simples: porque só compreendendo essa brincadeira youtubística você poderá entender como eu me senti quando descobri este vídeo.

Convido você a ouvir esses primeiros 60 segundos do vídeo em repeat. Aumente o volume, maximize a tela do vídeo. Assista a parada, rebobine o vídeo, assista de novo. Coloque fone de ouvidos, saboreie cada nota, cada batida na bateria, cada gritinho moribundo do Axl.

Assista essa porra quarenta vezes seguidas se for necessário. Você pode agora me culpar por inicialmente achar que se tratava de um vídeo Shred?!

É sério, eu JURAVA que era um Shred. Minha reação inicial ao ver esse vídeo foi “aahh, um Shred que eu ainda não conhecia, e agora a técnica trollística é mudar o nome do vídeo pra fazer o cara pensar que é uma apresentação real. Boa!”

Não é de hoje que esta banda aí do Axl trafega a rodovia do lamentável. Aliás, até por questões filosóficas este grupo não merece ser chamado de “Guns n Roses”; se a identidade de uma banda se deriva da porcentagem de participação de membros originais, o Velvet Revolver é que merecia esse nome. Acontece que eu jamais esperaria que as condições da banda estivessem tão deploráveis, tão distantes da glória que o grupo gozava 20 anos atrás.

Eu jamais imaginaria que shows atuais da banda poderiam ser, à primeira vista, confundidas com apresentações de um grupo de amadores e/ou um vídeo de trollagem onde toca-se mal intencionalmente.

MEU DEUS

TUDO nesse vídeo é lamentável. O Axl, ou este senhor de meia idade que comeu o Axl, claramente não tem mais a envergadura vocal pra carregar uma música como a que tentaram, e isso é claramente notável ao longo do vídeo inteiro. Eu fiquei esperando que ele tirasse uma bombinha de asma no meio da parada pra se manter respirando.

Olhe este GIF acima e tente lembrar-se do Axl nos tempos do Use Your Illusion II, por exemplo. A voz, o visual, a energia. NADA do que ele representa hoje faz jus ao passado da banda.

Não!

Não.

Já o Slash genérico que empregam na atual formação da banda e o seu chapéu costurado a la Frankenstein*, por outro lado, são uma PERFEITA analogia da situação contemporânea do Guns n Roses — uma imitação barata, um monstruoso simulacro de algo que um dia foi cheio de vida e energia (e que seu criador deveria ter matado há muito tempo).

Que vergonha, meu deus do céu. Pensando bem, ainda bem que Joplin, Hendrix, Cobain e outros morreram cedo.

*Sim, eu sei que Frankenstein é o cientista e o monstro não tem nome. Não encha o saco caralho.

DUAS Vergonhas Alheias da Semana essa semana? Abril começou forte, viu!

E sim, esta parada é meio antiga, mas só descobri agora, então foda-se: falarei agora.

Em outubro do ano passado, eu descobri um vídeo em que uns rapazes “burlavam o sistema” do Burger King pra abusar do sistema de refill de refrigerantes oferecido pelo Burger King. Eis o vídeo, caso você não tenha visto:

No post eu essencialmente denuncio a “brincadeira” como uma pilantragem cretina e vergonhosa que, se fosse emulado por um número significativo de pessoas — e o vídeo de certa forma estimula isso — acabaria resultando na suspensão desse privilégio para o resto dos consumidores (porque quando rolam abusos, é isso que costuma acontecer). O post se tornou bastante compartilhado, com 4500 shares no Facebook.

(Fui bastante criticado pela fauna infanto-juvenil do YouTube, aliás, por ter promovido uma suposta “guerra de deslikes (sic)” contra o canal dos meninos ou algo assim. Pra turminha sub-18, deslike é coisa séria, embora eu não tenha convocado naquele texto nenhuma cruzada contra as positivações do vídeo dos rapazes)

Talvez pela popularidade daquele texto, o post acabou indo parar no monitor do idealizador da brincadeira. Ele se manifestou nos comentários defendendo a palhaçada e finalizou revelando uma surpresa: ele conhece o meu trabalho, e se sentiu de certa forma lisonjeado por aparecer no site.

E nem foi uma cutucadinha irônica passiva-agressiva, não. Ele pareceu legitimamente satisfeito por se ver aqui. Além de mencionar isso durante todo o comentário, ele concluiu com:

rapaz do burger king

Um dos argumentos do rapaz no mesmo comentário foi:

A intenção desse vídeo foi mostrar para as pessoas que quando você tem um senso crítico mais aguçado, você pode enxergar além do que tá na sua cara, você consegue ler nas entrelinhas, e fazer disso algo positivo para você.

Ok.

Ele ignorou que no processo ele está lesando uma empresa (foda-se se a empresa é “rica”, isso não te dá o direito de lesa-la, caralho) e possivelmente os outros clientes para benefício próprio. Ou seja, apesar de aparentemente eloquente, o argumento do garoto é uma releitura generosa da boa e velha Lei de Gérson.

Quando ele diz “você pode enxergar além do que tá na sua cara, você consegue ler nas entrelinhas, e fazer disso algo positivo para você”, o que ele está REALMENTE falando é:

Em sua defesa, apesar desse argumento do qual eu discordo, ele se mostrou bastante ponderado e educado na sua resposta ao meu post. Isso, aliado ao fato de que o rapaz é um fã do meu trabalho, me deixou de coração mole. Pensei “ah, essas jumentices da juventude fazem parte do processo de aprendizado, né? Fazer o que.”

Hoje, meses depois, percebi que o moleque migrou de “abusos relativamente leves de regulamentos sem definições claras que definem os limites de consumo daquilo pelo qual você pagou” pra literalmente “roubando mercadoria”.

Acompanhem o vídeo.

Perceba o que te recepciona logo de cara quando você abre o vídeo:

Ladroes

Ahhh, eles são almas altruístas! De acordo com o espírito white hat, os youtubers estão simplesmente testando os protocolos anti-abuso dos restaurantes para então os alertarem e assim melhorarem o sistema! É uma missão nobre (mas é ao mesmo tempo um “tipo de humor”…?) e se você vê algum problema com isso, você é um moralista conservador bolsonarístico filho da puta.

Ok. No que consiste então a parada?

Os garotos orbitam um quiosque de sorvete do McDonalds, em busca de um comprovante de compra que esteja intacto (já que a prática no restaurante é carimbar ou rasgar o recibo). Uma vez com o recibo em mãos, os rapazes vão lá e literalmente, sem qualquer atenuante semântico para o termo, roubam sorvetes.

No caso do refrigerante do Burger King, que já era um espírito de porco aproveitador do caralho, pelo menos eles de fato tinham pago um lanche e tinham direito de ALGUNS refis. Extrapolar isso pra encher um galão de 20L é uma claríssima e indefensável picaretice, mas novamente — pelo menos em algum momento antes da lamentável sacanagem que dá razão ao estereotipo huehuebrbrbrbr, eles tinham sido consumidores legítimos.

Nesta nova brincadeira, no entanto, os rapaz partiram direto pro roubo descarado. Não há outra forma de definir o que aconteceu nesse vídeo, senão fraude e roubo.

E se  na presepada de antes eles tentavam se amparar na tecnicalidade literal do regulamento do refil, na pontinha dos pés numa fina área cinza moral, talvez por notar que não colou, dessa vez eles se pintaram como ativistas procurando vulnerabilidades para “reformular o sistema”.

Guess what, moleques? Já existe um sistema pra identificar quem comprou o sorvete. Se chama “aquele recibo do qual você se aproveitou para levar vantagem”. O próprio pentelho lembra aos espectadores que existe um sistema de carimbar ou rasgar a nota, JUSTAMENTE pra identificar as que já foram usadas. Já existe um sistema pra impedir abusos, e o único motivo pelo qual ele falhou é porque (presumivelmente) o atendente cometeu uma breve desantenção.

E vocês agora divulgaram isso pra internet, incentivando outros malandros a fazer o mesmo. E tenho certeza que em nenhum momento vocês imaginaram que a brincadeira poderia custar ao pobre atendente desatento seu emprego.

E se havia qualquer presunção de um suposto ativismo em prol da segurança corporativa do McDonalds, nem mesmo o mais palerma dos espectadores poderia comprar essa justificativa após terminar de ver o vídeo. Em nenhum momento os garotos retornam ao McDonalds pra pagar pelos sorvetes roubados, ou pra informar o atendente do seu presumível vacilo.

Eles aparecem eufóricos porque comeram sorvete de graça (ao mesmo tempo que lamentam terem conseguido apenas e só.

Fig1: Dois rapazes que hidratam o rosto com óleo de peroba

Ok, lembro que deixei passar da primeira vez porque o moleque é fã do HBD e é jovem, e quando se é jovem se faz cagada mesmo. É fazendo merda que se aduba a vida, mas meu filho, pode parar que a sua já tá bastante fértil.

E acho que ele nunca parou pra pensar que se divulgando fazendo esse tipo de imbecilidade, o garoto está essencialmente se livrando do risco de um dia ter um emprego sério. Basta um possível empregador resolver dar uma pesquisada na vida online dele.

Na moral, que tipo de mongolóide se filma ROUBANDO e posta isso na internet pra 50+ mil pessoas assistirem?!

Estes.

Este tipo.

Legal vai ser quando os pais (porque eu tenho CERTEZA que esses moleques ainda moram na casa dos pais, sujeitos à sua disciplina) descobrirem o que os filhotinhos andam fazendo por aí.

Se bem que com esse comportamento, sinto a sensação de que disciplina paterna não foi uma constante na vida destas crianças.

A internet é de fato uma faca de dois gumes. Aliás, peraí: essa expressão “faca de dois gumes” (sendo usado pra descrever algo que tem um lado positivo, mas também tem um lado negativo) não faz sentido, porque ela serve pra basicamente qualquer coisa se tu parar pra pensar.

Até uma faca de um gume, tecnicamente falando, é uma “faca de dois gumes” — por um lado (o fio) ela corta, mas do outro lado ela não corta… Logo, tem uma aplicação produtiva, e uma inútil: justamente uma “faca de dois gumes”.

Mas voltando ao assunto: na internet a gente vê uma dualidade sinistra. Ao conectar as pessoas e dar a elas uma voz e um veículo, ela permite que pessoas de impressionante talento sejam expostos às massas. E ao mesmo tempo, pelos mesmos motivos, ela permite que pessoas sem qualquer talento nato pra coisa alguma exponham suas pífias tentativas ao mundo, para o deleite daqueles que curtem doses cavalares de Vergonha Alheia daquelas que fazem até seus dentes doerem de tão intensas.

E o vídeo de hoje cai nessa segunda categoria.

Antes de mais nada me permitam adicionar aqui que este estilo de edição deste vídeo é mais irritante que essa nova tendência de Hollywood de filmar cenas de ação dando a câmera pra um portador de Mal de Parkinson. Por algum motivo que certamente fez sentido para o editor desta peça (ou talvez por uma limitação do software e/ou de suas habilidades de cineasta), todas as tomadas terminam num freeze frame de 1 segundo na última imagem de cada cena. Eu não consigo explicar por que isso me enche de fúria.

Mas então, vamos ao vídeo. Na sequência, vemos uma porção de rapazes praticando o que eles certamente acreditam ser alguma arte marcial extremamente séria e efetiva pra combate. O problema é que em boa parte, esta tal arte marcial parece alguém correndo desesperado enquanto é picado no rosto por abelhas:

Se a sua arte marcial é indistinguível dos movimentos desesperados de uma criança que caiu num arbusto e está sendo atacado pela fauna indígena do local, repense a prática.

Tinha que ser um gordinho, ainda por cima, né?

Já que o vídeo original foi tirado do ar e este mirror que postei ali em cima não dá nome à esta arte marcial, chamarei-a de ESTAPEAFU, derivado do fato de que o principal golpe da parada parece ser uma sequência de tapas que talvez provocasse um leve incômodo em um possível agressor.

Então, em outro trecho do o praticante do estapeafu sujeito desfere tapas numa luva de foco; o problema é que tais tapas parecem mais aptos a reproduzir rudimentalmente a batucada daquela música lá do William Tell do que de fato agir como uma técnica de auto-defesa.

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Assiste o vídeo de novo que encaixa quase perfeito, com um leve aumento de BPM.

Eu estou com uma fortíssima impressão que este rapaz assistiu mais horas de Naruto e Inuyasha do que cirurgiões precisam estudar pra obter seus diplomas.

E aí pinta o tiozão sem camisa — suspeito que é algum mestre ou autoridade no esporte, porque está exercendo sua posição de macho alfa da manada — e apresenta umas variações importantes na técnica: tapas no próprio peito (caso você queira facilitar o trabalho de um possível bully) e um chutinho de lado que não tem a força suficiente pra derrubar um castelo de cartas.

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Esse chutinho de lado é versátil porque em um momento ele finge que o usa como ataque, e em outro ele usa pra dar um salto Prince of Persia-style usando uma coluna pra se propulsionar.

Desde meus tempos de juventude, impulsionado por Cybercops e Power Rangers, eu não via um grupo de pessoas tentando avidamente reproduzir o que eles achavam que era uma arte marcial após ter provavelmente visto algo semelhante na TV.

Em algum lugar neste planeta, esses caras estão lá se estapeando e dando chutinhos em escadas de piscina na completa convicção de que com este skill eles poderão se defender num confronto físico. E se ensinando coisas malucas, como…

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“Sabe aquela parte frágil da sua perna, que dói absurdamente quando você a esbarra de leve contra qualquer coisa? Então, se jogue pra cima de um adversário com todo o peso do seu corpo usando essa parte como pivô de impacto”

Supondo que isto não é apenas um bando de amigos bêbados que acabaram de assistir um filme do Van Damme e falaram “opa galera vamo gravar uns negócio aqui”, e sim um movimento organizado ou quiça algum tipo de dojo “profissional do esporte — como eles propagandeiam a eficácia da arte marcial pra obter novos praticantes…?

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“Como praticante de Estapafu você será uma eficiente máquina de matar. Você será capaz até mesmo de quase rasgar uma página de uma revista em duas!”

Que MERDA mano.


christian side hug

Já que aparentemente o tema da semana aqui na HBD Media & Aluguel De Veículos para Frete é “a suposta superioridade moral cristã”, penso que encontrei este vídeo na hora certa. O vídeo é antigo mas foda-se mano.

Gimme Dat Christian Side Hug“, ou “Me dê aquele abraço lateral cristão” no nosso bom português Brasil brasileiro, é uma apresentação de um grupo rapper evangélico americano. O rap é levado na batida da Marcha Imperial de Star Wars, o tema do imperador Palpatine. Porque afinal de contas quando eu penso em uma bússola moral apontada firmemente para o Bem, a Verdade e os Bons Costumes, a linda face do Darth Sidious me vem à mente.

sidious

Cooptando hilariamente da cultura hip hop pra passar mensagem de castidade (outra junção bastante inapropriada; assista target=”_blank”>este vídeo e preste atenção na sua letra pra entender o tipo de mensagem mais tipicamente associada ao estilo), os trinta rappers no palco exortam a congregação a evitar os abraços tradicionais, ou “de frente” — ou não-retardados — pois esse tipo de abraço coloca os genitais frente a frente e são um convite à fornicação.

Agora, tem o seguinte.

O hábito do abraço lateral é realmente praticado e incentivado nas congregações como aquela em que o grupo se apresentava. Fui membro de igrejas evangélicas por anos e a doutrina vigente essencialmente pede que os jovens se comportem como seres absolutamente assexuados; sexo e masturbação são pecados gravíssimos, alguns condenam até mesmo beijos “de língua” entre namorados, e os mais radicais chegam a pedir que jovens amantes se sentem em assentos separados na igreja, pra que não fiquem de mãos dadas durante o culto inteiro.

Pois bem. Apesar diso, após o vídeo atingir proporções meméticas na internet o autor da música falou que era tudo uma grande brinks com a prática.

Eu não engulo essa. Redutos cristãos não são conhecidos por essa irreverência declarada com práticas que os membros em geral levam a sério; além disso, relatos no reddit indicam que o grupo apresentou a música bem a sério, com o pastor finalizando a apresentação com a recomendação de que os jovens considerem bem o que o grupo cantou.

E como na letra não há nenhum elemento de zoação com a prática, eu concluo irreversivelmente que a música era séria.

Mas é normal a reação do maluco. Se até EU fiquei com vergonha vendo o vídeo, imagina a cara dele quando ficou sabendo que uma mensagem tão importante virou chacota generalizada na internet…?

facas

A internet, além de uma biblioteca ilimitada de conhecimento humano (com pornografia), é um local onde pesoas uploadam vídeos deles mesmos fazendo coisas inacreditáveis. Existem coletâneas inteiras disso na internet, em vídeo e tudo. target=”_blank”>Olhaí, por exemplo. Aliás, a internet me convenceu irreversivelmente que eu sou a única pessoa nesse mundo inteiro que não sabe fazer nada extraordinariamente legal.

Ahhh, se eu soubesse dar saltos mortais, por exemplo! Sem dúvida este seria meu método exclusivo de locomoção. Entretanto, sou gordo e sem coordenação motora. Mas do que eu estava falando mesmo?

Ah, sim. Pessoas gostam de upar na internet vídeos em que eles fazem coisas inacreditáveis. Algumas pessoas sem habilidades impressionantes assistem tais vídeos e apenas suspiram; já algumas resolvem tentar fazer vídeos mesmo sem ter algo surpreendente pra mostrar.

tipo

Auto-zoação a parte, o vídeo que quero comentar é outro exemplo de alguém sem uma habilidade impressionante mas que quer se exibir pra internet mesmo assim. Eu vos apresento o MESTRE DAS FACAS — um título que é menos “wow este cara é foda” e mais “nome de serial killer dado pelos jornais”.

Este rapaz — que eu chamarei de FÁBIO, porque ele tem uma PUTA cara de Fábio — está elogiando as virtudes da tal faca AK-47. Em primeiro lugar vamos combinar que sair por aí com uma FACA com intenções de auto-defesa é uma idéia com leves tendências suicidas. Uma arma eu até entendo melhor, mas uma FACA…? Você quer realmente  entrar numa disputa de armas brancas (na MELHOR das hipóteses seu agressor teria uma faca também, né?) com alguém que tem pouco ou nada a perder? Seu Galaxy S3 não vale isso tudo, meu broder.

s3

Alguns diriam até que ele não vale nada

Primeiro ele demonstra a capacidade da faca de expor a lâmina assim que você a puxa do bolso, porque “quando sacamos uma faca pro combate, temos que sacar e abrir… a AK nao”. A total casualidade com a qual ele disse a frase “quando sacamos uma faca pro combate…” insinua que isso acontece com uma frequência que nem o surpreende mais, e que o cara é um exímio FATIADOR de assaltantes.

Ou talvez signifique que ele nunca entrou numa briga na vida, um dos dois.

Em seguida, ele começa a… bem, eu não sei exatamente do que chamar isso que ele tá fazendo. Ele está semi-dançando ao mesmo tempo que simular esfaquear alguém que em determinados instantes teria que ser algum jogador da NBA. Há muito tempo não vou pro Brasil mas que eu me lembre a maioria dos assaltantes não tinha 1,90m de altura.

briga

Ô Fábio, se o cara tá no segundo andar do prédio tu não precisa brigar com ele, apenas sai correndo. Daqui que ele desça até onde você está, seu Galaxy S3 já está são e salvo.

O vídeo é piorado pelo fato de que o cara pontua seus combos com tapas na coxa e no bíceps. Eu não tou entendendo nada; se essa porra de faca requer esses tapinhas pra funcionar, acho que o assaltante continua em vantagem com a faca tramontina normal dele.

Suponho que tais tapinhas sejam alguma afetação desnecessária de seja lá qual a arte marcial inútil que este sujeito se iludiu a pensar que o salvará da morte certa quando ele tentar peitar um assaltante. O problema é que essa frescura teatral aí te prepara tanto pra um combate mortal com um assaltante quanto jogar Fruit Ninja te prepara pra ser um chef de cozinha. Aliás, eu até suspeito que alguns desses movimentos aí do Fábio foram derivados de Fruit Ninja, agora que eu paro pra pensar.

Aliás, fica aqui um adendo: esses sujeitinhos das artes marciais são a epítome do “como eu penso que é vs o que acontece na realidade”. Em suas mentes, sem dúvida se visualizam com a maestria de um Bruce Lee contemporâneo; em realidade, é mais ou menos assim:

Vai lá, deixe o comentário revoltado que você pensou em escrever assim que eu critiquei o seu celular.

Ah, e assista isso aqui.

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