[ Vergonha Alheia DO ANO ] Casamento temático de Pokemon

 

Rapaz, eu me amarro em vídeos de vergonha alheia.

Parte disso é porque ver gente muito desajustada e sem jeito faz com que eu me sinta um pouquinho melhor em relação a mim mesmo (“porra, eu sou tosco, mas não sou TÃO tosco assim pelo menos…”). Outro fator que contribui pra esse hobby de voluntariamente me expor a doses cavalares de vergonha alheia é porque provavelmente existe em mim alguma glândula que libera endorfinas quando ativada quando assisto cenas lamentáveis.

É por isso, provavelmente, que eu assisti The Office de cabo a rabo três vezes — mesmo que a saída do Steve Carell tenha reduzido muito os momentos na série em que você faz essa cara:

cringe

O Andy Bernard tentou, pelo menos.

Pois bem.

Mesmo eu sendo um connoisseur de vergonha alheia, um entusiasta do schadenfreude, um hobbysta da tosqueira, eu conheci essa semana um vídeo que praticamente me quebrou. Eu nunca vi uma concentração de vergonha alheia tão grande num vídeo só.

É algo realmente fantástico; o número de coisas que precisou dar errado na vida de todas as pessoas envolvidas no vídeo abaixo pra que o evento registrado acontecesse desafia a probabilidade. Mesmo sabendo que existem provavelmente infinitos universos paralelos eu duvido que as circunstâncias necessárias pra esse vídeo se alinhem novamente. Vamos lá.

https://www.youtube.com/watch?v=DKDDZHCaopI

(Nao sei porque, mas o video nao quer embedar na pagina…?)

Logo de cara, É UM CASAMENTO POKEMON. Não apenas isso, mas um casamento pokemon low budget. Vamos abordar separadamente ambas parcelas dessa soma. Ou seja lá qual é o nome das partes de uma soma. É “parte” mesmo? Finalmente surge o dia em que eu preciso lembrar de algo da minha segunda série e meu cérebro me deixa na mão.

Primeiro, casamento pokemon. Mano, eu curto joguinhos em geral e pokemon em particular. Eu tenho uma tatuagem de pokemon. Eu não sou o tipo de gente que fala que “videogame é coisa pra criança”, até porque não estamos em 1996.

Só que como dizia meu professor de cálculo diferencial na faculdade, TUDO TEM UM LIMITE.

Eu não sou o cara mais tradicional do mundo (como mencionei, tatuagem de pokemon…) mas porra, casamento é uma instituição social milenar, até citada na bíblia essa porra é. É uma das poucas ocasiões em que a sua família extendida e a da sua esposa vão interagir — por “interagir”, entenda-se “comer e beber às suas custas, possivelmente reclamando ao mesmo tempo”. De fato, é nesse dia em que as duas famílias se tornam uma amálgama. Talvez esse seja um bom dia pra agir como um membro produtivo da sociedade.

Não é apenas inortodoxo dar a esse dia uma temática que se encaixaria melhor no aniversário de criança de 5 anos, é realmente vergonhoso; é o tipo de coisa que dá a gamers aquela má fama de serem um bando de manchild autista.

Dar um ou outro detalhe nerd e que represente a personalidade do casal no casamento, vá lá. Por exemplo, tem umas fotos de bolo de casamento baseado em Mario bem bacana. É uma forma um pouco mais, digamos, discreta de injetar um pouco dos seus interesses na data especial. No casamento de um amigo nerd meu, o buquê de flores era feito de um arranjo de Fire Flowers do Mario, manja? Um detalhe pequeninho, uma espécie de aperto de mão secreto pros outros nerds na platéia.

Algo que não faça o seu casamento inteiro parecer que deveria ter acontecido dentro daqueles salões do McDonalds pra festinha de criança.

E tem o fator “casamento low budget”, que é uma fonte inesgotável de vergonha alheia também. Olha, eu sei que soa babaca falar isso, mas seja honesto consigo mesmo — você SABE que casamento de baixo orçamento é um negócio tragicômico.

Quando eu me casei em 2012, minha situação financeira era beeeeeem diferente. Eu trabalhava numa porra duma sex shop, e esse negócio de contar piadinha na internet não rendia nada. Eu e minha esposa planejamos um casamento beeeem “simples” (eufemismo pra “de pobre”, sejamos francos): uns 20 convidados só, num centro comunitário na cidade natal dela. Nenhuma decoração (“ah, pra que gastar dinheiro só pra enfeitar o local…”), sem fotógrafo, sem comida, sem DJ… pra ser mais “humilde” que isso (nosso povo adora um eufemismo pra “pobre”, né?), só se eu levasse a menina de ônibus pro cartório vestida de noiva.

Uns dois meses antes do meu casamento, um velho conhecido meu lá da cidade da minha esposa se casou no mesmo local que escolhemos. As fotos resultantes do evento, que tinha as mesmas proporções modestas que tínhamos em mente, me CHOCOU. O noivo de camisa de botão com manga curta e gravata parando no meio da barriga, o local totalmente desguarnecido, os padrinhos sem sequer usar roupas combinando, não tinha comida, nem fotógrafo tinha — as fotos “oficiais” do casamento foram tiradas com um iPhone.

Decidi que minha futura esposa merecia uma memória melhor que essa, então resolvi tirar o escorpião do bolso e gastar um pouco mais pra ter algo um pouquinho melhor que aquilo.

Se endividar pra pagar uma festa de casamento é OBJETIVAMENTE uma má idéia. Só que é igual comer um Big Mac de café da manhã — uma péssima idéia que na hora me pareceu a coisa certa a fazer, e eu não me arrependo.

Mas voltando ao vídeo. Ele é repleto de elementos sensacionais; a vergonha alheia vai acumulando e acumulando como uma bola de neve de humilhação. A saber:

  • O supracitado tema de pokemon, completo com noivo vestido de membro da Equipe Rocket e o caralho;
  • Um sujeito usando uma porra de uma máscara de cavalo NUM CASAMENTO, o que te diz tudo que você precisa saber sobre a (falta de) noção dos envolvidos;
  • Encenação de batalha pokemon por parte dos convidados;
  • O nível cospóbrico das fantasias dos mesmos;
  • A noiva que tem o dobro do tamanho do noivo, fazendo-a parecer babá dele;
  • A guriazinha que sai cantando a música do Jigglypuff. Cercada de adultos mal ajustados, essaí vai estar escrevendo fanfic no Tumblr e pintando o cabelo de azul em breve;
  • A paródia da canção de abertura do desenho, com uma letra “romântica” e backvocals fora de sincronia;
  • Caralho, a noiva tá usando um fedora mano;
  • A encenação da Equipe Rocket;
  • O fato de que a noiva e o noivo DÃO UM HIGH FIVE quando o… padre…? os pronuncia oficialmente casados;
  • A coitada de peruca roxa cantando “All of Me” do John Legend de uma forma meio… psicopata. Agora que paro pra pensar, ela é provavelmente a conhecida que “canta bem”. Se pá tem vídeo dela no YouTube chacinando outros clássicos da música conteporânea;
  • Esta garota no canto inferior direito desse frame, personificando tudo que eu sinto vendo o vídeo:

“O que diabos eu estou fazendo aqui?”

  • A proposta de casamento que aconteceu em seguida (não pode haver nada mais cafona que pedir alguém em casamento DURANTE UM CASAMENTO);
  • No final do vídeo, a noiva falando “perfect!”, quando o casamento teria que melhorar MUITO pra chegar a medíocre.

Sério, esse é o vídeo mais vergonhoso que eu já vi na vida. O fato de que eles decidiram colocar isso na internet me diz muito sobre o que essa galera considera socialmente aceito.

Sinto que preciso de um banho depois de ver esse vídeo de novo, e espero que você compartilhe desse sentimento.

“Cause aaaaaaaaaaaaaaaaaaaall of me loves aaaaaaaaaaaaaaall of you…”

[ Update ] Tiraram o vídeo do ar, mas algum internauta já refez o upload.

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comments

13 comments

  1. A cara na boa, entendo a sua vergonha alheia mas eles estão felizes assim que se dane. Pelo menos a festa foi certamente inesquecível para todo mundo que compareceu hahaha.

  2. Praquele dia que vc se sente um nada, achando que nenhuma garota/garoto pode gostar de vc, veja esse video. Em algum lugar do mundo certamente tem alguem que vai te amar como vc eh.

  3. vc tá ligado que esse post com uma descrição enorme do ocorrido não leva à lugar algum sem o vídeo né?

    está sem o vídeo no momento… aguardando a Internet Internetizar para continuar a leitura…

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