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O acidente de Byford Dolphin, provavelmente a pior coisa que já aconteceu com alguém

Postado em 16 October 2014 Escrito por Izzy Nobre 10 Comentários

byford

Todos temos dias ruins de vez em quando. Se você já bateu o carro, perdeu o emprego, teve uma morte na família ou tomou uma bomba desgraçada naquela prova em que você precisava ter um bom rendimento pra passar numa certa disciplina, você já experimentou uma dose generosa do desalento que acompanha o quebrar do espírito humano. Talvez HOJE MESMO uma (ou múltiplas?) dessas coisas  tenha acontecido com você.

Quando tais coisas acontecem, uma das técnicas frequentemente usada pelos broders é dizer que “as coisas poderiam ser pior, mano!”; como evidência disso, ofecerem cenários hipotéticos que seriam de fato piores do que a sua condição atual. “Sei lá cara, podia você ter pego sua mulher na cama com o seu cachorro!” ou outros cenários absurdos são imaginados pra fazer você não sentir na merda. Bem, frequentemente estes cenários fogem tanto do reino da realidade que fica até difícil considera-los como exemplo de que de fato as coisas poderiam ser pior.

Hoje eu venho trazer um exemplo melhor que ser chifrado pelo Totó. E o exemplo é o seguinte: pelo menos você não estava na Byford Dolphin quando ela explodiu.

A Byford Dolphin é uma plataforma de petróleo construída nos anos 70. Atualmente ela é operada pela BP, a petroleira infame pelo vazamento no Golfo do México.

Então. Em 5 de novembro de 1983 (exatamente um ano antes do meu nascimento; marque no calendário pra não esquecer aliás) a plataforma estava perfurando perto da Noruega.


byford 2

Neste dia terrível (e é foda, bem que os caras podiam ter escolhido outra data né), as leis naturais que regem o nosso universo deixaram patente que não se importam, nem um pouquinho só, com o bem estar da raça humana. Ou pelo menos com uns quatro mergulhadores em particular que estavam trabalhando lá naquele dia.

É o seguinte. Pra trabalhar nas profundidades necessárias pra puxar petróleo/gás natural do fundo do mar, os caras entram em batisferas (também chamados de “sinos de mergulho”, de acordo com meus seguidores no Twitter) pra descer até lá embaixo. A pressão da água lá embaixo é mais alta do que a sua dívida do cartão de crédito, então pra evitar que a batisfera seja amassada feito uma latinha de guaraná Kuat,  a pressão dentro dela é altíssima — 9 atm, pra ser exato, ou 9 vezes a pressão da nossa atmosfera ao nível do mar.

Uma batisfera similar.

Então. O problema é que ao puxar os mergulhadores pra superfície novamente, o diferencial de pressão é ABSURDO. Por isso, existe todo um sistema de equalização atmosférica pra permitir que os mergulhadores saiam do ambiente altamente pressurizado. A batisfera é conectada à plataforma, mas as portas que separam os dois ambientes só são abertas quando um supervisor averigua que a pressão já foi equalizada.

E aí está a desgraça.

Naquele fatídico dia 5 de novembro, um dos mergulhadores fez merda e abriu uma das travas das portas da plataforma antes que a pressão tivesse sido equalizada. O ar da cabine sob 9 atmosferas saiu violentamente pras outras câmaras, matando instantaneamente toda a galera que estava no ambiente. Mas isso não é a pior parte.

Um dos caras se chamava Truls Hellevik. Ele estava DO LADO da porta por onde o ar passou, ou seja, sofreu a maior exposição dos efeitos da descompressão explosiva. Sabe quando usa-se o termo “explosivo” como um modificador hiperbólico? Tipo uma notícia explosiva, ou um temperamento explosivo. 

Neste caso, quando a gente diz “descompressão explosiva”, é exatamente disso que estamos nos referindo. O Hellevik literalmente explodiu de dentro pra fora por causa da expansão súbita dos gases dentro do corpo dele, tamanho era o gradiente de pressão.

Vejamos o que a wikipédia tem a nos dizer:

 All of his thoracic and abdominal organs, and even his thoracic spine, were ejected, as were all of his limbs.

Em outras palavras, foi essencialmente a versão mundo real disto aqui.

E não é só isso. Além de ter EXPLODIDO, os restos mortais do pobre Hellevik foram expelidos por uma passagem de menos de 60 centímetros de diâmetro formada pela porta emperrada da câmera onde ele estava, fazendo dele provavelmente o único infeliz na história da humanidade a ser explodido e em seguida moído.

Foi Hellevik pra tudo quanto era lado, basicamente pintando o interior das câmaras com suas entranhas. Encontraram pedacinhos do cara numa torre 10 metros acima de onde a explosão aconteceu.

Pra você ter uma noção ainda melhor da desgraça, o sangue do cara ferveu instantaneamente, tamanha foi a brutal diferença de pressão a que o corpo dele foi submetido.

Então. Seja lá o que te aflige no momento, podia ser pior.

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Categorias: Vida maldita

About Izzy Nobre

Oi! Eu sou o autor desta pocilga. Tenho 32 anos, também sou conhecido como "Kid", e moro no Canadá há 13 anos. Geralmente perco meu tempo na internet atualizando este blog, batendo papo no twitter, produzindo vídeos para o youtube, e conversando sobre videogames antigos no podcast 99 Vidas, e sobre notícias bizarras n'O MELHOR PODCAST DO BRASIL. Se você gostou deste texto, venha me dizer um alô! Adoro conversar com os leitores :)

10 Comentários \o/

  1. Angelo Jr says:

    To com pena dos 3 que se fuderam por causa de um imbecil, é que nem aqueles acidentes de carro que um idiota bebado passa por cima de pedestres ou coisas do tipo (basicamente, se fuderam por um erro dos outros)

  2. Vinicius Martarello says:

    Coitado desse cara, será que ele sentiu algo ou foi instantâneo?

  3. Murilo says:

    -- “Puts cara, meu tio morreu atropelado por um trator =( ”
    -- Pensei bem, podia ser pior…
    -- “Pior como cara?”
    -- Ele poderia ter explodido de dentro para fora triturado ao ponto virar purê e ter o sangue fervido devido a pressão de 9 atmosferas por causa de uma merda que o colega de trabalho fez…

    LOL

  4. BrunoHe says:

    Véééééi morrer por causa da estupidez de outra pessoa eh mta mancada

  5. Gustavo C. says:

    Uma vez ouvi falar que esse tipo de morte é justamente uma das melhores formas do ponto de vista da dor e velocidade, pois não se sente nada. Não dá tempo. Ao contrário da decapitação, que a cabeça continuaria viva por alguns segundos, pq afinal o cérebro tá ali e ele não vai apagar no exato momento do corte.

    Outra forma indolor de morrer é quando se está perdido no deserto, aí o negócio é tirar toda a roupa e ficar pelado: você começa a suar como nunca suou na vida, a água do corpo vai evaporando tão rapidamente que você apaga como se pegasse no sono, e do sono vai pra morte.

  6. Luís Fernando says:

    Suspeito que você tenha lido isso no mesmo tópico que eu, mas achei essa pior: http://www.reddit.com/r/AskReddit/comments/2hf7dx/who_died_the_worst_death_in_history_nsfw/cks3c8u

    A mulher quis se matar. Entrou na banheira e jogou um aquecedor elétrico ligado dentro. Já vimos em todos os filmes que isso faz com que a pessoa morra quase que instantaneamente.
    Bem, no caso dela a corrente não foi suficiente para matá-la, mas foi o suficiente para fazer ela ter convulsões. Enquanto isso, a corrente aquecia a água até ela ferver e evaporar, o que levou 12 horas.

  7. André Henrique says:

    Eu consegui rir desse texto, devo ser uma péssima pessoa

  8. Danilo Ferreira says:

    Eu ri intimamente da parte “foi Hellevik pra tudo quanto era lado”, então, tecnicamente, vou pro inferno.

    Mas depois de alguns minutos bateu um arrependimento, seguido pela certeza de que o riso foi involuntário. Então, de acordo com meus cálculos, com o arrependimento ocasionado pela consciência da involuntariedade do riso auto-condenador, eu vou pro céu. Ufa!