Você desistiu dos relógios de pulso?

Estes são os Amazfit Pace e Stratos, dois smartwatch “budget” que me foram enviados pela galera da Gearbest pra resenhar pros inscritos do meu canal. “Budget” é um termo chique (millenial acho que é como chamariam hoje em dia), pro que minha mãe em minha infância chamava de BBB — bom, bonito e barato.

Pace, o da esquerda, é o que tenho usado há mais de um ano. Recebi o relógio pra resenhar no começo do ano passado e me apaixonei completamente pelo aparelho. Cheguei a fazer o impensável — aposentei terminantemente meu antigo Pebble Time Steel, que havia custado literalmente mais que o dobro.

Eu recebo coisa pra CARALHO da Gearbest pra resenhar. Em qualquer momento, há umas 30 caixas aqui no escritório, esperando serem abertas:

Às vezes eu penso que morrerei antes de conseguir resenhar tudo, porque eles não param de mandar coisa nova!

Naturalmente, um monte de coisa acaba não tendo performance boa o bastante pra substituir os aparelhos que eu já uso pra determinadas funçòes. Ainda vejo o valor nesses aparelhos, porque eles tem como alvo mercados emergentes, onde gastar 3 mil reais num celular não faz tanto sentido.

O que não impede vários comentaristas das resenhas a perguntarem, de forma sarcástica, como eu poderia elogiar o novo Xiaomi Mi A2 que mostro no canal, se ainda continuo usando meu iPhone X diariamente.

Broder, se um celular de 200 doletas conseguisse substituir COMPLETAMENTE um de 1600, batendo de frente com o competidor oito vezes mais caro em TODOS os critérios, a presidente Xiaomi seria o imperador do planeta Terra a essa altura já. Não existiriam zeros o bastante pra contabilizar o saldo bancária do cara!

Então. Embora muito do que em enviam é consideravelmente mais atraente pra mercados emergentes1 (América do Sul, Ásia e tal), tem algumas coisas que a Gearbest vende que arregaça em tudo.

E esses relógios da Amazfit são bons exemplos disso. Já praticamente terminei a rodada de uso do Stratos, e caso você não queira esperar minha resenha em vídeo: pode comprar sem medo de ser feliz.

Maior que o Pace, mas ainda bem elegante.

Tela que tá sempre ligada (ODEIO smartwatches que requerem alguma ação pra ligar a tela2), construção sólida, inúmeras watchfaces disponíveis gratuitamente, vida de bateria melhorada. É tudo que você espera de um upgrade de um smartwatch que já era excelente.

Pra completar, a Amazfit não tem decepcionado no suporte, com frequentes updates de software. Às vezes eles mudam a posição de algumas opções de configuração (mudar de sistema imperial pra métrico tem agora que ser feito no celular, por exemplo), mas tirando isso, é ainda uma excelente experiência.

Mas voltando ao assunto do título — embora meu Amazfit Pace velhinho de guerra seja continuamente elogiado (acho que por causa da chamativa da pulseira laranja, meus óculos antigos recebiam equivalente atenção por causa das laterais vermelhas), às vezes sou interpelado por pessoas que não entendem o propósito de usar relógio de pulso em 2018.

O seu celular, eles argumentam, faz o mesmo que o relógio. Basta tirar do bolso e olhar — ou nem isso, visto que o ser humano contemporâneo passa provavelmente 1/3 do seu tempo olhando pro celular. Vai, corre pra comentar que você é o diferentão que não fica o tempo inteiro nas redes sociais ou jogando Doodle Jump.

Nossa, que saudade.

E realmente faz sentido; relógio de pulso é um pouco supérfluo mesmo. Entretanto, eu ainda vejo muito valor nessa categoria de aparelho.

Primeiro, porque é um das poucos adereços que um homem pode usar pra incrementar o estilo, especialmente se você trabalha em ambiente corporativo sério como eu.

Relógios como o Amazfit Pace ou o Stratos, inclusive, permitem que você troque as pulseiras e escolha combinações que funcionem melhor com uma determinada roupa. É bacana, embora eu esteja já praticamente casado com aquela pulseira laranja. Realmente gosto bastante dela.

Cabe aqui um parêntese — as watchfaces customizáveis permitem inclusive que você tenha uma “cara” corporativa, e uma mais despojada, que reflita elhor sua personalidade.

Por exemplo, tem essa watchface aqui, que fiz no começo do ano:

Ficou daora, ADMITA!

Mas vai que você tem que dar uma apresentação pra clientes e não quer dar a impressão de que o portfólio financeiro deles fique na mão de um manchild mongolóide que usa desenhozinho de videogame no relógio?

Com dois toques você se disfarça como um membro normal da sociedade, trocando por essa:

Bonito também, mas não tem o charme de Pallet Town!

Em segundo lugar, porque acho que o hábito de usar relógio de pulso tem um quê elegante, embora também bastante utilitário. Talvez eu esteja sozinho nisso, mas quando vejo alguém de relógio, eu não penso “nossa que inútil, ele não tem celular?”; eu penso que o cara é um sujeito ocupado demais, muito atarefado com funções vitalmente importantes, e às vezes bater o olho no pulso é uma forma mais prática de conferir o horário.

Penso em engenheiros, cirurgiões, astronautas, ou no James Bond.

Em terceiro, porque adotar o celular como relógio é um estranho retrocesso.

Pensa bem: antigamente, tínhamos relógios de bolso. Cê tinha que sacar o relógio, apertar o botãozinho pra abrir a tampa, e então conferir o horário. É trabalho demais, porra.

Então veio alguém e pôs o relógio numa pulseira, transformando a coisa numa jóia pra mulheres. Veio Santos Dumont — que precisava de uma forma prática de ver as horas sem que isso tirasse sua mão dos controles das geringonças voadoras que ele inventava — e popularizou o apetrecho entre homens.3

Pra mim, retornar o relógio ao bolso é uma desevolução. O relógio não merece estar confinado na masmorra têxtil do seu bolso, e sim gloriosamente à vista de todos!

Ainda mais quando é bonitão igual o meu Pace.

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comments

1 comment

  1. Aqui no BR ter um desses é pedir pra ser assaltado. É low budget prai que o aparelho custa 100 dolar e isso é troco de pão pro salario dai, mas aqui é x4+envio+60%+risco dos Correios quebrar ou “extraviar”(roubar).
    Não é viável e eu já to expandindo o “bandido bom é bandido morto” para cargos públicos. Não apenas pobre e viciado.

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